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Mês da mulher: ginecologista esclarece algumas dúvidas sobre endometriose

Em homenagem ao mês da mulher, a especialista do H9J fala sobre algumas lendas relacionadas a doenças e destaca a cirurgia robótica como um dos tratamentos mais procurados contra a endometriose

Março é o mês de conscientização da endometriose e, para aproveitar o momento e falar dos cuidados com a saúde da mulher, Bárbara Murayama, ginecologista e Coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho, revela algumas respostas para as dúvidas mais comuns sobre a doença. “Muitas mulheres não conseguem o diagnóstico rápido da doença e podem sofrer até descobrir o tratamento mais assertivo” observa a especialista.

Quando o endométrio, tecido responsável pelo revestimento do útero passa a crescer fora do órgão, como nos ovários e tuba, intestino etc, a mulher pode ter uma série de sintomas que incluem cólicas intensas, dor durante a relação sexual, constipação ou mesmo infertilidade. Bárbara explica que os sintomas, caso não sejam tratados, podem alterar drasticamente o convívio social e a rotina da mulher. A especialista lembra ainda que há muitas dúvidas sobre como é caracterizada a doença, quais são os fatores de risco, sintomas e faixa etária de risco.

Para responder algumas dúvidas sobre a doença, Bárbara esclarece alguns pontos abaixo. Confira:

P-O tratamento da endometriose é feito apenas por intervenção cirúrgica?

Bárbara Murayama-A intervenção cirúrgica é parte do tratamento em muitos casos da doença, mas faz parte de uma gama de soluções para o controle da dor como o uso de medicações hormonais. Caso seja realmente indicada a intervenção cirúrgica, o procedimento robótico tem se mostrado cada vez mais efetivo pela rápida recuperação da paciente, menor perda de sangue durante o procedimento. Já para o médico, facilita na melhor visualização de pequenas lesões no endométrio com a visão 3D e maior assertividade no tratamento.

mulher deitada na cama dor doente

A endometriose causa dores intensas relacionadas a menstruação?

BM-As cólicas menstruais estão entre as dores que mais acometem as mulheres. Um dos sintomas mais característico de endometriose é a cólica intensa, incapacitante e com aumento progressivo da dor. Esse, porém, não é sempre o principal sintoma da doença, cujo tecido endometrial pode estar alojado em outras partes do corpo e muitas mulheres, apesar das lesões, não apresentam sintomas.

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P-Mulheres acima dos 30 anos têm maior risco de serem diagnosticadas com a doença?

BM-Não há uma faixa etária definida. Alguns diagnósticos são mais comuns em mulheres acima dos 30 anos, mas a doença pode atingir qualquer mulher a partir da primeira menstruação, durante toda a fase reprodutiva e, apesar de raro, na menopausa.

P-A endometriose é diagnosticada por exames de imagem e laboratoriais?

BM-Os exames por imagem são fundamentais para ajudar na investigação e mapeamento da doença. Para que este tipo de exame seja solicitado, porém, é importante que a paciente informe em detalhes o que vem sentindo durante a consulta médica, quando também é feito o exame ginecológico.

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A especialista ainda enfatiza a importância da visita periódica ao ginecologista como a principal forma de acompanhamento da saúde. “Vamos aproveitar o mês da mulher para conscientizar a todas sobre como é fundamental ter um ginecologista de confiança, que precisa ser acionado periodicamente, independentemente de qualquer sintoma”, afirma e finaliza: “até a endometriose pode ser assintomática, por isso, faça a sua parte em prol da saúde”.

Fonte: Hospital 9 de Julho

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Endometriose não só dificulta gravidez como aumenta complicações na gestação*

Já é bem estabelecido que a endometriose prejudica a fertilidade, dificultando a gravidez; novo estudo, publicado na revista Fertility & Sterility, demonstra que, mesmo se obtendo a gestação, há um maior risco de complicações ao longo dela

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de uma textura semelhante a do endométrio (tecido que reveste internamente o útero) fora da cavidade uterina. Acomete principalmente órgãos pélvicos, como ovários, trompas, intestino, parede do útero, bexiga, peritônio, vagina e colo. Estima-se que atinja de 7% a 14% das mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das principais causas de dor pélvica. Apesar de ser uma doença benigna, tem alta morbidade, pois o quadro, doloroso, pode ser às vezes incapacitante, o que leva em muitos casos a intenso desgaste físico e mental, com grande comprometimento da qualidade de vida, tanto no aspecto profissional quanto emocional e afetivo.

Além do quadro doloroso, pode levar, por diferentes mecanismos, à infertilidade, chegando a estar presente em cerca de 25% a 50% das mulheres inférteis. Mesmo com técnicas de reprodução assistida, pacientes com endometriose têm menor taxa de gravidez do que as que não apresentam a doença. O tratamento da endometriose pode levar a importante melhora do quadro doloroso, qualidade de vida e fertilidade. Há várias opções de tratamento clínico e cirúrgico e a escolha da melhor opção sempre foi muito controversa, devendo ser individualizado caso a caso.

Endometriose e dor

Quando a paciente não deseja engravidar, um dos maiores objetivos do tratamento da endometriose é melhorar a qualidade de vida, uma vez que a doença está associada a muita dor, algumas vezes, incapacitante. A cirurgia sempre foi considerada o padrão ouro para tratamento da dor associada à endometriose. Entretanto, considerando que os tratamentos clínicos evoluíram muito, a tendência atual é iniciar com o tratamento clínico e, se não houver melhora, optar pelo tratamento cirúrgico.

Quando se opta pela cirurgia, essa deve ser muito resolutiva e eficaz, evitando que novas intervenções necessitem ser feitas no futuro. O sucesso do procedimento depende da ressecção completa das lesões, o que nem sempre é fácil, dependendo muito da experiência do cirurgião. Assim, um ponto muito enfatizado é a necessidade da cirurgia de endometriose ser feita somente por especialistas nesse tipo de procedimento, diminuindo os riscos de complicação, de tratamento incompleto ou ressecções maiores que as necessárias. Essa preocupação é maior se a endometriose for no ovário. Nesses casos, mesmo com cirurgiões experientes, pode haver prejuízo da reserva ovariana e deve-se ter muita cautela em indicar a cirurgia.

Em termos de eficácia, estudos mostram que pacientes sintomáticas têm uma melhora mais rápida com tratamento cirúrgico do que com tratamento clínico. Mas, em longo prazo, a taxa de sucesso é semelhante. Assim, ainda não é consenso qual deve ser a abordagem inicial.

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Foto: Luciana Ferraz/Pixabay

Entre as principais indicações de se iniciar com tratamento clínico, estão:

– Pacientes muito jovens: iniciar com tratamento clínico pode ser uma boa opção para adiar a cirurgia e evitar repetidas intervenções. Alguns autores questionam essa postura, pois seria mais fácil operar uma paciente quando a endometriose está inicial, além de evitar mais sequelas com o avanço da endometriose. Como novos tratamentos clínicos vêm sendo mais eficazes, esses pontos ainda são controversos.

– Situações com risco cirúrgico elevado como pacientes com múltiplas cirurgias abdominais prévias, patologias clínicas que elevem risco cirúrgico, antecedentes de processos inflamatórios pélvicos etc.

Já para pacientes muito sintomáticas ou que não melhoraram com tratamento clínico a cirurgia tem boa indicação.

Já está estabelecido que a endometriose prejudica a fertilidade. Isso se deve a alterações anatômicas na pelve (às vezes com grande distorção da anatomia), o processo inflamatório provocado (prejudicial ao óvulo e espermatozoide, diminuindo as taxas de fertilização), resistência dos ovários (que necessitam de mais medicação para estimulá-los e produzem menos óvulos), além de alterações endometriais, que prejudicam a implantação (por exemplo, secreção de algumas interleucinas, como LIF – leukemia innibitory factor).

A endometriose está presente em 25% a 50% das mulheres inférteis, e sua ocorrência afeta os resultados gestacionais mesmo com técnicas de reprodução assistida. Quando a queixa é somente infertilidade, não existe consenso em qual a melhor abordagem inicial, sendo os estudos controversos. Entretanto, existem algumas tendências que devemos seguir, baseados no que há na literatura médica, opinião de especialistas e nossa experiência.

Há certo consenso que pacientes nas quais a endometriose é o único problema que afeta a fertilidade, não tendo outras causas, como fator masculino, idade avançada, baixa reserva ovariana e alterações de trompas, vão se beneficiar da cirurgia em termos de obter gravidez espontânea ou com técnicas de baixa complexidade (indução da ovulação ou inseminação intrauterina). Tratar clinicamente não parece ter muito benefício nestes casos, principalmente se a endometriose for mais avançada.

Já se a paciente vai ser submetida a técnicas de reprodução assistida de alta complexidade, ou seja, fertilização in vitro (FIV), em geral, opta-se por não operar, principalmente se a endometriose for no ovário, pelo risco de prejudicar a reserva ovariana. Nesses casos, recomenda-se tratamento clínico hormonal por três meses, antes da FIV, melhorando, assim, a chance de sucesso.

Com a FIV, temos resultados satisfatórios em termos de taxa de gravidez em pacientes com endometriose, mas essas taxas normalmente são inferiores a quem não tem a doença, principalmente nos casos mais avançados. Na hipótese de falha com a FIV, a cirurgia pode ser também uma opção para melhorar a chance de sucesso.

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Endometriose e o risco de complicações obstétricas

Apesar de prejudicar a obtenção da gravidez, sempre se acreditou que a endometriose melhorava com a gravidez, que após ter sido conseguida, não apresentava riscos. Entretanto, uma recente revisão sistemática da literatura e meta-análise publicada pela revista internacional Fertility & Sterility, em outubro de 2017, demonstrou que a endometriose pode ser prejudicial à gravidez. Os pesquisadores avaliaram 24 estudos publicados, incluindo 1.924.114 mulheres, comparando os resultados obstétricos daquelas que tinham endometriose com outras sem a doença. Os autores demonstraram que pacientes com endometriose têm risco aumentado de aborto, placenta prévia, parto prematuro, sofrimento fetal e necessidade de cesária, se comparadas a mulheres sem endometriose.

As razões apontadas incluem o fato de que a endometriose causa um processo inflamatório intenso e as citocinas inflamatórias provocam alteração no miométrio (músculo da parede do útero), aumentando o risco de abortos, parto prematuro e alterações placentárias. Além disso, apesar de não ser frequente, a endometriose pode sangrar na gravidez causando hemorragias, assim como levar a perfuração da bexiga ou intestino, quando acomete esses órgãos.

Conclusão

A endometriose pode não só levar à dor, como à piora da qualidade de vida e à infertilidade, mas também a maior risco obstétrico. A cirurgia para endometriose tem inúmeros benefícios. Pode ser útil no controle da dor, no aumento nas taxas de gravidez espontânea e, inclusive, nas taxas da FIV. Além disso, poderia diminuir o risco de aborto e complicações obstétricas.

Entretanto, com o avanço dos tratamentos clínicos, indicar a cirurgia merece cautela, pois muitas vezes ela é extremamente difícil e não é isenta de riscos. Deve sempre ser feita somente por quem tem muita experiência neste tipo de cirurgia e sua indicação deve ser muito bem pensada caso a caso, numa decisão em conjunto com a paciente.

*Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica.

*Rogério Leão é membro da equipe do IPGO e Médico Assistente na área de Ginecologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM/ UNICAMP). Graduado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Residente em Ginecologia e Obstetrícia, no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM/ UNICAMP). Especializado em Endoscopia Ginecológica, pelo Hospital Pérola Byington (São Paulo –SP) e em Infertilidade Conjugal, pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (São Paulo –SP). 

Novidade para as mulheres com endometriose que lutam para engravidar

Pesquisadores de Southampton, no Reino Unido, podem ter descoberto por que algumas mulheres com endometriose têm dificuldade em engravidar

A endometriose é uma condição crônica que afeta cerca de 10% das mulheres e está associada à dor abdominal crônica, menstruações irregulares e diminuição da fertilidade. Na fase fértil, a mulher produz óvulos maduros. Essa maturação ocorre em estruturas cheias de fluidos no ovário chamados de folículos. Os óvulos maduros são, então, liberados para serem fecundados. No entanto, óvulos de mulheres que têm endometriose são afetados por estarem em um ambiente uterino muito hostil que reduz a fertilidade. Supõe-se que o óvulo em si, antes de ser liberado, não seja afetado pela endometriose.

No entanto, em um estudo colaborativo entre pesquisadores da Universidade de Southampton e do Centro de Fertilidade Completa do Hospital Princesa Anne, verificou que a qualidade do óvulo fica severamente comprometida na endometriose.

Publicado em Scientific Reports*, o estudo descobriu que a capacidade de amadurecer do óvulo foi bloqueada pela endometriose. Além disso, os óvulos poderiam sofrer sérios danos pela exposição ao fluido folicular de mulheres com endometriose.

Um dos pesquisadores da Universidade de Southampton que liderou o estudo comentou que eles acreditavam que esses resultados poderiam ter implicações clínicas para muitas mulheres que lutam para engravidar. A descoberta de que o fluido dos folículos de pacientes com endometriose bloqueia a maturação do óvulo gerando radicais livres chamados de Reactive Oxygen Species-ROS (espécies reativas de oxigênio em tradução livre) no óvulo, danificam seu DNA. E este dano faz com que o óvulo não amadureça e, assim, não possa ser fertilizado. Porém, frisou que mais pesquisas são necessárias para investigar se o problema é tratável ou evitável.

O estudo utilizou óvulos imaturos de ratos que foram incubados em fluido folicular de mulheres com endometriose, in vitro. Os pesquisadores examinaram as quantidades de ROS que foram geradas e a capacidade do óvulo de amadurecer. Descobriram que o fluido folicular de mulheres com endometriose resultou em maiores quantidades de ROS.

A equipe de pesquisa acredita que os efeitos da endometriose em óvulos em maturação poderiam ser prevenidos por antioxidantes. Durante o estudo, a equipe analisou os efeitos de dois antioxidantes. O resveratrol, que é encontrado na película de uvas e berries, e a melatonina, composto liberado durante o sono, foram adicionados ao fluido, o que mostrou reversão nos efeitos negativos; os níveis de ROS diminuíram e mais óvulos foram capazes de amadurecer.

A endometriose é fortemente associada à infertilidade e até 50% das mulheres que necessitam de tratamento de infertilidade tem este problema. Isso pode ser terrivelmente perturbador para um casal, portanto, os pesquisadores veem nesta nova pesquisa uma esperança para os casais que querem ter filhos. Para eles, é encorajador ver a possibilidade de os danos serem prevenidos por antioxidantes, mas mais pesquisas são necessárias antes que possam pôr em pratica os resultados.

Para Arnaldo Cambiaghi, especialista em reprodução humana e infertilidade da Clínica de Reprodução Humana do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia), a pesquisa apenas corrobora o que já se desconfiava há anos: “Esse estudo reforça a interferência da endometriose na fertilidade feminina e confirma que os radicais livres também têm importância comprovada na infertilidade. Entretanto, não podemos esquecer que tratamos a endometriose utilizando a videolaparoscopia e temos conseguido resultados excelentes. Por isso, ela é considerada uma ótima estratégia para o tratamento”.

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Mais sobre endometriose

A endometriose é uma doença enigmática que interfere na fertilidade da mulher de várias formas, diminuindo ou impedindo a possibilidade de gravidez, pois interfere na qualidade dos óvulos, na implantação dos embriões e nas trompas, além de outras manifestações. Este tratamento clínico com antioxidantes é uma ótima opção, mas não podemos esquecer que para se conseguir a gravidez muitas vezes a melhor opção é uma cirurgia minimamente invasiva (videolaparoscopia) pode resolver o problema.

“O nome endometriose provém de endométrio, que é um tecido que reveste internamente o útero. A cada mês, estimulado pelos hormônios, este tecido cresce e é eliminado no período menstrual. Porém, pelos motivos mais variados, o endométrio pode implantar-se fora do útero e aí passa a se chamar endometriose”, afirma Cambiaghi. O problema é que mesmo fora do lugar certo, ele recebe a mesma influência hormonal, continua crescendo e descamando na menstruação. Só que como está num local errado, não tem canal de saída. Por isso, forma-se um processo inflamatório que provoca dor e tem como resultado a formação de aderências (tecidos grudados uns aos outros de uma forma desordenada, que são extremamente doloridos e causam o mau funcionamento dos órgãos). Se essas aderências forem próximas a órgãos do sistema reprodutivo da mulher, esta pode ter dificuldades para engravidar.

“A endometriose pode ser encontrada no abdômen, afetando os ovários, trompas, ligamentos que sustentam o útero e em outros locais do aparelho reprodutor feminino. Em algumas ocasiões, as aderências também se encontram nas cicatrizes cirúrgicas abdominais, nos intestinos ou no reto, na bexiga, na vagina, no colo do útero e na vulva (órgãos genitais externos). Em casos mais raros, também aparecem fora do abdome, em locais como os pulmões, braços, entre outros”, diz o médico.

Não é considerada uma doença maligna, pois é apenas uma classe de tecidos normais fora de seu local correto. Embora atualmente estejam sendo estudadas possíveis relações entre o problema e o câncer de ovário. Além disso, a endometriose pode causar inúmeras complicações. Uma delas é a ruptura das lesões, que podem espalhar o problema para outras áreas. Nos casos mais graves, pode até ocorrer sangramento intestinal ou obstrução, se os tumores estiverem no intestino ou próximos a ele. Se estiver perto da bexiga, pode prejudicar seu funcionamento.

A infertilidade ocorre em 30% a 40% das mulheres com endometriose e é um resultado comum com a progressão da doença. Das pacientes que sofrem cirurgia para diagnóstico ou tratamento da infertilidade, metade delas apresenta endometriose. A doença também parece aumentar o risco de gravidez tubária e aborto em mulheres que conseguem engravidar.

Diagnóstico e tratamento

“O exame conclusivo é sempre feito pela videolaparoscopia, uma intervenção minimamente invasiva realizada em hospital, sob anestesia geral, na qual os órgãos são observados por uma vídeocâmera e operados por microincisões. O período de internação, na maioria das vezes, não ultrapassa um dia, e as amostras do tecido são retiradas e levadas a laboratório para exames. Nessa intervenção, além do diagnóstico, são realizadas as cirurgias, como retirada de cistos, aderências e focos de endometriose. Antes dessa avaliação conclusiva, o diagnóstico é suspeitado pelo quadro clínico, pela infertilidade, quando for o caso, e por exames como o ultrassom (cistos ou manchas esbranquiçadas) nos ovários e exames de sangue como o CA125, CA19.9 e, mais recentemente, o SAA (Proteína Sérica Amilóide-A), dão a noção de profundidade das lesões endometrióticas”, finaliza Cambiaghi.

*The sensitivity of the DNA damage checkpoint prevents oocyte maturation in endometriosis, Mukhri Hamdan, Keith T. Jones, Ying Cheong & Simon I. R. Lane, Scientific Reports, doi:10.1038/srep36994, published online 14 November 2016.

Fonte: Arnaldo Cambiaghi é Diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery.

Seis sintomas que podem indicar endometriose

O tema endometriose tem estado muito em voga hoje em dia. É cada vez mais comum pessoas que descobrem ter a doença. Não à toa, já há quem a denomine como “a doença da mulher moderna”.

“Isto se deve há muitos fatores, mas também, provavelmente, pela mudança no estilo de vida das mulheres, que tem retardado a fertilidade, e com isso, aumentado os ciclos menstruais antes de engravidar. Mas, não se devem descartar ainda os fatores imunológicos, o estresse e a poluição, entre outros”, explica o ginecologista e obstetra Tomyo Arazawa, da Alira Medicina Clínica e Cirúrgica.

A doença é a causa de muitos casos de infertilidade nos tempos modernos. Entretanto, com o tratamento adequado, é possível reverter este quadro. Um exemplo disto é a atriz Fernanda Machado, que interpretou a personagem Leila na novela “Amor à Vida” e Maria no filme “Tropa de Elite”. Há alguns meses, a artista divulgou o nascimento do seu primeiro filho, fato que foi muito comemorado depois de Fernanda ter sido diagnosticada com endometriose há cerca de três anos.

Mas, além da infertilidade, há outros sintomas que podem indicar que a mulher está com endometriose. Arazawa lista seis sintomas da endometriose e, no caso da mulher ter algum, recomenda uma visita ao médico, afinal prevenção nunca é demais.

Cólica menstrual muito intensa

Em muitos casos, a cólica menstrual intensa é o primeiro sinal indicativo de endometriose. A doença é a presença de células que compõe a camada interna do útero (chamado de endométrio) fora do útero: nas trompas, nos ovários, na bexiga, no intestino. Quando a mulher menstrua, essa camada interna do útero descama, sangra e se exterioriza por via vaginal. Assim, nas mulheres com endometriose, durante o período de menstruação, existe um sangramento e uma inflamação também nestes outros órgãos, o que gera mais dor.

Às vezes, a cólica não tem motivo aparente, contudo não se deve imaginar que a cólica menstrual é um sintoma natural na vida da mulher. Por isso, sempre que sentir dor, procure o ginecologista e descreva o que sente para que as causas sejam identificadas e o melhor tratamento seja orientado.

Dor na relação sexual de profundidade

Como a endometriose pode afetar vários órgãos da região pélvica, o contato com a região inflamada provoca a dor. É sempre válido lembrar que a relação sexual deve ser prazerosa para a mulher. Se existe dor na profundidade, é porque algo não está bem.

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Infertilidade

A endometriose está entre as causas possíveis da dificuldade para engravidar. Muitas mulheres que apresentam infertilidade têm endometriose associada. Tal correlação pode ser explicada pela obstrução ou comprometimento das tubas uterinas pela endometriose, obstrução das tubas uterinas por aderências causadas pela endometriose, e pela inflamação crônica na pelve, que pode atrapalhar a implantação do embrião no útero. Vale ressaltar que, nos casos de endometriose, a fertilidade pode ser restabelecida com tratamento adequado.

Alterações e dor intestinal no período menstrual

Como o intestino encontra-se localizado na região pélvica, ele também pode ser comprometido pela endometriose. Com isso, no período menstrual, as lesões de endometriose no intestino provocam inflamação e por consequência dor intestinal, principalmente durante a evacuação. Dependendo da localização da endometriose no intestino, pode provocar cólicas intestinais de forte intensidade, dor ao evacuar no reto e até sangramento nas fezes. Em casos mais graves, pode causar dificuldades na evacuação e até obstrução do intestino.

Dor para urinar no período menstrual

Assim como o intestino, a bexiga também está localizada na região pélvica. E pode sofrer as mesmas alterações que ele, o que pode gerar dor para urinar durante a menstruação, assim como sangramento na urina. Em casos mais severos, a endometriose também pode comprometer os ureteres, que são as estruturas que transportam a urina dos rins para a bexiga, podendo até comprometer o funcionamentos dos rins.

Dor pélvica crônica

Como explicado acima, a endometriose pode atingir vários órgãos da pelve, ao longo de muitos anos. Com o passar do tempo a mulher com endometriose pode passar a sentir dor contínua, independente da menstruação. Esse tipo de dor é chamada de dor pélvica crônica e traz um grande impacto na qualidade de vida dessas mulheres.

Todas essas alterações podem influenciar a vida psicossocial da mulher, uma vez que a dor crônica pode impedi-la de cumprir com seus deveres profissionais e pessoais, além de atrapalhar nas relações sexuais. A boa notícia é que a maior parte dos casos tem tratamento e o controle adequado pode melhorar a qualidade de vida.

Fonte: Alira Clínica

Sintomas da endometriose podem ser alterados graças à alimentação

Alguns alimentos podem tanto melhorar o quadro, quanto piorá-lo sensivelmente

Você pode nunca ter tido este problema, mas com certeza já ouviu falar ou conhece alguma mulher que tem endometriose. Se for o caso, passe essa recomendação sobre a importância dos alimentos e, creia, estará ajudando essa pessoa.

Muito se tem insistido na importância de uma alimentação correta para praticamente tudo na vida. Com a fertilidade não é diferente. Mesmo pessoas que tenham alguma doença também podem contribuir para a diminuição dos sintomas seguindo uma dieta saudável. É o caso de um dos males que mais afeta a fertilidade feminina: a endometrioses.

“A endometriose é uma doença enigmática que vem crescendo pelo mundo. Estima-se que de 10% a 14% das mulheres em sua fase reprodutiva (19 a 44 anos) e de 25% a 50% das inférteis sejam acometidas por este mal. Muitas mulheres chegam a sentir tanta dor que se veem impossibilitadas de viver uma vida normal e até mesmo a faltar no trabalho. Ela é caracterizada pela presença de tecido endometrial (revestimento interno do útero) fora da cavidade uterina (como ovários, tubas, intestinos, bexiga, peritônio, e até mesmo no próprio útero, dentro do músculo). É uma doença crônica que em casos graves pode ser altamente debilitante”, conta o médico Arnaldo Cambiaghi, especialista em reprodução humana e diretor do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia).

Uma celebridade que teve esta doença, e é considerada maior símbolo sexual até hoje, é a atriz norte-americana Marilyn Monroe que, muitas vezes, faltava ou chegava atrasada a filmagens e compromissos por conta deste problema. Marilyn sofreu vários abortos e nunca conseguiu realizar seu sonho de ser mãe.

Sintomas

Os sintomas mais comuns da endometriose são cólica, menstruação irregular, dor pélvica e infertilidade. O tratamento da endometriose profunda é sempre cirúrgico, feito por videolaparoscopia, é algo extremamente complexo e exige médicos qualificados e experientes neste tipo de intervenção.

“Diversas teorias relacionam o efeito positivo da alimentação sobre a progressão e a agressividade da endometriose. Essa relação ocorre porque a endometriose é uma doença estrogênio-dependente, o que significa que os níveis deste hormônio no organismo podem interferir na progressão da doença”, admite Cambiaghi.

Fibras & antioxidantes

Assim, estudos diversos relacionam a melhora das dores com algumas intervenções nutricionais pontuais, como aumento do consumo de fibras, substituição de gorduras de animais por óleos de boa qualidade e consumo adequado de vitaminas antioxidantes como A, C, E e complexo B.

São boas fontes de vitamina A: damascos, pêssegos, melão cantalupo e vegetais verde-escuros e amarelo-escuros. Das vitaminas A e C: abóbora, tomate, manga, mamão papaia e couve. Da vitamina E: frutas cítricas, morangos, pimentas, repolho, batata-doce e brócolis. Já as vitaminas do complexo B são encontradas em ovos e laticínios (prefira orgânicos), leguminosas e alimentos integrais.

Há também aqueles alimentos que podem agravar a dor como os industrializados, produzidos com excesso de gordura hidrogenada, farinha e açúcar refinados. Alimentos de origem animal são a maior fonte de substancias hormonalmente ativas, pois o tecido gorduroso e produtos à base de gordura animal são grandes retentores de xenoestrogênios, bem como antibióticos, drogas veterinárias e hormônios para estimulo do crescimento. Assim, o ideal é evitar embutidos, carnes vermelhas, leite e derivados não-orgânicos, além de gorduras saturadas.

Medicação

Em 2012 chegou ao Brasil o Allurene, cujo componente ativo é o dienogeste, um progestagênio com forte atividade progestacional e sem atividade androgênica. A dose recomendada é 1 comprimido de 2 mg via oral uma vez ao dia.

“Estudos mostraram eficácia no alívio da dor semelhante ao análogo do GnRH e redução das lesões de endometriose. A melhora dos sintomas se mantém por períodos prolongados de uso. Efeitos colaterais são leves e infrequentes e são eles: dor de cabeça (9%), dores mamárias (5,4%), desânimo (5,1%) e acne (5,1%). Diferente do análogo de GnRH, não tem efeitos colaterais anti-estrogênicos relevantes como diminuição da massa óssea e sintomas de menopausa (calores, secura vaginal…), frequentes com o uso do análogo. Também não se associa com efeitos androgênicos clinicamente relevantes e não tem impacto negativo sobre o perfil de lipídios, diferente de alguns progestagênios. Com o uso contínuo, há redução progressiva na frequência e intensidade do sangramento”, diz o médico.

O Allurene para o tratamento da endometriose mostra segurança e eficácia, sendo adequado para o uso a longo prazo e é uma opção de tratamento oferecida pela equipe do IPGO para pacientes com essa doença.

Fonte: IPGO