Acne adulta pode estar relacionada a alterações hormonais e estresse

Aparentemente comum na adolescência, a acne também pode surgir na fase adulta — mas atenção: nem os motivos, nem o modo de tratar são os mesmos. “Acne adulta é um quadro considerado uma entidade própria e não tem relação com a acne vulgar da adolescência. A acne da mulher adulta é caracterizada por lesões nodulares císticas, muitas vezes doloridas, que perduram por sete a dez dias”, explica a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

As lesões aparecem na região do queixo e lateral das bochechas, podendo também estar presentes na linha de implantação do cabelo. Resistentes e ligadas a hábitos de vida, a visita ao dermatologista é obrigatória.

Mas afinal: o que causa?

De acordo com a dermatologista, o quadro está relacionado com o estímulo inadequado dos receptores hormonais, como os masculinos, alterações relacionadas à tireoide e pelo estresse — que hoje é uma das principais causas que podem estimular o aumento do cortisol e adrenalina. “Quase sempre apresentam um indicativo de desconforto, com hipersensibilidade local e após três dias, em média, surgem os comedões inflamatórios — que estão relacionados ao período pré-menstrual, uso de contraceptivos de uso via oral ou na forma de adesivos ou ainda dispositivos intrauterinos”, comenta.

Com essas alterações, há um estímulo exagerado sobre as glândulas sebáceas com produção exagerada de sebo — o que provoca aumento da proliferação de bactéria Propionibacterium acnes. “Além disso, fatores como o uso de maquiagem muitas vezes não adequada, com veículos gordurosos, ou muito pesados, podem causar obstrução dos ductos das glândulas (poros). Devemos também prestar atenção no consumo exagerado de gorduras trans e saturadas e alimentos com alto índice glicêmico que provocam a piora da inflamação e da resistência à cicatrização e persistência do quadro”, comenta.

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Tratamento diferenciado

A acne adulta acomete mulheres na vida adulta entre 30 e 50 anos e apresenta resistência aos tratamentos convencionais para a acne da adolescência. “Quase sempre a pele apresenta a consequência clínica de uma alteração sistêmica, que pode ser devido a um processo hormonal ou hábitos de vida comprometidos com poucas horas de sono, estresse, tabagismo e cuidados inadequados com a pele e a alimentação”, explica. Por esse motivo, a dermatologista salienta que a paciente precisa ser investigada, com a realização de uma anamnese detalhada com investigação de toda a parte hormonal, hábitos de vida e situações de estresse. “A conduta deverá ser baseada no controle significativo destes fatores”, comenta.

O que usar

O tratamento inicialmente deve ser instituído para o controle inflamatório com sabonetes calmantes à base de extratos anti-inflamatórios, loção tônica com função adstringente duas vezes ao dia. “De noite, o uso da vitamina A ácida é indicado, alternando com um nutritivo adequado à necessidade da paciente. A vitamina C como antioxidante potencializa a ação do retinoide (Vitamina A) e podemos ainda utilizar ácido salicílico, clindamicina e peróxido de benzoíla”, explica. Em alguns casos, máscaras à base de argila podem ser recomendadas para controle da oleosidade, eritema e inflamação.

Pela manhã, a dermatologista indica séruns leves que podem ser potencializados com boosters com ação calmante e de cicatrização como, por exemplo, zinco, cobre, magnésio, ouro e fatores de crescimento para cicatrização.

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O que ingerir para ajudar

Por via oral, a médica recomenda a utilização de antioxidantes e antiglicantes como o hidroxitirosol, pó de gengibre, FC Oral, zinco, piridoxina, niacinamida, carotenoides, extrato de chá branco, acido elágico entre outros. “Eles ajudam a manter o equilíbrio da flora microbiana e induzem o processo de cicatrização e ação anti-inflamatória”, explica.

Na clínica

Tratamentos em cabine também podem ajudar. “Em clínica, podemos promover a extração dos comedões, realizar peeling de cristal com retinoides e fazer uso da luz azul (que é bacteriostática) e posteriormente da red e infra red (com ação cicatrizante). Quando o quadro estiver controlado, podemos — se necessário para retirar as manchas ou cicatrizes — utilizar o microagulhamento de ouro com drug delivery com utilização de Fatores de Crescimento e peptídeos ou um laser ablativo fracionado como o CO2 combinado à radiofrequência”, finaliza.

Fonte: Claudia Marçal é dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School.

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