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Síndrome de Final de Ano sem causa tratada pode levar a distúrbios severos

Descobrir o motivo, refletir e mudar alguns comportamentos, sobretudo, ter uma visão positiva da vida geram desfechos positivos para quem sofre com a síndrome.

Nesta época do ano, com a proximidade do Natal e do Réveillon, a população é dividida entre aquelas que sentem alegria e aquelas que sentem tristeza. Em destaque, algumas pessoas tendem a sentir sentimentos negativos, seja por motivos de perdas, desemprego ou até uma avaliação negativa da vida sem motivo concreto. De acordo com a psicóloga, escritora e fundadora do Psicodicas, Marilene Kehdi, esse conjunto de sintomas físicos e psicológicos que surgem nesta época é diagnosticado como Síndrome de Final de Ano.

O aglomerado de sinais clínicos, que acomete diversas pessoas, em maior ou menor grau, tem como destaque os sentimentos de frustração, profunda tristeza, desamparo e solidão, os quais irão influenciar, de forma latente, na qualidade de vida, neste período do ano.

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Marilene exalta que essas emoções surgem sem que a vítima tenha controle sobre elas e trazem junto vários sintomas físicos, entre eles, náuseas e dores de cabeça. Além disso, os sintomas comportamentais, como apatia, insônia, alterações no humor e, ainda, sintomas psicológicos, como por exemplo, a ansiedade e o pânico.

Segundo a psicóloga, as vítimas desse conjunto de sintomas apresentam algumas caraterísticas, como frustração com a própria vida, insegurança ou algum transtorno psiquiátrico de base, como o Transtorno de Humor. Em casos mais graves, alguns desenvolvem depressão, síndrome do pânico, ansiedade generalizada, pensamentos suicidas e podem chegar até mesmo a própria tentativa de suicídio.

Como alerta, é preciso que haja uma psicoavaliação para saber a causa que gerou a síndrome para, então, dar prosseguimento ao tratamento psicológico. Caso não haja o tratamento em relação a causa que leva à essa síndrome, o distúrbio será recorrente nesse período do ano. Em situação mais crítica, pode evoluir para uma depressão severa, fobia, síndrome do pânico ou transtorno alimentar.

“O melhor a fazer para não ficar todo ano na época das festas desencadeando essa síndrome é tratá-la, descobrir a causa, e, a partir desse ponto, refletir e mudar alguns comportamentos, sobretudo, ter uma visão positiva da vida”, ressalta a especialista.

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Ilustração: Pixabay

Saber o que está gerando esses sentimentos fará com que esse indivíduo mude a percepção de si e de alguns fatos que estão o enfraquecendo. A chave do sucesso terapêutico é fazer com que a pessoa que esteja sofrendo da Síndrome de Final de Ano mudar seu padrão de pensamento, ou seja, identificar e entender quais pensamentos a enfraquece.

Fonte: Marilene Kehdi é pós-graduada em Atendimento Clínico, Psicossomática, Geriatria e Gerontologia Social, e possui aprimoramento em Saúde Mental, Neuropsicologia, Psicologia Hospitalar e Psicopatologia. É autora de sete livros e fundadora do site Psicodicas. 

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Autoestima: fundamental em momentos de crise

Todo mundo precisa de autoestima. Principalmente quem busca realizar seus sonhos. Senão, como lidar com os momentos de crise, com as dificuldades ou até com aqueles comentários desanimadores, que ninguém merece escutar, mas que a gente acaba escutando.

Ter autoestima, se dar o devido valor e se tratar bem, nos devolve a vida que merecemos e pode, até mesmo, nos ajudar a encontrar pessoas que também nos estimam.  Recuperar o seu amor próprio para sentir-se melhor, reconhecer as pessoas que nos amam e melhorar nossos relacionamentos é possível.

A psiquiatra Hebe de Moura, que já atendeu milhares de pessoas que procuram melhorar a qualidade de vida, explica como é possível resgatar a nossa autoestima:

1) O que, afinal, é a autoestima?

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Foto: Shutterstock

A autoestima é a estima que temos por nós mesmos. Ela se traduz em uma sensação de aprovação que sentimos por nós que vem, em boa parte, da consciência do nosso próprio valor (de estimarmos o quanto valemos). Uma pessoa só estima, ou seja, só gosta, daquilo que valoriza, daquilo que tem valor para ela. Essa aprovação, essa consciência do nosso próprio valor, nos leva a uma aceitação de quem somos, que é a auto aceitação. Além disso, quando nos aprovamos e temos consciência do nosso valor, da nossa capacidade, passamos a ter também autoconfiança: a crença de que somos capazes.

2) Por que parece que algumas pessoas têm mais autoestima que outras?

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Na nossa maneira de ver, por incrível que pareça, todos temos a mesma autoestima. Ela nasce conosco, perfeita e continua perfeita sempre. Infelizmente, no decorrer da vida, as pessoas recebem muitas “desqualificações”: agressões, ofensas, ou um tratamento que não é o que merecemos, o que nos leva a diminuir a nossa “qualificação”, o nosso senso de valor. Isso pode nos levar a enxergar não mais o que verdadeiramente somos e o que “valemos”, mas o que outros acham que a gente vale (ou não vale). Desse modo, a ideia de valor que trazemos dentro de nós é corrompida, mas é porque a imagem que temos de nós mesmos está distorcida. É isso que, na nossa maneira de entender, leva aos problemas de autoestima: a distorção da autoimagem.
Porque, então, é como se tivéssemos que estimar, que gostar, não de quem verdadeiramente somos, mas de um estranho, de uma imagem adulterada, que não somos nós e que acreditamos que tem menos valor do que nós temos, na realidade!

3) Por que a autoestima é importante para vencer os desafios da vida?

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Ela traz confiança, segurança e uma postura que nos permitem depender menos do julgamento do outro e não nos abalarmos se esse juízo não for tão bom. Quem não tem a autoestima preservada tende a ser inseguro, carente e mais vulnerável a qualquer possível crítica, rejeição ou agressão.

4) Como lidar com um fora, a demissão do emprego ou o não, de um cliente?

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Quando sabemos o nosso verdadeiro valor, não é um fora, uma demissão ou um não, que vão alterar isso. O cliente pode não estar precisando do meu produto e, isso, não necessariamente é uma rejeição a mim ou diminui o meu valor. O mesmo acontece com um emprego ou na vida amorosa: ainda que a demissão ou o fora sejam uma rejeição a mim, isso não diminui a minha percepção do meu valor. Apenas me dá a indicação de que aquela empresa (ou parceiro) não precisa do que eu tenho para oferecer. Ou, mesmo, não me quer, talvez, porque ele não tenha condições de apreciar o meu valor! Isso pode, até, não ter a ver com o meu valor, mas com o que a pessoa é capaz de enxergar ou precisa naquele momento. Assim, qualquer rejeição pode ser absorvida, com o mínimo de dano (nesse caso, talvez, ainda haja um problema, pela quebra da expectativa).

5) Como identificar que a nossa estima é baixa?

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Em geral, a pessoa não tem autoconfiança, o que a leva a não confiar em sua própria opinião, o que as faz pensar demais, por ter medo de tomar decisões. Como ela não confia em sua capacidade, acaba tendo medo de desafios e se preocupando muito com o que vai ter que fazer, o que gera muita ansiedade. Como não acreditam que merecem nada, já que têm tão pouco valor, elas podem não ter a persistência necessária para obter resultados, e, por isso costumam conquistar menos.
Elas tendem a se avaliar com uma dureza excessiva mas, com os outros, podem ser indulgentes, até em exagero. Por isso, também, algumas dessas pessoas, que são muito ansiosas em relação ao fracasso e à rejeição dos outros, fazem de tudo para provar o seu valor. Nesse caso, elas podem se tornar muito bem-sucedidas, mas, ainda assim, se sentirem incapazes.

6) Uma pessoa com autoestima elevada é uma pessoa arrogante?

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Foto: FreeGreatPicture

A autoestima só leva à arrogância quando existe uma comparação do nosso valor, com o valor do outro. Se alguém se estima, isso é bom, mas, se o fato de ela acreditar que tem um grande valor, a leva, na comparação, a desprezar o outro, a acreditar que ele vale menos do que ela ou também, que ela é tão grande, que não precisa de ninguém para nada, é aí que a pessoa se torna arrogante.

Fonte: Hebe de Moura é médica psiquiatra, residente em São Paulo, formada pela Unifesp, coach, escritora e palestrante. Há 15 anos promove cursos, workshops e palestras relacionados à Consciência do Feminino e grupos terapêuticos, só para mulheres, sobre como vencer a depressão. Também realiza treinamentos em empresas. Autora dos livros “As 3 faces da Mulher” e “A Inteligência Feminina”, em seus 58 anos, já atendeu milhares de pessoas em busca de uma qualidade de vida melhor. 

 

Os benefícios do equilíbrio emocional no sucesso do tratamento do câncer

Outubro Rosa é uma campanha de conscientização que tem como objetivo principal alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Os avanços da medicina são muitos em relação à novos tratamentos e chegam a estimativas de cura em mais de 90% dos casos. Porém, será que somente os remédios e quimioterapias são suficientes para o sucesso do tratamento e posterior cura da doença? Especialistas garantem que não!

O aspecto psicológico tem grande parcela de participação após a descoberta do diagnóstico. “A gênese de inúmeras doenças físicas, reside nos fatores emocionais, psicológicos, na herança genética e no estilo de vida. Como profissional da área da saúde mental, sei perfeitamente que receber um diagnóstico de câncer desestabiliza, fragiliza e até causa depressão em algumas pessoas”, explica a psicóloga Marilene Kehdi especialista em doenças psicossomáticas e atendimento clínico, com aprimoramento em psicologia hospitalar.

Marilene ressalta que é muito importante ter consciência do quanto manter o equilíbrio emocional, alimentar pensamentos positivos e ser otimista é essencial para ajudar no sucesso do tratamento médico. A especialista explica que para encontrar e manter esse equilíbrio emocional o paciente deve avaliar seus pensamentos dominantes (persistentes), e os tipos de emoções que surgem com eles, identificando assim o que tira suas forças e a sua paz interior e ir modificando-os.

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“É essencial que o paciente concentre seus pensamentos e comportamentos naquilo que está realmente interessado que lhe aconteça, fazendo disso um exercício diário. Tudo o que dificultar a eficácia do tratamento tem que ser erradicado, incluindo medos, hábitos errados e estilo de vida”, completa a psicóloga.

Marilene destaca que o medo é uma emoção paralisante e por isso deve ser enfrentado. E deixa uma “psicodica” para os que estão passando por esse momento: “Se você sabe que dentro de si existem conflitos que há muito tempo estão tirando seu equilíbrio, seu sono e sua saúde, faça psicoterapia, procure resolve-los, elabora-los e criar um novo significado. Entenda que a psicoterapia faz parte do processo e do sucesso do tratamento. Durante todo o tratamento manter um bom estado de ânimo e uma atitude otimista faz toda a diferença a seu favor e isso é comprovado”, finaliza a especialista.

Fonte: Marilene Kehdi é psicóloga, escritora, palestrante e fundadora do Portal Psicodicas. Especialista em atendimento clínico, pós-graduada em Psicossomática e Psicopatologia, Geriatria e Gerontologia Social. Com aprimoramento em Psicologia Hospitalar, Neuropsicologia, Psicofarmacologia e Saúde Mental.

Excesso de açúcar aumenta em 23% os casos de depressão, diz estudo

Segundo o psiquiatra e pesquisador do Programa de Transtornos afetivos (GRUDA) do Hospital das Clínicas da USP, Diego Tavares, excesso de açúcar pode levar à depressão porque reduz os níveis do chamado fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) que auxilia na manutenção do funcionamento do sistema nervoso.

A comprovação veio de um estudo que foi publicado no final do mês de julho deste ano que mostrou que as dietas com alto teor de açúcar, por exemplo com refrigerantes e doces, podem estar associadas a um maior risco de problemas cerebrais como ansiedade e depressão. A pesquisa foi feita na Universidade de Londres, Reino Unido e foi publicada na revista científica internacional Scientific Reports.

“Os resultados mostram efeito adverso de longo prazo na saúde mental dos homens, ligado ao excessivo consumo de açúcar proveniente de alimentos e bebidas doces. Altos níveis de consumo de açúcar já haviam sido relacionados a uma prevalência mais alta de depressão em diversos estudos anteriores. No entanto, até agora, cientistas não sabiam se a ocorrência do problema mental desencadeava um consumo maior de açúcar, ou se os doces é que levavam à depressão”, explica o psiquiatra.

Para descobrir se a voracidade por açúcar é causa ou consequência dos problemas mentais, os cientistas analisaram os dados de 8.087 homens britânicos com idades entre 39 e 83 anos, analisados por 22 anos. As descobertas foram feitas com base em questionários sobre a dieta e a saúde mental de participantes. Para um terço dos homens – aqueles com maior consumo de açúcar -, houve um aumento de 23% na ocorrência de problemas mentais após cinco anos, independentemente de obesidade, comportamentos relacionados à saúde, do restante da dieta e de fatores sociodemográficos. O fato de os sujeitos da pesquisa terem sido homens auxilia a entender que os resultados não foram influenciados pelo sexo, já que o sexo feminino tem maior incidência de depressão e ansiedade devido a fatores hormonais.

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O consumo de açúcar foi medido por 15 itens que incluem refrigerantes, sucos industrializados, doces, bolos, biscoitos e açúcar adicionado ao café. Para homens, foi considerado alto consumo uma quantidade maior que 67 gramas por dia e, para mulheres, acima de 50. A Organização Mundial da Saúde recomenda uso máximo de 50 gramas por dia e aponta que o ideal é não passar dos 25.

Um estudo americano de 2015, exclusivamente com mulheres, também encontrou associação entre alto consumo de açúcar e depressão, mostrando que os resultados não se restringem ao sexo masculino.

“Há várias explicações biológicas plausíveis para a associação. A principal delas é que o açúcar reduz os níveis do chamado fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês), que ajuda no desenvolvimento de tecidos cerebrais. Quando o BDNF cai costuma ocorrer uma atrofia do hipocampo, área do cérebro que além da memória também regula o estado de humor”, finaliza Tavares.

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Fonte: Diego Tavares é graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FMB-UNESP) em 2010 e residência médica em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP) em 2013. Psiquiatra Pesquisador do Programa de Transtornos Afetivos (GRUDA) e do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação e Estimulação Magnética Transcraniana (SIN-EMT) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP) e coordenador do Ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do ABC (PRTOAB)

 

 

Relacionamentos sociais são mais importantes para a felicidade que dinheiro

Ao contrário do que diz a recente pesquisa da FGV, os estudos internacionais sobre a felicidade apontam que são os relacionamentos e não o dinheiro que aumenta o índice de satisfação com a vida.

Recentemente, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou dados da Sondagem do Bem-Estar mostrando que quanto mais alta a renda do brasileiro, maior a posição no ranking da satisfação com a vida. Entretanto, as pesquisas internacionais que estudam a felicidade mostram que o dinheiro só traz felicidade quando tira as pessoas da pobreza extrema para a classe média. Deste ponto em diante, o dinheiro tem pouca relação com a felicidade e com o nível de satisfação com a vida.

Nos últimos anos, diversos pesquisadores têm se preocupado em desvendar as relações entre felicidade e saúde mental. Segundo o psicólogo Ed Diener, que passou os últimos 30 anos estudando a felicidade, quanto mais a pessoa se liga a valores e bens materiais, à aparência física e ao status, menor será seu índice de felicidade.

Renda X felicidade

De acordo com Carolina Marques, psicóloga, neuropsicóloga e cofundadora da Estar Saúde Mental, em países como Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo, na medida em que a renda aumentou, os níveis de felicidade diminuíram. Apesar de o dinheiro ser um meio para satisfazer as necessidades básicas, a busca por uma renda maior pode minar a felicidade e a satisfação com a vida.

“Notamos que mesmo com o aumento da renda, a felicidade não cresce na mesma proporção. Pelo contrário, hoje a depressão já é a segunda causa de afastamento do trabalho, o número de suicídios entre os jovens aumentou, as crianças estão apresentando precocemente transtornos psiquiátricos e o estresse já atinge 70% da população economicamente ativa no Brasil”, diz Carolina.

As chaves para a felicidade

Os estudos sobre a felicidade ao longo dos anos têm apontado diversos fatores para aumentar a felicidade e o nível de satisfação com a vida. Porém, dois são considerados a base por serem mais duradouros que os demais: vínculos sociais fortes e ter um propósito para se dedicar. Mas, para Carolina, ao contrário, estamos vivendo um empobrecimento das relações sociais muito preocupante, e este pode ser um fator diretamente ligado à queda dos níveis da felicidade.

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Ser feliz importa

Além da sensação de bem-estar em sentir-se feliz, existem outros pontos positivos. Pessoas felizes têm maiores chances de se casar e ter um casamento pleno e duradouro; ter mais amigos e poder contar com eles; ser mais criativo; ser mais produtivo e ter um melhor desempenho na vida profissional; ter renda maior e mais resiliência para lidar com as situações adversas da vida, assim como ter uma saúde física e mental boa e maior longevidade. “Portanto, podemos concluir que não é o sucesso que traz a felicidade, mas a felicidade é essencial para ser bem-sucedido”, diz Carolina.

A Receita da Felicidade

Segundo o geneticista David Lykken, da Universidade de Minnesota (EUA), 50% de satisfação com a vida é genética. Mas estudos posteriores ao de Lykken mostraram que mesmo que os genes não ajudem, a felicidade pode ser cultivada e foi assim que surgiu a chamada psicologia positiva.

“Mesmo que a pessoa tenha uma predisposição genética para a tristeza ou para a negatividade, é possível treinar o cérebro para ser feliz e satisfeito com a vida. Além de estabelecer vínculos afetivos fortes com amigos e familiares, podemos colocar em prática outros comportamentos que podem nos ajudar a alcançar a felicidade”, explica Carolina.

Veja abaixo as 7 dicas para você ser mais feliz:

-Pratique a gratidão: a gratidão aumenta nosso grau de satisfação com a vida, nos mantêm positivos e com a autoestima elevada. Isso porque ativa o sistema de recompensa do cérebro e desencadeia uma “explosão” de neurotransmissores capazes de proporcionar sensação de bem-estar, prazer e tranquilidade. É um verdadeiro antídoto contra as emoções negativas.

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-Seja bondoso e altruísta: estudo feito pela Universidade de Stanford (EUA) mostrou que pessoas que ajudam ao próximo são mais felizes, especialmente se não contarem a ninguém e não esperarem nada em troca. Isso porque o altruísmo promove o desenvolvimento do senso de significado para a vida e ativa o sistema de recompensa do cérebro.

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Pixabay

-Faça massagem:  ela é capaz de reduzir em até 31% os níveis de cortisol, segundo um estudo do Instituto de Pesquisas do Toque da Universidade de Miami (EUA). A massagem aumenta os níveis da serotonina e da dopamina, hormônios relacionados ao prazer e bem-estar.

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Foto: Yoel/MorgueFile

-Respiração: vivemos na era do instantâneo, do imediato e isso gera consequências no funcionamento do organismo. Uma técnica importante para acalmar o corpo e voltar ao normal depois de um evento estressante é praticar a respiração diafragmática, que ajuda a diminuir os níveis de cortisol restaurando o equilíbrio do corpo e da mente.

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Pixabay

-Medite:  pesquisa da Universidade da Califórnia (UCLA), em 2009, constatou que a meditação aumenta a capacidade de cultivar emoções positivas, manter-se equilibrado, reduzir o nível de estresse e estimular o bom funcionamento do sistema imunológico. Também influencia nos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar.

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 Pinterest

-Encontre seus pontos fortes e expresse-os: podemos desperdiçar muito tempo tentando consertar nossas fraquezas e isso é ruim para o nível de satisfação com a vida. Em vez disso, procure identificar quais são seus pontos fortes e suas melhores competências. A partir daí, procure sempre colocá-las em prática.

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-Ache seu propósito: já dizia Nietzsche: quem tem um “porquê” para viver pode lidar com qualquer “como”. A sensação de contribuir para algo importante traz significado para a vida.

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“Acredito que a discussão sobre a felicidade é muito importante. Essa pesquisa da FGV nos faz lembrar que o dinheiro é importante, porém, a felicidade é um fenômeno predominantemente subjetivo, estando subordinada mais a traços de temperamento e postura perante a vida do que à renda. Temos outros pontos mais relevantes que precisamos prestar atenção se realmente desejamos ser felizes e satisfeitos com a vida. Como vimos nas pesquisas globais sobre o assunto, a felicidade não está nos bens materiais, e sim nas relações sociais e nos pequenos detalhes do nosso dia a dia. Cabe a nós despertarmos a tempo e dar valor ao que realmente importa”, conclui Carolina.

Fonte: Estar Saúde Mental

 

Crise econômica e depressão no local de trabalho

O país vive a maior crise econômica de sua história, o que vem refletindo diariamente no mercado de trabalho. Desemprego, instabilidade financeira e incertezas. Quem está sem emprego precisa lutar para sair dessa situação e quem está empregado, enfrenta todos os dias uma verdadeira batalha dentro da empresa. Uma disputa pela sobrevivência. Não é por acaso que os números de pessoas doentes têm crescido. Em especial, as doenças de foro mental e psicológico, como o estresse e a depressão.

Atualmente, a depressão é a principal causa de problemas de saúde, afastamento do mercado de trabalho e incapacidade em todo o mundo. De acordo com dados e estimativas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas no mundo todo convivem com a depressão, um aumento de quase 20% entre os anos de 2005 e 2015.

A OMS tem como tema central de sua campanha anual de saúde a doença. Com o nome “Depressão: vamos conversar”, tem como objetivo geral abrir espaço para discussões, fazendo com que mais pessoas, diagnosticadas ou não, busquem e obtenham ajuda. As estimativas ainda preveem que até 2020, esta será a doença mais incapacitante do planeta e, por isso, precisa ser tratada com atenção.

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A psicóloga Marilene Kehdi explica que o ambiente de trabalho negativo ou tóxico pode ser responsável pelo quadro de depressão dos pacientes: “Com a economia no estado que estamos vendo, os funcionários lutam para manter o seu emprego e os empresários precisam manter a empresa ativa. Essa combinação pode ser muito perigosa. Gerando abuso da parte dominante e que detém o poder financeiro. E o empregado, muitas vezes, aceita comportamentos abusivos por medo de perder a estabilidade”.

Especialista em doenças psicossomáticas e autora de sete livros, ela explica ainda que os ambientes negativos podem surgir também por má gestão. “Funcionários insatisfeitos e inseguros com relação ao futuro, fofocas nos corredores e o clima de pessimismo acaba contaminando todo um setor”, detalha.

Manter um ambiente equilibrado e blindado dessas incertezas é um desafio para empresários, gestores, coordenadores e também, funcionários. Conversar sobre o momento atual, palestras motivacionais, identificar colegas de trabalho com quadros de depressão e oferecer ajuda, são algumas das possibilidades que podem desintoxicar o ambiente de trabalho.

Fonte: Marilene Kehdi é psicóloga, escritora, palestrante e fundadora do Portal Psicodicas. Especialista em atendimento clínico. Pós graduada em Psicossomática e Psicopatologia. Com aprimoramento em Psicologia Hospitalar, Neuropsicologia, Psicofarmacologia e Saúde Mental. Pós graduanda em Geriatria e Gerontologia Social.

 

Claustrofobia ou medo de voar?

Medo de voar atinge 30% da população mundial e 40% dos brasileiros, segundo pesquisa do Ibope

Embora as estatísticas comprovem que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe, cerca de 30% da população mundial tem medo de voar, a chamada aerofobia. Mas, a condição é muito mais complexa do que se imagina e pode envolver outros medos.

Segundo Fernanda Queiroz, psicóloga, neuropsicóloga e cofundadora da primeira empresa brasileira especializada no estudo e tratamento da fobia de voo, a VOE Psicologia, a fobia de voar quase sempre vem acompanhada de outros medos. “Em alguns casos, o medo não é do avião cair e sim de ficar preso em um lugar fechado e de perder o controle da situação, ou seja, a pessoa tem claustrofobia e não fobia de voar. Mas, as duas condições podem ocorrer ao mesmo tempo”, explica.

Aerofobia x Claustrofobia

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Ambas as condições são consideradas fobias específicas de acordo com o DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e são classificadas como Transtornos de Ansiedade. “Todo mundo sente medo, afinal ele serve justamente para nos proteger de situações que o cérebro interpreta como perigosas. Entretanto, em algumas pessoas o medo vem acompanhado de uma ansiedade fora do normal, ou seja, patológica. Quando isso acontece chamamos de reação fóbica e quando esta é direcionada para uma única situação ou objeto se caracteriza a fobia específica”, explica Paola Casalecchi, psicóloga, neuropsicóloga e cofundadora VOE Psicologia.

Sintomas são os mesmos

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A aerofobia e a claustrofobia, assim como outras fobias, causam os mesmos sintomas, como aperto no peito, falta de ar, tontura, enjoo, palpitação, sudorese excessiva, boca seca. A diferença é o tipo de situação que leva ao desencadeamento destes sintomas. “Quem tem medo de lugares fechados vai senti-los dentro de um elevador, de um avião ou até de um carro. Mas, quem tem medo de avião, sem estar associado a claustrofobia, não terá problemas em pegar um elevador ou viajar de carro”, explicam as especialistas.

Evitar a todo custo

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Uma das principais características das fobias é o comportamento de evitação ou esquiva. “A pessoa faz de tudo para não se expor à situação. O medo é persistente e a simples suposição de se deparar com uma viagem de avião, por exemplo, já é suficiente para despertar os sintomas”, diz Fernanda. O diagnóstico é feito quando o medo, a evitação e a preocupação excessiva com o agente estressor interferem de forma significativa na vida social, profissional e até pessoal, levando a prejuízos e à perda da qualidade de vida, por um período igual ou maior que seis meses.

Vencendo o medo

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Tanto faz se o medo de voar está associado à claustrofobia ou a outras fobias específicas. A verdade é que a pessoa pode perder muitas oportunidades de trabalho ou mesmo de lazer quando tem medo de voar. Atualmente, há tratamento e a boa notícia é que ele é breve. “O tratamento é feito em 10 sessões individuais. Se for em grupo, é possível fazer em um curso intensivo de três dias. Nossa metodologia envolve psicoeducação, Terapia Cognitivo Comportamental, ensino de técnicas para controle da ansiedade, dessensibilização sistemática e simulação de voo, que é feita no Campo de Marte, em São Paulo. Para quem deseja oferecemos ainda o voo terapêutico. Em geral, mais de 90% dos pacientes conseguem vencer o medo de voar”, comentam as especialistas.

Que tal testar seu medo de voar?

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A VOE Psicologia preparou um teste para você medir seu medo de voar. Será que ele é patológico ou normal? Entre aqui e descubra.

Dia do Orgasmo: será que há o que comemorar?

Hoje, 31 de julho, é Dia do Orgasmo, mas para metade das brasileiras não há o que comemorar. Segundo pesquisa realizada pelo Projeto de Sexualidade da Universidade de São Paulo (Prosex), 55,6% das brasileiras apresentam dificuldades para atingir o orgasmo. A ausência do orgasmo nas mulheres é considerada uma disfunção sexual, que leva o nome de Transtorno Orgásmico Feminino, ou popularmente chamado de anorgasmia.

Os vilões do orgasmo feminino

Segundo Marina Simas de Lima, psicóloga, especialista em Sexualidade Humana, Terapeuta de Casal e cofundadora do Instituto do Casal, para a mulher atingir o orgasmo é preciso a combinação de fatores biológicos, psicológicos e culturais. “As causas físicas mais comuns do Transtorno Orgásmico envolvem doenças que atingem o sistema nervoso, como a esclerose múltipla, doença de Parkinson e epilepsia, por exemplo. Depois temos as doenças crônicas, como diabetes e a aterosclerose que interferem na circulação sanguínea, essencial para a função sexual”, comenta Marina.

Para a também psicóloga, terapeuta de Casal e cofundadora do Instituto do Casal, Denise Miranda de Figueiredo, as causas psicológicas também são importantes. “A culpa sexual é bastante prevalente, normalmente ligada à educação religiosa ou mais repressora. Ansiedade, estresse, depressão e conflitos nos relacionamento também são frequentes, assim como baixa autoestima, problemas com a imagem da região genital e falta de conhecimento da própria anatomia vaginal”, explica Denise.

Segundo as especialistas, o uso de medicamentos antidepressivos é outro fator que contribui para o Transtorno Orgásmico. Eles podem retardar ou tirar totalmente a capacidade de atingir o orgasmo. Uma pesquisa de 2006 mostrou que cerca de um terço das mulheres que tomam os antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) relatam problemas com o orgasmo.

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Vaginas são diferentes, orgasmos idem

Um mito bastante arraigado na crença popular é sobre o tipo de orgasmo feminino: vaginal ou clitoriano. Algumas mulheres só conseguem atingir o orgasmo com a estimulação do clitóris e outras conseguem com a penetração. A explicação pode estar nas diferenças das ramificações do nervo pudendo, responsável pela sensibilidade do períneo, lábios vaginais, ramos retais e clitóris. Quando este nervo se ramifica leva a diferenças na sensibilidade de certas áreas.

Segundo a ginecologista norte-americana Deborah Coady, em seu livro Healing Painfull Sex, o sistema nervoso pélvico varia muito de uma mulher para outra e cada uma possui diferentes terminações nervosas nas cinco zonas erógenas, como clitóris, entrada da vagina, colo do útero, ânus e períneo. Isso ajuda a explicar porque algumas mulheres têm mais sensibilidade no clitóris e outras na entrada da vagina. “Mas, de qualquer maneira precisamos lembrar que não importa como a mulher atinge o orgasmo, o importante é experimentá-lo”, diz Marina.

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Masturbação é uma das chaves para chegar ao orgasmo

Pesquisa do Prosex mostrou que 40% das mulheres brasileiras não se masturbam. “Esse é um destaque muito importante na área da sexualidade humana, já que a masturbação é uma das chaves essenciais para se conhecer o próprio corpo, suas zonas de prazer e entender como conseguimos alcançar o orgasmo, dizem as especialistas.

“O tratamento para mulheres que apresentam o Transtorno Orgásmico requer alguns passos importantes. O primeiro é buscar ajuda com um ginecologista e se certificar de que não há nenhum problema físico ou hormonal que possa estar dificultando o alcance do orgasmo. Os problemas orgânicos devem ser diagnosticados e tratados”, diz Marina.

“As causas psicológicas também são importantes. Por isso, é fundamental buscar também a ajuda de um psicoterapeuta especializado em sexualidade humana para compreender o que poderia estar afetando o alcance do orgasmo. A psicoterapia pode ajudar na diminuição da ansiedade, estresse, melhorar a autoestima, a percepção corporal com exercícios diretivos que ajudarão a mulher a ter uma qualidade sexual melhor”, diz Denise.

“Por fim, incluir o parceiro ou a parceira no tratamento também é um passo essencial para o tratamento do Transtorno Orgásmico, pois isso amplia as possibilidades do casal conversar abertamente sobre o tema e se ajudar mutuamente na busca do prazer, deixando o corpo responder de forma natural”, finalizam as especialistas.

Fonte: Instituto do Casal

Especialista alerta: nem todo psicólogo tem capacitação para tratar criança autista

Entenda a importância da especialização na área da Análise do Comportamento Aplicada no momento de buscar tratamento para a criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista)

É de conhecimento geral da população que um médico cardiologista, oftalmologista, ginecologista, ou de qualquer outra especialidade tenha formação nas áreas de atuação. Não basta ele apenas ser médico, precisa de uma pós-graduação, se aprofundar na técnica, teoria para depois buscar experiência na prática, para então, estar apto a atender na especialidade.

Você sabia que na psicologia funciona da mesma forma? Todo o profissional que deseja tratar de crianças autistas e aplicar a terapia chamada ABA (Análise do Comportamento Aplicada), deve passar por um curso de especialização, após a formação acadêmica na área.

Se estivéssemos diante de um conselho médico e fosse relatado que um paciente passou por uma cirurgia cardíaca realizada por um clínico geral a comoção, sem dúvida, seria generalizada. Na Psicologia, entretanto, isso tem se tornado comum e, o que é mais grave, com pacientes altamente vulneráveis e que necessitam do tratamento correto e intensivo para que possam ter um melhor prognóstico no futuro.

Infelizmente, muitos profissionais de psicologia não seguem o importante pré-requisito e têm oferecido o tratamento em ABA, sem ao menos ter o conhecimento profundo na área. Motivo para os pais ficarem atentos. Afinal, entregam o bem mais preciso que são os filhos, para serem tratados da melhor maneira por um profissional capacitado.

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Atualmente, tem crescido no país o número de casos de crianças e adolescentes diagnosticados com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). Por consequência, muitos pais têm procurado o tratamento a seus filhos e, muitas vezes, buscado judicialmente que o Estado ou planos de saúde custeiem o tratamento em ABA, prescrito pelo médico. Com a demanda crescente para Analistas do Comportamento Aplicados ao campo do Autismo, e a ampla oferta de psicólogos no mercado, cada vez mais, profissionais que não possuem qualquer titulação de pós-graduação ou experiência comprovada de atuação sob supervisão em Análise do Comportamento Aplicada, atuam com ABA ao autismo.

“ABA é um Ciência aplicada do comportamento que pode ser utilizada para trazer soluções de problemas a fenômenos de relevância social, entre eles, o autismo. O clássico livro americano ‘Applied Behavior Analysis’ de Cooper, Haron e Heward (2007), descreve cerca de 95 habilidades necessárias para a prática de tal profissional. Tais habilidades vão desde a realização de uma análise funcional apurada, passando por procedimentos de ensino e de mudança de comportamentos, até a forma de registro e avaliação de resultados. Portanto, o aprendizado de uma ciência além de complexo, tem de ser contínuo. A quem deseja atuar em uma ciência natural que se propõe a predizer comportamento e desenvolver repertórios comportamentais, cabe o enfrentamento de anos de estudo e dedicação que nunca devem se exaurir. Além disso, a atuação de modo competente é também resultado da experiência do profissional sob supervisão de um analista do comportamento experiente e esse quesito deve, também, ser considerado”, afirma a especialista em neuropsicologia e Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir, Renata Michel.

Nos Estados Unidos, país com maior número de analistas do comportamento do mundo, foi criado há cerca de 30 anos a certificação denominada BCBA (Behavior Analyst Certification Board). Para obter esse certificado é exigido mestrado, horas de experiência (cerca de 1500), e, ao final, aprovação em um exame. O título do BCBA é reconhecido internacionalmente e tais critérios evidenciam a especificidade de conhecimentos necessários ao Analista do Comportamento. A adoção de um critério similar na realidade do nosso país faz-se cada vez mais necessária.

Tendo isso em vista, associações como a ABPMC (Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental), ACBr (Associação Brasileira de Análise do Comportamento) e o LAHMIEI (Laboratório de Aprendizagem Humana), inserido na estrutura administrativa do Departamento de Psicologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) recomendam na procura do Analista do Comportamento o nível de pós-graduação, o que pode mais claramente atestar sua qualificação profissional para atuação.

“Como se trata de uma ciência, com produção de conhecimento ininterrupta, é também necessário que o Analista de Comportamento se mantenha constantemente atualizado. A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) é a base para os tratamentos mais indicados para o TEA, segundo a Organização Mundial de Saúde. As mudanças recorrentes no campo da Educação Especial, principalmente a partir da década de 90, através das políticas de inclusão, deveriam fazer com que todos os profissionais refletissem sobre suas práticas e buscassem capacitação. É condição Sine Qua Non que os governos apoiem tais profissionais e auxiliem e oportunizem essas capacitações, pois não existe inclusão sem especialização”, afirma a Profa. Dra. Giovana Escobal, vice-coordenadora do Instituto LAHMIEI, da UFSCar.

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Paciente do Grupo Conduzir durante terapia em ABA com sua terapeuta.

Celso Goyos, cordenador do Instituto LAHMIEI, da UFSCar, afirma: “O melhor tratamento para o TEA, baseado em ABA, implica em início precoce, duração mínima de dois anos, intensidade de 30 a 40 horas por semana, e supervisão de um analista de comportamento capacitado e experiente. O tratamento é altamente complexo e exige uma integração dos recursos, envolvendo aplicadores (técnicos e profissionais da área da saúde ou educação), escolas e pais, e exige a supervisão capacitada e experiente”.

Rosane Cardoso Lacerda, administradora de empresas, tem um filho de 4 anos, que é tratado pela abordagem ABA há um ano. Ela comenta que chegou a procurar por tratamento em vários locais, que diziam ter a especialização na área, mas que na verdade não possuíam habilitação. Ela decidiu, então, pesquisar a fundo, exigir comprovação até encontrar o lugar ideal para o tratamento do filho: “O progresso no meu filho só se deu após ingressarmos no tratamento correto, em um local verdadeiramente especializado em ABA. Após isso, a evolução foi notória, tanto na postura dele, quanto na linguagem. Sem contar que ele adora as terapeutas, já criou um vínculo e afinidade por todo o carinho dedicado a ele ao longo do tempo.”

Por isso é importante que os pais estejam atentos. Procure apenas profissionais que tenham a especialização ou supervisão e um especialista em ABA. Dessa maneira, a evolução no tratamento da criança com TEA pode ser realmente vista nos resultados apresentados.

Fonte: Grupo Conduzir

 

Ficar viúvo é o segundo maior medo do brasileiro

A morte é um assunto do qual ninguém gosta de falar, mas é um fato inevitável do ciclo vital e também dentro de um relacionamento afetivo. A viuvez é tão assustadora que na pesquisa feita ano passado pelo Instituto do Casal, ocupou o segundo lugar no ranking dos principais medos das pessoas que são casadas ou têm um relacionamento estável.

Perder o(a) parceiro(a) faz parte da história de quem vive um relacionamento estável ou é casado. Porém, a viuvez é uma situação não planejada que leva a vários desdobramentos e mudanças. Uma das mais importantes é a perda do suporte afetivo e quebra da unidade, que já não existe mais.

Segundo Denise Miranda de Figueiredo, psicóloga, terapeuta de casal e cofundadora do Instituto do Casal, a viuvez pode representar, para muitas pessoas, a perda de um grande amor, de um bom amigo, do suporte financeiro, de um pai ou de uma mãe, de um confidente, enfim, da pessoa que foi escolhida para compartilhar a vida.

“Isso leva ao sofrimento, ao luto e a emoções ligadas ao distanciamento e à sensação de separação. Além disso, ficar viúvo(a) representa, de certa forma, perder parte de si mesmo, daí os sentimentos de solidão e vazio, que são comuns em quem passa por isso. Mas, é justamente esse processo de lidar com a perda que dá a sensação de ser capaz de recomeçar ou de continuar a viver”, comenta a psicóloga.

Viuvez precoce x tardia

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Um ponto que chama a atenção é a diferença na vivência de uma viuvez precoce, ainda na juventude, e uma viuvez mais tardia. Ambas são experiências difíceis, mas cada uma tem suas particularidades. Para Marina Simas de Lima,psicóloga, terapeuta de casal e cofundadora do Instituto do Casal, a viuvez que atinge pessoas mais novas, com filhos ainda pequenos, pode ser muito desafiadora.

“Quem fica vai precisar lidar com várias situações ao mesmo tempo: a perda do (a) parceiro (a), a criação dos filhos, o sustento da casa, a vida profissional e a própria saúde física e mental para lidar com tudo isso. Por outro lado, quem fica viúvo mais tarde tem mais tempo para se recuperar, mas pode se sentir muito mais sozinho e fragilizado, já que em muitos casos os filhos já saíram de casa e vivem suas próprias vidas”, explica Marina.

Em uma idade mais avançada nem sempre é fácil investir em um novo relacionamento, por exemplo. Com isso, o isolamento social é mais comum e acarreta em uma piora do estado de saúde em pessoas que enviúvam mais tarde.

Viver o luto é fundamental

mulher triste

Independente da idade em que se ficou viúvo (a), o luto precisa ser vivenciado para ressignificar a vida. Viver o luto é importante para reconstruir a vida sem o (a) parceiro (a). Não há um período pré-definido. Cada pessoa terá seu próprio tempo para gerenciar suas emoções e aceitar a perda. É um tempo para se reorganizar e se reestruturar, para chorar, para ficar triste, para recordar e para dar um novo significado a essa nova fase da vida.

Seguindo em frente

casal sombra

“Gosto muito de pensar que perdemos coisas e não pessoas. As pessoas partem, mas as memórias ficam. A morte faz parte da vida, é inevitável. A viuvez é um convite a repensarmos nossas escolhas, para criarmos novas realidades e testarmos nossa capacidade de resiliência. As lembranças devem sim permanecer de forma saudável para honrar a pessoa que se foi, mas quem fica precisa continuar. Não é um processo fácil, por isso a psicoterapia é muito importante para ajudar a superar esse tipo de acontecimento”, diz Denise.

“A verdade é que ninguém está preparado para a morte e em geral o assunto ainda é um tabu. Cada um vai lidar de uma maneira particular com a viuvez. O importante é viver cada momento de nossas vidas como se fossem os últimos, isso ajuda a superar a perda, pois há menos chance de arrependimentos ou culpa. Sabe aquela frase: não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje? Precisamos pensar mais em ser do que ter, precisamos dedicar mais tempo ao nosso(a) parceiro(a), cultivar os sentimentos e viver bons momentos ao lado de quem amamos, isso é o que realmente importa”, finalizam as psicólogas.

Fonte: Instituto do Casal