Arquivo da categoria: poesia

Feliz Dia das Crianças

O Direito das Crianças

Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos têm de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir…

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.

Ruth Rocha

crianças brincando pixabay.jpg
Pixabay
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E a primavera chegou

Minha singela homenagem à estação mais bonita do ano, que representa a renovação, e que começa agora, exatamente às 17h02min.

abelha flor mel pixabay

A PRIMAVERA É ASSIM

Olha, olha aquela andorinha
Como ela voa airosa!
Passou junto a uma rosa
Para acariciar uma borboleta
Que nessa rosa estava poisada.
Olha, olha aquele malmequer
Que estende os seus brancos braços
Prontos a dar a saber quem me quer.
As abelhas vão beijando as flores
Nesta estação dos amores
Que agora vem de começar.
Olha…. naquele banco do jardim…
Dois corações que se adoram,
Quatro lábios que se devoram,
Que querem? A primavera é assim.

Alberto da Fonseca

jardim flores casal estatua pixabay
Pixabay

As mãos do meu pai

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…

leao e filhote

Mário Quintana, in ‘Esconderijos do Tempo’

Dayshopping transforma poemas de Zack Magiezi em presentes

O poeta Zack Magiezi uniu-se à Dayshopping para criar sua loja exclusiva, com presentes para decorar, recitar, vestir e amar.

Zack Magiezi agora tem uma loja exclusiva, chamada Coisas do Zack, para vender suas poesias de maneira inusitada, no mais novo shopping digital totalmente voltado à arte de presentear, a Dayshopping.

Conhecido por seus textos nas redes sociais desde 2014, sua loja traz poemas estampados em diversos produtos, desde artigos de decoração até camisetas, Zack Magiezi também publicou o livro “Estranherismo”, que esteve por meses na lista dos mais vendidos do país e já está finalizando seu segundo livro.

Todas as peças podem ser adquiridas pelo endereço eletrônico. São presentes para vestir, recitar, decorar e levar poesia a todo lugar. A Dayshopping tem várias opções de entrega que atendem ao Brasil todo. Vale a pena conferir cada item desta loja!

Essa e mais de 100 lojas podem ser visitadas na Dayshopping, que é a única plataforma que replica a ideia de um shopping center físico no ambiente virtual, para agradar aos mais diversos perfis e gostos de pessoas em presentes criativos e cheios de amor.

Os produtos desta e das outras lojas da Dayshopping servem para muitas datas especiais, dia das mães, namorados e etc. É só mandar sua pauta ou nos solicitar imagens.

Sobre Zack Magiezi

LOja Coisas do Zack na Dayshopping

Zack Magiezi é escritor, natural de São Paulo. Começou a divulgar seus trabalhos nas redes sociais em 2014. São textos simples que falam da humanidade e do cotidiano. Hoje suas redes sociais já contam com mais de um milhão de leitores. Em 2016 lançou seu primeiro livro que está na 6° edição com mais de 10.000 exemplares vendidos. Seu nome transformou-se em uma marca que agrega poesia a produtos exclusivos de decoração e vestuário.

Informações: DayShopping

Feliz Dia das Mães

Para Sempre

Por que Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Mãe, na sua graça
É eternidade
Por que Deus se lembra
– Mistério profundo –
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho

mãe e filha.jpg

Carlos Drummond de Andrade

Dia Mundial do Gato

O ronron do gatinho

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pelo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença – é carinho.

Ferreira Gullar

meus gatos

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

beija flor

Mário Quintana

 

Passagem do Ano

O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
Farás viagens e tantas celebrações
De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
E coral,

Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
Os irreparáveis uivos
Do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
Não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
Onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
Uma mulher e seu pé,
Um corpo e sua memória,
Um olho e seu brilho,
Uma voz e seu eco.
E quem sabe até se Deus…

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.

Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa, já se expirou, outras espreitam a morte,
Mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
E de copo na mão
Esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles… e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

passaro na flor rosa

Carlos Drummond de Andrade