Sete efeitos da depressão na saúde física

A depressão é considerada um transtorno do humor e atinge hoje cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, alguns estudos, como um feito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), mostram que a prevalência do risco aumentado para depressão atinge 5,5 milhões de brasileiros.

Segundo a psicóloga Ghina Machado, embora a tristeza seja o sintoma mais conhecido e relacionado com a depressão, o impacto da doença vai muito além de sentir-se triste. “A depressão altera diversos sistemas do organismo, causando sintomas muitas vezes incapacitantes, principalmente quando não há diagnóstico e tratamento adequados. É importante entender que muitas vezes os sintomas físicos antecedem os sintomas mentais ou ainda podem acontecer simultaneamente”, explica Ghina.

Não é à toa que a depressão hoje é a terceira maior causa de afastamentos do trabalho e deve ser a primeira até 2020, segundo estimativas da OMS. Com a ajuda da psicóloga, preparamos uma lista com os principais sintomas físicos que devem ser investigados para o diagnóstico da depressão. Confira:

Insônia

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A insônia é um dos critérios diagnósticos da depressão. A dificuldade para dormir, alterações na continuidade do sono, despertar precoce, sono leve, interrompido ou agitado são características da insônia relacionada à depressão. Estima-se que cerca de 90% dos pacientes com depressão apresentam alterações no sono. Embora a insônia seja mais comum, há também casos em que há sonolência excessiva.

Perda ou ganho de peso

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A falta de apetite é uma alteração muito comum na depressão. A pessoa não consegue se alimentar e acaba perdendo peso. Porém, também há casos de ganho de peso quando o paciente aumenta a ingestão de alimentos ricos em carboidratos e açúcar, por exemplo.

Dores

dor cabeça mulher
Estima-se que 60% dos casos de depressão estão relacionados a sintomas orgânicos, entre eles a dor. As dores podem aparecer muito antes do diagnóstico da depressão. Isso porque os circuitos ativados pela doença estão ligados às regiões do sistema nervoso que comandam o funcionamento dos órgãos. A causa está ligada aos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina que na depressão não funcionam como deveriam. Além de regularem o humor, essas substâncias participam do processo de inibição da dor e sensação de prazer. As dores mais comuns são de cabeça, musculares e gastrintestinais.

Constrição dos vasos sanguíneos

dor de cabeça
A depressão leva a um “desgaste” do organismo, causando reações inflamatórias devido à elevação dos níveis do cortisol, hormônio secretado em maior volume quando há estresse. Essa inflamação gera a diminuição do calibre dos vasos sanguíneos, aumentando assim o risco de um infarto ou AVC, além de elevar a chance de desenvolver pressão alta e trombose.

Queda da imunidade

gripe mulher
A depressão induz o organismo a produzir substâncias chamadas citocinas pró-inflamatórias, que afetam o bom funcionamento do sistema imunológico. Com isso, há maior risco de contrair doenças como gripes, resfriados e herpes, por exemplo.

Perda da libido

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A depressão causa queda do desejo sexual. Além disso, a doença afeta a produção e a liberação dos hormônios sexuais, fundamentais para ter uma vida sexual ativa.

Fadiga (cansaço)

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É muito difícil diferenciar a depressão da fadiga. Se não há nenhuma questão médica envolvida, é bem provável que seja um sintoma da depressão.

“Como vimos, o transtorno depressivo afeta a saúde como um todo. Nem sempre a tristeza está presente. Na verdade, os sintomas físicos podem até mesmo preceder o humor deprimido, o choro e o isolamento, que são as situações mais conhecidas da doença pela população. A dica é sempre procurar ajuda de um profissional que poderá avaliar e realizar o diagnóstico correto, assim como o tratamento mais adequado”, finaliza Ghina.

Fonte: Ghina Machado é Psicóloga clínica com experiência em Avaliação Neuropsicológica e Psicoterapia Psicodinâmica; Psicóloga da Unidade de Check up do Hospital Israelita Albert Einstein; Professora e Supervisora do Complexo Educacional das Faculdades Metropolitanas; Mestrado em Psiquiatria e Psicologia Médica pelo Departamento de Psiquaitra da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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