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Infertilidade e depressão: quais as ligações, os sintomas e como enfrentá-los

A infertilidade pode ser angustiante e muitas pessoas experimentam crises de estresse, tristeza ou sentimentos de desesperança. Algumas, porém, chegam a ficar deprimidas. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos, em 2015, encontrou uma alta prevalência de transtorno depressivo maior em pessoas que estavam recebendo tratamento para infertilidade.

Se você está passando por isso ou conhece alguém próximo que esteja, leia com atenção este texto.

Como a infertilidade está ligada à depressão?

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Enquanto os médicos há muito entendem que a infertilidade é um problema de saúde, a vergonha e o sigilo continuam prevalentes entre as pessoas com infertilidade. Isso pode dificultar a busca de ajuda de amigos e familiares. Não engravidar depois de tentar por um período prolongado pode ser profundamente decepcionante e frustrante, especialmente sem o apoio dos entes queridos. Uma pesquisa de 2010 descobriu que a depressão pode impedir as pessoas de procurar tratamento para a infertilidade.

Embora muitas pessoas com problemas de fertilidade possam ter um filho após o tratamento, como a fertilização in vitro (FIV), a ansiedade sobre se o tratamento irá funcionar também pode prejudicar a saúde mental de uma pessoa.

“A infertilidade, do ponto de vista emocional, é vivida como uma perda, e toda perda pressupõe um luto. Esta perda pode ser vivida em diferentes momentos: quando se descobre que a gravidez muito provavelmente não acontecerá sem tratamento; quando há insucessos nos tratamentos e quando a gravidez é seguida pelo aborto”, afirma o médico Arnaldo Schizzi Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO.

“Os sentimentos depressivos indicam o fim da fase de raiva e revolta, comuns do primeiro momento, e o início de uma nova fase na qual há a possibilidade de suportar as frustrações sem ressentimentos e com menos hostilidade, e as projeções da raiva no mundo externo diminuem”, completa o médico.

Cambiaghi lembra que, apesar de ser uma fase necessária ao processo de elaboração emocional, é extremamente importante que o médico esteja atento para a intensidade e a permanência da paciente neste quadro. Caso os sintomas depressivos se intensifiquem, um aspecto mais severo de depressão pode se configurar. A indicação fármica e psicoterápica é extremamente benéfica e se faz necessária em tais situações.

Algumas das razões pelas quais as pessoas com infertilidade lutam contra a depressão incluem:

=Estresse: a infertilidade pode ser uma experiência estressante, particularmente quando há muita pressão sobre alguém para engravidar.
=Condições médicas: vários problemas médicos podem causar infertilidade, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e também podem aumentar o risco de depressão. Um estudo de 2010 encontrou taxas mais altas de depressão e ansiedade em mulheres com SOP.
=Os desafios emocionais e físicos do tratamento: um pequeno estudo de 2014 com mulheres que procuraram tratamento de infertilidade ou serviços de preservação de fertilidade descobriu que a ansiedade e a depressão pioravam à medida que o tratamento progredia.
=Efeitos colaterais do tratamento: muitos medicamentos para fertilidade envolvem o uso de hormônios. Às vezes, esses podem afetar o humor de uma pessoa, aumentando o risco de depressão.

Qualquer um pode experimentar depressão por causa da infertilidade.

Sintomas

Não é incomum sentir-se triste ou deprimido ocasionalmente. No entanto, quando esses sentimentos persistem com o tempo e afetam a qualidade de vida de uma pessoa, ela pode estar sofrendo de depressão. Uma pessoa pode receber um diagnóstico de depressão quando tiver cinco ou mais dos seguintes sintomas:

=humor deprimido durante a maior parte do dia na maioria dos dias;
=perda de interesse na maioria das atividades, mesmo aquelas que aprecia;
=perda de peso ou ganho, não devido à dieta deliberada ou condição de saúde;
=dormindo muito ou pouco;
=sentindo-se fisicamente agitado ou lento na maioria dos dias;
=tendo baixa energia na maioria dos dias;
=sentindo-se sem valor, culpado ou envergonhado;
=dificuldade para pensar claramente ou se concentrar;
=pensamentos frequentes de morte ou suicídio.

Para um médico diagnosticar a depressão, os sintomas de uma pessoa não devem ser causados ​​por medicação ou abuso de substâncias. Ele também deve pedir avaliação para outras condições de saúde mental. Se outra condição explicar com mais precisão os sintomas, o médico pode diagnosticá-la com essa condição e não com a depressão.

Quando procurar ajuda

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Ilustração: Serena Wong/Pixabay

Pessoas com infertilidade que sofrem de depressão devem procurar tratamento para ambas as condições. Embora a infertilidade possa ser a causa da depressão, é essencial tratar também os problemas de saúde mental.

Casais incapazes de engravidar depois de tentar por 12 meses ou mais devem considerar conversar com um médico sobre a infertilidade. No entanto, mulheres com mais de 35 anos devem consultar um médico caso não tenham conseguido engravidar após 6 meses de tentativas. Casais com história de infertilidade, mulheres com períodos irregulares e pessoas com problemas médicos crônicos, como diabetes, devem procurar um médico antes de tentar engravidar.

Um médico de família pode encaminhar homens a um urologista e mulheres a um ginecologista. Se os sintomas da depressão dificultarem a atuação de uma pessoa em casa, no trabalho ou na escola, elas devem procurar ajuda.

O desespero da depressão pode fazer as pessoas pensarem que o tratamento não funcionará. No entanto, isso também pode ser um sintoma de depressão. O tratamento pode, e muitas vezes alivia, os sintomas da depressão e melhora a qualidade de vida de uma pessoa.

Tratamento

Existem muitos medicamentos disponíveis que podem tratar a depressão. Os antidepressivos vêm em muitas formas, incluindo os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), os antidepressivos tricíclicos, os moduladores da serotonina e os inibidores da monoamina oxidase.

Algumas pessoas podem precisar experimentar vários medicamentos antes de encontrar um que funcione bem para elas. Ser honesto com um médico sobre quaisquer efeitos colaterais é essencial, pois o profissional pode alterar a dose ou o tipo de medicação.

A terapia também é uma maneira eficaz de tratar a depressão. Quando uma pessoa está em terapia, ela pode discutir seus sentimentos sobre a infertilidade, estabelecer metas e identificar estratégias para melhorar seu relacionamento. Alguns casais acham que a infertilidade prejudica seu relacionamento, portanto, participar de um aconselhamento em conjunto também pode ajudar.

Para a maioria das pessoas, a medicação e a terapia juntas oferecem os melhores resultados de tratamento. Um estilo de vida saudável, como manter uma dieta nutritiva e fazer exercícios regularmente, também é importante.

Alguns casais acham que um novo hobby ou atividade compartilhada pode ajudar. Ao lidar com problemas de fertilidade, é fácil se concentrar apenas em engravidar e negligenciar outros aspectos do relacionamento. Experimentar novas atividades, ter novas coisas para esperar e construir interesses compartilhados pode ajudar a reequilibrar a vida de um casal.

“A resistência em procurar um psicólogo ainda é muito grande pelos casais. Colocar o sofrimento em palavras, reviver sentimentos dolorosos é visto como algo muito penoso em um primeiro momento. É comum subestimar o impacto emocional ao longo do tratamento, principalmente quando há causas orgânicas absolutamente esclarecidas. Muitas pacientes ficam meses, às vezes anos com o número de telefone do psicólogo guardado em algum lugar até tomarem coragem para ligar”, explica Cambiaghi, que atende casais nesta situação há mais de 30 anos .

Ele enfatiza que a forma com que os profissionais da equipe de saúde encaminham os pacientes ao psicólogo pode facilitar ou dificultar essa procura. Quando os pacientes sentem que estão sendo encaminhados por estarem “problemáticos”, “dando trabalho”, isso só aumenta o estigma e o preconceito em relação às dificuldades mentais e a resistência na busca de apoio psicológico especializado. Sentem-se mais uma vez “incompetentes”, até para lidarem com suas emoções, e essa procura é dificultada.

“Porém, se o médico encaminha o paciente ao psicólogo de forma acolhedora, acreditando de fato que esse tratamento emocional terá eficácia em aliviar as angústias e ansiedades, aumentando o bem-estar e a qualidade de vida das pacientes, o caminho para a aceitação e procura de apoio psicológico especializado fica extremamente facilitado”, ensina o especialista.

Apoio

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Embora a infertilidade seja comum, ela pode fazer com que uma pessoa se isole. Segundo pesquisa norte-americana, cerca de 6% das mulheres entre 15 e 44 anos não engravidam depois de um ano de tentativas. No entanto, a infertilidade não precisa durar para sempre, e o tratamento permite que muitas pessoas tenham bebês saudáveis.

Encontrar apoio de outras pessoas com experiências semelhantes pode ser útil. Elas podem oferecer recursos para controlar o estresse, manter um bom relacionamento e mostrar que ninguém está sozinho. Grupos on-line, como alguns privados do Facebook e fóruns de mensagens de fertilidade, também podem oferecer suporte.

“Não queremos que as pacientes deixem aspectos psicológicos implícitos na infertilidade tomarem conta da vida delas ou tirarem a energia e a esperança não só de continuar tentando a gravidez, mas, também, de viverem a vida em toda a sua plenitude”, afirma Cambiaghi, completando: “É preciso lembrar que não há apenas sofrimento e dor nos obstáculos que a vida impõe, mas também a possibilidade de encontrar força, saúde e resistência para enfrentar com coragem os novos desafios. Quanto maior o bem-estar, quanto maior a compreensão dos conflitos emocionais íntimos e profundos que a infertilidade provoca, menor a angústia e a ansiedade e maiores são as chances de o corpo encontrar um caminho ‘livre’ para a realização do desejo”.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros.

Confira 18 mitos e verdades sobre endometriose

A endometriose é uma doença de saúde reprodutiva comum, que ocorre quando o tecido semelhante ao revestimento uterino (o endométrio) cresce fora do útero. Porém, como muitas outras, ela é cercada de muitos mitos e crenças. O médico ginecologista e especialista em Medicina Reprodutiva Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, comenta 18 mitos muito comuns sobre a doença. Confira:

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Foto: Is-Med.com

1 – É fácil diagnosticar a endometriose
Mito: não é fácil diagnosticar a endometriose. É comum que demore até cerca de 8 anos, essa é a média esperada para o diagnóstico da endometriose. Essa é uma das primeiras dificuldades na vida reprodutiva da mulher: o diagnóstico não ser feito precocemente. Uma mulher que chega ao consultório de um ginecologista reclamando de cólica, menstruação irregular e infertilidade, as chances de ter endometriose são muito altas. Se ela acrescentar cólicas muito fortes, abdômen inchado, dor ao evacuar, dor para urinar e dor durante a relação sexual, essa paciente deve ter endometriose profunda. Se o médico estiver atento, o diagnóstico não será difícil, pois a endometriose será uma possibilidade bastante provável.

2 – É normal que os períodos da menstruação sejam extremamente dolorosos
Verdade: mulheres com endometriose se referem a cólicas fortes durante a menstruação. Portanto, se uma mulher estiver sentindo uma dor severa e que não encontra alívio com medicação, a endometriose pode, sim, ser a causa do problema. O melhor é marcar uma consulta com o ginecologista.

3 – Os sintomas estão sempre presentes em mulheres com endometriose
Mito: nem sempre, algumas mulheres não sentem dor alguma, elas só vão perceber que têm endometriose quando forem ao ginecologista e ele pedir um exame de ultrassom de rotina.

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Foto: Jeviniya-Pixabay

4 – Terapias complementares não têm lugar no tratamento da endometriose
Mito: são sempre alternativas possíveis. Porém, o tratamento da endometriose é basicamente cirúrgico, por vídeolaparoscopia, no qual se ressecam as lesões endometrióticas. Podem ser complementos, além dos medicamentos convencionais, terapias como acupuntura, naturopatia e ioga. Porém, sem o tratamento cirúrgico não haverá resultado.

5 – Mulheres com endometriose não podem ter filhos
Mito: cerca de 30% das mulheres com endometriose têm dificuldade em engravidar. Quando se realiza uma pesquisa correta, por meio de exames complementares, como ultrassom e ressonância magnética, é possível diagnosticar em detalhes a doença e, em seguida, realizar a cirurgia ressecando esses focos de endometriose. Após esse tratamento, a mulher pode engravidar, mas é importante que não se esqueça de avaliar também outros problemas de infertilidade, como obstrução tubária, trombofilias, fator ovulatório e fator masculino. Muitas vezes se foca tanto na endometriose que se esquece de verificar a fertilidade do homem.

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

6 – Gravidez cura endometriose
Mito: este é um dos maiores mitos sobre o problema. Gravidez não cura endometriose. Pode amenizar os sintomas, mas a melhora só é possível com a realização da cirurgia e, mesmo assim, não há garantia de cura da doença. Isso porque os sintomas podem ser amenizados, mas se for algo provisório, a doença pode voltar com o tempo.

7 – Histerectomia cura endometriose
Mito: a endometriose é um tecido endometrial fora do útero. A remoção do útero e/ou dos ovários, sem remover os importantes focos de endometriose não levará à cura. Portanto, histerectomia não cura endometriose, e é um erro gravíssimo acreditar que tirar o útero será a solução para a doença.

8 – Mulheres com endometriose devem evitar exercícios físicos
Mito: pelo contrário, o exercício físico ajuda a melhorar a vascularização e a circulação sanguínea, isso pode amenizar o mal-estar e as cólicas. Mulheres com endometriose devem, sim, realizar exercícios físicos. Além disso, podem tomar outras atitudes como manter uma dieta alimentar adequada.

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9 – Adolescentes não têm endometriose
Mito: muito pelo contrário. Muitas já têm sintomas de endometriose no início da adolescência e é fundamental que se faça um diagnóstico precoce para se evitar as complicações futuras, como a infertilidade e o comprometimento de outros órgãos. Isso porque, em casos de endometriose mais avançada, é necessário fazer cirurgias muito mais agressivas. O diagnóstico precoce da endometriose é fundamental e não deve ser descartado porque a paciente é adolescente.

10 – Mulheres com endometriose sofrem dor somente durante o período menstrual.
Mito: a dor pode ser intermitente ou contínua. Ela é mais frequente nos períodos menstrual e pré-menstrual. Às vezes, pode ocorrer durante ou após a atividade sexual, o que é mais comum quando houver um comprometimento do intestino ou bexiga, ou regiões próximas ao fundo da vagina.

11 – Endometriose é mais comum entre mulheres caucasianas na faixa dos 20 e 40 anos.
Mito: até meados do século 20, pensava-se que o problema existia apenas em mulheres brancas. Isso acabou sendo resultado da falta de cuidados médicos contínuos para muitas mulheres afrodescendentes. Hoje, inclusive, se entende que qualquer mulher, de qualquer etnia, adolescente ou mais velha, pode ter endometriose.

12 – A endometriose não tem cura
Verdade: infelizmente, não há cura. Quando a endometriose é diagnosticada criteriosamente e existe o mapeamento da doença por meio de exames complementares, como ressonância magnética e ultrassom, e um bom exame ginecológico, pode se realizar uma cirurgia bem detalhada para que se ressequem todos os focos da endometriose. Mulheres que passaram por uma cirurgia bem indicada e pelas mãos de profissionais qualificados, alcançam uma cura provisória por muitos anos. E pode ser até que nunca mais tenham endometriose, mas não de pode descartar que existe chance de a doença voltar.

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13 – A endometriose afeta apenas os órgãos pélvicos.
Mito: embora a endometriose encontra-se principalmente na região pélvica, pode ser descoberta em outros órgãos, como diafragma, pulmão, parede abdominal, estômago e até mesmo nos olhos.

14 – Qualquer ginecologista pode efetivamente tratar a endometriose.
Parcialmente verdade: os ginecologistas, de um modo geral, estão preparados para o diagnóstico e para o tratamento, desde que estejam atentos aos sintomas e saibam mapear a doença. Porém, o tratamento cirúrgico, feito por laparoscopia, deve ser realizado por profissionais qualificados que tenham experiência em laparoscopia e em cirurgia pélvica. Encontrar um especialista em endometriose pode ser fundamental para o sucesso do tratamento.

15 – A endometriose sempre piora.
Parcialmente verdade: para algumas mulheres, sim, pode piorar. Isso porque muitas vezes a endometriose se comporta como uma doença benigna, progressiva e invasiva. Ou seja, ela vai invadindo os órgãos com o passar do tempo. Por isso o diagnóstico precoce é fundamental.

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16 – Menopausa cura a endometriose.
Mito: a diminuição dos níveis hormonais pode amenizar a endometriose, porém, os focos vão permanecer. No caso de uma reposição hormonal, comum na menopausa, esses focos poderão retroceder a endometriose, abrandar a dor, diminuir o inchaço, amenizando os sintomas, mas não cura a doença.

17 – É comum confundir a endometriose com a síndrome do intestino irritável (SII)
Verdade: isso pode acontecer em uma fase inicial, pois os sintomas intestinais podem ser confundidos. Faz parte do diagnóstico diferencial verificar se a dor pélvica é uma endometriose, um problema intestinal ou até mesmo um problema urinário. Entretanto, com os exames complementares de ultrassom e ressonância magnética, é possível diferenciar uma da outra.

18 – A endometriose pode ser prevenida
Mito: não existe uma maneira de se prevenir. Porém, ter bons hábitos, boa alimentação e rigor no estilo de vida pode amenizar sintomas ou diminuir a chance dela surgir.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros.

Dez situações que podem prejudicar a fertilidade

Muitas causas de infertilidade não podem ser totalmente controladas, como genética e condições médicas, como síndrome dos ovários policísticos e endometriose e, claro, ter mais de 35 anos. Mas quando há dificuldades para engravidar, a causa pode estar no estilo de vida – algumas maiores, outras menores – e você pode aumentar suas chances ou, pelo menos, evitar que seus problemas de fertilidade se agravem.

Um dos maiores: reconsidere sua profissão. Um novo estudo publicado na revista Occupational and Environmental Medicine descobriu que as mulheres que levantam cargas pesadas no trabalho podem ter mais dificuldade em engravidar. Pesquisadores da Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan estudaram quase 500 mulheres que procuraram tratamento de fertilidade e descobriram que aquelas com trabalhos fisicamente exigentes tiveram 8,8% menos ovos totais e 14,1% menos ovos maduros em comparação com mulheres que relataram nunca mover objetos pesados ​​no trabalho..

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Trabalhar fora de oito horas diárias também afeta a fertilidade, o que os pesquisadores especulam ter a ver com a interrupção do ritmo circadiano. Se você trabalha em turnos ou exige trabalho pesado, agora é a hora de priorizar o sono, boa nutrição e exercícios, aconselham os médicos. Uma médica que fez parte do estudo comentou que ela própria trabalha com muitas enfermeiras que fazem o turno da noite e trabalham por longas horas, bem como as médicas. “Eu mesma tive parto prematuro como residente ginecologista. É possível descansar e permanecer saudável, mas isso deve ser uma prioridade”, afirmou.

Aqui estão mais nove fatores de estilo de vida que podem dificultar a gravidez:

Seu IMC (íncide de massa corportal) está na faixa de obesidade – e o mesmo acontece com o parceiro

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Pixabay

A ligação entre excesso de peso e problemas para engravidar é conhecida há muito tempo, mas uma nova pesquisa do National Institutes of Health mostrou que o peso de um homem é tão importante quanto o de uma mulher. O estudo, publicado na revista Human Reproduction, descobriu casais em que ambos os parceiros são obesos levam até 59% mais tempo para engravidar em comparação com os casais na faixa de peso saudável. Mesmo se você perder apenas cinco quilos, isso aumentará suas chances de engravidar nos próximos seis meses, dizem os médicos.

Você está estressada demais

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Todo mundo diz às mulheres grávidas para relaxarem porque “o estresse não é bom para o bebê”, mas também não é bom quando você está tentando engravidar. Um estudo de 2014 publicado na Human Reproduction analisou cerca de 400 casais em um período de 12 meses e descobriu que as mulheres que tinham os níveis mais altos de alfa-amilase, um biomarcador de estresse, tinham o dobro do risco de serem inférteis comparadas àquelas com níveis mais baixos . Os pesquisadores observam que não conseguiam determinar exatamente por que o estresse diminui a fertilidade, mas sugerem que, se você está tentando engravidar, praticar yoga, meditação ou mindfulness pode ajudar a equilibrar os sentimentos desgastados. E se você está estressada em tentar engravidar, saiba que isso é totalmente normal. O estresse é um dado. O problema é como você lida com isso. Então, aceite que este é um momento estressante, e tente fazer o melhor que puder.

Você está exagerando na academia

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Exercício é sem dúvida bom para você. No entanto, você pode preferir treinos de intensidade moderada se estiver tentando engravidar. Um estudo de 2012 descobriu que, mulheres com peso normal que realizavam cinco horas ou mais de exercícios vigorosos por semana, levavam mais tempo para engravidar. O exercício moderado, por outro lado, aumentou a fertilidade. Pesquisadores dizem que o exercício ultrarrígido pode ter um impacto sobre a ovulação ou na implantação. Se você está tendo problemas para engravidar, pode fazer sentido diminuir o nível dos exercícios. Você também deve verificar seu peso, pois, assim como o excesso de gordura corporal pode afetar a fertilidade, sua ausência também pode atrapalhar.

 Você está assistindo a muita TV

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Ilustração: André Santana-MS-Pixabay

Para os rapazes, muito pouco exercício – marcado por sentar na frente da tela da televisão ou do computador – pode reduzir a qualidade do sêmen. Em um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine, homens que assistiram a mais de 20 horas de TV por semana tiveram uma concentração de espermatozoides 44% menor em comparação com aqueles que não assistiram. Troque parte desse tempo pela academia: homens que se exercitavam mais de 15 horas por semana tinham uma concentração de espermatozoides 73% maior.

Você come muita carne processada

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Pixabay

Quanto mais carne vermelha processada (cachorro-quente, hambúrguer, bacon, salame) um homem ingere tanto menor sua contagem de espermatozoides e mais lentos eles “nadam”, revelou pesquisa na revista Epidemiology em 2014. Os pesquisadores não podem dizer com certeza o que está por trás dos nadadores lentos e esparsos, mas pode ser a gordura saturada dessas carnes. Talvez seja uma boa ideia trocá-las por um frango assado: os homens que comeram mais aves produziram espermatozoides que tiveram mais sucesso na fertilização de um óvulo, segundo pesquisas adicionais.

O smartphone está no seu bolso

celular no bolso

Uma meta-análise de 2014 descobriu que a exposição ao celular estava ligada a espermatozoides mais fracos. Pode ser a radiação eletromagnética de radiofrequência emitida que danifica o DNA e prejudica a capacidade do espermatozoide de fertilizar um óvulo. Os dispositivos móveis também podem aquecer os testículos quando estão escondidos no bolso, o que pode prejudicar a produção de esperma.

Você está fazendo muito sexo

casal na cama iStock
iStock

Faça sexo todos os dias da ovulação. Fazer sexo em excesso pode diminuir muito a contagem de esperma. Você pode usar um aplicativo de sincronização no seu telefone ou um kit de ovulação encontrado em drogarias, mas existem alguns sinais físicos que as mulheres podem notar também: o desejo sexual pode aumentar, as veias dos seios podem parecer mais azuis e elas podem ter mais secreção vaginal.

Você não está fazendo sexo suficiente

casal cama separado

Você precisa fazer sexo para engravidar (obviamente), mas é importante fazê-lo durante todo o ciclo, e não apenas quando é mais provável que você engravide. Fazer sexo envia um sinal para o corpo de uma mulher que, basicamente, é hora de ir. O sistema imunológico, em seguida, muda de um estado focado em lutar contra uma possível doença preparada para a reprodução, sugere um estudo de 2015 publicado na Fertility and Sterility. Apenas uma pequena coisa para ter em mente: não importa em que dia do mês seja.

Você fuma

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O fumo é responsável por cerca de 13% de todos os casos de infertilidade, de acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. Fumar envelhece os ovários e diminui o suprimento de óvulos nas mulheres, e está ligado à baixa contagem de espermatozoides nos homens.

Fonte: Health.com

Estudos mostram que transferir um embrião pode ter mais resultado que dois

Novo exame imunológico na reprodução assistida pode melhorar as chances de sucesso nos tratamentos, diminuir as chances de abortos, evitar a restrição de crescimento do bebê durante a gestação e até a pré-eclâmpsia. Esse exame demonstra que, para alguns casos, transferir um único embrião para o útero pode ser melhor do que dois. Menos é mais.

A pior frustração para aqueles que se submetem a um tratamento de fertilização assistida é quando o procedimento não dá certo. Isso porque muitos passam por uma verdadeira via sacra. No início havia um otimismo, e até o medo de uma gestação múltipla como consequência dos tratamentos, mas, de repente o receio passa a ser algo de menor importância. E ele é trocado pela ousadia de acreditar que, quanto maior o número de embriões transferidos para o útero, maior será a chance de um resultado positivo.

Já não importa mais o risco: 1, 2, 3 e até mais. Isto passa a não ter mais relevância. O que importa é estar grávida, seja lá de quantos bebês for. Aí pode estar o engano: acreditar que quanto maior o número de embriões transferidos, maior será a chance de engravidar. “Agora, com esse novo exame, o conceito de quanto mais embriões transferidos, maior chance de engravidar, poderá se inverter. Em algumas situações específicas, quando houver mais do que um embrião dentro do útero, poderá ser iniciada uma reação imunológica de rejeição”, explica o médico Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO.

KIR e HLA-C

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Este novo exame de sangue, que tem o nome de KIR – HLA-C (KIR = Killer Immunoglobulin-like Receptors e HLA-C = Human Leucocyte Antigen – Antígenos Leucocitários Humanos), pode ajudar a melhorar os resultados nos tratamentos de fertilização assistida. Ao definir que a transferência de um único embrião para o útero oferece melhores chances de um resultado positivo e de uma gravidez com menos riscos do que quando transferimos dois embriões, por exemplo.

Isso se baseia no fato de que todas as mulheres têm, no útero, células imunológicas (chamadas NK) com receptores capazes de reconhecer o embrião quando este chega ao útero materno. Esses receptores, KIR, se dividem em três grandes grupos genéticos (KIR AA, KIR AB e KIR BB) e têm função inibitória ou estimulatória sobre as células NK e importância fundamental na implantação dos embriões, na formação da placenta e, consequentemente, no próprio desenvolvimento da gestação.

“No passado, acreditava-se que todas as células NK (natural killer = células assassinas), tinham capacidade extremamente citotóxica, ou seja, de matar células estranhas ao organismo, como, por exemplo, as tumorais ou infectadas por vírus. Nos últimos anos, observou-se que existe outro tipo de célula NK no útero com outra função: liberar substâncias imunomoduladoras que estimulam a invasão das células trofoblásticas (do embrião) no endométrio de forma adequada, sendo importante para garantir a implantação e formação adequada da placenta”, esclarece Cambiaghi.

A ausência das células NK pode causar falhas de implantação e, por uma formação deficiente da placenta, abortos, restrição de crescimento do bebê e pré-eclâmpsia. A ação dessas células, tão importantes para uma gestação normal, depende de uma perfeita interação imunológica entre uma molécula da superfície das células do embrião (chamada HLA-C) e os receptores KIR das células NK uterinas.

Todo ser humano dispõe de antígenos nas células denominados HLA que distinguem os antígenos do próprio organismo dos estranhos. As células HLA representam a “marca registrada” de cada indivíduo, a “impressão digital” única, que pode ter uma similaridade maior ou menor com duas pessoas.

O antígeno HLA é uma denominação genética que, nos casos de transplantes de órgãos, tem o objetivo de avaliar o doador ideal para determinado paciente. Os antígenos são divididos em tipos: classe I (A, B e C), classe II (DR, DP, DQ) e outras. Os antígenos HLA estão presentes em todas as células do corpo humano e coordenam a resposta imunológica do nosso organismo não só nos transplantes, mas também em diversas doenças e reações a medicamentos, estimulando a formação de células de defesa, os leucócitos. O antígeno do embrião é o HLA-C.

“Como o embrião é composto de 50% de material genético paterno e 50% de material genético materno, ele tem as moléculas HLA-C materna e paterna. As células NK reconhecem o HLA-C estranho ao seu organismo, ou seja, o HLA de origem paterna. Entretanto, quando a célula NK reconhece este HLA compatível, ela não induz à rejeição, como nos transplantes, mas libera citocinas importantes para gestação”, explica o ginecologista Rogério Leão, membro da equipe médica do IPGO.

O HLA-C do embrião pode ser de dois tipos: C1 e C2. A molécula C1 interfere pouco na atividade da célula NK, então pouco afeta a gestação. Já a C2 tem uma ação muito maior sobre os receptores KIR, sendo, então, mais importante para a gestação. Entretanto, sua ação vai depender do tipo de receptor KIR. Este é determinado por um grupo de genes (haplotipo) que pode ser definido como grupo A, quando gera receptores somente com atividade de inibição; ou grupo B, quando gera algum receptor com atividade estimulatória. Assim, a mãe pode ser AA, AB ou BB (pois tem um haplotipo herdado do pai e um da mãe).

Novos estudos

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Pixabay

Cambiaghi acrescenta: “Novos estudos, realizados na Espanha pela equipe liderada pela médica Diana Alecsandru, imunologista da clínica IVI Madri, revelaram, entre outras coisas, que a união dos receptores KIR AA com antígeno HLA-C2 paterno é uma combinação de risco para o ser humano. Isso porque o HLA-C2 possui uma forte ação sobre os receptores KIR AA, que têm função inibitória sobre as células NK protetoras que se tornam inativas”.

Isso, portanto, dificulta a implantação e formação da placenta de forma adequada, levando às complicações já descritas. Quando dois embriões são transferidos, a situação se agrava, pois há estímulo HLA-C2 paterno de mais de um embrião, bloqueando, no caso de KIR AA, ainda mais essa ação protetora.

Para evitar essas complicações, pode-se avaliar o KIR da mulher e o HLA-C paterno do marido, por meio de exames de sangue. No exame do KIR, avalia-se se a mulher é KIR AA, AB ou BB. No caso do HLA, considerando que herdamos um HLA-C do pai e um da mãe, o marido poderá ser C1C1, C1C2 ou C2C2. Se for C1C1, o embrião gerado terá sempre HLA paterno C1. Se C2C2, sempre o embrião terá C2. E se o marido for C1C2, os embriões formados têm 50% de chances de terem HLA paterno C1 e 50% de chances de terem C2.

Quando a mulher é AB ou BB, não há risco, podendo-se transferir quantos embriões forem indicados. O mesmo ocorre quando o homem é C1C1. Já nos casos da mulher KIR AA e o marido C2C2, há um risco aumentado de complicações se dois embriões forem transferidos, sendo indicado transferir somente um por vez”, explica Leão. E complementa: “No caso da mulher KIR AA com marido C1C2, como há uma chance de 50% de cada embrião ter C2 paterno, aconselha-se também transferir somente um embrião”.

Fontes:

Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros.

Rogério Leão é membro da equipe do IPGO e Médico Assistente na área de Ginecologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM/ UNICAMP). Graduado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Residente em Ginecologia e Obstetrícia, no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM/ UNICAMP). Especializado em Endoscopia Ginecológica , pelo Hospital Pérola Byington (São Paulo –SP) e em Infertilidade Conjugal , pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (São Paulo –SP). Mestre em Ciências Médicas pelo Departamento de Tocoginecologia da FCM / Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

 

Medicamentos para tratar alergia comum podem prejudicar a função testicular

Autores de um novo artigo argumentam que são necessários mais estudos que confirmem esta possibilidade e sugerem que as pessoas sejam avisadas sobre o excesso no uso dessas medicações.

A co-autora do estudo, Carolina Mondillo (e equipe), relatou os resultados na revista Reproduction.  A histamina é uma molécula que o corpo produz quando o sistema imunológico é ativado por uma ameaça percebida.

Os histamínicos tentam remover as alergias do corpo induzindo espirros e demais secreções já conhecidas. Isso faz parte do sistema padrão de defesa do corpo – mas, em algumas pessoas, o sistema imunológico reage excessivamente a desencadeadores, como pólen, caspa ou poeira, e leva as histaminas a criar espirros. Os anti-histamínicos são os medicamentos mais utilizados para reduzir esses sintomas. No entanto, além de atuar sobre a histamina, também se descobriu que anti-histamínicos afetam outras áreas da saúde, criando efeitos colaterais indesejáveis ​​ligados ao comportamento da função sexual e fertilidade.

Como as alergias estão se tornando cada vez mais comuns nos países industrializados, o uso de anti-histamínicos também está aumentando, por isso é importante que cientistas e médicos compreendam melhor os efeitos colaterais ligados a esses medicamentos sem receita médica.

“Infelizmente, na maioria das vezes, a investigação no homem só é iniciada quando as dificuldades para engravidar são percebidas pelo casal, que acaba procurando o médico ginecologista para exames de rotina. Entretanto, como muitos casais estão adiando a gravidez, levando à diminuição das chances de gestação quando a mulher completa 35 anos, recomenda-se que este homem faça uma investigação de sua fertilidade antes mesmo de decidir programar um filho”, alerta o ginecologista e especialista em reprodução humana Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO.

Anti-histamínicos reduzem a qualidade do esperma

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Pesquisadores do Instituto de Biologia e Medicina Experimental em Buenos Aires, Argentina, realizaram uma revisão sistemática de estudos em animais que investigavam associações entre histaminas e fertilidade. Eles analisaram os estudos de pequena e grande escala que ocorreram nas últimas quatro décadas.

A revisão descobriu que vários dos estudos relataram uma associação entre o uso de anti-histamínicos em animais machos e a função prejudicada dos testículos.

Os autores do estudo sugerem, então, que os anti-histamínicos parecem interferir na produção de hormônios sexuais nos testículos, levando a deformação e a baixa contagem de espermatozoides.

É importante ter em mente que todos os estudos feitos pela médica Carolina Mondillo e colegas analisaram foram conduzidos em animais. Estudos em seres humanos que analisam a associação entre o uso de anti-histamínicos e a fertilidade masculina são limitados, por isso é difícil generalizar esses achados para humanos.

Serão necessários mais estudos

Outras pesquisas também serão necessárias para entendermos quais os prejuízos causados para a fertilidade masculina. Segundo a médica, mais testes serão necessários para avaliar os possíveis efeitos negativos do anti-histamínico na saúde reprodutiva e sexual. Isso pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para aliviar os sintomas de alergia sem comprometer a fertilidade.

Os pesquisadores dizem que agora começarão a avaliar como as histaminas causam impacto nos tumores testiculares. Em estudos anteriores, outros medicamentos comuns também foram associados à infertilidade masculina, como bloqueadores dos canais de cálcio, antidepressivos tricíclicos e esteroides anabolizantes.

Em 2017 foi publicado uma característica sobre como a infertilidade pode afetar os homens. Nessa postagem foi analisado como algumas dicas de estilo de vida simples podem ajudar a reduzir o risco de infertilidade masculina. Elas incluíam itens como: alimentação saudável, manter o peso certo, reduzir o estresse e ser fisicamente ativo. Também recomenda–se cortar o tabagismo, reduzir a ingestão de álcool e evitar roupas íntimas apertadas.

“Tanto para o homem quanto para a mulher, os exercícios moderados são úteis e ajudam a aumentar a chance de concepção do casal. Aqueles que não estão habituados a esta prática devem iniciar lentamente, supervisionados por profissionais especializados, aumentando progressivamente a carga e as atividades, e de acordo como o permitido pelo organismo; exageros não são bem-vindos”, afirma Cambiaghi.

Segundo o médico, as atividades mais aconselháveis para as iniciantes são: caminhadas, natação, yoga, e ciclismo. São de baixo impacto tanto para a musculatura como para as articulações e devem com o tempo alcançar na mulher uma freqüência de 3 a 4 vezes por semana durante 30 minutos por vez. “Correr mais do que 16 quilômetros por semana é exagero nestes casos e podem ser prejudiciais. No homem podem ser acrescentados exercícios mais vigorosos que não ultrapassem de 20 minutos, 3 vezes por semana”, finaliza o médico.

Mais sobre o assunto em: www.fertilidadedohomem.com.br

Suplemento auxilia no tratamento de síndrome que causa infertilidade nas mulheres

A Síndrome do Ovário Policístico, também conhecida pela sigla SOP, é uma desordem endócrina que atinge cerca de 15% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo e é uma das principais causadoras da infertilidade. “Durante o processo de ovulação, é normal o aparecimento de cistos, que fazem parte do funcionamento dos ovários e desaparecem a cada ciclo menstrual.

A SOP interfere neste processo de ovulação devido ao desequilíbrio hormonal, fazendo com que estes cistos permaneçam ali e modifiquem a estrutura ovariana, tornando o órgão até três vezes maior que o tamanho normal”, explica a farmacêutica Luisa Saldanha, diretora técnica da Pharmapele.

Segundo a especialista, as causas da SOP ainda não são totalmente conhecidas. Porém, acredita-se que alguns fatores como a genética e, principalmente, a resistência insulínica tem relação com a origem do distúrbio, pois levam ao desequilíbrio hormonal.

“Os sintomas variam de pessoa para pessoa, assim como a gravidade da doença. A falta de ovulação, a menstruação anormal e altos níveis de hormônios masculinos são os principais sinais da síndrome. Porém, outros sintomas como o aumento de pelos no rosto, seios e abdômen, a formação de acne e o ganho de peso também podem indicar a presença do distúrbio”, afirma. “Além disso, em casos mais graves, podem surgir complicações a longo prazo como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer do endométrio.”

ventre barriga mulher

O diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos é feito por meio de exames clínicos e laboratoriais como o ultrassom ginecológico e a verificação dos níveis de hormônios através do exame de sangue. Já para o tratamento da SOP, manter uma dieta leve e balanceada acompanhada da prática de exercícios físicos é fundamental para a melhora da resistência insulínica, fertilidade e a regulagem da ovulação.

“A parte medicamentosa do tratamento consiste no controle dos sintomas e complicações. Por isso, são receitados anticoncepcionais para regular o ciclo menstrual, indutores de menstruação para ajudar no processo de ovulação, hipoglicemiantes para controlar a resistência insulínica, além de medicamentos para reverter o quadro de infertilidade”, destaca a farmacêutica.

Recentemente, estudos descobriram que uma molécula que nosso corpo produz a partir da glicose chamada de inositol também pode melhorar os sintomas associados com a síndrome dos ovários policísticos, especialmente os inositóis Mio-inositol (MI) e D-Chiro Inositol (DCI).

“Baixos níveis de DCI foram observados em pessoas com resistência à insulina e SOP, dando suporte a teoria de que estes pacientes experimentam uma severa desregulação do metabolismo de inositol. Por isso, a administração de ambas as isoformas do inositol é um tratamento simples e seguro que age sobre a modulação da insulina, melhorando assim a função ovulatória e diminuindo as concentrações de andrógenos”, explica a especialista.

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De acordo com Luisa Saldanha, outros ativos também podem ser suplementados junto com o tratamento medicamentoso convencional para otimiza-lo e diminuir a ocorrência de efeitos colaterais. Por exemplo, a suplementação da Coenzima Q10 reduz o stress oxidativo e melhora a ovulação. Já o Extrato de feno-grego (50%) favorece a redução dos cistos e o retorno do ciclo menstrual normal.

“É importante que antes de tomar qualquer medicamento você consulte um médico. Cabe a ele a avaliação do melhor tratamento, levando sempre em conta fatores como os sintomas, as complicações e a pretensão da paciente de engravidar ou não”, finaliza.

Fonte: Pharmapele é uma rede de farmácias de manipulação, com 30 anos de experiência em medicamentos personalizados e cosméticos de tratamento

Maca peruana: efeitos positivos para a fertilidade, a menopausa e a TPM

Porém, seu sucesso atual é graças aos seus efeitos positivos sobre a saúde; a planta, que conquistou os adeptos da boa forma, ganhou espaço entre aqueles que querem turbinar a dieta, fugir das doenças e melhorar até mesmo a libido

A maca peruana, tubérculo encontrado em abundância na região da Cordilheira dos Andes, no Peru, não era muito popular até pouco tempo atrás, mas, atualmente, vem chamando a atenção de estudiosos do mundo inteiro devido às suas propriedades nutricionais e potenciais efeitos terapêuticos. Para seus consumidores nativos, os incas, seus poderes milagrosos já eram explorados de geração em geração desde tempos milenares, mas, para o resto do mundo, os benefícios do consumo da raiz ainda são novidade.

Sua fama recente em países como Estados Unidos, Hong Kong, China, Japão e Brasil se deu graças a descoberta de seu efeito energizante, revigorante e, especialmente, afrodisíaco: de todas as qualidades associadas à maca, o aumento da potência sexual e da libido, tanto de homens quanto de mulheres, são os mais discutidos. Mas não para por aí, o crescente interesse em torno do alimento despertou a curiosidade da ciência, que passou a verificar seus efeitos e já aponta os benefícios de seu consumo, como a capacidade de promover o equilíbrio hormonal, melhorar o humor, regular o metabolismo, favorecer a fertilidade, combater a fadiga, e muitos outros.

Origem do superalimento

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Maca peruana é o nome popular da raiz da planta Lepidium meyenii com a indicação de sua origem. De gosto suave, o tubérculo in natura é semelhante a um rabanete, porém, sua cor pode variar entre bege amarelada e rubro-negra. Seu crescimento acontece em uma região andina isolada e cheia de intempéries do território peruano, por isso, encontrar a raiz em sua forma natural não é muito comum, ela só está presente em seu país de origem, já que depende do clima rigoroso e solo árido da região para se desenvolver.

No Peru, ela costuma ser consumida crua, cozida ou desidratada. Sua farinha também é utilizada para fazer pães e biscoitos, e sua torrefação permite o preparo de “café de maca”. Mas, ainda assim, é possível usufruir dos benefícios do seu consumo, mesmo distante de seu país, isso porque, atualmente, já é possível encontrar seu extrato em forma de farinha ou cápsulas no mercado nacional.

Potente afrodisíaco natural

A fama afrodisíaca do alimentou lhe rendeu seu maior título, o de “estimulante natural” e, para quem duvidava da crença popular, já pode voltar atrás, pois, atualmente os estudos científicos endossam tal efeito e apresentam ainda evidências que corroboram muitos outros benefícios associados à raiz. Sua ação sobre a saúde sexual é estimulante e potencializadora da libido, mas ao contrário dos fármacos comercializados com esse intuito, a maca não possui riscos colaterais à saúde.

Segundo o nutricionista Carolina Fajardo, do portal Ailo, tomar maca peruana, hoje em dia, é muito mais do que uma moda, é uma solução para quem busca uma série de benefícios para a saúde, inclusive a sexual.

“O consumo traz benefícios reais, para se ter ideia, o extrato do tubérculo contém uma boa dose de vitamina C, nutriente fundamental na síntese dos hormônios sexuais femininos que atuam na fertilidade, sexualidade e libido da mulher, e também apresenta a vitamina E, que aumenta o fluxo sanguíneo e a oxigenação dos órgãos sexuais de ambos os sexos, sem esquecer, é claro, do zinco, mineral que trabalha na produção da testosterona, hormônio com ação significativa sob o desejo e desempenho sexual”, afirma a nutricionista.

Eficácia comprovada cientificamente

Em um estudo publicado na Revista Peruana de Medicina Experimental e Saúde Pública, é possível observar que a ingestão de pequenas porções de maca por homens sadios durante oito semanas resultou no aumento do desejo sexual e ainda apontou uma melhora considerável em outros pacientes com disfunção erétil leve, causada por desequilíbrios hormonais, após a ingestão do extrato de maca seca por doze semanas. As pesquisas ressaltam que ainda é preciso aprofundar as avaliações, no entanto, conclui-se que o uso de maca para estes tratamentos é favorável, especialmente por não haver contraindicações conhecidas a respeito do alimento.

Já em relação às mulheres, uma pesquisa realizada pela BMC Complementary and Alternative Medicin, publicada em 2010 no jornal oficial da Sociedade Internacional de Pesquisa de Medicina Complementar (ICRM), demonstrou que a administração de maca também teve um efeito positivo sobre o desejo sexual de mulheres sadias em período de menopausa.

Mas isso não se aplica apenas a esse grupo, pois, outro estudo publicado na Revista Peruana de Medicina Experimental e Saúde Pública, afirma que o consumo de maca é capaz de elevar a produção de estradiol, um hormônio sexual feminino responsável pela lubrificação e vasodilatação vaginal, por isso, o extrato de maca favorece mulheres que vivenciam a diminuição da libido devido ao desequilíbrio hormonal.

Aumento da fertilidade

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

A ação desse tubérculo tão poderoso é determinante, inclusive, sob a fertilidade. Publicado no mesmo periódico, outro estudo, conduzido em roedores, comprovou a influência da raiz sob a produção hormonal, demonstrando uma relação possível entre o aumento de progesterona e a diminuição da mortalidade de fetos nas fêmeas que receberam suplementação de maca peruana, apontando, inclusive, que, embora o número de óvulos por período fértil não tenha sofrido alterações, elas tiveram mais crias do que as cobaias do grupo de controle. Os machos também apresentaram melhora na produção de espermatozoides, após o período de duas semanas.

De acordo também com um estudo conduzido no Departamento de Ciências Fisiológicas, da Universidad Peruana Cayetano Heredia, na capital do Peru, a administração de maca a homens por um período de quatro meses aumentou o volume seminal e melhorou a produção de esperma. Segundo especialistas, a maca também tem a capacidade de reduzir a mortalidade dos óvulos femininos. Ou seja, seu consumo regular pode beneficiar homens e mulheres, sem apresentar riscos à saúde.

Importante agente na saúde feminina

Na idade fértil das mulheres, a raiz, além de influenciar positivamente na fertilidade, ainda pode ajudar a aliviar os sintomas da TPM e regular os níveis hormonais, devido aos seus componentes nutricionais, rico em vitaminas e antioxidantes, mas, com o passar do tempo, seus benefícios se tornam ainda mais acentuados, favorecendo as mulheres em duas das fases em que elas mais carecem de aportes que ajudem a estabilizar o organismo: a menopausa.

Um estudo clínico, que avaliou os efeitos da maca sobre os sintomas climatéricos de mulheres com menopausa precoce, em comparação a um placebo, apontou um aumento significativo da sensação de bem-estar, causado por um nível maior de energia e menos ocorrências de episódios de dormência muscular, dores de cabeça reduzidas e diminuição da sudorese noturna nas mulheres que usaram a maca.

A raiz amiga das dietas

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Embora este não seja seu apelo principal, a raiz peruana também caiu no gosto da galera fitness. Com 59% de carboidratos, o tubérculo é uma fonte natural e poderosa de energia, tornando-se um ótimo aliado para os amantes de exercícios e academia que desejam potencializar a boa forma. Já sua alta concentração de fibras também promove mais sensação de saciedade por um período prolongado, levando o indivíduo a comer menos, além de facilitar o processo digestivo, fazendo o intestino funcionar corretamente e eliminando o inchaço corporal. Além desses efeitos, que favorecem o emagrecimento, a maca peruana ainda tem pouquíssimas calorias: duas colheres de chá da farinha, por exemplo, possuem apenas 30 calorias. Suas fibras são capazes de reduzir a absorção de gorduras no organismo.

Outros benefícios do tubérculo

Os benefícios da maca peruana não se limitam apenas a saúde sexual, seus nutrientes básicos promovem uma gama de vantagens ao nosso metabolismo. Segundo a nutricionista, além das fibras, sua composição também é rica em nutrientes como Cálcio, Ferro, Ômega 3 e 9, Potássio, Selênio, Vitaminas do Complexo B, C e E, além de Zinco e Aminoácidos.

Carolina reforça que a maca não é somente um estimulante sexual, ela é considerada um superalimento justamente pela sua riqueza nutricional, que promove mais saúde, agindo, por exemplo, contra o envelhecimento precoce, trabalhando para fortalecer o sistema imunológico, auxiliando no emagrecimento, entre outras funções.

A especialista explica que o tubérculo ainda tem um potencial energético capaz de promover mais vigor e ganho de massa muscular “O uso regular da maca também pode resultar em um aumento da resistência física e melhora do desempenho em exercícios e atividades esportivas. A fadiga também é reduzida sob o uso deste alimento”, aponta a profissional.

MACA peruana

“Como é extremamente difícil de encontrar a raiz natural fora do Peru, a maneira mais segura de consumir é por meio  do uso de farinhas, suplementos e comprimidos do extrato da maca peruana, que oferece praticidade, sem alterar suas propriedades nutricionais. Vale lembrar que é essencial consultar um especialista habilitado antes de iniciar qualquer mudança na dieta, especialmente no caso de idosos, gestantes, lactantes, crianças e nutrizes”, finaliza a nutricionista.

Fonte: Ailo

 

Novo exame avalia a ancestralidade de doadoras de óvulos

Um teste que avalia 700 mil regiões do DNA das doadoras pode confirmar as contribuições das diferentes etnias, dando mais segurança a respeito das características étnicas que podem ser passadas à criança proveniente desses óvulos; ele vem se juntar ao teste genético preconcepcional – TGP, que é capaz de identificar e prevenir a transmissão hereditária de doenças genéticas

De todos os diagnósticos conhecidos, o mais difícil de ser aceito pela mulher é o da ausência de óvulos capazes de serem fertilizados, isto é, que o ovário não possui mais óvulos capazes de gerarem filhos. É um momento de decepção, pois ela acredita que não será mais possível ser mãe. Esse fato pode ocorrer em mulheres jovens, com falência ovariana prematura, também chamada de menopausa precoce; em casos de cirurgias mutiladoras, em que são retirados os dois ovários; em idade avançada, quando os óvulos produzidos não formam embriões de boa qualidade; ou na própria menopausa na idade certa (ao redor dos 50 anos), época em que não existem mais óvulos.

A solução para todos esses casos é a doação de óvulos. Essas mulheres podem ser mães e gerar o(s) filho(s) no próprio ventre, tendo um bebê fruto dos espermatozoides do marido com um óvulo de uma mulher doadora.

O primeiro impacto dessa proposta de tratamento para essas pacientes é sempre de indignação, acompanhada de comentários como: “Então esse filho não será meu”, “Essa criança não terá as minhas características, nem o meu DNA”, entre outros. Essas afirmações são feitas por quase todas as mulheres em uma fase inicial. Mas, após um período de reflexão e conhecimento, retornam, aceitando essa opção para ter os filhos.

A doação de óvulos é um tratamento sigiloso, que é do conhecimento exclusivo do médico e do casal. As doadoras devem ser anônimas, isto é, não podem ser da própria família nem conhecidas do casal. Normalmente, as mulheres não divulgam a informação que a gravidez é proveniente de óvulos doados. Portanto, uma grande preocupação que se tem é da doadora ter o máximo de semelhança física com a receptora.

“No IPGO, a candidata a doadora, além de um exame clínico e laboratorial rigoroso, deve preencher um questionário detalhado sobre sua vida pessoal e médica, incluindo informações sobre antecedentes e características familiares. Detalhes físicos como peso, estatura, tipo e cor dos cabelos, cor dos olhos e da pele são incluídos nesse questionário, acompanhados de uma foto de quando era criança, para que a receptora tenha uma ideia da fisionomia de quem lhe doará os óvulos. Assim, ela se sentirá mais segura, e sem o risco de um reconhecimento futuro”, afirma Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO..

Entretanto, considerando a grande miscigenação da população brasileira, mulheres muito parecidas podem ter genes de outras etnias que, no filho, podem se manifestar, tendo o bebê características muito diferentes da família da receptora. Um novo exame pode dar mais segurança na escolha da doadora: o teste de ancestralidade global. “Nele, são analisados 700 mil regiões do DNA de todos os cromossomos . O teste estima a ancestralidade global do indivíduo, fornecendo valores percentuais para a localização biogeográfica do material genético do indivíduo testado. Essa ancestralidade identificada na análise sofre influência de até 5 gerações (até o 16º trisavó/vô)”, explica o especialista.

O resultado do teste irá conter as porcentagens de cada ancestralidade genética que o indivíduo possui, por exemplo: 40% europeu, 20% oriente médio, 20% africano, 20% indígena, com as subdivisões dentro de cada continente (por exemplo, o teste pode indicar que destes 40% europeu, 20% são do leste europeu e 20% são das ilhas britânicas).

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Imagem: Pixabay

A lista de todas as etnias que o Teste de Ancestralidade Global analisa segue abaixo:

– América do Sul
– Américas do Norte e Central
– Ásia Central
– Ásia Menor
– Centro-Sul da Ásia
– Escandinávia
– Europa Ocidental e Central
– Finlândia
– Ibéria
– Ilhas Britânicas
– Judeu Asquenazi
– Judeu Sefardita
– Leste da África Central
– Leste do Oriente Médio
– Leste Europeu
– Nordeste da Ásia
– Norte da África
– Oceania
– Oeste da África
– Oeste do Oriente Médio
– Sibéria
– Sudeste da Ásia
– Sudeste Europeu
– Sul da África Central

Com esse exame, o casal receptor tem a confirmação das etnias que a doadora tem no DNA dela, aumentando a chance de uma criança com características físicas semelhantes à família da receptora.

 

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Teste genético para doadoras de óvulos

O teste genético preconcepcional (TGP) é capaz de identificar e prevenir a transmissão hereditária de doenças genéticas. Doadoras de óvulos podem, eventualmente, carregar mutações de doenças genéticas recessivas que só se manifestam quando os dois genes (recebidos do pai e da mãe) estão alterados. Quando apresentam somente um gene alterado, isso não trará problema para elas, mas caso o pai também tenha essa mutação, a criança poderá receber os dois genes com mutação e, assim, manifestar a doença. “A maior frequência dessas alterações ocorre quando se combinam cargas genéticas similares, como, por exemplo, nos casamentos consanguíneos, pois aumenta a chance dos dois parceiros terem a mesma mutação. O TCP é capaz de evitar essas doenças no futuro do bebê, antes do tratamento de fertilização, pela identificação de genes e as possíveis mutações”, afirma Cambiaghi.

O teste genético

O teste genético corresponde à análise do DNA do indivíduo, que é considerado um banco de dados químico que carrega instruções para as funções do corpo. É usado para identificar pessoas que tenham uma cópia de uma mutação do gene que, quando presente em duas cópias, causa uma doença genética. Portadores geralmente não têm risco de desenvolver a doença, mas um risco de transmitir a mutação genética para seus descendentes.

“Os testes genéticos podem revelar mudanças ou alterações nos genes que podem detectar a vulnerabilidade para determinadas doenças hereditárias. Os resultados de um teste genético podem confirmar ou descartar uma condição genética suspeita ou ajudar a determinar a chance de uma pessoa desenvolver ou transmitir uma doença genética”, alerta o médico.

O teste da doadora (portadora)

O teste é usado para identificar doadoras que carreguem uma determinada cópia de uma mutação do gene que, quando estiver presente em duas cópias (óvulo da doadora e sêmen do pai), causa uma doença genética. Essas doenças genéticas são classificadas como recessivas. Isto quer dizer que para que se desenvolva, precisa haver alteração nos dois genes (aquele herdado do pai e da doadora). Se apenas um deles estiver alterado, não haverá doença e este indivíduo será considerado apenas portador.

“O teste de portador deve ser realizado na doadora antes do processo de fertilização. Caso apresente mutação em algum gene, o marido poderá pesquisar também se possui essa mutação específica ou uma nova doadora deverá ser escolhida”, finaliza Cambiaghi.

Exemplos:

Afro-americanos podem ser triados para anemia falciforme (doença do sangue na qual as células sanguíneas são em forma de foice e têm dificuldade de viajar livremente através dos vasos sanguíneos, causando dor e anemia).
Pessoas com ascendência mediterrânea, africana e do sudeste asiático podem ser rastreados para a talassemia (grupo de doenças genéticas de sangue, todas relacionados com a hemoglobina, a parte dos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio).
Judeus Ashkenazi, de ascendência europeia, são normalmente testados para garantir que não são portadores da doença de Tay-Sachs (afeta as células nervosas do cérebro e pode ser fatal).
Teste de fibrose cística é particularmente importante para aqueles que são caucasianos de ascendência europeia – 1 em 25 é portador da doença. Também importante ser pesquisado no casal quando o homem tem azoospermia por defeito no ducto deferente.
Casais com história familiar de doenças hereditárias – como a distrofia muscular ou hemofilia – podem ser testados para riscos específicos.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é Diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica

Especialista em fertilização alerta sobre riscos da inseminação caseira

Processo feito em casa pode resultar em doenças sexualmente transmissíveis, endometriose e malformação genética do feto

A ansiedade e pressa. Esses dois fatores estão presentes quando casais, ou pessoas que optam por uma produção independente, querem o quanto antes realizarem o sonho de carregar um filho nos braços. Para baratear custos ou encurtar caminhos, há quem abra mão de métodos científicos e seguros e optam por alternativos, como a inseminação caseira. Entretanto, a maioria desconhece os riscos envolvidos quando o procedimento não é realizado por profissionais especializados.

De acordo com o médico Armando E. Hernandez- Rey, especialista em infertilidade e endocrinologia reprodutiva e diretor clínico da Conceptions Florida, todos os inúmeros exames e estudos minuciosos são fundamentais para que se possa chegar, de forma saudável, ao resultado esperado.

“Causa muito espanto o crescimento de um movimento incentivando mulheres a praticarem inseminação caseira. Elas não fazem ideia do perigo a que estão sendo expostas, desde problemas como endometriose, cistite e até DST, sem contar os riscos ao feto devido à falta de cuidados com o esperma e a ausência de testes genéticos”, alerta.

Há quem forneça exames que comprovem o atual estado de saúde, mas somente um especialista pode comprovar a sua autenticidade. “Como saber se são verídicos? O barato pode custar a sua vida, seu sonho, bem-estar além de implicações jurídicas futuras”, destaca Armando.

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Há diversas implicações ao se fazer um procedimento caseiro. “Nas clínicas, além de serem realizados uma extensa avaliação do homem para doenças sexualmente transmissíveis (DST), o esperma é processado para que seja mais eficiente. Fazer por conta própria raramente dá certo, uma vez que não são removidas as prostaglandinas, um componente químico que causa contrações, dificultando o caminho do espermatozoide dentro do útero”, explica o especialista.

Inseminações em geral possuem apenas 20% de chances de sucesso em mulheres sem problemas de fertilidade. “São necessárias várias tentativas em sequência, mesmo dentro do período fértil”, revela Armando.

Outro ponto que deve ser levado em consideração são as questões genéticas. “As pessoas também deveriam considerar este tema, especialmente em se tratando de populações semelhantes”, alerta o diretor da clínica Conceptions Flórida. A falta de mistura genética geralmente resulta em problemas congênitos, e isso é um risco uma vez que um mesmo homem poderá engravidar diversas mulheres numa região pequena, ocasionando problemas futuramente quando esses bebes tiverem seus filhos.

Segundo o especialista em reprodução e endocrinologista, uma família normalmente tem alguns genes recessivos e outros dominantes presentes e todos os seus integrantes. Quando esses genes se juntam (recessivo com recessivo e/ou dominante com dominante), surgem os problemas genéticos. “Além disso, ainda há uma baixa variedade genética, que acentua as características específicas de uma população, por exemplo, maior risco de doenças cardíacas, certos tipos de câncer, problemas renais, dislipidemia etc “, ressalva.

Por todas essas questões citadas, o mais seguro para quem busca um doador é recorrer aos centros de saude especializados porque o processo de fertilização in vitro permite remover algumas células de um embrião e testar as reais condições genéticas antes de transferir para o útero, através de processos como oMapeamento Genético Pré-Implantação (PGS) e o Diagnóstico Genético Pré-Implantação (PGD), que estão se tornando cada vez mais comuns em pacientes que estão no processo da FIV.

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

Enquanto o PGD permite checar para problemas mais específicos, como anemia falciforme ou fibrose cística, o PGS rastreia mutações genéticas, como Síndrome de Down ou Klinefelter. A verificação é indicada nos casos de idade materna avançada, acima de 38 anos, pacientes com repetidas FIVs frustradas, abortos recorrentes e aqueles que possuem translocações cromossômicas.

Armando Hernandez–Rey é professor clínico assistente na Universidade Internacional da Florida – Herbert Wertheim Faculdade de Medicina e trabalha como revisor na prestigiada Fertilidade e Esterelidade

Vitamina D pode influenciar em tratamentos de fertilidade?

Uma nova análise concluiu que existe uma relação entre o status de vitamina D da mulher e a taxa de sucesso do tratamento de reprodução assistida. A infertilidade é uma questão comum e angustiante, e afeta cerca de 6,1 milhões de casais só nos Estados Unidos. Isso é cerca de 10% de todos os casais em idade fértil.

Ao longo dos anos, os tratamentos de reprodução assistida – incluindo a fertilização in vitro (FIV) e a medicação de fertilidade – tornou-se muito mais generalizada e as taxas de sucesso aumentaram. Como exemplo, dependendo da idade da mulher e da clínica envolvida, as taxas de sucesso de FIV nos EUA variam de 13% a 43%.

“Houve um aumento inicial nas taxas de sucesso graças a métodos aprimorados de escolha de embriões com as maiores chances de sobrevivência. Mas, mais recentemente, as taxas de sucesso começaram a estagnar”, afirma Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO.

Vitamina D e reprodução

Os pesquisadores acreditam que há margem para melhorar as taxas de sucesso dos tratamentos. Uma série de fatores potenciais está sendo explorado e alguns cientistas voltaram sua atenção para o papel potencial da vitamina D.

A grande maioria do nosso suprimento de vitamina D é gerada em nossa pele após a exposição à luz solar. Isso significa que os indivíduos que vivem em ambientes mais frios ou mais escuros são mais suscetíveis a menores níveis, assim como as pessoas com pele mais escura, aqueles que regularmente usam roupas cobrindo a maioria da pele e aqueles que raramente vão para fora.

Uma ligação entre a vitamina D e a fertilidade tem sido teorizada com base em uma série de observações. Por exemplo, os receptores e as enzimas da vitamina D foram encontrados no endométrio. Além disso, em estudos com animais, a deficiência de vitamina D causa menor fertilidade e menor função dos órgãos reprodutores. Em humanos, a deficiência de vitamina D mostrou aumentar o risco de pré-eclâmpsia, hipertensão induzida pela gravidez, diabetes gestacional e menor peso ao nascer.

Pesquisadores da Universidade de Birmingham no Reino Unido decidiram dar uma olhada nos dados existentes para investigar ainda mais. Eles realizaram uma análise, reabriram 11 estudos, incluindo 2.700 mulheres submetidas a tratamentos. Suas descobertas foram publicadas na revista Human Reproduction.

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Imagem: Nursing.com

Deficiência de vitamina D e menores taxas de sucesso

Os estudos destacados envolveram mulheres submetidas à FIV ou injeção intracitoplasmática de esperma, transferência de embriões congelados ou ambos. Todos os níveis de vitamina D dos participantes foram verificados por exame de sangue. As concentrações de vitamina D de mais de 75 nanomol/l de sangue foram consideradas suficientes, inferiores a 75 nanomol/l de sangue como insuficientes e menos de 50 nanomol/l de sangue como deficientes.

A análise mostrou que os procedimentos em mulheres com níveis adequados de vitamina D eram um terço mais propensos a causar partos vivos do que em mulheres que eram deficientes. Quando os pesquisadores analisaram testes de gravidez positivos e gravidezes clínicas – ou seja, onde um batimento cardíaco pode ser detectado – em vez de nascimentos vivos, os resultados foram semelhantes.

Quando comparados com as mulheres que tinham concentrações insuficientes de vitamina D, aqueles com quantidades suficientes eram 46% mais propensos a ter uma gravidez clínica e 34% mais propensos a ter um resultado de teste de gravidez positivo. A análise não mostrou associação entre aborto e concentrações de vitamina D.

Uma descoberta surpreendente foi a alta prevalência de deficiência de vitamina D entre essas mulheres. Foi descoberto que apenas 26% das mulheres nos estudos tinham concentrações suficientes de vitamina D, 35% tinham concentrações deficientes e 45% tinham concentrações insuficientes.

Os pesquisadores são rápidos em explicar as limitações do estudo. O líder da equipe diz que embora uma associação tenha sido identificada, o efeito benéfico da correção da deficiência ou insuficiência de vitamina D precisa ser testado por meio da realização de um ensaio clínico. Também fala de uma nota importante de cautela para que as mulheres que desejam alcançar uma gravidez bem sucedida não corram para a farmácia para comprar suplementos de vitamina D até que saibam mais sobre seus efeitos.

Existe a possibilidade de overdose de vitamina D e isso pode levar a maior taxa de calcificação no corpo, o que pode enfraquecer os ossos e danificar o coração e os rins. Esta análise atual sustenta a teoria de que a vitamina D desempenha um papel importante na fertilização e na gravidez. No entanto, o teste de vitamina D é relativamente simples e econômico, e com isso as expectativas em torno dela aumentam.

mulher grávida

Outros estudos sobre vitamina D

Cambiaghi cita outra pesquisa sobre o tema: “A vitamina D pode ajudar a desacelerar o processo de envelhecimento das células e tecidos, de acordo com pesquisadores britânicos. Um trabalho científico do King›s College London chefiado pelo médico Brent Richards e publicado no American Journal of Clinical Nutrition, avaliou 2.160 mulheres com idades entre 18 e 79 anos, e verificou a concentração de vitamina D no sangue, comparando esse dado ao comprimento dos telômeros*. Foi observado que as mulheres com níveis mais altos de vitamina D no organismo tinham maior probabilidade de ter telômeros mais longos em suas células. Este estudo ainda não chega a comprovar causa e efeito, mas acredita-se que a vitamina D pode aumentar a atividade da telomerase**”.

“Direta ou indiretamente, a vitamina D controla mais de 200 genes, responsáveis pela integridade da resposta imunológica. As fontes alimentares não são suficientes para suprir a necessidade diária, mesmo havendo o consumo desses alimentos, a exposição solar é necessária para que ocorra a conversão da vitamina D em sua forma ativa para o organismo O Instituto Linus Pauling – Instituto de pesquisa de Micronutrientes para saúde/Universidade do Estado de Oregon – recomenda a exposição de 5 a 10 minutos ao sol diariamente sem proteção, no período de menor intensidade solar”, aconselha Cambiaghi.

Porém, ele lembra que não podemos esquecer que as radiações solares provocam manchas e apressam o envelhecimento cutâneo, além de constituir a principal causa do câncer de pele, portanto deve-se ter cuidado com exposição solar em excesso.

“As fontes naturais mais ricas em vitamina D são os óleos de fígado de peixe, salmão, sardinha, cavalinha, aveia, gema de ovo e produtos fortificados com vitamina D. Os vegetais e as frutas possuem baixo teor de Vitamina D, porém é fundamental que o consumo destes alimentos seja mantido devido a sua importância nutricional para a saúde como um todo”, finaliza o especialista.

*Os telômeros ou telómeros (do grego telos, final, e meros, parte) são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de DNA que formam as extremidades dos cromossomos, que são os componentes do núcleo da célula responsáveis pela transmissão das características hereditárias. Sua principal função é manter a integridade estrutural do cromossomo.
** telomerase é uma enzima que funciona como protetor dos telômeros e tem influência crucial nos tipos de células; foi descoberta por Liz Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, que receberam o Premio Nobel em 2009

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é Diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica