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Psiquiatra explica o papel do cérebro na síndrome do intestino irritável

Buscando respostas para a síndrome do intestino irritável, entrevistei o médico psiquiatra Eduardo Humes, Chefe da Seção Técnica de Psiquiatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. Ele explicou a ligação entre a SII e o cérebro, o porquê de o tratamento do problema englobar outras áreas da saúde para ter sucesso e deu dicas de como lidar com o estigma de uma patologia ainda pouco conhecida. Confira:

Pergunta: Explique a ligação da SII com o cérebro.
Resposta: Os mecanismos envolvidos nos sintomas da SII não são claros. Ela é uma síndrome funcional, o que significa dizer que o problema não é uma questão de uma alteração que podemos ver como uma úlcera ou um tumor, por exemplo, mas uma mudança do funcionamento normal de um sistema. O sistema nervoso central modula o funcionamento geral do organismo, fazendo com que, no caso do intestino, ele possa funcionar de maneira mais rápida (maior quantidade de movimentos peristálticos) ou mais lento (menor quantidade).

No alerta de maneira crônica, o intestino deve receber informações do cérebro de maneira que possamos nos liberar de maior peso, por meio de um aumento dos movimentos peristálticos. Quando estamos no pico, a sinalização é para reduzir esses movimentos. Já na ausência do estímulo, funcionaria normalmente. Uma das teorias, talvez a principal, para explicar a oscilação do funcionamento intestinal na SII é que esta se daria por uma exacerbação da resposta a esses mecanismos. E o cérebro teria um papel essencial nesta modulação.

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P – As pessoas costumam ligar o problema à alimentação. Como convencê-las do contrário?
R – As síndromes funcionais são como grandes elefantes, se você estiver muito perto você só vai conseguir ver um pedaço. Alguns alimentos podem, sim, causar gatilhos mais exacerbados, o que facilita às pessoas a realizarem essas associações. Mas nem todos têm as mesmas reações aos alimentos. O convencimento, que é a parte mais “difícil”, passa por uma única estratégia, que é a educação. Por isso a necessidade de se ocupar as mídias com essa agenda.

P – Claro que há dias em que passamos por situações estressantes, mas como explicar que o problema surja mesmo naqueles dias considerados “normais”?
R – Esta questão tem que ser vista caso a caso, mas uma explicação frequente é que pessoas com síndromes funcionais podem ter o que chamamos de alexitimia, que é um termo para falar da dificuldade em entrar em contato ou descrever emoções, sentimentos e sensações corporais. Assim, muitas vezes a pessoa pode estar passando por uma situação mais “estressante”, por exemplo, e não se percebe assim.

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P– Há muita resistência das pessoas em aceitar o diagnóstico?
R – As pessoas, de maneira geral, apresentam um grande estigma com diagnósticos de saúde mental, seja de síndromes psiquiátricas ou de sintomas psíquicos em geral. Quando falamos que um sintoma físico pode estar relacionado a um funcionamento psíquico, muitas pessoas interpretam como fraqueza ou falha de caráter, por exemplo, e não aceitam o diagnóstico. Mas, em geral, quando procuram um profissional de saúde mental, a parte mais difícil do convencimento já foi feita por outra pessoa, profissional ou familiar.

P – O tratamento psicológico tem de correr em paralelo ao feito com gastroenterologistas e nutricionistas. Só assim se consegue melhora?
R – Gosto de fazer uma comparação com meus pacientes, pergunto se eles tivessem uma fratura na perna eles só iriam ser operados e tomar remédios ou se fariam fisioterapia também. A ideia de não fazer fisioterapia é muito similar à de não fazer psicoterapia para SII. Você pode melhorar, sim, mas talvez parte do potencial seja perdido.

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P – Como evitar estresse e ansiedade nos dias de hoje? Cidades grandes pioram o quadro, mas isso de se estar sempre conectado na internet e redes sociais também amplia o problema?
R – Esta é uma importante pergunta, talvez a pergunta do Prêmio Nobel… Mesmo a afirmação de que as grandes cidades pioram o quadro é controversa, elas com certeza aglutinam pessoas que são mais ansiosas, mas será que as pessoas mais ansiosas não buscam também por esses ambientes? Um problema que vemos frequentemente é que as pessoas estão cada vez mais inseridas em realidades virtuais em detrimento do contato humano.

Contato humano, um abraço de fato (não aqueles que nos acostumamos e duram menos de dois segundos), olhar nos olhos das pessoas, apresenta, sim, um efeito importante na maneira que nos sentimos. Já as redes sociais, que são excelentes em muitos aspectos, como dar voz a muitas pessoas que não conseguiriam se comunicar efetivamente, ao mesmo tempo criam situações nas quais a agressividade das pessoas sai por não terem o filtro do olho no olho.

P – A maioria das pessoas com este problema tem de tomar antidepressivos, por exemplo?
R – A decisão deve ser feita caso a caso, muitas vezes para aquele momento. Uma parcela importante poderá, sim, se beneficiar do uso de medicações, mas não a maioria e nem todos os que tiverem indicação usarão em longo prazo (mais que dois anos).

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P – Terapias complementares ajudam? Quais?
R – Sim, em especial meditação, atividade física e também acupuntura mostram efeitos importantes.

P – Pode citar algum caso em que o paciente teve uma melhor significativa?
R – Não, pela ética médica não posso citar um caso, mas, sim, muitos pacientes se beneficiam, em especial do seguimento psicoterápico, que pode ser feito por psicólogos ou psiquiatras.

P – Como agir no emprego? Falar abertamente com os superiores? Li depoimentos de pessoas que pararam de trabalhar, especialmente as que têm SII-D, porque passaram por experiências constrangedoras, até no caminho ao trabalho, no transporte público etc.
R – Os constrangimentos podem ocorrer em especial nas formas que apresentam quadros diarreicos (SII-D e SII-M). A maneira que cada um vai lidar com o impacto da SII depende inicialmente de como a própria pessoa lida com os sintomas. Se não conversamos abertamente, não haverá a redução do estigma. Antigamente, a epilepsia (e as convulsões) era associada a importante estigma, com a abertura no diálogo, hoje é tratada de maneira mais natural. O estigma é real, mas deve ser combatido dentro das possibilidades de cada um.

P – Como agir com a família, já que sempre haverá alguém achando que o problema é “frescura”, “nada sério”, “pode comer isso que não te fará mal…” etc.
R – O estigma é resultado do desconhecimento. Ajudar as pessoas a melhorar sua capacidade de compreender os fenômenos é a melhor forma de ajudá-las a sair do ciclo de preconceito.

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P – SII não tem cura, então, conselhos para se viver com ela, mas sem muitas manifestações. Ou isso é impossível.
R – Como todas as síndromes funcionais é essencial para o melhor controle o manejo do quadro, isso envolve o cuidado multiprofissional em diversas frentes, incluindo: gastroenterologia, nutricional, saúde mental, atividade física, meditação (como mindfulness), com adesão aos cuidados propostos.

Fonte: Eduardo de Castro Humes é médico psiquiatra, formado e residência pela Faculdade de Medicina da USP. Chefe da Seção Técnica de Psiquiatria do HU/USP, Coordenador Médico do Grapal/FMUSP, Colaborador do Escritório de Saúde Mental da USP, Diretoria Executiva do Forsa-Abem, Representante Internacional da Association for Colege Psychiatry, Doutorando do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Autor de artigos científicos e capítulos de livros, além de organizador de livros científicos em psiquiatria

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As bactérias do intestino e o cérebro: somos controlados por micróbios?

Embora a interação entre nosso cérebro e intestino tenha sido estudada por anos, suas complexidades são mais profundas do que se pensava inicialmente. Parece que nossas mentes são, em parte, controladas pelas bactérias em nossos intestinos.

O intestino tem defesas contra patógenos, mas, ao mesmo tempo, estimula a sobrevivência e o crescimento de bactérias intestinais “saudáveis”. A grande maioria desses visitantes unicelulares está situada no cólon, onde não menos de 1 trilhão delas residem em cada grama de conteúdo intestinal.

Estimar o número de hóspedes bacterianos em nosso intestino é um desafio; até hoje, o melhor palpite é que 40 trilhões de bactérias chamam nossos intestinos de lar – parcialmente dependentes do tamanho do seu último movimento intestinal (o principal ingrediente do cocô são as bactérias).

Para colocar esse número pesado em perspectiva, nossos corpos consistem em aproximadamente 30 trilhões de células. Então, em um sentido muito real, somos mais bactérias do que humanos. A maioria das bactérias intestinais pertence a 30 ou 40 espécies, mas pode haver até 1.000 espécies diferentes no total. Coletivamente, elas são denominadas microbioma.

Naturalmente, as bactérias se beneficiam do calor e da nutrição em nossas entranhas, mas não é um relacionamento unidirecional – elas também retribuem. Algumas espécies nos beneficiam quebrando a fibra alimentar em ácidos graxos de cadeia curta que podemos absorver e usar. Elas metabolizam vários compostos em nosso nome e desempenham um papel na síntese das vitaminas B e K.

Do outro lado da cerca, pesquisas recentes inferem que a desregulação das bactérias intestinais pode ser um fator importante nas condições inflamatórias e autoimunes. O papel do microbioma na saúde e na doença está lentamente abandonando seus segredos. A descoberta mais recente, e talvez mais notável, é a capacidade que as bactérias do intestino têm para moderar o cérebro e o comportamento.

Por que o intestino e o cérebro devem estar ligados?

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Os acontecimentos nas nossas entranhas são uma questão de vida ou morte. Se o intestino estiver vazio, nosso cérebro deve ser informado; se houver um problema no intestino que prejudique o processamento de alimentos e, portanto, a absorção da nutrição, o cérebro precisará ser informado. Se nosso intestino está enfrentando um ataque de patógenos, nosso cérebro deve ser mantido no circuito.

As ligações entre o nosso intestino e o cérebro são hormonais, imunológicos e neurais, por meio do sistema nervoso central e do sistema nervoso entérico, que governam a função do intestino. Coletivamente, eles são chamados de eixo do intestino-cérebro.

Embora, à primeira vista, as conexões entre o intestino e o cérebro possam parecer surpreendentes, todos nós já experimentamos isso em ação. A relação entre estresse, ansiedade e um movimento rápido do intestino não é estranha a ninguém.

Essas conversas no cérebro são estudadas há algum tempo. No entanto, um novo nível para esta parceria foi recentemente vislumbrado. Os pesquisadores estão agora considerando a influência de nosso microbioma no eixo do intestino-cérebro. Em outras palavras, os pesquisadores estão se perguntando: as bactérias em nosso intestino afetam nossa psicologia e comportamento?

De forma bastante desajeitada, os pesquisadores estão apenas começando a arranhar a superfície do eixo da microbiota cérebro-intestino-entérica ou o eixo microbioma-intestino-cérebro,

Estresse e o intestino

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Nos seres humanos, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) é o principal responsável pelas tensões de qualquer tipo. É um dos principais intervenientes no sistema límbico e está fortemente envolvido em emoções e memória.

O estresse ativa o eixo HPA e, eventualmente, resulta na liberação de cortisol – o “hormônio do estresse” – que tem uma variedade de efeitos em muitos órgãos, incluindo cérebro e intestino.

Dessa forma, a resposta do cérebro ao estresse tem uma influência direta sobre as células do intestino, incluindo células epiteliais e imunes, neurônios entéricos, células intersticiais de Cajal (os marcapassos dos intestinos) e células enterocromafins (células sintetizadoras de serotonina).

Por outro lado, esses tipos de células também estão sob a influência do nosso exército de bactérias residentes. Embora os mecanismos pelos quais a microbiota regula o cérebro sejam menos claros, há evidências de que existe, de fato, um diálogo de mão dupla.

Que diferença faz um micróbio

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As primeiras pistas de que os micróbios podem ter algum controle sobre nossa atividade mental surgiram há mais de 20 anos. Pacientes com encefalopatia hepática – um declínio na função cerebral devido a doença hepática grave – tiveram melhora substancial após tomarem antibióticos orais.

Estudos posteriores forneceram mais dicas de que o microbioma tinha mais do que uma influência passageira nos estados mentais. Verificou-se que ele afeta a ansiedade e os comportamentos depressivos.

Outra observação importante ligou a disbiose (desequilíbrio microbiano) ao autismo. Crianças com autismo muitas vezes têm comunidades anormais e menos diversas de bactérias no intestino. Um pesquisador concluiu:

“Nós suspeitamos que os micróbios do intestino podem alterar os níveis de metabólitos relacionados ao neurotransmissor, afetando a comunicação entre o cérebro e/ou alterar a função cerebral. Correlações entre bactérias intestinais e metabólitos relacionados a neurotransmissores são degraus para uma melhor compreensão do crosstalk* entre bactérias intestinais e autismo”.

Pesquisadores, em 2004, observaram que ratos criados para não terem bactérias intestinais tinham uma resposta exagerada do eixo HPA ao estresse. Investigações posteriores usando camundongos semelhantes expostos a germes semelhantes demonstraram que a falta de bactérias intestinais altera a função da memória.

Camundongos sem germes têm sido uma ferramenta útil para estudar o eixo microbioma-intestino-cérebro. Eles ajudaram a provar que algo está acontecendo, mas os resultados são impossíveis de extrapolar para os seres humanos. Eles não replicam nenhuma situação natural conhecida pelo homem – não existe um humano livre de germes.

Outros estudos usaram diferentes abordagens; alguns investigaram os efeitos dos compostos neuroativos que a flora intestinal produz; outros ainda observaram as diferenças na flora intestinal de indivíduos com diferenças psiquiátricas ou neurológicas.

A pesquisa, em geral, não foi conclusiva. Mesmo se forem observadas mudanças na flora intestinal, a eterna questão da galinha ou do ovo persiste: a condição psiquiátrica foi causada pela mudança na flora intestinal, ou a condição psiquiátrica e seus padrões de comportamento alterados fizeram com que a flora intestinal mudasse? Ou existe uma interação nos dois sentidos?

Como a flora intestinal pode moderar o cérebro?

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O estresse é conhecido por aumentar a permeabilidade do revestimento intestinal; isso dá às bactérias acesso mais fácil ao sistema imunológico e às células neuronais do sistema nervoso entérico. Essa pode ser uma das maneiras pelas quais as bactérias encontram uma maneira de nos influenciar. No entanto, outra rota mais direta também foi demonstrada.

Um estudo, usando patógenos de origem alimentar, forneceu evidências de que as bactérias no intestino podem ativar os circuitos de estresse ativando diretamente o nervo vago – um nervo craniano suprindo um número de órgãos, incluindo o trato digestivo superior.

Uma rota mais direta ainda pode envolver o contato direto do microbioma com os neurônios sensoriais do sistema nervoso entérico. Estudos mostraram que esses neurônios sensoriais são menos ativos em camundongos sem germes e, uma vez que os camundongos receberam probióticos para reabastecer seu microbioma, os níveis de atividade dos neurônios retornam ao normal.

Probióticos influenciando a psicologia

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Se os camundongos sem germes apresentaram diferenças de comportamento, a próxima pergunta é se a adição de bactérias intestinais a um animal pode causar mudanças semelhantes. Uma metanálise, publicada no Journal of Neurogastroenterology and Motility, reuniu os resultados de estudos que avaliaram os efeitos dos probióticos na função do sistema nervoso central em humanos e animais.

Eles examinaram 25 estudos em animais e 15 em humanos, a maioria dos quais usou Bifidobacterium e Lactobacillus durante um período de 2-4 semanas. Embora, como os autores mencionam, traduzir estudos em animais como este em termos humanos seja um jogo desonesto. Eles concluíram:

“Esses probióticos mostraram eficácia na melhora dos comportamentos relacionados a transtornos psiquiátricos, incluindo ansiedade, depressão, transtorno do espectro do autismo, transtorno obsessivo-compulsivo e habilidades de memória, incluindo memória espacial e não-espacial”.

Outro estudo, publicado na PLOS One, descobriu que o declínio da memória relacionado à idade poderia ser revertido em ratos, alterando os níveis de Actinobacteria e Bacterioidetes em seu intestino com probióticos.

Os autores concluem: “Os dados suportam a noção de que a microbiota intestinal pode ser manipulada para impactar positivamente na função neuronal”.

O futuro do eixo microbioma-intestino-cérebro

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Foto: News medical

Há um caminho longo e sinuoso à frente dos cientistas que são corajosos o suficiente para investigar a estranha realidade do eixo microbioma-intestino-cérebro. Sem dúvida, uma multidão de moléculas está envolvida de várias maneiras em diferentes graus.

No futuro longínquo, talvez os medicamentos que visam especificamente o microbioma sejam criados para condições psiquiátricas; o microbioma pode se tornar um sistema de alerta precoce para certas doenças ou até mesmo uma ferramenta de diagnóstico.

Por enquanto, tudo o que podemos fazer é refletir sobre a influência que as bactérias exercem sobre nosso estado mental cotidiano. Também devemos nos surpreender e nos divertir que os seres humanos, por mais inteligentes que nos consideremos, estão parcialmente sob o controle de formas de vida unicelulares.

Talvez devêssemos lembrar que as bactérias nos precedem em bilhões de anos e têm grande probabilidade de sobreviver à nossa espécie em bilhões a mais.

Fonte: Tim Newman – MedicalNeswToday

*um ou mais componentes de uma via de transdução de sinal afetam outra

“O principal componente da SII é a alteração do eixo cérebro-intestino”

Cristine Lengler, gastroenterologista do Fleury Medicina e Saúde, nesta entrevista, explica que a síndrome do intestino irritável é uma doença funcional em que o principal componente é a alteração do eixo cérebro-intestino. Sim, muitos podem achar que os alimentos são os vilões, mas, na verdade, é o cérebro o principal ator neste drama.

Cristine afirma que muitos pacientes chegam ao consultório após uma via crucis de atendimentos anteriores. E que algo muito comum, e preocupante, é que muitos desistem do tratamento, pois querem resultados rápidos. Ela avisa que é preciso ter paciência, pois não existem curas milagrosas, muito menos imediatas.

Confira abaixo a entrevista exclusiva:

Pergunta-Como define a síndrome do intestino irritável – SII?

Resposta-A síndrome do intestino irritável acomete o intestino e é uma condição comum na população mundial, sendo parte do grupo de distúrbios funcionais associados a alterações do eixo cérebro-intestino. É definida pela presença de dor abdominal associada à alteração do hábito intestinal (diarreia, constipação ou ambos). Na ausência de doença orgânica associada.

P-A SII parece ser algo difícil de diagnosticar, concorda? Por quê?

R-O diagnóstico da síndrome não é difícil, mas requer a exclusão de algumas situações que podem causar sintomas semelhantes, uma vez que não temos um exame específico que a diagnostique. Uma vez excluídas causas orgânicas importantes, na ausência de alterações laboratoriais e com quadro clínico compatível, faz-se o diagnóstico da síndrome. Se uma pessoa tem diarreia com frequência, a motilidade está alterada e um teste que confirme isso não me dará um diagnóstico. É preciso fazer alguns exames, como a colonoscopia ou calprotectina fecal, por exemplo. Porém é preciso analisar caso a caso, depende do sintoma, da história e do exame físico individual.

P-Há uma impressão que o número de pessoas com a SII e/ou com a Intolerância à Lactose está aumentando. É fato ou impressão mesmo? Tem algum número atual?

R-Os trabalhos mostram que a prevalência da doença tem sido estável. Os sintomas de síndrome do intestino irritável acometem aproximadamente 10% a 15% da população mundial.

P-Sempre ouvimos que humanos são os únicos mamíferos que continuam a tomar leite depois de crescerem. Leite não seria natural ou necessário fora da fase da amamentação?

R-Isso não procede. O leite e seus derivados são a principal fonte de cálcio na infância e também são importantes fontes de cálcio na idade adulta. Apenas intolerantes à lactose e portadores de algumas condições gastroenterológicas específicas não devem consumir leite e derivados.

P-Pessoas com a SII comentam que os profissionais não as levam a sério nas consultas. Há uma falta de conhecimento sobre o problema?

R-Como médica gastroenterologista, vejo muitos pacientes com síndrome do intestino irritável no meu dia a dia. Pessoalmente, não posso dizer que seja uma realidade de mau atendimento médico, no sentido de menosprezar a queixa do paciente, mas acho que muitos pacientes podem assim interpretar ao ouvirem do médico que se trata “apenas” da síndrome do intestino irritável, quando, na verdade, estão tentando tranquilizar o paciente no sentido de que não é uma condição grave que possa colocar a vida em risco.

Para atendermos bem um paciente com síndrome do intestino irritável é necessário um tempo maior de consulta, o que muitas vezes não é possível. Além disso, há a necessidade de entendermos melhor a realidade do paciente e contextualizar os sintomas. Os aspectos emocionais são realmente muito importantes. Para isso é necessário que se estabeleça uma boa relação médico-paciente. E o paciente também precisa entender que muitas vezes leva-se certo tempo até conseguir melhorar os sintomas, não é incomum precisarmos de mais de uma tentativa medicamentosa, além da abordagem dos aspectos emocionais.

P-O lado emocional pesa, mas a alimentação parece ser o gatilho mais importante. Ou não?

R-Não, a alimentação não é o gatilho mais importante. O alimento dispara o sintoma, mas não causa o problema. A SII é uma doença funcional em que o principal componente é a alteração do eixo cérebro-intestino. O fator essencial na síndrome são as alterações de motilidade e de hipersensibilidade visceral mediados pelo sistema nervoso central. Pessoas com SII têm o intestino com uma sensibilidade maior. Por exemplo, uma quantidade de gases que para uma pessoa sem o problema seria normal, para quem tem a síndrome dá a sensação de estufamento.

Ou seja, o paciente tem uma sensibilidade exacerbada, o que chamamos de hipersensibilidade visceral. Nessas pessoas, a movimentação do intestino fica alterada, seguindo o comando que vem do cérebro. O cérebro de quem tem SII, quando associado a fatores estressores, dá uma resposta alterada, liberando substâncias que, no intestino, vão provocar hipersensibilidade e sensação de motilidade. E essas alterações realimentam o cérebro com estímulos, aumentando a sensação de dor. Ou seja, é um caminho de duas vias.

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P-Algumas pessoas não concordam quando se fala que o mais importante é o lado emocional, dizendo que não têm problemas.

R-Muitas vezes não há um diagnóstico psiquiátrico. Pessoas com SII têm respostas exacerbadas ao estresse, como falei antes. Não é porque uma pessoa é mega-ansiosa, megaestressada que vai passar mal. O cérebro de quem tem SII dá respostas inadequadas a qualquer coisa, não precisa ser um evento importante, como uma discussão com o chefe, basta que o cérebro libere substâncias que disparem estímulos nervosos. Isso é inconsciente, a pessoa não percebe.

P-Dizem que não morremos por causa da SII, mas morreremos com ela. Não há mesmo cura?

R-Não existe cura. A pessoa com síndrome do intestino irritável, ao longo da vida, costuma ter períodos sem sintomas alternados com períodos mais sintomáticos. Mas a síndrome é tratável.

P-Há estudos novos que trazem alguma esperança em tratamento ou descoberta mais rápida do problema? Novos exames?

R-Não, por enquanto.

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P-Quais as dicas para se viver com a SII e IL da melhor forma possível?

R-Inicialmente, procurar atendimento médico logo e não deixar de comunicar seu médico quando ocorrerem intensificação dos sintomas. O tratamento da síndrome do intestino irritável tem dois focos: alívio dos sintomas com medicação e alimentação adequada; e modificação da resposta ao estresse. A parte emocional é muito importante. Abordagens que modifiquem a resposta ao estresse ajudam muito, como psicoterapia, exercícios de relaxamento, atividade física regular e mindfullness. No caso desta última, não foi que um pessoal “paz e amor” que falou que funciona, há trabalhos científicos demostrando bons resultados.

A dieta pode auxiliar e é orientada conforme os sintomas (se diarreia, se constipação, se distensão). Se houver constipação, o consumo de mais líquidos e de alimentos ricos em fibras auxiliam; quando predomina distensão, orientamos uma dieta com alimentos pouco fermentativos. Em geral, a orientação alimentar depende dos sintomas apresentados. Quando essas medidas não são suficientes pode-se optar por adotar uma dieta com restrição de FODMAPs.

FODMAP é o conjunto de alimentos fermentáveis que são mal absorvidos pelo nosso organismo e que podem causar desconforto intestinal. Eles são classificados como oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis. Os alimentos fermentáveis referidos são os carboidratos não digeridos pelo trato digestivo humano. Assim, esta alta osmolaridade e a formação de gases pela microbiota intestinal acabam por desencadear os referidos sintomas.

Quando adotamos uma dieta com baixo teor de FODMAPS a ideia é identificarmos os alimentos desencadeadores de sintomas. Não é o objetivo manter a restrição de todo o grupo para sempre. O ideal é que, após a pessoa se sentir melhor, vá reintroduzindo os alimentos gradativamente até identificar os específicos de modo que, posteriormente, sejam evitados apenas os alimentos desencadeadores, e que a dieta não fique muito restrita por muito tempo. Manutenção de dieta com pouco FODMAPs por longo prazo pode levar a várias deficiências nutricionais. Não é recomendada a adoção desse tipo de dieta sem acompanhamento profissional.

TIPOS DE FODMAP   ONDE ENCONTRAR?*
Monossacarídeos (frutose) Xarope de milho, mel, néctar de agave, maçã, pera, manga, aspargos, cereja, melancia, sucos de fruta, ervilha.
Dissacarídeos (lactose) Leite de vaca, leite de cabra, leite de ovelha, sorvete, iogurte, nata, creme, queijo ricota e cottage.
Oligossacarídeos (fructans) Cebola, alho, alho-poró, trigo, cuscuz, farinha, massa, centeio, caqui, melancia, chicória, dente-de-leão, alcachofra, beterraba, aspargos, cenoura vermelha, quiabo, chicória com folhas vermelhas, couve
Oligossacarídeos (GOS Lentilhas que não foram enlatadas, grãos de bico que não foram enlatados, grãos enlatados, feijão, ervilha, grãos integrais de soja.
Polióis Xilitol, manitol, sorbitol, glicerina, maçã, damasco, pêssego, nectarina, pera, ameixa, cereja, abacate, amora, lichia, couve-flor, cogumelos.

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P-Como substituir os alimentos que na teoria fazem mal?

R-A substituição vai depender de qual alimento será retirado da dieta, portanto isso é analisado caso a caso.

P-Li que alguns profissionais recomendam a criação de um diário com a lista do que se comeu.

R-Fazemos isso quando a pessoa está em tratamento, mas não melhora. Tentamos identificar alimentos que fazem mal para ela. Ou seja, é caso a caso, não há uma fórmula que vale para todos. É individual, conforme sintomas e evolução. Como falei antes, a alimentação faz parte do tratamento. Há casos nos quais conseguimos identificar um alimento e o tirarmos, mas varia de um paciente para outro.

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P-Quais dicas são importantes para quem tem SII?

R-A primeira coisa é ter cuidado com blogs que trazem informações erradas. Dão fórmula disso, receitas daquilo, chás que curam… As pessoas querem algo milagroso, e isso não existe! Outro problema muito comum, a pessoa não tem paciência de persistir no tratamento. Ela chega no meu consultório, por exemplo, depois de passar com vários médicos antes e já quer resultado. Não há um remédio superbom para a SII. Prescrevemos um medicamento e não dá certo, voltamos ao zero. Às vezes, na terceira ou quarta tentativa funciona, mas o paciente não tem paciência e isso acaba atrapalhando um pouco.

A vida agitada, como, por exemplo, a que levamos aqui em são Paulo, não ajuda. É uma cidade complicada, muito trabalho, muito trânsito, muitos problemas e a SII é uma doença na qual o estresse piora muito os sintomas. Por isso, técnicas de relaxamento e mindfulness ajudam muito. E, claro, procurar ajuda médica. Isso porque os sintomas da síndrome podem esconder inúmeras doenças, até graves, e a pessoa pode achar que não é nada. Ou o contrário, ela achar que tem algum problema de saúde sério e é mesmo a SII.

Cristine Lengler é Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Especialista em Gastroenterologia Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, atua como médica gastroenterologista do Fleury Medicina e Saúde. É membro fundador do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)

*Tabela cedida pela médica

 

 

 

 

 

Bolo Fodmap de Cenoura para pessoas com restrições alimentares

Uma pergunta comum quando se segue a dieta do Fodmap é em torno do uso de farinha de trigo espelta, também conhecida como trigo selvagem ou trigo ancestral. Recentemente, a Monash University publicou um artigo sobre esta farinha e a tolerância para aqueles que seguem a dieta do Fodmap.

A análise concluiu que, enquanto a farinha de trigo espelta tende a ser menor em Fodmaps do que a farinha de trigo tradicional, ela ainda tem um conteúdo Fodmap maior do que as farinhas sem glúten. Com isso em mente, é importante que você conheça sua própria tolerância a determinados ingredientes e, se decidir consumir este tipo de farinha, certifique-se de limitar sua ingestão.

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A seguir uma receita que leva este ingrediente:

Bolo Fodmap de Cenoura

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Ingredientes

1 xícara de chá de farinha de trigo espelta comum (trigo selvagem ou trigo ancestral)
3/4 xícara de açúcar demerara
125g de nozes trituradas (você sempre pode picar nozes inteiras)
1 1/2 xícaras de chá de cenoura ralada
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de canela
175g de óleo de coco
2 ovos

Modo de fazer

1. Pré-aqueça o forno a 180 °C e forre uma fôrma redonda com papel manteiga.
2. Em uma tigela grande, misture todos os ingredientes secos com a cenoura ralada. Dê uma rápida mexida para que a cenoura se misture, isso ajuda um pouco quando você adiciona ingredientes úmidos.
3. Se o seu óleo de coco tiver solidificado, aqueça-o suavemente para devolvê-lo ao estado líquido e adicione-o aos seus ingredientes secos juntamente com os ovos. Misture bem todos os ingredientes para combinar.
4. Despeje a mistura em sua fôrma pré-preparada e asse por cerca de 45 minutos, ou até que um palito saia limpo. Retire do forno, uma vez cozido, e deixe descansar por 5 minutos antes de virar e desenformá-lo.

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Fonte: Fructose & Friendly

Alimentos que causam inchaço (e como substituí-los)

Inchaço é quando sua barriga parece intumescida ou aumentada depois das refeições.Geralmente isso é causado por gases ou outros problemas digestivos. Inchaço é algo muito comum. Cerca de 16% a 30% das pessoas dizem que o experimentam regularmente.

Embora o inchaço possa ser um sintoma de uma condição médica grave, geralmente é causado por algo presente na dieta. Abaixo estão 13 alimentos que podem causar inchaço, juntamente com sugestões sobre o que comer em vez disso. 

É importante frisar que as pessoas frequentemente confundem “inchaço” com “retenção líquida”, que envolve quantidades aumentadas de fluido no corpo. Preste atenção ao seu problema para encontrar a solução correta.

1. Feijão

Feijão é um tipo de leguminosa. Contém grandes quantidades de proteína e carboidratos saudáveis. Os feijões também são muito ricos em fibras, além de várias vitaminas e minerais. No entanto, a maioria dos grãos contém açúcares chamados alfagalactosídeos, que pertencem a um grupo de carboidratos chamados FODMAPs.
Os FODMAPs (oligo-, di-, mono-sacarídeos e polióis fermentáveis) são carboidratos de cadeia curta que escapam da digestão e são fermentados pelas bactérias intestinais no cólon. O gás é um subproduto desse processo.

Para pessoas saudáveis, os FODMAPs simplesmente fornecem combustível para as bactérias digestivas benéficas e não causam nenhum problema. No entanto, para indivíduos com síndrome do intestino irritável, outro tipo de gás é formado durante o processo de fermentação. Isso pode causar grande desconforto, com sintomas como inchaço, flatulência, cólicas e diarreia. Deixá-lo de molho é uma boa maneira de reduzir os FODMAPs nos beans. Mudar a água da imersão várias vezes também pode ajudar.

O que comer em vez disso: alguns tipos de feijão são mais fáceis no sistema digestivo. Feijão carioca e feijão preto podem ser mais digeríveis, especialmente após ficarem de molho. Você também pode substituir o feijão por grãos, carne ou quinoa.

2. Lentilhas

Lentilhas também são leguminosas. Elas contêm grandes quantidades de proteínas, fibras e carboidratos saudáveis, além de minerais como ferro, cobre e manganês. Por causa de seu alto teor de fibra, podem causar inchaço em indivíduos sensíveis. Isto é especialmente verdadeiro para pessoas que não estão acostumadas a comer muita fibra. Como feijões, também contêm FODMAPs. Estes açúcares podem contribuir para a produção excessiva de gás e inchaço.No entanto, deixando-as de molho ou lavando-as várias vezes antes de comê-las pode torná-las muito mais fáceis de serem digeridas pelo sistema digestivo.

O que comer em vez disso: lentilhas de cor clara são geralmente mais baixas em fibras do que as mais escuras, e podem, portanto, causar menos inchaço, especialmente após o molho

3. Bebidas Carbonatadas, como refrigerantes

Bebidas carbonatadas são outra causa muito comum de inchaço. Essas bebidas contêm quantidades elevadas de um gás, o dióxido de carbono. Quando você bebe uma dessas bebidas, acaba engolindo grandes quantidades desse gás. Alguns gases ficam presos no sistema digestivo, o que pode causar inchaço desconfortável e até cólicas.

O que beber em vez disso: água pura é sempre melhor. Outras alternativas saudáveis incluem café, chá e água com sabor de frutas.

4. Trigo

O trigo tem sido altamente controverso nos últimos anos, principalmente porque contém uma proteína chamada glúten. Apesar da controvérsia, o trigo ainda é amplamente consumido. É ingrediente da maioria dos pães, massas, tortilhas e pizzas, bem como produtos de panificação como bolos, biscoitos, panquecas e waffles. Para pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten, o trigo causa grandes problemas digestivos. Isso inclui inchaço, gases, diarreia e dor de estômago.O trigo também é uma fonte importante de FODMAPs que podem causar problemas digestivos em muitas pessoas.

O que comer em vez disso: existem muitas alternativas ao trigo, como aveia pura, quinoa, trigo mourisco, farinha de amêndoa e farinha de coco.

5. Brócolis e outros vegetais crucíferos

A família de vegetais crucíferos inclui brócolis, couve-flor, couve, couve de bruxelas e vários outros. Estes são muito saudáveis, contendo muitos nutrientes essenciais como fibra, vitamina C, vitamina K, ferro e potássio. No entanto, eles também contêm FODMAPs, por isso podem causar inchaço em algumas pessoas. Cozinhar vegetais crucíferos pode torná-los mais fáceis de digerir.

O que comer em vez disso: existem muitas alternativas possíveis, incluindo espinafre, pepino, alface, batata doce e abobrinha.

6. Cebola

As cebolas são vegetais de bulbo subterrâneos com um sabor único e poderoso. Raramente são comidas inteiras, mas são populares em refeições cozidas, acompanhamentos e saladas. Apesar de serem consumidas em pequenas quantidades, as cebolas são uma das principais fontes alimentares de frutanos, fibras solúveis que podem causar inchaço. Além disso, algumas pessoas são sensíveis ou intolerantes a outros compostos em cebolas, especialmente nas versões cruas. Portanto, cebolas são uma causa conhecida de inchaço e outros desconfortos digestivos. Cozinhá-las pode reduzir esses efeitos digestivos.

O que comer em vez disso: tente usar ervas frescas ou especiarias como uma alternativa. 

7. Cevada

Cereal comumente consumido, muito nutritivo, pois é rico em fibras e contém grandes quantidades de vitaminas e minerais como molibdênio, manganês e selênio. Por causa de seu alto teor de fibra, a cevada integral pode causar inchaço em pessoas que não estão acostumadas a comer muita fibra. Além disso, contém glúten. Isso pode causar problemas para pessoas que são intolerantes.

O que comer em vez disso: cevada refinada, como cevadinha, que pode ser melhor tolerada. A cevada também pode ser substituída por outros grãos ou pseudocereais como aveia, arroz integral, quinoa ou trigo sarraceno. 

8. Centeio

O centeio é um cereal que está relacionado ao trigo.É muito nutritivo e uma excelente fonte de fibras, manganês, fósforo, cobre e vitaminas B. No entanto, também contém glúten, uma proteína que muitas pessoas são sensíveis ou intolerantes. Por causa de seu alto teor de fibra e glúten, pode ser uma das principais causas de inchaço em indivíduos sensíveis.

O que comer em vez disso: outros grãos ou pseudocereais, incluindo aveia, arroz integral, trigo mourisco ou quinoa. 

9. Produtos Lácteos

Laticínios são altamente nutritivos, bem como excelentes fontes de proteína e cálcio. Há muitos produtos lácteos disponíveis, incluindo leite, queijo, cream cheese, iogurte e manteiga. No entanto, cerca de 75% da população mundial não consegue decompor a lactose, o açúcar encontrado no leite, condição conhecida como intolerância à lactose. Se você é intolerante à lactose, laticínios podem causar grandes problemas digestivos. Os sintomas incluem inchaço, gases, cólicas e diarreia. 

O que comer em vez disso: pessoas que são intolerantes à lactose às vezes podem manipular creme e manteiga, ou laticínios fermentados como iogurte. Produtos lácteos sem lactose também estão disponíveis. Outras alternativas ao leite normal incluem leite de coco, amêndoa, soja ou arroz. 

10. Maçã

As maçãs estão entre as frutas mais populares do mundo. São ricas em fibras, vitamina C e antioxidantes, e têm sido associados a uma série de benefícios para a saúde. Porém, também são conhecidas por causar inchaço e outros problemas digestivos para algumas pessoas. Os culpados são a frutose (que é um FODMAP) e o alto teor de fibras. A frutose e a fibra podem ser ambas fermentadas no intestino grosso e podem causar gases e inchaço. Maçãs cozidas podem ser mais fáceis de digerir do que as frescas.

O que comer em vez disso: outras frutas, como bananas, mirtilos, toranjas, tangerinas, laranjas ou morangos. 

11. Alho

 O alho é incrivelmente popular, tanto para dar sabor quanto como um remédio para a saúde. Como as cebolas, o alho contém frutanos, que são FODMAPs que podem causar inchaço. Alergia ou intolerância a outros compostos encontrados no alho também é bastante comum, com sintomas como inchaço, arrotos e gases. No entanto, cozinhar o alho pode reduzir esses efeitos.

O que comer em vez disso: tente usar outras ervas e especiarias em sua cozinha, como tomilho, salsa, cebolinha ou manjericão.

12. Açúcar de álcool

 Açúcares de álcool são usados para substituir o açúcar em alimentos sem açúcar e gomas de mascar. Tipos comuns incluem xilitol, sorbitol e manitol. Eles também são FODMAPs e tendem a causar problemas digestivos, uma vez que atingem o intestino grosso inalterado, onde as bactérias se alimentam deles. Consumir grandes quantidades de açúcar de álcool pode causar problemas digestivos, como inchaço, gases e diarréia.

O que comer em vez disso: Eritritol é também um álcool de açúcar, mas é mais fácil na digestão do que os mencionados acima. A estévia também é uma alternativa saudável ao açúcar e aos álcoois de açúcar.

13. Cerveja

 
Todo mundo já ouviu falar do termo “barriga de cerveja”. Refere-se não só ao aumento da gordura da barriga, mas também ao inchaço causado pelo consumo de cerveja.

A cerveja é uma bebida carbonatada feita a partir de fontes de carboidratos fermentáveis, como cevada, milho, trigo e arroz, juntamente com algumas leveduras e água. Portanto, contém tanto gás (dióxido de carbono) quanto carboidratos fermentáveis, duas causas bem conhecidas de inchaço. Os grãos usados para preparar a cerveja também contêm glúten.

O que beber em vez disso: a água é sempre a melhor bebida, mas se você está procurando alternativas alcoólicas, em seguida, vinho tinto, vinho branco ou aguardente podem causar menos inchaço.

Outras maneiras de reduzir o inchaço

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O inchaço é um problema muito comum, mas muitas vezes pode ser resolvido com alterações relativamente simples. Existem várias estratégias que podem ajudar a reduzir o inchaço, descritas neste artigo. Se você tem problemas digestivos persistentes, então você pode querer considerar uma dieta de baixo FODMAP. Pode ser incrivelmente eficaz, não apenas por inchaço, mas também por outros problemas digestivos. No entanto, certifique-se de também consultar um médico para descartar uma condição médica potencialmente grave.

Guarde para você

Se tiver problemas com inchaço, então as chances são de que um alimento nesta lista seja o culpado é muito grande. Dito isto, não há razão para evitar todos esses alimentos, apenas os que causam problemas pessoais. Se você achar que um determinado alimento constantemente o deixa inchado, simplesmente evite-o. Nenhum alimento vale tanto sofrimento.

Fonte: Health Line: artigo nutricional baseado em evidências de especialistas da Authority Nutrition (EUA)

 

Ensaio clínico demonstra sucesso de dieta low FODMAP

Uma mudança na dieta pode melhorar a vida daqueles diagnosticados com um distúrbio intestinal comum, mas de difícil tratamento. Esse é o resultado de uma pesquisa do Sistema de Saúde da Universidade de Michigan, apresentada na Digestive Disease Week, que estudou pela primeira vez nos Estados Unidos o resultado de seguir uma dieta cuidadosamente controlada para melhorar os sintomas e a qualidade de vida das pessoas com a síndrome do intestino irritável.

“Este é o único ensaio clínico metodicamente rigoroso para mostrar que a terapia baseada na dieta pode não apenas melhorar os sintomas, mas também a qualidade de vida em pacientes com SII”, diz a professora-assistente e gastroenterologista da UM Shanti Eswaran, que pesquisa o papel da dieta e alimentos em doenças intestinais funcionais, como a SII.

A síndrome do intestino irritável pode ser altamente debilitante, se não virtualmente paralisante, e afetar o trabalho, o sono e as relações pessoais e familiares. A maioria dos tratamentos depende inicialmente de medicamentos que são frequentemente caros, geralmente ineficazes e causam efeitos colaterais indesejáveis. E, infelizmente, não há cura.

Muitos profissionais e pacientes recorreram à dieta como um possível tratamento, mas muitas das recomendações dietéticas não foram apoiadas por ensaios clínicos. Esse estudo, o maior do tipo, mediu o grau de alívio do FODMAP baixo, uma dieta frequentemente recomendada, que significa “oligossacarídeos, dissacáridos, monossacarídeos e polióis fermentáveis”.

Esta dieta exclui muitos compostos encontrados no trigo, certas frutas e legumes, alho, cebola e substitutos de açúcar.

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Durante um processo de seis semanas, nutricionistas registradas educaram e monitoraram o progresso de mais de 90 pacientes com SII. Cerca de metade seguiu uma dieta low FODMAP, e metade foi um grupo de controle que usou um regime de senso comum, reduzindo as grandes refeições, compulsões e irritantes conhecidos, como cafeína e álcool.

Os resultados foram impressionantes: mais de 50% dos pacientes com a dieta low FODMAP tiveram melhora importante da dor abdominal, em comparação com 20% do grupo controle. Houve também mais melhora de outros sintomas incômodos em comparação com o grupo controle: inchaço, diarreia e urgência das fezes.

Eswaran colaborou com William Chey, professor de medicina interna, Quênia Jackson, Sivaram G. Pillai, Samuel W. Chey e Theresa Han-Markey, da Universidade de Michigan, no resumo do estudo publicado na Gastroenterology.

Em quatro semanas, a proporção de pacientes com uma melhora significativa na qualidade de vida foi significativamente maior no grupo low FODMAP comparada ao grupo controle – 61% X 27%.

Embora os resultados sejam altamente encorajadores para os portadores de SII, existem algumas ressalvas importantes, diz Eswaran. Devido às muitas incógnitas sobre as causas químicas e os fatores desencadeantes da SII, a lista de alimentos “ruins” é exaustiva e elusiva, e a ajuda de um nutricionista é altamente recomendada.

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“A low FODMAP não é um tratamento novo, mas agora estamos convencidos de que realmente funciona”, diz ela. “Nosso próximo passo será determinar com mais precisão a química subjacente de como e por que certos alimentos podem produzir resultados dramaticamente diferentes para pessoas diferentes. Enquanto isso, recomendamos que os pacientes com SII conversem com seu médico e um nutricionista para navegar melhor pela dieta e assumir o controle de seus sintomas da SII”.

Eswaran recebeu financiamento para conduzir a pesquisa do Centro Nutricional e de Obesidade da Universidade do Michigan e da Prometheus Diagnostics.

Fonte: MedicalNewsToday

Para conhecer a dieta low FODMAP clique aqui.

Suco de laranja tem potencial para equilibrar a microbiota intestinal

Ingestão de suco das variedades baía e cara-cara aumentou o número de bactérias benéficas ao organismo

Por Redação Jornal da USP – Editorias: Ciências da Saúde

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Laranja cara-cara: mudanças na composição da microbiota intestinal – Foto: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Embrapa

O primeiro estudo mundial sobre os efeitos do suco de laranja das variedades baía e cara-cara no intestino humano foi conduzido por uma pesquisadora italiana no Brasil, a bióloga Elisa Brasili, ligada ao Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), sediado na USP. E os resultados são animadores: a ingestão desses sucos produz mudanças benéficas na composição da microbiota intestinal.

A pesquisa, fruto de seu pós-doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, é assunto de artigo que está em avaliação por periódicos internacionais influentes. A ideia foi entender como uma intervenção dietética incluindo o alimento altera a microbiota.

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Ingestão de suco aumentou quantidade de bactérias benéficas ao organismo humano – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Após a ingestão do suco de laranja baía foi observado um aumento das famílias de bactérias Veillonellaceae e Ruminococcaceae que possuem diversas funções benéficas ao organismo humano, incluindo a redução das patologias inflamatórias intestinais”, conta a pesquisadora. “O que posso afirmar é que o aumento destas famílias de bactérias, que pertencem à classe Clostridia, é um bom resultado”, acrescenta. Hoje se sabe que a classe Clostridia não é composta apenas de bactérias patogênicas, como aquela que causa o botulismo. Algumas têm efeitos positivos no intestino, auxiliando na manutenção de suas funções e em seu equilíbrio.

Já após a ingestão do suco de laranja cara-cara foi observado um aumento significativo nas famílias das bactérias Mogibacteriaceae e Tissierellaceae, cuja abundância relativa se encontra alterada em várias doenças, tais como a doença de Parkinson. A pesquisadora conta que apesar da cara-cara ainda não ser uma variedade comercializada, há empresas investindo na produção do suco para que se conheça melhor sua composição.

“A laranja cara-cara tem um conteúdo muito grande de licopeno, um carotenoide não muito comum nas laranjas. A presença de elevada quantidade de licopeno nos fez pensar que a utilização dessa laranja poderia surtir um efeito diferente das outras. E a mudança que ela operou na microbiota dos voluntários demonstrou isso”.

O licopeno é muito comum em outras frutas, como os tomates, e apresenta atividades anticâncer e anti-inflamatória. Segundo Elisa, em pessoas com câncer ou com obesidade a presença dessas bactérias na microbiota é menor.

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Estudo avaliou também efeitos do suco da laranja do tipo baía – Foto: Brandizii/Wikimedia Commons

Para chegar a esses resultados, Elisa Brasili trabalhou com 21 voluntários, todos saudáveis, com idade entre 20 e 43 anos, homens e mulheres. Primeiro ela caracterizou a microbiota intestinal de cada um e depois ministrou os sucos em diferentes períodos, de forma randomizada, analisando a microbiota após uma semana de ingestão de cada uma das bebidas. Cada usuário ingeriu 500 mililitros (ml) de suco diariamente.

Os sucos de laranjas são ricos em substâncias que trazem efeitos muito positivos à saúde humana, entre eles a hespiridina, um antioxidante. Elisa decidiu analisar a microbiota intestinal porque é onde os compostos bioativos são metabolizados.

A pesquisadora destaca, porém, que a mudança operada na microbiota com a ingestão dos sucos de laranjas baía e cara-cara é transitória. Quando o indivíduo muda de novo seu padrão de dieta, a microbiota se altera novamente. “É como tomar probióticos. Quando você ingere, há benefícios. Quando para de tomar, os benefícios diminuem.”

Segundo ela, o passo seguinte é investigar, nos próximos anos, a possibilidade de indicar o consumo de suco de laranja para ajudar a equilibrar a microbiota de populações ou indivíduos que tenham a composição da sua microbiota intestinal alterada, como os que sofrem de doenças inflamatórias intestinais crônicas e os obesos.

Com informações da Assessoria de Comunicação do Forc

Como tratar a Síndrome do Intestino Irritável D

As pessoas que têm SII-D podem frequentemente encontrar alívio em vários tipos de tratamento. Você pode fazer alterações em sua dieta, tomar medicação, encontrar maneiras de aliviar o estresse ou tentar terapia comportamental ou terapia alternativa. Você pode precisar de algumas dessas abordagens ao mesmo tempo para obter alívio.

SII é uma condição complexa que não envolve apenas problemas com evacuações, mas também dor abdominal, inchaço e gases. O objetivo do tratamento é melhorar todos os seus sintomas.

Não tente tratar a síndrome sozinho. Primeiro, seu médico deve se certificar de que seus sintomas estão sendo causados mesmo pela SII. Em seguida, trabalhe com o seu médico para encontrar o melhor tratamento para você.

Sua dieta

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Pode ser de ajuda manter um registro dos alimentos que come e como eles fazem você se sentir. Uma vez que diferentes alimentos podem afetar pessoas de diferentes maneiras, manter um diário de sintomas da SII pode ajudar você e seu médico a descobrirem os alimentos que você pode comer e quais deve ficar longe. Algumas dicas para começar:

=Evite chocolate, frituras, álcool, cafeína, bebidas carbonatadas, adoçante artificial sorbitol (encontrado na goma sem açúcar e balas) e frutose (o açúcar no mel e muitas frutas). Esses produtos podem frequentemente piorar os sintomas da diarreia.

=Tenha cuidado com fibras, mas você não precisa evitá-las completamente. Elas são boas de outras formas, como na prevenção do câncer de cólon, diabetes e doenças cardíacas. Além disso, impede que sua diarreia se transforme em constipação. Mas muito, às vezes, leva a gases e inchaços. Para SII-D, é melhor comer o tipo solúvel de fibra. Demora mais tempo para deixar seu sistema digestivo. Você pode obtê-lo em farelo de aveia, cevada, carne de fruta (em oposição à pele/casca) e alguns tipos de feijão.

=Beba muita água todos os dias. Tente tomar um copo uma hora antes ou uma hora depois das refeições, e não enquanto come. Quando você bebe água e ingere alimentos pode fazer a comida se mover pelo seu sistema um pouco mais rápido.

Se você tem diarreia, inchaço e cólicas, pergunte ao seu médico para testá-lo para intolerância à lactose ou doença celíaca.

Medicamentos sem receita médica (OTC)

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Seu médico pode sugerir tentar medicamentos para diarreia OTC, como subsalicilato de bismuto (Kaopectate, Pepto-Bismol) e loperamida (Imodium) para alívio. Pesquisadores descobriram que essas drogas podem ajudar a retardar a diarreia, mas não ajudam em outros sintomas da SII, como dor na barriga ou inchaço.

Os efeitos colaterais desses tratamentos incluem câimbras no peito e inchaço, juntamente com boca seca, tontura e constipação. Se você tomar um remédio para diarreia, use a menor dose possível e não o tome por muito tempo.

Alguns medicamentos OTC para alívio de gases, como simeticone (Gas-X, Mylicon), são geralmente seguros. Já alguns antiácidos, especialmente aqueles com magnésio, podem causar diarreia. Não tome medicamentos de venda livre a longo prazo sem perguntar ao seu médico sobre isso. Os sintomas da SII podem ser causados por outros problemas mais sérios. Certifique-se de que você e seu médico descartaram outras causas de seus sintomas.

Prescrição de Medicamentos

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O seu médico pode recomendar diferentes tipos de medicamentos prescritos para ajudar:

Antidepressivos. Se o seu médico recomendar, isso não significa necessariamente que você está deprimido. Essas drogas podem ajudar quando se tem dor de barriga de SII. Baixas doses podem bloquear sinais de dor no cérebro.

Para pessoas com SII-D, os médicos podem recomendar uma dose baixa de antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina, imipramina (Tofranil) ou nortriptilina (Aventyl, Pamelor). Efeitos colaterais comuns destes medicamentos incluem boca seca, visão turva e constipação. Seu médico pode recomendar outro tipo de antidepressivo chamado SSRI, que inclui citalopram (Celexa), fluoxetina (Prozac) e paroxetina (Paxil), se você tiver depressão junto com SII. Os efeitos colaterais desses medicamentos, às vezes, incluem diarreia, por isso, informe ao seu médico se os sintomas da pioram enquanto estiver tomando algum desses medicamentos.

Drogas que relaxam os músculos, chamadas antiespasmódicos, como diciclomina (Bentyl) e hiosciamina (Levsin). Espasmos musculares no trato digestivo podem causar dor de barriga. Muitos médicos prescrevem esses medicamentos para acalmá-los. Mas alguns estudos descobriram que não há evidências claras de que ajudem a todos com a síndrome.

Os efeitos colaterais dessas drogas incluem diminuição da sudorese, constipação, boca seca e visão turva.

Gerenciamento de estresse

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O estresse tende a piorar os sintomas da SII. Assim, as terapias que podem ajudá-lo a aprender a lidar com essas emoções muitas vezes podem proporcionar alívio. Uma técnica que parece ajudar a maioria das pessoas é a terapia comportamental. Ensina-lhe melhores maneiras de lidar com a dor e o estresse. Os tipos incluem terapia de relaxamento, biofeedback, hipnoterapia, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia.

Se você quiser experimentar a terapia comportamental para a síndrome, tente encontrar um terapeuta que irá trabalhar com seu médico regular. Fora da terapia formal, você pode tentar maneiras simples de reduzir o estresse e aliviar os sintomas por conta própria. Meditação, exercícios regulares, dormir o suficiente, e manter uma dieta bem equilibrada pode ajudar.

Além disso, tente fazer algo que você goste todos os dias. Dê um passeio, ouça música, tome um banho, pratique esportes ou leia.

Terapia Alternativa

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Algumas pessoas com SII tentam terapias alternativas, como acupuntura, probióticos e ervas para aliviar seus sintomas. Tenha em mente que a maioria das terapias alternativas não foram testadas quanto à eficácia em testes clínicos rigorosos, como os outros tratamentos.

Pesquisadores do National Institutes of Health descobriram que a acupuntura funciona para a dor crônica. Para alívio da SII, no entanto, os resultados não foram claros.

Há também algumas evidências de que os probióticos, bactérias “saudáveis” normalmente encontradas no intestino, ajudam algumas pessoas com SII. Um estudo de um tipo, Bifidobacterium infantis, descobriu que melhorou muito os sintomas da SII e o dia a dia depois que as pessoas o tomaram por 4 semanas. Pesquisa em outro tipo, lactobacilos, teve mais revisões mistas.

Estudos sobre ervas tiveram resultados confusos. Algumas pesquisas mostraram que a hortelã-pimenta relaxa os músculos do cólon e pode melhorar os sintomas da SII. Se você quiser tentar acupuntura ou ervas para seus sintomas, converse com seu médico primeiro. Algumas ervas podem afetar o bom funcionamento de outros medicamentos.

O que é certo para você

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A SII-D é uma condição complexa. Leva tempo e paciência para descobrir o que o ajudará a se sentir melhor. Nem todo tratamento funciona para todas as pessoas. E seus sintomas podem mudar enquanto você está recebendo tratamento. Você pode ter diarreia agora. Em seguida, prisão de ventre em algumas semanas e, em seguida, diarreia novamente.

Sua melhor aposta? Encontre um médico que compreenda a síndrome do intestino irritável e trabalhe em conjunto no seu plano de tratamento.

Referência Médica WebMD Revisado por Minesh Khatri, em março de 2018

 

 

Cinco sinais que uma dieta de baixo Fodmap pode ser boa para você

Você tem problemas digestivos? Você tem medo de voar, sair para jantar ou até mesmo fazer sexo, porque você não sabe quando esse momento de “necessidade de banheiro imediata” vai chegar.

Quando dores de barriga, gases, inchaço, constipação ou diarreia são um problema frequente, é hora de procurar o médico para procurar a causa subjacente. Muitas vezes, esses sintomas são indicadores da Síndrome do Intestino Irritável (SII). De acordo com o American College of Gastroenterology, a SII é um dos distúrbios gastrointestinais mais comuns, afetando cerca de 20% da população. É tão comum que é responsável por 40% de todas as consultas com gastroenterologistas.

A boa notícia é que a pesquisa sugere que as pessoas com a síndrome podem reduzir ou, em alguns casos, eliminar seus sintomas digestivos seguindo uma dieta com baixo teor de Fodmap.

Fodmaps são carboidratos que podem ser mais difíceis de digerir para alguns indivíduos com os chamados “distúrbios gastrointestinais funcionais”, como a SII. Fodmaps significa fermentáveis, oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis. Alguns alimentos ricos em Fodmap incluem trigo, cebola, alho, legumes, leite, mel, maçãs, frutas secas, alguns substitutos do açúcar e fibras adicionadas.

Enquanto todos experimentam os sintomas da SII de forma diferente, aqui estão 5 sinais de que uma dieta baixa Fodmap pode ser o ideal para você*:

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1. Você se tornou um detetive de banheiro. Não importa onde você esteja, sua primeira preocupação é descobrir onde fica o banheiro mais próximo. Você pode realmente planejar suas atividades ao ar livre – caminhadas ou corridas – em torno de onde você sabe que há um banheiro.

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2. Você parece grávida de cinco meses depois de uma refeição. Algumas pessoas que sofrem da SII experimentam grande inchaço e distensão depois de comer. Você pode sentir que passou do “tamanho normal” para o tamanho de cinco meses de gestação.

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3. Você está na zona de exclusão aérea. Os sintomas da SII podem causar tanta agitação que você evita viajar porque se sente mais seguro perto de casa, perto do seu próprio banheiro. E se você precisar voar, escolhe seu lugar com base na proximidade do banheiro.

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4. Você pula o sexo! Seus sintomas de SII podem ser tão graves ou embaraçosos que você evita o sexo por medo de soltar gases ou precisar correr para o banheiro quando as coisas começam a acontecer no quarto.

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5. Alimentação  “saudável” não parece ajudar. Você já tentou comer mais frutas e verduras, sem glúten e acrescentando mais fibras à sua dieta, mas ainda tem sintomas. Isso pode ocorrer porque muitos alimentos saudáveis – incluindo certas frutas e vegetais – contêm Fodmaps.

Ao eliminar alimentos ricos em Fodmap de sua dieta, você pode reduzir alguns ou mesmo todos os seus sintomas desagradáveis. Como há muitos alimentos ricos em Fodmap é necessário um compromisso, e não há espaço para fazer tapeação nessa dieta. No entanto, isso é apenas para a fase de eliminação que normalmente dura de duas a seis semanas.

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Depois disso, você pode reintroduzir gradualmente os alimentos ricos em Fodmap em sua dieta, mantendo apenas os que não causam sintomas. Embora isso possa parecer difícil, agora existem algumas marcas de alimentos e outras que criaram refeições e / ou lanches para ajudar a manter um plano de baixo Fodmap muito mais fácil.

* Converse com seu médico antes de iniciar uma nova dieta

Fonte: Katherine Brooking – WebMD

Para saber mais sobre a dieta Fodmap clique aqui.


Salvar

Azeite de oliva pode ser usado para tratar constipação?

A constipação é um problema digestivo comum que pode afetar pessoas de todas as idades. É definido por ter menos de três evacuações por semana ou movimentos intestinais secos, duros, pequenos ou difíceis de passar.

Embora algumas pessoas possam pensar que fazer uma evacuação diária é necessário, a Associação Americana de Gastroenterologia afirma que nem sempre é esse o caso. Algumas pessoas podem ter evacuações todos os dias e ainda ter constipação se as fezes estiverem secas e duras.

Outros podem ter apenas evacuações três vezes por semana, mas terem fezes regulares e moles. A dureza e consistência das fezes podem ser um melhor sinal de constipação do que a frequência de evacuações. Muitas pessoas experimentarão constipação em algum momento. Viajar, mudanças na rotina ou certos alimentos podem causar mais evacuações no curto prazo.

Embora a constipação geralmente não seja grave, muitas vezes é desconfortável. Pode causar dor de estômago, inchaço e náusea. A constipação a curto prazo geralmente desaparece sozinha após a pessoa retornar às rotinas normais e aos hábitos alimentares.

Em alguns casos, a constipação pode durar semanas ou mais. Isso pode levar a problemas de saúde a longo prazo, incluindo:

-Hemorroidas: veias dilatadas no ânus que podem causar dor, irritação, sangramento e coceira
-Pequenas fissuras no ânus que podem causar dor ou coceira
-Uma grande massa de fezes fica presa no reto
-Prolapso retal, onde o reto desliza para fora da sua posição normal

Tratando a constipação com azeite

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O azeite pode ser uma maneira segura e saudável de fazer as fezes se moverem novamente. As gorduras no azeite podem ajudar a tornar o interior do intestino mais suave, tornando as fezes mais fáceis de passar. Também pode ajudar as fezes a manter mais água, mantendo-as mais suaves.

Uma colher de sopa de azeite, tomada com o estômago vazio pela manhã, pode aliviar a constipação para muitos adultos saudáveis. Tomar mais do que essa quantidade pode levar a diarreia e câimbras, por isso não é recomendado.

O azeite de oliva não é recomendado para bebês e crianças com constipação. A Academia Americana de Pediatria recomenda uma pequena quantidade de suco de maçã ou pera, xarope Karo ou purê de ameixas para bebês. Crianças pequenas e mais velhas podem obter alívio com alimentos ricos em fibras, como ameixas, damascos e cereais integrais. Se as mudanças na dieta não ajudarem, as crianças devem consultar um médico para tratamento adicional.

Outros benefícios do azeite para a saúde

azeite de oliva

O azeite de oliva não é apenas útil para a constipação, mas tem outros benefícios para a saúde também. É um alimento básico na dieta mediterrânea, que está ligada a um menor risco de certas doenças e uma vida mais longa.

O óleo tem efeitos anti-inflamatórios que podem reduzir o risco de diabetes, doenças cardíacas, certos tipos de câncer, artrite e doenças degenerativas, como Alzheimer ou  Parkinson. Também pode diminuir o risco de depressão de uma pessoa.

A American Heart Association (AHA) recomenda tomar azeite para melhorar a saúde do coração, devido às suas gorduras monoinsaturadas saudáveis. Pessoas saudáveis com mais de dois anos de idade devem receber 25% a 35% de suas calorias diárias de gorduras monoinsaturadas ou poli-insaturadas, segundo a AHA. Consumir principalmente gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas e limitar as gorduras saturadas e trans pode ajudar a melhorar os níveis de colesterol.

O azeite de oliva também contém vitamina E, um nutriente importante que está faltando na dieta de muitas pessoas.

Embora diferentes tipos de azeite estejam disponíveis nas lojas, o extravirgem pode oferecer mais benefícios para a saúde. Quando um óleo é rotulado de “extravirgem”, significa que o fruto foi simplesmente pressionado para extrair o óleo.

Outros tipos, como o azeite “light”, podem ter sido extraídos com produtos químicos ou em processos diferentes. Isso pode refinar e filtrar alguns dos compostos naturais da azeitona.

Outros óleos que podem ser usados no tratamento da constipação

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Usar óleos para alívio da constipação não é uma nova tendência. O óleo de mamona tem sido usado há anos para tratar a constipação, embora sua ação seja diferente dos efeitos suaves do azeite. O óleo de rícino afeta os músculos do intestino, fazendo com que eles se contraiam e se movam. Isso muitas vezes estimula as fezes a passarem pelo intestino.

Às vezes, as mulheres grávidas são aconselhadas a tomar óleo de mamona para induzir o parto em uma gravidez a termo tardia, pois isso pode causar a contração do útero. As mulheres grávidas devem discutir o uso do óleo de mamona ou quaisquer medicamentos ou suplementos com seu médico antes de tomá-los.

O óleo mineral ajuda a amolecer as fezes de maneira semelhante ao azeite. Um estudo no Journal of Renal Nutrition sugere que o azeite de oliva funcionou tão bem quanto o óleo mineral para pacientes submetidos à diálise que sofrem de constipação. Os pacientes tomaram quatro mililitros de azeite por dia.

Outros tratamentos

Para casos leves de constipação, as mudanças no estilo de vida, como beber mais água, fazer mais exercícios e comer mais fibras, são frequentemente recomendadas. Se essas medidas não fornecerem alívio suficiente, os laxantes podem ajudar. Eles devem ser usados ​​com moderação, a menos que um médico diga o contrário. Isso porque o intestino pode se tornar dependente deles para estimular seus músculos.

Muitas opções de tratamento estão disponíveis e funcionam de diferentes maneiras para aliviar a constipação:

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=Suplementos de fibra adicionam volume às fezes e facilitam a passagem. Exemplos: Citrucel, FiberCon, Metamucil.
=Amaciadores de fezes ajudam a obter fluido para as fezes e são frequentemente recomendados após cirurgia ou parto. Exemplos: Colace, docusate.
=Os laxantes osmóticos ajudam o intestino a manter mais fluido, em vez de absorvê-lo. Isso ajuda a suavizar as fezes. Exemplos: Leite de Magnésia, Miralax, Sorbitol.
=Os lubrificantes ajudam a tornar as fezes mais escorregadias para que possam passar facilmente do cólon. Embora o óleo de oliva seja considerado um lubrificante quando tomado como um laxante, outros lubrificantes estão disponíveis. Exemplos: óleo mineral, frota, zymenol.
=Os laxantes estimulantes causam contrações e movimentos no intestino. Em geral, eles só devem ser usados ​​com casos mais graves de constipação e sob orientação médica. Exemplos: Correctol, Dulcolax, Senocot.

Quando ver um médico

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Algumas pessoas podem se tornar dependentes de laxante se o usarem por muito tempo, especialmente os estimulantes. As pessoas que sentem que não podem ter uma evacuação sem tomar um laxante primeiro devem conversar com seu médico. Com essa ajuda, podem ser desmamadas ou encontrar outras maneiras de aliviar a constipação.

Tratar constipação ocasional com azeite ou outro produto pode ajudar a evitar desconforto e tem benefícios para a saúde.

A constipação a longo prazo pode ser um sinal de outro problema de saúde ou pode ser uma reação a certos medicamentos. As pessoas que acham que seus movimentos intestinais são consistentemente duros, secos ou dolorosos devem consultar seu médico para aconselhamento.

Causas

A constipação pode ser causada por uma grande variedade de fatores. Alguns dos mais comuns incluem:

-Alterações hormonais, incluindo gravidez ou após o parto
-Certos medicamentos, incluindo pílulas de água, antiácidos, analgésicos receitados, antidepressivos e suplementos de ferro
-Demasiada pouca fibra na dieta
-Falta de exercício
-Alguns problemas de saúde, como tireoide subativa e diabetes
-Problemas com o sistema digestivo, como a síndrome do intestino irritável
-Cirurgia recente
-Quando se ignora ou adia a vontade de usar o banheiro

Às vezes, uma pessoa pode ter constipação sem uma causa clara. Os adultos mais velhos e as mulheres são mais afetados que outros grupos.

Por Jennifer Berry – Medical News Today