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Médica alerta: não adote a dieta fodmap sem acompanhamento profissional

Entrevistei novamente a gastroenterologista do Fleury Medicina e Saúde, Cristine Lengler, sobre a SII (síndrome do intestino irritável). Desta vez, conversamos sobre como as mulheres parecem ser as mais afetadas pelo problema. A médica também citou alguns medicamentos que podem ajudar quem tem a síndrome, mas que ainda não chegaram ao Brasil. Confira:

Pergunta: Parece que as mulheres são as mais atingidas pela SII. Por quê?

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Resposta: Realmente, a síndrome é mais frequente em mulheres. Sabemos que os hormônios femininos têm uma ação sobre a motilidade ou contração do intestino em mulheres, tanto nas mulheres com síndrome do intestino irritável quanto nas saudáveis. Eles modulam tanto a contração quanto a sensação de dor. Esses hormônios também podem modular a suscetibilidade ao estresse, que é um fator importante na ocorrência tanto da síndrome quanto dos sintomas. Até o momento não podemos dizer que os hormônios femininos são causa da síndrome, mas podem ter um papel no aparecimento dos sintomas e na sua intensidade.

Pergunta: No caso das mulheres, estes problemas podem estar ligados a outros, como a endometriose ou a piora dos sintomas durante o período menstrual?

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Resposta: Exatamente. Tanto na endometriose quanto no período menstrual, a quantidade desses hormônios circulando no corpo da mulher são modificados e, portanto, poderiam ser causa de piora ou de aparecimento de sintomas.

Pergunta: Poderia falar novamente sobre a dieta de baixa fodmap e se ela realmente é importante?

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Resposta: Fodmap é o conjunto de alimentos fermentáveis que são mal-absorvidos pelo nosso organismo e que podem causar desconforto intestinal. Esses alimentos fermentáveis são os carboidratos não digeridos pelo trato digestivo humano. Por não serem digeridos, em algumas pessoas, podem levar a uma maior formação de gases, consequente à fermentação pela flora intestinal e, consequentemente, desencadear sintomas como dor e distensão abdominal.

Quando a pessoa tem síndrome do intestino irritável, com pouca resposta à terapêutica habitual, a realização de uma dieta com baixo teor de fodmap pode auxiliar no controle dos sintomas. A ideia é identificarmos os alimentos desencadeadores de sintomas. Não é o objetivo manter a restrição de todo este grupo de alimentos para sempre. O ideal é que, após a pessoa se sentir melhor, vá reintroduzindo os alimentos gradativamente até identificar os específicos, de modo que, posteriormente, sejam evitados apenas os alimentos desencadeadores e que a dieta não fique muito restrita por muito tempo.

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Pinterest

Manutenção de dieta com pouco fodmap por longo prazo pode levar a várias deficiências nutricionais. Não é recomendada a adoção deste tipo de dieta sem acompanhamento profissional.

Pergunta: Há alguma novidade nessa área, como novos exames, tratamentos, medicamentos? Aqui e lá fora.

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Resposta: Existem, sim, alguns medicamentos, mas que não estão disponíveis no Brasil, como eluxadolina, rifaximina, lubirpostona, plecanatide e linaclotide. A microbiota tem um papel na síndrome do intestino irritável, mas ainda não sabemos qual a combinação de agentes probióticos e em qual dosagem deveriam ser utilizados para obtermos benefício e alívio completo dos sintomas. Apesar de poucos trabalhos sugerirem que alguns pacientes possam ter um certo alívio dos sintomas quando comparados com placebo, ainda não há evidência científica para se recomendar o tratamento da síndrome do intestino irritável com o uso de probióticos.

Pergunta: O que uma pessoa com SII deve fazer para ter uma melhor qualidade de vida? E o que evitar.

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Foto: Pinterest

Resposta: A pessoa com diagnóstico de síndrome do intestino irritável deve exercitar-se regularmente e dormir bem. Alguns trabalhos sugerem que a prática regular de meditação e a psicoterapia também podem auxiliar no controle dos sintomas.

Pergunta: E em relação à alimentação?

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Resposta: Recomenda-se consumo adequado de líquidos (em torno de 6 a 8 copos de água por dia), dieta rica em alimentos com fibras digeríveis. Conforme o sintoma principal, o médico poderá restringir alguns alimentos. No caso de pessoas com distensão abdominal e excesso de gases, pede-se para diminuir o consumo de alimentos como bebidas gaseificadas, bebida alcoólica, cafeína e alguns vegetais como brócolis, couve-flor e repolho.

Quando, além da dor, o sintoma for constipação, aumenta-se o conteúdo e fibras da dieta. Alguns pacientes com diarreia podem se beneficiar da diminuição de glúten da dieta. Em alguns casos recomenda-se a realização de dieta com baixo teor de fodmap. E, repetindo, a restrição alimentar deve ser feita sobre supervisão para que não leve a deficiências nutricionais.

Cristine Lengler é Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Especialista em Gastroenterologia Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, atua como médica gastroenterologista do Fleury Medicina e Saúde. É membro fundador do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)

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Kefir: nove benefícios para a saúde baseados em evidências

Rico em nutrientes e probióticos, é muito benéfico para a digestão e a saúde intestinal; muitas pessoas o consideram mais saudável que o iogurte. A seguir, nove benefícios do kefir para a saúde que são apoiados por pesquisas.

1. Kefir é uma fonte fantástica de muitos nutrientes

kefir
Kefir é uma bebida fermentada, tradicionalmente feita com leite de vaca ou de cabra. É feito adicionando grãos de kefir ao leite. Não são grãos de cereais, mas colônias semelhantes a grãos de leveduras e bactérias de ácido láctico que se assemelham a uma couve-flor na aparência.

Durante aproximadamente 24 horas, os micro-organismos nos grãos de kefir se multiplicam e fermentam os açúcares no leite, transformando-o em kefir. Em seguida, os grãos são removidos do líquido e podem ser usados ​​novamente.

Em outras palavras, o kefir é uma bebida, mas os grãos de kefir são a cultura inicial que você usa para produzir a bebida. O Kefir originou-se de partes da Europa Oriental e do Sudoeste Asiático. O nome é derivado da palavra turca keyif, que significa “sentir-se bem” depois de comer.

As bactérias do ácido láctico dos cereais transformam a lactose do leite em ácido láctico, por isso o kefir tem um sabor azedo como o do iogurte – mas tem uma consistência mais fina.

Uma porção de 180 ml de kefir com baixo teor de gordura contém (2):

Proteína: 4 gramas
Cálcio: 10% do IDR
Fósforo: 15% do IDR
Vitamina B12: 12% do IDR
Riboflavina (B2): 10% do IDR
Magnésio: 3% do IDR
Uma quantidade razoável de vitamina D

Além disso, o kefir tem cerca de 100 calorias, 7 a 8 gramas de carboidratos e 3 a 6 gramas de gordura, dependendo do tipo de leite utilizado. Também contém uma ampla variedade de compostos bioativos, incluindo ácidos orgânicos e peptídeos, que contribuem para seus benefícios para a saúde. As versões sem leite do kefir podem ser feitas com água de coco, leite de coco ou outros líquidos doces. Estes não terão o mesmo perfil de nutrientes que o kefir à base de leite.

Resumo: Kefir é uma bebida de leite fermentado, cultivada a partir de grãos de kefir. É uma rica fonte de cálcio, proteínas e vitaminas do complexo B.

2. Kefir é um probiótico mais potente que o iogurte

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Alguns microrganismos podem ter efeitos benéficos sobre a saúde quando ingeridos (3). Conhecidos como probióticos, esses microrganismos podem influenciar a saúde de várias maneiras, auxiliando na digestão, no controle do peso e na saúde mental (4, 5, 6).

O iogurte é o alimento probiótico mais conhecido na dieta ocidental, mas o kefir é, na verdade, uma fonte muito mais potente. Os grãos de kefir contêm até 61 cepas de bactérias e leveduras, tornando-os uma fonte probiótica muito rica e diversa, embora a diversidade possa variar (7). Outros produtos lácteos fermentados são feitos de muito menos variedades e não contêm leveduras.

Resumo:  kefir pode conter até 61 micro-organismos diferentes, tornando-se uma fonte muito mais potente de probióticos do que muitos outros produtos lácteos fermentados.

3. Kefir tem propriedades antibacterianas potentes

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Getty Images

Certos probióticos no kefir são acreditados para proteger contra infecções. Isso inclui o probiótico Lactobacillus kefiri, que é exclusivo do kefir. Estudos demonstram que esse probiótico pode inibir o crescimento de várias bactérias nocivas, incluindo Salmonella, Helicobacter pylori e E. coli. O kefiran, um tipo de carboidrato presente no kefir, também possui propriedades antibacterianas.

Resumo: Kefir contém o probiótico Lactobacillus kefiri e o carboidrato kefiran, ambos protegem contra bactérias nocivas.

4. Kefir pode melhorar a saúde óssea e diminuir o risco de osteoporose

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A osteoporose é caracterizada pela deterioração do tecido ósseo e é um grande problema nos países ocidentais. É especialmente comum entre as mulheres mais velhas e aumenta drasticamente o risco de fraturas.

Garantir uma ingestão adequada de cálcio é uma das formas mais eficazes de melhorar a saúde óssea e retardar a progressão da osteoporose. A gordura do kefir não é apenas uma excelente fonte de cálcio, mas também a vitamina K2 – que desempenha um papel central no metabolismo do cálcio. A suplementação com K2 reduz o risco de fraturas em até 81%.

Estudos recentes em animais ligam o kefir ao aumento da absorção de cálcio nas células ósseas. Isso leva à melhora da densidade óssea, o que deve ajudar a prevenir fraturas.

Resumo: Kefir feito a partir de produtos lácteos é uma excelente fonte de cálcio, e kefir de leite integral também contém vitamina K2. Esses nutrientes têm grandes benefícios para a saúde óssea.

5. Kefir pode ser protetor contra o câncer

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O câncer é uma das principais causas de morte no mundo. Ocorre quando células anormais em seu corpo crescem incontrolavelmente, como em um tumor. Os probióticos em produtos lácteos fermentados são acreditados para reduzir o crescimento do tumor, estimulando o sistema imunológico. Portanto, é possível que o kefir possa combater o câncer .

Este papel protetor foi demonstrado em vários estudos de tubo de ensaio. Um estudo descobriu que o extrato de kefir reduziu o número de células de câncer de mama humano em 56%, comparado a apenas 14% para o extrato de iogurte. Tenha em mente que os estudos humanos são necessários antes que conclusões firmes possam ser feitas.

Resumo: alguns estudos em tubo de ensaio e em animais indicam que o kefir pode inibir o crescimento de células cancerígenas. No entanto, não existem estudos atuais em pessoas.

6. Os probióticos nele podem ajudar com vários problemas digestivos

kefir

Probióticos como o kefir podem ajudar a restaurar o equilíbrio de bactérias benéficas em seu intestino. É por isso que eles são altamente eficazes no tratamento de muitas formas de diarréia (19, 20).

Além disso, muitas evidências sugerem que probióticos e alimentos probióticos podem aliviar muitos problemas digestivos (5). Estes incluem a síndrome do intestino irritável (SII), úlceras causadas pela infecção por H. pylori e muitas outras (21, 22).

Por esta razão, o kefir pode ser útil se você tiver problemas com digestão.

Resumo: probióticos como o kefir podem tratar várias formas de diarreia. Eles também podem levar a melhorias em várias doenças digestivas.

7. Kefir tem baixa lactose

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Alimentos lácteos regulares contêm um açúcar natural chamado lactose. Muitas pessoas, especialmente os adultos, são incapazes de decompor e digerir adequadamente a lactose. Essa condição é chamada de intolerância à lactose.

As bactérias do ácido láctico em alimentos lácteos fermentados – como o kefir e o iogurte – transformam a lactose em ácido láctico, pelo que estes alimentos são muito mais baixos em lactose do que o leite. Eles também contêm enzimas que podem ajudar a quebrar ainda mais a lactose.

Portanto, o kefir é geralmente bem tolerado por pessoas com intolerância à lactose, pelo menos em comparação ao leite comum. Tenha em mente que é possível fazer kefir 100% isento de lactose usando água de coco, suco de frutas ou outra bebida não láctea.

Resumo: kefir é pobre em lactose porque suas bactérias do ácido láctico já pré-digeriram a lactose. As pessoas que têm intolerância à lactose muitas vezes podem beber kefir sem problemas.

8. Kefir pode melhorar os sintomas de alergia e asma

asma pulmão

As reações alérgicas são causadas por respostas inflamatórias contra certos alimentos ou substâncias. Pessoas com um sistema imunológico super-sensível são mais propensas a alergias, que podem provocar condições como a asma.

Em estudos com animais, o kefir mostrou suprimir respostas inflamatórias relacionadas a alergias e asma. Estudos em humanos são necessários para explorar melhor esses efeitos.

Resumo: evidências limitadas de estudos em animais sugerem que beber kefir pode reduzir reações alérgicas.

9. Kefir é fácil de fazer em casa

David Niergarth on Visualhunt.com - CC BY kefir
Foto: David Niergarth on Visualhunt.com – CC BY

Se você não tem certeza sobre a qualidade do kefir comprado na loja, pode facilmente fazê-lo em casa. Combinado com frutas frescas, o kefir contribui para uma sobremesa saudável e deliciosa.

Grãos de kefir* estão disponíveis em algumas lojas de produtos naturais e supermercados, bem como online. Você também pode encontrar muitas postagens de blog e vídeos que ensinam a produção de kefir, mas o processo é muito simples:

=Coloque 1 a 2 colheres de sopa (14-28 gramas) de grãos de kefir em um pequeno frasco. Quanto mais você usar, mais rápida será a cultura.  Adicione cerca de 2 xícaras (500 ml) de leite, de preferência orgânico ou mesmo cru. O leite de vacas alimentadas com capim é mais saudável. Deixe 1 polegada (2,5 cm) de espaço no topo do frasco.
Você pode adicionar um pouco de creme gordo se você quiser um kefir mais grosso. Coloque a tampa e deixe por 12-36 horas à temperatura ambiente. É isso aí.
Depois que começarem a aparecer pedaços, está pronto. Depois, você gentilmente coa o líquido e os grãos originais de kefir são deixados para trás.

Agora você pode colocar os grãos em um novo pote com um pouco de leite,  e o processo começa novamente. É delicioso, nutritivo e altamente sustentável.

Resumo: você pode facilmente produzir kefir caseiro usando grãos de kefir e leite.

O ponto de partida

Kefir é um alimento saudável e fermentado, com uma consistência comparável ao iogurte. Produto tradicionalmente feito a partir de leite de vaca, mas muitas opções não lácteas estão disponíveis. Estudos sugerem que ele estimula o sistema imunológico, auxilia em problemas digestivos, melhora a saúde dos ossos e pode até mesmo combater o câncer.

*No Brasil, o kefir costuma ser doado.

Fonte: Health Line

Receitas fáceis de leite vegetal para fazer em casa

Com vegetarianismo e veganismo mais populares do que nunca, os leites vegetais têm conquistado cada vez mais fãs. Há também aquelas pessoas com intolerância à lactose ou restrições alimentes.

Para aqueles que querem economizar a aprender uma nova receita para fazer em casa, o Pinterest tem inúmeras ideias fáceis e gostosas para você apostar nessa tendência.

No Brasil, o Pinterest tem visto receitas de leite vegetal como uma tendência, com um aumento de 30% nas buscas. De aveia a castanha de caju, estas opções alternativas vão incrementar as suas receitas preferidas e te inspirar a tentar novas.

Com mais de 15 bilhões de ideias de comidas e bebidas ao redor do mundo, Pinterest, a ferramenta de descoberta visual que ajuda a planejar a vida desde o que cozinhar até o que vestir, é o recurso perfeito para descobrir novas receitas que valem a pena experimentar em casa, independentemente da dieta. Confira:

5 receitas de leite vegetal que estão bombando no Brasil

leite vegetal

Receitas diferentes

leite de amendoas

Com amêndoa

leite castanha para

Com castanha-do-pará

leite castanha caju

Com castanha-de-caju

leite aveia

Com aveia

Fonte: Pinterest

 

Nova linha de iogurtes Lacbacillus com probióticos e sem conservantes

ovos produtos não contêm conservantes, aromatizantes nem corantes artificiais e promovem equilíbrio do organismo e melhor digestão

Referência no mercado de lácteos saudáveis, a Verde Campo aumenta seu portfólio com a nova linha Lacbacillus. O lançamento marca a entrada da empresa no segmento de probióticos, ampliando seu mercado de atuação.Feitos apenas com ingredientes naturais, eles não têm adição de conservantes, aromatizantes nem corantes artificiais, seguindo o novo compromisso da empresa de oferecer apenas produtos naturais. A partir do final de novembro, os produtos podem ser encontrados nos principais supermercados do país.

“Tomamos a decisão de eliminar qualquer ingrediente artificial de todos nossos produtos, começando pelos iogurtes. Lacbacillus já nasce com esse conceito.Houve uma mudança em toda a cadeia de fornecedores, de leite, preparado de fruta, para garantir produtos realmente naturais” – explica Alessandro Rios, presidente da Verde Campo.

Os novos produtos têm redução de açúcares e gorduras. Eles são feitos a partir de leite semidesnatado, com somente 2% de gordura e utilizam apenas 3% de açúcar orgânico, além de adoçantes naturais. Além disso, os iogurtes contam com os benefícios das culturas vivas e ativas, que fortalecem importantes aspectos do sistema imunológico e asseguram melhor equilíbrio e digestão.

A Universidade de Leeds, na Inglaterra, analisou 75% dos iogurtes do mercado local e encontrou uma quantidade alta de açúcar. Os lácteos ingleses apresentaram entre 5g e 16,4g por porção de 100g, isto é, muito acima dos 3g adicionado aos iogurtes Lacbacillus.“Estamos oferecendo um produto natural, funcional, ao mesmo tempo que atende um público sem dietas restritivas. Com uma pequena quantidade de açúcar, é possível obter um iogurte saboroso, sem abrir mão de da nutrição e saúde” – explica Rios.

 

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Disponíveis em versões de 140g, 170g, 360g e 500g, os novos produtos vêm nos sabores Tradicional; Morango; Ameixa; Banana, Maçã e Mamão. Além disso, a linha conta com opções diet, adoçadas apenas com stévia e com 0% de gordura; e Natural, sem adição de açúcar ou adoçante.

 

O segmento de probióticos amplia o potencial de mercado da Verde Campo significativamente. Segundo estudo da Euromonitor Internacional, uma das grandes tendências em alimentação são produtos “naturalmente funcionais”, que inclui probióticos, gorduras boas e fermentados.

Preço sugerido: R$ 3,09 na versão de 170g e R$ 7,49 para 500g.

Nada além da natureza

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A Verde Campo está propondo nova forma de produzir seus alimentos: sem conservantes, corantes e aromas artificiais.A empresa assumiu o compromisso de reformular todos os seus produtos até o fim de 2019. Os iogurtes serão os primeiros a saírem da fábrica seguindo esta proposta.

Com investimentos de R$ 50 milhões, a empresa expandiu, modernizou e tornou a fábrica,localizada em Lavras (MG), apta à produção sem aditivos artificiais. A mudança foi além dos muros da fábrica. A Verde Campo envolveu fornecedores de preparados de frutas, fermentos, entre outros ingredientes, para garantir que nada na elaboração dos produtos tenha origem artificial. A empresa também certificou e capacitou produtores de mais de 200 fazendas para que fornecessem hoje um leite de altíssima qualidade.

Com novas receitas, os iogurtes passam a ter extrato de beterraba ou cenoura roxa como corante, goma guar, fibra extraída de uma leguminosa,e a pectina, que vem da casca da laranja, como estabilizante, além do suco de limão como acidulante.

Nota da redação: os produtos têm lactose. Não conheço os produtos ainda, portanto não posso dar uma opinião, se alguém já experimentou e quiser deixar aqui suas impressões, agradeço.

Informações: Verde Campo

Schraiber lança probiótico vegano

Produto promete restabelecer a flora intestinal e regenera o sistema imunológico

A Schraiber, empresa que produz suplementos alimentares, phytocosméticos e insumos homeopáticos, acaba de lançar o Lacto Schraiber II, um probiótico vegano, ou seja, o produto não utiliza substâncias de origem animal e também nenhuma substância que dependa de testes em animais.

Diferentemente dos produtos tradicionais, o Lacto Schraiber II é cultivado em fermentação vegetal, pois não possui derivados de leite. Além disso, ele contém em sua fórmula prebióticos.

“Os prebióticos são fibras não digeríveis pelo estômago e que cumprem o papel de alimento dos probióticos. Esse detalhe faz com que a flora intestinal seja não só reconstituída, mas colonizada por bactérias saudáveis. Esse é um diferencial importante do nosso produto”, explica Evelin Schraiber, engenheira química da empresa.

O Lacto Schraiber II restabelece a flora intestinal, auxilia na regeneração do sistema imunológico, desintoxica o organismo e ajuda na recuperação de diarreias e prisão de ventre.

Encontrado em sachês individuais, o produto ainda é formulado à base de Lactobacillus acidophillus e enriquecido de vitaminas e sais minerais.

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Preço: R$ 166,30

Sobre os probióticos

Os probióticos são bactérias e leveduras que, quando ingeridas vivas, trazem benefícios ao organismo humano. Ao contrário de espécies de micro-organismos que são danosos e causam doenças, os probióticos ajudam o corpo humano a desempenhar suas funções vitais. Podem ajudar a prevenir ou a tratar uma série de doenças, melhorando a saúde do sistema digestivo e do sistema imunológico.

Os principais benefícios dos probióticos incluem: combater e prevenir doenças intestinais; combater doenças como câncer, candidíase, hemorroidas e infecção urinária; melhorar a digestão; combater a prisão de ventre e a diarreia; aumentar a absorção de nutrientes, como vitamina B, cálcio e ferro; fortalecer o sistema imunológico; impedir a proliferação de bactérias ruins no intestino; ajudar a digerir a lactose; prevenir doenças como a obesidade e prevenir alergias e intolerâncias alimentares.

Informações: Schraiber

O sexo e a síndrome do intestino irritável

“Minha SII parece incendiar-se depois de eu ter tido relações sexuais. Isso me afastou de qualquer ideia de sexo. Como posso lidar com essa situação?”

 

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Sexo e comida são os nossos dois impulsos essenciais e também são dois dos fatores principais associados com à SII, mas apenas um deles é realmente falado. O sexo permanece privado e secreto, mas é ainda mais poderoso. Quando questionados, um terço das mulheres e uma fração muito menor de homens com a síndrome, admitem que o sexo é um problema, mas isso ainda parece subestimado.

Eles relatam que a SII corrói qualquer desejo que tenham por sexo, que a relação sexual em si é dolorosa e dolorida e que depois o estômago fica perturbado por dias. Embora muitos digam como o sexo piora a dor e o inchaço, algumas mulheres nos disseram que fazer sexo pode causar um ataque de diarreia. Um episódio de incontinência pode matar qualquer paixão em segundos. A constipação, por outro lado, pode tornar a penetração difícil e dolorosa.

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O sexo é o drama e o quarto é o teatro. Como o intestino irritado, o sexo é uma interação complexa de ação e emoção. Durante a construção do sexo, os sentimentos de desejo aumentam a atividade dos nervos parassimpáticos, o mesmo sistema que facilita a digestão e o movimento intestinal. O desejo também libera o hormônio do amor, a oxitocina, que facilita o apego e altera a fisiologia reprodutiva.

Essas ações fazem com que o clitóris inche e se torne sensível, aumentando o fluxo sanguíneo vaginal, a secreção e a sensibilidade, relaxando as fibras musculares vaginais e inibindo o tônus ​​dos músculos estriados do assoalho pélvico e do períneo, o que torna a mulher receptiva. Mas não é apenas uma questão de fisiologia, ela também precisa estar aberta emocionalmente. Se houver muito medo ou desconfiança, a fisiologia simplesmente não funcionará.

Ações análogas nos homens fazem com que o pênis inche e se torne rígido, aumentando o fluxo sanguíneo para este órgão e reduzindo seu escoamento, prendendo-o nos espaços entre uma rede de cartilagem. O desejo também aumenta a secreção de líquido rico em potássio das vesículas seminais e da próstata, enquanto as contrações dos ductos deferentes impulsionam esse fluido para um bulbouretral, um reservatório, logo abaixo da próstata. O medo e a desconfiança inibem todas essas ações, deixando o pênis flácido.

A estimulação regular do pênis, do clitóris e da vagina durante a relação sexual aumenta esses efeitos. A oxitocina se constrói junto com uma mistura do sistema nervoso simpático, a excitação aumenta em um crescendo e, no orgasmo, o fluido seminal é bombeado por contrações regulares do músculo bulbocavernoso por meio da uretra e depositado no alto da vagina. Se o momento for correto, ocorrem contrações orgásmicas semelhantes nas mulheres, aumentando a excitação e a ligação.

Os casais geralmente se sentem relaxados e sonolentos após a relação sexual. Durante esse sono pós-coito, a oxitocina relaxa o colo do útero e contrai o útero ritmicamente, fazendo com que a poça de sêmen na parte de trás da vagina ao redor do colo do útero seja sugada para dentro do útero e da trompa de Falópio, onde, se o sexo tiver ocorrido na época da ovulação, o espermatozoide pode encontrar um óvulo e a concepção ocorrer.

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Uma mulher pode permanecer em um patamar sexual elevado e receptivo por algum tempo e pode atingir o orgasmo várias vezes, cada vez aumentando a chance de concepção. Enquanto isso, seu parceiro pode ter se tornado refratário, perdeu o interesse e foi dormir. Você pode pensar que isso permitiria que as mulheres escapassem da cama e procurassem outro parceiro aumentando suas chances de concepção. Fenômenos semelhantes ocorrem em alguns mamíferos e aves promíscuos. A fisiologia não está em conformidade com a moralidade e é sempre oportunista.

Isso tudo é muito interessante, você pode exclamar, mas o que isso tem a ver com a minha síndrome? Bem, a excitação durante a estimulação pode transbordar para outros órgãos abdominais ou pélvicos, por meio de conexões neurais na medula espinhal, aumentando a sensibilidade do intestino e provocando sintomas da SII, que se distraem dolorosamente do prazer. Também pode estimular contrações e secreções no intestino para que o orgasmo possa ser acompanhado da liberação de mais do que espermatozoides. Isso pode tornar o que deve ser o epítome do prazer, uma crise de medo e vergonha.

A SII é sempre acompanhada por um grau de ansiedade. Também pode haver sentimentos negativos ou ambivalentes em torno da ideia e do ato sexual: eu serei bom o suficiente? Ele realmente me ama? Eu o amo? Eu realmente quero fazer isso? É meu dever? Tenho medo de engravidar? Há mais pensamentos e sentimentos conflitantes em torno da ideia de sexo do que qualquer outra função fisiológica.

Não é apenas uma função fisiológica, o apego e identificação com a pessoa amada, a maneira como ela é vista, a maneira como ela fala, nossas fantasias podem alimentar a experiência, aumentando a tensão e o prazer, mas induzindo sentimentos negativos que tão facilmente estragam as coisas, inibindo a tumescência e a lubrificação durante a excitação, contraindo os músculos ao redor da vagina (vaginismo) suprimindo o orgasmo ou precipitando-o, ou apenas tornando-o um trabalho e não um prazer. “Meu marido e eu vamos tentar um bebê de novo hoje à noite.”

Ansiedade durante a relação sexual geraria conflitos no intestino da mesma forma que a ansiedade durante uma refeição; um antagonismo entre os ramos simpático e parassimpático do sistema nervoso autônomo. Há muito o que dar errado e tanta vergonha, embaraço e culpa.

O sexo também é uma das principais causas de trauma. Mais abuso e coerção sexual acontecem atrás de portas ou em quartos de hotel do que gostaríamos de ouvir. Meninas jovens vulneráveis, quase na puberdade e algumas até mais jovens, podem estar expostas ao aliciamento na Internet, à pressão dos colegas nas redes sociais, ao abuso sexual e à coerção e à desinibição de drogas recreativas. Reguladores tradicionais do comportamento sexual, a igreja, a lei, os pais e a escola não são mais eficazes.

Muitas mulheres tiveram algum prazer sexual prejudicado pela experiência sexual traumática no início da vida. Como resultado, o sexo sempre foi manchado pelo medo, de modo que o prazer é suprimido, tanto que as mulheres afetadas se fecham e tornam-se não receptivas, secas e tensas, de modo que o sexo é doloroso, se não impossível. Como o controle neural do reto e da vagina é muito semelhante, efeitos análogos podem ocorrer no intestino, causando falta de secreção, peristaltismo deficiente e contração paradoxal do esfíncter anal (anismus), o que torna a defecação muito difícil.

Tem sido relatado que mais de 40% das mulheres que sofrem de distúrbios anorretais inexplicáveis ​​têm uma história de abuso sexual. O ato sexual anal também é mais comum do que é geralmente reconhecido, adicionando a possibilidade de dano físico ao reto e ânus ao trauma psicológico.

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O trauma sexual não afeta apenas meninas jovens; meninos e homens jovens também podem ser afetados. Estima-se que cerca de 10% dos homens são abertamente homossexuais e alguns são predatórios (embora, eu acrescente, este não é um estereótipo). Jovens garotos vulneráveis ​​podem ser estuprados e maltratados de outra maneira, principalmente, mas não apenas, em ambientes institucionais.

Jovens vulneráveis ​​também podem ser traumatizados pelas exigências sexuais e por  mulheres predatórias. Na área do sexo, tudo é possível e a maioria das coisas acontece. O que deveria ser um jardim de prazer pode se tornar uma zona de guerra e resultar em distúrbios no intestino e na função da bexiga em ambos os sexos.

Eu me concentro nos aspectos psicológicos da disfunção sexual e retal, porque isso é mais comum, mas é importante não ignorar a possibilidade de uma doença física afetar ambos. A menos que você tenha sintomas óbvios como corrimento ou sangramento, é improvável que você tenha alguma outra doença, por meio de algumas possibilidades que precisam ser consideradas.

A endometriose geralmente causa dor, especialmente no momento da menstruação, embora tenha um distúrbio na motilidade da trompa de Falópio análogo aos distúrbios na motilidade do cólon na SII, que permitiram que o endométrio perdido fosse refluído para os tubos e aderisse a alças intestinais. Os cistos ovarianos podem tornar o sexo desconfortável e podem estar associados ao inchaço. Os ovários policísticos (síndrome de Stein Leventhal) podem prejudicar a função sexual, causar infertilidade e, muitas vezes, SII.

Pesquisas recentes sugerem que distúrbios no tecido elástico associados à dupla articulação (Síndrome de Ehlers Danlos) podem tornar o sexo difícil e induzir à constipação. Mas coisas comuns ocorrem e as conexões entre a experiência de uma pessoa, sua emoção e função pélvica parecem ocorrer com muito mais frequência.

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Para a maioria das pessoas, a reversão da função sexual e intestinal requer primeiro um reconhecimento do problema e, depois, trabalhar com o corpo por movimentos rítmicos, caminhar, dançar, dessensibilizar os movimentos dos olhos, trabalhar os pontos de acupuntura, desenhar, fazer música, o que for que funcione individualmente para obter um senso confiante de sua própria identidade que lhes permita explorar e falar sobre o que aconteceu.

Com o tempo, com essa abordagem, a tensão emocional pode desaparecer e o corpo relaxar e começar a funcionar normalmente, mas, às vezes, pode ser necessário que a pessoa se sinta forte o suficiente para se afastar de uma situação que as traumatize novamente.

Texto original retirado de: The Sensitive Gut – blog do médico gastroenterologista, nutricionista e fisiologista norte-americano Nick Reed.

Psiquiatra explica o papel do cérebro na síndrome do intestino irritável

Buscando respostas para a síndrome do intestino irritável, entrevistei o médico psiquiatra Eduardo Humes, Chefe da Seção Técnica de Psiquiatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. Ele explicou a ligação entre a SII e o cérebro, o porquê de o tratamento do problema englobar outras áreas da saúde para ter sucesso e deu dicas de como lidar com o estigma de uma patologia ainda pouco conhecida. Confira:

Pergunta: Explique a ligação da SII com o cérebro.
Resposta: Os mecanismos envolvidos nos sintomas da SII não são claros. Ela é uma síndrome funcional, o que significa dizer que o problema não é uma questão de uma alteração que podemos ver como uma úlcera ou um tumor, por exemplo, mas uma mudança do funcionamento normal de um sistema. O sistema nervoso central modula o funcionamento geral do organismo, fazendo com que, no caso do intestino, ele possa funcionar de maneira mais rápida (maior quantidade de movimentos peristálticos) ou mais lento (menor quantidade).

No alerta de maneira crônica, o intestino deve receber informações do cérebro de maneira que possamos nos liberar de maior peso, por meio de um aumento dos movimentos peristálticos. Quando estamos no pico, a sinalização é para reduzir esses movimentos. Já na ausência do estímulo, funcionaria normalmente. Uma das teorias, talvez a principal, para explicar a oscilação do funcionamento intestinal na SII é que esta se daria por uma exacerbação da resposta a esses mecanismos. E o cérebro teria um papel essencial nesta modulação.

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P – As pessoas costumam ligar o problema à alimentação. Como convencê-las do contrário?
R – As síndromes funcionais são como grandes elefantes, se você estiver muito perto você só vai conseguir ver um pedaço. Alguns alimentos podem, sim, causar gatilhos mais exacerbados, o que facilita às pessoas a realizarem essas associações. Mas nem todos têm as mesmas reações aos alimentos. O convencimento, que é a parte mais “difícil”, passa por uma única estratégia, que é a educação. Por isso a necessidade de se ocupar as mídias com essa agenda.

P – Claro que há dias em que passamos por situações estressantes, mas como explicar que o problema surja mesmo naqueles dias considerados “normais”?
R – Esta questão tem que ser vista caso a caso, mas uma explicação frequente é que pessoas com síndromes funcionais podem ter o que chamamos de alexitimia, que é um termo para falar da dificuldade em entrar em contato ou descrever emoções, sentimentos e sensações corporais. Assim, muitas vezes a pessoa pode estar passando por uma situação mais “estressante”, por exemplo, e não se percebe assim.

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P– Há muita resistência das pessoas em aceitar o diagnóstico?
R – As pessoas, de maneira geral, apresentam um grande estigma com diagnósticos de saúde mental, seja de síndromes psiquiátricas ou de sintomas psíquicos em geral. Quando falamos que um sintoma físico pode estar relacionado a um funcionamento psíquico, muitas pessoas interpretam como fraqueza ou falha de caráter, por exemplo, e não aceitam o diagnóstico. Mas, em geral, quando procuram um profissional de saúde mental, a parte mais difícil do convencimento já foi feita por outra pessoa, profissional ou familiar.

P – O tratamento psicológico tem de correr em paralelo ao feito com gastroenterologistas e nutricionistas. Só assim se consegue melhora?
R – Gosto de fazer uma comparação com meus pacientes, pergunto se eles tivessem uma fratura na perna eles só iriam ser operados e tomar remédios ou se fariam fisioterapia também. A ideia de não fazer fisioterapia é muito similar à de não fazer psicoterapia para SII. Você pode melhorar, sim, mas talvez parte do potencial seja perdido.

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P – Como evitar estresse e ansiedade nos dias de hoje? Cidades grandes pioram o quadro, mas isso de se estar sempre conectado na internet e redes sociais também amplia o problema?
R – Esta é uma importante pergunta, talvez a pergunta do Prêmio Nobel… Mesmo a afirmação de que as grandes cidades pioram o quadro é controversa, elas com certeza aglutinam pessoas que são mais ansiosas, mas será que as pessoas mais ansiosas não buscam também por esses ambientes? Um problema que vemos frequentemente é que as pessoas estão cada vez mais inseridas em realidades virtuais em detrimento do contato humano.

Contato humano, um abraço de fato (não aqueles que nos acostumamos e duram menos de dois segundos), olhar nos olhos das pessoas, apresenta, sim, um efeito importante na maneira que nos sentimos. Já as redes sociais, que são excelentes em muitos aspectos, como dar voz a muitas pessoas que não conseguiriam se comunicar efetivamente, ao mesmo tempo criam situações nas quais a agressividade das pessoas sai por não terem o filtro do olho no olho.

P – A maioria das pessoas com este problema tem de tomar antidepressivos, por exemplo?
R – A decisão deve ser feita caso a caso, muitas vezes para aquele momento. Uma parcela importante poderá, sim, se beneficiar do uso de medicações, mas não a maioria e nem todos os que tiverem indicação usarão em longo prazo (mais que dois anos).

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P – Terapias complementares ajudam? Quais?
R – Sim, em especial meditação, atividade física e também acupuntura mostram efeitos importantes.

P – Pode citar algum caso em que o paciente teve uma melhor significativa?
R – Não, pela ética médica não posso citar um caso, mas, sim, muitos pacientes se beneficiam, em especial do seguimento psicoterápico, que pode ser feito por psicólogos ou psiquiatras.

P – Como agir no emprego? Falar abertamente com os superiores? Li depoimentos de pessoas que pararam de trabalhar, especialmente as que têm SII-D, porque passaram por experiências constrangedoras, até no caminho ao trabalho, no transporte público etc.
R – Os constrangimentos podem ocorrer em especial nas formas que apresentam quadros diarreicos (SII-D e SII-M). A maneira que cada um vai lidar com o impacto da SII depende inicialmente de como a própria pessoa lida com os sintomas. Se não conversamos abertamente, não haverá a redução do estigma. Antigamente, a epilepsia (e as convulsões) era associada a importante estigma, com a abertura no diálogo, hoje é tratada de maneira mais natural. O estigma é real, mas deve ser combatido dentro das possibilidades de cada um.

P – Como agir com a família, já que sempre haverá alguém achando que o problema é “frescura”, “nada sério”, “pode comer isso que não te fará mal…” etc.
R – O estigma é resultado do desconhecimento. Ajudar as pessoas a melhorar sua capacidade de compreender os fenômenos é a melhor forma de ajudá-las a sair do ciclo de preconceito.

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P – SII não tem cura, então, conselhos para se viver com ela, mas sem muitas manifestações. Ou isso é impossível.
R – Como todas as síndromes funcionais é essencial para o melhor controle o manejo do quadro, isso envolve o cuidado multiprofissional em diversas frentes, incluindo: gastroenterologia, nutricional, saúde mental, atividade física, meditação (como mindfulness), com adesão aos cuidados propostos.

Fonte: Eduardo de Castro Humes é médico psiquiatra, formado e residência pela Faculdade de Medicina da USP. Chefe da Seção Técnica de Psiquiatria do HU/USP, Coordenador Médico do Grapal/FMUSP, Colaborador do Escritório de Saúde Mental da USP, Diretoria Executiva do Forsa-Abem, Representante Internacional da Association for Colege Psychiatry, Doutorando do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Autor de artigos científicos e capítulos de livros, além de organizador de livros científicos em psiquiatria

As bactérias do intestino e o cérebro: somos controlados por micróbios?

Embora a interação entre nosso cérebro e intestino tenha sido estudada por anos, suas complexidades são mais profundas do que se pensava inicialmente. Parece que nossas mentes são, em parte, controladas pelas bactérias em nossos intestinos.

O intestino tem defesas contra patógenos, mas, ao mesmo tempo, estimula a sobrevivência e o crescimento de bactérias intestinais “saudáveis”. A grande maioria desses visitantes unicelulares está situada no cólon, onde não menos de 1 trilhão delas residem em cada grama de conteúdo intestinal.

Estimar o número de hóspedes bacterianos em nosso intestino é um desafio; até hoje, o melhor palpite é que 40 trilhões de bactérias chamam nossos intestinos de lar – parcialmente dependentes do tamanho do seu último movimento intestinal (o principal ingrediente do cocô são as bactérias).

Para colocar esse número pesado em perspectiva, nossos corpos consistem em aproximadamente 30 trilhões de células. Então, em um sentido muito real, somos mais bactérias do que humanos. A maioria das bactérias intestinais pertence a 30 ou 40 espécies, mas pode haver até 1.000 espécies diferentes no total. Coletivamente, elas são denominadas microbioma.

Naturalmente, as bactérias se beneficiam do calor e da nutrição em nossas entranhas, mas não é um relacionamento unidirecional – elas também retribuem. Algumas espécies nos beneficiam quebrando a fibra alimentar em ácidos graxos de cadeia curta que podemos absorver e usar. Elas metabolizam vários compostos em nosso nome e desempenham um papel na síntese das vitaminas B e K.

Do outro lado da cerca, pesquisas recentes inferem que a desregulação das bactérias intestinais pode ser um fator importante nas condições inflamatórias e autoimunes. O papel do microbioma na saúde e na doença está lentamente abandonando seus segredos. A descoberta mais recente, e talvez mais notável, é a capacidade que as bactérias do intestino têm para moderar o cérebro e o comportamento.

Por que o intestino e o cérebro devem estar ligados?

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Os acontecimentos nas nossas entranhas são uma questão de vida ou morte. Se o intestino estiver vazio, nosso cérebro deve ser informado; se houver um problema no intestino que prejudique o processamento de alimentos e, portanto, a absorção da nutrição, o cérebro precisará ser informado. Se nosso intestino está enfrentando um ataque de patógenos, nosso cérebro deve ser mantido no circuito.

As ligações entre o nosso intestino e o cérebro são hormonais, imunológicos e neurais, por meio do sistema nervoso central e do sistema nervoso entérico, que governam a função do intestino. Coletivamente, eles são chamados de eixo do intestino-cérebro.

Embora, à primeira vista, as conexões entre o intestino e o cérebro possam parecer surpreendentes, todos nós já experimentamos isso em ação. A relação entre estresse, ansiedade e um movimento rápido do intestino não é estranha a ninguém.

Essas conversas no cérebro são estudadas há algum tempo. No entanto, um novo nível para esta parceria foi recentemente vislumbrado. Os pesquisadores estão agora considerando a influência de nosso microbioma no eixo do intestino-cérebro. Em outras palavras, os pesquisadores estão se perguntando: as bactérias em nosso intestino afetam nossa psicologia e comportamento?

De forma bastante desajeitada, os pesquisadores estão apenas começando a arranhar a superfície do eixo da microbiota cérebro-intestino-entérica ou o eixo microbioma-intestino-cérebro,

Estresse e o intestino

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Nos seres humanos, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) é o principal responsável pelas tensões de qualquer tipo. É um dos principais intervenientes no sistema límbico e está fortemente envolvido em emoções e memória.

O estresse ativa o eixo HPA e, eventualmente, resulta na liberação de cortisol – o “hormônio do estresse” – que tem uma variedade de efeitos em muitos órgãos, incluindo cérebro e intestino.

Dessa forma, a resposta do cérebro ao estresse tem uma influência direta sobre as células do intestino, incluindo células epiteliais e imunes, neurônios entéricos, células intersticiais de Cajal (os marcapassos dos intestinos) e células enterocromafins (células sintetizadoras de serotonina).

Por outro lado, esses tipos de células também estão sob a influência do nosso exército de bactérias residentes. Embora os mecanismos pelos quais a microbiota regula o cérebro sejam menos claros, há evidências de que existe, de fato, um diálogo de mão dupla.

Que diferença faz um micróbio

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As primeiras pistas de que os micróbios podem ter algum controle sobre nossa atividade mental surgiram há mais de 20 anos. Pacientes com encefalopatia hepática – um declínio na função cerebral devido a doença hepática grave – tiveram melhora substancial após tomarem antibióticos orais.

Estudos posteriores forneceram mais dicas de que o microbioma tinha mais do que uma influência passageira nos estados mentais. Verificou-se que ele afeta a ansiedade e os comportamentos depressivos.

Outra observação importante ligou a disbiose (desequilíbrio microbiano) ao autismo. Crianças com autismo muitas vezes têm comunidades anormais e menos diversas de bactérias no intestino. Um pesquisador concluiu:

“Nós suspeitamos que os micróbios do intestino podem alterar os níveis de metabólitos relacionados ao neurotransmissor, afetando a comunicação entre o cérebro e/ou alterar a função cerebral. Correlações entre bactérias intestinais e metabólitos relacionados a neurotransmissores são degraus para uma melhor compreensão do crosstalk* entre bactérias intestinais e autismo”.

Pesquisadores, em 2004, observaram que ratos criados para não terem bactérias intestinais tinham uma resposta exagerada do eixo HPA ao estresse. Investigações posteriores usando camundongos semelhantes expostos a germes semelhantes demonstraram que a falta de bactérias intestinais altera a função da memória.

Camundongos sem germes têm sido uma ferramenta útil para estudar o eixo microbioma-intestino-cérebro. Eles ajudaram a provar que algo está acontecendo, mas os resultados são impossíveis de extrapolar para os seres humanos. Eles não replicam nenhuma situação natural conhecida pelo homem – não existe um humano livre de germes.

Outros estudos usaram diferentes abordagens; alguns investigaram os efeitos dos compostos neuroativos que a flora intestinal produz; outros ainda observaram as diferenças na flora intestinal de indivíduos com diferenças psiquiátricas ou neurológicas.

A pesquisa, em geral, não foi conclusiva. Mesmo se forem observadas mudanças na flora intestinal, a eterna questão da galinha ou do ovo persiste: a condição psiquiátrica foi causada pela mudança na flora intestinal, ou a condição psiquiátrica e seus padrões de comportamento alterados fizeram com que a flora intestinal mudasse? Ou existe uma interação nos dois sentidos?

Como a flora intestinal pode moderar o cérebro?

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O estresse é conhecido por aumentar a permeabilidade do revestimento intestinal; isso dá às bactérias acesso mais fácil ao sistema imunológico e às células neuronais do sistema nervoso entérico. Essa pode ser uma das maneiras pelas quais as bactérias encontram uma maneira de nos influenciar. No entanto, outra rota mais direta também foi demonstrada.

Um estudo, usando patógenos de origem alimentar, forneceu evidências de que as bactérias no intestino podem ativar os circuitos de estresse ativando diretamente o nervo vago – um nervo craniano suprindo um número de órgãos, incluindo o trato digestivo superior.

Uma rota mais direta ainda pode envolver o contato direto do microbioma com os neurônios sensoriais do sistema nervoso entérico. Estudos mostraram que esses neurônios sensoriais são menos ativos em camundongos sem germes e, uma vez que os camundongos receberam probióticos para reabastecer seu microbioma, os níveis de atividade dos neurônios retornam ao normal.

Probióticos influenciando a psicologia

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Se os camundongos sem germes apresentaram diferenças de comportamento, a próxima pergunta é se a adição de bactérias intestinais a um animal pode causar mudanças semelhantes. Uma metanálise, publicada no Journal of Neurogastroenterology and Motility, reuniu os resultados de estudos que avaliaram os efeitos dos probióticos na função do sistema nervoso central em humanos e animais.

Eles examinaram 25 estudos em animais e 15 em humanos, a maioria dos quais usou Bifidobacterium e Lactobacillus durante um período de 2-4 semanas. Embora, como os autores mencionam, traduzir estudos em animais como este em termos humanos seja um jogo desonesto. Eles concluíram:

“Esses probióticos mostraram eficácia na melhora dos comportamentos relacionados a transtornos psiquiátricos, incluindo ansiedade, depressão, transtorno do espectro do autismo, transtorno obsessivo-compulsivo e habilidades de memória, incluindo memória espacial e não-espacial”.

Outro estudo, publicado na PLOS One, descobriu que o declínio da memória relacionado à idade poderia ser revertido em ratos, alterando os níveis de Actinobacteria e Bacterioidetes em seu intestino com probióticos.

Os autores concluem: “Os dados suportam a noção de que a microbiota intestinal pode ser manipulada para impactar positivamente na função neuronal”.

O futuro do eixo microbioma-intestino-cérebro

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Foto: News medical

Há um caminho longo e sinuoso à frente dos cientistas que são corajosos o suficiente para investigar a estranha realidade do eixo microbioma-intestino-cérebro. Sem dúvida, uma multidão de moléculas está envolvida de várias maneiras em diferentes graus.

No futuro longínquo, talvez os medicamentos que visam especificamente o microbioma sejam criados para condições psiquiátricas; o microbioma pode se tornar um sistema de alerta precoce para certas doenças ou até mesmo uma ferramenta de diagnóstico.

Por enquanto, tudo o que podemos fazer é refletir sobre a influência que as bactérias exercem sobre nosso estado mental cotidiano. Também devemos nos surpreender e nos divertir que os seres humanos, por mais inteligentes que nos consideremos, estão parcialmente sob o controle de formas de vida unicelulares.

Talvez devêssemos lembrar que as bactérias nos precedem em bilhões de anos e têm grande probabilidade de sobreviver à nossa espécie em bilhões a mais.

Fonte: Tim Newman – MedicalNeswToday

*um ou mais componentes de uma via de transdução de sinal afetam outra

“O principal componente da SII é a alteração do eixo cérebro-intestino”

Cristine Lengler, gastroenterologista do Fleury Medicina e Saúde, nesta entrevista, explica que a síndrome do intestino irritável é uma doença funcional em que o principal componente é a alteração do eixo cérebro-intestino. Sim, muitos podem achar que os alimentos são os vilões, mas, na verdade, é o cérebro o principal ator neste drama.

Cristine afirma que muitos pacientes chegam ao consultório após uma via crucis de atendimentos anteriores. E que algo muito comum, e preocupante, é que muitos desistem do tratamento, pois querem resultados rápidos. Ela avisa que é preciso ter paciência, pois não existem curas milagrosas, muito menos imediatas.

Confira abaixo a entrevista exclusiva:

Pergunta-Como define a síndrome do intestino irritável – SII?

Resposta-A síndrome do intestino irritável acomete o intestino e é uma condição comum na população mundial, sendo parte do grupo de distúrbios funcionais associados a alterações do eixo cérebro-intestino. É definida pela presença de dor abdominal associada à alteração do hábito intestinal (diarreia, constipação ou ambos). Na ausência de doença orgânica associada.

P-A SII parece ser algo difícil de diagnosticar, concorda? Por quê?

R-O diagnóstico da síndrome não é difícil, mas requer a exclusão de algumas situações que podem causar sintomas semelhantes, uma vez que não temos um exame específico que a diagnostique. Uma vez excluídas causas orgânicas importantes, na ausência de alterações laboratoriais e com quadro clínico compatível, faz-se o diagnóstico da síndrome. Se uma pessoa tem diarreia com frequência, a motilidade está alterada e um teste que confirme isso não me dará um diagnóstico. É preciso fazer alguns exames, como a colonoscopia ou calprotectina fecal, por exemplo. Porém é preciso analisar caso a caso, depende do sintoma, da história e do exame físico individual.

P-Há uma impressão que o número de pessoas com a SII e/ou com a Intolerância à Lactose está aumentando. É fato ou impressão mesmo? Tem algum número atual?

R-Os trabalhos mostram que a prevalência da doença tem sido estável. Os sintomas de síndrome do intestino irritável acometem aproximadamente 10% a 15% da população mundial.

P-Sempre ouvimos que humanos são os únicos mamíferos que continuam a tomar leite depois de crescerem. Leite não seria natural ou necessário fora da fase da amamentação?

R-Isso não procede. O leite e seus derivados são a principal fonte de cálcio na infância e também são importantes fontes de cálcio na idade adulta. Apenas intolerantes à lactose e portadores de algumas condições gastroenterológicas específicas não devem consumir leite e derivados.

P-Pessoas com a SII comentam que os profissionais não as levam a sério nas consultas. Há uma falta de conhecimento sobre o problema?

R-Como médica gastroenterologista, vejo muitos pacientes com síndrome do intestino irritável no meu dia a dia. Pessoalmente, não posso dizer que seja uma realidade de mau atendimento médico, no sentido de menosprezar a queixa do paciente, mas acho que muitos pacientes podem assim interpretar ao ouvirem do médico que se trata “apenas” da síndrome do intestino irritável, quando, na verdade, estão tentando tranquilizar o paciente no sentido de que não é uma condição grave que possa colocar a vida em risco.

Para atendermos bem um paciente com síndrome do intestino irritável é necessário um tempo maior de consulta, o que muitas vezes não é possível. Além disso, há a necessidade de entendermos melhor a realidade do paciente e contextualizar os sintomas. Os aspectos emocionais são realmente muito importantes. Para isso é necessário que se estabeleça uma boa relação médico-paciente. E o paciente também precisa entender que muitas vezes leva-se certo tempo até conseguir melhorar os sintomas, não é incomum precisarmos de mais de uma tentativa medicamentosa, além da abordagem dos aspectos emocionais.

P-O lado emocional pesa, mas a alimentação parece ser o gatilho mais importante. Ou não?

R-Não, a alimentação não é o gatilho mais importante. O alimento dispara o sintoma, mas não causa o problema. A SII é uma doença funcional em que o principal componente é a alteração do eixo cérebro-intestino. O fator essencial na síndrome são as alterações de motilidade e de hipersensibilidade visceral mediados pelo sistema nervoso central. Pessoas com SII têm o intestino com uma sensibilidade maior. Por exemplo, uma quantidade de gases que para uma pessoa sem o problema seria normal, para quem tem a síndrome dá a sensação de estufamento.

Ou seja, o paciente tem uma sensibilidade exacerbada, o que chamamos de hipersensibilidade visceral. Nessas pessoas, a movimentação do intestino fica alterada, seguindo o comando que vem do cérebro. O cérebro de quem tem SII, quando associado a fatores estressores, dá uma resposta alterada, liberando substâncias que, no intestino, vão provocar hipersensibilidade e sensação de motilidade. E essas alterações realimentam o cérebro com estímulos, aumentando a sensação de dor. Ou seja, é um caminho de duas vias.

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P-Algumas pessoas não concordam quando se fala que o mais importante é o lado emocional, dizendo que não têm problemas.

R-Muitas vezes não há um diagnóstico psiquiátrico. Pessoas com SII têm respostas exacerbadas ao estresse, como falei antes. Não é porque uma pessoa é mega-ansiosa, megaestressada que vai passar mal. O cérebro de quem tem SII dá respostas inadequadas a qualquer coisa, não precisa ser um evento importante, como uma discussão com o chefe, basta que o cérebro libere substâncias que disparem estímulos nervosos. Isso é inconsciente, a pessoa não percebe.

P-Dizem que não morremos por causa da SII, mas morreremos com ela. Não há mesmo cura?

R-Não existe cura. A pessoa com síndrome do intestino irritável, ao longo da vida, costuma ter períodos sem sintomas alternados com períodos mais sintomáticos. Mas a síndrome é tratável.

P-Há estudos novos que trazem alguma esperança em tratamento ou descoberta mais rápida do problema? Novos exames?

R-Não, por enquanto.

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P-Quais as dicas para se viver com a SII e IL da melhor forma possível?

R-Inicialmente, procurar atendimento médico logo e não deixar de comunicar seu médico quando ocorrerem intensificação dos sintomas. O tratamento da síndrome do intestino irritável tem dois focos: alívio dos sintomas com medicação e alimentação adequada; e modificação da resposta ao estresse. A parte emocional é muito importante. Abordagens que modifiquem a resposta ao estresse ajudam muito, como psicoterapia, exercícios de relaxamento, atividade física regular e mindfullness. No caso desta última, não foi que um pessoal “paz e amor” que falou que funciona, há trabalhos científicos demostrando bons resultados.

A dieta pode auxiliar e é orientada conforme os sintomas (se diarreia, se constipação, se distensão). Se houver constipação, o consumo de mais líquidos e de alimentos ricos em fibras auxiliam; quando predomina distensão, orientamos uma dieta com alimentos pouco fermentativos. Em geral, a orientação alimentar depende dos sintomas apresentados. Quando essas medidas não são suficientes pode-se optar por adotar uma dieta com restrição de FODMAPs.

FODMAP é o conjunto de alimentos fermentáveis que são mal absorvidos pelo nosso organismo e que podem causar desconforto intestinal. Eles são classificados como oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis. Os alimentos fermentáveis referidos são os carboidratos não digeridos pelo trato digestivo humano. Assim, esta alta osmolaridade e a formação de gases pela microbiota intestinal acabam por desencadear os referidos sintomas.

Quando adotamos uma dieta com baixo teor de FODMAPS a ideia é identificarmos os alimentos desencadeadores de sintomas. Não é o objetivo manter a restrição de todo o grupo para sempre. O ideal é que, após a pessoa se sentir melhor, vá reintroduzindo os alimentos gradativamente até identificar os específicos de modo que, posteriormente, sejam evitados apenas os alimentos desencadeadores, e que a dieta não fique muito restrita por muito tempo. Manutenção de dieta com pouco FODMAPs por longo prazo pode levar a várias deficiências nutricionais. Não é recomendada a adoção desse tipo de dieta sem acompanhamento profissional.

TIPOS DE FODMAP   ONDE ENCONTRAR?*
Monossacarídeos (frutose) Xarope de milho, mel, néctar de agave, maçã, pera, manga, aspargos, cereja, melancia, sucos de fruta, ervilha.
Dissacarídeos (lactose) Leite de vaca, leite de cabra, leite de ovelha, sorvete, iogurte, nata, creme, queijo ricota e cottage.
Oligossacarídeos (fructans) Cebola, alho, alho-poró, trigo, cuscuz, farinha, massa, centeio, caqui, melancia, chicória, dente-de-leão, alcachofra, beterraba, aspargos, cenoura vermelha, quiabo, chicória com folhas vermelhas, couve
Oligossacarídeos (GOS Lentilhas que não foram enlatadas, grãos de bico que não foram enlatados, grãos enlatados, feijão, ervilha, grãos integrais de soja.
Polióis Xilitol, manitol, sorbitol, glicerina, maçã, damasco, pêssego, nectarina, pera, ameixa, cereja, abacate, amora, lichia, couve-flor, cogumelos.

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P-Como substituir os alimentos que na teoria fazem mal?

R-A substituição vai depender de qual alimento será retirado da dieta, portanto isso é analisado caso a caso.

P-Li que alguns profissionais recomendam a criação de um diário com a lista do que se comeu.

R-Fazemos isso quando a pessoa está em tratamento, mas não melhora. Tentamos identificar alimentos que fazem mal para ela. Ou seja, é caso a caso, não há uma fórmula que vale para todos. É individual, conforme sintomas e evolução. Como falei antes, a alimentação faz parte do tratamento. Há casos nos quais conseguimos identificar um alimento e o tirarmos, mas varia de um paciente para outro.

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P-Quais dicas são importantes para quem tem SII?

R-A primeira coisa é ter cuidado com blogs que trazem informações erradas. Dão fórmula disso, receitas daquilo, chás que curam… As pessoas querem algo milagroso, e isso não existe! Outro problema muito comum, a pessoa não tem paciência de persistir no tratamento. Ela chega no meu consultório, por exemplo, depois de passar com vários médicos antes e já quer resultado. Não há um remédio superbom para a SII. Prescrevemos um medicamento e não dá certo, voltamos ao zero. Às vezes, na terceira ou quarta tentativa funciona, mas o paciente não tem paciência e isso acaba atrapalhando um pouco.

A vida agitada, como, por exemplo, a que levamos aqui em são Paulo, não ajuda. É uma cidade complicada, muito trabalho, muito trânsito, muitos problemas e a SII é uma doença na qual o estresse piora muito os sintomas. Por isso, técnicas de relaxamento e mindfulness ajudam muito. E, claro, procurar ajuda médica. Isso porque os sintomas da síndrome podem esconder inúmeras doenças, até graves, e a pessoa pode achar que não é nada. Ou o contrário, ela achar que tem algum problema de saúde sério e é mesmo a SII.

Cristine Lengler é Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Especialista em Gastroenterologia Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, atua como médica gastroenterologista do Fleury Medicina e Saúde. É membro fundador do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)

*Tabela cedida pela médica

 

 

 

 

 

Bolo Fodmap de Cenoura para pessoas com restrições alimentares

Uma pergunta comum quando se segue a dieta do Fodmap é em torno do uso de farinha de trigo espelta, também conhecida como trigo selvagem ou trigo ancestral. Recentemente, a Monash University publicou um artigo sobre esta farinha e a tolerância para aqueles que seguem a dieta do Fodmap.

A análise concluiu que, enquanto a farinha de trigo espelta tende a ser menor em Fodmaps do que a farinha de trigo tradicional, ela ainda tem um conteúdo Fodmap maior do que as farinhas sem glúten. Com isso em mente, é importante que você conheça sua própria tolerância a determinados ingredientes e, se decidir consumir este tipo de farinha, certifique-se de limitar sua ingestão.

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A seguir uma receita que leva este ingrediente:

Bolo Fodmap de Cenoura

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Ingredientes

1 xícara de chá de farinha de trigo espelta comum (trigo selvagem ou trigo ancestral)
3/4 xícara de açúcar demerara
125g de nozes trituradas (você sempre pode picar nozes inteiras)
1 1/2 xícaras de chá de cenoura ralada
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de canela
175g de óleo de coco
2 ovos

Modo de fazer

1. Pré-aqueça o forno a 180 °C e forre uma fôrma redonda com papel manteiga.
2. Em uma tigela grande, misture todos os ingredientes secos com a cenoura ralada. Dê uma rápida mexida para que a cenoura se misture, isso ajuda um pouco quando você adiciona ingredientes úmidos.
3. Se o seu óleo de coco tiver solidificado, aqueça-o suavemente para devolvê-lo ao estado líquido e adicione-o aos seus ingredientes secos juntamente com os ovos. Misture bem todos os ingredientes para combinar.
4. Despeje a mistura em sua fôrma pré-preparada e asse por cerca de 45 minutos, ou até que um palito saia limpo. Retire do forno, uma vez cozido, e deixe descansar por 5 minutos antes de virar e desenformá-lo.

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Fonte: Fructose & Friendly