Aulas ensinam a lidar com emoções e podem combater “Jogo da Baleia Azul”

Programa desenvolvido por médico psiquiatra está sendo aplicado em escolas brasileiras, com base em pesquisas do Casel, principal centro de estudos em aprendizagem socioemocional do mundo. Médico afirma que a escola apresenta ambiente propício para ensinar crianças e adolescentes a lidarem com as próprias emoções

O jogo da ‘Baleia Azul’, que propõe desafios a adolescentes e sugere o suicídio como última etapa, preocupa pais, alunos e professores no Brasil. Há pelo menos dois casos de morte sob investigação policial, além de algumas tentativas de suicídio, que supostamente podem ter relação com o jogo.

A prevenção da depressão em jovens e crianças pode ser começar na escola. É o que acredita o médico psiquiatra Celso Lopes de Souza, fundador do Programa Semente, metodologia que está sendo aplicada em escolas brasileiras e que ensina os alunos a lidarem com as emoções.

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Junto com um grupo de educadores e com base no Casel, principal centro de estudos da aprendizagem socioemocional do mundo, Souza fundou o Programa, que está oferecendo às escolas brasileiras a possibilidade de preparar seus alunos a lidarem com os próprios sentimentos, como ansiedade, medo e tristeza, por exemplo. O Casel reuniu em 2011 diversos pesquisadores ao redor do mundo para avaliar o impacto de programas de habilidades socioemocionais na vida de 270 mil estudantes. Os resultados de boas práticas incidiram não só na diminuição da possibilidade de surgimento de transtornos psiquiátricos, como também, na melhora em média de 11% no desempenho acadêmico.

Numa aula sobre autoconhecimento e autocontrole do Programa Semente, por exemplo, o aluno é incentivado a refletir sobre suas emoções e se conhecer melhor. De forma estruturada, o programa trabalha os cinco domínios: autoconhecimento, autocontrole, empatia, tomada de decisões responsáveis e habilidades sociais. O controle da ansiedade, por exemplo, é fomentado com estratégias que auxiliam os estudantes a enfrentarem situações, procurando reconhecer os desafios e as capacidades de forma realista e sem distorções.

“Saber reconhecer emoções, relacionando-as com os pensamentos que as geram e entendendo como tudo isso influencia o comportamento permite que cada um compreenda melhor as próprias limitações e conheça suas fortalezas, o que aumenta a confiança, o otimismo e a autoestima”, afirma Souza.

Para isso, o programa ensina ao aluno estratégias para identificar e questionar os pensamentos, especialmente quando há uma emoção desconfortável.

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Um exemplo do que acontece nas aulas é a indicação e prática do acrônimo IDEA: A – Identifique os pensamentos que estão ocorrendo no momento da ansiedade intensa; D – Desafie os pensamentos com perguntas simples: “Posso estar exagerando?” “Há outras possibilidades para interpretar essa situação? ; E – Encontre novas formas de pensar e A – Assuma um novo comportamento. “É o que chamamos de flexibilização cognitiva, muito eficaz para evitarmos armadilhas em momentos em que enxergamos a realidade de modo distorcido, o que pode levar a erros de interpretação”, explica. Um exemplo disso é quando uma pessoa acorda com dor nas costas e interpreta aquela situação como sendo uma doença grave. Um rápido questionamento sobre o pensamento “Estou com uma doença grave” pode desarmar dias de ansiedade.

Para o psiquiatra, as competências socioemocionais, se trabalhadas com êxito nas escolas, e também em casa, podem ser um grande trunfo para prevenir que a tristeza ou a frustração em crianças se tornem patológicas. “Todos os pilares são essenciais, mas existem dois que são a chave para que esse problema não se intensifique: os pais e as escolas precisam incorporar que as emoções importam. Do mesmo jeito que ensinamos as crianças a nadar e andar de bicicleta, devemos ensiná-las a lidar com suas emoções”, conclui o médico.

psiquiatra
O psiquiatra Celso Lopes de Souza

Sobre o Programa Semente

Com uma abordagem moderna e inovadora, o Programa Semente está presente em escolas brasileiras contribuindo para o desenvolvimento socioemocional de alunos e educadores. A partir de um material escrito por educadores, médicos e psicólogos, sua metodologia possibilita que sejam trabalhadas em sala de aula questões como sociabilidade, autoconhecimento, autocontrole, empatia e decisões responsáveis, entre outras habilidades, cada vez mais presentes no mundo do trabalho e nas principais avaliações internacionais de educação, como o PISA. Desta forma, o Programa Semente contribui para a alfabetização emocional.

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