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Amigos podem ser um fator positivo para a saúde

Aproveitando que hoje é o Dia do Amigo, você já se perguntou como seria uma vida sem amigos? Sejam próximas ou distantes, físicas ou virtuais, as amizades carregam lembranças positivas e trazem grande apoio à vida das pessoas. A ciência ratifica o que a vida mostra na prática: os laços afetivos podem ser um fator positivo para a saúde e para a qualidade de vida.

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“A amizade traz bem-estar subjetivo, o que pode contribuir para melhorar, também, a nossa resposta imunológica. E pode ser fator de proteção para transtornos mentais e até para o risco de suicídio. Nossas relações podem influenciar positivamente também um tratamento de saúde. Ter uma boa rede de apoio (amigos e família) ajuda a enfrentar melhor a doença, o tratamento, a possibilidade de uma cirurgia e/ou o período de internação. A busca por essa rede de apoio pode ser incentivada pelo profissional de saúde”, afirma a psicóloga do Hospital Rios D’Or, Mariana Guedes.

Pesquisa realizada pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) aponta que as relações podem ir além. Jorge Moll Neto foi o primeiro neurocientista no mundo a chegar a esta conclusão: fazer o bem ao próximo traz benefícios para si mesmo, pois realizar boas ações, ativa áreas do cérebro relacionadas com o prazer, o bem-estar e o sentimento de pertencimento.

“Observamos, em mapeamento cerebral por ressonância magnética, que os chamados ‘centros de recompensa’ do cérebro são ativados quando voluntários doavam para instituições de caridade. Mais importante, essa atividade era tão intensa quanto quando eles ganhavam direito para eles mesmos. Além disso, e de forma muito interessante, constatamos que ativou, de forma seletiva, duas regiões do cérebro (o córtex subgenual e a área septal) que estão relacionadas ao sentimento de apego, de pertencimento”, afirma Moll Neto.

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E completa: “Essas regiões estão envolvidas, por exemplo, no cuidado que uma mãe tem com o seu filho e na união entre casais. Ou seja, quando você age em favor de uma causa ou princípio importante, você está ativando um sistema que foi desenvolvido ao longo de milhões de anos para promover os laços familiares e de amizade”.

Fonte: Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR)

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Novos medicamentos para tratar endometriose melhoram qualidade de vida das pacientes

Muitas pesquisas têm sido feitas no desenvolvimento de medicamentos que podem ser usados para aliviar os sintomas associados à endometriose. Além dos medicamentos já estabelecidos, o principal deles no momento, e que foi recentemente lançado na Europa, é o Elagolix, que promete ser a nova sensação nos tratamentos do distúrbio.

Essa novidade foi apresentada durante o 4º Congresso da SEUD – Society of Endometriosis and Uterine Disorders (Sociedade de Endometriose e Desordens Uterinas), realizado em abril último, em Florença, na Itália. “O diferencial deste fármaco em comparação aos outros da mesma categoria é que se trata de um antagonista da GnRH que pode ser administrado por via oral, diferente de outros como Zoladex (acetato de gosserrelina), Lectrum (acetato de leuprorrelina), Lupron (acetato de leuprorrelina) que são injetáveis”, comenta o especialista em Medicina Reprodutiva Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO.

A endometriose é uma condição inflamatória crônica, dependente de estrogênio, caracterizada pela implantação de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e que afeta de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Os sintomas incluem dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica não-menstrual e dispareunia (dor na realção sexual), bem como os sintomas menos comuns, como dor na ovulação e ao urinar e constipação.

A dor associada à endometriose pode diminuir a qualidade de vida da paciente e resultar em uma carga econômica substancial. A dispareunia pode ter profundo impacto interpessoal e consequências psicológicas. A endometriose tem causas multifatoriais, incluindo menstruação retrógrada, fatores genéticos e ambientais, alteração do sistema imune e diferenciação ectópica (fora do útero) de células-tronco mesenquimais.

O estrogênio tem um papel necessário na fisiopatologia da endometriose, uma vez que promove o implante de endométrio no peritônio (tecido que reveste internamente o abdômen), traz efeitos proliferativos e antiapoptóticos (apoptose é a morte celular) nas células endometriais e estimula a inflamação local e sistêmica.

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Com base na “hipótese da importância do estrogênio”, a supressão completa do estrogênio pode não ser necessária para controlar a dor associada à endometriose, e o estrogênio pode ser ajustado a um nível adequado para controlar a dor, mas minimizar os efeitos hipoestrogênicos.

“Embora o tratamento cirúrgico por videolaparoscopia cirúrgica seja o “padrão ouro” para a resolução “definitiva” deste distúrbio, nem sempre a intervenção pode ser indicada, principalmente nas pacientes que são jovens e ainda não têm filhos. A indicação cirúrgica deve ser sempre ponderada quanto aos seus prós e contras”, alerta Cambiaghi.

As terapias de primeira linha para dor relacionada à endometriose incluem drogas antiinflamatórias não-esteroidais (AINEs) e contraceptivos orais contendo progesterona. As terapias de segunda linha envolvem formulações de depósito injetável de agonistas do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), como o acetato de leuprolide. Os agentes são eficazes e reduzem os níveis de estrogênio para níveis pós-menopausa e estão associados a efeitos colaterais (por exemplo, perda óssea progressiva e sintomas vasomotores graves – ondas de calor), que limitam seu uso a seis meses.

As opções médicas permanecem limitadas. As progesteronas, muitas vezes estão associadas a sangramento, ganho de peso e alterações de humor. Agentes androgênicos, como o danazol, estão associados à acne, hirsutismo e alterações no perfil lipídico. A ablação cirúrgica ou a excisão das lesões podem seja eficazes.

“O Elagolix é um antagonista oral e os estudos mostraram eficácia no controle tanto da dismenorreia quanto da dor pélvica não menstrual, com um perfil de segurança aceitável em uma dose (uma vez ao dia de 150 mg) que produza supressão parcial do estrogênio. O Elagolix (na dose de 200 mg duas vezes ao dia) levou à supressão quase completa do estrogênio”, finaliza o médico.

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Outros medicamentos na fase final de pesquisa:

·Relugolix: um antagonista seletivo não peptídico, atualmente está em fase III de ensaios clínicos para o tratamento da endometriose, do leiomioma uterino e do câncer de próstata.
·Linzagolix: é um antagonista de hormônio liberador de gonadotropina de pequena molécula, não peptídico, ativo oralmente (antagonista de GnRH) que está em desenvolvimento para o tratamento de útero leiomioma e endometriose.
·SKI 26 O70: antagonista do hormônio libertador de gonadotropina (GNRH), é um novo antagonista de GnRH não peptídico, ativo por via oral ainda nos estudos iniciais
.Vilaprisan (codinome de desenvolvimento BAY-1002670): é um modulador esteroidal seletivo de receptor de progesterona sintético (SPRM) que está em desenvolvimento para o tratamento de endometriose e miomas uterinos.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros

Ginástica íntima: exercícios que trabalham a saúde ginecológica feminina

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente 5% da população brasileira sofre com problemas de incontinência urinária, e mais de 30% de alguma disfunção sexual, dados que refletem os hábitos da vida moderna ou simplesmente o fator cronológico. Esses e diversos outros casos também podem ocasionar alterações na região, seja pela anatomia do corpo, mudança de postura, perda de massa muscular, doenças crônicas e pós-operatório, entre outros fatores.

Considerada uma verdadeira malhação íntima, o pompoarismo é um verdadeiro exercício da musculatura íntima da mulher, para reforçar o assoalho pélvico, melhorando a percepção e fortalecer a região, além de aumentar o prazer na hora da relação, uma vez que atua em prol da recuperação e estímulo da libido, e trabalha as questões emocionais e físicas.

A técnica foi desenvolvida há mais de 1.500 anos e era conhecida pela população da
Índia, Tailândia, Indonésia e outros países do Oriente, e aplicada uma vez por
ano em rituais de fertilidade. Milenares, os movimentos foram passados de geração para geração, e ganharam espaço em países do Ocidente, sendo recomendados por ginecologistas e fisioterapeutas.

Segundo a fisioterapeuta Nazete Araújo, para praticar o pompoarismo é necessário que a mulher tenha percepção de sua região íntima, o que pode ser facilitado com uso de acessórios como o colar tailandês, Ben-Wa. “Esses acessórios podem ser associados a exercícios na academia, à dança e demais atividades diárias, e podem, ainda, ser utilizados em dias alternados”, revela a especialista.

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“São pequenas cápsulas de formato anatômico, contendo peças de pesos diferentes que, ao serem inseridos no canal vaginal, trabalham o estímulo necessário para a melhora da sensibilidade da estrutura pélvica”, acrescenta.

A fisioterapeuta comenta, ainda, que para praticar os exercícios com cones vaginais é necessário fazer avaliação fisioterapêutica preventiva, específica dos músculos do assoalho pélvico para indicar o treinamento funcional, mais recomendado para cada situação.

“Quando uma aluna vai à academia, precisa ser avaliada para sabermos a capacidade de carga que consegue carregar. Para uso dos cones vaginais, não é diferente, pois precisamos verificar a capacidade funcional muscular vaginal, uma vez que os acessórios têm pesos que variam de 20 a 70 gramas. Portanto, a avaliação fisioterapêutica preventiva para o treinamento dos músculos do assoalho pélvico e para a manutenção dos exercícios é primordial”, explica.

Indicação e benefícios

Os exercícios podem ser feitos por mulheres a partir de 18 anos. O acompanhamento é considerado preventivo. “Toda mulher ao atingir a maior idade precisa fazer a avaliação do assoalho pélvico, de forma preventiva, uma vez que é um conjunto de músculos que tem a função de auxiliar na sustentação de alguns órgãos da bexiga, útero e intestino, por isso, se a musculatura não for estimulada, vai ficando flácida”, revela Nazete.

Os exercícios dos músculos circunvaginais são trabalhados de forma voluntária, ou seja, a mulher pode pensar e executar o movimento, e é preciso estar concentrada na realização das contrações musculares, uma vez que isso pode ser executado com velocidade, coordenação e resistência diferentes, o que é benéfico para fortalecer e controlar a região, evitar flacidez, prevenir queda de bexiga e incontinência urinária e fecal, prolongar o prazer sexual do casal  e elevar a autoestima.

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“É preciso que esses músculos estejam preparados para suportar as pressões
e mudanças posturais, ou seja, tenham força, resistência e coordenação. Essas iniciativas só são possíveis por meio de treinamento”, conclui Nazete.

Fonte: Nazete Araújo é fisioterapeuta uroginecológica e especialista profissional em fisioterapia na saúde da mulher. Tem ampla experiência nos cuidados, prevenção e tratamento das disfunções do assoalho pélvico.

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Inverno: medicamento manipulado pode minimizar dores em pets

Problemas nas articulações, dores musculares, traqueobronquite canina e rinotraqueíte felina são algumas doenças típicas da estação mais fria do ano e que podem ser tratadas de maneira eficaz com medicamentos manipulados.

“Apoiada em diversas pesquisas científicas e em um rigoroso controle de qualidade, a manipulação veterinária reúne matérias-primas importadas e, muitas vezes, exclusivas, garantindo a eficácia do tratamento. Além disso, o medicamento é manipulado na dose certa para cada tipo de animal, levando-se em conta seu porte, raça e características biológicas”, explica a veterinária da rede DrogaVET, Mariana Mauger.

Dessa forma, em uma mesma manipulação o medicamento pode reunir diferentes princípios ativos com o objetivo de tratar não só a doença principal, mas também aquelas associadas às características do pet, tais como a idade, a obesidade ou alergias. “Neste último caso, é possível tratar, por exemplo, a osteoartrose em forma de biscoito hipoalergênico. Já um animal obeso pode ser medicado com biscoitos que ajudam no emagrecimento, incluindo, na fórmula, os ativos chitosan e berinjela. Aos idosos com osteoartrose, a manipulação veterinária permite associar a Condroitina e um complexo antienvelhecimento como a Coenzima Q10 e o Ômega 3”, exemplifica a veterinária.

No caso da idade, a profissional salienta ainda que, a partir dos sete anos, o animal já tende a desenvolver doenças hormonais, articulares e a diminuir a musculatura, agravado pela diminuição das camadas de gordura eliminadas pelo organismo. Desse modo, se torna muito mais suscetível ao frio e ao vento gelado, característicos dessa estação.

Como saber se o meu animal está com dores articulares?

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As doenças articulares podem apresentar os seguintes sintomas:

Dores ao se locomover; maior tempo de repouso; indisposição para realização de atividades físicas; movimentos lentos; dores ao realizar ações normais do dia a dia, como subir uma escada e relacionados; mudanças de humor, irritabilidade ao fazer carinho pode ser sinal de dor.

Como proteger o pet do frio do inverno

Esta é a parte mais importante sobre inverno: como proteger os nossos melhores amigos das doenças típicas da época. Confira dicas:

=Manter o ambiente fechado e arejado, em temperatura amena;

=Vestir o animal com roupinhas de lã quentinhas;

=Cobertores e mantas em sua caminha/casinha;

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=Alimentação adequada e pote de água sempre cheio; 

=Fortalecimento do organismo com uso de suplemento nutricional – verifique a possibilidade com seu veterinário.

Seria o inverno um grande vilão aos animais idosos?

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Não. Assim como qualquer outra época do ano, o inverno traz doenças típicas de sua temperatura e umidade do ar. Cabe a nós, tutores, entendermos quais são estas doenças e quais os cuidados necessários para garantir saúde aos nossos pets nessas condições. Aliás, o inverno é muito bom para pegar o seu amigão no colo e apertar bem forte, curtir uma série ao lado do seu companheiro animal e vê-lo todo lindo vestindo as roupinhas compradas/feitas com muito amor e carinho.

Fonte: DrogaVET

 

Saiba como prevenir dores musculares e nas articulações durante o inverno

Além de favorecer o aumento dos casos de doenças respiratórias, o inverno costuma desencadear desconfortos físicos que vão muito além de tremores e calafrios. Nessa época do ano, um incontável número de pessoas também costuma sofrer com a sensação de fortes dores musculares ou nas articulações.

“O frio faz com que os nossos músculos e vasos sanguíneos se contraiam para diminuir os efeitos da queda de temperatura. E é justamente essa contração que costuma causar dores musculares e, em alguns casos, problemas de postura. Já as dores nas articulações, muito comuns entre os idosos, são provocadas quando o líquido sinovial – que auxilia a lubrificação das superfícies articulares – se torna mais espesso também em função do resfriamento corporal”, explica o fisiologista do HCor – Hospital do Coração, Diego Leite de Barros.

Para prevenir tais problemas, Barros explica que a melhor opção é não ficar parado. Segundo ele, muitas pessoas deixam de fazer exercícios com a chegada do frio. Porém, manter-se em movimento é justamente a melhor maneira de evitar os desconfortos físicos trazidos por esta época do ano.

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“Enquanto nos exercitamos, elevamos a nossa temperatura corporal – condição fundamental para a reversão dos processos que causam dores musculares e nas articulações. Além disso, fazemos com que o sangue seja bombeado com mais facilidade para locais onde costumamos ter mais frio – como as mãos e os pés –, o que também ajuda a nos manter aquecidos”, explica.

Para praticar atividade física nessa época do ano, porém, é preciso tomar algumas precauções. Pessoas idosas, sedentárias ou com mobilidade reduzida, por exemplo, devem optar por exercícios mais leves no início, como alongamentos, caminhadas ou, se possível, corridas em ritmo moderado. Pessoas que já praticam algum treino físico, devem continuar as suas atividades normalmente, porém, sem descuidar da hidratação, já que, no inverno, a sensação de sede tende a diminuir.

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“Em todos esses casos, também é importante fazer o aquecimento apropriado e sempre se agasalhar bem, principalmente, no caso de exercícios feitos ao ar livre. Contudo, é preciso evitar excessos. As roupas escolhidas para atividade física devem sempre favorecer a troca de calor com o ambiente”, recomenda. “Com todos esses cuidados é possível passar pelo inverno com disposição e de maneira ainda mais saudável”, conclui o fisiologista do HCor.

Fonte: HCor

Falta de sono pode prejudicar controle dos movimentos do corpo

“Jetlag social” causado por privação de sono no dia a dia pode provocar problemas de atenção em tarefas simples

Por Júlio Bernardes – Editorias: Ciências/Jornal da USP

 

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Obrigações sociais reduzem os períodos de sono, o que pode levar a problemas de atenção e concentração, além de mudanças abruptas nos horários de dormir e sonolência, fenômeno que é conhecido como “jetlag social”- Foto: Faisal Akram via Wikimedia Commons/CC 

A falta de sono no dia a dia também pode causar problemas de atenção e concentração em pessoas aparentemente saudáveis, fenômeno conhecido como “jetlag social”, comprova pesquisa com participação da Escola Politécnica (Poli) da USP. Em testes realizados com estudantes, o desempenho em tarefas simples que exigem controle dos movimentos do corpo era melhor às segundas-feiras, após as horas de sono compensadas no final de semana. A descoberta pode ajudar a entender quais as áreas do cérebro são afetadas pela privação de sono, comprometendo o controle corporal.

O professor Arturo Forner Cordero, que coordenou a pesquisa, conta que o Laboratório de Biomecatrônica da Poli estuda a modelagem do controle motor humano para a aplicação em robôs e exoesqueletos. “Para isso, são realizadas experiências de controle motor, como, por exemplo, simular tarefas de aprendizado, controle dos movimentos das mãos, em caminhadas e de postura”, diz. “Esses testes costumam ser realizados com alunos de graduação. Em determinados períodos, como no final dos semestres letivos, porém, o desempenho dos estudantes era ruim e não havia ideia do motivo.”

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Um dos experimentos realizados em pessoas com restrição de sono realizados na Poli é um teste de aprendizagem no qual é preciso apontar alvos projetados por um computador com o dedo – Foto: Cedida pelo pesquisador

Os pesquisadores realizaram um experimento com alunos do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, em Barbacena. “Os estudantes utilizaram durante nove dias um actímetro, um relógio de pulso que mede a atividade física e distingue os períodos de sono, repouso, vigília e atividade, os quais são registrados em um gráfico”, explica o pesquisador Guilherme Umemura, que integrou o grupo de estudos. “Também foram aplicados questionários sobre hábitos diários, para complementar a avaliação sobre restrições de sono.”

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Na sequência acima, etapas da realização do teste de aprendizagem realizado no Laboratório de Biomecatrônica da Poli – Foto: Cedida pelo pesquisador

Nas sextas e segundas-feiras foram realizados testes de controle postural. “Os participantes eram instruídos a ficarem em cima de uma plataforma e eram submetidos a vários desafios estáticos e dinâmicos, como abrir e fechar os olhos”, diz Umemura. “O corpo humano, quando está em pé, nunca está totalmente parado, ele se movimenta em várias direções, e isso envolve mecanismos de controle do cérebro, como os da visão e da audição, por isso é importante o controle postural”, explica o professor.

“Jetlag” social

Os experimentos mostraram que o desempenho no controle postural era melhor na segunda-feira, depois do final de semana. “Acredita-se que as obrigações sociais reduzem os períodos de sono, o que pode levar a problemas de atenção e concentração, além de mudanças abruptas nos horários de dormir e sonolência. Esse fenômeno é chamado de ‘jetlag social’”, aponta Umemura.

“Nos finais de semana, em geral há uma compensação das horas de sono e, coincidentemente, o desempenho nos testes era melhor”, ressalta o pesquisador. “As comparações entre as respostas dos questionários e os gráficos de atividade e repouso revelaram uma diferença de aproximadamente duas horas entre o tempo de sono considerado ideal pelos alunos e a quantidade de sono apurada nos gráficos.”

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Actímetro (à esquerda), aparelho em formato de relógio de pulso que registra os períodos de sono, repouso, vigília e atividade ao longo do dia, os quais são mostrados em um gráfico (à direita) – Imagem: Cedida pelo pesquisador

De acordo com o professor, a hipótese para explicar o problema é que as áreas do cérebro mais sensíveis à privação do sono são as responsáveis pela cognição e pela integração sensorial. “Essas áreas são o córtex pré-frontal, responsável pela cognição e o planejamento motor; o tálamo, que da integração sensorial, que teria sua atividade diminuída”, descreve, “e o cerebelo, que faz o controle em tempo real do movimento; em resumo, todos esses processos possivelmente estão envolvidos no déficit motor.”

Forner Cordero alerta que é surpreendente encontrar problemas de controle postural em pessoas jovens e saudáveis, mas que não percebem a privação de sono. “Este não foi um estudo em que as pessoas ficam sem dormir, elas pensam que estão dormindo bem, mas a diferença no controle postural é significativa”, ressalta. “Também não são pessoas com restrições declaradas de sono, como trabalhadores de turnos. O estresse na qualidade e na quantidade do sono possivelmente traz malefícios ainda piores, como o aumento do risco de quedas, acidentes laborais e de trânsito.”

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Equipamento utilizado em testes de controle postural – Foto: Cedida pelo pesquisador

O estudo é descrito no artigo Social jetlag impairs balance control. Escrito por Guilherme Silva Umemura, João Pedro Pinho, Bruno da Silva Brandão Gonçalves, Fabianne Furtado e Arturo Forner Cordero, o texto foi publicado na revista Scientific Reports em 21 de junho. Além dos testes relatados no estudos, outros experimentos para avaliar desempenho motor e aprendizagem em pessoas com restrições de sono estão em andamento.

Fonte: Jornal da USP

 

Mitos e verdades sobre o ômega 3

Todos os peixes são ricos em ômega 3? Gestantes precisam incluí-lo na dieta? A alimentação consegue suprir as necessidades do nutriente? Confira as respostas para essas e outras dúvidas

Quando se fala em gordura, é comum associá-la a algo negativo, como a gordura corporal, problemas no coração e obesidade. Aliás, gordura é um nome genérico usado em referência aos lipídeos, nutrientes essenciais para manutenção do bom funcionamento do organismo, devendo fazer parte do cardápio.

Por isso, vale conhecer os tipos de gordura e escolher as mais benéficas. Os ácidos graxos poli-insaturados da série ômega 3, por exemplo, auxiliam na saúde do coração, além de serem importantes durante a gravidez.

A gerente nutricionista do Núcleo Médico Científico do Aché Laboratórios Farmacêuticos, Anna Lacerda, esclarece os principais benefícios dessa “gordura do bem” e explica alguns mitos sobre o nutriente, ajudando a compreender a importância de inseri-lo na dieta alimentar.

Existe mais de um tipo de ômega 3?

Verdade: os principais representantes do ômega 3 são: ácido docosahexaenoico (DHA), ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido alfa-linolênico (ALA).

Todos os peixes são ricos em ômega 3?

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Mito: a concentração de ômega 3 varia de acordo com a temperatura da água onde os peixes marinhos habitam. Aqueles que vivem em ambientes frios tendem a acumular mais gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, principalmente ômega 3, como o arenque, a sardinha, o salmão e o atum, entre outros.

O organismo humano não consegue produzir ômega 3?

Verdade: necessários em determinados processos biológicos, os ácidos graxos da série Ômega 3 devem ser adquiridos por meio da dieta alimentar, uma vez que os seres humanos não são capazes de produzi-los. Aliás, eles são denominados essenciais justamente por isso.

O único benefício do ômega 3 é a saúde cardiovascular?

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Mito: o principal benefício desse ácido graxo está relacionado ao coração, atuando na redução de triglicerídeos. Porém, por conter EPA e DHA, ele também está associado à melhora da sensibilidade à insulina e risco de diabetes tipo 2; ajuda no tratamento da depressão, aumentando a produção de serotonina, dopamina e noradrenalina; e ameniza os sintomas da artrite reumatoide, bloqueando as enzimas responsáveis pela inflamação.

Gestantes precisam incluir o ômega 3 na dieta?

Verdade: além de contribuir na redução do risco de nascimento de crianças prematuras e abaixo do peso, o ácido graxo participa na formação de neurônios, no crescimento e desenvolvimento do cérebro e no fortalecimento da retina dos bebês. Isso ocorre graças ao DHA, um dos representantes da série ômega 3.

A alimentação consegue suprir as necessidades de ômega 3?

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Mito: o consumo de peixes pela população brasileira é baixo, atingindo em média, cerca de 9 kg/habitante/ano, sendo que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e a Organização Mundial da Saúde recomendam 12 kg/habitante/ano. Além disso, nem todos os peixes contêm as mesmas quantidades de ômega 3: de acordo com um estudo publicado pelos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, os peixes brasileiros e o salmão de cativeiro apresentam baixos teores dessa gordura. Portanto, a suplementação torna-se necessária para atingir os níveis ideais de ômega 3 no organismo, aproveitando todos os seus benefícios para a saúde. Vale destacar que especialistas recomendam o consumo de até 1 g de ômega 3 ao dia.

Todas as suplementações de ômega 3 são iguais?

Mito: a concentração adequada de ômega 3 (DHA e EPA) nos suplementos é importante para que se consuma a quantidade ideal do nutriente. No entanto, como a concentração nos suplementos disponíveis no mercado brasileiro varia, é preciso estar atento à quantidade de DHA e EPA na formulação de uma única cápsula. Por isso, não deixe de ler as informações nas embalagens e lembre-se de que é preciso tomar a suplementação diariamente.

Suplementações

Proepa Uni é um nutracêutico com 90% de ômega 3 concentrado EPA (500 mg) e DHA (400 mg) em apenas uma cápsula gelatinosa ao dia, auxiliando na manutenção de níveis saudáveis de triglicerídeos.

proepa uni

Já Proepa Gesta possui concentração de DHA de 250 mg atendendo a recomendação do nutriente para as gestantes. Sua administração é recomendada também durante a amamentação, já que o nutriente será ingerido pelo bebê por meio do leite, e para mulheres que planejam engravidar, para que possam ter reservas adequadas do nutriente.

O consumo de ácidos graxos ômega 3 auxilia na manutenção de níveis saudáveis de triglicerídeos, desde que associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Fonte: Aché

 

“O principal componente da SII é a alteração do eixo cérebro-intestino”

Cristine Lengler, gastroenterologista do Fleury Medicina e Saúde, nesta entrevista, explica que a síndrome do intestino irritável é uma doença funcional em que o principal componente é a alteração do eixo cérebro-intestino. Sim, muitos podem achar que os alimentos são os vilões, mas, na verdade, é o cérebro o principal ator neste drama.

Cristine afirma que muitos pacientes chegam ao consultório após uma via crucis de atendimentos anteriores. E que algo muito comum, e preocupante, é que muitos desistem do tratamento, pois querem resultados rápidos. Ela avisa que é preciso ter paciência, pois não existem curas milagrosas, muito menos imediatas.

Confira abaixo a entrevista exclusiva:

Pergunta-Como define a síndrome do intestino irritável – SII?

Resposta-A síndrome do intestino irritável acomete o intestino e é uma condição comum na população mundial, sendo parte do grupo de distúrbios funcionais associados a alterações do eixo cérebro-intestino. É definida pela presença de dor abdominal associada à alteração do hábito intestinal (diarreia, constipação ou ambos). Na ausência de doença orgânica associada.

P-A SII parece ser algo difícil de diagnosticar, concorda? Por quê?

R-O diagnóstico da síndrome não é difícil, mas requer a exclusão de algumas situações que podem causar sintomas semelhantes, uma vez que não temos um exame específico que a diagnostique. Uma vez excluídas causas orgânicas importantes, na ausência de alterações laboratoriais e com quadro clínico compatível, faz-se o diagnóstico da síndrome. Se uma pessoa tem diarreia com frequência, a motilidade está alterada e um teste que confirme isso não me dará um diagnóstico. É preciso fazer alguns exames, como a colonoscopia ou calprotectina fecal, por exemplo. Porém é preciso analisar caso a caso, depende do sintoma, da história e do exame físico individual.

P-Há uma impressão que o número de pessoas com a SII e/ou com a Intolerância à Lactose está aumentando. É fato ou impressão mesmo? Tem algum número atual?

R-Os trabalhos mostram que a prevalência da doença tem sido estável. Os sintomas de síndrome do intestino irritável acometem aproximadamente 10% a 15% da população mundial.

P-Sempre ouvimos que humanos são os únicos mamíferos que continuam a tomar leite depois de crescerem. Leite não seria natural ou necessário fora da fase da amamentação?

R-Isso não procede. O leite e seus derivados são a principal fonte de cálcio na infância e também são importantes fontes de cálcio na idade adulta. Apenas intolerantes à lactose e portadores de algumas condições gastroenterológicas específicas não devem consumir leite e derivados.

P-Pessoas com a SII comentam que os profissionais não as levam a sério nas consultas. Há uma falta de conhecimento sobre o problema?

R-Como médica gastroenterologista, vejo muitos pacientes com síndrome do intestino irritável no meu dia a dia. Pessoalmente, não posso dizer que seja uma realidade de mau atendimento médico, no sentido de menosprezar a queixa do paciente, mas acho que muitos pacientes podem assim interpretar ao ouvirem do médico que se trata “apenas” da síndrome do intestino irritável, quando, na verdade, estão tentando tranquilizar o paciente no sentido de que não é uma condição grave que possa colocar a vida em risco.

Para atendermos bem um paciente com síndrome do intestino irritável é necessário um tempo maior de consulta, o que muitas vezes não é possível. Além disso, há a necessidade de entendermos melhor a realidade do paciente e contextualizar os sintomas. Os aspectos emocionais são realmente muito importantes. Para isso é necessário que se estabeleça uma boa relação médico-paciente. E o paciente também precisa entender que muitas vezes leva-se certo tempo até conseguir melhorar os sintomas, não é incomum precisarmos de mais de uma tentativa medicamentosa, além da abordagem dos aspectos emocionais.

P-O lado emocional pesa, mas a alimentação parece ser o gatilho mais importante. Ou não?

R-Não, a alimentação não é o gatilho mais importante. O alimento dispara o sintoma, mas não causa o problema. A SII é uma doença funcional em que o principal componente é a alteração do eixo cérebro-intestino. O fator essencial na síndrome são as alterações de motilidade e de hipersensibilidade visceral mediados pelo sistema nervoso central. Pessoas com SII têm o intestino com uma sensibilidade maior. Por exemplo, uma quantidade de gases que para uma pessoa sem o problema seria normal, para quem tem a síndrome dá a sensação de estufamento.

Ou seja, o paciente tem uma sensibilidade exacerbada, o que chamamos de hipersensibilidade visceral. Nessas pessoas, a movimentação do intestino fica alterada, seguindo o comando que vem do cérebro. O cérebro de quem tem SII, quando associado a fatores estressores, dá uma resposta alterada, liberando substâncias que, no intestino, vão provocar hipersensibilidade e sensação de motilidade. E essas alterações realimentam o cérebro com estímulos, aumentando a sensação de dor. Ou seja, é um caminho de duas vias.

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P-Algumas pessoas não concordam quando se fala que o mais importante é o lado emocional, dizendo que não têm problemas.

R-Muitas vezes não há um diagnóstico psiquiátrico. Pessoas com SII têm respostas exacerbadas ao estresse, como falei antes. Não é porque uma pessoa é mega-ansiosa, megaestressada que vai passar mal. O cérebro de quem tem SII dá respostas inadequadas a qualquer coisa, não precisa ser um evento importante, como uma discussão com o chefe, basta que o cérebro libere substâncias que disparem estímulos nervosos. Isso é inconsciente, a pessoa não percebe.

P-Dizem que não morremos por causa da SII, mas morreremos com ela. Não há mesmo cura?

R-Não existe cura. A pessoa com síndrome do intestino irritável, ao longo da vida, costuma ter períodos sem sintomas alternados com períodos mais sintomáticos. Mas a síndrome é tratável.

P-Há estudos novos que trazem alguma esperança em tratamento ou descoberta mais rápida do problema? Novos exames?

R-Não, por enquanto.

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P-Quais as dicas para se viver com a SII e IL da melhor forma possível?

R-Inicialmente, procurar atendimento médico logo e não deixar de comunicar seu médico quando ocorrerem intensificação dos sintomas. O tratamento da síndrome do intestino irritável tem dois focos: alívio dos sintomas com medicação e alimentação adequada; e modificação da resposta ao estresse. A parte emocional é muito importante. Abordagens que modifiquem a resposta ao estresse ajudam muito, como psicoterapia, exercícios de relaxamento, atividade física regular e mindfullness. No caso desta última, não foi que um pessoal “paz e amor” que falou que funciona, há trabalhos científicos demostrando bons resultados.

A dieta pode auxiliar e é orientada conforme os sintomas (se diarreia, se constipação, se distensão). Se houver constipação, o consumo de mais líquidos e de alimentos ricos em fibras auxiliam; quando predomina distensão, orientamos uma dieta com alimentos pouco fermentativos. Em geral, a orientação alimentar depende dos sintomas apresentados. Quando essas medidas não são suficientes pode-se optar por adotar uma dieta com restrição de FODMAPs.

FODMAP é o conjunto de alimentos fermentáveis que são mal absorvidos pelo nosso organismo e que podem causar desconforto intestinal. Eles são classificados como oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis. Os alimentos fermentáveis referidos são os carboidratos não digeridos pelo trato digestivo humano. Assim, esta alta osmolaridade e a formação de gases pela microbiota intestinal acabam por desencadear os referidos sintomas.

Quando adotamos uma dieta com baixo teor de FODMAPS a ideia é identificarmos os alimentos desencadeadores de sintomas. Não é o objetivo manter a restrição de todo o grupo para sempre. O ideal é que, após a pessoa se sentir melhor, vá reintroduzindo os alimentos gradativamente até identificar os específicos de modo que, posteriormente, sejam evitados apenas os alimentos desencadeadores, e que a dieta não fique muito restrita por muito tempo. Manutenção de dieta com pouco FODMAPs por longo prazo pode levar a várias deficiências nutricionais. Não é recomendada a adoção desse tipo de dieta sem acompanhamento profissional.

TIPOS DE FODMAP   ONDE ENCONTRAR?*
Monossacarídeos (frutose) Xarope de milho, mel, néctar de agave, maçã, pera, manga, aspargos, cereja, melancia, sucos de fruta, ervilha.
Dissacarídeos (lactose) Leite de vaca, leite de cabra, leite de ovelha, sorvete, iogurte, nata, creme, queijo ricota e cottage.
Oligossacarídeos (fructans) Cebola, alho, alho-poró, trigo, cuscuz, farinha, massa, centeio, caqui, melancia, chicória, dente-de-leão, alcachofra, beterraba, aspargos, cenoura vermelha, quiabo, chicória com folhas vermelhas, couve
Oligossacarídeos (GOS Lentilhas que não foram enlatadas, grãos de bico que não foram enlatados, grãos enlatados, feijão, ervilha, grãos integrais de soja.
Polióis Xilitol, manitol, sorbitol, glicerina, maçã, damasco, pêssego, nectarina, pera, ameixa, cereja, abacate, amora, lichia, couve-flor, cogumelos.

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P-Como substituir os alimentos que na teoria fazem mal?

R-A substituição vai depender de qual alimento será retirado da dieta, portanto isso é analisado caso a caso.

P-Li que alguns profissionais recomendam a criação de um diário com a lista do que se comeu.

R-Fazemos isso quando a pessoa está em tratamento, mas não melhora. Tentamos identificar alimentos que fazem mal para ela. Ou seja, é caso a caso, não há uma fórmula que vale para todos. É individual, conforme sintomas e evolução. Como falei antes, a alimentação faz parte do tratamento. Há casos nos quais conseguimos identificar um alimento e o tirarmos, mas varia de um paciente para outro.

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P-Quais dicas são importantes para quem tem SII?

R-A primeira coisa é ter cuidado com blogs que trazem informações erradas. Dão fórmula disso, receitas daquilo, chás que curam… As pessoas querem algo milagroso, e isso não existe! Outro problema muito comum, a pessoa não tem paciência de persistir no tratamento. Ela chega no meu consultório, por exemplo, depois de passar com vários médicos antes e já quer resultado. Não há um remédio superbom para a SII. Prescrevemos um medicamento e não dá certo, voltamos ao zero. Às vezes, na terceira ou quarta tentativa funciona, mas o paciente não tem paciência e isso acaba atrapalhando um pouco.

A vida agitada, como, por exemplo, a que levamos aqui em são Paulo, não ajuda. É uma cidade complicada, muito trabalho, muito trânsito, muitos problemas e a SII é uma doença na qual o estresse piora muito os sintomas. Por isso, técnicas de relaxamento e mindfulness ajudam muito. E, claro, procurar ajuda médica. Isso porque os sintomas da síndrome podem esconder inúmeras doenças, até graves, e a pessoa pode achar que não é nada. Ou o contrário, ela achar que tem algum problema de saúde sério e é mesmo a SII.

Cristine Lengler é Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Especialista em Gastroenterologia Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, atua como médica gastroenterologista do Fleury Medicina e Saúde. É membro fundador do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)

*Tabela cedida pela médica

 

 

 

 

 

Alimentação adequada evita o refluxo gastroesofágico

Nutricionista do Hospital Dom Alvarenga dá dicas importantes para evitar que o estômago produza suco gástrico em excesso

Queimação, azia, dor ao engolir, regurgitação e ardor na garganta e boca são os principais sintomas da doença do refluxo em adultos. Já nas crianças a doença pode causar sono agitado, vômitos constantes, dificuldade para mamar, irritação e choro excessivo, rouquidão – a laringe inflama devido à acidez do estômago – , dificuldade para ganhar peso e inflamações frequentes nos ouvidos.

De acordo com Evelyn Teixeira, nutricionista do Hospital Dom Alvarenga, a alimentação adequada é recomendável, porque evita que o refluxo aconteça, poupando que o estômago produza suco gástrico em excesso. “Para quem tem refluxo, deve-se aumentar a ingestão de fibras, apoiar bactérias saudáveis com alimentos ricos em probióticos, além da proteína de alta qualidade que também ajuda a proteger o trato digestivo. Esses nutrientes reduzem fatores de risco como inflamação, obesidade e complicações ligadas a doenças crônicas graves”, explica a nutricionista.

“Quando for comer, evite alimentos pesados ou gordurosos e nunca faça isso com roupas apertadas demais. Além disso, como qualquer tabela nutricional, é mais viável comer em pequenas porções e com mais frequência do que o inverso”, alerta Evelyn.

Confira abaixo algumas dicas importantes para evitar o refluxo.

Cuidados essenciais:

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Comer em menores quantidades a cada 2 ou 3 horas;
Aumentar o consumo de frutas e legumes;
Aumentar o consumo de produtos integrais, ricos em fibras;
Preferir carnes magras, peixes, leite e derivados desnatados;
Evitar beber líquidos durante as refeições;
Evitar comer de 2 a 3 horas antes de se deitar;
Evitar deitar ou fazer exercícios logo após as refeições.

Os alimentos que devem ser evitados na dieta para refluxo são:

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Gordura: frituras, carnes vermelhas, salsicha, linguiça e bacon, pois o excesso de gordura faz com que a comida fique mais tempo no estômago, aumentando a chance de refluxo;
Cafeína: café, chás e chocolate, pois estimulam o estômago, favorecendo o refluxo;
Bebidas alcoólicas: irritam o estômago e aumentam o refluxo;
Bebidas gaseificadas: refrigerantes e água com gás, pois aumentam a pressão dentro do estômago;
Pimenta: irrita o estômago e aumenta a acidez;
Carboidratos simples: farinha, macarrão e pão, pois diminuem a força do esfíncter que fecha a passagem entre o estômago e o esôfago.

Frutas cítricas

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O consumo de frutas cítricas deve ser evitado (uva, abacaxi, laranja, limão etc.), a acidez dessas frutas pode aumentar o pH do suco gástrico do estômago.

Hábitos que precisam ser evitados

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Adultos
Fumar: a nicotina relaxa o músculo do esôfago, o que se torna um grande problema.
Consumo de chicletes e doces duros pode aumentar a quantidade de ar que entra no estômago, por isso, não são recomendados.
Comer e logo após deitar, não é um hábito saudável, esperar em torno de 2h após a refeição para se deitar.
Sobre uma noite de sono, o mais aconselhável é que se eleve a cabeceira da cama em 15 centímetros para uma melhor qualidade do sono e de preferência dormir do lado esquerdo, onde está o estômago, pode trazer alívios.
Uso de cintos e roupas apertados também deve ser evitados.

Crianças
Colocar o bebê na vertical após a mamada.
Deitar o bebê de barriga para cima com a cabeceira do berço levantada.
Evitar balançar o bebê após a mamada.
Evitar vestir roupas apertadas.

Para finalizar, a nutricionista reforça que a obesidade amplia as possibilidades da pessoa ter refluxo, por aumentar a pressão abdominal. “Toda condição que aumente a pressão abdominal, aumenta a possibilidade da ocorrência do refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago”.

Fonte: Hospital Dom Alvarenga 

Mulheres que vivem relacionamentos abusivos não seguem padrão

Estudo que buscou o porquê de mulheres permanecerem nessas relações concluiu a impossibilidade de classificá-las

Por Ane Cristina

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Em 2014, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou erroneamente um dos resultados da pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres. Na época, o órgão federal informou que 65% dos entrevistados concordavam com a afirmação “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

A veiculação da notícia gerou uma série de protestos nas redes sociais que denunciavam o machismo na sociedade brasileira, dentre eles a campanha Eu não mereço ser estuprada. Na semana seguinte o Ipea corrigiu o dado, informando que a porcentagem de 65% se referia à afirmação “Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”. A correção não gerou a mesma repercussão que a afirmação incorreta causou, mostrando o “pouco espanto” em relação à violência contra a mulher nas relações de conjugalidade.

Fabiana de Andrade pesquisou durante quatro anos o que faziam as mulheres que sofriam violência doméstica permanecerem ou saírem de uma relação violenta. Dentre suas conclusões, está a similaridade das narrativas de violência, a impossibilidade de classificar essas mulheres e a formulação de Pedagogias do Cuidado de Si, ferramentas de mudança de pensamento e de conduta.

Autora da tese de doutorado Mas vou até o fim: narrativas femininas sobre experiências de amor, sofrimento e dor em relacionamentos violentos e destrutivos, defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, ela acompanhou e conversou com mulheres que passavam ou tinham passado por relacionamentos destrutivos em três locais diferentes. Ela esteve no Mulheres que Amam Demais (Mada), em Campinas, grupo de autoajuda formado por mulheres que sofrem por amar demais. O espaço existe há muito tempo e segue os moldes do Alcoólicos Anônimos (AA).

Também em Campinas, a pesquisadora conheceu o Centro de Referência e Apoio à Mulher (Ceamo), serviço fornecido pelo município que tem o objetivo “de acolher e prestar atendimento psicológico, social e orientação jurídica à mulher em situação de violência de gênero no âmbito doméstico, visando romper o ciclo da violência através de atendimento individual, familiar ou em grupo”. Ela também foi a Paris, onde seu objeto de estudo foi a associação francesa Libres Terres des Femmes (LTDF), que assim como o Ceamo acolhia mulheres em situação de violência, mas não fazia parte de uma política pública, sendo dependente de outras verbas.

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Pedagogias do Cuidado de Si

Fabiana selecionou as quatro principais ferramentas discutidas nos grupos que visavam à mudança de pensamento e de conduta, chamando-as de Pedagogias do Cuidado de Si. “Eu chamei dessa maneira porque entendi que esses grupos funcionavam como espaços pedagógicos de produção de um outro olhar sobre estar no mundo, de produção de desejos, de coisas que as mulheres queriam na vida delas, porque eu observei que nesses espaços muitas das mulheres tinham uma forma de viver e de estar no mundo que era voltado para o bem-estar do outro”, conta a pesquisadora.

Questionamento das normas de gênero e sexualidade

No Ceamo e no LTDF falava-se muito sobre a existência de papéis diferentes para homens e mulheres, que pode tornar aceitável uma situação de violência para a mulher. No Mada eram apresentadas as normas do homem como “príncipe encantado” e “provedor da casa”.

Controlar excessos

Principalmente no Mada existia a ideia de que o “excesso” de controle da conduta do outro era muito perigoso: querer saber onde o outro está, o que ele pensa, querer provas de amor, ligá-lo compulsivamente. “A ideia do controle dos excessos era começar a criar formas de aprender a estar sozinha, saber que o sucesso amoroso não depende que o casal seja uma pessoa só, a importância da liberdade do outro e delas” explica Fabiana.

Uma mulher empoderada empodera outra mulher

No Ceamo e no LTDF, o termo “sororidade” era muito utilizado, ressaltando a importância de que mulheres entendam que não são inimigas. No Mada, o termo usado era “irmandade”. Os três grupos tentavam passar a ideia de que mulheres não devem competir entre si, uma vez que tal competição é mais um resultado da cultura machista.

Autoconhecimento

As mulheres buscavam o autoconhecimento para entender qual seu lugar numa cultura machista e poder questionar essa cultura. Nos grupos, elas percebiam que não sabiam sequer do que gostavam de fazer, por não se conhecerem. O autoconhecimento produziria uma outra maneira de olhar para si mesmas e de estar no mundo.

Fonte: Jornal da USP