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Janeiro Branco: 23 milhões de brasileiros têm transtornos mentais

Dados recentes divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 23 milhões de brasileiros, ou seja, 12% da população, apresentam os sintomas de transtornos mentais. Ainda de acordo com a pesquisa, ao menos 5 milhões, 3% dos cidadãos, sofrem com transtornos mentais graves e persistentes.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013 estimou que 7,6% (11,2 milhões) das pessoas de 18 anos ou mais de idade receberam diagnóstico de depressão por profissional de saúde mental. Mas, não é só a depressão que atinge os brasileiros, transtornos como ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia também estão no topo da lista das doenças mais recorrentes.

O número de casos tende a aumentar em áreas urbanas, e também em mulheres, que representam dois terços dos diagnósticos para depressão, por exemplo. Por isso, é importante conscientizar todos, tanto os pacientes quanto quem convive com essas pessoas. Pensando nisso, foi lançada a recentemente campanha “Janeiro Branco”, aproveitando a simbologia do início de ano, para incentivar a cuidar da saúde mental e emocional.

Segundo Aier Adriano Costa, coordenador médico da Docway, as doenças psicológicas não são levadas a sério porque não são facilmente visíveis, como um osso quebrado por exemplo, apesar de serem doenças comuns e estrarem presentes na vida das pessoas. “Mudar depende da mobilização das pessoas para tentar combater o estigma social, evitar rotular e desqualificar pessoas que tem essas enfermidades e orientar já é um bom começo e não tem nenhum custo”, explica.

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Foto: MedicalNewsToday

Existem, de acordo com o médico, vários sinais e sintomas que podem identificar uma pessoa que não está com uma boa saúde mental, por exemplo: tristeza ou irritabilidade exacerbada, confusão, desorientação, apatia e perda de interesse, preocupações excessivas, raiva, hostilidade, violência, medo ou paranoia, problemas em lidar com emoções, dificuldade de concentração, dificuldade de lidar com responsabilidades, reclusão ou isolamento social, problemas para dormir, delírios ou alucinações, ideias grandiosas ou fora da realidade, abuso de drogas ou álcool, pensamentos ou planos suicidas.

Para ajudar, inicialmente, é bom estimular o paciente a buscar atendimento especializado com um médico, psicólogo ou um psiquiatra. De acordo com o Dr. Aier, é sempre importante criar um ambiente adequado para que a pessoa que está em tratamento se sinta segura para poder compartilhar seus problemas e aceitar ajudar especializada.

Outra dica importante é criar uma rede de apoio, com amigos e familiares, para entender e participar ativamente do processo de terapia. Existem, além disso, diversos outros grupos de apoio que podem auxiliar auxiliam no tratamento. A grande maioria das doenças psiquiátricas tem tratamento eficiente quando diagnosticada de maneira correta, além dos tratamentos estarem em constante melhora e evolução.

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“Cabe a todos nós como sociedade ajudar para o fim da discriminação e preconceito que estão presentes nas pessoas que tem pouco conhecimento sobre o assunto”, conclui o médico.

Fonte: Docway

 

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Dicas para ter mais saúde em 2019

O ano novo chegou e, com ele, uma vontade renovada de ter mais saúde, certo? Mas, então, como fazer? Que novas atitudes podemos ter para chegar a um estado mais saudável de consciência física e emocional? Frésia Sa é fisioterapeuta e utiliza diversas técnicas para descobrir memórias traumáticas e crenças inconscientes que podem ser a causa de dores e doenças crônicas e nos impedir de viver em plenitude.

Frésia separou três dicas que podem parecer básicas, e talvez você até já tenha pensado nisso, mas que, segundo ela, se nos comprometermos de coração com elas, a saúde vem, inevitavelmente. Veja quais são as mudanças de que você precisa:

Procure as causas reais das suas dores, sejam elas físicas ou emocionais

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Foto: OnHealth

“Ninguém merece viver com dor. Bato muito nessa tecla porque atendo muitas pessoas que têm essa crença: a de que eu nasci sentindo dor e, portanto, vou seguir assim a vida toda. Isso não é verdade! Você pode e deve ter uma vida leve e feliz, basta que, para isso, conheça o que machuca sua alma e seu corpo, quais são as lembranças, os traumas, as crenças, que impedem de usar os seus maiores potenciais. Vá em busca da sua melhor versão, investigue sua mente e seu corpo, entenda o que faz você sofrer e elimine as causas reais das suas dores. Isso é possível e não é difícil, mas exige dois ingredientes fundamentais: iniciativa e determinação”.

Comece uma rotina saudável, que permita atingir seu maior potencial

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“Você dorme demais, come mal, vive cansada, sente sua vida estagnada, é parceira da procrastinação e das desculpas para nunca fazer o que realmente precisa? Mude já. Ter uma rotina saudável, que reúna elementos como boa alimentação, leituras saudáveis, práticas físicas, conexão espiritual (seja qual for sua religião ou filosofia), organização e disciplina, é fundamental para sentir que sua vida caminha, que seus planos se concretizam e seus sonhos estão a caminho de se realizar. Coloque pequenas metas, estabeleça prazos para incluir novas rotinas e vá agregando boas práticas aos poucos. Toda mudança radical tende a não vingar. O que acontece devagar, permanece”.

Exercite a gratidão!

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“Muito se fala nessa palavra, nos dias de hoje, e não é à toa! A palavra gratidão é uma das que exerce a mais alta vibração, ou seja, quando falamos que somos gratos, estamos ampliando nosso campo energético positivo. Obviamente, falar é bom, mas sentir é essencial! Quando somos gratos pela vida, pelas nossas origens, pelo que temos e somos, e inclusive pelas nossas dores, já que foram elas que nos levaram a um caminho de autoconhecimento, conseguimos construir uma energia de impulso, que facilita nossas conquistas. Todo desconforto nos provoca, é um alerta e, se ouvirmos a voz do nosso próprio corpo, podemos ir atrás de soluções e melhorias pessoais. Por isso, seja grato, inclusive por aquilo que te tira da zona de conforto. A vida precisa de impulso, e é por meio dele que crescemos”.

Está pronto para criar um 2019 mais pleno, mais saudável e cheio de vida? Comece por pequenas mudanças, entenda de onde vem as suas dores e seja grato, por tudo. Só assim conseguimos enxergar as boas estradas, as boas oportunidades e nosso futuro de crescimento. Não custa experimentar!

Fonte: Biointegral Saúde

Psicóloga dá 15 dicas para ser mais feliz e obter sucesso em 2019

É inevitável ao final  e início de cada ano, começamos a repensar tudo o que fizemos. Os planos que colocamos em prática, os que ficaram no meio do caminho e aqueles que nem mesmo tiramos do papel. Realmente é uma época de organizar a mente, o emocional e o corpo.

Seja o objetivo passar em um concurso público, vestibular, organizar a vida sentimental e financeira, até mesmo emagrecer, ou parar de fumar. O importante é pensar em tudo que realizou, o que deu certo, e se programar para colocar em prática os outros desejos, sem frustrações, cobranças e tristezas.

“Começar o ano motivado e com a vida organizada é fundamental para conseguir o sucesso” explica a psicóloga Miriam Pontes Farias, que enfatiza:”Valorize as coisas legais que você realizou durante o ano”.

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Pixabay

A especialista explica que por meio da hipnose clinica é possível equilibrar a mente e o corpo: “Mente sã, corpo são, é importante deixar de lado o estresse, a baixa autoestima, e qualquer sentimento ou pensamento de negatividade, é preciso mergulhar em si próprio, descobrir o que deu errado para acertar no novo ano. Às vezes, a ansiedade, a dúvida e o estresse acabam levando a pessoa a se desequilibrar emocionalmente” conta.

A hipnose é uma terapia focal e direcionada, uma forte aliada contra diversos males da atualidade, indicada para tratar estresse, baixa autoestima, depressão, pânico, fobias, ansiedade, medo, vícios, e ajuda até mesmo a potencializar os estudos para provas de concursos e vestibulares.

Miriam, porém, dá algumas dicas para quem quer um 2019 mais feliz:

1- Tenha atitudes mais ousadas.

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2- Se aproxime mais de relações saudáveis, de pessoas que colocam você pra cima.

3- Acredite que é possível realizar seu sonho (passar no concurso, comprar um imóvel, casar, fazer uma faculdade, ter filhos, viajar para o exterior etc…). Crie estratégias e invista neles.

4- Aprenda a administrar momentos de estresse e ansiedade.

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Wisegeek

5- Aplique como exemplo o que deu certo, em time que se ganha não se mexe. Valorize as coisas boas que aconteceram com você durante o ano que terminou e busque novas realizações.

6- Pare de se lamentar e deixe o passado, remoê-lo não traz nenhum benefício. Siga em frente, tem muita vida esperando por você.

7- Separe alguns minutos do seu dia para meditar, fazer yoga ou praticar auto-hipnose. Busque a paz interior.

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8- Faça programas que relaxem e tragam prazer.

9- Viva um dia de cada vez, para que pressa?

10- Valorize o que você tem de melhor, qual é o seu ponto forte?

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Free Images

11- Esteja aberto a novos aprendizados.

12- Saia da “zona de conforto”, movimente-se. Faça coisas diferentes para obter resultados diferentes.

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13- Cuide do corpo e pratique atividade física

14- Cuide da sua mente alimentando-a com pensamentos saudáveis. Quando estiver passando por momentos difíceis na vida, procure um psicólogo, ele pode te ajudar.

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Pexels

15- Aumente as suas possibilidades de relacionamentos, a gente se constrói na relação com o outro.

Fonte: Miriam Pontes de Farias atua como psicóloga clínica, hipnóloga e professora. É pós-graduada em hipnose clínica e acupuntura, conferencista internacional, palestrante e coordenadora do ambulatório em psicoterapia com hipnose. Presta atendimentos individuais e em grupo no Centro e na Zona Sul do Rio de Janeiro. 

Como driblar “armadilha” da compulsão alimentar nas festas de fim de ano

Especialista em obesidade Gladia Bernardi, autora do best-seller “O Código Secreto do Emagrecimento” explica como aproveitar as ceias de Natal e Ano Novo sem comer de forma exagerada, evitando colocar a saúde e a boa forma em risco

O final do ano chegou e, com ele, as tradicionais festas de confraternização, encontros com amigos, ceias em família, e muita comida. Todos esses ambientes já são propícios para comer em exagero, mas a maioria das pessoas ainda conta com o desgaste físico e psicológico acumulado no ano, principalmente por conta do trabalho, como “incentivo” para os excessos. A vontade de “relaxar” é uma das justificativas para o exagero na hora de comer.

A boa notícia é que há alternativas para desfrutar dessa época do ano sem grandes prejuízos para a saúde nem sofrimento, e o segredo está em trabalhar a mente. Gladia Bernardi, especialista em obesidade e autora do best-seller “O Código Secreto do Emagrecimento”, explica que é normal as pessoas desejarem uma “recompensa” pelo ano exaustivo e acabarem deixando o emocional tomar conta. Por isso, acabam comendo mais do que de fato gostariam e ficam com sentimento de culpa.

Segundo pesquisa do The New England Journal of Medicine, as pessoas tendem a engordar 2 kg durante as festas de fim de ano, mas não perdem esse excesso integralmente depois. O estudo, realizado com quase 3.000 pessoas nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, mostrou que os participantes emagreceram apenas 1,5 kg – acumulando em média 0,5 kg a cada ano.

Fome emocional x fome racional

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Como trabalhar a mente para evitar esse tipo de compulsão? No best-seller, Gladia explica os dois sistemas que controlam nosso cérebro: o “bottom up” (emocional) e o “top down” (racional). Como a principal forma de manter-se saudável é uma reconstrução de padrões de pensamento para a criação de hábitos, é fundamental o equilíbrio entre esses dois sistemas.

“Os momentos de exagero na comida ocorrem geralmente quando o sistema “bottom up” – emocional – toma conta do cérebro e de suas ações, o que não pode acontecer. É preciso que o sistema emocional permita receber conselhos do racional para que ambos possam agir em harmonia”, explica a especialista.

O uso excessivo na rotina diária do sistema “top down” – racional – faz com que, em momentos de festividades, grande parte das pessoas queiram deixá-lo de lado, o que é importante e saudável, mas não pode ser feito de maneira integral. É preciso que os sistemas realizem ações comportamentais juntos, não individuais.

“Nossa vida não teria graça nenhuma se vivêssemos apenas sob o comando da razão, é importante que o emocional esteja presente nos momentos de descontração. Mas é preciso entender que o segredo para não cair em compulsão é acionar o ‘top down’ antes de comer, impedindo assim os exageros e o sentimento de culpa”, comenta Gladia.

Como acionar o racional durante as festas?

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Shutterstock

“Trabalhei como um(a) doido(a) o ano inteiro, mereço comer o máximo que eu aguentar”. Epa, calma! Realmente, você merece momentos de prazer e diversão após tanto trabalho e uma rotina exaustiva o ano inteiro, mas isso não é motivo para comer em exagero.

“Esse pensamento é uma forma de sabotar a mente, e apenas contribui para a compulsão. Comida não pode ser o centro da felicidade”, alerta Gladia. Segundo a especialista, essa frase significa que o sistema “bottom up” (emocional) tomou conta da mente. “Lembre-se: é preciso permitir que o “top-down” (racional) entre em ação e os dois atuem em conjunto. Aproveite aquele doce saboroso, mas não precisa acabar com a travessa”, ensina ela.

“Ah, já comi um, mesmo, mais quatro ou cinco ou tantos outros não vão fazer diferença”. Esse também é outro pensamento muito comum para justificar uma compulsão. Não é porque você comeu um alimento gorduroso que vai “abrir a porteira” para comer sem limites.

“Saiba aproveitar uma comida gostosa sem excessos, e não sentirá culpa nem terá prejuízos significativos depois. É comum esse tipo de pensamento durante as ceias de final de ano, o que leva a mais momentos de compulsão e faz com que a pessoa postergue a reprogramação do cérebro para a criação de hábitos”.

“Estou satisfeito(a), mas vai demorar para eu comer isso de novo, então vou pegar mais”. Essa é clássica no fim do ano. Realmente, não é sempre que nos deparamos com pratos elaborados e tantos tipos de doces como nessa época. Por isso, é importante aproveitar os alimentos, mas, novamente, esse tipo de pensamento não pode ser uma forma de justificar uma compulsão.

“Se você já está satisfeito, para que ficar sofrendo pelo “futuro” em que não vai ter o alimento? Importante lembrar que as ações que constroem hábitos no cérebro são feitas diariamente e em pequenos momentos. Evitar esse tipo de ação também vai contribuir para a reprogramação da sua mente para manter uma rotina mais saudável no futuro e sem sofrimentos”, recomenda Gladia.

“Vou começar a dieta a sério no ano que vem, então agora vou extravasar”. “Em meu livro, apresento uma técnica para não sofrer com dietas restritas e ter uma vida prazerosa. Para isso, é importante a construção de hábitos no cérebro para que ele seja programado a viver bem com uma rotina saudável. Como isso é feito? Diariamente, em pequenos momentos. Uma possível dieta restrita no futuro não pode justificar um momento de compulsão. É preciso equilíbrio em ambos os momentos”, diz.

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Foto: Envato Elements

Não há nenhum mal em aproveitar as festas para comer aqueles doces diferentes e experimentar refeições saborosas, desde que sem excessos. “O importante é exercitar a mente para que não se deixar levar pelas emoções de momento, nem pela ideia de “recompensa”. O equilíbrio é a chave para se divertir nas festas, experimentando alimentos diferentes sem ficar com a consciência pesada”, finaliza.

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Fonte: Gladia Bernardi é autora do recém-lançado livro Código Secreto do Emagrecimento (Ed. Gente), nutricionista e desenvolvedora do método de coaching de Emagrecimento Consciente, baseado na neurociência, na programação neurolinguística e em coaching. Atualmente, já formou mais de mil profissionais de todo o Brasil e é responsável pelo evento “Por um mundo mais leve”, que é realizado anualmente e defende que qualquer pessoa pode emagrecer se estiver em harmonia com a mente.

Esgotamento é maior no final do ano com pressão e metas*

Ansiedade e cobrança podem trazer impactos para a saúde física e emocional dos profissionais

Uma vez que o esgotamento emocional pode nos impedir de avançar, é importante saber como identificá-lo e procurar atividades que nos ajudem a relativizar e neutralizar as emoções negativas.

Nós falamos, é claro, de todos os universos emocionais que contêm o estresse, as preocupações do dia a dia, as tensões que outros nos infligem, os medos, o peso do passado, o medo do futuro, e até mesmo a angústia existencial. Todos nós temos muito claro o que é o esgotamento físico; nós sabemos como identificar os sintomas e atender adequadamente a esse estado em que nosso corpo não pode dar mais de si mesmo e requer um descanso.

No entanto, por mais curioso que possa parecer, o esgotamento emocional não é tão fácil de identificar. Além disso, não sabemos como oferecer uma resposta efetiva, uma estratégia de coesão psicológica útil e eficaz. O que fazemos muitas vezes é “engolir” uma emoção após a outra. Nós as colocamos uma por uma em nossa bagagem pessoal sem estarmos ciente de seu peso e de como elas afetam nosso bem-estar e qualidade de vida.

Todos os dias nos movemos mais devagar, com menos entusiasmo, com a motivação e os sonhos no chão. Hoje propomos que você tome consciência desse tipo de fadiga. Identificá-la e gerenciá-la adequadamente pode mudar sua vida.

O que é o esgotamento emocional?

O esgotamento emocional vai além do estresse ou da simples ansiedade. Ocorre especialmente em pessoas que, devido ao seu trabalho ou situação pessoal, vivem experiências carregadas com um alto nível emocional. Por exemplo, as responsabilidades de profissões como médicos, enfermeiros, bombeiros, professores etc., muitas vezes causam a acumulação de emoções muito intensas que não têm tempo de gerir no seu dia a dia.

Além disso, fatos como ter que cuidar de pessoas doentes ou dependentes, bem como viver em um ambiente familiar muito exigente, também geram um alto esgotamento emocional. Por outro lado, situações como uma perda, uma decepção, ou um evento traumático no passado também causam um desgaste progressivo que pode deixar uma profunda marca em nossa mente.

Fim de ano é época de festas, mas também é neste período que as pessoas costumam ficar mais estressadas. Já vivemos em um mundo altamente competitivo e com enorme quantidade de tarefas que precisam ser executadas diariamente, mas, em dezembro, para poder encerrar tudo o que deveria ter sido concluído durante o ano, o trabalho e a pressão aumentam ainda mais. Esta mistura de ansiedade e cobrança pode trazer impactos para a saúde física e emocional dos profissionais. E o resultado pode ser pessoas extremamente cansadas ou até mesmo com problemas mais sérios, como a Síndrome de Burnout, a doença do esgotamento profissional.

A Síndrome de Burnout é um processo que se inicia com a tensão no trabalho, podendo levar o profissional a uma condição crônica de estresse e ao esgotamento físico e mental, que, se não for diagnosticada corretamente, pode ser confundido com doenças como a depressão. No entanto, para o médico, a síndrome diferencia-se da depressão, por estar diretamente atrelada ao trabalho e não a outras questões da vida do profissional.

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Acontece quando já foi exigido tudo o que o corpo e a mente poderiam suportar. Ela afeta principalmente os profissionais que são submetidos diariamente a momentos de muita tensão, como médicos, bombeiros, policiais, trabalhadores da área da educação, saúde, recursos humanos. Também têm maior propensão a desenvolver a síndrome quem tem baixa autoestima ou dificuldade nos relacionamentos interpessoais.

Entre os sintomas mais frequentes da síndrome, estão a ansiedade, tristeza, indiferença, agressividade, isolamento, mudanças de humor, dificuldade de concentração, problemas de memória, baixa autoestima, distanciamento afetivo e desinteresse pelo trabalho. Sob o aspecto físico, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, palpitação, aumento na pressão arterial, insônia e no caso das mulheres, com alterações no ciclo menstrual. O quadro pode ficar tão sério que alguns pacientes com Burnout passam a utilizar álcool e drogas para aliviar as dores e as tensões, o que os leva a dependência e até a tentativas de suicídio.

Para reverter este quadro, a orientação é que o paciente busque ajuda com um médico psiquiatra, que fará o diagnóstico e poderá receitar medicamentos, além de, se necessário, encaminhá-lo para a terapia com um psicólogo. O tratamento com os especialistas ainda deverá contar com a força de vontade e inciativa do paciente, para que ele consiga mudar seu estilo de vida e maneira com que lida com o trabalho.

*Cristiane Pertusi é Doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP e  Mestre em Psicologia PUCRS, Especialista em Abordagem Sistëmica pela Unifesp. Certificada como coach qualificada pela ASTD –The American Society for Training and Development, para ministrar “Coaching Certificate Program”. Qualificada pela Fellipelli – Instrumentos de Diagnóstico e Desenvolvimento Organizacional para aplicar O Indicador de Preferências Psicológicas, Instrumento MBTI-Myers Briggs Type Indicator. Consultora, Psicóloga e Professora Universitária há mais de 17 anos. 

Palestra Casar Pode Dar Certo: terapeuta ensina como ter um relacionamento feliz

De forma leve e divertida, a psiquiatra e terapeuta Hebe de Moura dá dicas sobre o que fazer para que a união de um casal de apaixonados, que começa cheia de amor e boas intenções, com tudo para dar certo, não se transforme, aos poucos, em uma guerra que pode ter, como consequência, uma separação sofrida.

Ao invés de repetir “regras”, que todos já conhecem, do que as pessoas “têm que fazer”, Hebe de Moura dá as chaves para mostrar como chegar ao tão desejado resultado. Tanto os que estão se preparando para o casamento, quanto os que já estão casados, vão descobrir novas maneiras de melhorar o seu relacionamento.

Dentro da dinâmica da palestra, Hebe contará com atores que vão simular cenas vividas por casais, dando exemplos concretos do que funciona e o que não funciona em um relacionamento. Paulah Gauss é a atriz convidada. A apresentadora do evento será a jornalista Adriana de Castro.

Hebe de Moura

Hebe de Moura é médica, formada pela Unifesp em 1982. Psiquiatra, psicoterapeuta, palestrante e escritora, é autora dos livros “As 3 faces da Mulher” e “A Inteligência Feminina”. Já participou como convidada em vários programas na Rede TV!, SBT, TV Gazeta, Rede Mulher; CNT, Rede Brasil de TV, Rádio Capital, Record, Jovem Pan e CBN, entre outros. Atualmente, faz palestras para empresas, atende pacientes em seu consultório e produz e participa, como especialista, do programa “A Inteligência Feminina”, na Web, ao lado da jornalista Adriana de Castro.

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Palestra Casar Pode dar Certo
Data: 20h, segunda-feira, 26 de novembro.
Local: Teatro Augusta
Endereço: Rua Augusta, 943
Entrada: R$ 60,00 pelo Ingresso Rápido ou na bilheteria do teatro

 

Dia de Finados: como lidar com a perda dos pais?

Hoje, 2 de novembro, é celebrado o Dia de Finados, data em que, tradicionalmente, homenageamos nossos entes queridos falecidos. No entanto, os ocidentais ainda encaram a morte de uma forma muito dolorida.

“A morte mexe muito com o nosso sistema de crenças e escancara nossa impotência, humanidade e fragilidade. A dor da perda ainda é um dos nossos maiores medos, pois é quando perdemos também nossa segurança e estabilidade”, afirma Heloísa Capelas, especialista de inteligência emocional e diretora do Centro Hoffman.

Para Heloísa, a perda dos pais ou daqueles que nos criaram é uma das mais doloridas. Isso porque somos 100% identificáveis com eles por conta da infância. “Quando criança, precisamos do apoio de adultos para termos o nosso aprendizado e, até os 12 anos, estamos na fase de construção da capacidade intelectual, mental e neurológica”, explica.

Estes aspectos fazem com que – mesmo com as brigas na adolescência e até um distanciamento na vida adulta – criemos um amor incondicional por eles. “Com a morte dessas pessoas, é como se estivéssemos perdendo também um pedacinho de nós mesmos”, completa.

Quando a pessoa cria, ao longo do tempo, algum tipo de mágoa ou rancor com relação a seus pais, a perda desses entes pode ser ainda mais dolorida e carregada com uma grande dose de culpa. Diante disso, Heloísa separou alguns pontos a serem refletidos e que podem ajudar na superação deste tipo de sentimento. Veja abaixo:

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Entenda que a mágoa é algo que está em nosso interior: segundo Heloísa, a primeira coisa da qual precisamos ter consciência é de que a mágoa que eventualmente criamos em torno de nossos pais é um problema individual nosso e não deles – está em nosso coração. Como estamos falando de um sentimento interior, o perdão pode vir a qualquer momento – antes ou depois da morte destes familiares.

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Entenda que é possível perdoar, mesmo que as pessoas que nos fizeram mal já tenham partido: Heloísa afirma que é preciso olhar para dentro de si e fazer uma escolha – se eu quero levar adiante essa mágoa, que vai ficar dentro do meu coração, dificultando meu caminhar, me envelhecendo precocemente e trazendo doenças para o meu corpo físico, ou perdoar e me sentir mais livre. “Seja lá o que vivemos com nossos pais, nós podemos resolver com eles vivos ou mortos. Claro que, quando eles morrem, nossa culpa aumenta e alguns vivem paralisados por conta disso. Pensam que agora que seu pais faleceram, não há mais tempo – que não é mais possível perdoar. Mas isso não é verdade. Podemos perdoar a qualquer momento e a qualquer hora, basta saber que essa escolha existe”, diz.

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Entenda que, quando a pessoa decide não perdoar, existe uma grande possibilidade de se tornar reflexo de seus pais: quando atingimos a vida adulta e temos algum tipo de rancor ou mágoa dos nossos pais, a tendência é que lutemos ao máximo para sermos indivíduos completamente opostos a eles. No entanto, com a morte, a probabilidade de ficarmos extremamente parecidos com eles é muito grande, por conta da culpa inconsciente de não ter liberado essa raiva antes da morte deles. A liberação da culpa e o perdão nos ajudam a lidar melhor com este aspecto e permitem com que a vida siga em frente.

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Compreenda que o amor nunca pode nos prender: muita gente não guarda rancor de seus pais, muito pelo contrário: os admira tanto que suas mortes levam à uma profunda tristeza que pode acarretar também a uma não aceitação do ocorrido. “É preciso entender que isso não está dentro do nosso controle e que a tristeza pela morte gera um apego que não é saudável para ninguém. O amor incondicional, pelo contrário, liberta”, afirma Heloísa. Para ela, morrer faz parte da continuidade do meu amor.

Curso

Essas e outras estratégias de inteligência emocional serão apresentadas, em sete dias de treinamento intenso no curso do Processo Hoffman, que terá suas próximas edições realizadas em Cabreúva (SP) entre os dias 14 e 20 de novembro e, em Petrópolis (RJ), entre 26 de novembro a 4 de dezembro.

Considerado um curso intensivo de autoconhecimento e reeducação que proporciona amplo desenvolvimento das Inteligências Emocional e Comportamental, o Processo Hoffman fornece instrumentos para que cada um possa ampliar seu potencial e, ao mesmo tempo, eliminar barreiras que impedem seu crescimento, conduzindo ao encontro do ser humano consigo mesmo, com seu amor-próprio e sua autoliderança. Seus resultados foram comprovados cientificamente pela Universidade da Califórnia (EUA) e indicam aumento nos índices da Inteligência Emocional gerando, entre outros benefícios, empatia, liderança, perdão, espiritualidade, bem-estar, vitalidade e alta performance.

Curso Processo Hoffman

Cabreúva – SP: 14/11 a 20/11
Hotel Solar das Primaveras – Cabreúva (SP)
Av. Pascoal Santi, 285 – Jacaré do Bonfim – Cabreúva, SP

Petrópolis – RJ: 26/11 a 4/12
Hotel Pedra Bonita – Petrópolis (RJ)
Rodovia BR-040, Km 69,2, Fazenda Inglesa – Petrópolis, RJ

Informações: Centro Hoffman

 

O que o paciente borderline e família podem esperar de um tratamento especializado*

O tratamento do paciente borderline pode gerar muitas angústias e expectativas para ele e familiares. Quando procuram um atendimento especializado, em geral, já estão cansados e desacreditados que possa existir uma possível melhora, isto acontece porque vários profissionais foram consultados, sendo que alguns deles erraram no diagnóstico e no tratamento. Além disso, há também aqueles profissionais que, de forma responsável, os encaminharam por não possuírem um atendimento especializado. Os dois cenários reforçam a crença de que não há solução para esses casos, postergando assim, o sofrimento do paciente.

Promover a evolução deste paciente não é tarefa fácil, para isso é fundamental trabalhar a dinâmica dele e do ambiente familiar, visto que um influencia o outro.

A família, ora está muito distante, ora numa excessiva interferência na vida uns dos outros, abusam de críticas e acusações. Nestes momentos, podem utilizar um tom de voz e palavras agressivas, o que chamamos de emoção expressa, é uma comunicação que vem “sem filtro”, se pudessem esperar a raiva passar, as palavras seriam outras e o tom também. Eles acreditam que todo o problema familiar está ligado ao transtorno e provocam o sentimento de culpa que o indivíduo não sabe como lidar.

O paciente apresenta dependência emocional e financeira da família. Ele possui um sofrimento psíquico intenso, diferente da maioria das pessoas. Há também o comportamento de boicotar todas as áreas de sua vida, fazendo com que fique estagnada.

Cronologicamente é um adulto, muitas vezes bastante inteligente, porém sente e sofre de forma muito parecida com a criança ou com um bebê. Emocionalmente, os recursos que utiliza são de uma fase muito primitiva, um funcionamento à base do “oito ou oitenta”, do amor ou do ódio, totalmente bom ou totalmente mau (Sassi; Kernberg; Gabbard). É uma forma absoluta de vivenciar o mundo, muito diferente do esperado para alguém da sua idade, que relativiza algumas verdades e entende que uma pessoa não é totalmente má ou totalmente boa, por exemplo.

Sua rede de relacionamentos normalmente está restrita à família. Possui um comportamento recorrente de isolar-se, afastar-se e ainda provocar o afastamento das pessoas, isso faz com que acabe perdendo o melhor alimento para o mundo mental e emocional, que favorece o lapidar das emoções e da personalidade. Quem fica muito sozinho, acaba emocionalmente empobrecido e pode adoecer. Como diz Sassi: “O alimento para o corpo é comida e para o mundo mental é gente”.

O primeiro ano do tratamento é o período onde ocorre o maior número de resistências e, dependendo do paciente, este tempo pode se estender. Apresenta muitas faltas, pode não fazer o uso correto das medicações (não toma ou ainda toma em excesso), compra medicações no “mercado negro”, etc.

Ao longo do processo podem ocorrer recaídas no uso de álcool e drogas, compras abusivas no cartão de crédito, sexo desprotegido com desconhecidos, automutilações, tentativas de suicídio, dentre outros comportamentos impulsivos.

Não é tarefa fácil para este perfil dividir com o terapeuta os pensamentos e sentimentos que possui, pois é um paciente de difícil acesso. Isso ocorre em função das fantasias que tem a respeito de si mesmo e dos outros. Ele teme que o profissional e a equipe possam julgá-lo ou até mesmo abandoná-lo, como fez a maioria de seus relacionamentos. Se essas fantasias não forem trabalhadas, a terapia e o tratamento podem não ocorrer.

A melhora começa quando ele encontra um lugar no qual se sente ouvido e entendido. Então, diminuem as automutilações e as tentativas de suicídio. As pequenas mudanças acontecem em “conta gotas”, alternando com as recaídas no modo “dá dois passos e volta um”.

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Foto: MedicalNewsToday

O desenvolvimento da autonomia emocional e financeira, a conquista da confiança dos familiares e a manutenção dos laços afetivos, acontecem gradativamente ao longo dos anos como resultado das reflexões feitas nas terapias individual e familiar, e também das orientações e prescrições do médico psiquiatra.

Alguns pacientes conseguem a melhora geral na qualidade de vida em torno de seis anos de tratamento. Nos últimos tempos, para esses pacientes, temos arriscado em falar sobre cura, pois obtiveram uma mudança significativa na maneira de pensar a vida e conduzi-la, e passaram a não mais preencher os critérios para o transtorno.

Há pacientes que podem levar mais tempo para esta conquista e outros podem tornar-se crônicos, permanecendo dependentes do tratamento para sobreviverem.

Os fatores que contribuem para a melhora significativa do paciente são: uma equipe especializada que trabalhe afinada entre si e com um método específico; familiares que incentivem e participem do processo, seja através da terapia familiar ou da presença quando solicitada; e finalmente, o paciente que desde o início apresenta uma capacidade maior para falar e comparecer à terapia e no tratamento de um modo geral.

*Eliana Krambek é graduada em Psicologia pela UEM – Universidade Estadual de Maringá. Possui especialização em Psicoterapia da Infância e Adolescência, pelo Cesumar – Centro Universitário de Maringá. Especialista no Estudo do Vínculo mãe, bebê e família, pelo Ippia – Instituto de Psicoterapia e Psiquiatria da Infância e Adolescência. Possui formação em psiquiatria e psicoterapia da Infância e Adolescência, pelo Ippia. Psicóloga e supervisora clínica no Ambulatório Integrado de Transtorno de Personalidade e do Impulso IPq – HCFMUSP, São Paulo –SP e atende em consultório particular.

Referências bibliográficas
1- Gabbard, Glen O. Transtorno de Personalidade Borderline do Grupo B: Borderline, in: Psiquiatria psicodinâmica na prática clínica. 5. Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2016;  2- Gomes, Heloisa Szymanski Ribeiro. Terapia de família. In: Psicol. cienc. prof. vol.6 no.2 Brasília, 1986; 3- Joseph, Betty. O paciente de difícil acesso (1975), in: Melanie Klein Hoje. Desenvolvimento da teoria e da técnica. v.2. Artigos predominantemente técnicos. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1990; 4 – Minuchin, S. Famílias: Funcionamento e Tratamento. Trad. J.A. Cunha. Porto Alegre, Ed. Artes Médicas, 1982; 5 – Zito, Daniely Marin; Sassi Junior, Erlei. Psicoterapia Psicodinâmica Modificada Para Transtorno de Personalidade Borderline: O Método; 6 – http://personalidadeborderline.com.br

Especialista dá dicas para quem tem medo de falar em público

Falar em público, seja para uma grande plateia ou mesmo na frente de um pequeno grupo, no trabalho ou na faculdade, pode provocar pânico em muitas pessoas.  O coach e master trainer em Programação Neurolinguística Roberto Debski dá algumas dicas na entrevista abaixo. Confira:

Pergunta – A princípio, qualquer pessoa pode falar em público?
Resposta: Sim, qualquer pessoa pode desde que se prepare para isto, principalmente no aspecto emocional, já que uma das principais fobias que existem é o medo de falar em público. A questão de se expor e ser julgado por uma plateia é assustadora e limitante para muitas pessoas, por diversas razões. Muitos passaram por experiências traumáticas na infância, durante o período escolar, desde então criaram um bloqueio que impede que se exponham sem sentir diversos tipos de sintomas que impossibilitam uma boa exposição. Para superar esta limitação, há inúmeras possibilidades, como a psicoterapia, terapias para fobias como o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing ou Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares), terapia breve, PNL (Programação Neurolinguística), coaching, constelações sistêmicas, cursos de oratória e expressão verbal, dentre outros.

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P – Já atendeu alguém que tinha muita dificuldade e a superou? Pode resumir o caso?
R: Sim, diversos casos, inclusive eu mesmo já tive muita limitação e medo de falar em público, no início de minha carreira médica, recusando convites para participar de alguns eventos. A partir de um certo momento, quando esta dificuldade começou a me atrapalhar profissionalmente, impedindo que eu aproveitasse oportunidades que surgiam, decidi procurar uma maneira de superar e curar essa limitação, o que conquistei por meio de vivências durante minha formação em PNL, e participando de cursos de oratória e treinamento.

P – O que é mais importante? A postura, a fala, a lógica do pensamento…
R: Para falar em público com sucesso, é fundamental que estejamos preparados técnica e psicologicamente, e tenhamos uma dinâmica de expressão que atinja o público alvo, como um todo. Conhecimento técnico sobre o tema é básico, mas se fosse somente esse o requisito necessário, as pessoas conhecedoras dos assuntos sobre os quais vão palestrar não teriam problema em se expressar. Treinar e conhecer o tema a respeito do qual irá falar, saber expressar-se pela fala, pela postura corporal, pelo olhar, pela movimentação. E passar o conteúdo com lógica e dinamismo, alcançando o interesse e a motivação do público é uma arte que pode ser treinada e aprendida, possibilitando o sucesso da apresentação.

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Foto: Hans/Pixabay

P – Usar recursos multimídia ajuda ou dispersa?
R: Há controvérsias sobre o uso de recursos multimídia e audiovisuais.
Um palestrante que lê todo o conteúdo para o público torna-se geralmente desinteressante, já que qualquer um pode ler a respeito do tema, sem precisar que alguém o faça para ele. O uso moderado de fotos, vídeos e gráficos, sobre os quais o palestrante faça as explicações e embase sua fala, pode ser interessante e reforçar a mensagem. Algumas escolas de treinamento sugerem que o palestrante use um flipchart para escrever sobre sua fala, e use imagens e vídeos somente quando extremamente necessário. Todas essas maneiras de falar a uma plateia dependerão muito do carisma do palestrante e de seu preparo e envolvimento com o público.

P – Há alguma técnica infalível?
R: Não há técnicas infalíveis, porém, se o palestrante conseguir conquistar a atenção de seu público por meio do envolvimento emocional, do despertar da curiosidade sobre o tema, e da transmissão clara, dinâmica e focada de sua apresentação, terá a oportunidade de transmitir sua mensagem de maneira efetiva e conquistar sua audiência.

P – O começo e o fim da apresentação são as partes mais importantes?
R: Os primeiros minutos da fala são importantes para conquistar a curiosidade e a motivação da audiência e garantir que, a partir daí, estarão disponíveis e participativos para participar do evento. Claro que o palestrante deverá manter o nível, trazer e desenvolver um conteúdo interessante, de maneira didática e com boa expressão para manter o público participando junto a ele. O final, quando poderá fazer um resumo do tema, reforçar seu interesse e relevância, e deixar uma mensagem positiva que toque a audiência, fará com que a lembrança do evento e de si mesmo, enquanto profissional de excelência no tema, seja positiva, levando o público a querer participar novamente em um futuro evento.

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P – Poderia dar um passo a passo, por exemplo: comece assim, foque nisso, permaneça assim, siga desse modo e termine…
R: Comece se apresentando e fale sobre a relevância do tema que irá abordar, o porquê o tema é interessante para a audiência, o que ela ganhará ao participar e, a seguir, comece a desenvolver o tema, de maneira lógica e didática, com exemplos práticos. Se preferir, pode abrir para algumas perguntas durante a apresentação, ou combine de deixá-las para o final, mas é interessante estar aberto para interagir com o público, sem se mostrar o dono da verdade ou inacessível. Ao final, faça um resumo do que falou, agradeça a atenção de todos e, quando cabível, abra para perguntas e comentários, mostrando-se interessado na participação da audiência e no que ela tem a dizer e contribuir. Deixe um meio para a audiência entrar em contato posteriormente, como um e-mail ou rede social.

P – O que não fazer, tipo tomar alguma bebida ou um ansiolítico para se sentir mais solto.
R: Se o palestrante precisa ingerir bebida alcoólica ou medicamentos para falar em público, isto é sinal que não se sente preparado para tal, e é indicado que procure ajuda profissional para superar suas limitações. Evite sempre o uso de qualquer substância que afete sua cognição, raciocínio ou postura. Evite contar piadas que possam demonstrar preconceito, não seja grosseiro, não demonstre superioridade ou inferioridade. Seja sempre natural. Não imagine que irá acontecer algo errado, mas se encontre preparado para intercorrências, que podem sempre acontecer. Não caia em possíveis provocações, mostre-se educado e firme, sem responder a possíveis agressões e ofensas, que não são comuns, mas podem acontecer. Prepare-se adequadamente antes do evento, e faça o melhor, aprimorando-se sempre, para superar-se a cada apresentação, mantendo a motivação e o interesse. Esses são alguns dos requisitos para o sucesso em sua apresentação e para posicionar seu nome como referência no tema que desenvolve.

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BigStock

P – Pode, por favor, listar dicas que qualquer pessoa possa usar?
R- Claro:

-Conheça bem o tema sobre o qual irá falar, prepare e treine sua apresentação.
-Crie um estado propício para passar sua mensagem, esteja tranquilo, atento, focado, motivado e preparado para quaisquer intercorrências que possam acontecer, como problemas técnicos dos meios audiovisuais acessórios, ou pessoas que queiram criar polêmicas.
-Movimente-se sem excessos, varie o tom e o volume de sua fala, dê exemplos práticos que despertem curiosidade e conectem as pessoas ao tema, não seja soberbo ou humilde demais, seja natural e mostre conexão com as pessoas e com o tema.
-Seja bem-humorado, mas não conte piadas que possam constranger pessoas, nem seja vulgar.
-Assista a outras pessoas que abordam temas semelhantes aos seus, para aprender com seus pontos fortes e fracos, a ampliar seu repertório.
-Assista também a pessoas que são tidas como boas oradoras, mesmo que em temas diversos dos quais aborda, para observar postura, como transmitem a mensagem e interagem com a audiência.
-Falar bem é um aprendizado, que deve evoluir continuamente, e tem como base a autoconfiança e o conhecimento, e pode ser aprimorado com treinamento e dedicação.

Fonte: Roberto Debski é formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e em Psicologia pela Universidade Católica de Santos. Fez curso em Programação Neurolingüística pelo Instituto de Neurolingüística Aplicada, nível master trainer e Curso de formação em Coaching na Sociedade Latino Americana de Coaching.

 

Psiquiatra explica o papel do cérebro na síndrome do intestino irritável

Buscando respostas para a síndrome do intestino irritável, entrevistei o médico psiquiatra Eduardo Humes, Chefe da Seção Técnica de Psiquiatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. Ele explicou a ligação entre a SII e o cérebro, o porquê de o tratamento do problema englobar outras áreas da saúde para ter sucesso e deu dicas de como lidar com o estigma de uma patologia ainda pouco conhecida. Confira:

Pergunta: Explique a ligação da SII com o cérebro.
Resposta: Os mecanismos envolvidos nos sintomas da SII não são claros. Ela é uma síndrome funcional, o que significa dizer que o problema não é uma questão de uma alteração que podemos ver como uma úlcera ou um tumor, por exemplo, mas uma mudança do funcionamento normal de um sistema. O sistema nervoso central modula o funcionamento geral do organismo, fazendo com que, no caso do intestino, ele possa funcionar de maneira mais rápida (maior quantidade de movimentos peristálticos) ou mais lento (menor quantidade).

No alerta de maneira crônica, o intestino deve receber informações do cérebro de maneira que possamos nos liberar de maior peso, por meio de um aumento dos movimentos peristálticos. Quando estamos no pico, a sinalização é para reduzir esses movimentos. Já na ausência do estímulo, funcionaria normalmente. Uma das teorias, talvez a principal, para explicar a oscilação do funcionamento intestinal na SII é que esta se daria por uma exacerbação da resposta a esses mecanismos. E o cérebro teria um papel essencial nesta modulação.

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P – As pessoas costumam ligar o problema à alimentação. Como convencê-las do contrário?
R – As síndromes funcionais são como grandes elefantes, se você estiver muito perto você só vai conseguir ver um pedaço. Alguns alimentos podem, sim, causar gatilhos mais exacerbados, o que facilita às pessoas a realizarem essas associações. Mas nem todos têm as mesmas reações aos alimentos. O convencimento, que é a parte mais “difícil”, passa por uma única estratégia, que é a educação. Por isso a necessidade de se ocupar as mídias com essa agenda.

P – Claro que há dias em que passamos por situações estressantes, mas como explicar que o problema surja mesmo naqueles dias considerados “normais”?
R – Esta questão tem que ser vista caso a caso, mas uma explicação frequente é que pessoas com síndromes funcionais podem ter o que chamamos de alexitimia, que é um termo para falar da dificuldade em entrar em contato ou descrever emoções, sentimentos e sensações corporais. Assim, muitas vezes a pessoa pode estar passando por uma situação mais “estressante”, por exemplo, e não se percebe assim.

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P– Há muita resistência das pessoas em aceitar o diagnóstico?
R – As pessoas, de maneira geral, apresentam um grande estigma com diagnósticos de saúde mental, seja de síndromes psiquiátricas ou de sintomas psíquicos em geral. Quando falamos que um sintoma físico pode estar relacionado a um funcionamento psíquico, muitas pessoas interpretam como fraqueza ou falha de caráter, por exemplo, e não aceitam o diagnóstico. Mas, em geral, quando procuram um profissional de saúde mental, a parte mais difícil do convencimento já foi feita por outra pessoa, profissional ou familiar.

P – O tratamento psicológico tem de correr em paralelo ao feito com gastroenterologistas e nutricionistas. Só assim se consegue melhora?
R – Gosto de fazer uma comparação com meus pacientes, pergunto se eles tivessem uma fratura na perna eles só iriam ser operados e tomar remédios ou se fariam fisioterapia também. A ideia de não fazer fisioterapia é muito similar à de não fazer psicoterapia para SII. Você pode melhorar, sim, mas talvez parte do potencial seja perdido.

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P – Como evitar estresse e ansiedade nos dias de hoje? Cidades grandes pioram o quadro, mas isso de se estar sempre conectado na internet e redes sociais também amplia o problema?
R – Esta é uma importante pergunta, talvez a pergunta do Prêmio Nobel… Mesmo a afirmação de que as grandes cidades pioram o quadro é controversa, elas com certeza aglutinam pessoas que são mais ansiosas, mas será que as pessoas mais ansiosas não buscam também por esses ambientes? Um problema que vemos frequentemente é que as pessoas estão cada vez mais inseridas em realidades virtuais em detrimento do contato humano.

Contato humano, um abraço de fato (não aqueles que nos acostumamos e duram menos de dois segundos), olhar nos olhos das pessoas, apresenta, sim, um efeito importante na maneira que nos sentimos. Já as redes sociais, que são excelentes em muitos aspectos, como dar voz a muitas pessoas que não conseguiriam se comunicar efetivamente, ao mesmo tempo criam situações nas quais a agressividade das pessoas sai por não terem o filtro do olho no olho.

P – A maioria das pessoas com este problema tem de tomar antidepressivos, por exemplo?
R – A decisão deve ser feita caso a caso, muitas vezes para aquele momento. Uma parcela importante poderá, sim, se beneficiar do uso de medicações, mas não a maioria e nem todos os que tiverem indicação usarão em longo prazo (mais que dois anos).

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P – Terapias complementares ajudam? Quais?
R – Sim, em especial meditação, atividade física e também acupuntura mostram efeitos importantes.

P – Pode citar algum caso em que o paciente teve uma melhor significativa?
R – Não, pela ética médica não posso citar um caso, mas, sim, muitos pacientes se beneficiam, em especial do seguimento psicoterápico, que pode ser feito por psicólogos ou psiquiatras.

P – Como agir no emprego? Falar abertamente com os superiores? Li depoimentos de pessoas que pararam de trabalhar, especialmente as que têm SII-D, porque passaram por experiências constrangedoras, até no caminho ao trabalho, no transporte público etc.
R – Os constrangimentos podem ocorrer em especial nas formas que apresentam quadros diarreicos (SII-D e SII-M). A maneira que cada um vai lidar com o impacto da SII depende inicialmente de como a própria pessoa lida com os sintomas. Se não conversamos abertamente, não haverá a redução do estigma. Antigamente, a epilepsia (e as convulsões) era associada a importante estigma, com a abertura no diálogo, hoje é tratada de maneira mais natural. O estigma é real, mas deve ser combatido dentro das possibilidades de cada um.

P – Como agir com a família, já que sempre haverá alguém achando que o problema é “frescura”, “nada sério”, “pode comer isso que não te fará mal…” etc.
R – O estigma é resultado do desconhecimento. Ajudar as pessoas a melhorar sua capacidade de compreender os fenômenos é a melhor forma de ajudá-las a sair do ciclo de preconceito.

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P – SII não tem cura, então, conselhos para se viver com ela, mas sem muitas manifestações. Ou isso é impossível.
R – Como todas as síndromes funcionais é essencial para o melhor controle o manejo do quadro, isso envolve o cuidado multiprofissional em diversas frentes, incluindo: gastroenterologia, nutricional, saúde mental, atividade física, meditação (como mindfulness), com adesão aos cuidados propostos.

Fonte: Eduardo de Castro Humes é médico psiquiatra, formado e residência pela Faculdade de Medicina da USP. Chefe da Seção Técnica de Psiquiatria do HU/USP, Coordenador Médico do Grapal/FMUSP, Colaborador do Escritório de Saúde Mental da USP, Diretoria Executiva do Forsa-Abem, Representante Internacional da Association for Colege Psychiatry, Doutorando do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Autor de artigos científicos e capítulos de livros, além de organizador de livros científicos em psiquiatria