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Células-tronco em produtos anti-idade podem ‘poupar’ animais em testes

Muitos estudos com células-tronco podem abrir caminho para três tendências em tratamentos dermatológicos: rejuvenescimento facial cosmético com células-tronco humanas; regeneração da pele com células-tronco derivadas de plantas; e substituição de animais em testes cosméticos

Talvez nada seja tão aguardado no ramo da dermatologia como a utilização de células-tronco em tratamentos para a pele. Estudos recentes vêm demonstrando uma série de atuações desse tipo de células no rejuvenescimento e regeneração do tecido cutâneo, com excelentes perspectivas para uso cosmético ou injetável.

Além disso, conforme acrescenta a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, as células-tronco podem ser usadas como substitutos de animais no desenvolvimento de cosméticos. “As células-tronco embrionárias humanas foram apresentadas na União Europeia como alternativa ao uso de animais em testes de toxicidade. Esses testes baseados em células humanas evitariam as variações entre espécies e, como tal, preveem efeitos adversos mais precisos para o corpo humano. Mas ainda há uma questão ética que precisa ser debatida”, acrescenta.

Mas além da esperança na substituição dos animais em testes cosméticos, um artigo científico, publicado em novembro do ano passado no Biochemical and Biophysical Research Communications, corrobora a aplicação desse tipo de tecnologia na pele.

“O estudo afirma que exossomos* derivados das células-tronco mesenquimais do sangue do cordão umbilical humano estimulam o rejuvenescimento da pele humana. Elas desempenham um papel importante na cicatrização de feridas cutâneas e ativam várias vias de sinalização, que são favoráveis na cicatrização de feridas e no crescimento celular. O estudo detectou que, assim que absorvido na pele humana, as células-tronco promovem a síntese de colágeno I e elastina na pele, que são essenciais para o rejuvenescimento da pele”, afirma a médica.

Outro importante periódico, o Journal of Drugs In Dermatology, publicou em 2016 um estudo que destaca uma glicoproteína, apelidada de Alpha 2-HS (Fetuína), produzida por células-tronco humanas que demonstrou ser um ingrediente cosmético revolucionário.

“As secreções celulares derivadas das células-tronco foram incorporadas em duas formulações cosméticas simples (soro e loção), sem adição de outros ingredientes, e investigadas em um ensaio humano de 12 semanas que incluiu 25 indivíduos em cada grupo. As análises de proteínas nas secreções celulares revelaram uma alta concentração da glicoproteína multifuncional alfa 2-HS (fetuína), juntamente com uma multiplicidade de fatores proteicos envolvidos em desenvolvimento e manutenção de pele humana saudável”, diz a médica.

A investigação clínica, segundo o artigo, demonstrou melhora significativa dos sinais clínicos do envelhecimento cutâneo intrínseco e extrínseco, achados que foram confirmados por mudanças significativas na morfologia da pele, em proteínas de hidratação da pele como filagrina, aquaporina e conteúdo de colágeno I. “Os dados apoiam fortemente a hipótese de aplicação cosmética de secreções precursoras de linhagem de pele derivada de células-tronco, contendo fetuína e fatores de crescimento benéficos para o desenvolvimento e manutenção da pele humana, para influenciar positivamente o envelhecimento intrínseco e extrínseco”, concluiu o estudo.

A aplicação injetável de células-tronco na pele também vem sendo estudada. Um trabalho da Malásia concluiu que as células-tronco mantiveram suas propriedades celulares após serem injetadas na pele em injeções únicas e múltiplas, comprovando que podem ser usadas com segurança para fins clínicos e terapêuticos.

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Células-tronco vegetais

Se o desenvolvimento cosmético com células-tronco humanas demanda uma questão ética importante que precisa ser debatida, uma realidade pode ser obtida das células-tronco derivadas de plantas.

Em 2014, foi publicado na Dermatologic Clinics, o estudo Next Generation Cosmeceuticals – The Latest in Peptides, Growth Factors, Cytokines and Stem Cells que destacou: as células-tronco xenogênicas derivadas de plantas possuem propriedades antisenescentes, diminuindo o processo de envelhecimento celular.

No mesmo ano, artigo publicado no Plastic Surgical Nursing apontou vantagens das células-tronco vegetais ao afirmar que as células-tronco humanas têm a capacidade de se diferenciar em apenas um outro tipo de célula, enquanto as células-tronco derivadas de plantas são totipotentes, o que significa que elas têm a capacidade de criar uma planta totalmente nova.

“O papel da maioria desses extratos de células-tronco derivados da planta é proteger as células-tronco humanas, existentes que residem na camada basal da pele humana, de danos causados ao DNA e induzidos por radicais livres. O artigo afirma que pesquisas recentes identificaram que extratos de células-tronco da planta apresentam atividade antioxidante substancial comprovada para proteger as células-tronco da pele desse estresse oxidativo induzido pelo ultravioleta, além de inibir a inflamação, neutralizar os radicais livres e reverter os danos de fotoenvelhecimento”, diz a médica.

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Como resultado, prossegue o estudo, os produtos cosmecêuticos agora estão incorporando esses extratos derivados de células-tronco da planta para promover a proliferação celular saudável e proteger contra danos celulares induzidos pelos ultravioletas em seres humanos. “Embora existam potencialmente muitas células-tronco botânicas que poderiam proporcionar benefícios à pele, a maior parte da pesquisa tem sido focada em três: a planta lilás, a uva e a maçã suíça”, finaliza.

*complexo proteico multienzimático envolvido em diferentes passos do processamento e degradação de vários tipos de moléculas de ARN (ácido ribunocleico), por meio da sua atividade exonucleolítica. Os complexos do exossoma podem encontrar-se tanto em células eucariotas como nas arqueobactérias. Nas bactérias equivale a um complexo mais simples, o degradossoma, que desempenha funções similares. 

Fonte: Thais Pepe é especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

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Dia Mundial do Chocolate: dependendo do tipo, ele pode ser benéfico ou maléfico

É possível aproveitar o Dia Mundial do Chocolate, comemorado hoje, 7 de julho, com boas escolhas para sua pele: enquanto o chocolate ao leite e o branco podem piorar inflamação da acne, opções mais amargas, que trazem alta concentração de cacau, têm efeito anti-idade

Sempre quando falamos de chocolate surgem dúvidas quanto aos benefícios ou malefícios do cacau à pele. “Eficaz contra o mau humor, além de trazer sensação de bem-estar, o chocolate deve ser consumido com parcimônia; as versões brancas e ao leite devem ser evitadas, por conta da quantidade de açúcar e gordura presente nesses produtos, que podem favorecer a inflamação e envelhecer a pele. Enquanto o chocolate amargo é uma excelente opção para oferecer benefícios antioxidantes”, afirma a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Academy of Dermatology.

Chocolate e acne

mulher jovem acne espinha

A principal dúvida com relação aos chocolates é se eles causam ou não acne. De acordo com a médica, o cacau em si é um alimento extremamente benéfico e a sua concentração não está relacionada ao surgimento ou piora da acne, pelo contrário: esse ingrediente é um aliado da saúde e da pele.

“Ele é um poderoso antioxidante e ajuda a promover luminosidade e hidratação. O cacau contém flavonoides, que são fitonutrientes com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Eles [flavonoides] auxiliam na proteção aos danos dos raios UV, prevenindo as rugas e combatendo os radicais livres que ajudam a deixar a pele mais brilhante e saudável”, afirma a dermatologista.

Portanto, que fique bem claro: o cacau não causa espinhas. O problema está no açúcar e nas gorduras. “Alimentos com gorduras, açúcares e hidratos de carbono, como os chocolates ao leite e branco, têm alto índice glicêmico. Muitos estudos sugerem que a alta carga glicêmica na dieta habitual está envolvida com a ocorrência e gravidade da acne vulgar em pacientes predispostos, na medida em que favorece a hiperinsulinemia que, em consequência, influencia no crescimento epitelial folicular, na queratinização e, também, na secreção sebácea e desenvolvimento de acne. A gordura e o leite presente em chocolates podem colaborar também para o agravamento do quadro”, explica a dermatologista.

Estudos realizados pela Universidade de Miller School of Medicine, em Miami (EUA), mostraram que as pessoas que comeram mais chocolate (branco e ao leite) tiveram aumento de acne e da inflamação na pele.

Chocolate amargo

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Chocolates com mais de 50% de cacau e o padrão ouro (com mais de 70%) fornecem os benefícios antioxidantes dos flavonoides do cacau e podem ser ricos em vitamina C, vitamina E, cálcio, fósforo, ferro, potássio e sódio.

“De forma geral, o chocolate amargo tende a ser uma boa opção – com menos quantidade de carboidratos e açúcar, pois ele ajuda a combater doenças cardiovasculares, tem ação antioxidante e anti-inflamatória. Além disso, as versões deste chocolate com oleaginosas trazem mais benefícios e nutrientes, principalmente para pacientes com pele seca”, diz. Mas atenção à dose: 30 gramas ao dia é o recomendado – portanto uma barra de chocolate pode ser consumida, em média, em uma semana.

Chocolates não recomendáveis

“O ideal é evitar os chocolates ao leite e branco, que possuem mais gordura e açúcar, ambos envolvidos com o processo de inflamação e aceleração do envelhecimento da pele”, explica. Pacientes de pele oleosa devem evitar esse tipo de chocolate principalmente se ele ainda tiver amendoim e castanhas, que trazem mais gorduras saturadas (e muitas vezes mais açúcar) para a pele e as glândulas serão as responsáveis por excretar este acúmulo de gordura.

“Além disso, sabemos que alimentos com alto índice glicêmico são mais inflamatórios levando ao estresse oxidativo e glicação”, finaliza a médica.

Fonte: Claudia Marçal é dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School

Alterações nas unhas podem indicar problemas de saúde

Pode não parecer, mas as unhas não têm apenas função estética, sendo também extremamente funcionais. Além de oferecer proteção às pontas dos dedos, as unhas também servem para indicar quando algo pode estar errado em nosso organismo.

“O diagnóstico das unhas pode indicar desde doenças sérias até falta de vitaminas. Por exemplo, unhas quebradiças e com manchas brancas podem representar tanto uma simples alergia causada por produtos como esmaltes, detergentes e sabonetes, como podem ser indícios de problemas relacionados a carência de ferro, ácido fólico e vitamina B12″, explica a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD).

Por isso, é sempre bom ficar de olho em mudanças na coloração, no formato e na textura das unhas, que devem permanecer sempre fortes, transparentes e lisas. Segundo a especialista, unhas alargadas, curvadas para baixo e com coloração arroxeada podem ser sinal, por exemplo, de doenças cardíacas e problemas que afetam a circulação, como asma e bronquite.

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Foto: Mouthhealthy.org

“Já unhas amareladas, grossas e com dificuldade de crescer podem ser sinal de doença pulmonar ou artrite reumatoide”, afirma a médica. “Além disso, mudanças como o descolamento da unha, coloração preto esverdeada, vermelhidão e inchaço podem ser resultados de uma infecção bacteriana ou fúngica grave.”

É possível ainda que as alterações nas unhas sejam sintomas de problemas mais sérios, como psoríase, se apresentarem depressões puntiformes, superfície rugosa e enfraquecimento, ou diabetes, quando as unhas se tornam grossas, avermelhadas e com pequenas veias ao redor, podendo ocasionar também micoses frequentes, engrossamento e endurecimento das pontas dos dedos.

“É importante ainda que você fique atento a formação de manchas escuras sob as unhas. Isso por que, além de estarem relacionadas a micoses, uso de alguns medicamentos e pequenos traumatismos nas regiões, essas faixas negras podem indicar, em casos mais graves, câncer do tipo melanoma, o mais grave câncer de pele”, alerta a médica.

Mas nem todas as mudanças nas unhas são realmente perigosas, podendo ser causadas, por exemplo, por pequenos traumas, como roer as unhas, ou pelo uso constante de produtos de limpeza sem a proteção de luvas. Para evitar este problema, é importante tomar alguns cuidados como adotar uma alimentação saudável, de preferência rica em proteínas, ingerir de 2 a 3 litros de água por dia, fazer uso diário de hidratantes e evitar a exposição prolongada à água e detergentes.

“O ideal é que você evite também retirar completamente as cutículas. Isso por que elas têm função de proteção e impedem a passagem de água e outras substâncias nocivas para dentro da matriz da unha, favorecendo o crescimento de fungos responsáveis por alterações passageiras”, destaca a dermatologista.

De qualquer forma, é interessante sempre observar o estado de suas unhas. Para isso, o recomendado é não utilizar esmaltes por, pelo menos, 10 dias no mês, sendo assim possível acompanhar qualquer tipo de alteração.

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“Porém, dificilmente uma doença será descoberta somente por conta dessas mudanças nas unhas. É importante que a suspeita de doenças sérias seja avaliada com diferentes tipos de exame até o diagnóstico final. Por isso, você deve consultar um dermatologista regularmente e relatar para ele sempre que você notar qualquer mudança em suas unhas. Assim, ele poderá diagnosticar o problema e indicar o melhor tratamento para cada caso”, finaliza Valéria.

Fonte: Valéria Marcondes é Dermatologista da Clínica de Dermatologia Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com título de especialista e da Academia Americana de Dermatologia. Foi fundadora e é membro da Sociedade de Laser

Inverno pode agravar diversas doenças dermatológicas

Baixas temperaturas podem desencadear inclusive, as dermatites e a psoríase

Com a chegada do inverno nesta quinta-feira, 21 de junho, e das baixas temperaturas, é comum o surgimento de diversas doenças, inclusive dermatológicas. Nesta época do ano, costumamos tomar banhos mais quentes e demorados, transpiramos menos, o que ocasiona a diminuição da proteção natural da pele, deixando-a, mais seca e frágil.

De acordo com a dermatologista Monalisy Rodrigues existem algumas doenças que são mais comuns na época do frio. A dermatite atópica é mais comum em crianças, principalmente entre aquelas que apresentam alguma alergia respiratória. Já a dermatite seborreica, é conhecida pelo aparecimento de placas que descamam, como caspas no couro cabeludo e/ou pele, sendo mais frequente no rosto, tronco e costas.

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Segundo Monalisy, outra doença que está propensa a manifestar-se nessa estação é a psoríase. Trata-se de uma doença inflamatória crônica e nesta época do ano pode apresentar placas avermelhadas com descamação e coceira em muitos casos. A psoríase pode acometer a pele, cabelos e unhas. “ Para pacientes com psoríase, recomendo um cuidado maior com a pele, mantendo uma hidratação adequada e caso não haja melhora é aconselhável procurar um dermatologista.

A dermatologista ressalta que alguns fatores contribuem para que as doenças de pele apareçam. Um dos principais sinais é a diminuição da oleosidade natural da pele, que ajuda na proteção contra a penetração de bactérias, fungos, vírus e agentes que desencadeiam alergias. Essa camada diminui durante o tempo frio porque transpiramos menos. Assim, as células que produzem a gordura trabalham menos. Somado a isto o hábito de banhos quentes e demorados agravam o ressecamento da pele.

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“Para prevenir que a pele fique desidratada, sem viço e suscetível a diversas doenças, recomendo que as pessoas usem hidratantes corporais logo após o banho à base de ceramidas, ureia, óleos vegetais essenciais e antioxidantes. Podemos também optar por banhos mais mornos e utilizar sabonetes neutros, evitando assim o ressecamento intenso da pele”, esclarece Monalisy.

Por fim, a médica diz ser muito importante um acompanhamento dermatológico no caso do aparecimento de doenças, para que sejam indicados os tratamentos e produtos mais adequados para as características de cada pele.

Fonte: Monalisy Rodrigues é médica, graduada pela Universidade Gama Filho, na cidade do Rio de Janeiro/ RJ. Após conclusão do curso de Medicina, foi para Belo Horizonte/MG, onde fez residência em Clínica Médica, em seguida concluiu Pós-Graduação em Dermatologia e Medicina Estética pela Sociedade Brasileira de Medicina Estética (SBME), com sede no Rio de Janeiro/RJ

 

Festa Junina: maquiagem em crianças pode causar reações alérgicas

Pele dos pequenos é mais sensível, sendo assim mais suscetível a irritações e dermatites. Saiba que cuidados tomar para evitar estas complicações

Cuidado com a temporada de festas juninas e a hora de preparar o seu caipirinha para dançar a quadrilha. Bigodes nos meninos e a bochechas pintadas nas meninas são marcas registradas dessa época, mas, segundo a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD), é importante que os pais fiquem alerta na hora de maquiar seus filhos.

“A pele das crianças é mais sensível e fina e, por esse motivo, as substâncias químicas presentes nas maquiagens cosméticas são absorvidas com maior intensidade”, explica. De acordo com a especialista, ao utilizar maquiagem comum ou produtos não apropriados para crianças, o maior risco é o dos pequenos desenvolverem algum tipo de irritação ou reação alérgica, que podem aparecer em até 24h depois da exposição ao produto.

“Já que não existe maquiagem 100% segura para as crianças, o recomendado para proteger a pele dos pequenos é a utilização de produtos hipoalergênicos, com baixa concentração de álcool e que podem ser retirados facilmente”, destaca. “Além disso, opte por maquiagens aprovadas dermatologicamente e sempre observe a validade dos produtos”, completa.

E os cuidados devem ir além da escolha dos produtos. Antes da maquiagem, por exemplo, o ideal é proteger a pele das crianças com um hidratante também hipoalergênico. “Na hora de maquiar, utilize esponjas e pincéis macios, para não machucar os pequenos, e evite as áreas muito próximas aos olhos, que são mais sensíveis. Depois da festa, realize a higienização da pele assim que possível, utilizando demaquilantes cremosos que sejam oil free, hipoalergênicos e não contenham álcool em sua composição”, aconselha a dermatologista.

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Quanto mais cedo a criança entra em contato com esses produtos químicos, maiores são as chances de o organismo se sensibilizar e desenvolver alergias. Por isso, se seu filho já apresenta alguma sensibilidade, não insista na aplicação da maquiagem. “Caso você note alguma alteração na pele dos pequenos, interrompa imediatamente o uso do produto e consulte um dermatologista para que ele indique o tratamento adequado, evitando assim maiores complicações”, finaliza Valéria.

Fonte: Valéria Marcondes é Dermatologista da Clínica de Dermatologia Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com título de especialista e da Academia Americana de Dermatologia. Foi fundadora e é membro da Sociedade de Laser

Dos naturais aos convencionais: as diferenças entre os tipos de cosméticos

Busca por produtos naturais desperta cada vez mais interesse, mas ainda há dúvidas sobre como distinguir cosméticos verdadeiramente naturais dos convencionais

Se por um lado as pessoas estão mais conscientes sobre a própria saúde e a saúde do planeta, por outro lado ainda há um longo caminho a percorrer para que todos possam tomar melhores decisões sobre os produtos que consomem. Apesar do aumento da procura por marcas naturais e ecologicamente responsáveis, ainda há uma carência de informações que permitem identificar prontamente quais produtos são, efetivamente, aquilo que dizem ser na rotulagem.

Para evitar levar “gato por lebre”, o primeiro passo é identificar os tipos de cosméticos disponíveis no mercado: natural, orgânico, pseudonatural e convencional. Entender a diferença conceitual entre cada um deles é importante, por exemplo, para reconhecer produtos que parecem ser naturais, apesar de apresentarem esses ingredientes em pequena porcentagem.

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“Todos os cosméticos são compostos por cinco classes (tipos) de ingredientes: base, fragrância, aditivo, conservante e princípio-ativo. Cada um desses itens tem uma função específica na formulação do produto”, explica a dermatologista Patrícia Silveira, especializada em cosméticos naturais.

Desta forma, um produto é considerado “natural” quando todas as classes de ingredientes são formadas por itens advindos da natureza (vegetal, mineral ou animal), sem que tenham perdido suas propriedades originais no processo de fabricação. Os orgânicos possuem ingredientes naturais advindos de culturas orgânicas e biodinâmicas.

Por isso, todo cosmético orgânico possui ingredientes naturais em sua composição, mas nem todo cosmético natural possui ingredientes orgânicos. “Podemos usar como exemplo o morango. Todo morango é natural, mas nem sempre é orgânico. A mesma analogia se aplica aos ingredientes naturais utilizados nos cosméticos”, explica a dermatologista.

De acordo com Patrícia, nas formulações com ingredientes naturais e orgânicos, todos os conservantes, corantes e fragrâncias são de origem natural. Por exemplo, os óleos essenciais, muito utilizados nestes produtos, são conhecidos pela sua capacidade aromatizante, mas também atuam na conservação do produto e, muitas vezes, como princípio-ativo, devido às propriedades antioxidantes que possuem.

Os cosméticos pseudonaturais, por sua vez, embora frequentemente estejam posicionados como naturais, têm apenas algumas das classes de produtos – normalmente o princípio-ativo – com itens naturais. “As demais são formadas por elementos sintéticos, geralmente derivados do petróleo”, explica a especialista.

Por fim, produtos convencionais são integralmente formulados com ingredientes artificiais. Nesses, o uso de parabenos e outros conservantes, como glicóis, BHT (hidroxitolueno butilado) e EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético), são frequentes.

cosmetico creme

Estudos recentes publicados em periódicos internacionais de grande relevância (como Journal of Pharmacy and Pharmacology, Environmental Medicine, Institute of Pharmacology Polish Academy of Sciences e Polish Archive of Internal Medicine) mostram que essas substâncias são tóxicas para o organismo, podendo causar reações alérgicas e outros problemas à saúde.

Saber diferenciar os cosméticos é importante por várias razões. A primeira, e mais óbvia, é que produtos naturais e orgânicos são biodegradáveis e seu uso gera menor – ou nenhum – impacto ao meio ambiente. Outro motivo é que a pele, maior órgão do corpo, sente a diferença e sofre com as consequências da escolha do que é aplicado nela.

“Os cosméticos naturais possuem uma formulação mais suave, com ativos anti-inflamatórios, calmantes, e ricos em antioxidantes naturais presentes em inúmeros extratos e óleos vegetais. Além disso, abusa da biodisponibilidade (que diz respeito ao percentual de aproveitamento, pelo organismo, de uma substância), com ingredientes que atuam de maneira mais sinérgica, promovendo benefícios reais. Considerando que de 60% a 70% do que passamos na pele é absorvido e cai na corrente sanguínea, é fundamental sabermos o que aplicamos nela”, destaca a dermatologista.

De acordo com a médica, ativos derivados do petróleo não apresentam boa penetração na pele e não têm gordura rica em substâncias antioxidantes e regeneradoras. “Em compensação, os óleos vegetais são ricos em vitamina E e têm uma ótima penetração. Por isso, promovem uma hidratação mais eficaz, levando os benefícios antioxidantes dos ácidos graxos às camadas mais profundas da pele, deixando-a mais saudável, com maior elasticidade e resistência”.

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Diferenciar as várias opções de cosméticos pode ser um desafio. O primeiro passo é procurar por certificações que atestem a origem de produtos naturais e orgânicos. Os principais são o Natrue, IBD, Ecocert e USDA. Além disso, decifrar a indigesta lista de ingredientes é fundamental para reconhecer quais sãos os principais itens sintéticos, compostos principalmente por derivados do petróleo.

“Já existem alguns aplicativos, como o EWG’s Healthy Living, que têm como objetivo ajudar a reconhecer a origem dos componentes de muitos produtos”, orienta Patrícia.

Fonte: Weleda

 

Açúcar endurece as fibras de sustentação da pele e ajuda no envelhecimento

 

Um dos sete marcadores do envelhecimento está todo dia na mesa durante as refeições: o açúcar. Nomeado como um dos Seven Skin Ages (sun, sugar, sleep, stress, skin care, smoking e second) no último Congresso de Dermatologia de Barcelona, o açúcar é perigoso, pois não está presente apenas nos doces: tudo que vira açúcar no organismo pode envelhecer a nossa pele se consumido em demasia.

“É importante se atentar para os carboidratos, farináceos brancos, que também se transformam em açúcar. Consumimos açúcar indiretamente o tempo todo para gerar energia. Se esse consumo for exagerado, este processo se acumulará no organismo e inicia-se a glicação”, afirma Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

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Foto: SweetLouise/Pixabay

A médica explica que a ingestão de açúcar em demasia na dieta colabora para um processo de glicação, no qual as fibras de colágeno e elastina endurecem por reagirem com esses açúcares. Com isso, elas perdem a questão da maleabilidade, da flexibilidade, da sustentação e ancoragem da pele. O açúcar também está ligado, segundo estudos, ao aparecimento de manchas.

“O acúmulo de AGEs (espécies avançadas de glicação) provocam ainda a perda da volumetria natural, que é o contorno e a sustentação além do tônus, e com isso inicia-se uma mudança da boa morfologia e da anatomia primária da pele jovem”, completa. Isso ocorre porque os AGES derivados de espécies avançadas reativas de glicação geram ação inflamatória e envelhecimento precoce de todo o sistema.

Quando ocorre a quebra, então, das proteínas do colágeno e da elastina, isso acontece, de acordo com Claudia, tanto em relação à derme papilar como à derme reticular. “Nós temos a quebra da elastina, fazendo uma ancoragem de sustentação mais profunda, e o colágeno do tipo 1, tipo 3 e do tipo 7 que está bem na junção de epiderme e derme. Com isso, há um processo de desnaturação dessas proteínas, ou seja, há uma perda do quadro de arranjo, do arquétipo natural da pele, que é desestruturado com consequente perda de proliferação com relação às células e também a matriz extracelular onde está localizado o ácido hialurônico. Ou seja, existe uma desorganização da arquitetura da pele e uma fratura das proteínas de sustentação.”

A consequência disso é que a sustentação da pele é desestabilizada e há uma consequente aparição de volumetrias negativas, ou seja, depressões e a formação de linhas, de rugas e de vincos cada vez mais profundos. A dermatologista ainda lembra que o excesso de açúcar no corpo também contribui para piorar a acne na pele: “Isso acontece porque neste cenário existe uma inflamação e, com a presença do açúcar, há um processo de piora”.

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Como combater

Graças aos estudos e avanços tecnológicos na área, existem no mercado produtos que agem como antiglicante e deglicante (revertendo o processo de glicação). “O nutracêutico Glycoxil é um peptídeo biomimético da carcinina que atua como antioxidante, antiglicante e desglicante, possui a capacidade de bloquear o açúcar excedente, impedindo que se liguem as proteínas ao colágeno. Ele também desliga o açúcar que se ligou ao colágeno revertendo o processo. Dessa forma, devolvemos as proteínas as suas características iniciais e funcionais. E também por proteger da ação dos raios UVB, protege o DNA celular dos danos oxidativos. A associação com silício orgânico biodisponível Exsynutriment age melhorando o aspecto da pele, dando mais firmeza”, explica a dermatologista.

Para potencializar, o uso tópico é fundamental: “Alistin é a opção tópica do Glycoxil, também impedindo essa reação de glicação”, explica. De qualquer forma, a dermatologista pontua que antes de adquirir esses produtos, é importante ter prescrição médica. Os itens podem ser encontrados em farmácias de manipulação.

Fonte: Claudia Marçal é dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School

‘Receitas da vovó’ podem trazer riscos à saúde da pele

Muitas receitas caseiras podem esconder problemas sérios e, em vez de oferecerem tratamento, podem irritar a pele

Receitas naturais ou caseiras são excelentes para a pele e não oferecem nenhum malefício, certo? Errado! “Muitas substâncias colocadas na pele podem provocar ou piorar alergias, irritações ou até mesmo a acne. É necessário sempre procurar ajuda de um dermatologista”, explica Jardis Volpe, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O médico analisa abaixo os mitos e verdades de algumas receitas caseiras no tratamento da pele:

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Pasta de dente nas espinhas – não é incomum encontrar pessoas que acreditam que a pasta de dente é um santo remédio contra a acne. “Realmente, ela pode até secar a acne, em função de alguns componentes: bicarbonato de sódio, peróxido de hidrogênio, álcool, mentol, óleos essenciais e triclosan. Mas ela traz alguns riscos, como vermelhidão, irritação e descamação – e em alguns casos, pode até queimar a pele”, afirma o médico. O melhor a fazer no caso de muitas espinhas é procurar um médico, mas no caso das isoladas uma receita caseira seria dissolver um comprimido de aspirina com um pouco de água até que se forme uma pasta e aplicar com um cotonete em cima da lesão de acne, deixando agir durante à noite. “O ácido salicílico é anti-inflamatório”, explica.

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Aplicar colírio na acne avermelhada – “O colírio para olhos vermelhos contém agentes vasoconstritores, que fecham os vasos, causando uma contração e melhorando a vermelhidão de uma espinha isolada. Não costumo recomendar porque esses agentes causam um efeito rebote grande e a vermelhidão pode voltar mais forte e o efeito é muito temporário”, explica. No caso de emergências, o médico dá outra receita: “Podemos utilizar aplicação de gelo envolto em um tecido ou bolsas pequenas de gelo, por alguns minutos. O gelo é anti-inflamatório e faz desinchar a espinha rapidamente, reduzindo o inchaço. Mas só funciona em espinhas isoladas, daquelas vermelhas e internas, sem coloração amarelada. Logo após, pode-se aplicar um creme com ácido salicílico ou peróxido de benzoíla.”

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Clara de ovo para diminuir as linhas de expressão – por conter albumina, a clara do ovo é utilizada em algumas receitas caseiras para promover efeito anti-idade. “A albumina tensiona a pele, com um efeito imediato, logo depois que seca, principalmente em peles oleosas. Muita gente retirava a clara com água morna e depois aplicava água bem gelada, para aumentar ainda mais a tensão da pele. Mas, não existe nenhuma evidência para tratamentos de linhas de expressão e o efeito tensor ocorre pontualmente, não funciona como tratamento”, garante o médico. Hoje em dia, uma boa aposta é o uso de produtos com ativos antioxidantes, tensores e vitamina C, capazes de promover uma renovação celular e diminuir as linhas de expressão – com efeito imediato e de tratamento. Outra aposta é o uso dos nutracêuticos que promove melhoria da qualidade do colágeno, como Exsynutriment e Bio-Arct.

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Açúcar com limão para esfoliar a pele – o açúcar deslizando com o limão na pele provoca a sensação de limpeza e esfoliação. Mas embora o limão tenha características adstringentes, em contato com o sol, o efeito pode ser desastroso e manchar a pele. “Além disso, pode causar ressecamento e alergias”, explica. A maneira mais segura para esfoliar a pele é utilizar produtos específicos, diz Jardis. “É importante saber que quem tem a pele mais fina e delicada deve optar por produtos mais suaves com grãos esfoliantes regulares em fórmulas com ativos calmantes. É fundamental que, logo após a esfoliação, a pele seja profundamente hidratada. Por isso, recomendo produtos com Ácido hialurônico, vitaminas C e E. Para diminuir as irritações, utilizar cosméticos à base de aloe vera e alphabisabolol que acalmam e hidratam.”

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Rodelas de pepino nos olhos para tirar olheiras – as pessoas acreditavam nesse tratamento porque o pepino não só tem efeito de resfriamento, mas também ajuda a melhorar a cor da pele ao redor dos olhos. “Funciona, sim. Mas é um efeito paliativo. O pepino também ajuda a aliviar os olhos depois de um longo dia de trabalho”, afirma. Embora não tenha risco, esse tratamento exige 15 minutos do seu dia e, hoje, já existem muitos cremes que, no caso de olheiras, podem tratar e camuflar a pigmentação.

Fonte: Jardis Volpe é dermatologista, diretor clínico da Clínica Volpe (São Paulo). Formado pela Universidade de São Paulo (USP); Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia; Membro da Sociedade Americana de Laser, da SBD e da Academia Americana de Dermatologia; Pós-graduação em Dermatocosmiatria pela FMABC; Atualização em Laser pela Harvard Medical School.

Perfume é a segunda maior causa de dermatites de contato

A dermatologista Valéria Marcondes explica por que alguns produtos causam reações alérgicas e o que fazer nesses casos

Perfumes são produtos que fazem parte do dia-a-dia de qualquer pessoa, chegando a ser parte da identidade de cada um. Porém, segundo estudos, a fragrância presente nestes produtos é uma das principais causas de alergias na pele, conhecidas como dermatites de contato.

“Dermatites de contato são reações alérgicas e inflamatórias da pele causadas pela exposição do paciente a algum princípio ativo ou substância a qual ele tem sensibilidade. Apesar de não serem contagiosas, as dermatites podem atingir o corpo todo, causando irritação, vermelhidão e descamação na pele”, explica a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD).

Segundo a especialista, para se definir o causador da alergia, pode-se realizar um teste de contato, onde os componentes do perfume são individualizados e aplicados na pele. Após isso, espera-se 48 horas e é medido o nível de vermelhidão, descamação e irritação que esses componentes causaram na local de aplicação. Porém, mesmo com este teste, é muito difícil definir o que exatamente causa a irritação, devido a complexa mistura de ingredientes sintéticos e naturais contidos nos perfumes.

frascos de perfume

“Para se ter uma ideia, o perfume possui cerca de 14 ingredientes químicos em sua fórmula. Por isso, muitas vezes, é difícil de individualizar qual é componente ao qual o paciente tem alergia. As dermatites podem ocorrer devido a qualquer um dos componentes presentes nestes produtos, desde conservantes, como os formaldeídos e acetaldeídos, até fragrâncias, como o linalol e o limoneno”, afirma Valéria.

Por isso, é importante adotar alguns cuidados para evitar o surgimento das dermatites. Por exemplo, o ideal é nunca passar o perfume diretamente na pele, mas sim por cima da roupa, sempre lavando as mãos após a aplicação. “Optar por produtos mais naturais e menos sintéticos também é uma boa medida. Para quem já sabe que possui alergia às fragrâncias, recomendo procurar perfumes hipoalergênicos”, destaca a dermatologista.

A médica ainda alerta sobre a importância de atentar-se para os rótulos de produtos cosméticos tópicos, que também podem conter fragrâncias que causam dermatite. O recomendado é sempre preferir produtos livres de fragrâncias ou sem perfume.

Woman smelling perfume on her wrist
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“Para prevenir o aparecimento de irritações, você também pode fazer um teste de contato em casa. Para isso, aplique uma pequena quantidade do produto em uma parte do braço e então aguarde para conferir se o produto não lhe causa nenhuma irritação”, recomenda a médica, acrescentando: “Caso ocorra alguma reação alérgica, procure um dermatologista para receber orientações médicas.”

Fonte: Valéria Marcondes é dermatologista da Clínica de Dermatologia Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com título de especialista e da Academia Americana de Dermatologia. Foi fundadora e é membro da Sociedade de Laser

Carnaval: guache, glitter, maquiagem e spray no cabelo podem ser usados?

Todo o brilho do carnaval requer alguns cuidados. E para aproveitar os dias de folia sem reações alérgicas, a dermatologista Valéria Marcondes explica como fugir dos problemas

Carnaval combina com fantasias, brilhos, tintas, sprays, lantejoulas, glitters e purpurinas. Tudo muito colorido. Mas alguns dos adereços que ficam em contato com a pele podem causar reações alérgicas. Por esse motivo, a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD), explica os principais cuidados com maquiagens e adereços usados para compor ou incrementar as fantasias dos foliões.

“O risco mais comum é o de reação alérgica e os sintomas não são necessariamente imediatos. O inchaço e vermelhidão podem aparecer até 24 horas depois da exposição ao produto”, explica a dermatologista. Saiba mais sobre os riscos:

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Tinta no cabelo –  sprays de tinta de cabelo devem ser usados com cuidado. “Eles contam com pigmentos temporários e de fácil remoção, mas apesar disso podem causar reação alérgica”, diz a médica. “O recomendado é fazer um teste antes de usar, passando um pouco do produto na região anterior ao antebraço. Além disso, logo após a folia, lave bem o couro cabeludo e os fios”, orienta a dermatologista. Caso a tinta não seja bem removida, ela pode ressecar o couro cabeludo e causar descamação. “Pessoas com tendência à dermatite seborreica devem evitar a tinta em spray no cabelo”, conta.

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Tinta guache – algumas substâncias não são próprias para a pele e podem causar alergia. Por isso, Valéria orienta a evitar tinta guache e pincéis atômicos – como as canetas usadas para quadro branco -, já que não são próprios para a pele. “Se a tinta for imprópria para ser usada na pele, há o risco de um quadro alérgico que, além de dermatite, pode prejudicar até mesmo a parte respiratória da pessoa”, afirma. Pessoas que já possuem alergia a um determinado tipo de substância devem verificar o rótulo do produto antes de utilizá-lo, evitando assim as reações alérgicas mais graves. “Opte por maquiagens aprovadas dermatologicamente e que estejam, principalmente, dentro da validade”, diz. O uso do demaquilante e sabonete de limpeza é obrigatório ao final do dia, para retirar os resquícios de maquiagem e tintas próprias para a pele.

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Glitter –  pode ser aplicado em todo o rosto e corpo, mas dê preferência aos específicos de maquiagem, que são feitos de plástico não-tóxico. “A cor deles não irrita e não mancha a pele e esse glitter cosmético é mais fino”, conta a especialista. Mas é necessário ter cautela ao aplicar na região dos olhos: “Evite aplicar muito próximo aos olhos, pois são mais sensíveis e para que não grudem nos cílios, evitando pequenas lesões nas córneas e conjuntivite”, afirma. Outro cuidado é com relação a como colar o produto: “Use maquiagem, como corretivos e sombras cremosas, como cola para glitter, esse é o segredo para não irritar a pele.” Áreas com feridas ou irritadas também não deve receber o glitter, pois há risco de contaminação e piora da lesão. Ao final do dia, é necessário usar um removedor de maquiagem à base de óleo específico para a região dos olhos, e limpar de dentro para fora, para diminuir o risco de cair no seu olho. “Use um disco limpo de algodão a cada passada, até que o brilho tenha sido removido”, sugere.

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Purpurina e lantejoulas –  também fazem parte da composição das fantasias carnavalescas, mas segundo a médica, quando compramos esses enfeites, deixamos guardados por muito tempo, não observando a validade do produto quando se vai usar novamente. “Por isso, fique atenta a esse fato para não sofrer com alergias”, afirma.

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Adesivos –  nesse período, muita gente experimenta novos produtos no rosto e, para evitar o problema, procure por adesivos e tintas que são específicos para a face ou teste o produto em um pequeno espaço de pele com antecedência.

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Neves artificiais – outro cuidado importante, que não é aplicado na pele, mas pode ter contato com ela, é com relação às neves artificiais. “Seu uso requer cuidados, devido às substâncias que, em contato com a pele, podem causar reações alérgicas e urticárias, e irritações nos olhos e garganta. As crianças são as mais propensas a desenvolver esse tipo de reação, pois brincam com a espuma e levam as mãos no rosto. Antes de comprar, sempre cheque se o produto possui liberação da Anvisa para ser comercializado”, recomenda. As espumas não devem ser inaladas, ingeridas nem expostas a calor excessivo (mais de 50º C). “Também se deve evitar o contato do produto com os olhos e mucosas. Em caso de ingestão, não provoque vômito e procure imediatamente um centro de intoxicações mais próximo ou o médico, levando o rótulo do produto”, diz a médica.

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Escolha das maquiagens – para a dermatologista, justamente por causa do suor, as makes à prova d’água são as mais indicadas. “Elas evitam que a maquiagem escorra e atinja os olhos ou irrite as regiões do pescoço e nuca. Além disso, a textura oil-free também é uma ótima alternativa, já que confere mais aderência à pele e evita o brilho extra”, explica. Após a limpeza da pele para retirar a maquiagem, hidratantes com ativos calmantes e água termal podem ser usados.

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Preparação da pele – Carnaval é folia, mas é necessário ter cuidados. O filtro solar é o item mais importante – e ele pode ser de toque seco, para controlar a oleosidade excessiva, e ainda ter cor de base. “Procure limpar a pele com solução micelar, que não desidrata, antes de começar a se maquiar. Após esse passo, você pode aplicar um primer, que ajuda o make a aderir melhor à pele. Por fim, o filtro deve ter no mínimo FPS 30 para evitar os danos provocados pelas radiações solar”, explica.

Por fim, a dermatologista lembra que, se o paciente notar irritação na pele, urticária (vergões vermelhos) ou qualquer anormalidade, deve procurar imediatamente o médico. “A gravidade das reações varia de pessoa para pessoa, mas é necessário a consulta médica para que o tratamento seja rápido e evite complicações”, finaliza.

Fonte: Valéria Marcondes é dermatologista e tem uma clínica de dermatologia com seu nome. É membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com título de especialista e da Academia Americana de Dermatologia. Foi fundadora e é membro da Sociedade de Laser