Dia do Orgasmo: será que há o que comemorar?

Hoje, 31 de julho, é Dia do Orgasmo, mas para metade das brasileiras não há o que comemorar. Segundo pesquisa realizada pelo Projeto de Sexualidade da Universidade de São Paulo (Prosex), 55,6% das brasileiras apresentam dificuldades para atingir o orgasmo. A ausência do orgasmo nas mulheres é considerada uma disfunção sexual, que leva o nome de Transtorno Orgásmico Feminino, ou popularmente chamado de anorgasmia.

Os vilões do orgasmo feminino

Segundo Marina Simas de Lima, psicóloga, especialista em Sexualidade Humana, Terapeuta de Casal e cofundadora do Instituto do Casal, para a mulher atingir o orgasmo é preciso a combinação de fatores biológicos, psicológicos e culturais. “As causas físicas mais comuns do Transtorno Orgásmico envolvem doenças que atingem o sistema nervoso, como a esclerose múltipla, doença de Parkinson e epilepsia, por exemplo. Depois temos as doenças crônicas, como diabetes e a aterosclerose que interferem na circulação sanguínea, essencial para a função sexual”, comenta Marina.

Para a também psicóloga, terapeuta de Casal e cofundadora do Instituto do Casal, Denise Miranda de Figueiredo, as causas psicológicas também são importantes. “A culpa sexual é bastante prevalente, normalmente ligada à educação religiosa ou mais repressora. Ansiedade, estresse, depressão e conflitos nos relacionamento também são frequentes, assim como baixa autoestima, problemas com a imagem da região genital e falta de conhecimento da própria anatomia vaginal”, explica Denise.

Segundo as especialistas, o uso de medicamentos antidepressivos é outro fator que contribui para o Transtorno Orgásmico. Eles podem retardar ou tirar totalmente a capacidade de atingir o orgasmo. Uma pesquisa de 2006 mostrou que cerca de um terço das mulheres que tomam os antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) relatam problemas com o orgasmo.

corpo mulher

Vaginas são diferentes, orgasmos idem

Um mito bastante arraigado na crença popular é sobre o tipo de orgasmo feminino: vaginal ou clitoriano. Algumas mulheres só conseguem atingir o orgasmo com a estimulação do clitóris e outras conseguem com a penetração. A explicação pode estar nas diferenças das ramificações do nervo pudendo, responsável pela sensibilidade do períneo, lábios vaginais, ramos retais e clitóris. Quando este nervo se ramifica leva a diferenças na sensibilidade de certas áreas.

Segundo a ginecologista norte-americana Deborah Coady, em seu livro Healing Painfull Sex, o sistema nervoso pélvico varia muito de uma mulher para outra e cada uma possui diferentes terminações nervosas nas cinco zonas erógenas, como clitóris, entrada da vagina, colo do útero, ânus e períneo. Isso ajuda a explicar porque algumas mulheres têm mais sensibilidade no clitóris e outras na entrada da vagina. “Mas, de qualquer maneira precisamos lembrar que não importa como a mulher atinge o orgasmo, o importante é experimentá-lo”, diz Marina.

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Masturbação é uma das chaves para chegar ao orgasmo

Pesquisa do Prosex mostrou que 40% das mulheres brasileiras não se masturbam. “Esse é um destaque muito importante na área da sexualidade humana, já que a masturbação é uma das chaves essenciais para se conhecer o próprio corpo, suas zonas de prazer e entender como conseguimos alcançar o orgasmo, dizem as especialistas.

“O tratamento para mulheres que apresentam o Transtorno Orgásmico requer alguns passos importantes. O primeiro é buscar ajuda com um ginecologista e se certificar de que não há nenhum problema físico ou hormonal que possa estar dificultando o alcance do orgasmo. Os problemas orgânicos devem ser diagnosticados e tratados”, diz Marina.

“As causas psicológicas também são importantes. Por isso, é fundamental buscar também a ajuda de um psicoterapeuta especializado em sexualidade humana para compreender o que poderia estar afetando o alcance do orgasmo. A psicoterapia pode ajudar na diminuição da ansiedade, estresse, melhorar a autoestima, a percepção corporal com exercícios diretivos que ajudarão a mulher a ter uma qualidade sexual melhor”, diz Denise.

“Por fim, incluir o parceiro ou a parceira no tratamento também é um passo essencial para o tratamento do Transtorno Orgásmico, pois isso amplia as possibilidades do casal conversar abertamente sobre o tema e se ajudar mutuamente na busca do prazer, deixando o corpo responder de forma natural”, finalizam as especialistas.

Fonte: Instituto do Casal

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