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Meu filho repetiu de ano. E agora?

O ano letivo acabou e agora chegou o momento em que alguns pais irão se deparar com uma notícia não muito boa: a reprovação do filho na escola. Como agir em uma situação dessa? Os pais devem castigar ou consolar a criança? Como superar este momento difícil?

Uma reprovação nunca é uma notícia que pega a família desprevenida. Hoje, graças à tecnologia, a comunicação entre a família e a escola acontece em tempo real. Muitas escolas usam aplicativos, e-mail, mensagens e reuniões para se comunicar com os pais.

Portanto, ao longo do ano letivo, é perfeitamente possível ter um cenário do que vai acontecer no final das aulas. Mas, de qualquer maneira, quando a notícia vem, muitos pais podem ter dificuldade em gerenciar a situação.

Depositphotos criança desenhando

O lado cheio do copo

Segundo a neuropsicopedagoga, Viviani Zumpano, parceira da NeuroKinder, a reprovação pode ser negativa ou positiva, depende da maneira como é vista, tanto pelos pais como pelos educadores.

“Eu, como educadora, vejo a reprovação como uma oportunidade de resgatar conteúdos não aprendidos de anos anteriores, é uma chance de amadurecimento e fortalecimento da autoestima, já que este aluno será o mais forte entre os que estão chegando. Então, tudo depende do significado que se dá, tanto da parte da escola como da família”, afirma Viviani.

Quanto ao castigo, Viviani comenta que a reprovação é o castigo suficiente para o aprendizado do aluno sobre as consequências de não ter se dedicado aos estudos: “Reprovar significa que a criança ou o adolescente não tem os requisitos básicos para passar para o ano seguinte, portanto, o aspecto negativo a criança já tem. Brigar, ofender e agredir, seja verbalmente ou fisicamente, não tem nenhuma valia neste momento”.

E a especialista completa: “É preciso entender que a reprovação é o resultado final de um processo e não está ligada apenas às notas, nem ao último mês de aulas, está ligada à jornada deste aluno e aos seus comportamentos também”.

Segundo Viviani, os pais devem procurar trazer o que é positivo desta experiência reforçando que será uma nova chance de fazer tudo melhor, com mais dedicação e empenho. O novo ano será útil para a reafirmação e a sistematização do conhecimento. Os pais devem acolher o filho e empoderá-lo para enfrentar o ano seguinte.

menino criança

Reter pode ser inevitável

É possível evitar a reprovação? Para a especialista, o mais importante é que tanto a escola quanto os pais percebam a tempo os problemas na aprendizagem. “Se o aluno tem dificuldade em algumas matérias, por exemplo, o ideal é estabelecer estratégias para resgatar ou reforçar os conteúdos não aprendidos em sala de aula. Os pais podem procurar tutores, neuropsicopedagogos ou ainda professores particulares para isso”.

Por outro lado, a reprovação muitas vezes é inevitável. “A partir do segundo ano, o aluno é reprovado por notas. O reforço escolar para melhorar seu desempenho pode evitar retê-lo. Porém, na educação infantil e no primeiro ano, reprovar o aluno é algo discutido com a família. Isso porque é nestas séries que o aluno faz a consolidação do processo de alfabetização. Algumas crianças, por imaturidade, não conseguem alcançar a prontidão para a leitura e para a escrita. Portanto, avançar para a série seguinte só causará sofrimento”, explica Viviani.

Anos difíceis

A probabilidade de reprovação é maior nas viradas de ciclo. “Quando o aluno vai para o sexto ano passará por uma adaptação. Além de ter mais professores, o conteúdo será novo, é uma nova rotina e um novo ritmo de estudo. O mesmo acontece na entrada para o ensino médio. Então, estes são anos em que percebemos um maior número de alunos retidos, devido à dificuldade de adaptação. Assim, a recomendação é que os pais fiquem ainda mais atentos nessas séries para evitar a reprovação”, comenta a neuropsicopedagoga.

aula adolescente celular professor pixabay
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Perfil do aluno x perfil da escola

Outro ponto é que uma das primeiras ideias dos pais é trocar a criança de escola depois de uma reprovação. Viviani comenta que os pais devem fazer a avaliação com calma. “Muitas crianças pedem para mudar de escola, mas antes de tomar essa decisão os pais precisam avaliar se o pedido não está por trás do medo de enfrentar situações desafiadoras, por exemplo. A criança precisa aprender a lidar com a frustração e a se esforçar para ter um bom desempenho, não podemos ceder apenas por conta da criança querer as coisas de modo mais fácil”.

Claro que é importante que a escola se enquadre no perfil da criança. Cada pessoa tem um perfil e isto impacta diretamente no aprendizado. “Se a criança é mais criativa e mais agitada, por exemplo, e estuda numa escola tradicional, pode enfrentar mais dificuldade no aprendizado. Uma investigação junto a um neuropediatra e a um neuropsicólogo pode ser útil para descartar transtornos do neurodesenvovimento ou de aprendizagem ou ainda para ajudar os pais na escolha da escola”, reflete Viviani.

Para finalizar, a especialista aconselha: “Os anos escolares são fundamentais na formação do ser humano. É essencial encontrar uma escola que seja adequada ao perfil do aluno e também aos valores da família. A parceria com os professores e coordenadores pedagógicos, a presença dos pais nas reuniões e o acompanhamento do desempenho ao longo do ano são estratégias preciosas para evitar a reprovação. Mas, se ela aconteceu, o que se pode fazer é incentivar a criança a ter bom ano por meio de dedicação e mudança de comportamento”.

Fonte: Neurokinder

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Atenção dos pais pode reduzir risco de abuso de drogas na adolescência

Karina Toledo | Agência Fapesp

Pais que exigem o cumprimento de regras e que monitoram constantemente as atividades dos filhos – buscando saber onde estão, com quem e o que fazem – correm menor risco de enfrentar problemas relacionados ao abuso de álcool e de outras drogas quando as crianças entram na adolescência.

A probabilidade torna-se ainda menor quando, além de monitorar e cobrar, os pais também abrem espaço para o diálogo, explicam o motivo das regras e se mostram presentes no dia a dia dos filhos, dispostos a acolher suas dificuldades – característica parental que especialistas chamam de “responsividade”.

A conclusão é de uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 6.381 jovens de seis cidades brasileiras. Os resultados acabam de ser publicados na revista Drug and Alcohol Dependence.

“A principal conclusão do estudo é que o estilo parental, ou seja, o modo como os pais educam seus filhos, pode ser um fator de proteção ou de risco para o consumo de álcool e outras drogas na adolescência. Isso significa que os programas escolares de prevenção devem, além de conscientizar as crianças, também se preocupar em treinar habilidades parentais”, disse Zila Sanchez, professora da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenadora da pesquisa apoiada pela Fapesp.

Os dados foram coletados em 62 escolas públicas das cidades de Tubarão (SC), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Fortaleza (CE) e Brasília (DF). Participaram do levantamento estudantes de 7º e 8º anos do ensino fundamental. A idade média dos entrevistados foi de 12,5 anos.

“Optamos por trabalhar com jovens que haviam acabado de entrar na adolescência para avaliar se, nessa fase, o estilo parental já estava influenciando o consumo de substâncias. Entretanto, como ainda são muito jovens, a prevalência de consumo ainda é baixa. Por esse motivo, consideramos no questionário quem havia feito uso ao menos uma vez no último ano”, explicou Sanchez.

Os questionários foram preenchidos pelos próprios adolescentes, sem a presença do professor, e depositados anonimamente em envelopes pardos – de modo a evitar inibição e constrangimento. Além de perguntas sobre o uso de drogas, também foram incluídas questões sobre o estilo parental (como os jovens percebiam os pais), condições socioeconômicas, comportamento sexual e violência escolar, entre outras.

A análise das respostas foi feita durante o doutorado de Juliana Valente, com Bolsa da Fapesp e orientação de Sanchez.

Por meio de um modelo estatístico conhecido como análise de classes latentes, foi possível dividir os entrevistados em três grupos de uso de drogas. A mais prevalente, com 81,54%, foi a classe dos “abstinentes/usuários leves”. Em seguida, com 16,65%, vieram aqueles considerados “usuários de álcool/bebedores pesados”. Por último, com 1,8%, os “poliusuários”, ou seja, aqueles que, além de álcool, usaram no último ano substâncias como tabaco, maconha, cocaína, crack ou inalantes (benzina e cola de sapateiro, por exemplo).

“O passo seguinte foi avaliar se os estilos parentais estavam associados a algum desses três perfis de consumo. Para isso, os pais também foram classificados em quatro tipos diferentes – segundo a avaliação dos adolescentes e critérios estabelecidos na literatura científica”, explicou Sanchez.

Com base em uma escala de avaliação consagrada em estudos internacionais e validada no Brasil, os perfis parentais foram classificados de acordo com dois domínios principais: “exigência” – o quanto os pais monitoram as atividades dos filhos e demandam o cumprimento de regras – e “responsividade” – o quanto são sensíveis às demandas dos filhos e abertos ao diálogo.

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Estudo feito com mais de 6 mil jovens reforça a função protetora do estímulo ao cumprimento de regras. Pesquisa também indica que ricos bebem mais (Foto: Rebcenter / Wikimedia)

Pais com escore alto nos dois domínios foram classificados como “autoritativos”. Aqueles com escore alto apenas no domínio da exigência foram classificados como “autoritários”. Pais responsivos, mas que não monitoram as atividades dos filhos ou não se apegam a regras foram considerados “indulgentes”. Por último, aqueles com escore baixo nos dois domínios foram classificados como “negligentes”.

De modo semelhante ao observado em estudos internacionais, o estilo “autoritativo” foi o mais protetor, seguido pelo “autoritário” e, na sequência, pelo “indulgente”. Como ressaltaram os pesquisadores no artigo, os pais “negligentes” são os que colocam os adolescentes em maior risco de pertencer às duas classes de usuários de drogas encontradas no estudo: usuários de álcool/bebedores pesados e poliusuários.

“O fato de o ‘autoritativo’ ser o mais protetor e o ‘negligente’ o de maior risco já era esperado. Porém, ainda havia na literatura científica uma discussão em relação aos estilos ‘autoritário’ e ‘indulgente’. Não estava claro qual deles seria melhor. Os achados deste estudo reforçam a função protetora que a dimensão da exigência, composta por monitoramento parental e estímulo ao cumprimento de regra, desempenha na prevenção do consumo de drogas na adolescência”, disse Valente.

Ricos bebem mais

Um dado que chamou a atenção do grupo da Unifesp foi que, quanto mais alta era a classe social do entrevistado, maior era a probabilidade de pertencer aos grupos de bebedores pesados ou poliusuários. De acordo com Sanchez, o achado contraria dados de estudos norte-americanos e europeus, onde a pobreza é considerada um fator de risco para o uso de álcool e drogas na adolescência. Porém, vai ao encontro de dados brasileiros anteriores para a mesma faixa etária.

“Esse dado é bem curioso e mostra que não podemos simplesmente importar dados relacionados a fatores de risco e proteção para programas de prevenção de uso de drogas, sem considerar diferenças culturais”, disse Sanchez.

Segundo Valente, as análises estatísticas não permitiram associar os diferentes modelos de educação a uma classe social específica, ou seja, houve uma distribuição homogênea dos estilos parentais entre as diferentes faixas de renda.

A coleta dos dados ocorreu no fim de 2014, no âmbito de um projeto financiado pelo Ministério da Saúde. A equipe da Unifesp foi escalada pelo órgão governamental para avaliar nas 62 escolas selecionadas a efetividade de um programa de prevenção ao uso de drogas intitulado #Tamojunto.

“Esse programa foi trazido da Europa, onde apresentou bons resultados, e adaptado pelo Ministério da Saúde. Além de passar conhecimentos sobre as drogas para os jovens, buscava trabalhar o desenvolvimento de habilidades pessoais e interpessoais. Porém, aqui no Brasil, não observamos efetividade para as mesmas medidas europeias”, contou Valente.

Como explicou Sanchez, os dados analisados durante o doutorado de Valente, que embasam o artigo agora publicado, foram coletados antes da aplicação do programa #Tamojunto e não têm relação com seus resultados.

O artigo Gradient of association between parenting styles and patterns of drug use in adolescence: A latent class analysis, de Juliana Y.Valente, Hugo Cogo-Moreira e Zila M. Sanchez, pode ser lido aqui.

Campanha traz informações sobre educação sexual e planejamento familiar

Campanha “A vida é feita de escolhas” promoverá debates e informações e atividades sobre educação sexual, prevenção da gravidez na adolescência e planejamento familiar. Campanha conta com apoio de ginecologistas, sexólogos e educadores

Sim, este blog foi criado pensando na mulher madura, que hoje, podemos dizer, não tem mais uma idade, ou seja, ela se encaixa em uma nova categoria: ageless, sem idade. Porém, nossos textos são lidos por pessoas de várias faixas etárias. E muitas mulheres maduras que nos leem têm filhos na adolescência, fase complicada da vida, na qual o diálogo costuma não acontecer como antes. Já os jovens que também nos leem sempre podem ampliar seu conhecimento, não é mesmo? Portanto, este texto é interessante para todos nossos leitores.

A adolescência é uma fase de mudanças, de descobertas e incertezas, todos sabemos. O corpo e o cérebro passam por transformações, chegam mais responsabilidades na escola, o desejo de mais liberdade e autonomia, a sexualidade aflora, as ficadas e namoros entram em cena e, nessa fase de transição entre a infância e a idade adulta, o adolescente quer ser cada vez mais responsável por suas decisões. Este é um período de alegrias, amizades e gargalhadas, mas que tem também os seus conflitos. Vamos conversar a respeito?

Um dos conflitos pode estar associado à gravidez não-planejada. Como lidar com essa situação? Segundo estudo divulgado em 2014 pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em países em desenvolvimento, como o Brasil, a cada dia, 20 mil meninas com menos de 18 anos dão à luz, e a cada ano, cerca de 70 mil delas morrem de causas relacionadas à gravidez e ao parto. Além do risco à saúde, muitas vezes, os adolescentes precisam deixar de lado oportunidades de estudo, trabalho, lazer e se tornam alvo de discriminação.

Por isso, o laboratório farmacêutico EMS acaba de lançar a campanha nacional “A vida é feita de escolhas”, para levar informações de qualidade sobre educação sexual, prevenção de gravidez e planejamento familiar a mulheres e homens em todo o Brasil, principalmente para adolescentes em fase de iniciação da vida sexual. “A ideia é de falarmos sobre prevenção, do uso dos métodos contraceptivos e, ao mesmo tempo, esclarecer dúvidas sobre sexualidade, de forma leve e baseada no diálogo”, explica Joaquim Alves, diretor de Marketing e Demanda da unidade de Prescrição da EMS.

Consenso entre os principais estudos brasileiros e internacionais sobre o assunto, a orientação é sempre um caminho essencial para a prevenção da gravidez na adolescência, um problema de saúde pública no Brasil. O objetivo do movimento é fazer esse trabalho de conscientização para estimular discussões, o engajamento e a mobilização. A ideia central é trabalhar para que gravidez na adolescência seja fruto de uma escolha e não um “acidente”. As informações sobre comportamento, saúde e educação sexual terão o respaldo de especialistas, como ginecologistas, sexólogos e educadores.

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Ações da campanha

Para se aproximar dos adolescentes e jovens, o movimento “A vida é feita de escolhas” tem forte presença digital, com o lançamento deste hotsite, e já está também no Facebook, Instagram e Youtube. Nesses canais, a empresa apresentará, mensalmente, uma série com episódios em vídeo sobre temas de interesse dessa faixa etária, como mudanças no corpo, tensão pré-menstrual, virgindade, escolha do método anticoncepcional e ciclo menstrual, conteúdos produzidos por médicos de renome. Os assuntos também serão abordados em folhetos educativos a serem produzidos e distribuídos pela EMS.

As personagens Niki e Lyne, presentes nos materiais de comunicação, no hot site e nas redes socais, foram criadas para personificar as adolescentes, gerarem identificação com este público e “vivenciarem” algumas das situações reais, . Ao longo do movimento, elas ganharão a companhia de vários amigos para conversarem sobre gravidez e sexualidade.

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A gravidez na adolescência traz impactos na vida das pessoas, principalmente entre as mulheres. Deve-se considerar ainda o aumento do número de casos de AIDS e de doenças sexualmente transmissíveis entre os adolescentes e jovens. Outro ponto relevante é que a vida sexual dos brasileiros e brasileiras está começando cada vez mais cedo e não existem estatísticas sobre os casos de gravidez entre os pré-adolescentes.

Próximos passos

Nos próximos meses, a campanha levará a palestra “Mulher no Controle” para mais de 350 escolas, faculdades e empresas espalhadas pelo Brasil. A apresentação será conduzida por profissionais da saúde de cada região, e abordará temas como gravidez na adolescência, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e planejamento familiar.

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Também para este ano, o movimento prevê, entre outras iniciativas, a realização de 60 palestras da psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, livre-docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), para médicos ginecologistas, sobre sexualidade e o comportamento. O conteúdo terá transmissão online e interação por aplicativo, com previsão de atingir mais de cinco mil profissionais pelo Brasil.

Fonte: EMS

Novo estudo confirma malefícios da tecnologia para a visão das crianças

Novo estudo comprovou que crianças que passam muitas horas usando tablets e celulares têm um risco aumentado para desenvolver a síndrome pediátrica do olho seco

Muitos especialistas em desenvolvimento infantil têm alertado os pais e educadores sobre os perigos dos aparelhos eletrônicos para a saúde de crianças e adolescentes. Agora, um novo estudo, realizado na Coreia do Sul, comprovou que crianças que passam muitas horas nesse tipo de eletrônico têm um risco aumentado para desenvolver a síndrome pediátrica do olho seco, uma doença que até então só atingia adultos, em idades mais avançadas.

De acordo com Marcela Barreira, oftalmopediatra e neuroftalmologista, a síndrome do olho seco ocorre quando as lágrimas evaporam mais rápido e há queda na produção do muco encontrado na lágrima. “Entre os sintomas mais comuns estão o ressecamento ocular, ardência, coceira, sensação de areia nosso olhos, vermelhidão e sensibilidade à luz”, explica a médica.

Embora a síndrome pediátrica do olho seco seja rara e, em muitos casos, esteja ligada a outros problemas de saúde, o estudo coreano mostrou que 6,6% das crianças envolvidas na pesquisa apresentaram a doença. Entre elas, 97% relataram usar celulares e tablets por mais de três horas por dia. Já as crianças que passavam menos de 37 minutos por dia em eletrônicos e realizavam mais atividades ao ar livre não tinham sintomas do problema.

“O que ocorre é que durante o uso de celulares ou tablets, olhamos para as telas por muito tempo e acabamos piscando menos, principalmente quando as telas são menores. Os olhos acabam se sobrecarregando e ficamos com a vista cansada. Esse é um importante fator de risco para causar a evaporação mais rápida da lágrima, podendo assim levar à síndrome do olho seco”, explica Marcela.

“As crianças, principalmente as menores, não têm consciência da importância de piscar várias vezes em certas atividades, como quando estamos usando eletrônicos. Portanto, o correto é os pais evitarem oferecer eletrônicos antes dos dois anos de idade, principalmente. Mesmo porque a visão da criança se desenvolve até os sete anos. Isso quer dizer que podem ocorrer outros problemas oculares, como o agravamento ou até mesmo o desenvolvimento da miopia e outros erros refrativos por alterações na estrutura da córnea”, diz a médica.

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Pixabay

Segundo Karina Weinmann, neuropediatra e especialista em desenvolvimento infantil, não é só a visão que é prejudicada quando crianças são expostas de maneira excessiva à tecnologia. “Precisamos entender que a criança precisa do contato com outras pessoas para desenvolver suas habilidades sociais e para alcançar todo seu potencial cognitivo. Se a criança passa horas no celular ou no tablet, ela não consegue compartilhar suas emoções, não aprende comportamentos, além de atrasar a aquisição da fala e linguagem, fundamentais para a socialização, pois o déficit na linguagem pode gerar frustração no caso da criança não conseguir se comunicar, o que acaba levando ao isolamento social”, diz a neuropediatra.

A tentação em oferecer um tablet para a criança pode ser grande, principalmente quando os pais estão cansados e precisam de tempo para comer ou fazer outra atividade em casa. Mas, a recomendação das especialistas é unânime: o ideal é não incentivar o uso e não fazê-lo antes dos dois anos de idade. Depois disso, não deve ultrapassar 30 minutos por dia.

Fonte: NeuroKinder

Pesquisa relatou que dieta com peixe melhora colesterol bom em crianças e adolescentes

Durante o 37º da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), que aconteceu em maio deste ano, em São Paulo, médicos do Hospital Universitário da USP apresentaram uma pesquisa realizada em Campinas (SP) que aponta que o consumo sistemático de peixe por crianças e adolescentes melhora os níveis de HDLc (colesterol bom) no sangue.

A pesquisa foi realizada com público pediátrico entre 7 e 17 anos, de ambos os sexos, de escolas públicas da cidade. Apesar da maioria ter níveis inadequados desse colesterol no sangue, os que consumiam peixes tinha níveis melhores.

“Conseguimos comprovar que 32% das 5 mil crianças estudadas já estavam com problemas de obesidade aos 7 anos”, relata Francisco Kerr Saraiva, cardiologista e diretor da SOCESP, e um dos responsáveis pelo levantamento. “E nas crianças que comiam peixe regularmente – que eram poucas – um aumento na taxa de HDL, conhecido como bom colesterol.”

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Atum com tomates – Foto: Max Straeten/Morguefile

Com isso, é possível afirmar com certeza que a ingestão desse tipo de carne deve ser estimulado, inclusive na merenda escolar. Os pais devem ser alertados para as repercussões das dietas pouco saudáveis dos filhos e mudar para hábitos que foquem a proteção cardiovascular.

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“A pesquisa nos trouxe um alento muito grande, por percebermos que é possível melhorar muito a alimentação dos brasileiros com a inclusão de peixes no cardápio. A maioria da população vive perto da costa, só é preciso aumentar o estímulo ao consumo desse tipo de carne”, concluiu o médico.

Fonte: SOCESP