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Suplemento auxilia no tratamento de síndrome que causa infertilidade nas mulheres

A Síndrome do Ovário Policístico, também conhecida pela sigla SOP, é uma desordem endócrina que atinge cerca de 15% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo e é uma das principais causadoras da infertilidade. “Durante o processo de ovulação, é normal o aparecimento de cistos, que fazem parte do funcionamento dos ovários e desaparecem a cada ciclo menstrual.

A SOP interfere neste processo de ovulação devido ao desequilíbrio hormonal, fazendo com que estes cistos permaneçam ali e modifiquem a estrutura ovariana, tornando o órgão até três vezes maior que o tamanho normal”, explica a farmacêutica Luisa Saldanha, diretora técnica da Pharmapele.

Segundo a especialista, as causas da SOP ainda não são totalmente conhecidas. Porém, acredita-se que alguns fatores como a genética e, principalmente, a resistência insulínica tem relação com a origem do distúrbio, pois levam ao desequilíbrio hormonal.

“Os sintomas variam de pessoa para pessoa, assim como a gravidade da doença. A falta de ovulação, a menstruação anormal e altos níveis de hormônios masculinos são os principais sinais da síndrome. Porém, outros sintomas como o aumento de pelos no rosto, seios e abdômen, a formação de acne e o ganho de peso também podem indicar a presença do distúrbio”, afirma. “Além disso, em casos mais graves, podem surgir complicações a longo prazo como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer do endométrio.”

ventre barriga mulher

O diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos é feito por meio de exames clínicos e laboratoriais como o ultrassom ginecológico e a verificação dos níveis de hormônios através do exame de sangue. Já para o tratamento da SOP, manter uma dieta leve e balanceada acompanhada da prática de exercícios físicos é fundamental para a melhora da resistência insulínica, fertilidade e a regulagem da ovulação.

“A parte medicamentosa do tratamento consiste no controle dos sintomas e complicações. Por isso, são receitados anticoncepcionais para regular o ciclo menstrual, indutores de menstruação para ajudar no processo de ovulação, hipoglicemiantes para controlar a resistência insulínica, além de medicamentos para reverter o quadro de infertilidade”, destaca a farmacêutica.

Recentemente, estudos descobriram que uma molécula que nosso corpo produz a partir da glicose chamada de inositol também pode melhorar os sintomas associados com a síndrome dos ovários policísticos, especialmente os inositóis Mio-inositol (MI) e D-Chiro Inositol (DCI).

“Baixos níveis de DCI foram observados em pessoas com resistência à insulina e SOP, dando suporte a teoria de que estes pacientes experimentam uma severa desregulação do metabolismo de inositol. Por isso, a administração de ambas as isoformas do inositol é um tratamento simples e seguro que age sobre a modulação da insulina, melhorando assim a função ovulatória e diminuindo as concentrações de andrógenos”, explica a especialista.

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De acordo com Luisa Saldanha, outros ativos também podem ser suplementados junto com o tratamento medicamentoso convencional para otimiza-lo e diminuir a ocorrência de efeitos colaterais. Por exemplo, a suplementação da Coenzima Q10 reduz o stress oxidativo e melhora a ovulação. Já o Extrato de feno-grego (50%) favorece a redução dos cistos e o retorno do ciclo menstrual normal.

“É importante que antes de tomar qualquer medicamento você consulte um médico. Cabe a ele a avaliação do melhor tratamento, levando sempre em conta fatores como os sintomas, as complicações e a pretensão da paciente de engravidar ou não”, finaliza.

Fonte: Pharmapele é uma rede de farmácias de manipulação, com 30 anos de experiência em medicamentos personalizados e cosméticos de tratamento

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Maca peruana: efeitos positivos para a fertilidade, a menopausa e a TPM

Porém, seu sucesso atual é graças aos seus efeitos positivos sobre a saúde; a planta, que conquistou os adeptos da boa forma, ganhou espaço entre aqueles que querem turbinar a dieta, fugir das doenças e melhorar até mesmo a libido

A maca peruana, tubérculo encontrado em abundância na região da Cordilheira dos Andes, no Peru, não era muito popular até pouco tempo atrás, mas, atualmente, vem chamando a atenção de estudiosos do mundo inteiro devido às suas propriedades nutricionais e potenciais efeitos terapêuticos. Para seus consumidores nativos, os incas, seus poderes milagrosos já eram explorados de geração em geração desde tempos milenares, mas, para o resto do mundo, os benefícios do consumo da raiz ainda são novidade.

Sua fama recente em países como Estados Unidos, Hong Kong, China, Japão e Brasil se deu graças a descoberta de seu efeito energizante, revigorante e, especialmente, afrodisíaco: de todas as qualidades associadas à maca, o aumento da potência sexual e da libido, tanto de homens quanto de mulheres, são os mais discutidos. Mas não para por aí, o crescente interesse em torno do alimento despertou a curiosidade da ciência, que passou a verificar seus efeitos e já aponta os benefícios de seu consumo, como a capacidade de promover o equilíbrio hormonal, melhorar o humor, regular o metabolismo, favorecer a fertilidade, combater a fadiga, e muitos outros.

Origem do superalimento

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Maca peruana é o nome popular da raiz da planta Lepidium meyenii com a indicação de sua origem. De gosto suave, o tubérculo in natura é semelhante a um rabanete, porém, sua cor pode variar entre bege amarelada e rubro-negra. Seu crescimento acontece em uma região andina isolada e cheia de intempéries do território peruano, por isso, encontrar a raiz em sua forma natural não é muito comum, ela só está presente em seu país de origem, já que depende do clima rigoroso e solo árido da região para se desenvolver.

No Peru, ela costuma ser consumida crua, cozida ou desidratada. Sua farinha também é utilizada para fazer pães e biscoitos, e sua torrefação permite o preparo de “café de maca”. Mas, ainda assim, é possível usufruir dos benefícios do seu consumo, mesmo distante de seu país, isso porque, atualmente, já é possível encontrar seu extrato em forma de farinha ou cápsulas no mercado nacional.

Potente afrodisíaco natural

A fama afrodisíaca do alimentou lhe rendeu seu maior título, o de “estimulante natural” e, para quem duvidava da crença popular, já pode voltar atrás, pois, atualmente os estudos científicos endossam tal efeito e apresentam ainda evidências que corroboram muitos outros benefícios associados à raiz. Sua ação sobre a saúde sexual é estimulante e potencializadora da libido, mas ao contrário dos fármacos comercializados com esse intuito, a maca não possui riscos colaterais à saúde.

Segundo o nutricionista Carolina Fajardo, do portal Ailo, tomar maca peruana, hoje em dia, é muito mais do que uma moda, é uma solução para quem busca uma série de benefícios para a saúde, inclusive a sexual.

“O consumo traz benefícios reais, para se ter ideia, o extrato do tubérculo contém uma boa dose de vitamina C, nutriente fundamental na síntese dos hormônios sexuais femininos que atuam na fertilidade, sexualidade e libido da mulher, e também apresenta a vitamina E, que aumenta o fluxo sanguíneo e a oxigenação dos órgãos sexuais de ambos os sexos, sem esquecer, é claro, do zinco, mineral que trabalha na produção da testosterona, hormônio com ação significativa sob o desejo e desempenho sexual”, afirma a nutricionista.

Eficácia comprovada cientificamente

Em um estudo publicado na Revista Peruana de Medicina Experimental e Saúde Pública, é possível observar que a ingestão de pequenas porções de maca por homens sadios durante oito semanas resultou no aumento do desejo sexual e ainda apontou uma melhora considerável em outros pacientes com disfunção erétil leve, causada por desequilíbrios hormonais, após a ingestão do extrato de maca seca por doze semanas. As pesquisas ressaltam que ainda é preciso aprofundar as avaliações, no entanto, conclui-se que o uso de maca para estes tratamentos é favorável, especialmente por não haver contraindicações conhecidas a respeito do alimento.

Já em relação às mulheres, uma pesquisa realizada pela BMC Complementary and Alternative Medicin, publicada em 2010 no jornal oficial da Sociedade Internacional de Pesquisa de Medicina Complementar (ICRM), demonstrou que a administração de maca também teve um efeito positivo sobre o desejo sexual de mulheres sadias em período de menopausa.

Mas isso não se aplica apenas a esse grupo, pois, outro estudo publicado na Revista Peruana de Medicina Experimental e Saúde Pública, afirma que o consumo de maca é capaz de elevar a produção de estradiol, um hormônio sexual feminino responsável pela lubrificação e vasodilatação vaginal, por isso, o extrato de maca favorece mulheres que vivenciam a diminuição da libido devido ao desequilíbrio hormonal.

Aumento da fertilidade

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

A ação desse tubérculo tão poderoso é determinante, inclusive, sob a fertilidade. Publicado no mesmo periódico, outro estudo, conduzido em roedores, comprovou a influência da raiz sob a produção hormonal, demonstrando uma relação possível entre o aumento de progesterona e a diminuição da mortalidade de fetos nas fêmeas que receberam suplementação de maca peruana, apontando, inclusive, que, embora o número de óvulos por período fértil não tenha sofrido alterações, elas tiveram mais crias do que as cobaias do grupo de controle. Os machos também apresentaram melhora na produção de espermatozoides, após o período de duas semanas.

De acordo também com um estudo conduzido no Departamento de Ciências Fisiológicas, da Universidad Peruana Cayetano Heredia, na capital do Peru, a administração de maca a homens por um período de quatro meses aumentou o volume seminal e melhorou a produção de esperma. Segundo especialistas, a maca também tem a capacidade de reduzir a mortalidade dos óvulos femininos. Ou seja, seu consumo regular pode beneficiar homens e mulheres, sem apresentar riscos à saúde.

Importante agente na saúde feminina

Na idade fértil das mulheres, a raiz, além de influenciar positivamente na fertilidade, ainda pode ajudar a aliviar os sintomas da TPM e regular os níveis hormonais, devido aos seus componentes nutricionais, rico em vitaminas e antioxidantes, mas, com o passar do tempo, seus benefícios se tornam ainda mais acentuados, favorecendo as mulheres em duas das fases em que elas mais carecem de aportes que ajudem a estabilizar o organismo: a menopausa.

Um estudo clínico, que avaliou os efeitos da maca sobre os sintomas climatéricos de mulheres com menopausa precoce, em comparação a um placebo, apontou um aumento significativo da sensação de bem-estar, causado por um nível maior de energia e menos ocorrências de episódios de dormência muscular, dores de cabeça reduzidas e diminuição da sudorese noturna nas mulheres que usaram a maca.

A raiz amiga das dietas

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Embora este não seja seu apelo principal, a raiz peruana também caiu no gosto da galera fitness. Com 59% de carboidratos, o tubérculo é uma fonte natural e poderosa de energia, tornando-se um ótimo aliado para os amantes de exercícios e academia que desejam potencializar a boa forma. Já sua alta concentração de fibras também promove mais sensação de saciedade por um período prolongado, levando o indivíduo a comer menos, além de facilitar o processo digestivo, fazendo o intestino funcionar corretamente e eliminando o inchaço corporal. Além desses efeitos, que favorecem o emagrecimento, a maca peruana ainda tem pouquíssimas calorias: duas colheres de chá da farinha, por exemplo, possuem apenas 30 calorias. Suas fibras são capazes de reduzir a absorção de gorduras no organismo.

Outros benefícios do tubérculo

Os benefícios da maca peruana não se limitam apenas a saúde sexual, seus nutrientes básicos promovem uma gama de vantagens ao nosso metabolismo. Segundo a nutricionista, além das fibras, sua composição também é rica em nutrientes como Cálcio, Ferro, Ômega 3 e 9, Potássio, Selênio, Vitaminas do Complexo B, C e E, além de Zinco e Aminoácidos.

Carolina reforça que a maca não é somente um estimulante sexual, ela é considerada um superalimento justamente pela sua riqueza nutricional, que promove mais saúde, agindo, por exemplo, contra o envelhecimento precoce, trabalhando para fortalecer o sistema imunológico, auxiliando no emagrecimento, entre outras funções.

A especialista explica que o tubérculo ainda tem um potencial energético capaz de promover mais vigor e ganho de massa muscular “O uso regular da maca também pode resultar em um aumento da resistência física e melhora do desempenho em exercícios e atividades esportivas. A fadiga também é reduzida sob o uso deste alimento”, aponta a profissional.

MACA peruana

“Como é extremamente difícil de encontrar a raiz natural fora do Peru, a maneira mais segura de consumir é por meio  do uso de farinhas, suplementos e comprimidos do extrato da maca peruana, que oferece praticidade, sem alterar suas propriedades nutricionais. Vale lembrar que é essencial consultar um especialista habilitado antes de iniciar qualquer mudança na dieta, especialmente no caso de idosos, gestantes, lactantes, crianças e nutrizes”, finaliza a nutricionista.

Fonte: Ailo

 

Novo exame avalia a ancestralidade de doadoras de óvulos

Um teste que avalia 700 mil regiões do DNA das doadoras pode confirmar as contribuições das diferentes etnias, dando mais segurança a respeito das características étnicas que podem ser passadas à criança proveniente desses óvulos; ele vem se juntar ao teste genético preconcepcional – TGP, que é capaz de identificar e prevenir a transmissão hereditária de doenças genéticas

De todos os diagnósticos conhecidos, o mais difícil de ser aceito pela mulher é o da ausência de óvulos capazes de serem fertilizados, isto é, que o ovário não possui mais óvulos capazes de gerarem filhos. É um momento de decepção, pois ela acredita que não será mais possível ser mãe. Esse fato pode ocorrer em mulheres jovens, com falência ovariana prematura, também chamada de menopausa precoce; em casos de cirurgias mutiladoras, em que são retirados os dois ovários; em idade avançada, quando os óvulos produzidos não formam embriões de boa qualidade; ou na própria menopausa na idade certa (ao redor dos 50 anos), época em que não existem mais óvulos.

A solução para todos esses casos é a doação de óvulos. Essas mulheres podem ser mães e gerar o(s) filho(s) no próprio ventre, tendo um bebê fruto dos espermatozoides do marido com um óvulo de uma mulher doadora.

O primeiro impacto dessa proposta de tratamento para essas pacientes é sempre de indignação, acompanhada de comentários como: “Então esse filho não será meu”, “Essa criança não terá as minhas características, nem o meu DNA”, entre outros. Essas afirmações são feitas por quase todas as mulheres em uma fase inicial. Mas, após um período de reflexão e conhecimento, retornam, aceitando essa opção para ter os filhos.

A doação de óvulos é um tratamento sigiloso, que é do conhecimento exclusivo do médico e do casal. As doadoras devem ser anônimas, isto é, não podem ser da própria família nem conhecidas do casal. Normalmente, as mulheres não divulgam a informação que a gravidez é proveniente de óvulos doados. Portanto, uma grande preocupação que se tem é da doadora ter o máximo de semelhança física com a receptora.

“No IPGO, a candidata a doadora, além de um exame clínico e laboratorial rigoroso, deve preencher um questionário detalhado sobre sua vida pessoal e médica, incluindo informações sobre antecedentes e características familiares. Detalhes físicos como peso, estatura, tipo e cor dos cabelos, cor dos olhos e da pele são incluídos nesse questionário, acompanhados de uma foto de quando era criança, para que a receptora tenha uma ideia da fisionomia de quem lhe doará os óvulos. Assim, ela se sentirá mais segura, e sem o risco de um reconhecimento futuro”, afirma Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO..

Entretanto, considerando a grande miscigenação da população brasileira, mulheres muito parecidas podem ter genes de outras etnias que, no filho, podem se manifestar, tendo o bebê características muito diferentes da família da receptora. Um novo exame pode dar mais segurança na escolha da doadora: o teste de ancestralidade global. “Nele, são analisados 700 mil regiões do DNA de todos os cromossomos . O teste estima a ancestralidade global do indivíduo, fornecendo valores percentuais para a localização biogeográfica do material genético do indivíduo testado. Essa ancestralidade identificada na análise sofre influência de até 5 gerações (até o 16º trisavó/vô)”, explica o especialista.

O resultado do teste irá conter as porcentagens de cada ancestralidade genética que o indivíduo possui, por exemplo: 40% europeu, 20% oriente médio, 20% africano, 20% indígena, com as subdivisões dentro de cada continente (por exemplo, o teste pode indicar que destes 40% europeu, 20% são do leste europeu e 20% são das ilhas britânicas).

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Imagem: Pixabay

A lista de todas as etnias que o Teste de Ancestralidade Global analisa segue abaixo:

– América do Sul
– Américas do Norte e Central
– Ásia Central
– Ásia Menor
– Centro-Sul da Ásia
– Escandinávia
– Europa Ocidental e Central
– Finlândia
– Ibéria
– Ilhas Britânicas
– Judeu Asquenazi
– Judeu Sefardita
– Leste da África Central
– Leste do Oriente Médio
– Leste Europeu
– Nordeste da Ásia
– Norte da África
– Oceania
– Oeste da África
– Oeste do Oriente Médio
– Sibéria
– Sudeste da Ásia
– Sudeste Europeu
– Sul da África Central

Com esse exame, o casal receptor tem a confirmação das etnias que a doadora tem no DNA dela, aumentando a chance de uma criança com características físicas semelhantes à família da receptora.

 

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Teste genético para doadoras de óvulos

O teste genético preconcepcional (TGP) é capaz de identificar e prevenir a transmissão hereditária de doenças genéticas. Doadoras de óvulos podem, eventualmente, carregar mutações de doenças genéticas recessivas que só se manifestam quando os dois genes (recebidos do pai e da mãe) estão alterados. Quando apresentam somente um gene alterado, isso não trará problema para elas, mas caso o pai também tenha essa mutação, a criança poderá receber os dois genes com mutação e, assim, manifestar a doença. “A maior frequência dessas alterações ocorre quando se combinam cargas genéticas similares, como, por exemplo, nos casamentos consanguíneos, pois aumenta a chance dos dois parceiros terem a mesma mutação. O TCP é capaz de evitar essas doenças no futuro do bebê, antes do tratamento de fertilização, pela identificação de genes e as possíveis mutações”, afirma Cambiaghi.

O teste genético

O teste genético corresponde à análise do DNA do indivíduo, que é considerado um banco de dados químico que carrega instruções para as funções do corpo. É usado para identificar pessoas que tenham uma cópia de uma mutação do gene que, quando presente em duas cópias, causa uma doença genética. Portadores geralmente não têm risco de desenvolver a doença, mas um risco de transmitir a mutação genética para seus descendentes.

“Os testes genéticos podem revelar mudanças ou alterações nos genes que podem detectar a vulnerabilidade para determinadas doenças hereditárias. Os resultados de um teste genético podem confirmar ou descartar uma condição genética suspeita ou ajudar a determinar a chance de uma pessoa desenvolver ou transmitir uma doença genética”, alerta o médico.

O teste da doadora (portadora)

O teste é usado para identificar doadoras que carreguem uma determinada cópia de uma mutação do gene que, quando estiver presente em duas cópias (óvulo da doadora e sêmen do pai), causa uma doença genética. Essas doenças genéticas são classificadas como recessivas. Isto quer dizer que para que se desenvolva, precisa haver alteração nos dois genes (aquele herdado do pai e da doadora). Se apenas um deles estiver alterado, não haverá doença e este indivíduo será considerado apenas portador.

“O teste de portador deve ser realizado na doadora antes do processo de fertilização. Caso apresente mutação em algum gene, o marido poderá pesquisar também se possui essa mutação específica ou uma nova doadora deverá ser escolhida”, finaliza Cambiaghi.

Exemplos:

Afro-americanos podem ser triados para anemia falciforme (doença do sangue na qual as células sanguíneas são em forma de foice e têm dificuldade de viajar livremente através dos vasos sanguíneos, causando dor e anemia).
Pessoas com ascendência mediterrânea, africana e do sudeste asiático podem ser rastreados para a talassemia (grupo de doenças genéticas de sangue, todas relacionados com a hemoglobina, a parte dos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio).
Judeus Ashkenazi, de ascendência europeia, são normalmente testados para garantir que não são portadores da doença de Tay-Sachs (afeta as células nervosas do cérebro e pode ser fatal).
Teste de fibrose cística é particularmente importante para aqueles que são caucasianos de ascendência europeia – 1 em 25 é portador da doença. Também importante ser pesquisado no casal quando o homem tem azoospermia por defeito no ducto deferente.
Casais com história familiar de doenças hereditárias – como a distrofia muscular ou hemofilia – podem ser testados para riscos específicos.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é Diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica

Especialista em fertilização alerta sobre riscos da inseminação caseira

Processo feito em casa pode resultar em doenças sexualmente transmissíveis, endometriose e malformação genética do feto

A ansiedade e pressa. Esses dois fatores estão presentes quando casais, ou pessoas que optam por uma produção independente, querem o quanto antes realizarem o sonho de carregar um filho nos braços. Para baratear custos ou encurtar caminhos, há quem abra mão de métodos científicos e seguros e optam por alternativos, como a inseminação caseira. Entretanto, a maioria desconhece os riscos envolvidos quando o procedimento não é realizado por profissionais especializados.

De acordo com o médico Armando E. Hernandez- Rey, especialista em infertilidade e endocrinologia reprodutiva e diretor clínico da Conceptions Florida, todos os inúmeros exames e estudos minuciosos são fundamentais para que se possa chegar, de forma saudável, ao resultado esperado.

“Causa muito espanto o crescimento de um movimento incentivando mulheres a praticarem inseminação caseira. Elas não fazem ideia do perigo a que estão sendo expostas, desde problemas como endometriose, cistite e até DST, sem contar os riscos ao feto devido à falta de cuidados com o esperma e a ausência de testes genéticos”, alerta.

Há quem forneça exames que comprovem o atual estado de saúde, mas somente um especialista pode comprovar a sua autenticidade. “Como saber se são verídicos? O barato pode custar a sua vida, seu sonho, bem-estar além de implicações jurídicas futuras”, destaca Armando.

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Há diversas implicações ao se fazer um procedimento caseiro. “Nas clínicas, além de serem realizados uma extensa avaliação do homem para doenças sexualmente transmissíveis (DST), o esperma é processado para que seja mais eficiente. Fazer por conta própria raramente dá certo, uma vez que não são removidas as prostaglandinas, um componente químico que causa contrações, dificultando o caminho do espermatozoide dentro do útero”, explica o especialista.

Inseminações em geral possuem apenas 20% de chances de sucesso em mulheres sem problemas de fertilidade. “São necessárias várias tentativas em sequência, mesmo dentro do período fértil”, revela Armando.

Outro ponto que deve ser levado em consideração são as questões genéticas. “As pessoas também deveriam considerar este tema, especialmente em se tratando de populações semelhantes”, alerta o diretor da clínica Conceptions Flórida. A falta de mistura genética geralmente resulta em problemas congênitos, e isso é um risco uma vez que um mesmo homem poderá engravidar diversas mulheres numa região pequena, ocasionando problemas futuramente quando esses bebes tiverem seus filhos.

Segundo o especialista em reprodução e endocrinologista, uma família normalmente tem alguns genes recessivos e outros dominantes presentes e todos os seus integrantes. Quando esses genes se juntam (recessivo com recessivo e/ou dominante com dominante), surgem os problemas genéticos. “Além disso, ainda há uma baixa variedade genética, que acentua as características específicas de uma população, por exemplo, maior risco de doenças cardíacas, certos tipos de câncer, problemas renais, dislipidemia etc “, ressalva.

Por todas essas questões citadas, o mais seguro para quem busca um doador é recorrer aos centros de saude especializados porque o processo de fertilização in vitro permite remover algumas células de um embrião e testar as reais condições genéticas antes de transferir para o útero, através de processos como oMapeamento Genético Pré-Implantação (PGS) e o Diagnóstico Genético Pré-Implantação (PGD), que estão se tornando cada vez mais comuns em pacientes que estão no processo da FIV.

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

Enquanto o PGD permite checar para problemas mais específicos, como anemia falciforme ou fibrose cística, o PGS rastreia mutações genéticas, como Síndrome de Down ou Klinefelter. A verificação é indicada nos casos de idade materna avançada, acima de 38 anos, pacientes com repetidas FIVs frustradas, abortos recorrentes e aqueles que possuem translocações cromossômicas.

Armando Hernandez–Rey é professor clínico assistente na Universidade Internacional da Florida – Herbert Wertheim Faculdade de Medicina e trabalha como revisor na prestigiada Fertilidade e Esterelidade

Vitamina D pode influenciar em tratamentos de fertilidade?

Uma nova análise concluiu que existe uma relação entre o status de vitamina D da mulher e a taxa de sucesso do tratamento de reprodução assistida. A infertilidade é uma questão comum e angustiante, e afeta cerca de 6,1 milhões de casais só nos Estados Unidos. Isso é cerca de 10% de todos os casais em idade fértil.

Ao longo dos anos, os tratamentos de reprodução assistida – incluindo a fertilização in vitro (FIV) e a medicação de fertilidade – tornou-se muito mais generalizada e as taxas de sucesso aumentaram. Como exemplo, dependendo da idade da mulher e da clínica envolvida, as taxas de sucesso de FIV nos EUA variam de 13% a 43%.

“Houve um aumento inicial nas taxas de sucesso graças a métodos aprimorados de escolha de embriões com as maiores chances de sobrevivência. Mas, mais recentemente, as taxas de sucesso começaram a estagnar”, afirma Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO.

Vitamina D e reprodução

Os pesquisadores acreditam que há margem para melhorar as taxas de sucesso dos tratamentos. Uma série de fatores potenciais está sendo explorado e alguns cientistas voltaram sua atenção para o papel potencial da vitamina D.

A grande maioria do nosso suprimento de vitamina D é gerada em nossa pele após a exposição à luz solar. Isso significa que os indivíduos que vivem em ambientes mais frios ou mais escuros são mais suscetíveis a menores níveis, assim como as pessoas com pele mais escura, aqueles que regularmente usam roupas cobrindo a maioria da pele e aqueles que raramente vão para fora.

Uma ligação entre a vitamina D e a fertilidade tem sido teorizada com base em uma série de observações. Por exemplo, os receptores e as enzimas da vitamina D foram encontrados no endométrio. Além disso, em estudos com animais, a deficiência de vitamina D causa menor fertilidade e menor função dos órgãos reprodutores. Em humanos, a deficiência de vitamina D mostrou aumentar o risco de pré-eclâmpsia, hipertensão induzida pela gravidez, diabetes gestacional e menor peso ao nascer.

Pesquisadores da Universidade de Birmingham no Reino Unido decidiram dar uma olhada nos dados existentes para investigar ainda mais. Eles realizaram uma análise, reabriram 11 estudos, incluindo 2.700 mulheres submetidas a tratamentos. Suas descobertas foram publicadas na revista Human Reproduction.

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Imagem: Nursing.com

Deficiência de vitamina D e menores taxas de sucesso

Os estudos destacados envolveram mulheres submetidas à FIV ou injeção intracitoplasmática de esperma, transferência de embriões congelados ou ambos. Todos os níveis de vitamina D dos participantes foram verificados por exame de sangue. As concentrações de vitamina D de mais de 75 nanomol/l de sangue foram consideradas suficientes, inferiores a 75 nanomol/l de sangue como insuficientes e menos de 50 nanomol/l de sangue como deficientes.

A análise mostrou que os procedimentos em mulheres com níveis adequados de vitamina D eram um terço mais propensos a causar partos vivos do que em mulheres que eram deficientes. Quando os pesquisadores analisaram testes de gravidez positivos e gravidezes clínicas – ou seja, onde um batimento cardíaco pode ser detectado – em vez de nascimentos vivos, os resultados foram semelhantes.

Quando comparados com as mulheres que tinham concentrações insuficientes de vitamina D, aqueles com quantidades suficientes eram 46% mais propensos a ter uma gravidez clínica e 34% mais propensos a ter um resultado de teste de gravidez positivo. A análise não mostrou associação entre aborto e concentrações de vitamina D.

Uma descoberta surpreendente foi a alta prevalência de deficiência de vitamina D entre essas mulheres. Foi descoberto que apenas 26% das mulheres nos estudos tinham concentrações suficientes de vitamina D, 35% tinham concentrações deficientes e 45% tinham concentrações insuficientes.

Os pesquisadores são rápidos em explicar as limitações do estudo. O líder da equipe diz que embora uma associação tenha sido identificada, o efeito benéfico da correção da deficiência ou insuficiência de vitamina D precisa ser testado por meio da realização de um ensaio clínico. Também fala de uma nota importante de cautela para que as mulheres que desejam alcançar uma gravidez bem sucedida não corram para a farmácia para comprar suplementos de vitamina D até que saibam mais sobre seus efeitos.

Existe a possibilidade de overdose de vitamina D e isso pode levar a maior taxa de calcificação no corpo, o que pode enfraquecer os ossos e danificar o coração e os rins. Esta análise atual sustenta a teoria de que a vitamina D desempenha um papel importante na fertilização e na gravidez. No entanto, o teste de vitamina D é relativamente simples e econômico, e com isso as expectativas em torno dela aumentam.

mulher grávida

Outros estudos sobre vitamina D

Cambiaghi cita outra pesquisa sobre o tema: “A vitamina D pode ajudar a desacelerar o processo de envelhecimento das células e tecidos, de acordo com pesquisadores britânicos. Um trabalho científico do King›s College London chefiado pelo médico Brent Richards e publicado no American Journal of Clinical Nutrition, avaliou 2.160 mulheres com idades entre 18 e 79 anos, e verificou a concentração de vitamina D no sangue, comparando esse dado ao comprimento dos telômeros*. Foi observado que as mulheres com níveis mais altos de vitamina D no organismo tinham maior probabilidade de ter telômeros mais longos em suas células. Este estudo ainda não chega a comprovar causa e efeito, mas acredita-se que a vitamina D pode aumentar a atividade da telomerase**”.

“Direta ou indiretamente, a vitamina D controla mais de 200 genes, responsáveis pela integridade da resposta imunológica. As fontes alimentares não são suficientes para suprir a necessidade diária, mesmo havendo o consumo desses alimentos, a exposição solar é necessária para que ocorra a conversão da vitamina D em sua forma ativa para o organismo O Instituto Linus Pauling – Instituto de pesquisa de Micronutrientes para saúde/Universidade do Estado de Oregon – recomenda a exposição de 5 a 10 minutos ao sol diariamente sem proteção, no período de menor intensidade solar”, aconselha Cambiaghi.

Porém, ele lembra que não podemos esquecer que as radiações solares provocam manchas e apressam o envelhecimento cutâneo, além de constituir a principal causa do câncer de pele, portanto deve-se ter cuidado com exposição solar em excesso.

“As fontes naturais mais ricas em vitamina D são os óleos de fígado de peixe, salmão, sardinha, cavalinha, aveia, gema de ovo e produtos fortificados com vitamina D. Os vegetais e as frutas possuem baixo teor de Vitamina D, porém é fundamental que o consumo destes alimentos seja mantido devido a sua importância nutricional para a saúde como um todo”, finaliza o especialista.

*Os telômeros ou telómeros (do grego telos, final, e meros, parte) são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de DNA que formam as extremidades dos cromossomos, que são os componentes do núcleo da célula responsáveis pela transmissão das características hereditárias. Sua principal função é manter a integridade estrutural do cromossomo.
** telomerase é uma enzima que funciona como protetor dos telômeros e tem influência crucial nos tipos de células; foi descoberta por Liz Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, que receberam o Premio Nobel em 2009

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é Diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica

 

 

Novo tratamento melhora resultados da fertilização in vitro em mulheres maduras

Novo protocolo com uso prolongado do hormônio de crescimento (GH) nas pacientes com mais de 40 anos e baixa reserva ovariana, apresentado em congresso, aumenta chances de gravidez

Mulheres que tiveram falhas em várias tentativas de tratamentos de fertilização in vitro (FIV) se enquadram na categoria de más respondedoras. Para o ginecologista e especialista em reprodução humana, Arnaldo Cambiaghi, diretor do centro de reprodução humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), pacientes com risco de má resposta devem ser identificadas pelos médicos antes de iniciar um ciclo de FIV. “O IPGO usa testes de reserva ovariana para avaliar a resposta esperada aos medicamentos estimulantes”, afirma. Para a avaliação são recomendados os seguintes exames:

-Análises de sangue de hormônioantimulleriano (AMH)
-Exames de sangue no dia 3 do ciclo para avaliação do FSH, LH e estradiol
-Contagem de folículos antrais por ultrassom

Esses testes identificarão a maioria das pacientes más respondedoras antes que comecemos o tratamento de FIV. Identificar o problema com antecedência nos permite uma oportunidade de fazer algo para melhorar a resposta (e o resultado) na primeira tentativa de FIV.

“A definição de uma má respondedora é variável, mas a idéia básica é que são pacientes que respondem com poucos óvulos maduros aos protocolos habituais de estimulação ovariana, o que significa menos óvulos recuperados, resultandoem menor número de embriões e uma chance menor de se ter um bebê”, admite Cambiaghi.

Um exemplo: mulheres com menos de 35 anos dão uma média de 12 óvulos em um tratamento de FIV, no entanto, as más respondedoras só produziriam cerca de 1 a 4 óvulos. As chances de sucesso nos tratamentos de FIV são muito dependentes de duas variáveis ​​- a quantidade e a qualidade dos óvulos.

“Portanto, se pudéssemos chegar a um tratamento que ajudasse as más respondedoras a produzir mais óvulos e de melhor qualidade, ou ambos, seríamos capazes de melhorar positivamente a chance de se ter um bebê. Vários tipos de protocolos de suplementação têm sido usados ​​para tentar melhorar os resultados para essas pacientes, e a maioria deles é estimulador das mitocôndrias”, conta o médico.

As mitocôndrias

O estudo “Mitochondria, Growth Hormone and Embryo Quality: a New Perspective of IVF (Mitocôndria, hormônio de crescimento e qualidade do embrião: uma nova perspectiva da FIV)” foi apresentado pela médica Xiao-Yan Liang (do Reproductive Medicine Research Center – 6th Affiliated Hospital of Sun Yat University – China) durante o 9th Annual Assited Reproductive Technology World Congress, em Nova York, no final de outubro deste ano e deixou a plateia interessada no tema.

As mitocôndrias são organelas situadas no citoplasma das células (fora do núcleo). Desempenham um papel essencial na capacidade celular de produzir ATP (adenosina trifosfato), que é a unidade básica de energia utilizada pelo nosso corpo para manter as funções vitais.

Aproximadamente 90% de toda a energia do corpo é produzida pelas mitocôndrias. Em algumas células, há apenas algumas mitocôndrias, enquanto em outras há milhares. Se não fossem as mitocôndrias, não haveria vida; elas são as estruturas energéticas centrais da célula. Com o passar dos anos, ou mesmo em uma fase mais precoce da vida da mulher, a quantidade de mitocôndrias diminui ou se tornam menos funcionais, provocando diminuição do ATP e um provável envelhecimento dos óvulos.

Essa diminuição leva a um prejuízo da divisão dos cromossomos e a um aumento de malformações fetais, comuns nas mulheres com mais idade. O conteúdo de DNA mitocondrial (mtDNA) dos óvulos é crucial para o resultado da fertilização e pode explicar alguns casos de falha de fertilização.

Vários tipos de protocolos de suplementação têm sido usados para estimular as mitocôndrias como a Coenzima Q10, o Resveratrol, a L-carnitina e o ácido alfalipoico. Outra possibilidade é o uso do hormônio do crescimento.

Como funciona o novo protocolo com hormônio de crescimento

O hormônio de crescimento (GH)

O hormônio GH (GrowthHormone–Hormônio do Crescimento) é sintetizado pela hipófise e, como o próprio significado sugere, é responsável pelo controle do crescimento do ser humano. Devido à sua função, passou a ser empregado em técnicas de reprodução assistida, principalmente em casos de pacientes com baixa reserva ovariana ou “más respondedoras”. O GH age no organismo todo, promovendo o crescimento e o desenvolvimento de todas as células do corpo humano. Estudos realizados constantemente ao longo dos últimos anos têm apontado o hormônio GH como um grande influenciador da função ovariana.

“Vários estudos mostram taxas de sucesso de FIV significativamente melhores nas pacientes que adicionaram este hormônio ao tratamento de estimulação aumentando significativamente as chances de uma gravidez e onascimentode um bebê”, explica Cambiaghi.

O mecanismo pelo qual o hormônio de crescimento (GH) pode melhorar as taxas de sucesso da fertilização in vitro não está claro. No entanto, com base em estudos em animais e humanos, tem sido demonstrado que este hormônio está envolvido na produção de hormônios esteroides no ovário e no desenvolvimento de folículos ovarianos, aumento significativo na expressão dos receptores dos hormônios FSH e LH nas células da granulosa e aumento significativo da função mitocondrial.Estudos têm demonstrado que, em ratinhos, quando está faltando o receptor e a proteína de ligação do hormônio de crescimento, há uma redução significativa no desenvolvimento de folículos ovarianos.

Cambiaghi completa: “Outros estudos têm demonstrado taxas melhores de gravidez e nascidos vivos com FIV após a suplementação do hormônio do crescimento em pacientes más respondedoras. No entanto, é importante deixar claro que essa suplementação não é um tratamento mágico, pois muitas mulheres que usam este hormônio ainda terão tentativas infrutíferas de FIV”.

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Como o GH auxilia em tratamentos de Reprodução Assistida?

O hormônio GH atua por meio da estimulação da somatomedina C, ou IGF-1 (fator de crescimento de insulina I). É encontrado em vários tecidos e também nos folículos ovarianos, porém, de acordo com estudos, a quantidade desse hormônio é menor em mulheres que apresentam baixa reserva ovariana. Logo, conclui-se que a redução do IGF-1 altera as funções celulares de mulheres com idade avançada ou acometidas pela Insuficiência Ovariana Prematura.

Partindo desse princípio, pesquisas recentes demonstraram que mulheres com baixa contagem de óvulos que tiveram o hormônio GH adicionado ao protocolo de estimulação ovariana tiveram uma melhor resposta folicular. O uso do hormônio GH pode, ainda, aprimorar a qualidade dos óvulos, proporcionando embriões de melhor qualidade e, consequentemente, aumentando as taxas de gravidez. Entretanto, interfere pouco na quantidade de óvulos gerados na indução da ovulação.

Cambiaghi diz que existem duas razões para esse resultado:

· A administração do hormônio GH durante a estimulação ovariana gera uma melhor resposta das gonadotrofinas (medicações, normalmente injetáveis, utilizadas durante a indução ovariana), por meio da regulação dos receptores de FSH (hormônio folículo estimulante).

· O hormônio do crescimento no óvulo reforça a atividade mitocondrial.

Assim, há comprovação de que os óvulos de mulheres acometidas por baixa reserva ovariana são de melhor qualidade e com mitocôndrias mais funcionais quando recebem hormônio GH. Isso tem incentivado muitos países a já adotarem o uso do hormônio do crescimento em tratamentos de reprodução assistida para mulheres na mesma situação.

Protocolos de aplicação do GH

· Esquema curto – Esquema tradicional de aplicação do GH

Os protocolos são variáveis. As doses mais eficazes do hormônio do crescimento e a duração ainda não foram esclarecidas. Até a atualidade, os estudos publicados utilizam doses entre 4mg – 24mg, administradas diariamente ou a cada dois dias, utilizadas durante os primeiros dias de estimulação ou para toda a fase de estimulação. Alguns ensaios clínicos têm demonstrado a sua efetividade quando combinados a protocolos tradicionais de indução de ovulação em mulheres com reserva ovariana diminuída, pois melhoram a função ovariana e aumentam as taxas de gravidez, mas não aumentam a produção de óvulos.

· O novo protocolo – Esquema longo

Um novo protocolo pode oferecer melhores resultados: o Esquema Longo do GH. O hormônio GH é iniciado em uma fase precoce, antes da estimulação ovariana e estimulando precocemente as mitocôndrias dos óvulos.

Por que o esquema longo?

Ovogênese e foliculogênese: processo no qual ocorre a formação dos óvulos e tem início antes do nascimento da mulher, ou seja, durante o seu desenvolvimento embrionário, ainda dentro do útero, mais ou menos no terceiro mês de sua vida intrauterina, e continuam se desenvolvendo na fase infantil, na puberdade e na fase adulta até a menopausa. Durante toda a vida da mulher, alguns óvulos evoluem para a maturidade e se mostram adequados para serem fecundados e gerar bebês saudáveis, e muitos outros não. Estes se perdem, não evoluem e se tornam atrésicos (degenerados). Portanto, a formação final do óvulo para ser fertilizado passa por vários estágios que se iniciaram na fase inicial em que a mulher está ainda no útero de sua mãe (fase embrionária): folículo primordial, folículo primário, folículo secundário; e outra final, que se inicia 85 dias antes da ovulação: folículo preantral, folículo antral precoce e folículo antral.

Após passar por esses estágios de desenvolvimento, os folículos seguem para uma fase final de recrutamento que se inicia logo após a menstruação, na qual 15-20 folículos são selecionados, entram na fase de crescimento, mas somente um é selecionado para a maturação final. Nos ciclos induzidos, como é o caso dos programas de fertilização, mais óvulos são selecionados. Portanto, devemos correlacionar as fases da foliculogênese até o folículo preovulatório da seguinte forma: crescimento folicular – 65 dias, recrutamento e seleção – 10 dias e maturação final – 10 dias.

ilustração ipgo

O Protocolo Longo

Este protocolo baseia-se na ideia que a maioria dos estudos até hoje publicados mostra que o protocolo curto, que aplica o GH exclusivamente no período concomitante à estimulação ovariana, não é aplicado no período mais importante, quando os folículos ainda são pequenos e são mais receptivos aos efeitos proliferativos do IGF-1 (ovogênese e folículogênese). Neste novo protocolo, os pesquisadores colocam a hipótese de que ao iniciar o GH, pelo menos 6 semanas antes do início da fertilização, a produção de óvulos poderia aumentar e melhorar ainda mais as chances de gravidez.

O objetivo deste protocolo é melhorar a resposta ovariana à estimulação das gonadotrofinas para FIV pela adição do hormônio de crescimento humano durante o estágio inicial do desenvolvimento do folículo. Essa hipótese baseia-se em observações prévias de efeitos do hormônio do crescimento em folículos pequenos e do fato de que estudos anteriores utilizaram o GH somente durante a própria indução da ovulação. Portanto, a aplicação do GH pode ser mais efetiva se for administrada pelo menos 6-8 semanas antes do início do ciclo de FIV, visando os pequenos folículos em crescimento.

A aplicação do GH inicia-se 60 dias antes da data provável da captação dos óvulos. Isto é, antes do início do ciclo menstrual anterior ao ciclo que será induzido.

Importante: por se tratar de um tratamento prolongado com medicação injetável (60 dias), é recomendado que seja indicado sob a luz de critérios rigorosos.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica.

Anovulação é uma das principais causas de infertilidade feminina

A anovulação interrompe os ciclos menstruais das mulheres e pode causar problemas como a infertilidade. O ciclo menstrual envolve os hormônios no corpo de uma mulher e os níveis hormonais devem subir e cair em certos momentos para atingir a ovulação, que ocorre quando um ovário libera um óvulo em preparação para a gravidez. Em alguns ciclos menstruais, um óvulo não amadurece e a mulher não ovula, isso é conhecido como anovulação, que pode causar ciclos menstruais irregulares ou a ausência dele.

“A Síndrome dos Ovários Policísticos acomete de 6% a 10% das mulheres que estão na idade fértil (20 a 44 anos). Para se ter uma ideia da importância destes dados, estima-se que no mundo existam cerca de 100 milhões de mulheres com esta doença. No Brasil, se considerarmos os dados do censo IBGE, podem existir 2,5 milhões de mulheres com esta síndrome, cerca de 800 mil delas no estado de São Paulo, 300 mil no estado do Rio de Janeiro, 180 mil no estado do Paraná e 400 mil no estado de Minas Gerais. Estes números são suficientes para entendermos a importância dessa síndrome”, afirma Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia).

Visão geral

Durante a anovulação, os ovários não produzem totalmente óvulos bons e não há ovulação. Isso evita que a menstruação ocorra. Alguns medicamentos, condições e fatores externos que afetam os níveis hormonais podem causar anovulação. Às vezes, uma mulher pode ter um ciclo anovulatório e voltar a um ciclo regular. Outras vezes, é um problema crônico. Quando a anovulação ocorre, uma mulher não pode engravidar. Para as mulheres que completaram a menopausa, isso é bastante normal. Aquelas em idade fértil geralmente não experimentam anovulação, a menos que algo tenha interrompido os níveis hormonais do corpo ou danificado os ovários.

Sintomas

As mulheres que ovulam regularmente, geralmente conseguem identificar sinais que ocorrem durante cada ciclo. Eles podem experimentar o seguinte:

-aumento da quantidade de muco cervical;
-queda e aumento subsequente da temperatura corporal em repouso no meio do ciclo menstrual (em torno do dia 10-16);
-períodos que ocorrem regularmente.

“Mulheres com períodos muito irregulares ou que não têm sinais de ovulação, podem usar um kit de ovulação sem receita médica. Esses kits medem os níveis de hormônios na urina de uma mulher para determinar quando ela está ovulando. Um médico também pode testar os níveis hormonais de uma mulher ou realizar uma ultrassonografia para visualizar os ovários”, avalia Cambiaghi.

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Ilustração: Invitra

Contraceptivos hormonais

Alguns métodos anticoncepcionais contêm hormônios que são projetados para parar a ovulação e prevenir a gravidez. Eles podem incluir formas sintéticas dos hormônios progesterona e estrogênio, e alguns contêm apenas progesterona sintética.

Esses tipos de métodos de controle de natalidade incluem:

=pílula anticoncepcional – tomada por via oral diariamente
=controle de natalidade – aplicado semanalmente a uma parte específica do corpo
=anel vaginal – colocado dentro da vagina uma vez por mês
=implante de controle de natalidade – inserido sob a pele do braço, com duração até 3 anos
=dispositivo intrauterino (DIU) com hormônios – colocado dentro do útero por 3 a 5 anos
=controle de natalidade – dado como uma injeção no braço a cada 12 semanas.

“Essas drogas interferem na capacidade dos ovários de crescerem e liberar um óvulo. Como resultado, a mulher terá ciclos anovulatórios enquanto toma a medicação. É importante notar que alguns DIUs contêm cobre e não hormônios. O cobre não causa anovulação. Em vez disso, ele interfere com a capacidade de um esperma para atingir um óvulo”, diz o médico.

As pastilhas contêm 21 comprimidos ativos e sete placebos. Uma mulher que toma este tipo de pílula anticoncepcional ainda pode menstruar durante a semana em que toma as pílulas placebo, embora seja mais leve do que a menstruação regular, e não é causada pela ovulação. Outros métodos podem causar manchas ou hemorragias. Cada método de controle de natalidade interrompe a ovulação de forma diferente. As mulheres devem discutir as opções com um profissional de saúde para determinar a melhor escolha.

Efeitos adversos das medicações

Os medicamentos de uso para outros fins ainda podem parar a ovulação. Eles incluem: AINEs (anti-inflamatórios não esteroides).

Os AINEs incluem muitos analgésicos sem receita, como ibuprofeno e naproxeno. Um estudo sugeriu que os AINEs podem causar anovulação após serem tomados por apenas 10 dias.

Remédios naturais

Algumas ervas contêm substâncias hormonais que podem perturbar a ovulação. Se alguém está tentando engravidar ou não está ovulando regularmente, pode querer discutir quaisquer ervas ou suplementos que está tomando com seu médico.

Cremes de pele e outros produtos tópicos com hormônios

Alguns produtos contêm estrogênio ou progesterona, que são projetados para combater o envelhecimento ou ajudar Com problemas como síndrome pré-menstrual (PMS). Estes produtos podem ser absorvidos no corpo, causando anovulação ou desequilíbrios hormonais.

Esteroides

Cambiaghi explica: “Os esteroides são um tipo de hormônio que pode reduzir a inflamação. Eles também podem interferir com os hormônios necessários para a ovulação. A cortisona e a prednisona são tipos comuns de esteroides que são prescritos para uma variedade de doenças, como alergias, lúpus, asma entre outros. Os esteroides tópicos são usados ​​na pele para tratar inflamação e reações alérgicas. Um artigo nos Anais das Doenças Reumáticas descobriu que metade das mulheres que receberam um tipo de esteroide teve um ciclo menstrual irregular posteriormente”.

Agilidade ou drogas convulsivas

Esses medicamentos podem interferir com a ovulação e com o ciclo menstrual, de acordo com um artigo no Journal of Human Reproductive Sciences. Alguns medicamentos para a epilepsia também podem causar incapacidades congênitas. Assim, as pessoas que tomam essas drogas devem discutir planos de gravidez com seus médicos.

Tratamentos de câncer

Quimioterapia, radiação e drogas cancerígenas podem causar problemas permanentes e danos aos ovários. Se alguém está tentando engravidar e não teve sucesso, pode querer discutir seus medicamentos com um médico. Em alguns casos, o médico pode prescrever um medicamento alternativo ou pode considerar um medicamento para incentivar a ovulação.

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Condições de saúde e anovulação

Existe um maior risco de experimentar anovulação em mulheres que estão estressadas, com baixo peso ou excesso de peso. Pode interferir com o equilíbrio adequado do corpo dos hormônios que são críticos para a ovulação. Estas incluem condições que afetam a glândula tireoide, adrenal, hipotálamo e pituitária. Todas estas glândulas desempenham um papel no equilíbrio hormonal delicado que leva à ovulação. A síndrome do ovário policístico (SOP) afeta até 20% das mulheres em idade fértil, de acordo com os Institutos Nacionais de Saúde. As mulheres com essa condição costumam ter mais insulina e testosterona, que podem perturbar o equilíbrio hormonal e levar à anovulação.

“Felizmente, essas condições hormonais são muitas vezes tratáveis. Muitas mulheres podem conseguir a ovulação com um tratamento médico adequado. O ganho ou a perda de peso também podem estar intimamente ligados à ovulação, uma vez que o hormônio estrogênio depende de um peso corporal saudável para ficar em níveis normais. Um estudo em reprodução humana descobriu que as mulheres que estavam com baixo peso ou excesso de peso tinham níveis de estrogênio diminuídos, o que pode levar a problemas de anovulação e fertilidade”, conta o especialista.

As mulheres que têm altos níveis de estresse também podem experimentar anovulação devido a níveis de hormônio interrompidos. A anovulação também pode ocorrer com menopausa prematura, também conhecida como insuficiência ovariana prematura. Uma mulher pode ser diagnosticada com isso se ela parar de ovular antes dos 40 anos. A causa da menopausa prematura é muitas vezes desconhecida, embora alguns medicamentos e condições possam causar. Algumas mulheres que estão experimentando menopausa precoce podem ser tratadas com medicamentos para estimular a ovulação e alcançar a gravidez.

Tratamento e perspectivas

“Para muitas mulheres, a anovulação torna-se um problema quando eles querem engravidar, ou eles têm ciclos menstruais irregulares. Porque muitos fatores diferentes influenciam a mulher e os Hormônios no ciclo menstrual, não existe uma única solução para o tratamento da anovulação. Em muitos casos, no entanto, a causa subjacente da anovulação ou a questão que está afetando os níveis hormonais podem ser diagnosticadas e tratadas. O tratamento pode levar à gravidez ou a ciclos menstruais mais regulares, se desejado. Se uma mulher suspeitar que ela não está ovulando, ela deve consultar seu médico para explorar possíveis problemas de saúde e trabalhar para um equilíbrio hormonal saudável”, finaliza o médico.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi Diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica.

 

O Fumo e a infertilidade, por Arnaldo Cambiaghi*

Fumar é considerado por muitos como a causa de doenças e mortes mais previsíveis do ser humano. A maioria das pessoas que fuma não tem consciência que este vício provoca dependência e causa males à saúde que se agravarão no decorrer de suas vidas. A sensação que prevalece entre os fumantes é a diminuição da ansiedade e do estresse. Consideram um antidepressivo que ameniza “os aborrecimentos”. Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que o uso do tabaco acarreta, aproximadamente, 5 milhões de óbitos por ano, ou seja, 10 mil falecimentos por dia.

Se o ritmo atual de consumo for mantido, o número atual de mortos poderá alcançar 10 milhões por ano em 2020. No Brasil, calcula-se que 17,4% da população é fumante, sendo que a maioria é adolescente. São 2,7 milhões de consumidores de cigarros que têm idade entre 12 e 17 anos. Quanto mais cedo se inicia o uso do fumo, maior será a possibilidade do aumento de quantidade de cigarros por dia. O crescimento tende a ser progressivo. No Brasil, são 200 mil mortes a cada ano.

Aproveitando o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje, 29 de agosto, é importante destacar que quando se menciona o “fumo”, não é só do cigarro que se está falando, mas também de outros produtos provenientes do tabaco como: charutos, narguilé, cachimbo, fumo de mascar etc. Todos têm efeitos nocivos semelhantes. Maiores ou menores, mas sempre prejudiciais à saúde.

Os estudos que avaliam os efeitos maléficos do fumo são contínuos e frequentemente são descobertos novos inconvenientes à saúde do ser humano, além das evidências já conhecidas, permanentes e debatidas, que causam quase 50 doenças diferentes, principalmente as cardiovasculares (infarto, angina), o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas (enfisema e bronquite), a infertilidade e outras.

Cigarro e Fertilidade

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

O cigarro é considerado o veneno reprodutivo mais potente do século 21. Vários estudos científicos comprovam seu efeito deletério sobre a saúde reprodutiva.

A fumaça do cigarro contém centenas de substâncias tóxicas, incluindo a nicotina, monóxido de carbono, polônio radioativo, alcatrão, colesterol, fenol, ácido fórmico, ácido acético, chumbo, cádmio, zinco, níquel, benzopireno e substâncias radioativas, as quais afetam a função reprodutiva em vários níveis, como a produção dos espermatozoides, motilidade tubária (importante para a captação do óvulo que sai do ovário no momento da ovulação), a divisão das células do embrião, formação do blastocisto (embrião com mais de 64 células) e implantação.

Mulheres fumantes também podem apresentar maior incidência de irregularidade menstrual e amenorreia (falta de menstruação). A fertilidade é reduzida em 25% nas mulheres que fumam até 20 cigarros ao dia, e 43% naquelas que fumam mais de 20 cigarros, ou seja, o declínio da fertilidade tem relação direta com a dose de nicotina.

Durante a gestação, o fumo pode aumentar a incidência de placenta prévia (placenta baixa), descolamento prematuro da placenta e parto prematuro.

Deve-se sempre estimular as pessoas a parar de fumar, especialmente os casais que estão tentando engravidar e, principalmente, homens nesta situação que apresentam contagem de sêmen no limite inferior da normalidade. Entretanto, mesmo com contagem de sêmen normal, o fumo deve ser desencorajado.

Efeitos do cigarro sobre a fertilidade (publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva-ASRM)

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* Homens e mulheres fumantes têm chances três vezes maiores de sofrer de infertilidade quando comparados àqueles que não fumam.
* Tentando estabelecer uma relação causal, os estudos atuais mostram que 13% da infertilidade feminina podem ser atribuídas ao cigarro. Lembrando que 10 cigarros por dia já são suficientes para prejudicar a fertilidade.
* Mulheres tabagistas crônicas entrarão mais cedo na menopausa (um a quatro anos antes), o que pode ser atribuído à aceleração da diminuição do estoque de óvulos.
* O hábito de fumar está associado a um aumento no risco de abortamento (aumenta em até 27%) e gravidez ectópica (gravidez nas tubas).
* O cigarro na gravidez prejudica a fertilidade do filho homem.
* Filhos de mães fumantes têm dificuldade no aprendizado escolar.
* Filhos de pais fumantes têm maior chance de desenvolver câncer.
* Mutação genética é um possível mecanismo pelo qual o cigarro pode afetar a fecundidade e a função reprodutiva.
* Estudos científicos demonstraram que mulheres fumantes precisam de duas vezes mais tentativas de Fertilização in vitro que as não fumantes, além de necessitar, nos tratamentos, de uma quantidade maior de medicamentos.
* Homens que fumam têm muito mais espermatozoides anormais que os não fumantes, e a porcentagem de espermatozoides anormais está diretamente ligada ao número de cigarros fumados por dia.
* Fumantes passivos (tanto homens como mulheres) com exposição excessiva ao cigarro também têm maior incidência de todas as alterações descritas acima.

Por que as pessoas começam a fumar?

Os adolescentes fumam por pressão de amigos e colegas, imitação, manifestação de independência, rebeldia ou para sentir-se uma “figura mais importante” no grupo de relacionamento. Os adultos pelo vício e efeito calmante, e muitos continuam pelo medo de engordar. As empresas produtoras de cigarros buscam nos jovens os “substitutos” dos adultos que deixam de fumar ou que já morreram pelas complicações do fumo. Conhecem suas motivações e as estimulam por meio de propagandas que utilizam jovens atraentes e bem sucedidos, numa idade desejável e esplendorosa, realizando ações de liberdade em paisagens deslumbrantes e excitantes.

As empresas publicitárias conhecem o perfil deste público jovem: vivem o presente, anseiam por liberdade, valorizam a amizade e a imagem pessoal, são sedutores, amantes da natureza e gostam de aventura.

Os pais podem ajudar muito os jovens a não iniciar a prática do fumo. Mesmo em um ambiente onde existe a pressão dos anúncios publicitários e amigos que forçam este hábito, o exemplo em casa, um bom relacionamento familiar com diálogos esclarecedores, podem ser decisivos para que se evite a continuidade deste costume.

Em vários países, campanhas antitabagismo retratando os males do fumo têm ajudado a desencorajar os entusiastas deste vício. Muitas delas vêm junto dos maços de cigarro.

mulher fumando desenho pixabay

É sempre bom lembrar de outros males causados pelo tabagismo:

. 200 mil mortes por ano no Brasil (23 pessoas por hora);
. 25% das mortes causadas por doença coronariana, angina e infarto do miocárdio;
. 45% das mortes causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos;
. 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos;
. 85% das mortes causadas por bronquite e enfisema;
. 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos);
. 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero);
. 25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral);
. Impotência sexual no homem;
. Aneurismas arteriais;
. Úlcera do aparelho digestivo;
. Infecções respiratórias;
. Trombose vascular;
. Tosse do fumante;
. Coloração amarela nos dentes e nos dedos;
. Agravamento das alergias e da asma;
. Arteriosclerose.

As doenças cardiovasculares e o câncer são as principais causas de morte por doença no Brasil, sendo que o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer. As estimativas sobre a incidência e mortalidade por câncer no Brasil, publicadas anualmente pelo INCA indicam que, anualmente, cerca de 22 mil pessoas adoecem em decorrência do câncer de pulmão (15 mil homens e 7 mil mulheres) causando aproximadamente 16 mil mortes. Desse total de óbitos, 12 mil deverão ocorrer entre os homens e 4 mil entre as mulheres.

Porém ao abandonar o hábito do fumo, o risco de ter essas doenças vai diminuindo gradativamente e o organismo do ex-fumante vai se restabelecendo.

Dicas para largar o fumo

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O vício do cigarro pode ser considerado uma doença. Enquanto não se admitir isto, não se consegue parar. O ideal é nem começar, pois dois terços daqueles que experimentaram acabaram viciados. Procure não buscar justificativas nas exceções da vida para manter o seu vício, como por exemplo, “fulano(a) morreu jovem e não fumava e sicrano(a) que fumava viveu até a senilidade” ou: “fulano(a) não fumava e teve dificuldades em ter filhos e sicrano(a) que tinha o vício teve muitos filhos”. A regra é completamente diferente. Por isso…

1. Não adie a sua decisão: o momento é agora. Pessoas que marcam datas futuras para o rompimento com o cigarro como, por exemplo: “no ano que vem”, “depois do natal”, “na semana que vem” etc. Dificilmente cumprem a promessa.

2. Determinação: o dia que você determinou para por fim ao seu vício deve ser respeitado. Respeite a sua decisão. Não procure desculpas para voltar atrás. A determinação é o artifício mais valioso.

3. Fumar sem tragar também faz mal, não acredite no contrário.

4. Não existe nenhum medicamento ou adesivo milagroso que faça que você não sinta vontade de fumar naqueles momentos em que você acendia o cigarro por hábito ou por prazer. O autocontrole é determinante.

5. Informe a seus familiares e amigos mais próximos sobre a sua decisão. Eles poderão reforçar a sua atitude. Não tenha medo de falhar, mas se isso acontecer tente de novo. Muitas das pessoas que conseguiram, não o fizeram na primeira tentativa.

6. Ao parar de fumar, não deixe cigarros ao seu alcance, não tenha no trabalho ou em casa e evite o convívio com fumantes.

7. Não abra exceção de forma alguma nem balbucie a frase “só uma tragadinha, pois hoje é tal comemoração”.

8. Identifique quais são os gatilhos que o fazem acender o cigarro.

9. Tome líquido em abundância.

10. O período crítico são as duas primeiras semanas; cada dia é uma vitória.

11. Após 14 dias, você passou o período crítico, e após um mês você já é um ex-fumante que só voltará se quiser.

12. Evite companhias de pessoas fumantes, pois podem levar à tentação. Evite festas, pois estes ambientes podem levar a uma recaída. O ex-fumante deve evitar acender cigarro para colegas, ou fumar esporadicamente. Estas práticas o levará novamente ao vício.

13. Faça exercícios, eles podem diminuir a vontade de fumar, além de controlar o estresse.

14. Não se dê o direito de voltar a fumar, caso esteja passando por algum problema ou contrariedade.

15. Se você se interessou por estas dicas, já é um bom começo. Parabéns.

*Arnaldo Schizzi Cambiaghi é Diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica.

 

Falta de vitamina D afeta 85% das mulheres com infertilidade

Levantamento realizado pelo RDO Diagnósticos Médicos, com 11 mil pacientes atendidas nos últimos dez anos, mostra que a deficiência da substância está entre os fatores responsáveis pela dificuldade de engravidar

Com a baixa exposição ao sol no inverno, pode ocorrer uma queda nos níveis de vitamina D no organismo. Importante em várias funções, como a absorção de cálcio e fósforo, a substância também é essencial na reprodução humana. Um levantamento realizado pelo RDO Diagnósticos Médicos, com 11 mil pacientes atendidas nos últimos dez anos, mostra que 85% das mulheres com infertilidade sem causa aparente apresentam deficiência da vitamina.

“A vitamina D é fundamental para implantação do embrião. A sua deficiência pode ser até causa de aborto”, afirma Ricardo de Oliveira, diretor médico do RDO. Estudos têm apontado a relação entre a sua dosagem e a capacidade reprodutiva da mulher. Os baixos níveis da substância também estão relacionados a doenças autoimunes, infecciosas, cardiovasculares, cânceres, entre outras.

Classificada por alguns pesquisadores como hormônio, ela é metabolizada no organismo pela exposição da pele ao sol. Um indício de seu efeito é observado na diminuição da fertilidade nas estações frias do Hemisfério Norte. “Quando morei em Boston, por exemplo, chamava a atenção a queda do índice de gestação no período do inverno, porque todo mundo estava com baixo nível de vitamina D”, explica o diretor do RDO.

Tanto para quem quer engravidar, como para as gestantes, é indicada a avaliação dos níveis da no organismo e, se necessário, a reposição. “Uma dose de 28 mil unidades de vitamina D por semana para a gestante já diminuem as complicações pela metade”, orienta Oliveira. O RDO oferece painéis de exames que incluem a avaliação da dosagem da vitamina D.

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Fonte de vitamina

O ideal é tomar sol por pelo menos 30 minutos por dia, no começo da manhã ou final da tarde, com a maior parte do corpo descoberta, como pernas e braços. Alguns alimentos também podem ser fonte dessa vitamina, como bacalhau, salmão selvagem e ovos. Além disso, existe a suplementação de vitamina D prescrita por médico, em cápsula, gota, comprimido sublingual ou injeção.

Fonte: RDO Diagnósticos Médicos

N.R.: tome sol sempre nos horários indicados pelos médicos e use sempre protetor solar, pois o Brasil é o segundo colocado em casos de câncer de pele no mundo. Portanto, todo cuidado é necessário.

Fitoterápico melhora libido feminina e fertilidade masculina

Fitoterápico Tribulus terrestris regulariza a produção e a liberação do hormônio testosterona no organismo

Estimular a libido feminina com um produto natural é a proposta dos medicamentos que contêm em sua formulação o Tribulus terrestris, fitoterápico proveniente da Europa meridional. Essa substância estimula a produção e a liberação de testosterona no organismo quando há quantidade inferior ao desejado, sempre dentro dos limites naturais do corpo.

O Tribulus terrestris contém em sua composição a protodioscina, substância que tem a propriedade de elevar as concentrações de um hormônio precursor da testosterona. Além disso, simula a ação de uma enzima que converte a testosterona em sua forma ativa. Seu mecanismo de ação modula a produção e a atividade da testosterona, fundamental para a regulação da libido feminina. No homem, a protodioscina age em dois pontos: estimula as células germinativas, produtoras de espermatozoides e estimula também as células de Sertoli, que regulam a produção de espermatozoides pelas células germinativas.

A diminuição da libido pode ter importantes repercussões na vida da mulher. Entre estas, a redução da sua autoestima e dificuldades de relacionamento conjugal. As abordagens terapêuticas que visam o aumento da libido são multifatoriais, ou seja, envolvem não apenas os hormônios, mas também toda a gama de fatores psicológicos relacionados com a sexualidade humana. A consulta aos profissionais de saúde envolvidos no tratamento das disfunções sexuais é fundamental para o sucesso do tratamento.

O incremento das disfunções sexuais se deve, entre outras causas, à diminuição dos níveis hormonais que ocorre devido ao avanço da idade. Os níveis de testosterona estão relacionados com a manutenção da libido. Em um estudo conduzido no Brasil, 4.753 ginecologistas responderam que a queixa de diminuição do desejo sexual estava entre os principais motivos de procura por consultas em seus consultórios.

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Os estudos mostram que o aumento do hormônio precursor de testosterona é muito significativo com o uso de Tribullus pelas mulheres. No estudo realizado pela UNESP, que investigou a melhoria da disfunção sexual com uso de Tribullus em 144 pacientes, foi utilizada uma escala composta por seis domínios: desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor e observou-se a melhora estatisticamente significativa em quatro deles: desejo, excitação, orgasmo e satisfação.

Em outro estudo, que buscou avaliar a eficácia do Tribullus na melhoria da qualidade do sêmen do homem foi evidenciado que antes do tratamento 46% deles apresentavam alterações na quantidade e na motilidade dos espermatozoides. Ao final do tratamento com Tribullus, 65% apresentaram aumento estatisticamente significativo na quantidade e motilidade destes espermatozoides.

Estudos demonstraram que o Tribulus terrestris não provoca picos hormonais, o que pode explicar o perfil de segurança mais favorável, com menos incidência de efeitos colaterais, quando comparado a outros medicamentos.

O primeiro produto a base de Tribulus terrestris surgiu no Brasil em 2007, com posologia de 1 comprimido 3x ao dia. Recentemente, foi lançada no país uma nova apresentação que oferece a comodidade posológica de apenas 1 comprimido por dia.

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