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Sábado acontece 2ª Caminhada da Memória e Conscientização do Alzheimer

Evento Memory Walk Brasil marca o mês mundial da doença, que afeta 1,2 milhão de pessoas no país, e terá também palestras para compartilhar informações sobre qualidade de vida de pacientes e cuidadores

A 2ª edição da campanha Memory Walk Brasil, caminhada em prol da memória e da conscientização sobre a doença de Alzheimer, será realizada neste sábado (23), a partir das 9h30, no parque Villa-Lobos, zona oeste de São Paulo. O evento ocorre em várias cidades do mundo para marcar a data mundial do Alzheimer, celebrada em 21 de setembro, com objetivo de compartilhar informações e combater os estigmas da doença, que afeta 1,2 milhão de pessoas no Brasil.

Além da caminhada de 1.400 km dentro do parque, o público poderá participar de atividades nas tendas de bem-estar e saúde, com conversas e palestras para esclarecimento de dúvidas sobre prevenção, genética e riscos da doença. O roteiro inclui ainda jogos de memória, dança e musicoterapia que colaboram na melhora cognitiva em expressões físicas, emocionais, mentais e sociais.

O evento é gratuito, mas os interessados em comprar um kit de participação, que inclui camiseta, podem se inscrever por meio do site http://www.memorywalkbrasil.com.br. A renda será revertida para a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). A iniciativa conta com apoio da Cora Residencial Senior, a maior rede de instituição de longa permanência para idosos da América Latina.

Sobre a doença

O Alzheimer é um dos problemas neurológicos mais comuns entre a população idosa, e uma das principais causas de demência. A condição causa a morte gradual dos neurônios, provocando a perda de memória e de outras funções cognitivas, como capacidade de organização, orientação de tempo e espaço, entre outras. A doença atinge 1,2 milhão de pessoas no Brasil e 47 milhões no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Quando a doença é diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente e à família. O acompanhamento médico e de uma equipe multidisciplinar permite priorizar o bem-estar de pacientes e cuidadores.

“É preciso mostrar ao idoso que mesmo com a perda de memória ele ainda é útil no meio em que vive. E também é fundamental que o cuidador não o estigmatize como uma pessoa ‘esclerosada’ e entenda que o idoso com déficit de memória tem uma doença neurológica que preciso de um cuidado adequado”, afirma o Dr. Rodrigo César Schiocchet da Costa, geriatra da Cora Residencial Senior.

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Sobre a Cora

A Cora foi criada em 2015 para oferecer um residencial sênior moderno e romper com as ideias e modelos das antigas casas de repouso. Administrada pela empresa Brasil Senior Living (BSL), tem como objetivo revolucionar o conceito de instituição de longa permanência, com uma experiência única de cuidado, carinho e acolhimento. Entre os diferenciais estão a localização das unidades em regiões centrais da cidade, a estrutura projetada e construída para atender às necessidades dos idosos, a visita aberta a qualquer hora do dia, o atendimento assistencial 24 horas e os serviços de qualidade com terapias modernas e atualizadas.

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Programação:

Dia: sábado – 23/09/2017
Local: Parque Villa-Lobos – entrada principal
Horário: 9h30 às 14h

Atividades:
Caminhada: 9h30 às 10h30 (1,4 km)
Tenda ABRAAZ – 9h30 às 12h30

Memória e Alzheimer: união entre profissionais, familiares e cuidadores
Moderador: Rodrigo Rizek Schultz (neurologista)

 

10h30 – 11h
Profissionais, familiares e cuidadores: princípios e significado desta união
Apresentação: Paulo Henrique Ferreira Bertolucci (neurologista); Ceres Eloah de Lucena Ferretti (enfermeira); Vera Lúcia Duarte Vieira (psicóloga); Lucia Bertolucci (psicóloga); Luciane Teixeira Soares (fonoaudióloga – deglutição).

11h – 12h30
Doença de Alzheimer: discutindo soluções frente às dificuldades com base em depoimentos e experiências de familiares
Abordagem médica e de uma equipe multidisciplinar. Apresentação: Ivan Hideyo Okamoto (neurologista); Maísa Kairalla (geriatra); Marina Dauar (neurologista); Cléo Monteiro França Correia (musicoterapeuta); Selma Jinnyat (psicóloga); Sandra Langer (jogos computadorizados); José Roberto Wajman (psicólogo).

 

 

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Hoje é o Dia Mundial da Conscientização sobre a Doença de Alzheimer

Segundo a Associação Internacional de Alzheimer, a doença é a principal causa de demência no mundo. A Organização Mundial da Saúde estima que, só no Brasil, ela atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas. Para conscientizar a população sobre o problema, a OMS criou em 1994 o Dia Mundial da Conscientização da Doença de Alzheimer é comemorado hoje, 21 de setembro.

“A principal recomendação é que se a pessoa tiver mais de 60 anos e perceber que sua memória piorou muito em um intervalo de seis meses a um ano, que procure um especialista para que possa ser feita uma avaliação, principalmente se notar dificuldades e declínios que interfiram no dia a dia. Às vezes pode não ser Alzheimer, mas é sempre bom verificar” recomenda Jerusa Smid, neurologista e secretária do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), para quem a conscientização é importante já que, quanto mais cedo a doença é detectada, o tratamento pode trazer melhores resultados.

Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa, progressiva e sem cura, que provoca o declínio das funções cognitivas como a memória, a linguagem e a percepção, incapacitando o paciente de realizar tarefas cotidianas e de se situar no tempo e no espaço. Mudanças de comportamento, de personalidade e de humor como agitação, agressão, apatia, dificuldade em pensar e compreender são alguns dos indícios, além de fatores psicológicos como alucinações, confusões mentais e depressão.

A doença possui três estágios: leve, moderado e grave. No início, os sintomas geralmente não são percebidos, mas a pessoa precisa de ajuda para executar tarefas complexas como cuidar de finanças. Na fase intermediária, é necessário auxílio em atividades corriqueiras como se vestir e sair de casa. Na etapa final, quando o Alzheimer está em estado avançado, o paciente já não consegue mais tomar banho nem comer sozinho.

Por ser uma doença sem cura, as formas de tratamento são indicadas para controlar e melhorar, temporariamente, os sintomas. Basicamente, se resumem à forma medicamentosa e de reabilitação cognitiva, utilizada nas fases iniciais da doença, além das atividades físicas aeróbicas, que podem ajudar na melhora do desempenho cognitivo.

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Foco em atualização e conhecimento

Para ajudar no compartilhamento de informações atualizadas e na descoberta de novas formas de tratamento, a ABN realiza, bianualmente, a Reunião de Pesquisadores em Doença de Alzheimer e Desordens Relacionadas (RPDA). A 11ª edição do encontro ocorrerá neste ano, nos dias 1 e 2 de dezembro, no Hotel Meliá Campinas, interior de São Paulo.

Entre os temas que serão discutidos estão “Atualização dos critérios diagnósticos da doença de Alzheimer para fins de pesquisa”, “Avanços em biomarcadores sanguíneos e liquóricos na doença de Alzheimer” e “Marcadores cognitivos de comprometimento cognitivo subjetivo”, entre outros. As aulas serão oferecidas pelos mais conceituados especialistas nacionais na área de Neurologia Cognitiva e do Comportamento.

“Esse é o evento de pesquisa em doença de Alzheimer mais importante que temos no Brasil. É uma oportunidade para apresentar o que há de melhor na produção científica brasileira. Além disso, muitos estudantes irão participar do encontro, que é também uma chance para promover um intercâmbio entre os pesquisadores e mostrar os trabalhos que foram desenvolvidos”, ressalta Márcio Luiz Figueiredo Balthazar, coordenador do evento e do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da ABN.

Fonte: Academia Brasileira de Neurologia (ABN)

 

SP tem mutirão para diagnosticar Alzheimer em idosos nesta quinta

Objetivo é agilizar o diagnóstico por meio de avaliações nos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) do Idoso Sudeste e Oeste; Dia Mundial de Conscientização sobre a doença (21) também é lembrado em atividades no Centro de Referência do Idoso (CRI) Norte e Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia (IPGG)

A Secretaria de Estado da Saúde realiza, amanhã, 21 de setembro, Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Alzheimer, um mutirão para diagnóstico da doença.

A iniciativa será realizada por meio do Ambulatório Multidisciplinar de Especialidades (AME) Idoso Sudeste e Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Idoso Oeste, serviços voltados ao atendimento à população idosa e gerenciados em parceria pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

As equipes dos realizarão rastreio cognitivo, mini-exame de estado mental, avaliações funcionais e consultas médicas com orientações para cem pacientes. O agendamento foi realizado previamente, pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), através da Central de Regulação de Oferta de Serviços (CROSS), no caso do AME Sudeste, e após triagem pela Geriatria, no AME Oeste.

O mutirão faz parte do Projeto Alzheimer 2017, que recebeu apoio da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e da Academia Brasileira de Neurologia. Outras ações serão realizadas no mês de setembro para pacientes que já frequentam as duas unidades, como atendimentos em grupo com os pacientes e seus cuidadores, entrega de folheto explicativo, esclarecimento sobre o diagnóstico e a evolução da doença, as principais linhas de tratamento e o prognóstico, além de cuidados multiprofissionais. Os encontros em grupo vão seguir até o próximo ano e a expectativa é, no mínimo, duplicar o número de pessoas atendidas.

“Com as ações, esperamos ampliar o atendimento dos AMEs para idosos que ainda não frequentam os serviços, aumentando a detecção desta doença, além de conscientizar e educar os pacientes, seus cuidadores e familiares sobre a doença de Alzheimer”, explica Márcia Maiumi Fukujima, diretora do AME Idoso Sudeste. “Apoio, compreensão, paciência e orientação do cuidador e da família do paciente são fundamentais durante o tratamento”, completa.

No Centro de Referência do Idoso (CRI) Norte a data será lembrada por três atividades distintas: uma caminhada, a partir das 8h; oficina sobre prevenção de quedas, das 12h às 13h; e jogo interativo sobre mitos e verdades sobre demências, às 14h, no Salão de Eventos. A programação é aberta ao público. O endereço é rua Voluntário da Pátria, 4.301, Santana.

O Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia (IPGG), também também conhecido como Centro de Referência do Idoso da Zona Leste (CRI Leste), convida profissionais da saúde, da assistência social e pessoas interessadas para uma aula aberta na sexta-feira, dia 22, das 8h30 às 12h30, cujo tema será “Envelhecimento e Síndromes Demenciais”.

A aula é gratuita, com 130 vagas, e os participantes receberão certificados. Também é possível participar em tempo real por meio de webconferência, clicando aqui.

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O IPGG fica na Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra Nº 34, São Miguel Paulista.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

 

“Saúde do cérebro” é tema do Mês do Alzheimer

Em setembro, escolas de ginástica para o cérebro estarão de portas abertas, com aulas gratuitas, incentivando a população a manter o cérebro ativo e saudável

“Saúde do cérebro” será tema de oficinas e aulas gratuitas em setembro nas escolas de ginástica para o cérebro Supera, que está presente em todos os estados brasileiros.

A ação, que acontece para celebrar o Mês Mundial do Alzheimer, visa incentivar a população a cuidar do cérebro, praticando exercícios que retardam o declínio cognitivo comum ao avanço da idade.

Segundo os especialistas da rede Supera, alguns hábitos ajudam a manter a saúde do cérebro, como a prática regular de exercícios físicos, qualidade do sono, boa alimentação e, é claro, estímulos para os neurônios, que melhoram a memória, a concentração e o raciocínio.

“Somos inteiramente dedicados à ginástica cerebral e a tudo que envolve a saúde do cérebro, então o Mês do Alzheimer é uma grande oportunidade para convidarmos o público a exercitar os neurônios”, afirma Solange Jacob, diretora pedagógica nacional do Supera.

A ginástica cerebral fortalece a conectividade, melhorando resolução de problemas complexos, inteligência emocional, agilidade, flexibilidade mental e liderança estratégica, consideradas as melhores habilidades para ter sucesso no mundo atual.

Além de melhorar a performance do cérebro, os exercícios para o cérebro são importantes para a aprendizagem e o adiamento de declínio cognitivo.

Hoje, 350 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, muitas delas por uso indiscriminado de medicamentos e outras condições de saúde mental.

Ficar mentalmente afiado e enfrentar o declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento está se tornando uma prioridade máxima, uma vez que a expectativa de vida está aumentando no mundo.

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Ilustração: Pixabay

Depoimento de aluno Supera

A neurociência já comprovou que o cérebro começa apresentar declínio de alguns aspectos do desempenho cognitivo antes mesmo dos 30 anos de idade, quando temos os primeiros lapsos de memória, dificuldades para se concentrar e lentidão de raciocínio.

A boa notícia é que o cérebro compensa parte do declínio cognitivo, baseando-se em experiências e conhecimentos adquiridos. Isso mostra que seguir aprendendo coisas novas e “rechear a mente” com experiências e informações de qualidade podem ajudar a compensar parte da perda cognitiva.

“Eu sentia necessidade de exercitar o cérebro, principalmente porque tenho caso de Alzheimer na família. O curso veio em boa hora, com minha aposentadoria. Percebi melhoras na memória, nas atividades do dia a dia, como lembrar onde guardei as coisas, horários de consultas médicos e outras tarefas”, afirma a aluna Maria Santana de Souza, 71 anos, de Londrina (PR).

Sobre a metodologia Supera

Além de ter um método para desenvolver o potencial do cérebro, o SUPERA tem uma dinâmica de sala de aula interativa que prepara crianças, adultos e idosos para os desafios do cotidiano.

Atenção para aprender com mais facilidade e ir bem nos estudos. Agilidade de raciocínio para negociação e liderança no trabalho. Autoconfiança para comunicação e proatividade. Maior capacidade de memória e autonomia para ter mais saúde e qualidade de vida. Estes são alguns dos benefícios colhidos pelos nossos alunos. Com estas habilidades, o aluno melhora seu desempenho nos estudos, na carreira e na vida pessoal.

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Metodologia

O Material Didático do Supera foi elaborado para você desenvolver habilidades cognitivas e socioemocionais importantes para o aprendizado, a carreira e a vida pessoal.

Os conteúdos de nossas apostilas foram produzidos por especialistas em ginástica cerebral, para exercitar o cérebro de forma correta e descontraída. Novidade, variedade e desafio crescente: é disso que o cérebro precisa para manter-se ativo e saudável e é exatamente esta a base da nossa metodologia.

Roteiros de aula

A equipe pedagógica do Supera é inteiramente dedicada ao entendimento de tudo o que existe para o desenvolvimento do cérebro: conteúdos, pesquisas científicas e filmes relacionados ao desenvolvimento de habilidades como memória, foco, raciocínio, criatividade e habilidades socioemocionais.

É a partir disso que elaboramos nossos roteiros de aula, sempre respaldados por especialistas renomados em pedagogia, psicologia, neurociência e gerontologia.

O franqueador conta também com o conhecimento, as ideias e a criatividade dos educadores e franqueados que fazem parte da nossa rede em todo Brasil. É deste trabalho em conjunto que os roteiros recebem cada vez mais elogios de nossos alunos.

Duração do Curso

Para quem busca desenvolvimento e performance, sabemos que o tempo é muito precioso. Portanto, o Supera é um programa rápido, que pode ser concluído em 18 meses, tempo durante o qual nossos alunos conseguem perceber nitidamente o potencial de seu cérebro.

São aulas semanais de duas horas, em que o aluno recebe acompanhamento personalizado e avança no seu ritmo. Estimulamos o cérebro de maneira integrada e harmoniosa com seis ferramentas: ábaco – instrumento milenar de cálculo -, jogos de tabuleiro coletivos e individuais, jogos online desenvolvidos por neurocientistas europeus, dinâmicas, vídeos e neuróbicas (atividades aeróbicas para os neurônios).

Informações: Supera

Pesquisa descobre que compostos da casca da romã podem trazer benefícios à saúde

A doença de Alzheimer é uma enfermidade até hoje incurável, e que pode se agravar com o decorrer do tempo. Atinge pessoas idosas, tem atuação neurodegenerativa, ou seja, leva o paciente a perder sua capacidade cognitiva. Na prática, reduz a qualidade de vida de uma em cada dez pessoas acima de 65 anos. Pensando nisso, a doutoranda em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), Maressa Caldeira Morzelle, iniciou uma pesquisa para apurar se micropartículas à base da casca de romã apresentava efeito neuroprotetor.

Orientada pela professora Jocelem Mastrodi Salgado, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição, Maressa continuou o trabalho que sua orientadora havia começado, quando detectou que a casca da romã apresenta maior quantidade de compostos bioativos e atividade antioxidante do que sua polpa. Os compostos contribuem para o bom funcionamento do organismo e prevenção de doenças, e reduz as reações de degradação oxidativa, explica em sua pesquisa. Maressa observou que o extrato da casca é capaz de inibir a enzima acetilcolinesterase, e essa inibição é a ação de medicamentos utilizados para a doença de Alzheimer. “Essa enzima prejudica o sistema colinérgico por meio da degradação de um neurotransmissor”, explica. Em 2013, a pesquisadora e sua orientadora fizeram pesquisas, utilizando camundongos, para verificar se a casca da romã apresentava o efeito neuroprotetor.

O principal resultado descoberto na pesquisa desenvolvida por Maressa é que a casca da romã é fonte de compostos antioxidantes e que pode trazer benefícios à saúde humana. A casca da fruta apresentou valor 95% superior de compostos fenólicos, que são os principais responsáveis pela atividade antioxidante em relação à polpa. Foi verificado, em relação ao estudo com animais, que o consumo do extrato da casca da romã foi capaz de inibir a atividade da enzima acetilcolinesterase em até 77%. Outro dado importante é que os animais tratados apresentaram níveis de substâncias que favorecem a sobrevivência dos neurônios, e foram capazes de reduzir placas amiloides, uma das principais características da doença de Alzheimer. Além disso, os animais que consumiram a romã apresentaram uma manutenção da memória, o que não acontecia aos animais que não eram tratados com a romã.

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Esses resultados foram satisfatórios, pois indicaram que a casca da romã possivelmente apresenta um efeito neuroprotetor para a doença. “Precisamos destacar que é preciso muita cautela ao extrapolar estes resultados para humanos. Os resultados obtidos na pesquisa em camundongos foram melhores do que imaginávamos, mas ainda existe um longo caminho na pesquisa, para que possamos transferir estes dados aos seres humanos”, afirmou Maressa.

A pesquisa foi desenvolvida no Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da ESALQ, e no Departamento de Ciências Fisiológicas, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Além de Maressa e da Profª Jocelem, participaram do trabalho os pesquisadores Profª Tânia Araújo Viel – co-orientadora (Escola de Artes, Ciências e Humanidades/USP) e o Prof. Hudson Buck (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo).

O estudo foi desenvolvido com bolsa de doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Texto: Caio Nogueira Antunes/ESALQ USP

Pesquisa abre caminho para diagnóstico precoce de Alzheimer

Karina Toledo, de Foz do Iguaçu | Agência FAPESP – Uma pesquisa conduzida na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), com apoio da FAPESP, pode tornar possível o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.

Atualmente, ainda não há marcadores biológicos ou exames de imagem disponíveis na rotina clínica para detectar o avanço do processo degenerativo cerebral. O diagnóstico é feito apenas quando já há sinais de declínio cognitivo – basicamente por exclusão de outras condições que causam perda de memória e demência.

“Estima-se que quando os pacientes começam a manifestar sintomas de comprometimento cognitivo cerca de 50% dos neurônios já morreram. E, a essa altura, não há muito mais o que fazer. Porém, se conseguirmos detectar o processo degenerativo ainda no início, as chances de estabilizar sua progressão com as drogas hoje disponíveis são muito maiores”, disse à Agência FAPESP Luciana Malavolta Quaglio, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP.

Alguns resultados do trabalho coordenado por Malavolta foram apresentados dia 30 de agosto, em Foz do Iguaçu, durante a 31ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE).

Em seu laboratório, a pesquisadora sintetizou pequenos fragmentos peptídicos capazes de serem atraídos por um peptídeo maior, conhecido como beta-amiloide, que desempenha papel crucial no desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Por motivos ainda não totalmente compreendidos pela ciência, as moléculas beta-amiloide naturalmente presentes no organismo começam a se agregar umas às outras, formando as chamadas placas beta-amiloidais. Esses agregados se acumulam no cérebro e causam uma série de alterações que, em conjunto com outros fatores, resultam na morte de neurônios.

O objetivo da pesquisa de Malavolta é desenvolver biomarcadores capazes de sinalizar em exames clínicos a presença das placas beta-amiloidais no cérebro.

“Estamos testando quatro diferentes fragmentos peptídicos – todos com poucos aminoácidos. Enquanto o peptídeo beta-amiloide tem cerca de 42 resíduos de aminoácidos, os nossos têm entre quatro e seis, pois, se forem grandes, não conseguem atravessar a barreira hematoencefálica (um conjunto de células extremamente unidas que protegem o sistema nervoso central de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue) e chegar ao cérebro”, explicou Malavolta.

O desenho das moléculas foi concluído em 2011. Desde então, em colaboração com cientistas do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Malavolta vem aperfeiçoando métodos de radiomarcação, ou seja, de ligar os fragmentos peptídicos a isótopos radioativos – o que possibilita acompanhar a distribuição do composto pelo organismo e realizar exames de imagem.

A estratégia é semelhante à dos exames de cintilografia usados para avaliar, por exemplo, a função renal ou cardíaca. Um composto radiomarcado com afinidade pelo tecido de interesse é injetado no organismo. Quando os elementos chegam ao órgão-alvo, as radiações emitidas são identificadas por um equipamento conhecido como câmara de cintilação e transformadas em imagens, que podem ser interpretadas pelos especialistas.

A radiomarcação tem sido feita com o radioisótopo tecnécio, elemento que emite radiação gama. Segundo Malavolta, esse isótopo tem sido bastante usado em exames de medicina nuclear para diagnóstico, pois tem meia-vida de seis horas – tempo suficiente para a realização do exame e para o paciente ter alta hospitalar no mesmo dia.

“Em média, as técnicas de radiomarcação de forma direta com tecnécio (na qual o radioisótopo é ligado diretamente na molécula) descritas na literatura científica alcançam um rendimento entre 60% e 65% [porcentagem de fragmentos que de fato permanecem ligados ao radioisótopo]. Nós conseguimos valores acima de 90%, o que é considerado bastante satisfatório no campo da medicina nuclear.”

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Fragmentos peptídicos marcados com isótopo radioativo são avaliados como biomarcadores do processo degenerativo que leva à morte dos neurônios. Resultados foram divulgados durante o encontro anual da FeSBE (Imagem:Wikimedia Commons)

Ensaios pré-clínicos

Diversos testes in vitro e in vivo foram feitos para avaliar a estabilidade dos peptídeos radiomarcados e sua biodistribuição no organismo.

Em um dos experimentos, foi comparado um grupo de camundongos sadios e outro geneticamente modificado para desenvolver um quadro semelhante ao Alzheimer. Nesse modelo, para induzir a formação das placas beta-amiloidais no cérebro dos animais, é inserido no genoma do roedor uma mutação dupla na proteína APP (proteína precursora amiloidal), que dá origem ao peptídeo beta-amiloide.

Os fragmentos radiomarcados foram injetados nos dois grupos de animais e, após diferentes tempos, os pesquisadores faziam a contagem de radiação em cada um dos órgãos, com auxílio de um contador de radiação gama.

“Dependendo do fragmento, observamos que entre 3% e 5% das moléculas radiomarcadas conseguiram de fato chegar até o cérebro dos animais geneticamente modificados, o que é considerado um índice satisfatório. Atualmente, há radiofármacos usados em outros tipos de diagnósticos nos quais a porcentagem de especificidade fica em torno de 1%”, contou Malavolta.

Nos animais controle (sadios), segundo a pesquisadora, as atividades radioativas referentes aos peptídeos radiomarcados ficaram ao redor de 0.5% no cérebro.

Nos testes in vitro, o índice de interação dos fragmentos radiomarcados com as células cerebrais dos camundongos com Alzheimer foi de 50%. Já com as células dos camundongos sadios o índice ficou entre 10% e 12%.

Ao avaliar a interação dos fragmentos radioativos com as proteínas presentes no sangue dos roedores, o índice ficou em torno de 35% nos dois grupos.

“Nesse caso, quanto mais baixo for o índice, melhor, pois uma maior quantidade do composto fica livre para chegar ao alvo desejado. O resultado do experimento mostra que 65% dos nossos fragmentos peptídicos estão livres para percorrer todo o organismo. Alguns dos fármacos disponíveis atualmente apresentam 95% de interação com as proteínas plasmáticas, ou seja, apenas 5% das moléculas ficam livres e mesmo assim ainda conseguem ter alguma eficiência. Imagina quando se tem 65% do composto livre”, comparou Malavolta.

Uma das estratégias que a pesquisadora pretende testar para aumentar a porcentagem de fragmentos radiomarcados que chegam ao cérebro é o encapsulamento em nanopartículas. Alguns testes iniciais já foram feitos.

Resultados preliminares da pesquisa apresentada na FeSBE também já foram publicados nos periódicos: Neurological Sciences, Neuropeptides, Journal of Peptide Science, Protein & Peptide Letters e Revista Brasileira de Psiquiatria, entre outros.

Hoje é o Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Dados da Associação Internacional Alzheimers Disease Internacional (ADI), com sede na Inglaterra, apontam que atualmente há cerca de 36 milhões de indivíduos portadores da doença de Alzheimer. Para 2030, a previsão é que o número aumente 85%. A estimativa revela que a América Latina tropical, onde está localizado o Brasil, será a região com maior aumento percentual, cerca de 146%.

Atualmente, é a doença responsável por 60% dos casos de demência em idosos. Cerca de 5% dos brasileiros com mais 65 anos sofrem de Alzheimer. A estimativa é de que cerca de 1,2 milhão de brasileiros sejam portadores da doença degenerativa, sendo que muitas delas ainda não foram diagnosticadas.

Com a evolução da doença, o idoso com Alzheimer apresenta uma deterioração progressiva e irreversível de suas funções intelectuais, comunicação e capacidade de realizar suas tarefas cotidianas. Após o diagnóstico, o tempo médio de sobrevida varia de oito a dez anos.

A causa específica do Alzheimer ainda não é conhecida, assim como sua cura. O tratamento visa atenuar os sintomas e garantir um mínimo de qualidade da vida.

América Latina

Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população mundial, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já prevê que o número de casos de demência, e consequentemente, de Alzheimer, irá mais que dobrar até 2050. Na América Latina, esse aumento irá ultrapassar os 500%. Conhecer melhor a doença pode não prepará-lo para o seu aparecimento, mas com certeza ajudará na forma de lidar com ela.

Sintomas – A doença neurológica degenerativa afeta a memória, fala e a noção de espaço e tempo do indivíduo, podendo provocar apatia, delírios e, em alguns casos, comportamento agressivo. Um dos primeiros sintomas é a perda de memória para fatos recentes. Depois, ocorre a desorientação quanto a lugares e datas e mudança de humor e comportamento – irritabilidade e agressividade. Na fase avançada, a pessoa pode ter alucinações, dificuldade na fala e na alimentação. Além disso, pode não reconhecer mais os familiares e torna-se totalmente dependente.

Diagnóstico – Se dá através de entrevista (história de vida, clínica, familiar, idade, escolaridade), teste cognitivo (mini exame do estado mental, teste do relógio, teste de fluência verbal) e, posteriormente, por meio de exames laboratoriais (hemograma completo, hormônios tireoidianos, enzimas hepáticas) e de imagem (tomografia, ressonância magnética).

Principais grupos e fatores de risco – Em geral, a doença de Alzheimer afeta pessoas com mais de 65 anos, mas existem pacientes com início por volta dos 50 anos. As causas da doença não são totalmente conhecidas, alguns estudos citam fatores importantes para o desenvolvimento da doença como: predisposição genética, escolaridade, hipertensão, diabetes mellitus, acidente vascular cerebral (AVC) prévio, colesterol aumentado e idade avançada.

Tratamento – Ao apresentar qualquer um dos sintomas, o paciente deve buscar um neurologista para ser avaliado. O tratamento visa retardar o máximo possível a evolução da doença e orientar a família sobre a evolução da mesma.

Prevenção – Pesquisa realizada por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, sugere sete medidas que podem evitar milhões de casos de Alzheimer em todo o mundo. Os fatores são ligados a estilo de vida: não fumar, ter uma dieta saudável, prevenir o diabetes, controlar a pressão arterial, combater a depressão, fazer mais atividades físicas e aumentar o nível de educação. Para os cientistas, metade dos casos da doença no mundo se devem a falta destas medidas de saúde e basta uma redução de 25% nos sete fatores de risco para evitar até três milhões de casos.

Fonte: Dr. Thiago Monaco: geriatra, Professor Doutor da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da UniNove