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Por que fumar em filmes influencia as crianças?

Não há desculpa para continuar a exibir cenas de tabagismo em filmes que são feitos para crianças

Queremos acreditar que estamos criando nossos filhos para pensar por si mesmos, e não para escolher coisas não saudáveis, só porque “as crianças legais” estão fazendo isso ou aquilo. Mas pesquisas mostram que, quando se trata do tabagismo, as crianças são fortemente influenciadas por algumas pessoas que consideram “mais legais” que outras: os atores dos filmes.

“Há um relacionamento de dose-dependência: quanto mais as crianças veem fumantes nas telas, é mais provável que fumem”, disse Stanton Glantz, professor e diretor da Universidade da Califórnia, São Francisco, do Centro de Pesquisa e Educação em Controle do Tabaco. Ele é um dos autores de um novo estudo que descobriu que os filmes populares estão mostrando mais o uso do tabaco nas telas.

“As evidências mostram que esse é o maior estímulo único para fumar, superando o exemplo dos pais, a influência dos amigos ou até mesmo a publicidade de cigarros”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski.

Os estudos epidemiológicos demonstram que se você controla todos os outros fatores de risco para o tabagismo (se os pais fumam, atitudes em relação à tomada de risco, status socioeconômico e assim por diante), os adolescentes mais jovens que estão mais expostos ao tabagismo nos filmes apresentam de duas a três vezes mais probabilidade de começar a fumar em comparação com as crianças expostas levemente aos mesmos estímulos.

Aqueles cujos pais fumam são mais propensos a fumar, defendem as pesquisas, mas a exposição ao tabagismo nos filmes pode superar o benefício de ter pais que não fumam. Em um estudo, filhos de pais que não fumavam, com uma forte exposição ao tabagismo nos filmes, eram tão propensos a fumar quanto os filhos de pais que fumavam com forte exposição ao tabagismo nos filmes. Para Glantz e  os outros pesquisadores do tema, isso faz do tabagismo nos filmes uma “toxina ambiental”, um fator que ameaça as crianças.

“Não há desculpa para continuar a exibir cenas de tabagismo em filmes que são feitos para crianças e, portanto, o objetivo de saúde que temos é que esse seja um tema controlado”, defende Chencinski.

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Filme com Tina Fey, Uma Repórter em Apuros (Whiskey Tango Foxtrot), tem mais de 50 citações ao tabaco

O pesquisador Glantz mantém um site chamado Smoke Free Movies. “A pressão social é para que os estúdios se policiem. O sistema de classificação dos filmes precisa começar a considerar o tabagismo como uma obscenidade proscrita”, defende o pesquisador.

A ficha informativa dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças sobre o tabagismo nos filmes estima que esse controle pouparia 18% dos 5,6 milhões de jovens que morreriam de doenças relacionadas ao tabaco – um milhão de vidas. “Não há nada que você possa fazer que seja tão barato e economize tantas vidas”, defende Glantz.

Fenômeno global

O fato foi estudado em 17 países diferentes e, embora as políticas variem amplamente e as culturas sejam muito diferentes, os resultados são notavelmente similares. “Constata-se, consistentemente, um risco de duas a três vezes maior em crianças que são expostas ao tabagismo na tela, em todo o mundo”, diz  Chencinski.

Até cinco anos atrás, as pessoas que se preocupam com o impacto do tabagismo nas telas sobre os jovens pensaram que as coisas estavam bem. Nos filmes classificados para o público jovem houve uma queda constante no número de incidências de tabaco na tela. Em 2012, convencido por uma grande variedade de evidências científicas, o Surgeon General emitiu um relatório dizendo explicitamente que ver pessoas fumando em filmes faz com que as crianças comecem a fumar: “estudos longitudinais descobriram que os adolescentes cujas estrelas de cinema favoritas fumam na tela ou que estão expostos a uma grande quantidade de filmes que retratam fumantes apresentam alto risco de fumar”.

Mas depois de 2010, apesar das evidências acumuladas, a taxa de tabagismo cinematográfico começou a aumentar nos filmes indicados para a juventude, de acordo com o novo estudo, publicado no Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade dos CDC, que analisou o tabaco em filmes de alta demanda de 2010 a 2016.

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Cena de 101 Dálmatas com Glenn Close interpretando Cruella de Vil

Quando comparamos 2010 a 2016, houve uma ligeira diminuição no número de filmes, mas um aumento no número de incidentes com tabagismo. O número de vezes que um ator usou um produto de tabaco, em um filme para a juventude, aumentou 72% entre todos os filmes. Em outras palavras, até 2016, havia mais incidentes de tabaco concentrados em menos filmes.

“Os filmes indicados para a juventude hoje continuam a considerar aceitável o uso do tabaco, mas já sabemos que isso é prejudicial e faz com que a juventude seja sujeita a essa influência nociva. A frequência do uso do tabaco nos filmes deve ser uma preocupação de saúde pública”, diz o pediatra.

As políticas que os estúdios implementaram em relação à questão claramente não são suficientes. Então, o que pode ser feito? “Uma mudança possível seria avaliar filmes com uso de tabaco com mais restrições de público. Outra medida que pode ajudar são os estúdios não aceitarem merchandising de produtos e marcas de tabaco reais na tela. Todas essas estratégias são apoiadas pela American Academy of Pediatrics, que emitiu uma declaração classificando o novo estudo como alarmante”, finaliza Chencinski.

Fonte: Moises Chencinski

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Brasil reduz em 42% número de fumantes passivos no ambiente familiar*

Durante apresentação dos avanços de combate ao fumo, Ministério da Saúde e INCA reiteram posicionamento a favor da proibição de aditivos em cigarros que aguarda julgamento do STF

Os brasileiros estão cada vez fumando menos em casa e expondo os familiares aos riscos do tabagismo passivo. Foi o que apontou a última edição da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Em oito anos, o índice registrou queda de 42,5% no número de fumantes passivos no domicílio, caindo de 12,7%, no ano de 2009, para 7,3% no ano passado. O dado foi divulgado nesta terça-feira (29), pelo Ministério da Saúde, em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Fumo.

Entre as capitais, todas apresentaram queda, com destaque para Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC). Aracaju (5,1%) teve a menor incidência de fumantes passivos em domicílio, no ano passado. Já Porto Alegre (RS) apresentou o maior percentual (10,4%), no mesmo período. A frequência de fumantes passivos no domicílio foi mais alta entre os mais jovens (18 a 24 anos), em ambos os sexos. A pesquisa foi feita por telefone nas 26 capitais e no Distrito Federal e contou com 53.210 entrevistas.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, comemorou a redução e destacou que as ações da pasta não vão parar. “Continuaremos investindo nessa área e ampliando a divulgação das campanhas. Vamos também orientar as crianças por meio do Saúde na Escola, criando resistência a esse início do vício de fumar que acontece, principalmente, na adolescência”, ressaltou.

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A queda no número de fumantes passivos em domicílio vem junto com a redução de fumantes no país. Nos últimos 10 anos, houve redução de 35% no número de usuários de produtos derivados do tabaco. A prevalência caiu de 15,7% em 2006, para 10,2% em 2016. Quando separado por gênero, a frequência de fumantes hoje é maior no sexo masculino (12,7%) do que no feminino (8%). Se analisado por faixa etária, a pesquisa mostra que a frequência de fumantes é menor entre os adultos jovens antes dos 25 anos (7,4%), ou após os 65 anos (7,7%) e maior na faixa etária dos 55 a 64 anos (13,5%).

O tabagismo passivo é causa de doenças e morte. Em 2015, o Ministério da Saúde registrou 17.972 óbitos, sendo uma das principais causas de mortes atribuíveis ao tabaco. Ser fumante passivo significa inalar fumaça de cigarros (ou outros produtos derivados do tabaco) por pessoas que não fumam. Essa fumaça se difunde no ambiente e faz com que as pessoas ao redor inalem a mesma quantidade de poluentes que os fumantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2013, o tabagismo passivo foi a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e para o consumo excessivo de álcool.

Estudos comprovam que os efeitos imediatos da poluição ambiental pela fumaça do tabaco não são apenas de curto prazo, como irritação nasal e nos olhos, dor de cabeça, irritação na garganta, vertigem, náusea, tosse e problemas respiratórios. Essa exposição também está relacionada ao aumento do risco de câncer de pulmão, de infarto, e de várias outras doenças graves e fatais relacionadas ao tabagismo.

A diretora do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Ana Cristina Pinho, destacou a importância do Dia Nacional de Combate ao Fumo. “A data é para reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população brasileira para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. Essa foi a primeira legislação em âmbito federal relacionada à regulamentação do tabagismo no Brasil, inaugurando a normatização voltada para o controle do tabagismo como um problema de saúde coletiva e que completa hoje 30 anos”, afirmou.

Como parte da política de combate ao tabagismo, o SUS oferece tratamento gratuito para fumantes nas Unidades Básicas de Saúde. São ofertados adesivos, pastilhas e gomas de mascar. Apenas com esses tratamentos, o Ministério da Saúde gastou R$ 23,7 milhões.

Aditivos

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Durante a comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional do Câncer (INCA) reiteram o posicionamento a favor da proibição de aditivos em cigarros, usados com o a finalidade principal de facilitar a iniciação de jovens ao tabagismo.

A divulgação do posicionamento antecede o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) nº 4874 contra uma resolução da Anvisa de 2012 (RDC 14) que restringe o uso de aditivos. A indústria do tabaco conseguiu liminar em 2013 para dar continuidade à oferta. Essas substâncias dão sabores mentolados e adocicados aos cigarros e diminuem a aversão, na primeira experimentação, à fumaça e ao gosto ruim do tabaco.

Para a diretora do Departamento deVigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde, do Ministério da Saúde, Fátima Marinho, é de suma importância o STF proibir essa ação. “Para reduzir a experimentação em adolescentes, transformar o produto em uma coisa menos atrativa, menos saborosa, é fundamental acabar com os aditivos. Porque o adolescente que ao aderir o consumo vai se tornar, provavelmente, um adulto fumante”, destacou.

Embora os fabricantes tentem passar a ideia de que licores e outros aditivos para dar sabor aos cigarros são inócuos, estudos mostram que eles podem se transformar em substâncias tóxicas e cancerígenas durante a queima. É o caso do açúcar, que, ao sofrer combustão, transforma-se em acetaldeído, uma substância cancerígena e neurotóxica.

A posição dos órgãos é que a RDC 14 da Anvisa é fundamental para reduzir a experimentação entre adolescentes e continuar a queda do contingente de fumantes no país, bem como o impacto das doenças relacionadas ao tabaco sobre os cofres públicos.

Exposição/livro

Como parte da cerimônia do Dia Nacional de Combate do Fumo, foi inaugurada a exposição “INCA: 80 anos de História na Saúde Pública no Brasil” no túnel que liga o prédio principal do Ministério Saúde ao edifício anexo, em Brasília. Criada em parceria com a Fiocruz, a mostra lembra as primeiras iniciativas do combate ao câncer no Brasil e registra a contribuição de alguns personagens fundamentais na trajetória do Instituto. Os painéis contam a história da criação do INCA e a evolução até tornar-se referência no controle ao câncer.

Também será lançada a publicação “Dia Mundial sem Tabaco e Dia Nacional de Combate ao Fumo: Catálogo de campanhas 1997-2017”. Trata-se de um resumo histórico das campanhas promovidas pelo INCA nos últimos 20 anos. O projeto inclui ainda o Artigo 4º da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, com o qual se relaciona o tema das campanhas e ações de comunicação e informação.

*Por Victor Maciel, da Agência Saúde e Ascom INCA

Hospital oferece suporte a pacientes que desejam parar de fumar

Para auxiliar pessoas que desejam parar de fumar, o Hospital Samaritano Higienópolis (São Paulo) acaba de criar um Centro de Atenção ao Tabagismo. Atualmente, 25 milhões de brasileiros são fumantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o consumo de tabaco é a principal causa de mortes evitáveis no mundo, responsável por 63% dos óbitos relacionados a doenças crônicas não transmissíveis. Apenas em São Paulo, de acordo com o Ministério da Saúde, 14,1% da população é fumante.

Formado por uma equipe multidisciplinar e com atuação baseada em terapia cognitivo-comportamental, o centro oferece um programa que inclui quatro sessões de debate em grupos de até três pessoas, seguidas de consulta individual com pneumologista, mais duas sessões individuais com psicóloga e nutricionista.

“Os encontros têm intervalo de uma semana e cada um deles tem foco em uma das fases do processo de cessação do tabagismo, que podem ser muito estressantes, mesmo para aquele paciente que está decidido a parar de fumar. O acompanhamento de psicólogo e nutricionista tem o objetivo de dar suporte a essas pessoas em todo o ciclo que envolve essa escolha, prevenindo a troca do vício por uma compulsão alimentar, por exemplo”, destaca Igor Bastos Polonio, coordenador do Centro de Atenção ao Tabagismo do Samaritano Higienópolis.

Durante o tratamento, são abordados temas como a relação da pessoa com o tabagismo (quando iniciou, quantos cigarros fuma por dia etc.), o motivo que a fez buscar o tratamento e as principais dificuldades encontradas na interrupção do vício. Além disso, logo no início do programa – entre a primeira e a segunda sessões –, é solicitado ao paciente que estabeleça uma data para deixar de vez o cigarro.

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Os participantes também aprendem técnicas de respiração para relaxamento e recebem orientação para evitar crises de abstinência e recaídas. Por fim, os pacientes têm acesso a informações sobre as alterações positivas que ocorrem no organismo uma vez que parem de fumar.

“Não há quantidade segura de nicotina que uma pessoa possa consumir por dia – a partir de um cigarro, a incidência de infarto, por exemplo, aumenta. Já os benefícios da cessação do tabagismo ocorrem em qualquer idade e sempre há redução de risco das doenças relacionadas ao tabaco, que são mais de 60, como alguns tipos de câncer e enfisema pulmonar”, explica Polonio, que é doutor em Pneumologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e professor da disciplina na Faculdade da Santa Casa de São Paulo.

Fonte: Hospital Samaritano Higienópolis

O Fumo e a infertilidade, por Arnaldo Cambiaghi*

Fumar é considerado por muitos como a causa de doenças e mortes mais previsíveis do ser humano. A maioria das pessoas que fuma não tem consciência que este vício provoca dependência e causa males à saúde que se agravarão no decorrer de suas vidas. A sensação que prevalece entre os fumantes é a diminuição da ansiedade e do estresse. Consideram um antidepressivo que ameniza “os aborrecimentos”. Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que o uso do tabaco acarreta, aproximadamente, 5 milhões de óbitos por ano, ou seja, 10 mil falecimentos por dia.

Se o ritmo atual de consumo for mantido, o número atual de mortos poderá alcançar 10 milhões por ano em 2020. No Brasil, calcula-se que 17,4% da população é fumante, sendo que a maioria é adolescente. São 2,7 milhões de consumidores de cigarros que têm idade entre 12 e 17 anos. Quanto mais cedo se inicia o uso do fumo, maior será a possibilidade do aumento de quantidade de cigarros por dia. O crescimento tende a ser progressivo. No Brasil, são 200 mil mortes a cada ano.

Aproveitando o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje, 29 de agosto, é importante destacar que quando se menciona o “fumo”, não é só do cigarro que se está falando, mas também de outros produtos provenientes do tabaco como: charutos, narguilé, cachimbo, fumo de mascar etc. Todos têm efeitos nocivos semelhantes. Maiores ou menores, mas sempre prejudiciais à saúde.

Os estudos que avaliam os efeitos maléficos do fumo são contínuos e frequentemente são descobertos novos inconvenientes à saúde do ser humano, além das evidências já conhecidas, permanentes e debatidas, que causam quase 50 doenças diferentes, principalmente as cardiovasculares (infarto, angina), o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas (enfisema e bronquite), a infertilidade e outras.

Cigarro e Fertilidade

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

O cigarro é considerado o veneno reprodutivo mais potente do século 21. Vários estudos científicos comprovam seu efeito deletério sobre a saúde reprodutiva.

A fumaça do cigarro contém centenas de substâncias tóxicas, incluindo a nicotina, monóxido de carbono, polônio radioativo, alcatrão, colesterol, fenol, ácido fórmico, ácido acético, chumbo, cádmio, zinco, níquel, benzopireno e substâncias radioativas, as quais afetam a função reprodutiva em vários níveis, como a produção dos espermatozoides, motilidade tubária (importante para a captação do óvulo que sai do ovário no momento da ovulação), a divisão das células do embrião, formação do blastocisto (embrião com mais de 64 células) e implantação.

Mulheres fumantes também podem apresentar maior incidência de irregularidade menstrual e amenorreia (falta de menstruação). A fertilidade é reduzida em 25% nas mulheres que fumam até 20 cigarros ao dia, e 43% naquelas que fumam mais de 20 cigarros, ou seja, o declínio da fertilidade tem relação direta com a dose de nicotina.

Durante a gestação, o fumo pode aumentar a incidência de placenta prévia (placenta baixa), descolamento prematuro da placenta e parto prematuro.

Deve-se sempre estimular as pessoas a parar de fumar, especialmente os casais que estão tentando engravidar e, principalmente, homens nesta situação que apresentam contagem de sêmen no limite inferior da normalidade. Entretanto, mesmo com contagem de sêmen normal, o fumo deve ser desencorajado.

Efeitos do cigarro sobre a fertilidade (publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva-ASRM)

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* Homens e mulheres fumantes têm chances três vezes maiores de sofrer de infertilidade quando comparados àqueles que não fumam.
* Tentando estabelecer uma relação causal, os estudos atuais mostram que 13% da infertilidade feminina podem ser atribuídas ao cigarro. Lembrando que 10 cigarros por dia já são suficientes para prejudicar a fertilidade.
* Mulheres tabagistas crônicas entrarão mais cedo na menopausa (um a quatro anos antes), o que pode ser atribuído à aceleração da diminuição do estoque de óvulos.
* O hábito de fumar está associado a um aumento no risco de abortamento (aumenta em até 27%) e gravidez ectópica (gravidez nas tubas).
* O cigarro na gravidez prejudica a fertilidade do filho homem.
* Filhos de mães fumantes têm dificuldade no aprendizado escolar.
* Filhos de pais fumantes têm maior chance de desenvolver câncer.
* Mutação genética é um possível mecanismo pelo qual o cigarro pode afetar a fecundidade e a função reprodutiva.
* Estudos científicos demonstraram que mulheres fumantes precisam de duas vezes mais tentativas de Fertilização in vitro que as não fumantes, além de necessitar, nos tratamentos, de uma quantidade maior de medicamentos.
* Homens que fumam têm muito mais espermatozoides anormais que os não fumantes, e a porcentagem de espermatozoides anormais está diretamente ligada ao número de cigarros fumados por dia.
* Fumantes passivos (tanto homens como mulheres) com exposição excessiva ao cigarro também têm maior incidência de todas as alterações descritas acima.

Por que as pessoas começam a fumar?

Os adolescentes fumam por pressão de amigos e colegas, imitação, manifestação de independência, rebeldia ou para sentir-se uma “figura mais importante” no grupo de relacionamento. Os adultos pelo vício e efeito calmante, e muitos continuam pelo medo de engordar. As empresas produtoras de cigarros buscam nos jovens os “substitutos” dos adultos que deixam de fumar ou que já morreram pelas complicações do fumo. Conhecem suas motivações e as estimulam por meio de propagandas que utilizam jovens atraentes e bem sucedidos, numa idade desejável e esplendorosa, realizando ações de liberdade em paisagens deslumbrantes e excitantes.

As empresas publicitárias conhecem o perfil deste público jovem: vivem o presente, anseiam por liberdade, valorizam a amizade e a imagem pessoal, são sedutores, amantes da natureza e gostam de aventura.

Os pais podem ajudar muito os jovens a não iniciar a prática do fumo. Mesmo em um ambiente onde existe a pressão dos anúncios publicitários e amigos que forçam este hábito, o exemplo em casa, um bom relacionamento familiar com diálogos esclarecedores, podem ser decisivos para que se evite a continuidade deste costume.

Em vários países, campanhas antitabagismo retratando os males do fumo têm ajudado a desencorajar os entusiastas deste vício. Muitas delas vêm junto dos maços de cigarro.

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É sempre bom lembrar de outros males causados pelo tabagismo:

. 200 mil mortes por ano no Brasil (23 pessoas por hora);
. 25% das mortes causadas por doença coronariana, angina e infarto do miocárdio;
. 45% das mortes causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos;
. 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos;
. 85% das mortes causadas por bronquite e enfisema;
. 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos);
. 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero);
. 25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral);
. Impotência sexual no homem;
. Aneurismas arteriais;
. Úlcera do aparelho digestivo;
. Infecções respiratórias;
. Trombose vascular;
. Tosse do fumante;
. Coloração amarela nos dentes e nos dedos;
. Agravamento das alergias e da asma;
. Arteriosclerose.

As doenças cardiovasculares e o câncer são as principais causas de morte por doença no Brasil, sendo que o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer. As estimativas sobre a incidência e mortalidade por câncer no Brasil, publicadas anualmente pelo INCA indicam que, anualmente, cerca de 22 mil pessoas adoecem em decorrência do câncer de pulmão (15 mil homens e 7 mil mulheres) causando aproximadamente 16 mil mortes. Desse total de óbitos, 12 mil deverão ocorrer entre os homens e 4 mil entre as mulheres.

Porém ao abandonar o hábito do fumo, o risco de ter essas doenças vai diminuindo gradativamente e o organismo do ex-fumante vai se restabelecendo.

Dicas para largar o fumo

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O vício do cigarro pode ser considerado uma doença. Enquanto não se admitir isto, não se consegue parar. O ideal é nem começar, pois dois terços daqueles que experimentaram acabaram viciados. Procure não buscar justificativas nas exceções da vida para manter o seu vício, como por exemplo, “fulano(a) morreu jovem e não fumava e sicrano(a) que fumava viveu até a senilidade” ou: “fulano(a) não fumava e teve dificuldades em ter filhos e sicrano(a) que tinha o vício teve muitos filhos”. A regra é completamente diferente. Por isso…

1. Não adie a sua decisão: o momento é agora. Pessoas que marcam datas futuras para o rompimento com o cigarro como, por exemplo: “no ano que vem”, “depois do natal”, “na semana que vem” etc. Dificilmente cumprem a promessa.

2. Determinação: o dia que você determinou para por fim ao seu vício deve ser respeitado. Respeite a sua decisão. Não procure desculpas para voltar atrás. A determinação é o artifício mais valioso.

3. Fumar sem tragar também faz mal, não acredite no contrário.

4. Não existe nenhum medicamento ou adesivo milagroso que faça que você não sinta vontade de fumar naqueles momentos em que você acendia o cigarro por hábito ou por prazer. O autocontrole é determinante.

5. Informe a seus familiares e amigos mais próximos sobre a sua decisão. Eles poderão reforçar a sua atitude. Não tenha medo de falhar, mas se isso acontecer tente de novo. Muitas das pessoas que conseguiram, não o fizeram na primeira tentativa.

6. Ao parar de fumar, não deixe cigarros ao seu alcance, não tenha no trabalho ou em casa e evite o convívio com fumantes.

7. Não abra exceção de forma alguma nem balbucie a frase “só uma tragadinha, pois hoje é tal comemoração”.

8. Identifique quais são os gatilhos que o fazem acender o cigarro.

9. Tome líquido em abundância.

10. O período crítico são as duas primeiras semanas; cada dia é uma vitória.

11. Após 14 dias, você passou o período crítico, e após um mês você já é um ex-fumante que só voltará se quiser.

12. Evite companhias de pessoas fumantes, pois podem levar à tentação. Evite festas, pois estes ambientes podem levar a uma recaída. O ex-fumante deve evitar acender cigarro para colegas, ou fumar esporadicamente. Estas práticas o levará novamente ao vício.

13. Faça exercícios, eles podem diminuir a vontade de fumar, além de controlar o estresse.

14. Não se dê o direito de voltar a fumar, caso esteja passando por algum problema ou contrariedade.

15. Se você se interessou por estas dicas, já é um bom começo. Parabéns.

*Arnaldo Schizzi Cambiaghi é Diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica.

 

O tabagismo e os riscos de AVC

Criado em 1986, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje, 29 de agosto, serve para conscientizar a população sobre os perigos do tabagismo à saúde. E o primeiro benefício a quem para de fumar é a diminuição do risco de um acidente vascular cerebral.

“É uma estimativa, mas depois de cinco anos sem fumar, o ex-fumante já tem risco de sofrer um AVC muito próximo de quem nunca fumou. Vale a pena parar de fumar pela prevenção da doença vascular cerebral a qualquer momento”, alerta a neurologista Gisele Sampaio Silva, vice-coordenadora do Departamento Científico de Doenças Cerebrovasculares, Neurologia Intervencionista e Terapia Intensiva em Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

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Já para quem segue fumando, o tabagismo aumenta as chances de AVC de diferentes maneiras. “O cigarro é sabidamente um fator que contribui para a formação de placas de aterosclerose, sendo portanto causa frequente de AVC (cerca de 30%)”, explica a especialista. “A outra coisa que o cigarro faz é provocar o que a gente chama de hipercoagulabilidade, que é fazer com que o sangue coagule mais rápido, o que pode ser desencadeador de um evento trombótico que, por sua vez, causa AVC também”, prossegue. “E uma terceira maneira é que o cigarro parece alterar a fragilidade capilar do vaso e, se o fumante tem aneurismas intracranianos, o tabagismo se associa a um risco maior de ruptura desses aneurismas”, completa Gisele.

Para ficarmos na área da neurologia, o cigarro também pode contribuir para as doenças de alteração cognitiva. “Hoje em dia entendemos que há uma interface muito grande entre as doenças vasculares e as degenerativas. Por exemplo, sabemos que boa parte das demências são mistas, como a doença de Alzheimer e a doença cerebrovascular juntas. Então, sendo um fator para a doença vascular do cérebro, o cigarro pode também ser um fator para alterações cognitivas”, conta a neurologista.

Apesar de ter mais riscos em contrair doenças pulmonares, o fumante passivo também tem suas chances de AVC aumentadas.

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Para Gisele Silva, o neurologista tem de ser treinado para encaminhar o fumante para os ambulatórios de prevenção. “Quem atende um paciente pós-AVC tem a obrigação de pesquisar todos os fatores de risco, entre eles o tabagismo, e de oferecer encaminhamento e tratamento para a cessação desse hábito. Isso tem de estar nasconsultas e nas campanhas de conscientização. A orientação também tem de ser
feita para o paciente internado com AVC, pois é a chance que você tem de educá-lo ativamente para que deixe esse hábito”, conclui a especialista.

Fonte: ABN

Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Fumo

Oncologista fala sobre doenças causadas pelo cigarro e como parar de fumar; em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco

O consumo dos derivados do tabaco é responsável por quase 200 mil mortes por ano no Brasil e seis milhões de mortes no mundo, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

De acordo com a instituição, em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao uso desses produtos. No Brasil, foi responsável por 22.424 mortes em 2011 (último registro). Para 2016, a estimativa da instituição é de 28.220 novos casos, sendo 17.330 homens e 10.890 mulheres.

Segundo o Ministério da Saúde, os homens são os que mais fazem uso do tabaco (12,8%), enquanto as mulheres fumantes são 8,3% dentro do total da população feminina das capitais. Há dez anos, esse número era de 20,3% entre os homens e 12,8% nas mulheres.

De acordo com o oncologista Manuel Cruz, médico no Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula (IOSP), desde o fim do século 20, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis. “Ele é o mais comum entre os tumores malignos e a principal doença relacionada ao cigarro. O tratamento é feito com cirurgia, radioterapia e quimioterapia”, explica o médico.

Ainda segundo o especialista, a evolução no tratamento oncológico tem sido consistente, porém a medida mais eficaz para a prevenção das neoplasias relacionadas ao cigarro é evitar seu uso.

Para o Inca, o aumento dos impostos e preços dos cigarros é a medida mais efetiva para reduzir o consumo, especialmente entre jovens e populações de camadas mais pobres. Estudos indicam que um aumento de preços na ordem 10% é capaz de reduzir o consumo de produtos derivados do tabaco em cerca de 8% em países de baixa e média renda, como o Brasil.cigarro

Consequências

O tabaco é um fator importante no desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares. O cigarro pode causar cerca de 50 outras doenças, especialmente problemas ligados ao coração e à circulação. Cada tragada é responsável pela inalação de aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas. As principais são a nicotina, associada aos problemas cardíacos e vasculares (de circulação sanguínea), o monóxido de carbono (CO), que reduz a oxigenação sanguínea no corpo, e o alcatrão, que reúne vários produtos cancerígenos, como polônio, chumbo e arsênio.

Segundo Manuel, os principais malefícios para o corpo são:

-Boca: mau hálito, irritação da gengiva, aparecimento de cáries, alteração nas papilas gustativas (que afeta o paladar) e aumento do risco de câncer de boca.

-Cérebro: a dificuldade de circulação sanguínea pode comprimir os vasos e aumentar a pressão arterial, resultando em um derrame cerebral.

-Coração: aumento do colesterol total, da pressão arterial e da frequência cardíaca, que pode subir até 30% durante as tragadas. Além disso, todo fumante é mais propenso a ter infarto.

-Corrente sanguínea: o fumante está mais sujeito a problemas relacionados à circulação como aneurisma, trombose, varizes e tromboangeíte obliterante, que afeta as extremidades do corpo, podendo levar à amputação de membros.

-Estômago: náuseas e irritação das paredes do estômago. As substâncias tóxicas do cigarro também podem gerar gastrite, úlcera e câncer no estômago.

-Fígado: a nicotina é metabolizada no fígado e, consequentemente, aumenta a chance de desenvolver câncer no órgão.

-Pulmão: os tecidos dos pulmões perdem a elasticidade e são destruídos aos poucos. A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) manifesta-se de duas maneiras: enfisema pulmonar e bronquite crônica. Das mortes provocadas por esses problemas, 85% estão associadas ao cigarro. Ela geralmente se desenvolve depois de muitos anos de agressão aos tecidos do pulmão por causa das toxinas do cigarro.

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Como largar o cigarro? Veja abaixo as dicas do oncologista:

1 – No Brasil, o tratamento farmacológico é o mais conhecido e inclui o uso de adesivos e goma de mascar.

2 – Existem vários grupos de apoio antitabagistas para orientar os pacientes que desejam parar de fumar. As pessoas se reúnem em grupos de autoajuda no mínimo uma vez por semana. Em alguns casos essa frequência pode ser ajustada para mais dias por semana.

3 – A abstinência é normal e dura somente alguns minutos. Neste momento, é aconselhável beber água, mascar chiclete ou comer algum doce.

4 – O indivíduo deve evitar bebidas alcoólicas e café, pois essas bebidas estimulam a vontade de fumar.

5 – A prática de exercício físico contribui muito na melhora respiratória. As atividades mais indicadas são natação, caminhada, corrida e ciclismo.

6 – Evite ao máximo o contato com outro fumante, estipulando a área externa como o único ambiente possível para quem quiser fumar, de preferência longe de você.

7 – O apoio dos familiares é fundamental para o sucesso da recuperação do ex-fumante. Se o tabagista está em tratamento, é importante que a família e amigos saibam lidar com as possíveis recaídas. Em média, é na terceira tentativa que a interrupção definitiva é alcançada pelo paciente.

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Queda no consumo

Um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde em junho deste ano constatou que 1,8 milhão de adolescentes entre 12 e 17 anos já experimentou cigarro ao menos uma vez, o que representa 18,5% dos jovens nessa faixa etária em todo o País. Em 2009, este número era 24%.

Entre os adultos, houve redução de 33,8% no número de fumantes nos últimos dez anos: 10,4% da população das capitais brasileiras ainda mantêm o hábito de fumar. Em 2006, esse percentual era de 15,7% para o conjunto das capitais.

Fonte: Instituto de Oncologia Santa Paula (IOSP)

Pneumologistas alertam para o risco do narguilé

De acordo com especialistas da Comissão Científica de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), cerca de 82 substâncias presentes na fumaça do narguilé foram identificadas como tóxicas para a saúde.

A discussão sobre os males do tabagismo à saúde está mais acalorada este mês no Brasil. O Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto) é o momento de a SBPT transmitir informações para desencorajar o uso de produtos atrativos para os jovens e nocivos ao organismo, que incluem não somente os flavorizantes no tabaco e o narguilé, mas também o cigarro eletrônico e aquecido (proibidos no Brasil).

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Pixaba

De acordo com o pneumologista Carlos Alberto de Assis Viegas, o conteúdo de alcatrão, nicotina, monóxido de carbono (CO) e metais pesados é consideravelmente maior na fumaça do narguilé em comparação com a do cigarro. Outras substâncias químicas originadas a partir da queima do carvão são potencialmente cancerígenas, como o benzopireno, por exemplo.

Estudos confirmam presença de atividade biológica pela fumaça do narguilé, comprometendo o crescimento e a regeneração celular. “A fumaça do narguilé pode desencadear Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e doença vascular, além de induzir inflamação, estresse oxidativo e envelhecimento celular precoce”, alerta o Dr. Viegas.

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Foto: LifeTimeStyles

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou, mais uma vez, a deliberação sobre a proibição dos aditivos de sabor no tabaco. Há cinco anos da publicação da RDC 14/2012 pela Anvisa, suspensa pela ADI 4874, os profissionais da saúde aguardam por esta votação, que representaria mais um passo para um novo rumo em prol do controle do tabagismo no país e proteção dos jovens brasileiros.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT)

Cigarro compromete circulação de sangue e aumenta risco de trombose

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado amanhã, 29 de agosto, tem por objetivo conscientizar sobre todos os danos causados pelo tabaco. Mais de 4.000 compostos químicos (muitos deles tóxicos), incluindo a nicotina, o monóxido de carbono, a acroleína e outros oxidantes: essa é a composição da fumaça de cigarro, cuja exposição constante induz a múltiplos efeitos patológicos no organismo, causados pelo estresse oxidativo das células.

“Os efeitos adversos do cigarro são muitos e, no caso da saúde das veias, o fumo também afeta principalmente a circulação e isso favorece o aparecimento de processos de trombose (com entupimento dos vasos e que pode levar à morte), principalmente quando associado a fatores de risco”, afirma a cirurgiã vascular e angiologista Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Por conta de todas as doenças associadas, o tabagismo é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal causa de morte evitável no mundo. No Brasil, nos últimos dez anos, segundo o Ministério da Saúde, houve redução de 33,8% no número de fumantes adultos no país, mas uma em cada dez pessoas que reside nas capitais brasileiras ainda mantêm o hábito de fumar.

cigarro queimando gde
Banco de imagens/Google

Normalmente relacionado ao aumento da probabilidade de desenvolver infarto, o cigarro também pode causar problemas circulatórios como arteriosclerose (envolvendo as artérias da perna) e tromboangeite obliterante – distúrbio que afeta as extremidades do corpo. “Em ambos os casos, há riscos de ter de amputar o membro (como pernas, pés e mãos)”, explica.

A médica enfatiza que a nicotina está ligada à diminuição da espessura dos vasos sanguíneos: “Além disso, o monóxido de carbono oferece um fator adicional de risco ao diminuir a concentração de oxigênio no sangue. Todo esse processo pode causar complicações para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais susceptíveis ao entupimento, podendo levar a processos de trombose principalmente quando há fatores de risco envolvidos”.

A trombose é um termo que se refere à condição na qual há o desenvolvimento de um ‘trombo’, um coágulo sanguíneo, nas veias das pernas e coxas. Esse trombo entope a passagem do sangue. Os principais fatores de risco são: dor na perna, obesidade, uso de hormônios (pílula anticoncepcional), portadores de qualquer tipo de câncer, portadores de Trombofilias (doença do sangue que deixa maior predisposição a coagulação sanguínea) e qualquer condição que aumente a imobilização (gesso, deficientes físicos, fraturas), gestantes e idosos.

Alguns estudos também sugerem que a exposição à fumaça do cigarro resulta na ativação das plaquetas e estimulação da cascata de coagulação, por isso há um aumento na incidência de trombose arterial em fumantes. “Ao mesmo tempo, as propriedades anticoagulantes naturais são significativamente diminuídas”, comenta.

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Outra complicação do cigarro é que o ele dificulta o importante papel do sangue no processo de cicatrização, após cirurgias e procedimentos. “O vaso mais estreito tem um fluxo menor de sangue e o suprimento de oxigênio aos tecidos é afetado. Isso dificulta a cicatrização e pode causar até necrose de pele. Várias substâncias no cigarro dificultam a formação de fibroblastos, células ligadas ao processo cicatricial.”

A angiologista alerta que, para os fumantes, o acompanhamento médico é fundamental para impedir que as doenças apareçam ou progridam.

Fonte: Aline Lamaita é cirurgiã vascular e angiologista, formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e do American College of Phlebology. A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. 

As doenças do cigarro

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o número de mortes pode chegar a oito milhões por ano até 2030

Todos sabem que fumar não faz bem para a saúde. O cigarro possui quase cinco mil substâncias tóxicas, dessas, 60 são cancerígenas. A mais conhecida entre essas substâncias é a nicotina, que está entre as que mais fazem mal ao organismo, além de ser a principal responsável pelo vício. Por se tratar de uma droga lícita, as pessoas conseguem comprar cigarros e fumar em diversos ambientes sem maiores problemas.

Segundo estudo divulgado em janeiro, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, o número de mortes relacionadas ao tabaco deve saltar de 6 para 8 milhões até 2030, desse total, estima-se que 80% ocorram em países de baixa e média renda. Ainda segundo a pesquisa, o número total de fumantes em todo o mundo vem aumentando.

Para Aier Adriano Costa, coordenador da equipe médica do Docway, o grande problema é que nem todos nem todos sabem que o cigarro pode desenvolver mais de 50 tipos de doenças no fumante e até mesmo nos não fumantes, mas que aspiram a fumaça.

“Quando o cigarro é tragado, a mucosa nasal fica irritada e as cordas vocais se dilatam. A voz fica rouca, os batimentos cardíacos aumentam, assim como a pressão arterial e a frequência respiratória, a digestão fica dificultada e ocorre um aumento na vasoconstrição. Tudo isso possibilita o desenvolvimento de diversas complicações”, explica o especialista.

mulher cigarro

Ainda segundo o médico, existem vários tipos de doenças, além do câncer, que podem ser causadas ou agravadas pelo cigarro, trazendo problemas para os mais variados sistemas do corpo humano.

– Sistema nervoso: a nicotina atinge o cérebro e vicia, causando, além da dependência, degeneração muscular, catarata e deficiência visual. O consumo frequente de cigarro também enfraquece o olfato e o paladar;

– Sistema respiratório: as substâncias do cigarro, quando inaladas, danificam os pulmões que, com o passar do tempo, perdem a sua capacidade de filtro. Isso faz com que os fumantes desenvolvam doenças como o enfisema, a bronquite crônica e a mais séria de todas: o câncer de pulmão;

– Sistema cardiovascular: a nicotina causa a constrição dos vasos sanguíneos e aumento na pressão arterial, fazendo o risco da formação de coágulos sanguíneos cresça e abra espaço para o acidente vascular cerebral. E isso vale não apenas para os fumantes de longa data, mas também para os passivos;

– Sistema digestivo: o cigarro, quando tragado, também pode gerar diversos problemas na boca, como a gengivite e a periodontite. Essas complicações levam ao mau hálito, às caries e até mesmo a perda de dentes. Além disso, os fumantes têm mais chances de desenvolver câncer de boca, garganta, laringe, esôfago, renal e pancreático.

cigarros no cinzeiro

Portanto, que tal pensar em parar de fumar o quanto antes?

Fonte: Docway

O tabagismo é o vilão

Além do câncer, o tabaco é responsável pelo desenvolvimento de aproximadamente 50 outras doenças

Mais comumente conhecido na forma de cigarro, o tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a principal causa de morte evitável no mundo. Pesquisas apontam que o cigarro contém mais de 7 mil tipos de substâncias diferentes, das quais 70 são indicadas como cancerígenas.

Um estudo alarmante foi divulgado pela revista Science, no começo de janeiro, abordando os efeitos genéticos causados pelo uso do cigarro. A publicação revelou que fumar um maço de cigarros por dia pode resultar, em média, em 150 mutações por ano nas células pulmonares, que são as mais atingidas. Porém, as alterações também foram observadas em outros tecidos.

“O cigarro é responsável pela ocorrência do câncer de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero e leucemia. Além disso, o fumo está relacionado a infarto do miocárdio, bronquite crônica e enfisema pulmonar, derrame cerebral e ainda a casos de câncer em pessoas que não fazem uso do tabaco, que são os fumantes passivos”, afirma Amândio Soares, médico oncologista da Oncomed-BH.

mulher cigarro

Mas nunca é tarde para mudar os hábitos. “Parar de consumir o cigarro não é uma tarefa simples, mas, também, não é nada impossível. É preciso força de vontade, pois, a nicotina, presente em qualquer derivado do tabaco, é uma droga psicoativa e causa dependência”, explica o especialista.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a qualidade de vida melhora muito ao parar de fumar, trazendo mudanças quase que imediatas.

-Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.
-Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue.
-Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
-Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor.
-Após 2 dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta melhor a comida.
-Após 3 semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora.
-Após 1 ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade.
-Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.*

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Fonte: Oncomed