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Cinco erros que podem prejudicar a visão no verão

Férias de verão costumam ser associadas a descanso, diversão e sol – muito sol. De modo geral, as pessoas são menos rígidas com relação às regras, podendo acordar, comer e dormir quando sentirem vontade. Mas é preciso estar atento aos hábitos que podem arruinar a saúde, principalmente a visão. A seguir, o médico oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, aponta cinco erros mais comuns que as pessoas cometem por negligência ou desinformação:

1. Levar as crianças para brincar em tanques de areia. “Tanques de areia não tratada representam sempre um risco a mais para crianças, já que muitas costumam levar a mão aos olhos automaticamente enquanto brincam. Por isso, pais ou responsáveis devem procurar oferecer um tipo de distração mais seguro ou redobrar a higienização das mãos dos pequenos. Normalmente, esses tanques de areia estão contaminados por fezes ou urina de animais, podendo causar infecções oculares”.

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Foto: SideShowMom/Morguefile

 

2. Nadar em piscinas públicas ou em locais com água não-tratada. “A água do mar ou ainda de piscinas de hotéis e clubes bastante frequentados no verão representa um grande risco para a visão. Trata-se de um jeito fácil de contrair conjuntivite – doença que deixa os olhos bastante avermelhados e as pálpebras chegam a grudar durante a noite, dificultando abrir os olhos pela manhã. Vale ressaltar que piscinas com cloro em excesso também comprometem a saúde ocular”.

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Foto: Vchar01/Morguefile

3. Dormir com lentes de contato. “Por mais cansada que a pessoa esteja depois de um dia cheio de diversão, é preciso tirar as lentes de contato e garantir um mínimo de asseio antes de ir para a cama. Como durante o sono o nível de lubrificação dos olhos diminui bastante, as lentes podem ressecar junto com o globo ocular e desencadear uma série de problemas. Além de usar os produtos de limpeza recomendados pelo fabricante das lentes, é fundamental checar se não há resíduos sólidos ou irregularidades nas lentes. Mesmo sujeiras quase imperceptíveis podem resultar no desenvolvimento de fungos, levando à inutilização do produto e podendo desencadear infecções”.

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Foto: J. Durham/MorgueFile

4. Sair de casa sem óculos de sol. “A exposição aos altos índices de raios ultravioleta provoca degeneração macular – doença que afeta a parte central da retina, membrana posterior dos olhos onde as imagens são transmitidas para o nervo óptico. Como não existe tratamento eficaz para alterações retinianas, a prevenção ainda é o melhor remédio. Daí a importância de investir em óculos de sol de boa procedência, com proteção UVA e UVB nas lentes, e jamais cair na tentação de comprar modelos ‘baratinhos’, de origem duvidosa. A irregularidade da superfície das lentes pode causar desconforto visual, dor de cabeça e astigmatismo – deformidade da córnea que torna a visão desfocada para perto e para longe.”

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5. Compartilhar objetos de uso pessoal em viagens. “Muita gente acaba compartilhando objetos de uso pessoal durante a viagem de férias. No geral, isso já é um erro. Com relação à visão, é ainda pior – principalmente quando se trata de toalhas de rosto e maquiagem. Sempre que alguém usa batom ou rímel, por exemplo, está potencialmente introduzindo germes no produto. Ou seja, quanto mais gente usar aquele item de maquiagem, maiores são as chances de disseminar uma doença. Como as membranas mucosas são mais suscetíveis a contrair uma infecção, a maquiagem para boca e olhos jamais deveria ser compartilhada. Novamente, o risco de contrair conjuntivite é grande, sendo a conjuntivite viral responsável por mais de 90% dos casos.”

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Foto: J. Durham/MorgueFile

Fonte: Renato Augusto Neves, médico oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos. 

 

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Visão dupla pode ser sintoma de algo mais grave, alerta especialista

A diplopia, popularmente chamada de visão dupla, nada mais é que enxergar duas imagens em vez de uma quando se olha para um objeto, uma paisagem, uma pessoa etc. A diplopia não é uma doença, mas sim um sintoma associado à outra condição de saúde. Por isso, ao apresentar esse sintoma, é preciso procurar um neuroftalmologista imediatamente.

Segundo Marcela Barreira, neuroftalmologista e especialista em estrabismo, quem apresenta a diplopia pode se sentir muito desconfortável e ficar incapacitado para realizar as tarefas diárias, como ler, escrever, andar e trabalhar.

“Muitos casos de diplopia são consequências de alterações neurológicas, como a paresia (disfunção ou interrupção dos movimentos de um ou mais membros) dos nervos cranianos, alterações musculares, como a miastenia ocular e oftalmopatia de Graves, além de traumatismo craniano, AVC ou tumores cerebrais. Outros casos estão ligados a estrabismos descompensados”, explica Marcela.

“Precisamos alertar as pessoas que a visão dupla pode ser uma das primeiras manifestações de doenças sistêmicas, como as musculares e neurológicas, como também pode indicar a presença de tumores cerebrais ou aneurismas”, afirma a médica. Sendo assim, é fundamental procurar o médico especialista assim que possível.

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Causas da visão dupla

Cada olho cria sua própria imagem do ambiente. O cérebro é responsável por juntar essas imagens e fundi-las em uma única. Se há algum dano nos músculos oculares ou nos nervos que controlam os movimentos, pode ocorrer a visão dupla.

De acordo a neuroftalmologista, descompensação de desvios oculares prévios (estrabismo), problemas na tireoide, doenças vasculares (derrame, aneurisma cerebral) e tumores cerebrais que levam ao enfraquecimento dos músculos, como a miastenia gravis, esclerose múltipla e traumatismos cranianos, estão entre as principais condições de saúde que levam à visão dupla.

“Como podemos ver, as causas são graves e requerem tratamento médico imediato, assim como o acompanhamento periódico. Outro ponto de atenção é que a diplopia pode vir acompanhada de outros sintomas, como visão embaçada, dor nos olhos, sensibilidade à luz (fotofobia), ardência, olhos saltados, fraqueza muscular, entre outros”, explica Marcela.

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Como há um número enorme de doenças que causam a diplopia, o tratamento varia e deve ser totalmente individualizado. Algumas causas são mais simples, e outras mais complexas. Por isso, ao apresentar a visão dupla, é fundamental consultar um médico especialista nessa condição, o neuroftalmologista. “A diplopia é um sintoma que deve ser valorizado mesmo na ausência de outros sinais e sintomas adicionais, por isso o paciente precisa procurar o médico precocemente”, conclui a especialista.

Como o excesso de álcool pode comprometer a visão

Cientistas canadenses estudaram quanto e de que forma a visão é comprometida pelo consumo de bebidas alcoólicas – mesmo quando os níveis de consumo estão dentro de parâmetros aceitáveis. A conclusão é que a visão pode ser prejudicada em até 30% antes mesmo de o bafômetro acusar que a pessoa atingiu ou passou do limite.

Além de o álcool afetar as habilidades motoras da pessoa e a tomada de decisão, o estudo também revelou uma redução no contraste visual, dificultando a noção de profundidade e a distinção de tudo o que for claro e escuro. De acordo com Brian Timney, coordenador das pesquisas, no começo da manhã e ao cair da tarde, especialmente quando a luz do sol está baixa, a noção de contraste ajuda muito na hora de evitar um acidente de carro.

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Na opinião do cirurgião-oftalmologista Renato Neves, diretor do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, olhos avermelhados e reações lentas são sinais claros de ingestão moderada ou alta de bebidas alcoólicas. Mas o pior é o impacto que isso causa no cérebro e, consequentemente, na visão a longo prazo.

“Entre os sintomas mais comuns estão a visão dupla e a visão embaçada. Com a repetição desses episódios, os músculos que controlam o foco da visão ficam comprometidos, prejudicando grandemente a noção de distância e profundidade. Também a visão periférica, que dá uma noção do que está acontecendo ao redor da pessoa, fica altamente prejudicada com o tempo – e isso é especialmente ruim para quem vai dirigir”, diz o médico.

Neves chama atenção para outro estudo, desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Hallym University, na Coreia do Sul, que revela que o consumo de álcool também está relacionado a distúrbios da superfície ocular, como olho seco.

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“Quando o consumo de álcool é prolongado, é possível identificar uma mancha permanente nos olhos: vermelha ou amarela. Esse é, inclusive, um dos sinais físicos encontrados nos alcoólatras. Com o tempo, a pressão ocular elevada pode danificar o nervo óptico, resultando em glaucoma e na perda permanente da visão”, finaliza.

Fonte: Renato Augusto Neves, cirurgião-oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos (SP) e autor do livro Seus Olhos.