Dia Mundial sem Tabaco: oncologista fala sobre a importância de parar de fumar

A fumaça do cigarro possui em torno de 4,7 mil substâncias tóxicas que trazem risco à saúde

A Organização Mundial de Saúde (OMS) escolheu o dia 31 de maio como o Dia Mundial Sem Tabaco com o objetivo de alertar a população sobre o perigo causado pelo hábito de fumar.

A entidade afirma que as doenças relacionadas ao tabaco matam mais que tuberculose, AIDS e malária juntas. Segundo estudo da organização no início deste ano, o tabagismo mata quase 6 milhões de pessoas anualmente, sendo 600 mil vítimas do fumo passivo. Até 2030, este número deve aumentar para 8 milhões.

No Brasil, em 25 anos, o número de fumantes diários caiu de 29% para 12% entre homens e de 19% para 8% entre mulheres. Mesmo assim, o país ainda ocupa lugar no ranking de número absoluto de tabagistas, com o total de 18 milhões de tabagistas, segundo pesquisa publicada no INCA (Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva).

Riscos do Tabagismo

De acordo com o oncologista Tiago Kenji Takahashi, médico especialista em câncer de pulmão no Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula (IOSP), o risco de câncer de pulmão em um ex-fumante será sempre maior quando comparado a alguém que nunca tenha fumado.

“Comparados aos não fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver o câncer de pulmão. Geralmente os sintomas aparecem apenas quando a doença já está avançada como: tosse frequente, mudança no padrão da tosse, tosse com sangue, rouquidão, chiado no peito, falta de ar e dor no tórax”, explica o especialista.

O câncer de pulmão pode ser classificado em I, II, III ou IV. O estágio I representa os tumores iniciais, II os tumores um pouco maiores, mas restritos aos pulmões, III os tumores avançados dentro do tórax, e IV são os tumores que já se disseminaram pelo organismo. O tratamento é feito com cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

“Costumo dizer para meus pacientes que hoje o maço de cigarros custa em média R$ 7,00. Em vinte anos, o indivíduo gastará em média R$ 50 mil, ou seja, se parar de fumar ele pode comprar um carro zero km ou fazer uma longa viagem para o exterior”, diz o oncologista.

Para quem convive com fumantes, o médico Takahashi aconselha evitar ao máximo o contato com o cigarro, estipulando a área externa como o único ambiente possível para quem quiser fumar. O médico afirma que o simples fato de ser fumante passivo já aumenta em 30% o risco de ter câncer de pulmão. “O tabagismo é uma doença crônica e transmissível, basta olhar alguém fumando para sentir vontade. É por isso que 85% dos tabagistas começam a fumar aos 16 anos. De 80% que tentam parar, apenas 3% conseguem”, afirmou.

Se o tabagista está em tratamento, é importante que a família e amigos saibam lidar com as possíveis recaídas. “Em média, é na terceira tentativa que a interrupção definitiva é alcançada pelo paciente”, conclui o médico.

Outras doenças

Além do câncer de pulmão, o cigarro pode causar cerca de 50 outras doenças, especialmente problemas ligados ao coração e à circulação.

De acordo com o médico, cada tragada é responsável pela inalação de aproximadamente 4,7 mil substâncias tóxicas. As principais são a nicotina, associada aos problemas cardíacos e vasculares (de circulação sanguínea); o monóxido de carbono (CO), que reduz a oxigenação sanguínea no corpo; e o alcatrão, que reúne vários produtos cancerígenos, como polônio, chumbo e arsênio.

Entre os principais danos ao corpo estão:

-Boca: mau hálito, irritação da gengiva, aparecimento de cáries, alteração nas papilas gustativas (que afeta o paladar) e aumento do risco de câncer de boca.

mau halito boca mulher

-Cérebro: a dificuldade de circulação sanguínea pode comprimir os vasos e aumentar a pressão arterial, resultando em um derrame cerebral.

-Coração: aumento do colesterol total, da pressão arterial e da frequência cardíaca, que pode subir até 30% durante as tragadas. Além disso, todo fumante é mais propenso a ter infarto.

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Foto: Imelechon

-Corrente sanguínea: o fumante está mais sujeito a problemas relacionados à circulação como aneurisma, trombose, varizes e tromboangeíte obliterante, que afeta as extremidades do corpo, podendo levar à amputação de membros.

-Estômago: náuseas e irritação das paredes do estômago. As substâncias tóxicas do cigarro também podem gerar gastrite, úlcera e câncer no estômago.

-Fígado: a nicotina é metabolizada no fígado e, consequentemente, aumenta a chance de desenvolver câncer no órgão.

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Imagem: ABPH

-Pulmão: os tecidos dos pulmões perdem a elasticidade e são destruídos aos poucos. A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma dessas doenças e manifesta-se de duas maneiras: enfisema pulmonar e bronquite crônica. Das mortes provocadas por esses problemas, 85% estão associadas ao cigarro. Ela geralmente se desenvolve depois de muitos anos de agressão aos tecidos do pulmão por causa das toxinas do cigarro.

Como largar o cigarro

Parar de fumar não é uma tarefa simples, mas é possível. Seguem abaixo algumas dicas de Takahashi:

– No Brasil o tratamento farmacológico é o mais conhecido e inclui o uso de adesivos, medicações e goma de mascar;

– Existem vários grupos de apoio antitabagistas para orientar os pacientes que desejam parar de fumar. As pessoas se reúnem em grupos de autoajuda no mínimo uma vez por semana. Em alguns casos essa frequência pode ser ajustada para mais dias por semana;

– A abstinência é normal e dura somente alguns minutos. Neste momento, é aconselhável beber água, mascar chiclete ou comer algum doce;

– O indivíduo deve evitar bebidas alcoólicas e café, pois essas bebidas estimulam a vontade de fumar;

– A prática de exercício físico contribui muito na melhora respiratória. As atividades mais indicadas são natação, caminhada, corrida e ciclismo;

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Foto: Beglib/MorgueFile

– O apoio dos familiares é fundamental para o sucesso da recuperação do ex-fumante.

Benefícios para quem para de fumar

O médico ressalta alguns benefícios para o corpo:

– Após 20 minutos sem fumar a pressão sanguínea volta ao normal;

– 3 semanas sem cigarro resultam em uma circulação sanguínea adequada;

– De 5 a 10 anos, o risco de infarto é o mesmo de uma pessoa que nunca fumou;

– Pessoas que param de fumar aos 30 anos podem viver até dez anos mais;

– Quem para de fumar se torna menos ansioso e diminui o risco de calvície.

Sete dicas para abandonar o vício:

O oncologista listou abaixo sete dicas para quem quer parar de fumar:

1 – Em média, é na terceira tentativa que a interrupção definitiva é alcançada pelo paciente.

2 – Existem vários grupos de apoio antitabagistas para orientar os pacientes que desejam parar de fumar. As pessoas se reúnem em grupos de autoajuda no mínimo uma vez por semana. Em alguns casos essa frequência pode ser ajustada para mais dias por semana.

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3 – No Brasil, o tratamento farmacológico é o mais conhecido e inclui o uso de adesivos e goma de mascar.

4 – O indivíduo deve evitar bebidas alcoólicas e café, pois essas bebidas estimulam a vontade de fumar.

5 – A abstinência é normal e dura somente alguns minutos. Neste momento, é aconselhável beber água, mascar chiclete ou comer algum doce.

6 – A prática de exercício físico contribui muito na melhora respiratória. As atividades mais indicadas são natação, caminhada, corrida e ciclismo.

7 – Se o tabagista está em tratamento é importante que a família e amigos saibam lidar com as possíveis recaídas.

Fonte: Hospital Santa Paula

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