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Já é possível eliminar a papada sem cirurgia

A dermatologista Sumaya Mahon explica a eficácia do procedimento que elimina a gordura local por meio do congelamento

Temida por muitos, a papada pode ser provocada por acúmulo de gordura e, muitas vezes, não é eliminada apenas com o emagrecimento. O que muita gente ainda não sabe é que há uma alternativa não cirúrgica segura para tratar a área, o Coolsculpting.

“São muitas as vantagens de realizar o procedimento com Coolsculpting. A marca possui uma ponteira exclusiva para a região, ou seja, permite maior controle sobre a área tratada e resultado mais eficaz. Além disso, é um procedimento não invasivo, seguro, que permite que o paciente retome suas atividades no mesmo dia, sem a necessidade de repouso e cuidados especiais”, explica a dermatologista Sumaya Mahon.

Segundo a especialista, apenas uma sessão, com duração entre 35 e 60 minutos, já elimina cerca de 20% a 25% de tecido adiposo. Durante o procedimento, as células de gordura da área tratada são congeladas de forma controlada e eliminadas em um período de até 90 dias, quando é possível perceber um resultado significativo. Alguns pacientes precisam de mais sessões, mas isso será determinado em conjunto com o médico especialista, que sempre deve fazer uma avaliação prévia e oferecer as melhores possibilidades de tratamento.

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A médica alerta ainda para outra vantagem do Coolsculpting: “uma vez tratada, a área não terá mais acúmulo de gordura. No entanto, é preciso que o paciente mantenha uma dieta equilibrada e pratique exercícios regularmente”, destaca.

Sobre as sensações causadas pelo congelamento, a dermatologista esclarece que é normal que a região tratada fique sensível durante alguns dias ou semanas. No entanto, o desconforto é considerado bastante tolerável. O procedimento com Coolsculpting não é indicado para gestantes, lactantes e pacientes com intolerância ao frio.

Fonte: Allergan

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Qual a quantidade ideal de creme, sérum ou fotoprotetor que deve ser aplicada?

Você já está familiarizado com a rotina de limpeza, tonificação, hidratação e fotoproteção de sua pele, mas pode ser que ainda tenha dúvida na quantidade de produto que está usando. Será que você está aplicando demais (sem necessidade) ou pouco e diminuindo a eficácia do seu tratamento?

“A quantidade ideal de cosmético a ser passado na face depende do veículo a ser usado. Ele pode ser mais líquido ou mais espesso. Os mais líquidos são recomendados para peles oleosas, enquanto os cremes mais ricos são indicados para pele seca, para formar um filme de gordura nessa pele que é carente de lipídeos”, explica a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD).

limpar lavar rosto agua

Na primeira etapa da rotina skin-care, a limpeza pode ser realizada tanto com produtos líquidos quando com aqueles em barra. “Embora dependa muito do cosmético utilizado, é possível encontrar sabonetes líquidos concentrados que em apenas duas gotas podemos limpar o rosto todo. No caso dos produtos em barra, a espuma, ao ser misturado com a água, serve como um referencial para limpar a face”, diz a médica.

Na segunda etapa, a de tonificação, é importante que o algodão seja embebido com a solução tônica ou adstringente para realização completa de limpeza e tonificação.

No caso da hidratação e cosméticos anti-idade, a médica lembra que os séruns e elixires são mais concentrados. “Se você tem um veículo mais fluído, mais líquido, como as loções ou séruns, normalmente de 3 a 5 gotas são suficientes para a face toda. Veículos mais espessos como cremes e géis, você pode colocar a quantidade de uma ervilha para a face toda. Para a área dos olhos, uma quantidade menor, como meia colher de café, é o suficiente para passar nos dois olhos. Então, depende da espessura do veículo”, afirma a médica.

A mesma regra vale na fotoproteção: “Protetores solares mais fluídos podem ser usados na quantidade de meia colher de chá. Protetores solares mais grossos, espessos podem ser usados na quantidade de uma colher de café para o rosto”, afirma. “No caso da fotoproteção, é importante que o paciente sinta exista uma camada generosa que cubra toda a área e tenha aquela sensação de que existe um conforto e uma cobertura homogênea”, diz. Na dúvida, o fotoprotetor é o produto que menos precisa ser economizado.

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No caso dos tratamentos noturnos, os cremes antimanchas ou ácidos renovadores devem ser colocados à noite após a limpeza da pele. “Porém é necessário esperar de 15 a 20 minutos para voltar a oleosidade normal da pele para diminuir a irritação. Sobre a quantidade desses produtos, ela é também de uma ervilha para face toda, sem exageros para não irritar a pele”, finaliza.

Fonte: Valéria Marcondes é dermatologista da Clínica de Dermatologia Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com título de especialista e da Academia Americana de Dermatologia. Foi fundadora e é membro da Sociedade de Laser

Epidemia de alergia após uso de unhas artificiais em gel e acrílico preocupa dermatologistas

Após estudo de vários casos, Associação Britânica de Dermatologistas emitiu um alerta de que produtos químicos acrílicos, os principais ingredientes em unhas de acrílico, unhas de gel e unhas de polimento de gel, estão causando uma epidemia de alergia de contato no Reino Unido e na Irlanda.

Produtos químicos metacrílicos, os principais ingredientes utilizados em unhas de acrílico, unhas de gel e unhas de polimento de gel, estão causando uma epidemia de alergia de contato no Reino Unido e na Irlanda, segundo comunicado da Associação Britânica de Dermatologistas após estudos de caso. A onda de alongar as unhas faz sucesso no Brasil e exige uma série de cuidados para se prevenir dos riscos de alergia, conforme explica a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“Nem todas as pessoas podem usar as unhas postiças: há pessoas com doenças na pele ou nas unhas que não devem usar. Por exemplo: alérgicos aos componentes do adesivo, pessoas com a pele sensível, com psoríase da unha e infecção devem evitar, pois o trauma pode piorar a doença da pele e unhas. Além disso, todas as formas de alongamento trazem algum dano à unha original”,afirma a médica.

As reações alérgicas podem envolver o afrouxamento das unhas ou uma vermelhidão com comichão, não apenas nas pontas dos dedos, mas potencialmente em qualquer parte do corpo que tenha entrado em contato com as unhas, incluindo as pálpebras, face, pescoço e região genital. Muito raramente, podem ocorrer sintomas como problemas respiratórios.

De acordo com a dermatologista, é muito importante que as pessoas saibam que podem desenvolver alergias de unhas artificiais. “A verdade é que muitas mulheres sofrem com essas alergias que permanecem sem diagnóstico, porque elas podem não vincular seus sintomas às unhas, especialmente se os sintomas ocorrerem em outras partes do corpo. É importante que eles obtenham um diagnóstico para que possam evitar o alérgeno, mas também porque o desenvolvimento de uma alergia a esses produtos químicos pode ter consequências ao longo da vida para tratamentos odontológicos e cirurgias onde dispositivos contendo esses alérgenos são de uso comum”, afirma a médica.

unhas rosa

A Associação baseou-se em um recente estudo que descobriu que 2,4% das pessoas testadas tinham alergia a pelo menos um tipo de químico metacrilato. O estudo da Associação analisou três tipos principais de aprimoramentos de unhas contendo metacrilatos: unhas de gel, unhas acrílicas e com polimento de gel.

“Unhas de gel são derivadas de metacrilatos que podem ser aplicadas sobre a unha natural ou usadas para esculpir extensões. O gel precisa ser endurecido sob uma lâmpada UV (ultravioleta). Não pode ser removido por imersão e deve ser cortado da unha”, explica. As unhas acrílicas são misturadas no salão; a pasta é aplicada sobre uma unha natural ou usada para criar comprimento adicionando pontas. Após isso, elas endurecem com a exposição do ar. As unhas acrílicas são recomendadas para serem removidas por imersão em acetona.

“Já as unhas de polimento de gel, ou gel polonês, têm se tornando o mais popular das três opções, é um produto pré-misturado e um híbrido de verniz de gel e unhas. Tem uma consistência semelhante ao esmalte e é aplicado de forma semelhante. Uma vez aplicado, também requer endurecimento com o uso de uma lâmpada UV. E deve ser removido por imersão em acetona”, diz.

As preocupações foram levantadas sobre as três opções, mesmo que aplicadas profissionalmente. Quando os produtos entram em contato com qualquer parte da pele pode ocorrer a sensibilização aos produtos químicos. Isso é muito provável quando as pessoas aplicam um produto por elas mesmas com kits caseiros ou aplicadas com profissionais sem treinamento suficiente. “É necessário ser extremamente cauteloso com kits caseiros, que podem aumentar o risco do paciente desenvolver uma alergia”, explica a médica.

De acordo com o estudo, o risco é particularmente alto para manicures, esteticistas e outros profissionais que trabalham com aprimoramentos de unhas. “Usar luvas de proteção não é suficiente, pois os metacrilatos passam diretamente através de muitos tipos de luvas. Os proprietários de salões precisam considerar o nível de treinamento que oferecem aos funcionários nessa área. Uma precaução importante é usar luvas de nitrilo que são substituídas e descartadas a cada 30 minutos e removidas com uma técnica ‘sem toque’. Os metacrilatos devem ser mantidos longe de todo contato direto com a pele. O treinamento também precisa reduzir as chances de iniciar uma alergia em seus clientes”, afirma a Associação.

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Por fim, a dermatologista Claudia lembra que as unhas que contêm acrilato também podem causar danos físicos às unhas e cutículas quando elas são removidas, seja por polimento, raspagem ou imersão em acetona. “Nunca retirar o material sozinha pois pode danificar ainda mais, então procure um profissional habilitado. Procure sempre um dermatologista caso perceba alguma alteração ou alergia”, finaliza.

Fonte: Claudia Marçal é médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). É speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.

Veja dicas para remover maquiagem mais pesada e evitar resíduos na pele

Maquiagens mais resistentes não devem ser retiradas apenas com produtos básicos de limpeza, pois há um risco de resíduos permanecerem na pele e causar acne. Saiba a importância do passo a passo

Assim como a brincadeira só termina na hora de recolher os brinquedos, a beleza em usar maquiagem só é completa se soubermos remover completamente os resíduos da pele. “É muito importante ter higienização adequada e tirar toda a maquiagem: em toda a região facial para evitar a obstrução dos poros, que favorece o aparecimento de acne; na área dos olhos, para evitar olheiras e envelhecimento; e nos cílios para evitar blefarite, um processo inflamatório causado pela presença da sujidade que pode fazer uma obstrução do ducto de saída da glândula, criando uma inflamação e posteriormente as bactérias da nossa própria pele podem contaminar a área e evoluir para o terçol”, explica a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

O dermatologista Jardis Volpe, membro da SBD e da AAD, afirma que não é indicado retirar o make apenas com produtos de higiene básica, pois eles não são capazes de eliminar todas as impurezas. “O sabonete não é o produto ideal para remover a maquiagem, principalmente as mais carregadas. As maquiagens mais carregadas, mais resistentes, mais difíceis de remover, em geral são usadas na área dos olhos, como delineador ou rímel. Para esse tipo de maquiagem, devemos usar os demaquilantes, que são mais ‘pesados’, como as versões bifásicas e oleosas”, explica o médico.

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Foto: Beautynstyle

1º passo – demaquilante
O demaquilante é um produto eficaz, que ajuda a remover os resíduos de maquiagem e poluição, que são prejudiciais à pele. “Na hora de comprar o produto, as diversas opções podem gerar dúvidas sobre como escolher demaquilante. O melhor demaquilante é aquele no qual você não precise fazer força para retirar a maquiagem”, explica Volpe. Está em dúvida sobre qual escolher? “Os demaquilantes em forma de loção, gel e espuma retiram os resíduos mais leves da pele, como restos de batom, blush e sombra em pó, porém, para remover produtos de longa duração e a prova d’ água, procure usar demaquilantes específicos para cada tipo de maquiagem. O demaquilante em creme é ideal para peles envelhecidas, sensíveis ou secas. Já a versão líquida se adequa a todos os tipos de pele, até as mais sensíveis. Mas atenção: nem sempre retira direito maquiagem à prova d’água. O demaquilante bifásico é metade óleo, metade água, ideal para tirar o make à prova d’água. Não é indicado para peles acneicas ou oleosas. Demaquilante em leite é ótimo para pele sensível, seca ou ressecada, mas também não é indicado para a pele com acne ou pele oleosa. Lenços podem variar na composição e ser adequado para cada tipo de pele. Por fim, a água micelar promove boa limpeza e é uma ótima opção para peles sensíveis e outros tipos de pele”, explica o médico.

2º passo – sabonete
A escolha do sabonete deve ser baseada no tipo de pele e necessidades individuais. “Há sabonetes de controle de oleosidade ou de acne com extratos anti-inflamatórios, ativos adstringentes como hamamélis, camomila, menta piperita, ácido salicílico, peróxido de benzoíla, triclosan, extratos cítricos, entre outros; as peles mais sensíveis, maduras ou secas devem receber loções de limpeza, mousse ou leites sem saponáceo para realizar a higiene diária sem retirar o manto lipídico protetor e apenas remover impurezas”, ensina Claudia.

3º passo – esfoliar (de duas a três vezes por semana)
Para ajudar na renovação celular, melhorar a penetração dos ingredientes hidratantes que virão na sequência e complementar o ritual de beleza, o esfoliante é ideal. “Utilizar, de duas a três vezes por semana, um esfoliante, de preferência com ativos naturais, como a casca do arroz ou a semente de apricot para promover renovação epitelial. Aplicar na pele molhada, após lavar com o sabonete, massagear com movimentos circulares e deixar ficar por dois a três minutos e enxaguar”, explica a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

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4º passo – tônico ou adstringente
A última etapa conclusiva do ritual de limpeza é a tonificação. “Estes produtos, apesar da nomenclatura tônico, podem ser calmantes, hidratantes, antioxidantes, adstringentes e mesmo agregarem o benefício de demaquilantes de modo complementar”, explica Claudia. Os tônicos, além da limpeza complementar e da retirada de resíduos, têm o papel de recuperar também o pH da pele. “As peles oleosas podem se beneficiar de loções adstringentes com pequena porcentagem de álcool enquanto as mais sensíveis devem evitá-lo. Os ativos como moléculas mimetizadoras de células germinativas de extratos vegetais naturais como edelweiss, menta piperita, Iris, camomila, linho, romã, berries são importantes para fazerem estas funções específicas de nutrição, efeito calmante e antioxidante, completa a médica.

Confira novidades em produtos para higienização profunda da pele:

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Acqua Demaquilante com Aquaporine, da Pharmapele, é um fluído demaquilante que remove efetivamente as impurezas e maquiagens à prova d’água. É rico em Aquaporine, proteína que transporta água das camadas mais profundas da pele, para as mais superficiais. Indicado para peles oleosas, Acqua é um demaquilante inteligente, que higieniza e preserva a hidratação natural da pele.

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Emulsão de Limpeza com ação demaquilante, da Buona Vita, é uma poderosa fórmula multifuncional para limpeza, ação demaquilante e higienização facial. Sua formulação suave restabelece a pele, acentuando sua renovação. Remove impurezas mais enraizadas. Contém extrato de camomila.

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Esfoliante Onface, da Biozenthi, conta com argila verde e extrato vegetal da calêndula, junto com as micropartículas de esfoliantes, para proporcionar esfoliação suave, removendo as células mortas e mantendo a pele hidratada e macia. Desenvolvido para ser usado de duas a três vezes na semana, durante todo o ano. O produto tem uso seguro para veganos e não contém glúten.

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USK Hydra Calming, da Under Skin, é um tônico de limpeza e hidratação facial para peles secas e normais, sem álcool na composição, que remove até 93,1% da maquiagem à prova d’água e tem na associação de ativos o seu grande diferencial. Sua fórmula conta com um Blend de onze Aminoácidos em um coquetel que facilita a absorção de tratamentos posteriores, tem efeitos hidratantes e antioxidantes, além de manter o pH natural da pele.

Risco de doenças cardíacas é maior em pacientes com dermatite atópica

Publicada no British Medical Journal em maio, pesquisa mostrou que indivíduos com a condição têm maiores chances de sofrer infartos, AVC e morte do que adultos sem dermatite

Sendo um dos tipos de dermatose mais comuns, principalmente em crianças, a dermatite, ou eczema, atópica é uma doença crônica que se caracteriza pela inflamação da camada superior da pele, com consequente formação de manchas avermelhadas e bolhas em áreas como face, dobras de braços e pernas. Geralmente associado a doenças como asma e rinite, um novo estudo publicado em maio desse ano no British Medical Journal (BMJ) apontou a dermatite atópica como um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

“O estudo apontou que adultos com eczema atópico grave e predominantemente ativo têm maior risco de sofrer com doenças de origem cardiovascular, incluindo infarto e acidente vascular cerebral, em comparação com adultos sem eczema”, explica a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD).

Para o estudo, os autores compararam os históricos médicos de 387.439 adultos com eczema atópico, sendo que 66% dos pacientes eram mulheres com idade média de 43 anos. Os pesquisadores descobriram então que os pacientes com dermatite atópica grave tiveram um aumento de 20% no risco de derrame, 50% no risco de infarto e morte cardiovascular e 70% no risco de insuficiência cardíaca quando comparados a indivíduos que não sofrem com a condição.

“Os resultados do estudo contribuem para uma lista crescente de evidências que indicam que a inflamação sistêmica associada ao eczema atópico podem aumentar o risco de doença cardiovascular, colocando a doença na lista de condições inflamatórias ligadas ao risco cardiovascular, que inclui também a psoríase grave”, afirma a dermatologista.

Segundo a especialista, o estudo é importante para ajudar a compreender o aumento no risco cardiovascular entre os pacientes com dermatite atópica, já que a condição atinge cerca de 10% dos adultos em todo o mundo. “A partir dos resultados deste estudo, um próximo passo importante seria o desenvolvimento de estratégias de prevenção e conscientização dos riscos de doenças cardiovasculares entre aqueles pacientes com eczema atópico grave e predominantemente ativo”, completa a Dra. Valéria.

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Causas e tratamentos

A causa exata da dermatite atópica ainda é desconhecida, mas geralmente está ligada a uma combinação de fatores como predisposição genética, mau funcionamento no sistema imunológico do corpo e pele seca e irritável. “Por ser crônico, não há cura para o eczema atópico ainda. Por isso o tratamento consiste no uso de hidratantes, cremes com corticoides e anti-histamínicos orais visando o controle da coceira e a redução da inflamação da pele. Além disso, é importante também fortalecer a barreira da pele, evitando o contato com substâncias alergênicas como pólen, poeira, areia e produtos de limpeza”, explica a dermatologista.

“Porém, é fundamental que você consulte um dermatologista ao notar qualquer sinal de que algo está errado com sua pele. Apenas ele poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor tratamento para o seu caso”, finaliza.

Fonte: Valéria Marcondes é dermatologista da Clínica de Dermatologia Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com título de especialista e da Academia Americana de Dermatologia. Foi fundadora e é membro da Sociedade de Laser

Pele seca e ressecada podem ser confundidas, mas não são a mesma coisa

Dermatologista explica a diferença entre o tipo de pele e a condição em que ela se apresenta em determinado momento, por fatores internos e externos. Em um caso, há falta natural de óleo; no outro, desidratação (falta de água)

Embora tenham nomes parecidos, pele seca não é a mesma coisa que pele ressecada e esta é uma sutil diferença que impacta na escolha de cosméticos. “O clima frio e o ar seco fazem com que a camada mais externa de células da pele encolha e isso ajuda a degradar as reservas de filagrina, uma proteína que colabora com a hidratação natural e barreira cutânea. Com isso, até mesmo a pele oleosa tende a ficar mais ressecada e pode ser confundida com a pele seca”, explica a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“Mas é necessário entender uma diferença: existe a denominação quanto ao tipo de pele, ou seja, se é seca, normal, mista ou oleosa; e também há condições, internas e externas, que fazem com que até mesmo a pele oleosa possa ficar desidratada ou ressecada”, acrescenta.

De acordo com a médica, o tipo é a característica natural da pele, enquanto a condição é algo que pode causar a experiência de outros problemas. “E isso pode acontecer a qualquer um, tanto de forma breve e temporária quanto, em alguns casos, de maneira mais longa e persistente”, comenta. A baixa ingestão de água, a poluição, o vento, o clima seco e até hobbies, como por exemplo a natação, estão entre os principais fatores que demandam cuidados especiais com a pele para que ela não fique desidratada. “Em resumo, pele seca representa um tipo específico de pele, enquanto a ressecada é uma preocupação”, sintetiza.

Mas afinal, cientificamente, qual a diferença? “Nossa pele conta com uma membrana hidrolipídica, que é um filme natural de gordura (óleo) e água, com função de proteger a pele. Se você tem pele seca, isso significa uma carência de óleo. É uma característica que também é comum a outras áreas do corpo, como mãos, couro cabeludo e pernas”, explica.

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“Já no caso da pele desidratada, ela está carente de água e isso pode ser proveniente de vários fatores, desde dieta até uso incorreto de cosméticos, que podem ser agressivos e irritantes”. Ela exemplifica: “O álcool desnaturado pode secar a superfície da pele com aspecto desidratado, mas também estimular a produção de óleo em excesso na base do poro, de modo que a pele fica ainda mais oleosa.”

A médica explica que é nesse ponto que pode surgir um problema: “Quando a pele está desidratada, ela produz mais óleo para compensar a falta de água. Isto pode causar produção exacerbada de sebo, irritação, manchas e espinhas”.

Para resolver esse problema, Thais ressalta primeiramente a importância de consultar um dermatologista, que fará um diagnóstico correto do tipo de pele e da condição em que ela se encontra. “Além disso, é importante a ingestão de água e, no caso das peles oleosas que estão desidratadas, é necessário fazer a hidratação facial de preferência com séruns, já que eles têm textura fluida e não deixam a pele oleosa ou “pesada” e com aspecto brilhante em excesso”, garante. O gel também é indicado para esse tipo de pele, mas atenção: cremes mais pesados devem ser evitados.

Já no caso da pele seca, ela tende a sofrer ainda mais no inverno. “Dessa forma, os cremes devem ser enriquecidos, ou seja, as formulações devem ter uma textura mais rica, que realmente forme um filme sobre a pele, uma parede de defesa que consiga repor e segurar água para evitar a perda transepidérmica. Podem ser usados: Hyaxel e DSH CN (ácido hialurônico de baixo e alto peso molecular), Oligomix, Nutriomega 3, 6, 7 e 9, Alistin, proteínas, peptídeos, ácidos graxos essenciais (ômega-3), vitaminas E e C e oligoelementos como zinco, cobre, ferro, selênio e silício”, explica a médica.

Outro ponto de destaque é com relação à higienização dessa pele, de forma que o sabonete líquido não deve ter qualquer agente agressor. “Indico as loções e emulsões de limpeza, os sabonetes cremosos ou os líquidos à base de extratos calmantes como calêndula, camomila, aloe vera”, explica.

De forma geral, a dermatologista sugere, na rotina de limpeza, as seguintes dicas: usar sabonetes de limpeza suaves; evitar esfoliantes agressivos e escovas de limpeza ásperos; usar tônicos que contenham ação hidratante e, no caso da pele oleosa, buscar produtos com álcool em pequena quantidade na formulação; ignorar produtos altamente perfumados (se eles usam fragrâncias sintéticas ou naturais); usar produtos de tratamento, como aqueles à base de ácidos e retinoides, apenas com orientação dermatológica; e procurar ajuda médica em casos de irritação ou ressecamento excessivo.

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“Algumas vitaminas orais como FC Oral e Bio-Arct podem ser indicadas para melhorar essa hidratação de dentro para fora”, finaliza a médica.

Fonte: Thais Pepe é dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

Frio do inverno encolhe células da pele e diminui hidratação natural

É tradição anual: se até mesmo as peles mais oleosas muitas vezes ficam ressecadas com o tempo seco e o clima frio do outono e inverno, as peles secas sofrem ainda mais. O estudo “Changes in filaggrin degradation products and corneocyte surface texture by season”, publicado em março desse ano no British Journal of Dermatology e coordenado por diversos pesquisadores europeus, explica exatamente por qual razão isso acontece: as células da pele literalmente encolhem no frio e prejudicam uma proteína chamada filagrina, que ajuda na hidratação natural.

“A filagrina é uma importante proteína da pele que desempenha um papel importante na barreira cutânea. Ela é degradada em aminoácidos que mantêm a hidratação dentro das células e fornecem proteção. E esse processo é essencial para garantir que sua pele continue produzindo seu fator de hidratação natural (NMF)”, explica a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

Mas um dos achados do estudo foi justamente o fato de que o clima frio e o ar seco faz com que a camada mais externa de células da pele encolha. “O trabalho destaca que isso ajuda a degradar as reservas de filagrina, o que leva àquela textura seca e escamosa. Áreas com quantidade mais baixa de filagrina, como as bochechas e as mãos, tendem a ficar com a textura ainda mais seca. E isso tudo aumenta o risco de inflamações, sensibilidade e irritação – aumentando as chances de graves crises de eczema e psoríase”, conta a dermatologista. O estudo analisou a pele de 40 homens e 40 mulheres saudáveis, após acompanhamento no verão e no inverno.

É por esse motivo, segundo a médica, que os hábitos de cuidado com a pele devem ser reforçados nos períodos mais frios. “Hábitos errados no inverno também podem piorar a qualidade da pele e do couro cabeludo. O principal deles é tomar banhos demorados e muito quentes. A água em alta temperatura retira a oleosidade e favorece o aparecimento da dermatite seborreica. Esfregar muito a pele corporal com bucha também agride demais os tecidos e resseca ainda mais”, explica.

A dermatologista preparou dicas para enfrentar o inverno sem medo:

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Temperatura do chuveiro – evitar água muito quente, pois ela retira a oleosidade natural da pele e do cabelo, provocando ressecamento. A temperatura deve ser no máximo de 35 a 40 graus, que embaça um pouco o espelho. Se todo o espelho estiver embaçado, a água deve estar em excessivos 60 graus aproximadamente;

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Pele do rosto – para a limpeza da pele, basta água morna e um pouco de sabonete. Prefira sabonetes líquidos mais suaves, menos agressivos, e com capacidade hidratante;

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Hidratação o rosto – após limpeza e tonificação, aplique hidratantes com alta capacidade de hidratação, com ácido hialurônico e ativos formadores de filme. Se a pele for seca, produtos de textura mais ricas podem ser usados para formar um filme sobre a pele que consiga formar uma parede de defesa para repor e segurar água para evitar a perda transepidérmica;

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Usar e abusar de hidratantes no corpo – o segredo é aplicar com o corpo ainda úmido para aumentar a penetração. Os óleos vegetais ricos em ácidos graxos essenciais podem ser usados;

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Escolha do Vestuário – dê preferência a casacos e blusas de moletom ou de algodão ou flanela. Quando utilizar lã, fios sintéticos ou lã acrílica, utilizar uma camiseta de algodão por baixo para evitar contato direto com a pele para prevenir coceiras e alergias;

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Uso de Secador de Cabelo – como é mais frequente no inverno, deve-se utilizar mais longe dos cabelos para evitar o aquecimento do couro cabeludo e prevenir descamações;

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Hidratação dos cabelos – a máscara ideal para causar um efeito nutritivo aos cabelos pode conter na composição produtos derivados de vegetais (manteiga de karité, manteiga de cacau, manteiga de oliva, óleo de algodão, óleo de girassol), com ativos que repõem os nutrientes necessários para manter os cabelos nutridos e bonitos ao longo do inverno;

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Uso de condicionador e cremes sem enxágue – aplicar da metade para baixo nos fios. Evitar contato com o couro cabeludo para prevenir descamações. Lavar retirando bem o produto. Creme sem enxágue também deve ser aplicado evitando contato com a raiz;

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Foto: Pedro J. Perez/MorgueFile

Uso de Filtro Solar – mesmo na época do inverno, devemos utilizar o protetor solar diariamente. Ele deve ser adequado para o tipo de pele e contar com FPS de no mínimo 30;

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Beber muito líquido – não devemos esquecer o consumo de água, frutas e verduras, que ajudam na hidratação;

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Visite o dermatologista – muitos problemas de pele podem ser tratados com procedimentos em consultório ou por meio da orientação do dermatologista.

Fonte: Valéria Marcondes é dermatologista em clínica de dermatologia que leva seu nome, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com título de especialista e da Academia Americana de Dermatologia. Foi fundadora e é membro da Sociedade de Laser. 

Células-tronco em produtos anti-idade podem ‘poupar’ animais em testes

Muitos estudos com células-tronco podem abrir caminho para três tendências em tratamentos dermatológicos: rejuvenescimento facial cosmético com células-tronco humanas; regeneração da pele com células-tronco derivadas de plantas; e substituição de animais em testes cosméticos

Talvez nada seja tão aguardado no ramo da dermatologia como a utilização de células-tronco em tratamentos para a pele. Estudos recentes vêm demonstrando uma série de atuações desse tipo de células no rejuvenescimento e regeneração do tecido cutâneo, com excelentes perspectivas para uso cosmético ou injetável.

Além disso, conforme acrescenta a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, as células-tronco podem ser usadas como substitutos de animais no desenvolvimento de cosméticos. “As células-tronco embrionárias humanas foram apresentadas na União Europeia como alternativa ao uso de animais em testes de toxicidade. Esses testes baseados em células humanas evitariam as variações entre espécies e, como tal, preveem efeitos adversos mais precisos para o corpo humano. Mas ainda há uma questão ética que precisa ser debatida”, acrescenta.

Mas além da esperança na substituição dos animais em testes cosméticos, um artigo científico, publicado em novembro do ano passado no Biochemical and Biophysical Research Communications, corrobora a aplicação desse tipo de tecnologia na pele.

“O estudo afirma que exossomos* derivados das células-tronco mesenquimais do sangue do cordão umbilical humano estimulam o rejuvenescimento da pele humana. Elas desempenham um papel importante na cicatrização de feridas cutâneas e ativam várias vias de sinalização, que são favoráveis na cicatrização de feridas e no crescimento celular. O estudo detectou que, assim que absorvido na pele humana, as células-tronco promovem a síntese de colágeno I e elastina na pele, que são essenciais para o rejuvenescimento da pele”, afirma a médica.

Outro importante periódico, o Journal of Drugs In Dermatology, publicou em 2016 um estudo que destaca uma glicoproteína, apelidada de Alpha 2-HS (Fetuína), produzida por células-tronco humanas que demonstrou ser um ingrediente cosmético revolucionário.

“As secreções celulares derivadas das células-tronco foram incorporadas em duas formulações cosméticas simples (soro e loção), sem adição de outros ingredientes, e investigadas em um ensaio humano de 12 semanas que incluiu 25 indivíduos em cada grupo. As análises de proteínas nas secreções celulares revelaram uma alta concentração da glicoproteína multifuncional alfa 2-HS (fetuína), juntamente com uma multiplicidade de fatores proteicos envolvidos em desenvolvimento e manutenção de pele humana saudável”, diz a médica.

A investigação clínica, segundo o artigo, demonstrou melhora significativa dos sinais clínicos do envelhecimento cutâneo intrínseco e extrínseco, achados que foram confirmados por mudanças significativas na morfologia da pele, em proteínas de hidratação da pele como filagrina, aquaporina e conteúdo de colágeno I. “Os dados apoiam fortemente a hipótese de aplicação cosmética de secreções precursoras de linhagem de pele derivada de células-tronco, contendo fetuína e fatores de crescimento benéficos para o desenvolvimento e manutenção da pele humana, para influenciar positivamente o envelhecimento intrínseco e extrínseco”, concluiu o estudo.

A aplicação injetável de células-tronco na pele também vem sendo estudada. Um trabalho da Malásia concluiu que as células-tronco mantiveram suas propriedades celulares após serem injetadas na pele em injeções únicas e múltiplas, comprovando que podem ser usadas com segurança para fins clínicos e terapêuticos.

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Células-tronco vegetais

Se o desenvolvimento cosmético com células-tronco humanas demanda uma questão ética importante que precisa ser debatida, uma realidade pode ser obtida das células-tronco derivadas de plantas.

Em 2014, foi publicado na Dermatologic Clinics, o estudo Next Generation Cosmeceuticals – The Latest in Peptides, Growth Factors, Cytokines and Stem Cells que destacou: as células-tronco xenogênicas derivadas de plantas possuem propriedades antisenescentes, diminuindo o processo de envelhecimento celular.

No mesmo ano, artigo publicado no Plastic Surgical Nursing apontou vantagens das células-tronco vegetais ao afirmar que as células-tronco humanas têm a capacidade de se diferenciar em apenas um outro tipo de célula, enquanto as células-tronco derivadas de plantas são totipotentes, o que significa que elas têm a capacidade de criar uma planta totalmente nova.

“O papel da maioria desses extratos de células-tronco derivados da planta é proteger as células-tronco humanas, existentes que residem na camada basal da pele humana, de danos causados ao DNA e induzidos por radicais livres. O artigo afirma que pesquisas recentes identificaram que extratos de células-tronco da planta apresentam atividade antioxidante substancial comprovada para proteger as células-tronco da pele desse estresse oxidativo induzido pelo ultravioleta, além de inibir a inflamação, neutralizar os radicais livres e reverter os danos de fotoenvelhecimento”, diz a médica.

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Como resultado, prossegue o estudo, os produtos cosmecêuticos agora estão incorporando esses extratos derivados de células-tronco da planta para promover a proliferação celular saudável e proteger contra danos celulares induzidos pelos ultravioletas em seres humanos. “Embora existam potencialmente muitas células-tronco botânicas que poderiam proporcionar benefícios à pele, a maior parte da pesquisa tem sido focada em três: a planta lilás, a uva e a maçã suíça”, finaliza.

*complexo proteico multienzimático envolvido em diferentes passos do processamento e degradação de vários tipos de moléculas de ARN (ácido ribunocleico), por meio da sua atividade exonucleolítica. Os complexos do exossoma podem encontrar-se tanto em células eucariotas como nas arqueobactérias. Nas bactérias equivale a um complexo mais simples, o degradossoma, que desempenha funções similares. 

Fonte: Thais Pepe é especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

Dia Mundial do Chocolate: dependendo do tipo, ele pode ser benéfico ou maléfico

É possível aproveitar o Dia Mundial do Chocolate, comemorado hoje, 7 de julho, com boas escolhas para sua pele: enquanto o chocolate ao leite e o branco podem piorar inflamação da acne, opções mais amargas, que trazem alta concentração de cacau, têm efeito anti-idade

Sempre quando falamos de chocolate surgem dúvidas quanto aos benefícios ou malefícios do cacau à pele. “Eficaz contra o mau humor, além de trazer sensação de bem-estar, o chocolate deve ser consumido com parcimônia; as versões brancas e ao leite devem ser evitadas, por conta da quantidade de açúcar e gordura presente nesses produtos, que podem favorecer a inflamação e envelhecer a pele. Enquanto o chocolate amargo é uma excelente opção para oferecer benefícios antioxidantes”, afirma a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Academy of Dermatology.

Chocolate e acne

mulher jovem acne espinha

A principal dúvida com relação aos chocolates é se eles causam ou não acne. De acordo com a médica, o cacau em si é um alimento extremamente benéfico e a sua concentração não está relacionada ao surgimento ou piora da acne, pelo contrário: esse ingrediente é um aliado da saúde e da pele.

“Ele é um poderoso antioxidante e ajuda a promover luminosidade e hidratação. O cacau contém flavonoides, que são fitonutrientes com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Eles [flavonoides] auxiliam na proteção aos danos dos raios UV, prevenindo as rugas e combatendo os radicais livres que ajudam a deixar a pele mais brilhante e saudável”, afirma a dermatologista.

Portanto, que fique bem claro: o cacau não causa espinhas. O problema está no açúcar e nas gorduras. “Alimentos com gorduras, açúcares e hidratos de carbono, como os chocolates ao leite e branco, têm alto índice glicêmico. Muitos estudos sugerem que a alta carga glicêmica na dieta habitual está envolvida com a ocorrência e gravidade da acne vulgar em pacientes predispostos, na medida em que favorece a hiperinsulinemia que, em consequência, influencia no crescimento epitelial folicular, na queratinização e, também, na secreção sebácea e desenvolvimento de acne. A gordura e o leite presente em chocolates podem colaborar também para o agravamento do quadro”, explica a dermatologista.

Estudos realizados pela Universidade de Miller School of Medicine, em Miami (EUA), mostraram que as pessoas que comeram mais chocolate (branco e ao leite) tiveram aumento de acne e da inflamação na pele.

Chocolate amargo

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Chocolates com mais de 50% de cacau e o padrão ouro (com mais de 70%) fornecem os benefícios antioxidantes dos flavonoides do cacau e podem ser ricos em vitamina C, vitamina E, cálcio, fósforo, ferro, potássio e sódio.

“De forma geral, o chocolate amargo tende a ser uma boa opção – com menos quantidade de carboidratos e açúcar, pois ele ajuda a combater doenças cardiovasculares, tem ação antioxidante e anti-inflamatória. Além disso, as versões deste chocolate com oleaginosas trazem mais benefícios e nutrientes, principalmente para pacientes com pele seca”, diz. Mas atenção à dose: 30 gramas ao dia é o recomendado – portanto uma barra de chocolate pode ser consumida, em média, em uma semana.

Chocolates não recomendáveis

“O ideal é evitar os chocolates ao leite e branco, que possuem mais gordura e açúcar, ambos envolvidos com o processo de inflamação e aceleração do envelhecimento da pele”, explica. Pacientes de pele oleosa devem evitar esse tipo de chocolate principalmente se ele ainda tiver amendoim e castanhas, que trazem mais gorduras saturadas (e muitas vezes mais açúcar) para a pele e as glândulas serão as responsáveis por excretar este acúmulo de gordura.

“Além disso, sabemos que alimentos com alto índice glicêmico são mais inflamatórios levando ao estresse oxidativo e glicação”, finaliza a médica.

Fonte: Claudia Marçal é dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School

Alterações nas unhas podem indicar problemas de saúde

Pode não parecer, mas as unhas não têm apenas função estética, sendo também extremamente funcionais. Além de oferecer proteção às pontas dos dedos, as unhas também servem para indicar quando algo pode estar errado em nosso organismo.

“O diagnóstico das unhas pode indicar desde doenças sérias até falta de vitaminas. Por exemplo, unhas quebradiças e com manchas brancas podem representar tanto uma simples alergia causada por produtos como esmaltes, detergentes e sabonetes, como podem ser indícios de problemas relacionados a carência de ferro, ácido fólico e vitamina B12″, explica a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD).

Por isso, é sempre bom ficar de olho em mudanças na coloração, no formato e na textura das unhas, que devem permanecer sempre fortes, transparentes e lisas. Segundo a especialista, unhas alargadas, curvadas para baixo e com coloração arroxeada podem ser sinal, por exemplo, de doenças cardíacas e problemas que afetam a circulação, como asma e bronquite.

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Foto: Mouthhealthy.org

“Já unhas amareladas, grossas e com dificuldade de crescer podem ser sinal de doença pulmonar ou artrite reumatoide”, afirma a médica. “Além disso, mudanças como o descolamento da unha, coloração preto esverdeada, vermelhidão e inchaço podem ser resultados de uma infecção bacteriana ou fúngica grave.”

É possível ainda que as alterações nas unhas sejam sintomas de problemas mais sérios, como psoríase, se apresentarem depressões puntiformes, superfície rugosa e enfraquecimento, ou diabetes, quando as unhas se tornam grossas, avermelhadas e com pequenas veias ao redor, podendo ocasionar também micoses frequentes, engrossamento e endurecimento das pontas dos dedos.

“É importante ainda que você fique atento a formação de manchas escuras sob as unhas. Isso por que, além de estarem relacionadas a micoses, uso de alguns medicamentos e pequenos traumatismos nas regiões, essas faixas negras podem indicar, em casos mais graves, câncer do tipo melanoma, o mais grave câncer de pele”, alerta a médica.

Mas nem todas as mudanças nas unhas são realmente perigosas, podendo ser causadas, por exemplo, por pequenos traumas, como roer as unhas, ou pelo uso constante de produtos de limpeza sem a proteção de luvas. Para evitar este problema, é importante tomar alguns cuidados como adotar uma alimentação saudável, de preferência rica em proteínas, ingerir de 2 a 3 litros de água por dia, fazer uso diário de hidratantes e evitar a exposição prolongada à água e detergentes.

“O ideal é que você evite também retirar completamente as cutículas. Isso por que elas têm função de proteção e impedem a passagem de água e outras substâncias nocivas para dentro da matriz da unha, favorecendo o crescimento de fungos responsáveis por alterações passageiras”, destaca a dermatologista.

De qualquer forma, é interessante sempre observar o estado de suas unhas. Para isso, o recomendado é não utilizar esmaltes por, pelo menos, 10 dias no mês, sendo assim possível acompanhar qualquer tipo de alteração.

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“Porém, dificilmente uma doença será descoberta somente por conta dessas mudanças nas unhas. É importante que a suspeita de doenças sérias seja avaliada com diferentes tipos de exame até o diagnóstico final. Por isso, você deve consultar um dermatologista regularmente e relatar para ele sempre que você notar qualquer mudança em suas unhas. Assim, ele poderá diagnosticar o problema e indicar o melhor tratamento para cada caso”, finaliza Valéria.

Fonte: Valéria Marcondes é Dermatologista da Clínica de Dermatologia Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com título de especialista e da Academia Americana de Dermatologia. Foi fundadora e é membro da Sociedade de Laser