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Especialista dá dicas para quem tem medo de falar em público

Falar em público, seja para uma grande plateia ou mesmo na frente de um pequeno grupo, no trabalho ou na faculdade, pode provocar pânico em muitas pessoas.  O coach e master trainer em Programação Neurolinguística Roberto Debski dá algumas dicas na entrevista abaixo. Confira:

Pergunta – A princípio, qualquer pessoa pode falar em público?
Resposta: Sim, qualquer pessoa pode desde que se prepare para isto, principalmente no aspecto emocional, já que uma das principais fobias que existem é o medo de falar em público. A questão de se expor e ser julgado por uma plateia é assustadora e limitante para muitas pessoas, por diversas razões. Muitos passaram por experiências traumáticas na infância, durante o período escolar, desde então criaram um bloqueio que impede que se exponham sem sentir diversos tipos de sintomas que impossibilitam uma boa exposição. Para superar esta limitação, há inúmeras possibilidades, como a psicoterapia, terapias para fobias como o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing ou Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares), terapia breve, PNL (Programação Neurolinguística), coaching, constelações sistêmicas, cursos de oratória e expressão verbal, dentre outros.

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P – Já atendeu alguém que tinha muita dificuldade e a superou? Pode resumir o caso?
R: Sim, diversos casos, inclusive eu mesmo já tive muita limitação e medo de falar em público, no início de minha carreira médica, recusando convites para participar de alguns eventos. A partir de um certo momento, quando esta dificuldade começou a me atrapalhar profissionalmente, impedindo que eu aproveitasse oportunidades que surgiam, decidi procurar uma maneira de superar e curar essa limitação, o que conquistei por meio de vivências durante minha formação em PNL, e participando de cursos de oratória e treinamento.

P – O que é mais importante? A postura, a fala, a lógica do pensamento…
R: Para falar em público com sucesso, é fundamental que estejamos preparados técnica e psicologicamente, e tenhamos uma dinâmica de expressão que atinja o público alvo, como um todo. Conhecimento técnico sobre o tema é básico, mas se fosse somente esse o requisito necessário, as pessoas conhecedoras dos assuntos sobre os quais vão palestrar não teriam problema em se expressar. Treinar e conhecer o tema a respeito do qual irá falar, saber expressar-se pela fala, pela postura corporal, pelo olhar, pela movimentação. E passar o conteúdo com lógica e dinamismo, alcançando o interesse e a motivação do público é uma arte que pode ser treinada e aprendida, possibilitando o sucesso da apresentação.

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Foto: Hans/Pixabay

P – Usar recursos multimídia ajuda ou dispersa?
R: Há controvérsias sobre o uso de recursos multimídia e audiovisuais.
Um palestrante que lê todo o conteúdo para o público torna-se geralmente desinteressante, já que qualquer um pode ler a respeito do tema, sem precisar que alguém o faça para ele. O uso moderado de fotos, vídeos e gráficos, sobre os quais o palestrante faça as explicações e embase sua fala, pode ser interessante e reforçar a mensagem. Algumas escolas de treinamento sugerem que o palestrante use um flipchart para escrever sobre sua fala, e use imagens e vídeos somente quando extremamente necessário. Todas essas maneiras de falar a uma plateia dependerão muito do carisma do palestrante e de seu preparo e envolvimento com o público.

P – Há alguma técnica infalível?
R: Não há técnicas infalíveis, porém, se o palestrante conseguir conquistar a atenção de seu público por meio do envolvimento emocional, do despertar da curiosidade sobre o tema, e da transmissão clara, dinâmica e focada de sua apresentação, terá a oportunidade de transmitir sua mensagem de maneira efetiva e conquistar sua audiência.

P – O começo e o fim da apresentação são as partes mais importantes?
R: Os primeiros minutos da fala são importantes para conquistar a curiosidade e a motivação da audiência e garantir que, a partir daí, estarão disponíveis e participativos para participar do evento. Claro que o palestrante deverá manter o nível, trazer e desenvolver um conteúdo interessante, de maneira didática e com boa expressão para manter o público participando junto a ele. O final, quando poderá fazer um resumo do tema, reforçar seu interesse e relevância, e deixar uma mensagem positiva que toque a audiência, fará com que a lembrança do evento e de si mesmo, enquanto profissional de excelência no tema, seja positiva, levando o público a querer participar novamente em um futuro evento.

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P – Poderia dar um passo a passo, por exemplo: comece assim, foque nisso, permaneça assim, siga desse modo e termine…
R: Comece se apresentando e fale sobre a relevância do tema que irá abordar, o porquê o tema é interessante para a audiência, o que ela ganhará ao participar e, a seguir, comece a desenvolver o tema, de maneira lógica e didática, com exemplos práticos. Se preferir, pode abrir para algumas perguntas durante a apresentação, ou combine de deixá-las para o final, mas é interessante estar aberto para interagir com o público, sem se mostrar o dono da verdade ou inacessível. Ao final, faça um resumo do que falou, agradeça a atenção de todos e, quando cabível, abra para perguntas e comentários, mostrando-se interessado na participação da audiência e no que ela tem a dizer e contribuir. Deixe um meio para a audiência entrar em contato posteriormente, como um e-mail ou rede social.

P – O que não fazer, tipo tomar alguma bebida ou um ansiolítico para se sentir mais solto.
R: Se o palestrante precisa ingerir bebida alcoólica ou medicamentos para falar em público, isto é sinal que não se sente preparado para tal, e é indicado que procure ajuda profissional para superar suas limitações. Evite sempre o uso de qualquer substância que afete sua cognição, raciocínio ou postura. Evite contar piadas que possam demonstrar preconceito, não seja grosseiro, não demonstre superioridade ou inferioridade. Seja sempre natural. Não imagine que irá acontecer algo errado, mas se encontre preparado para intercorrências, que podem sempre acontecer. Não caia em possíveis provocações, mostre-se educado e firme, sem responder a possíveis agressões e ofensas, que não são comuns, mas podem acontecer. Prepare-se adequadamente antes do evento, e faça o melhor, aprimorando-se sempre, para superar-se a cada apresentação, mantendo a motivação e o interesse. Esses são alguns dos requisitos para o sucesso em sua apresentação e para posicionar seu nome como referência no tema que desenvolve.

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BigStock

P – Pode, por favor, listar dicas que qualquer pessoa possa usar?
R- Claro:

-Conheça bem o tema sobre o qual irá falar, prepare e treine sua apresentação.
-Crie um estado propício para passar sua mensagem, esteja tranquilo, atento, focado, motivado e preparado para quaisquer intercorrências que possam acontecer, como problemas técnicos dos meios audiovisuais acessórios, ou pessoas que queiram criar polêmicas.
-Movimente-se sem excessos, varie o tom e o volume de sua fala, dê exemplos práticos que despertem curiosidade e conectem as pessoas ao tema, não seja soberbo ou humilde demais, seja natural e mostre conexão com as pessoas e com o tema.
-Seja bem-humorado, mas não conte piadas que possam constranger pessoas, nem seja vulgar.
-Assista a outras pessoas que abordam temas semelhantes aos seus, para aprender com seus pontos fortes e fracos, a ampliar seu repertório.
-Assista também a pessoas que são tidas como boas oradoras, mesmo que em temas diversos dos quais aborda, para observar postura, como transmitem a mensagem e interagem com a audiência.
-Falar bem é um aprendizado, que deve evoluir continuamente, e tem como base a autoconfiança e o conhecimento, e pode ser aprimorado com treinamento e dedicação.

Fonte: Roberto Debski é formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e em Psicologia pela Universidade Católica de Santos. Fez curso em Programação Neurolingüística pelo Instituto de Neurolingüística Aplicada, nível master trainer e Curso de formação em Coaching na Sociedade Latino Americana de Coaching.

 

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Psiquiatra explica o papel do cérebro na síndrome do intestino irritável

Buscando respostas para a síndrome do intestino irritável, entrevistei o médico psiquiatra Eduardo Humes, Chefe da Seção Técnica de Psiquiatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. Ele explicou a ligação entre a SII e o cérebro, o porquê de o tratamento do problema englobar outras áreas da saúde para ter sucesso e deu dicas de como lidar com o estigma de uma patologia ainda pouco conhecida. Confira:

Pergunta: Explique a ligação da SII com o cérebro.
Resposta: Os mecanismos envolvidos nos sintomas da SII não são claros. Ela é uma síndrome funcional, o que significa dizer que o problema não é uma questão de uma alteração que podemos ver como uma úlcera ou um tumor, por exemplo, mas uma mudança do funcionamento normal de um sistema. O sistema nervoso central modula o funcionamento geral do organismo, fazendo com que, no caso do intestino, ele possa funcionar de maneira mais rápida (maior quantidade de movimentos peristálticos) ou mais lento (menor quantidade).

No alerta de maneira crônica, o intestino deve receber informações do cérebro de maneira que possamos nos liberar de maior peso, por meio de um aumento dos movimentos peristálticos. Quando estamos no pico, a sinalização é para reduzir esses movimentos. Já na ausência do estímulo, funcionaria normalmente. Uma das teorias, talvez a principal, para explicar a oscilação do funcionamento intestinal na SII é que esta se daria por uma exacerbação da resposta a esses mecanismos. E o cérebro teria um papel essencial nesta modulação.

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P – As pessoas costumam ligar o problema à alimentação. Como convencê-las do contrário?
R – As síndromes funcionais são como grandes elefantes, se você estiver muito perto você só vai conseguir ver um pedaço. Alguns alimentos podem, sim, causar gatilhos mais exacerbados, o que facilita às pessoas a realizarem essas associações. Mas nem todos têm as mesmas reações aos alimentos. O convencimento, que é a parte mais “difícil”, passa por uma única estratégia, que é a educação. Por isso a necessidade de se ocupar as mídias com essa agenda.

P – Claro que há dias em que passamos por situações estressantes, mas como explicar que o problema surja mesmo naqueles dias considerados “normais”?
R – Esta questão tem que ser vista caso a caso, mas uma explicação frequente é que pessoas com síndromes funcionais podem ter o que chamamos de alexitimia, que é um termo para falar da dificuldade em entrar em contato ou descrever emoções, sentimentos e sensações corporais. Assim, muitas vezes a pessoa pode estar passando por uma situação mais “estressante”, por exemplo, e não se percebe assim.

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P– Há muita resistência das pessoas em aceitar o diagnóstico?
R – As pessoas, de maneira geral, apresentam um grande estigma com diagnósticos de saúde mental, seja de síndromes psiquiátricas ou de sintomas psíquicos em geral. Quando falamos que um sintoma físico pode estar relacionado a um funcionamento psíquico, muitas pessoas interpretam como fraqueza ou falha de caráter, por exemplo, e não aceitam o diagnóstico. Mas, em geral, quando procuram um profissional de saúde mental, a parte mais difícil do convencimento já foi feita por outra pessoa, profissional ou familiar.

P – O tratamento psicológico tem de correr em paralelo ao feito com gastroenterologistas e nutricionistas. Só assim se consegue melhora?
R – Gosto de fazer uma comparação com meus pacientes, pergunto se eles tivessem uma fratura na perna eles só iriam ser operados e tomar remédios ou se fariam fisioterapia também. A ideia de não fazer fisioterapia é muito similar à de não fazer psicoterapia para SII. Você pode melhorar, sim, mas talvez parte do potencial seja perdido.

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P – Como evitar estresse e ansiedade nos dias de hoje? Cidades grandes pioram o quadro, mas isso de se estar sempre conectado na internet e redes sociais também amplia o problema?
R – Esta é uma importante pergunta, talvez a pergunta do Prêmio Nobel… Mesmo a afirmação de que as grandes cidades pioram o quadro é controversa, elas com certeza aglutinam pessoas que são mais ansiosas, mas será que as pessoas mais ansiosas não buscam também por esses ambientes? Um problema que vemos frequentemente é que as pessoas estão cada vez mais inseridas em realidades virtuais em detrimento do contato humano.

Contato humano, um abraço de fato (não aqueles que nos acostumamos e duram menos de dois segundos), olhar nos olhos das pessoas, apresenta, sim, um efeito importante na maneira que nos sentimos. Já as redes sociais, que são excelentes em muitos aspectos, como dar voz a muitas pessoas que não conseguiriam se comunicar efetivamente, ao mesmo tempo criam situações nas quais a agressividade das pessoas sai por não terem o filtro do olho no olho.

P – A maioria das pessoas com este problema tem de tomar antidepressivos, por exemplo?
R – A decisão deve ser feita caso a caso, muitas vezes para aquele momento. Uma parcela importante poderá, sim, se beneficiar do uso de medicações, mas não a maioria e nem todos os que tiverem indicação usarão em longo prazo (mais que dois anos).

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P – Terapias complementares ajudam? Quais?
R – Sim, em especial meditação, atividade física e também acupuntura mostram efeitos importantes.

P – Pode citar algum caso em que o paciente teve uma melhor significativa?
R – Não, pela ética médica não posso citar um caso, mas, sim, muitos pacientes se beneficiam, em especial do seguimento psicoterápico, que pode ser feito por psicólogos ou psiquiatras.

P – Como agir no emprego? Falar abertamente com os superiores? Li depoimentos de pessoas que pararam de trabalhar, especialmente as que têm SII-D, porque passaram por experiências constrangedoras, até no caminho ao trabalho, no transporte público etc.
R – Os constrangimentos podem ocorrer em especial nas formas que apresentam quadros diarreicos (SII-D e SII-M). A maneira que cada um vai lidar com o impacto da SII depende inicialmente de como a própria pessoa lida com os sintomas. Se não conversamos abertamente, não haverá a redução do estigma. Antigamente, a epilepsia (e as convulsões) era associada a importante estigma, com a abertura no diálogo, hoje é tratada de maneira mais natural. O estigma é real, mas deve ser combatido dentro das possibilidades de cada um.

P – Como agir com a família, já que sempre haverá alguém achando que o problema é “frescura”, “nada sério”, “pode comer isso que não te fará mal…” etc.
R – O estigma é resultado do desconhecimento. Ajudar as pessoas a melhorar sua capacidade de compreender os fenômenos é a melhor forma de ajudá-las a sair do ciclo de preconceito.

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P – SII não tem cura, então, conselhos para se viver com ela, mas sem muitas manifestações. Ou isso é impossível.
R – Como todas as síndromes funcionais é essencial para o melhor controle o manejo do quadro, isso envolve o cuidado multiprofissional em diversas frentes, incluindo: gastroenterologia, nutricional, saúde mental, atividade física, meditação (como mindfulness), com adesão aos cuidados propostos.

Fonte: Eduardo de Castro Humes é médico psiquiatra, formado e residência pela Faculdade de Medicina da USP. Chefe da Seção Técnica de Psiquiatria do HU/USP, Coordenador Médico do Grapal/FMUSP, Colaborador do Escritório de Saúde Mental da USP, Diretoria Executiva do Forsa-Abem, Representante Internacional da Association for Colege Psychiatry, Doutorando do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Autor de artigos científicos e capítulos de livros, além de organizador de livros científicos em psiquiatria

Vittude conecta psicólogos a pacientes em três cliques

Startup oferece serviços online e presenciais aos pacientes no Brasil e já atua no exterior por videoconferência

A Vittude é uma plataforma que conecta pacientes a psicólogos por meio de um site simples e acessível, que oferece consultas em ambiente físico e virtual. Já está presente em mais 200 cidades do Brasil e Distrito Federal, e conta com mais de 1000 psicólogos cadastrados, com maior concentração em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A plataforma é pioneira no ramo de saúde mental e promove eventos, palestras e encontros de discussão entre terapeutas e o público geral. A rede de profissionais da Vittude conta com uma gama diversa de especialidades, da psicanálise à terapia comportamental, e oferece um campo de busca onde o usuário pode procurar tratamento para questões específicas, como ansiedade, depressão e fobias, entre outros.

A ideia de criar a empresa surgiu no final de 2015, quando Tatiana Pimenta, engenheira civil de formação, foi desligada de seu emprego e precisou cuidar de seu pai adoecido. Tatiana percebeu lacunas no sistema de saúde brasileiro e decidiu empreender com seu amigo e atual sócio, Everton Höpner, que também possuía ideias inovadoras para o setor.

Após conversas e análises do mercado de startups, os dois decidiram dedicar-se 100% ao projeto e se inscreveram em eventos, meet-ups, workshops e processos de aceleração, sendo aprovados no processo da Startup Farm em maio de 2016. A aceleração teve início em julho e foi finalizada em setembro, quando a plataforma entrou no ar.

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Considerando ainda que no Brasil, em 2016, cerca de 200 mil pessoas foram afastadas do mercado de trabalho devido a transtornos mentais, uma das estratégias da plataforma é a parceria com empresas. A iniciativa envolve serviços de psicoterapia, técnicas de coaching na preparação de líderes, desenvolvimento de inteligência emocional e até mesmo preparação para aposentadoria.

Outro diferencial é a aproximação com os pacientes. Eles procuram conversar com todas as pessoas que utilizaram a plataforma para obter um feedback do serviço oferecido e sugestões de melhoria.

Informações: Vittude

Mitos que rondam o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)

Diego Tavares, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que algumas doenças psiquiátricas são tão mal compreendidas que, com o tempo, vão perdendo o sentido original e incorporando características que não são e nunca fizeram parte delas.

“Hoje em dia, o transtorno de personalidade borderline (TPB) tem sofrido uma ampliação tamanha a ponto de transtorno bipolar clássico (tipo I), esquizofrenia, transtorno obsessivo compulsivo e até transtornos de ansiedade estarem sendo chamados de ‘transtorno borderline’ por conta da falha na formação adequada de psiquiatras e psicólogos”, fala o médico.

Afinal, qual a verdade sobre o problema?

1) A principal e definidora característica de um indivíduo com personalidade do tipo borderline é um problema no vínculo com as outras pessoas. “São indivíduos que lançam mão de esforços desesperados para evitar o abandono real ou imaginado. Qualquer fim ou separação (namoro, casamento, amizade, emprego) pode deflagrar uma crise em que a pessoa interpreta o afastamento como sinal de rejeição”, explica o médico.

2) Um padrão de relacionamentos instáveis caracterizados pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização, que é o típico “tudo ou nada”, “amo ou odeio”. O outro tem que ser perfeito e, se errar, passa a ser depreciado. Assim, ao recusar um pedido, o “melhor psiquiatra do mundo” se transforma em “lixo”. Também é comum a pessoa ficar íntima rapidamente de alguém, alimentar um monte de expectativas e, logo depois, cair em frustração e passar a odiar o outro.

“Estas são as duas principais e essenciais características para um diagnóstico desse transtorno. Todos os outros sintomas (alterações de humor, aumento de impulsividade, ideias de suicídio, automutilação etc) são secundários a uma situação que envolva um relacionamento interpessoal problemático que tenha envolvido o medo do abandono e o de se sentir rejeitado. Além disso, pra ser um TPB esses sintomas ocorrem desde o início da adolescência até a idade adulta”, fala o psiquiatra.

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Tavares comenta que mesmo que um paciente comece a apresentar problemas de relacionamento relacionados ao medo do abandono, se for apenas durante um período de depressão, por exemplo, e não durante a vida toda, não se trata de transtorno de personalidade. Esse é o problema mais grave que vemos nos dias de hoje, avaliar uma pessoa no momento presente e, por conta de sintomas “típicos de alteração emocional do borderline” fechar este diagnóstico. O transtorno de personalidade é crônico e relacionado ao amadurecimento da personalidade e não são sintomas que ocorrem exclusivamente em um momento da vida.

O que muita gente chama de TPB, mas não é:

1) Mudanças constantes de humor;

2) Alteração de humor marcada por raiva, ódio e rancor;

3) Automutilação em pessoas deprimidas;

4) Pessoas extremamente impulsivas;

5) Tentativas de suicídio constantes;

6) Pessoa com transtorno de humor que sofreu abuso sexual ou bullying na infância;

7) Baixa tolerância à frustração e imaturidade;

8) Pessoa irônica, provocativa e manipuladora que causa uma sensação ruim no terapeuta ou no médico.

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Foto: MedicalNewsToday

“O grande problema que tenho visto para um excesso de diagnósticos de TPB é que muitas vezes se utilizam sintomas isolados para o diagnóstico. Isso é, alterações de humor mais rápidas (no mesmo dia) ou mistas (com disforia, raiva e agressividade), que até podem ocorrer em um portador de TPB, são usadas como critério essencial e apenas a presença delas leva ao diagnóstico, sem uma devida avaliação da personalidade ao longo da vida. Outro erro comum é achar que todo adolescente que se mutila é borderline, sendo que esse sintoma ocorre muito em alguns transtornos de humor”, finaliza o médico.

Fonte: Diego Tavares é graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FMB-UNESP) e residência médica em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP). Psiquiatra Pesquisador do Programa de Transtornos Afetivos (Gruda) e do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação e Estimulação Magnética Transcraniana (SIN-EMT) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP) e coordenador do Ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do ABC (PRTOAB).

Discutir e resolver os conflitos faz bem ao casamento, diz pesquisa

Há pessoas que detestam discussões e acabam protelando a solução, ou como diz o ditado popular, “jogam a sujeira para debaixo do tapete”. Por outro lado, há pessoas que querem resolver o problema na hora, mesmo que para isso seja preciso brigar ou discutir. Se você tem o segundo perfil, a boa notícia é que quem prefere negociar o conflito a adiar a discussão tem dez vezes mais chance de ser feliz em um relacionamento amoroso.

Essa foi a conclusão de uma pesquisa de opinião feita nos Estados Unidos, em fevereiro deste ano. A pesquisa mostrou que os casais que brigam com maior frequência são mais felizes do que aqueles que evitam os conflitos.

Segundo a psicóloga Marina Simas de Lima, terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal, ao contrário do que se possa pensar, discutir não é um sinal de que o relacionamento está indo mal, mas sim de que ambos estão dispostos a conversar para resolver situações que, no futuro, podem se tornar problemas. “O sinal de alerta é maior quando o casal não está disposto a negociar e procurar uma solução para seus conflitos. Isso pode indicar que falta vontade e disposição para investir no relacionamento”.

O poder das palavras

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Embora procurar solucionar os problemas da vida a dois seja importante, é preciso ter cuidado com o que se fala e de que maneira se fala. “Discussões saudáveis não têm espaço para comentários agressivos ou violentos. Partir para ofensas é um hábito que, em vez de colaborar para a construção de um relacionamento duradouro, acaba ferindo o/a parceiro (a) e provocando rachaduras na intimidade do casal”, comenta a psicóloga Denise Miranda de Figueiredo, terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal,

Para tornar discussões passos importantes na construção da intimidade e na solidez do relacionamento, é fundamental pensar antes de falar, pois as palavras são reflexo de nossos sentimentos e pensamentos. “Normalmente, não mensuramos o impacto que uma palavra pode ter. Quando falamos sem pensar, podemos ferir e ofender o outro de forma irreversível, ou ainda gerar mágoas que podem durar muito tempo”, dizem as especialistas.

Como melhorar a comunicação na vida a dois

“Os casais precisam estar atentos em como apresentam os problemas durante a discussão. Existem alguns vícios que as pessoas têm na hora de discutir, como interromper o outro ou até mesmo tentar vencer uma discussão em vez de procurar uma negociação boa para o casal. É importante estar atento a isso para melhorar a comunicação na vida a dois”, orienta Denise.

Veja abaixo algumas dicas das especialistas:

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=Estilo de comunicação: procure conhecer o estilo de comunicação de seu(sua) parceiro (a) e tenha consciência de qual é o seu. Cada um tem um jeito de se expressar, especialmente durante discussões. Saber qual é a sua própria tendência colabora para tornar suas ideias mais claras.

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Ilustração: Kabaldesch0/Pixabay

=Clareza: antes de começar uma discussão, tenha clareza sobre o que vai dizer. Discussões proveitosas são as que têm um objetivo claro. Expressar ideias com clareza é um aspecto importante para deixar os conflitos mais saudáveis.

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=Empatia: entenda as necessidades do outro ou ainda do que o(a) parceiro(a) precisa para se sentir seguro(a). Todas as pessoas têm necessidades emocionais que precisam ser atendidas para que o relacionamento continue a funcionar. Alguns precisam de contato físico, por exemplo, enquanto outros precisam de palavras positivas e elogios. Conhecer a necessidade do outro ajuda a colocar um fim em brigas e discussões de uma maneira saudável.

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=Respeito: priorize respeito, o carinho e valide os sentimentos e frustrações do outro. Reconhecer os sentimentos da outra pessoa é uma parte importante de uma discussão evoluída. “Esse exercício também ajuda a manter o respeito. Reconhecer um sentimento de frustração ou de tristeza em outra pessoa colabora para que o casal trabalhe junto para solucionar problemas”, explica Marina. Responder com respeito e carinho também demonstra que, apesar dos problemas, o amor ainda está acima de tudo.

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=Meça suas palavras: pratique o autocontrole, respire fundo. Busque dizer a si mesmo o que diria ao outro. Evite criticar o outro. Pratique a escuta ativa. Use palavras amáveis, que possam construir e não destruir ou acarretar em mágoas ou em mais conflitos.

“Como dizia o poeta Victor Hugo, ‘as palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade’, portanto, o casal precisa investir para melhorar a comunicação, principalmente nos momentos de conflito”, concluem Marina e Denise.

Fonte: Instituto do Casal

Dependência de chocolate pode necessitar de ajuda terapêutica

Também conhecido como chocoholics, pessoas “viciadas em chocolate” podem precisar de tratamento multidisciplinar

Com o mercado bombardeando os consumidores com promoções de Páscoa, fica difícil para muitos resistirem à tentação de comprar até mesmo uma barrinha de chocolate. O consumo, que pode parecer inocente para algumas pessoas, pode ser um problema que vai além do aumento de peso. A vontade exagerada de comer chocolate pode caracterizar uma compulsão alimentar que deve ser tratada por profissionais.

A psicóloga Tatiane Paula Souza alerta sobre a dependência, que pode ser uma forma prejudicial da pessoa aliviar suas questões emocionais. “Como se trata de um alimento que pode implicar em uma associação de alívio de situações problemáticas, liberando endorfina e serotonina (neurotransmissores ligados à sensação de bem-estar), estamos falando de um efeito rebote que vem quando a pessoa percebe a falta das substâncias do chocolate, passando a consumir quantidades cada vez maiores para durabilidade imediata e de extremo prazer”.

No caso específico dos chocoholics, o consumo de chocolate é diário, variando a frequência conforme a gravidade do vício. “Dependendo da intensidade, o hábito pode ser comparado a dependências como às do álcool, tabaco, jogos e internet entre outras compulsões”, afirma a psicóloga.

Em mulheres, a compulsão alimentar associada ao consumo exagerado do chocolate é mais frequente, pois muitas vezes se desenvolve uma associação do doce com o alívio dos sintomas da TPM.

“Quando estamos associando padrão de consumo que eleva a normalidade, falamos de compulsão do comportamento, podendo ser do sexo masculino ou feminino. Porém, foi observada incidência maior do consumismo do chocolate em mulheres, principalmente em períodos pré menstruais”, relata Tatiane. “Há muitos relatos de mulheres que encontram no alimento (chocolate) calma e prazer. É muito comum este tipo de demanda no consultório”, complementa.

Características da compulsão

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De acordo com Tatiane, na compulsão alimentar é observada nos indivíduos a necessidade exagerada e incontrolável de altas quantidades em períodos de curto tempo.

Para pensarmos no diagnóstico deve ser observado que esse padrão de comportamento disfuncional aconteça no mínimo duas vezes na semana, por um período mínimo de três meses. Abaixo, algumas das características que devem ser observadas na alimentação:

-Comer muito e rápido;

-Fazer refeições mesmo com ausência de fome;

-Comer exageradamente, mesmo que satisfeito;

-Ultrapassar o limite e comer até estar desconfortável;

-Sensação de perder o controle da alimentação;

-Comer escondido, para ocultar a compulsão, gerando sentimentos de culpa e fracasso;

-Comer para lidar situações problemáticas, pois durante os episódios de compulsão não há clareza dos sentimentos envolvidos.

Caso se identifique com as características, procure um profissional especialista no transtorno, como psicólogos, psiquiatras e nutricionistas, para que possa ser feito um diagnóstico completo e dadas as orientações e tratamentos adequados.

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Foto: SweetLouise/Pixabay

Teste de compulsão alimentar

Nas questões abaixo, quanto mais respostas “sim”, mais provável é que você tenha transtorno de compulsão alimentar.

=Penso em comida o tempo todo?

=Tenho o hábito de comer escondido?

=Sinto-me descontrolado, vulnerável e impotente para parar de comer, mesmo querendo?

=Como a ponto de me sentir doente/estufado/cheio?

=Como chocolate ou outros alimentos para lidar com as situações difíceis, aliviar o estresse, ou para confortar/buscar conforto?

=Frequentemente sinto culpa após as refeições?

Fonte: Tatiane Paula Souza é psicóloga com formação na abordagem Cognitiva-Comportamental pela Unifesp e especialista em Psicopatologia e Dependência Química pelo Instituto de Pesquisa de São Paulo. Atuou em Hospital Psiquiátrico como Psicóloga Clínica a pacientes em regime de internação continuada e, atualmente, atende como Psicóloga Clínico Cognitivo-Comportamental, com ênfase em: Transtornos, Saúde Mental, Dependências e Compulsões. Desenvolve programas para empresas, corporações, palestras, workshop, treinamento e desenvolvimento, na área da dependência química, voltado para prevenção e tratamento.

 

Saiba como funciona o tratamento para depressão

Tristeza profunda, angústia, falta de energia e perda de interesse em atividades cotidianas são os principais sintomas da depressão. Quando essas alterações de humor são persistentes, a qualidade de vida e a capacidade produtiva de uma pessoa ficam comprometidas, podendo afetar a execução de tarefas do dia a dia, a relação com amigos e familiares e, em casos mais graves, a vontade de viver.

Além dos sintomas citados, há outros sinais que devem ser levados em conta na hora de buscar um tratamento para depressão. Entre eles estão desesperança, pessimismo, irritabilidade e problemas físicos, como aumento ou diminuição de sono, de apetite e de libido; ganho ou perda de peso anormal; dores no corpo e de cabeça; alterações gastrointestinais e falta de concentração, atenção e memória.

“É importante diferenciar a tristeza da depressão de períodos de tristeza que ocorrem em algumas fases da vida, como por exemplo durante o luto ou por fatores estressores de forma geral. Existe uma tristeza que pode ser normal, e a tristeza patológica. Na depressão, a tristeza tem duração de pelo menos duas semanas, está presente na maior parte do dia e permanece durante vários dias. Paralisa, e não gera reflexão. Pode tirar a perspectiva de futuro e a alegria de fazer coisas que a pessoa sentia prazer em realizar antes – é o que chamamos de anedonia”, afirma Luana Harada, psiquiatra do Hospital Santa Mônica.

Ela completa: “É como ficar preso dentro da sua própria angústia e não ter mais esperança de melhorar. A visão fica mais pessimista, o sentimento de culpa e inferioridade ficam mais intensos. Dentro de um estado de tristeza intensa e persistente, sem sentir prazer em viver, sem perspectiva de futuro e marcada desesperança, temos que ficar atentos ao risco de suicídio que um episódio depressivo pode gerar”,

O transtorno depressivo pode ser causado pela interação de diversos fatores biológicos, psicológicos e ambientais, ou ser um efeito secundário do uso de medicamentos indicados para curar outras doenças ou do abuso de drogas e bebidas alcoólicas, por exemplo, sendo necessário um diagnóstico diferenciado. Eventos traumáticos, baixa autoestima, histórico familiar da doença e vulnerabilidade social também são fatores de risco.

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 350 milhões de pessoas de diferentes idades em todo o mundo sofrem com essa doença, no Brasil afeta aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros. Apesar de ser mais comum entre as mulheres, a depressão masculina também é expressiva e deve ser cuidada com a mesma atenção.

Diante da importância desse tema, separamos algumas questões para explicar e sanar as principais dúvidas sobre o tratamento para depressão.

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Quando procurar ajuda?

O diagnóstico precoce da depressão é um dos fatores que mais contribuem para o sucesso do tratamento e para o controle da doença. Existem casos em que os sintomas se confundem com os de outras enfermidades, por isso, é importante reconhecer que há algo errado e procurar ajuda de especialistas o mais rápido possível, principalmente quando o estado depressivo demora a passar e começa a refletir em outros aspectos da vida.

Ao fazer uma avaliação completa e detalhada, a equipe de profissionais conseguirá distinguir se os sintomas são patológicos, transitórios ou decorrentes de outros problemas médicos e neurológicos, indicando o tratamento mais adequado para o nível da doença, que pode ser leve, moderado ou grave.

Algumas pessoas têm receio em procurar um tratamento especializado, pois acreditam que ficarão isoladas e sofrerão preconceito. Em consequência disso, tentam curar a depressão de formas variadas, se automedicando ou recorrendo ao consumo de drogas ilícitas e álcool, o que pode levar à piora significativa da doença e até mesmo à dependência química.

Buscar informações sobre a doença, conhecer as opções de tratamento e receber orientação profissional são as melhores formas de reverter um quadro depressivo. Outra questão essencial em todo o processo é compartilhar os problemas e contar com o apoio de parentes e amigos próximos.

Por que tratar a depressão é importante?

A depressão é uma doença incapacitante, que prejudica diversas áreas da vida do paciente, inclusive profissional, amorosa e familiar. Um paciente com um episódio depressivo leve, por exemplo, pode ter dificuldade em realizar tarefas simples e diárias; quem apresenta um quadro moderado está mais propenso a abandonar o trabalho, as responsabilidades domésticas e as atividades sociais; já aquele que apresenta episódio depressivo grave pode ter crises profundas e pensamentos suicidas frequentes.

Quando diagnosticada corretamente, a depressão deve ser tratada de maneira séria e completa, com o objetivo de amenizar os sintomas, evitar a cronificação da doença, minimizar as recaídas e aumentar a qualidade de vida do paciente. Interromper o tratamento quando há alguma melhora logo no início pode levar a consequências negativas no futuro. Assim, seguir com as orientações pelo tempo determinado pelos profissionais é fundamental para o controle do transtorno.

mulher sessão terapia psicologa

Qual tratamento é o mais indicado?

O melhor tratamento para depressão é aquele elaborado de forma personalizada para atender às necessidades de cada paciente. Para isso, uma equipe multidisciplinar deve ser consultada a fim de analisar as especificidades dos sintomas, acompanhar os resultados e modificar as estratégias ao longo do tempo caso seja necessário.
Ainda que não sejam universais, alguns tratamentos são mais recomendados por sua eficácia comprovada. Confira abaixo:

Psicoterapia

Em alguns casos leves, a psicoterapia pode ser suficiente para controlar e melhorar os sintomas da depressão. Existem diferentes abordagens psicoterapêuticas, tais como a terapia ocupacional, a terapia em grupo, a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, entre outras. O método escolhido pode variar de acordo com os sintomas, a personalidade do paciente e a confiança no terapeuta.

De modo geral, as psicoterapias auxiliam o paciente a se conhecer melhor e a identificar seus pensamentos e comportamentos negativos de forma a buscar novas formas de lidar com os conflitos e as relações interpessoais. Esse tipo de tratamento também é indicado para os episódios depressivos moderados e graves, mas normalmente é feito em conjunto com o uso de medicamentos.

Medicamentos

Há uma grande variedade de medicamentos indicados para o tratamento da depressão, que agem de maneiras diferentes no organismo para controlar a doença. Todos devem ser administrados sob orientação médica devido a possíveis efeitos colaterais e interação com outros remédios.

Os antidepressivos são os mais conhecidos e atuam diretamente no sistema nervoso, normalizando os fluxos de neurotransmissores como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. O tratamento para depressão também pode incluir ansiolíticos – utilizados para diminuir a ansiedade – e antipsicóticos – indicados em casos de perturbações psicóticas.

“Os antidepressivos serão escolhidos de acordo com perfil de efeito colateral de cada medicação e discussão destes efeitos com o paciente; quais doenças clínicas (por ex. diabetes, hipertensão) e medicações em uso (uma vez que pode existir interação medicamentosa); o uso prévio de antidepressivo que paciente possa ter feito (prevendo a chance de resposta ou não à medicação escolhida) ”, afirma Luana Harada.

A psiquiatra reforça “é importante frisar que o antidepressivo não tem melhora imediata, levando pelo menos 14 dias para iniciar o seu efeito, e também inicialmente pode piorar sintomas ansiosos – é uma informação que passo aos pacientes para não descontinuar o uso da medicação, caso os efeitos adversos sejam tolerados, e também há medicações usadas no início do tratamento que ajudam o desconforto no início do tratamento”. O uso da medicação tem que ser contínuo durante o tratamento, existem medicações que causam desconforto caso não sejam tomadas diariamente e também atrapalham a resposta terapêutica, podendo até piorar sintomas ansiosos e depressivos.

Para saber mais sobre depressão, visite o site Tratamento da Depressão do Hospital Santa Mônica, clicando aqui.

 

Você sabe diferenciar medo e fobia?

Você tem medo do quê? Avião, rato, barata, fantasma ou de altura? Tudo isso pode ser realmente assustador. Porém, para algumas pessoas, o medo pode ser intenso e irracional a ponto de causar ansiedade, pânico e interferir no trabalho, na escola e nas relações pessoais. Quando os temores são maiores e incontroláveis, o problema é encarado como uma fobia.

Erroneamente, algumas pessoas não dão o devido valor. “A fobia é um medo acentuado, irracional e persistente; um sentimento de pavor mesmo que não haja risco evidente ou algum perigo. É uma doença que limita o indivíduo de se expor, de enfrentar desafios, de viver” comenta Maura de Albanesi, psicoterapeuta e líder-coach.

Como identificar, no dia a dia, o que é medo e o que, potencialmente, pode ser uma fobia? Segundo Maura, basta ficar atento aos sintomas que podem surgir durante situações que causem certo desconforto.

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“Muitas vezes sentimos uma leve ansiedade ou até mesmo um frio na barriga, que é absolutamente normal. O medo é um instinto natural de defensa que nós temos diante do desconhecido. Porém, quando o indivíduo está numa situação inofensiva, num parque ou num elevador, por exemplo, e sente um medo que faça com que o coração bata acelerado, tenha tontura, sensação de asfixia, pressão arterial elevada, a boca seca ou suor excessivo, dentre outros sintomas, é necessário atenção, pois isso pode ser algo mais grave”, argumenta.

A causa da doença está ligada a fatores genéticos. Por exemplo, crianças com parentes próximos que sofrem do transtorno têm mais chances de desenvolvê-lo. A exposição a espaços confinados, eventos angustiantes, situações de perigo e conflito, animais e até mesmo insetos podem ser gatilhos para o desencadeamento de uma fobia, principalmente naquelas pessoas com uma tendência maior.

O tratamento mais comum e efetivo da fobia é a Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC). “A terapia envolve um conjunto de técnicas e estratégias que têm como finalidade expor o paciente, de forma controlada, àquilo que lhe causa medo. Ou seja, ela foca a mudança de um padrão de pensamento”, explica a psicoterapeuta. Mas, além do TCC, existem outras formas de tratar a doença, como a utilização de remédios, para casos mais graves, e a meditação.

De acordo com Maura, a meditação é uma opção extremamente eficiente. Ela permite que o indivíduo “encontre no seu interior o entendimento de quais são os motivos dos seus medos e abra caminho, de maneira gradual, para o enfrentamento e, consequentemente, a cura” diz.

Mas, como enfrentar sua fobia no dia a dia? A psicoterapeuta dá algumas dicas:

Crie uma lista com dez passos para enfrentar o medo. Ou seja, gerencie situações que possam estimular a construção da sua confiança e que dê subsídios para enfrentar aquilo que assusta. Organize essa lista começando pelo menos assustador até o mais aterrorizante. Por exemplo, o medo irracional de cachorros ou, cinofobia.

mulher com medo de cachorro getty images
Getty Images

Passo um: busque na internet imagens de cachorros, de diversos tamanhos e raças.
Passo dois: assista a um vídeo que tenha pets.
Passo três: fique num local fechado em que, do lado de fora, haja um.
Passo quatro: em um local aberto e com o cachorro de pequeno porte na coleira, fique próximo dele numa distância que ache segura.
Passo cinco: reduza a distâncias uns cinco metros.
Passo seis: peça para que a pessoa que está segurando o animal, ainda na coleira, se aproxime mais uns dois metros.
Passo sete: fique ao lado do cachorro que esteja na coleira.
Passo oito: faça carinho no animal de estimação de algum conhecido.
Passo nove: execute os passos anteriores com o cachorro sem coleira.
Passo 10: agora, tente com um animal maior.

“É extremamente importante, sempre que possível, se expor ao medo e de maneira controlada. Claro que se deve respeitar os limites, mas a postura de enfrentamento e o desafio constantes são fundamentais”, finaliza Maura.

Veja abaixo alguns exemplos curiosos de fobias:
Aerofobia – Medo de avião
Nictofobia – Medo do escuro
Pirofobia – Medo do fogo
Belonofobia – Medo de objetos que furam
Siderofobia – Medo de estrelas ou do céu estrelado
Alectorofobia – Medo de galinha
Motefobia – Medo de mariposas
Octofobia – Medo do número 8
Surifobia – Medo de ratos
Triscaidecafobia – Medo do número 13
Fobofobia – Medo do próprio medo

Fonte: Maura de Albanesi é mestre em Psicologia e Religião pela PUCSP, Pós-Graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica, atua com o ser humano há mais de 30 anos.

Existe casamento sem sexo? Psicólogo explica

Os interesses do mundo moderno mudaram também os casamentos e os relacionamentos?

Antigamente, casamento era sinônimo de procriar e  de formar família. Hoje em dia, os relacionamentos a dois estão cada vez mais adquirindo outras funções nas vidas dos cônjuges. Para o psicólogo, especialista em terapia de casais e sexualidade, Oswaldo M. Rodrigues Jr , do InPaSex (Instituto Paulista de Sexualidade de São Paulo), a valorização do casal como companheiros para viverem a vida, os prazeres, as diversões, o trabalho e a dedicação para a vida a dois aumenta de importância a cada dia mais e, assim, toma o espaço de outras funções conjugais.

E esse valor da troca emocional e afetiva pode ser desenvolvida por outros meios, mas que ainda podem ser sexuais. Afinal, o relacionamento sexual não se restringe e nunca foi restrito apenas as partes genitais. “Então temos visto muitos casamentos nos quais o sexo não é o primordial. Isso apareceu nas últimas décadas e chegou ao fenômeno da assexualidade”, fala o psicólogo.

Acabou o desejo, acabou o amor?

Para o especialista, ainda existem preocupações de que sexo seja uma resposta ao amor, e que se o sexo diminuísse ou acabasse seria uma referência à diminuição ou fim do amor. Mas ele explica que o amor é um elemento afetivo, algo mais complexo do que as emoções primárias, reativas e animais existentes no ser humano. E as emoções e vivências que ocorrem durante o sexo, diferenciam-se dos afetos.

casal separado

Revertendo o caso

A boa notícia é que casais que reconhecem a diminuição de atividades sexuais e de motivação para terem contatos íntimos podem mudar esta situação. “Reencontrar os caminhos para as atividades sexuais é algo plenamente possível, mas que exige reorganizações que nem sempre os casais percebem que podem executar, o que os leva a procurar auxílio em psicoterapia de casais ou na psicoterapia sexual”, diz o psicólogo.

Rodrigues fala que no Brasil ainda não é tão comum um casal buscar ajuda para superar os problemas que ocorreram antes da separação. Mas que essa pode ser uma das melhores alternativas para retomada de um casamento.

“Se o casal soubesse como retomar a vida a dois sozinhos, já o teria feito” diz acrescentando: “A psicoterapia focada na sexualidade auxiliará cada um a reconhecer as atividades que conduzem a sensações prazerosas e desenvolver coerência entre o que fazem, pensam e sente (tanto fisicamente quanto emocionalmente). Assim, o caminho poderá ser muito prazeroso para o casal e a psicoterapia funciona para casais que se propõem a mudar e chegar a um objetivo com essa ajuda psicológica”, completa.

Oswaldo M. Rodrigues Jr é psicólogo formado pela UNIMARCO (1984); foi Secretário Geral e Tesoureiro da WAS – World Association for Sexology (2001-2005); Presidente da ABEIS – Associação Brasileira para o Estudo da Inadequação Sexual (2003-2005); dedica-se a tratar de problemas sexuais junto ao InPaSex – Instituto Paulista de Sexualidade – do qual é fundador e diretor. Autor de mais de 100 artigos científicos e mais de 35 livros; co-cordenador do CEPES – Curso de Qualificação em Psicoterapia Sexual do Instituto Paulista de Sexualidade