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Cardiologista alerta para os cuidados com o coração durante os jogos da Copa

Para o grupo de risco, é preciso “bom senso ao torcer”. Isso inclui manter uma alimentação leve ao longo do dia de jogo, evitando os petiscos com excesso de sal e o exagero no consumo de álcool. Ao sentir qualquer sintoma, como dor no peito ou mal-estar, o torcedor deve buscar um serviço de emergência imediatamente

Que o brasileiro é apaixonado por futebol todo mundo já sabe, e que durante a Copa do Mundo costuma aumentar o número de emergências cardíacas no Brasil também. A incidência de infarto agudo do miocárdio, além de outros eventos cardíacos, tende a aumentar nesses períodos.

E os cuidados nos dias de jogos precisam ser redobrados para as pessoas que têm diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, obesidade ou que são sedentárias. O risco é ainda maior para aquelas que já têm uma doença cardiovascular diagnosticada.

De acordo o cardiologista e médico do esporte do HCor (Hospital do Coração), Nabil Ghorayeb, antes do torcedor se envolver com as emoções da Copa, sofrer ou vibrar nos jogos da seleção,  é preciso ver se o coração está em dia. Isso porque algumas doenças cardiovasculares podem ser descobertas por meio de exames simples, como um eletrocardiograma, teste ergométrico ou um ecocardiograma.

eletrocardiograma saude coração pixabay

Durante a realização desses exames, o médico pode investigar os fatores de risco e verificar se existe, por exemplo, propensão hereditária para desenvolver alguma doença cardiovascular, se há histórico familiar e se a pessoa tem hábitos que podem desencadear a doença como sedentarismo, obesidade, níveis altos de colesterol, diabetes, hipertensão ou tabagismo.

“As pessoas que se enquadram em um desses fatores já devem redobrar a atenção. Além de manter os cuidados tradicionais para se evitar uma alimentação irregular, com excesso de sal e gordura, é importante manter alguma atividade física. Sem tomar os cuidados necessários, situações que provoquem estresse emocional intenso, nervosismo e ansiedade vão aumentar os riscos de infarto ou de AVC”, esclarece  Ghorayeb.

Já para os torcedores que tomam remédios para o coração não devem deixar de usar a medicação no dia do jogo, com o pretexto de que vão beber. Para os que já sabem que têm mais dificuldades de controlar as emoções, a recomendação é ver o jogo em casa, em um ambiente mais tranquilo, com um grupo pequeno de pessoas.

“Em casos extremos, de torcedores muito fanáticos que já têm antecedentes cardiovasculares, ou que sofreram infarto há pouco tempo, a recomendação dos especialistas é simplesmente desligar a televisão e o rádio e deixar para descobrir o resultado só depois”, aconselha.

Aguenta coração!

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Dentre os sintomas que podem servir de alerta ao torcedor estão os tremores nas mãos, suor frio, palidez na pele, palpitações, respiração ofegante, pressão alta, turvação visual, aperto no peito, tonturas e, até confusão mental. O cardiologista orienta que, diante de tais manifestações do corpo, o torcedor deve avisar logo um familiar e procurar ajuda de um médico.

Durante as partidas desse tipo de competição, esteja o torcedor em um estádio, acompanhando pelo rádio do carro ou em frente à TV, há várias alterações em seu corpo, ocasionadas pela ansiedade e excitação. “Com isso, há intensa liberação, na corrente circulatória, de substâncias conhecidas como hormônios, que podem levar o organismo a reagir com aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e dos níveis de glicose no sangue”, explica.

Torcer com bom senso

mulheres bebendo cerveja
Foto: Shutterstock

Para o grupo de risco, Ghorayeb recomenda “bom senso ao torcer”. Isso inclui manter uma alimentação leve ao longo do dia de jogo, evitando os petiscos com excesso de sal e o exagero no consumo de álcool. Ao sentir qualquer sintoma, como dor no peito ou mal estar, o torcedor deve buscar um serviço de emergência imediatamente, ligando para o 192 ou dirigindo-se a um hospital. Os cardiologistas alertam que, nesses casos, não dá para esperar o jogo acabar.

“Há sim um aumento de eventos cardiovasculares em dias de muita tensão, em decisões de campeonato. Resta às pessoas entenderem que a vida deve continuar e que não se pode perdê-la por causa de um jogo”, alerta Ghorayeb.

Cuidados com o coração durante a Copa do Mundo:

=Se estiver fazendo algum tratamento, não assista aos jogos sozinho. Sempre fique com a companhia de outras pessoas;

=Não se esqueça de tomar a medicação regularmente e, se puder, converse com seu médico para tirar dúvidas e se deve antecipar algum dos remédios para antes dos jogos, por exemplo a medicação para a pressão alta;

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=Evite o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, porque podem desencadear problemas cardiovasculares. Pequenas quantidades como duas taças de vinho ou duas latas de cerveja são razoáveis, desde que seu médico não tenha restringido totalmente por alguma razão clínica;

=Evite consumir refrigerantes em excesso, principalmente aqueles que têm muita cafeína e adoçantes,

=Cuidado com o consumo de energéticos, chás e guaranás e até certos chocolates pela quantidade de cafeína, que pode provocar arritmias e até elevação da pressão arterial;

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Pixabay

=Se achar necessário tome um tranquilizante prescrito pelo médico ou aquele à base de fitoterápicos que nem necessitam de receita médica;

=Caso seja muito ansioso, explosivo ou daqueles que perdem o controle frente a uma disputa esportiva, tome uma medida radical, não assista o jogo e procure se distrair com outras atividades como cinema.

Fonte: HCor

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Estudo da USP mostra como o álcool em dose moderada protege o coração

Karina Toledo | Agência FAPESP

Há pelo menos 20 anos estudos têm mostrado que o consumo moderado de álcool pode ter efeito cardioprotetor em grande parte das pessoas, mas ainda não se sabia ao certo por quê.

Dados de uma pesquisa conduzida no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) indicam que essa proteção pode estar relacionada com a ativação de uma enzima mitocondrial chamada ALDH2 (aldeído desidrogenase-2), que ajuda a eliminar do organismo tanto os subprodutos tóxicos gerados pelo metabolismo do álcool como também um tipo de molécula reativa produzido nas células cardíacas quando estas sofrem um dano importante – como o causado pelo infarto, por exemplo.

“Nossos dados sugerem que a exposição moderada ao etanol causa um pequeno estresse nas células do coração, não suficiente para matá-las. Como consequência, ocorre uma reorganização no sinal intracelular e a célula cardíaca acaba criando uma memória bioquímica contra estresse, também chamada de precondicionamento. Quando a célula é submetida a um estresse maior, já sabe como lidar”, disse Julio Cesar Batista Ferreira, professor do Departamento de Anatomia do ICB-USP e coordenador da pesquisa apoiada pela FAPESP.

O trabalho vem sendo feito em parceria com cientistas da Stanford University, nos Estados Unidos. Resultados recentes, obtidos durante o pós-doutorado de Cintia Bagne Ueta, foram publicados na revista Cardiovascular Research.

coração e vinho
Resultados publicados na Cardiovascular Research indicam que efeito está relacionado com ativação da enzima ALDH2, responsável por livrar o organismo de moléculas tóxicas pertencentes à classe dos aldeídos (ilustração: Marcio Ribeiro)

Para estudar os efeitos cardioprotetores do álcool em nível celular, os pesquisadores simularam uma condição semelhante ao infarto em corações de camundongo mantidos vivos em um sistema artificial. Nesse modelo, chamado ex vivo, o órgão permanece batendo fora do corpo durante várias horas, sendo alimentado por uma solução rica em nutrientes e oxigênio.

Os cientistas então simulam uma condição clínica conhecida como isquemia e reperfusão interrompendo o fluxo nutritivo para o coração durante 30 minutos. Quando a solução nutritiva volta a correr, o órgão recomeça a bater lentamente e, após uma hora, os pesquisadores conseguem avaliar o tamanho do dano. Em média, nesse modelo, cerca de 50% das células cardíacas morrem caso não seja feito nenhum tipo de intervenção.

“Acreditava-se, antigamente, que o dano principal era consequência do período sem oxigênio. Mas estudos mostraram que, durante a isquemia, as células mudam seu metabolismo e entram em uma espécie de estado dormente. Quando a artéria é desobstruída [reperfusão], o tecido recebe uma enxurrada de sangue com nutrientes e oxigênio e acaba ocorrendo um colapso metabólico nas células”, explicou Ferreira.

Em resposta ao estresse, as células cardíacas começam a produzir grandes quantidades de uma molécula reativa conhecida como 4-HNE (4-hydroxy-2-nonenal), pertencente à classe química dos aldeídos. Em excesso, essa substância tóxica começa a destruir estruturas celulares essenciais.

A enzima mitocondrial ALDH2 é a principal responsável por livrar o organismo dos aldeídos acumulados – tanto o 4-HNE das células cardíacas em estresse quanto o acetaldeído resultante da quebra da molécula de etanol no fígado após uma noite de bebedeira.

No entanto, em trabalhos anteriores, o grupo de Ferreira em parceria com pesquisadores de Stanford coordenados por Daria Mochly-Rosen mostraram que, durante o processo de isquemia e reperfusão, a atividade da enzima ALDH2 era significativamente reduzida. Esses achados foram divulgados na revista Science Translational Medicine e no Circulation Journal.

“A quantidade de 4-HNE se torna tão grande dentro da célula cardíaca que a molécula acaba atacando a própria enzima responsável pelo seu metabolismo”, contou Ferreira.

“Em nosso novo estudo, observamos que no coração exposto ao etanol antes do processo de isquemia e reperfusão a atividade da ALDH2 se manteve igual à de um órgão que não sofreu injúria. Acreditamos que o estresse causado pelo etanol em dose moderada deixa uma memória e, assim, a célula aprende a manter a enzima ALDH2 mais ativa”, acrescentou.

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Grupos de estudo

Cinco grupos de estudos foram montados com o objetivo de esmiuçar os mecanismos por trás do efeito protetor observado. No primeiro, considerado como grupo-controle, os corações não sofreram nenhum tipo de dano e não receberam nenhum tratamento ou intervenção. No segundo grupo, os corações foram apenas submetidos à isquemia e reperfusão e, como consequência, perderam em torno de 50% das células.

No terceiro grupo, antes de induzir o dano, os pesquisadores expuseram durante 10 minutos os órgãos extraídos de camundongos machos a uma dose de etanol equivalente a duas latas de cerveja ou duas taças de vinho para um humano médio do sexo masculino. A dose foi ajustada de acordo com a massa dos animais.

“Procuramos seguir a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de até uma dose por dia para mulheres [18 gramas de álcool] e até duas doses para homens. No caso de camundongos, foi algo em torno de 50 milimolar”, explicou Ferreira.

Os órgãos foram depois lavados por outros 10 minutos para retirar o excesso de álcool e, em seguida, tiveram o fluxo nutritivo interrompido, como ocorreu com o grupo dois. Na análise feita cerca de uma hora após a reperfusão, apenas 30% das células haviam morrido, ou seja, o dano foi reduzido em quase 60% na comparação com o grupo dois. Além disso, os cientistas observaram que a atividade de ALDH2 estava duas vezes maior que no grupo não tratado – e em nível equivalente ao do grupo-controle, que não sofreu dano.

No quarto grupo de estudo, além do tratamento com etanol, os corações foram expostos a uma droga capaz de inibir a atividade de ALDH2. Nesse caso, o índice de morte celular subiu de 50% para 80%, confirmando que a proteção promovida pelo etanol de fato é dependente da ação da enzima.

Já no último grupo experimental foram usados corações de camundongos que apresentam uma mutação no gene codificador da ALDH2, que reduz a atividade da enzima em quase 80%. Como explicou Ferreira, os animais são modificados geneticamente para simular essa mutação, que é muito comum na população oriental e afeta quase 600 milhões de pessoas no mundo.

“Nesse grupo, quando expusemos os corações ao etanol, o dano causado pela isquemia e reperfusão foi aumentado. O índice de morte celular passou de 50% para 70%. Porém, quando tratamos os órgãos desse grupo com uma droga experimental capaz de ativar a ALDH2 – conhecida como Alda-1 – o índice de morte celular caiu para 35%”, contou Ferreira.

Segundo o pesquisador, não foi observado benefício ao tratar com a Alda-1 os corações de animais sem a mutação na enzima ALDH2 expostos ao etanol. “Isso sugere que tanto a droga experimental quanto o álcool estão atuando no mesmo mecanismo molecular para ativar ALDH2”, disse.

A molécula Alda-1 já passou pela primeira fase de ensaios clínicos nos Estados Unidos, nos quais se mostrou segura para uso em humanos saudáveis. Deve ter início em breve uma nova fase de testes onde a substância será oferecida a portadores de cardiopatias (leia mais aqui).

vinho taça

Depende do DNA

Na avaliação de Ferreira, é possível fazer um paralelo entre o consumo regular de pequenas quantidades de álcool por seres humanos e os resultados observados nos corações de camundongos tratados em laboratório com etanol.

“Mas tudo depende do que a pessoa carrega no DNA”, ressaltou. “O acetaldeído resultante do metabolismo do etanol pode ser protetor em pequenas quantidades para a maioria da população, mas também pode maximizar o dano do infarto em um indivíduo com a mutação no gene da ALDH2. Essas pessoas são fáceis de serem identificadas, pois com apenas um copo de cerveja ficam com o rosto vermelho, dor de cabeça e não ganham resistência ao álcool com o tempo”, disse.

O dano ao coração também pode ser agravado caso o álcool seja ingerido em quantidades elevadas, alertou Ferreira, pois isso resulta na produção excessiva de acetaldeído e torna o trabalho de limpeza promovido pela ALDH2 ainda mais difícil.

“O grupo tratado com a droga inibidora da ALDH2 [no qual o índice de morte celular chegou a 80%] mimetiza o que aconteceria em um caso de consumo excessivo de álcool. O difícil é estabelecer a dose segura para cada indivíduo, pois há muitas variáveis que afetam o metabolismo”, disse o pesquisador.

O grupo do ICB-USP tenta agora entender como a presença do acetaldeído resultante do metabolismo do álcool na célula cardíaca cria a memória que mantém a ALDH2 mais ativa. A ideia seria desenvolver uma droga capaz de mimetizar o efeito benéfico do etanol sem expor os indivíduos a riscos – entre eles o desenvolvimento de dependência química.

“A molécula Alda-1 é um possível candidato. Entretanto, é necessário dar continuidade aos estudos de segurança e eficácia em humanos”, comentou Ferreira.

O artigo Cardioprotection induced by a brief exposure to acetaldehyde: role of aldehyde dehydrogenase 2, de Cintia Bagne Ueta, Juliane Cruz Campos, Rudá Prestes e Albuquerque, Vanessa Morais Lima, Marie-Hélène Disatnik, Angélica Bianchini Sanchez, Che-Hong Chen, Marisa Helena Gennari de Medeiros, Wenjin Yang, Daria Mochly-Rosen e Julio Cesar Batista Ferreira, está publicado aqui.

Cardiologista responde se paixão pelo futebol pode influenciar no coração

Durante a Copa do Mundo do Brasil, em 2014, um homem de 69 anos morreu após um quadro de infarto, durante o jogo entre Brasil e Chile. Segundo algumas reportagens publicadas na época, ele começou a se sentir mal ainda durante a partida no Mineirão e foi encaminhado para uma unidade de saúde particular.

Agora, a pouco mais de mês para a estreia do Brasil na Copa do Mundo da Rússia, André Feldman, coordenador da Cardio D’Or, serviço de cardiologia dos Hospitais São Luiz, unidades Anália Franco e São Caetano e do Hospital Villa-Lobos, fala sobre o quanto a paixão pelo futebol pode influenciar na saúde do coração.

“A probabilidade de acontecer um infarto apenas por conta da emoção passada durante a partida é pequena, e não chega ao ponto de recomendarmos que as pessoas deixem de assistir aos jogos. Ainda se falarmos em prevenção, essa questão está mais ligada aos cuidados do dia a dia”, orienta Feldman.

Durante as partidas, em que todos estão vidrados e torcendo a cada lance, os níveis de ansiedade aumentam e automaticamente estimulam a elevação da pressão arterial. São cerca de 1h30 a 2h de estresse absoluto, período de maior atenção, pois o organismo libera uma série de hormônios, como adrenalina, noradrenalina e cortisol, responsáveis pelo aumento da frequência cardíaca e “aperto” dos vasos sanguíneos, conjunto de fatores responsáveis pela elevação da pressão.

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Ilustração: Pixabay

O momento em que ocorre o aumento da pressão, o coração, cérebros e outros músculos recebem uma quantidade maior de sangue, elevando os esforços de cada um e há o aumento das chances de ocorrência de eventos cardíacos, como o infarto, por exemplo. “Em um paciente que já tenha histórico de alguma doença do coração, esses esforços podem funcionar como um fator de risco. Se ainda sim ele for hipertenso, as chances podem crescer”, explica o cardiologista.

Além da tensão que envolve assistir as partidas, existe o clima gerado pela Copa do Mundo que facilita as pessoas a confraternizarem com mais ingestão de bebida alcoólica e tabagismo, facilitadores para o aumento da pressão arterial.

Fora dos eventos cardíacos, o enrijecimento da musculatura, causado pela tensão das partidas, pode levar a dores no pescoço, ombros e até torcicolo. Como medida preventiva, ter um lugar adequado para uma melhor postura, pode favorecer e evitar o aparecimento das dores.

O golaço de toda essa questão está no campo da prevenção. “Manter um estilo de vida regrado, com alimentação saudável e prática de atividade física faz toda a diferença”, finaliza.

Fonte: Hospital São Luiz

Conheça alimentos que podem auxiliar a saúde do coração

Doenças do coração podem afetar pessoas nas mais diferentes condições. Muitas vezes, os problemas aparecem de forma sutil, sem afetar muito o cotidiano como um leve aumento na pressão, dores pontuais ou famoso colesterol.

Segundo o cardiologista Augusto Scalabrini Neto, do Hospital Sírio-Libanês, há várias formas de diminuir os riscos dessas doenças. Redução de estresse, evitar a obesidade, cafeína, álcool e cigarros são algumas delas.

Mas as principais medidas se enquadram em uma dieta saudável e exercícios físicos, porque, além de reduzir riscos cardiovasculares, também aumentam a disposição e retardam o envelhecimento daqueles que as praticam. “Estudos recentes demonstram claramente que as pessoas que mantêm um bom condicionamento cardiovascular envelhecem melhor, com mais saúde e menos eventos negativos”, explica o especialista.

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Outro fator determinante para se manter saudável é manter o nível de colesterol LDL (o colesterol ruim) baixo . Logo, uma dieta com pouca gordura saturada, baixa em carboidratos e rica em fibras pode ser o que vai manter essas enfermidades longe. “Essa fração LDL aumenta a quantidade de gorduras no sangue, e facilita o depósito  nas artérias, provocando o aparecimento das chamadas placas gordurosas e, consequentemente, a obstrução das artérias, como se fosse ferrugem em um cano”, aponta o médico.

Por apresentar um grande percentual de gordura saturada, a carne de porco se enquadra neste caso e por isso, deve ser evitada. Mas nem todas as gorduras são prejudiciais. Embora as saturadas aumentem o colesterol, podendo induzir obstruções arteriais, as mono e poli-insaturadas aumentam a fração HDL do colesterol (o colesterol bom) e podem ter um efeito benéfico para o coração.

O colesterol “bom” remove gorduras do sangue e evita o depósito dessas substâncias nos vasos. Portanto quanto mais alto o nível da fração HDL, menor o risco cardiovascular.

Para ajudar a manter os níveis de colesterol equilibrados, a alimentação é uma grande aliada. Enquanto alguns alimentos podem deteriorar as artérias, outros podem amparar, não somente o coração, mas a saúde do corpo de maneira integral.

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O azeite extravirgem, por exemplo, é rico em gorduras monoinsaturadas, que ajudam a aumentar os níveis de colesterol “bom”. O médico recomenda que o azeite seja sempre puro e de excelente qualidade: “O benefício é atingido quando se ingere azeite de oliva puro, sem misturas e, preferencialmente, sem aquecer, já que isso pode promover a saturação das gorduras monoinsaturadas com consequente perda de suas propriedades benéficas”.

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Alguns alimentos são constantemente associados com benefícios para o coração, mas não foram estudados o suficiente e nem comprovaram a sua eficácia real. É o caso das frutas ricas em vitamina C, como laranja, morango e acerola, chocolates puros (+70%), que contêm grandes quantidades de antioxidantes, e portanto, fazem bem à saúde, mas não necessariamente para o coração.

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Foto: Gadini/Pixabay

O alho também tem sido citado como benéfico. “Existem alguns estudos demonstrando efeitos benéficos do alho na redução das gorduras do sangue e, portanto, do colesterol, na redução da agregação das plaquetas, reduzindo, assim, o risco de coágulos que poderiam causar infarto e aumento no relaxamento das artérias, reduzindo assim a pressão arterial”, informa o cardiologista.

uvas escuras

Outros alimentos surpreendem ao ser associados com a saúde do sistema cardiovascular, como o vinho e o suco de uva, pois possuem resveratrol. “Estudos mostram que o resveratrol é capaz de aumentar os níveis da fração HDL do colesterol, reduzir os radicais livres e diminuir a coagulação de forma adequada, assim, evitando eventos como o infarto do miocárdio”, conclui e também recomenda moderação, especialmente se tratando de álcool.

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Fonte: Augusto Scalabrini Neto é cardiologista, graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor adjunto e coordenador de ensino do Departamento de Emergências Clínicas na mesma universidade; Coordenador Geral e Didático do Laboratório de Habilidades e Simulação da Faculdade de Ciências Médicas Minas Gerais e Docente Invitado da Universidad Finis Terrae em Santiago, Chile.  É médico do Corpo Clínico e vice-presidente da Coreme (Comissão de Residência Médica) do Hospital Sírio-Libanês e supervisor do Programa de Residência Médica em Cardiologia do da mesma entidade

Mulheres: cuidem do coração

Cardiologista Paulo Frange alerta que a vida agitada e a ansiedade estão entre as principais causas das doenças cardíacas entre mulheres

Os dados da Organização Mundial de Saúde são alarmantes: as doenças cardiovasculares já são responsáveis por 30% das mortes de mulheres no mundo. São 3 mortes por segundo em consequência, principalmente, de infarto e AVC – Acidente Vascular Cerebral -. O Brasil tem a maior taxa de mortalidade por cardiopatias em mulheres da América Latina e os números não param de crescer.

O cardiologista Paulo Frange aponta o estresse que a mulher moderna se submete como um dos fatores agravantes para as doenças cardíacas. “A mulher está mais presente no mercado de trabalho mas continua tendo a maior parte da responsabilidade sobre as tarefas de casa. Ela vive pressionada e ansiosa para dar conta de tantas atividades e isso tem reflexo direto na sua saúde. Se ela já traz um histórico de cardiopatia, a tendência é que esses fatores externos agravem o quadro clínico”, explica.

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Um levantamento recente feito pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica – SBCM – com mulheres de várias regiões do país apontou que 55% das entrevistadas trabalhavam pelo menos oito horas por dia, costumavam enfrentar o trânsito nos deslocamentos para o trabalho e ainda faziam dupla jornada para cuidar das rotinas da casa. Delas, 70% disseram que sofrem com o estresse diário.

A situação é mais preocupante entre as grávidas. Na gestação, a mulher sofre com o aumento na produção de hormônios, ela fica mais frágil e precisa manter a calma para se sentir bem, mais disposta e não transferir para o feto toda a carga de estresse a que está submetida. É um momento em que as emoções ficam ainda mais fortes e a mãe precisa se proteger e proteger o filho.

“Essa condição externa faz com que a mulher possa apresentar sintomas como falta de apetite, insônia e enfraquecimento no sistema imunológico. O estresse libera hormônios que contraem o útero e diminuem a vasodilatação, ou seja, a mãe não consegue levar mais nutrientes para o bebê, isso de forma inconsciente. A digestão da mãe é pior e a absorção de nutrientes é ruim aumentando os riscos de hipertensão e infecções”, explica o médico.

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Frange acrescenta que a gestante pode sofrer mais com problemas respiratórios. Além disso, há um aumento das chances de parto prematuro, maior resistência à insulina, maior risco de obesidade e aumento do risco de doenças cardíacas, alterações cerebrais e o filho pode ter baixo peso ao nascer.

“É recomendado que no período de gestação, a mulher aproveite para descansar, cuidar da alimentação, relaxar e estar preparada para o nascimento do seu bebê. Por fim, não é fácil a vida de mulher. Mais difícil ainda é a vida de mulher mãe”, conclui.

Fonte: Paulo Frange é médico cardiologista tendo iniciado a carreira no Instituto Dante Pazzanese. Durante 15 anos foi diretor clínico do Centro Hospitalar Dom Silvério Gomes Pimenta, atual Hospital São Camilo de Santana, o maior complexo hospitalar da Zona Norte de São Paulo

 

Como a saúde intestinal afeta o corpo inteiro

1 – Germes úteis

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Você tem muitas bactérias no seu corpo. Na verdade, você tem mais delas do que de células. A maioria é boa. Os germes encontrados em seu intestino não só ajudam a digerir os alimentos, eles trabalham em todo o corpo e podem ser bons para sua saúde física e mental.

2 – Microbioma Intestinal

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Esta é a base para as bactérias no seu trato digestivo. Aqui, ajudam você a digerir a comida e a transformar nutrientes em algo que seu corpo pode usar. Elas param de crescer quando ficam sem comida, então você só terá o que precisa.

3 – Lutando o bom combate

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No microbioma intestinal, as bactérias “boas” fazem mais do que apenas ajudar na digestão. Elas ajudam a manter bactérias “ruins” sob controle. Elas se multiplicam tantas vezes que o tipo não saudável não tem espaço para crescer. O balanço saudável de bactérias em seu intestino é chamado de equilíbrio.

4 – Equilíbrio insalubre

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Colite ulcerativa – Getty Images

Estudos descobriram que, se você tem muito de um certo tipo de bactérias ruins no seu microbioma intestinal, é mais provável que você tenha:

=Doença de Crohn
=Colite ulcerativa
=Síndrome do Intestino Irritável (SII)

Pesquisadores estão procurando novos tratamentos para eles que tenham como alvo as bactérias no microbioma intestinal.

5 – Bactérias do intestino e seu coração

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Alguns tipos de bactérias do intestino podem fazer parte da ligação que o colesterol tem com doenças cardíacas. Quando você come alimentos como carne vermelha ou ovos, essas bactérias produzem uma substância química que seu fígado transforma em algo chamado TMAO (N-óxido de trimetilamina). O TMAO pode ajudar o colesterol a se acumular nos vasos sanguíneos. Pesquisadores estão estudando uma substância natural  que está presente no óleo de oliva e na semente de uva. Eles acham que isso pode impedir que bactérias façam TMAO.

6 – Bactérias do intestino e seus rins

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O excesso de TMAO também pode levar à doença renal crônica. As pessoas que têm a doença não se livram do TMAO como deveriam. Esse excedente pode levar a doenças cardíacas. Pesquisadores acham que é possível que o excesso de TMAO possa tornar as pessoas mais propensas a ter doença renal crônica em primeiro lugar.

7 – Bactérias do intestino e seu cérebro

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Seu cérebro envia mensagens por todo o corpo. Pesquisadores acreditam que seu intestino pode responder. Estudos mostram que o equilíbrio de bactérias no microbioma intestinal pode afetar suas emoções e a maneira como o cérebro processa informações de seus sentidos, como visões, sons, sabores ou texturas. Os cientistas suspeitam que mudanças neste equilíbrio podem ter um papel em doenças como o transtorno do espectro do autismo, ansiedade, depressão e dor crônica.

8 – Bactérias do intestino e obesidade

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Um equilíbrio insalubre no seu microbioma intestinal pode causar sinais cruzados no seu cérebro quando se trata de sentir fome ou estar satisfeito. Os pesquisadores acham que pode haver uma ligação com a glândula pituitária, que produz hormônios que ajudam a definir seu apetite. Essa glândula também pode afetar o equilíbrio de bactérias em seu intestino. Alguns estudos sobre o tratamento da obesidade estão explorando esse vínculo.

9 – Você pode mudar suas bactérias intestinais?

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Você recebe seu microbioma intestinal de sua mãe no nascimento, e o mundo ao seu redor o afeta à medida que você cresce. Também é influenciado pelo que você come. É por isso que pode ser diferente dependendo de onde mora – e por que você pode ser capaz de inclinar um pouco a balança.

10 – Probióticos

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Encontrados em alguns alimentos, são bactérias “boas” como as que já estão no seu intestino. Eles podem adicionar às bactérias em seu trato intestinal e ajudar a manter tudo em equilíbrio. Mas eles não são todos iguais. Cada tipo funciona à sua maneira e pode ter diferentes efeitos em seu corpo.
11-Como os probióticos podem ajudar?
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Eles podem tornar seu sistema imunológico mais forte. Eles também podem melhorar a saúde gastrointestinal, especialmente se você tem algo parecido com a síndrome do intestino irritável. Alguns probióticos também podem ajudar a aliviar os sintomas de alergia e na intolerância à lactose. Mas eles não são todos iguais. Cada tipo funciona à sua maneira e pode ter diferentes efeitos em seu corpo.

12 – Fontes de probióticos

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Thinkstock


Você pode encontrá-los em produtos lácteos, como iogurte e queijos envelhecidos. Olhe na lista de ingredientes para culturas vivas de bactérias como bifidobactérias e lactobacilos. Eles também estão em vegetais fermentados, como kimchi e chucrute, e legumes em conserva, como cebolas e pepinos.

13 – Prebióticos

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Pense nisso como uma fonte de alimento para probióticos. Eles podem ajudar seu corpo a absorver melhor o cálcio e estimular o crescimento de bactérias benéficas em seu intestino. Eles são encontrados em frutas e legumes, como:

-Bananas
-Cebolas
-Alho
-Alho-poró
-Espargos
-Alcachofras
– Grãos de Soja

Você também pode obtê-los em alimentos com trigo integral.

14 – Simbióticos

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Os probióticos podem estimular o crescimento de boas bactérias e os prebióticos são bons para os probióticos. Quando você combina os dois há o simbiótico. A ideia por trás deles é ajudar os probióticos a viver mais tempo. Você pode fazer combinações simbióticas como banana e iogurte ou fritar os aspargos com tempeh*.

15- Outras formas de alterar as bactérias do intestino

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Pode haver outras maneiras de mudar o seu microbioma intestinal e tratar os temas ligados ao seu equilíbrio. Por exemplo, transplantes de fezes (exatamente o que parece) mudam as bactérias do intestino para tratar problemas como C. diff (Clostridium difficile)** e colite ulcerativa. Os pesquisadores esperam que a estimulação magnética transcraniana profunda (EMTr) possa algum dia tratar a obesidade. Nesse tratamento, se usa uma bobina colocada no couro cabeludo para estimular o cérebro e melhorar as bactérias do intestino. Já é usado para tratar a depressão.

Fonte: WebMD – Reviewed by Neha Pathak, MD em setembro de 2017

*Tempehé um alimento fermentado com um fungo do gênero Rhizopus, a partir de sementes de soja branca da Indonésia, com um aroma a nozes e uma textura densa e ligeiramente carnuda. Constitui um alimento forte, com um sabor mais intenso que outros derivados da soja .

**Bacilo gram-positivo comensal do trato gastrointestinal responsável por doenças gastrointestinais associadas a antibióticos (Wikipedia).

Brasil precisa de política pública para reduzir mortes por hipertensão

“Em cada 100 brasileiros, 30 morrerão de doença cardiovascular, que tem na hipertensão uma recorrente causa. Precisamos mudar o destino dessas pessoas”, diz o médico José Francisco Kerr, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

“O Dia Nacional de Prevenção à Hipertensão Arterial, 26 de abril, é de extrema importância para alertar a sociedade sobre a necessidade de prevenir e combater esse mal, o mais grave problema de saúde pública do Planeta”, salienta o médico. As estatísticas são muito preocupantes: 20% dos habitantes adultos são hipertensos. Considerando-se as pessoas acima de 65 anos, são 40%; e no grupo com mais de 80, 50%.

“A hipertensão é uma das principais causas das doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, aneurismas e insuficiência cardíaca, responsáveis por um terço das mortes no Brasil. Além disso, leva à aterosclerose precoce, à degeneração dos vasos, à hipertrofia e a sobrecarga do coração”, ressalta o especialista, enfatizando: “Em cada 100 brasileiros, 30 morrerão de doença cardiovascular. Precisamos mudar o destino dessas pessoas! E essa transformação começa pela prevenção e combate à hipertensão e às demais causas dos males que afetam o coração, ou seja, o tabagismo, alimentação errada, obesidade, sedentarismo, colesterol e triglicérides elevados, excesso de consumo de sal e álcool, estresse e diabetes”.

Muitos desses fatores contribuem duplamente para a ocorrência de doenças cardiovasculares: de modo direto e também provocando a hipertensão que, dentre todas as causas, é a mais incisiva e recorrente, explica o presidente da Socesp. “Por isso, a mais eficaz medida preventiva é mudar o estilo de vida, adotando-se dieta mais saudável e equilibrada, fazendo atividade física regular (sempre após orientação médica), abandonando o tabagismo, reduzindo a níveis saudáveis o consumo de álcool e sal, emagrecendo e procurando evitar o estresse. Também é muito importante medir periodicamente a pressão e, em caso de qualquer alteração, iniciar tratamento imediato para a solução do problema. Esse controle também ajuda a evitar consequências mais graves”.

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Ilustração: Pixabay

Responsabilidade governamental

Kerr pondera que, ante a gravidade do problema, que atinge 30 milhões de brasileiros, “as estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da hipertensão têm, necessariamente, de ser emanadas das autoridades, por meio de políticas públicas eficazes no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), implicando responsabilidades compartilhadas da União, estados e municípios”.

Na avaliação do médico, o SUS contempla de maneira bastante razoável medicamentos e tratamentos usuais para a hipertensão. “Porém, expressiva parcela da população está sob risco porque não muda estilo de vida. Assim, não basta ter medicamento nas unidades de atendimento, se o indivíduo fuma, não faz exercícios, se está com excesso de peso, se é negligente com a ingestão de sal e álcool ou se abandona o tratamento prescrito pelo médico. Por tudo isso, seria muito importante a realização de uma campanha permanente de alerta, prevenção e vida saudável, de alcance nacional, considerando a gravidade do problema, as dimensões continentais do Brasil e o contingente populacional ameaçado”.

Medida prioritária seria medir a pressão arterial de toda a população. Ou seja, esse procedimento deve ser adotado independentemente da especialidade médica ou do motivo que leve uma pessoa a procurar um ambulatório, clínica, consultório, pronto-socorro e hospitais. Isso é fundamental, pois a hipertensão, na maioria das vezes, não apresenta sintomas. As pessoas costumam descobrir o problema durante consultas de rotina ou, o que é pior, depois da ocorrência de um infarto ou acidente vascular cerebral.

“Assim, medir a pressão de todo mundo que é atendido na rede pública seria um grande avanço, pois 80% dos brasileiros utilizam o SUS. Também é preciso educar a população a aferir sistematicamente a pressão. Tais medidas devem ser políticas públicas permanentes. A tarefa é árdua, mas precisa ser cumprida, para se reduzir o número de mortes no País”, afirma, ressalvando: “Existem esforços, é verdade, mas temos de avançar muito. As estimativas são de que apenas 15% de todo o universo de hipertensos estejam devidamente diagnosticados, tratados e controlados”.

Além das políticas públicas, o médico defende uma ação sistemática da sociedade civil organizada, empresas, entidades médicas, como a Socesp, comunidades religiosas, de emigrantes e seus descendentes, organizações não governamentais e associações de bairro. “É necessário que todos tenham o olhar voltado à prevenção”.

Persistência do tratamento

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O presidente da Socesp salienta que, além do diagnóstico e início do tratamento, o controle permanente dos pacientes é decisivo, pois os indivíduos acabam não aderindo à medicação, considerando que na maioria dos casos a hipertensão é assintomática. Geralmente, eles dizem que não aceitam tomar três ou quatro comprimidos diários para tratar algo que sequer sentem. Assim, criar a cultura do tratamento adequado é uma atitude preventiva das doenças causadas pela hipertensão, como o infarto, o acidente vascular cerebral, o aneurisma e doenças renais.

“É muito importante educar, dialogar e prover atendimento interdisciplinar, com participação do médico, do enfermeiro, farmacêutico e outros profissionais”, salienta Kerr, observando: “Isso a gente vê que acontece nas unidades básicas nas quais existe uma equipe para cuidar do problema, mas, obviamente, teria de haver mais investimento nesse área. É preciso aumentar a capacidade de buscar indivíduos hipertensos, fazer o diagnóstico adequado e, acima de tudo, convencer a população sobre a gravidade do problema”.

Fonte: Socesp

Cardiologista alerta para os riscos de infarto ao não tomar o café da manhã

O café da manhã é um costume que deve começar cedo. O ideal é educar as crianças e criar este hábito o quanto antes; além disso, para proteger ainda mais o coração, é importante manter uma rotina com atividade física, menos estresse e mais horas de sono

Você tem o hábito de pular o café da manhã? De acordo com um estudo publicado no periódico científico Journal of the American College of Cardiology, as pessoas que fazem essa primeira refeição regularmente têm menos chances de desenvolver aterosclerose (entupimento de artéria, causando acidente vascular cerebral ou até mesmo um infarto). De acordo com o estudo, as pessoas que consumiam o café da manhã com menos de 5% da ingestão diária recomendada de calorias, tinham o dobro de placas ateroscleróticas do que aqueles que ingerem uma refeição completa.

Segundo o cardiologista e Coordenador do Programa de Cuidados Clínicos para pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio do HCor (Hospital do Coração), Leopoldo Piegas, excluir o café da manhã é considerado um hábito frequente e não saudável associado a um aumento do risco cardiovascular. Esta é a refeição mais importante do dia por uma série de motivos, entre eles, por fornecer ao corpo energia suficiente para começar o dia e evitar que uma pessoa tenha muita fome em outros períodos, se alimentando de forma exagerada.

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Piegas aconselha para não pular o café da manhã: “Essa refeição está associada a uma diminuição do risco de ataques cardíacos. Incorporar alimentos saudáveis é uma forma fácil de garantir que a refeição forneça uma quantidade de energia adequada e um equilíbrio de nutrientes saudáveis”, explica.

Para o cardiologista do HCor, este estudo, assim como outros já publicados sobre o mesmo tema, prova que se trata de um mau hábito que as pessoas podem mudar para reduzir o risco de doença cardiovascular. “Pular o café da manhã como hábito favorece o aparecimento de outros fatores de risco para as doenças cardiovasculares como obesidade, pressão arterial alta, colesterol alto e diabetes, que, por sua vez, podem levar com o tempo, a um ataque cardíaco”, alerta.

Café da manhã e seus benefícios

O café, componente indispensável desta refeição, ajuda também a proteger o coração porque é rico em antioxidantes que previnem doenças cardiovasculares como infarto. Ele combate o cansaço e a depressão, melhora o humor e a disposição, além de aliviar o estresse, ele pode evitar o surgimento de alguns tipos de cânceres. Sua ação no aumento da pressão sanguínea é mais encontrado em pessoas sensíveis à cafeína, que fumam ou que já têm diagnóstico de pressão alta. “No entanto, para obter todos os benefícios dessa bebida, o ideal é consumir em quantidades moderadas, de 500 a 600 ml por dia, o que equivale a 3 ou 4 xícaras diárias”, esclarece o cardiologista.

café

Embora aqueles que pulam o café da manhã estejam tentando, em geral, perder peso ou são hiperativos e não querem perder tempo com esta refeição, com frequência acabam se alimentando de forma menos saudável no fim do dia. “Pular o café da manhã prolongando o período de jejum é estressante, faz o organismo trabalhar mais induzindo a alterações metabólicas que provocam desequilíbrios hormonais (diabetes) e contribuem para o aumento de peso”, finaliza o médico.

Fonte: HCor

 

Veja diferenças dos sintomas do infarto em homens e em mulheres

Estresse, idade elevada, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, tabagismo, sedentarismo, alimentação rica em gordura. Estes são alguns dos principais fatores que predispõe a um infarto agudo do miocárdio. Historicamente os homens dominam os casos de infarto. Entretanto, tem crescido a incidência do mal entre as mulheres – que também entraram no ritmo alucinante da vida moderna -, e se tornaram, também, alvos mais fáceis do problema.

De acordo com um estudo do American Heart Association, 45% dos ataques do coração são silenciosos e descobertos somente depois, quando um paciente realiza exames de rotina. Além de dor no peito e formigamento no braço esquerdo e pescoço, náusea e até vômito, outras características podem indicar um infarto como dores nas costas, suor frio e, em casos extremos, o desmaio.

Para o cardiologista e coordenador do Programa de Infarto Agudo do Miocárdio, Leopoldo Piegas, a falta de ar, queimação no estômago sem relação com alimentos e incômodo no peito que aparece após a prática de exercícios e desaparece ao descansar, também são sintomas comuns que podem indicar problemas no coração.

“É importante lembrar que, quando se trata de doenças do coração, a falta de informação pode ser fatal. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, a cada dois minutos morre uma pessoa devido a uma enfermidade cardiovascular, e não saber quando se trata de um infarto, diminui a chance de sobrevivência”, esclarece.

Diferença entre homens e mulheres: o infarto não atinge igualmente homens e mulheres. Os sintomas e até mesmo as faixas etárias mais atingidas são diferentes. “O pico de incidência costuma ser em homens com mais de 45 anos e mulheres após os 55 anos, no período da menopausa”.

Infarto em homens

homem infarto dor peito geralt pixabay

A dor do infarto geralmente é percebida como uma pressão no peito. Não é possível localizar com um dedo. A dor pode ser acompanhada de suor sem estar sentindo calor, o “suor frio”, dor em braços, dor na boca do estômago e até dor na mandíbula. Tonturas e desmaios durante a dor podem acontecer.

Infarto em mulheres

mulher infarte

Os sintomas de infarto em mulheres variam mais. As dores podem ser descritas como queimação e pontadas em região do peito. As dores em mulheres geralmente são subvalorizadas, pois classicamente, antes da menopausa, elas têm menos chance de infarto do que os homens da mesma idade. Atualmente as mulheres fumam, bebem, tem trabalhos estressantes e se exercitam pouco. Usam anticoncepcionais, que associados a alguns outros fatores de risco, como dieta inadequada e sedentarismo, aumentam as chances de trombose e infarto.

E quando ele chega? O principal sinal do infarto é a dor aguda no peito, que perdura por mais de 20 minutos e se irradia para o braço ou ombro esquerdo. Além da terrível sensação de que algo aperta o coração, a pessoa pode sentir dores e desconforto em toda a região torácica, assim como falta de ar, fadiga, azia, suor excessivo, dor nas costas e no pescoço.

“Isso acontece porque os órgãos e tecidos do corpo são interligados e interdependentes. O músculo cardíaco não funciona sozinho. Ele precisa de uma boa oxigenação promovida pelos pulmões, da pressão sanguínea (ou bombeamento de sangue) eficiente e constante e, ainda, de um sistema circulatório sadio, livre de placas de gordura ou coágulos que impeçam a chegada do sangue e do oxigênio aos diversos órgãos”, explica o cardiologista.

Fique atento aos sinais:

 

Cansaço extremo e sem causa aparente
Tonturas, vertigens
Náuseas
Perda de apetite
VômitosDesmaios
Desconforto no peito
Fraqueza
Problemas de sono
Dores nos braços, ombros e costas
Dor de estômago

É útil lembrar que é necessário pelo menos seis destes sinais para que se suspeite de um possível aviso de infarto. Sintomas isolados não devem ser motivo de alarme.

Tratamento: o tratamento para homens e mulheres é o mesmo. “Após o diagnóstico, se o quadro for agudo, a recomendação é rapidamente desobstruir a artéria responsável em ambiente hospitalar mecanicamente (cateterismo e stent) ou com medicamentos injetados em veia periférica capazes de desobstruir o coagulo (trombólise). A angioplastia, tratamento preferencial, segue-se ao cateterismo sempre que disponível. Este permite localizar onde está a obstrução e tratar de uma forma pontual e bem localizada. Neste procedimento, é colocado um ‘stent’, um alicerce de metal por dentro da obstrução, para evitar que se feche novamente”, orienta o cardiologista.

Fonte: HCor

 

 

Cardiologista alerta contra os riscos físicos do Carnaval

Neste período a atenção precisa ser redobrada com o alto consumo calórico dos foliões, bem como os riscos de desidratação e o excesso de estresse físico

Carnaval é sinônimo de alegria e descontração. No entanto, durante os dias de folia, as pessoas acabam extrapolando um pouco os limites, e indo além do que o corpo pode aguentar. Não é exagero essa comparação: participar de vários blocos carnavalescos equivale fisicamente a uma corrida de mais ou menos 10km.

Em relação ao grande desgaste físico, o consumo de bebidas alcoólicas, na maioria das vezes com energéticos, é fato comum durante a folia. Por isso é importante intercalar para cada lata de energético, o consumo de 500 ml ou mais de água, além de doces, para evitar a hipoglicemia e reequilibrar o metabolismo cerebral.

Além do desgaste físico, em muitos casos, o exagero contribui para o aparecimento ou agravamento de alguns sintomas ou até mesmo de doenças. Entre elas as arritmias cardíacas que, apesar de muitas vezes apresentarem sintomas como cansaço, palpitações, falta de ar, tonturas ou desmaios, outras podem ser assintomáticas e acometer pessoas saudáveis.

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De acordo com o cardiologista e médico do esporte do HCor (Hospital do Coração), Nabil Ghorayeb, não é incomum, em períodos como no Carnaval, a ocorrência de arritmias cardíacas por conta de atitudes como o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, cigarro, drogas e energéticos.

“A moderação e o equilíbrio são fatores importantes na prevenção de arritmias, especialmente em ocasiões como o Carnaval. Todos os excessos trazem malefícios, especialmente em indivíduos portadores de doenças cardíacas, os quais podem desenvolver complicações e evoluir para morte súbita. Essas situações poderiam ser evitadas por meio de informação, prevenção e bom senso”, aconselha Ghorayeb.

E para os foliões que vão ficar somente na arquibancada pulando? Para o cardiologista do HCor, o desgaste e o risco serão pequenos. “Ao sentir cansaço, o ideal é sentar e se reidratar. O abuso de bebidas alcoólicas e outras substâncias torna a festa de carnaval sem controle, e os efeitos cardiovasculares são imprevisíveis”, esclarece.

Para aproveitar os dias de folia sem descuidar da saúde do coração, o cardiologista do HCor dá algumas dicas:

Aproveite com moderação: o excesso de estresse físico, como pular exageradamente, especialmente se o indivíduo for portador de doença cardíaca, pode induzir arritmias, desmaios, hipertensão, infarto e até morte súbita. Por conta da empolgação e da multidão, as pessoas acabam esquecendo que cada um tem seu limite, tanto físico como mental, e é essencial respeitá-lo;

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Pexels

Hábitos saudáveis: lembre-se que a prevenção é o melhor remédio contra qualquer doença. Nem sempre o portador de doença cardíaca tem sintomas. E ela pode ser silenciosa. Por isso é importante ter hábitos saudáveis, praticar atividades físicas frequentemente, realizar exames preventivos e consultar, pelo menos uma vez por ano, um clínico ou cardiologista;

Beba com moderação e diga não às drogas: o uso de drogas ilícitas e outros estimulantes, além do álcool, podem induzir arritmias, crises de hipertensão arterial e infarto. Quando usados simultaneamente, os efeitos podem ser ainda mais intensos, levando à morte súbita. Energéticos em excesso, ricos em cafeína e taurina, usados para se manter alerta, também podem induzir arritmias. Os energéticos diminuem a sensação de “tontura”, o que leva o indivíduo a beber maior quantidade de álcool e consequentemente a correr maiores riscos;

Beba bastante água: desidratação, motivada pela falta de líquidos e por suor excessivo, pode provocar quedas de pressão e desmaios;

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Foto: C_Scott/Pìxabay

Repouse e tenha um sono com qualidade: dormir pouco pode provocar hipertensão, agitação, ansiedade e sonolência diurna. Dirigir automóveis com sonolência aumenta muito o risco de acidentes;

Tenha uma alimentação saudável: dê preferência a verduras, grãos integrais, carne branca, peixes, legumes e frutas. Alimente-se com frequência e não permaneça em jejum por tempo prolongado;

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Dê preferência a roupas leves: o uso de roupas muito pesadas e quentes em ambientes abafados pode levar à desidratação e a desmaios por quedas de pressão.

Fonte: HCor