Arquivo da tag: thais pepe

Células-tronco em produtos anti-idade podem ‘poupar’ animais em testes

Muitos estudos com células-tronco podem abrir caminho para três tendências em tratamentos dermatológicos: rejuvenescimento facial cosmético com células-tronco humanas; regeneração da pele com células-tronco derivadas de plantas; e substituição de animais em testes cosméticos

Talvez nada seja tão aguardado no ramo da dermatologia como a utilização de células-tronco em tratamentos para a pele. Estudos recentes vêm demonstrando uma série de atuações desse tipo de células no rejuvenescimento e regeneração do tecido cutâneo, com excelentes perspectivas para uso cosmético ou injetável.

Além disso, conforme acrescenta a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, as células-tronco podem ser usadas como substitutos de animais no desenvolvimento de cosméticos. “As células-tronco embrionárias humanas foram apresentadas na União Europeia como alternativa ao uso de animais em testes de toxicidade. Esses testes baseados em células humanas evitariam as variações entre espécies e, como tal, preveem efeitos adversos mais precisos para o corpo humano. Mas ainda há uma questão ética que precisa ser debatida”, acrescenta.

Mas além da esperança na substituição dos animais em testes cosméticos, um artigo científico, publicado em novembro do ano passado no Biochemical and Biophysical Research Communications, corrobora a aplicação desse tipo de tecnologia na pele.

“O estudo afirma que exossomos* derivados das células-tronco mesenquimais do sangue do cordão umbilical humano estimulam o rejuvenescimento da pele humana. Elas desempenham um papel importante na cicatrização de feridas cutâneas e ativam várias vias de sinalização, que são favoráveis na cicatrização de feridas e no crescimento celular. O estudo detectou que, assim que absorvido na pele humana, as células-tronco promovem a síntese de colágeno I e elastina na pele, que são essenciais para o rejuvenescimento da pele”, afirma a médica.

Outro importante periódico, o Journal of Drugs In Dermatology, publicou em 2016 um estudo que destaca uma glicoproteína, apelidada de Alpha 2-HS (Fetuína), produzida por células-tronco humanas que demonstrou ser um ingrediente cosmético revolucionário.

“As secreções celulares derivadas das células-tronco foram incorporadas em duas formulações cosméticas simples (soro e loção), sem adição de outros ingredientes, e investigadas em um ensaio humano de 12 semanas que incluiu 25 indivíduos em cada grupo. As análises de proteínas nas secreções celulares revelaram uma alta concentração da glicoproteína multifuncional alfa 2-HS (fetuína), juntamente com uma multiplicidade de fatores proteicos envolvidos em desenvolvimento e manutenção de pele humana saudável”, diz a médica.

A investigação clínica, segundo o artigo, demonstrou melhora significativa dos sinais clínicos do envelhecimento cutâneo intrínseco e extrínseco, achados que foram confirmados por mudanças significativas na morfologia da pele, em proteínas de hidratação da pele como filagrina, aquaporina e conteúdo de colágeno I. “Os dados apoiam fortemente a hipótese de aplicação cosmética de secreções precursoras de linhagem de pele derivada de células-tronco, contendo fetuína e fatores de crescimento benéficos para o desenvolvimento e manutenção da pele humana, para influenciar positivamente o envelhecimento intrínseco e extrínseco”, concluiu o estudo.

A aplicação injetável de células-tronco na pele também vem sendo estudada. Um trabalho da Malásia concluiu que as células-tronco mantiveram suas propriedades celulares após serem injetadas na pele em injeções únicas e múltiplas, comprovando que podem ser usadas com segurança para fins clínicos e terapêuticos.

celula tronco.jpg

Células-tronco vegetais

Se o desenvolvimento cosmético com células-tronco humanas demanda uma questão ética importante que precisa ser debatida, uma realidade pode ser obtida das células-tronco derivadas de plantas.

Em 2014, foi publicado na Dermatologic Clinics, o estudo Next Generation Cosmeceuticals – The Latest in Peptides, Growth Factors, Cytokines and Stem Cells que destacou: as células-tronco xenogênicas derivadas de plantas possuem propriedades antisenescentes, diminuindo o processo de envelhecimento celular.

No mesmo ano, artigo publicado no Plastic Surgical Nursing apontou vantagens das células-tronco vegetais ao afirmar que as células-tronco humanas têm a capacidade de se diferenciar em apenas um outro tipo de célula, enquanto as células-tronco derivadas de plantas são totipotentes, o que significa que elas têm a capacidade de criar uma planta totalmente nova.

“O papel da maioria desses extratos de células-tronco derivados da planta é proteger as células-tronco humanas, existentes que residem na camada basal da pele humana, de danos causados ao DNA e induzidos por radicais livres. O artigo afirma que pesquisas recentes identificaram que extratos de células-tronco da planta apresentam atividade antioxidante substancial comprovada para proteger as células-tronco da pele desse estresse oxidativo induzido pelo ultravioleta, além de inibir a inflamação, neutralizar os radicais livres e reverter os danos de fotoenvelhecimento”, diz a médica.

shutterstock células.jpg

Como resultado, prossegue o estudo, os produtos cosmecêuticos agora estão incorporando esses extratos derivados de células-tronco da planta para promover a proliferação celular saudável e proteger contra danos celulares induzidos pelos ultravioletas em seres humanos. “Embora existam potencialmente muitas células-tronco botânicas que poderiam proporcionar benefícios à pele, a maior parte da pesquisa tem sido focada em três: a planta lilás, a uva e a maçã suíça”, finaliza.

*complexo proteico multienzimático envolvido em diferentes passos do processamento e degradação de vários tipos de moléculas de ARN (ácido ribunocleico), por meio da sua atividade exonucleolítica. Os complexos do exossoma podem encontrar-se tanto em células eucariotas como nas arqueobactérias. Nas bactérias equivale a um complexo mais simples, o degradossoma, que desempenha funções similares. 

Fonte: Thais Pepe é especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

Anúncios

Técnica de reparo do DNA é esperança para tratar câncer de pele e outras doenças

Técnica de edição CRISPR-Cas9, que seria uma espécie de reparo do DNA, é apresentada no Congresso Anual do AAD como a principal aposta da medicina moderna para correção de erros genéticos, cura de câncer de pele e de doenças crônicas como psoríase, vitiligo, lúpus e dermatites

Pesquisas mundiais com novas tecnologias para “edição do genoma” conferem um novo fôlego ao tratamento do câncer de pele e de doenças crônicas de pele, como psoríase, vitiligo, lúpus, entre outras.

“O Congresso Anual do AAD, realizados nos Estados Unidos, mostrou que estamos muito próximos de ‘tratar o DNA’. Por meio da técnica de edição CRISPR-Cas9, há uma esperança em retirar as sequências defeituosas do DNA, fazendo uma espécie de reparo, que seria um importante avanço no tratamento dermatológico de doenças crônicas de pele”, afirma a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. O estudo foi apresentado por Jennifer A. Doudna, PhD, professora de química, molecular e biologia celular na Universidade da Califórnia. A especialista tem um extenso trabalho de pesquisa de câncer.

shutterstock células ciencia tratamento

De acordo com a dermatologista, o CRISPR é uma sigla em inglês para “grupos de repetições palindrômicas curtas regularmente espaçadas”. “Trata-se de um mecanismo natural do qual as bactérias se protegem de infecções virais. Ele incorpora uma cópia do DNA estranho e cria um registro de todos que tentam invadi-la. Cada vez que um novo micro-organismo intruso é identificado, a bactéria recorre a esse registro e usa isso para destruí-lo”, explica.

Nos últimos anos, houve uma tentativa de adaptação do mecanismo para a edição do genoma humano, o que traria um potencial de curar doenças e aperfeiçoar organismos. “Isso é possível por meio da ‘imunidade adaptativa’, com ação semelhante à das bactérias.”

Além das configurações clínicas, a ferramenta CRISPR abre as portas para outras aplicações. “Atualmente, ela está sendo usada em ensaios em animais para fornecer benefícios para a saúde humana, especificamente em fazer órgãos de crianças doadoras apropriados para adultos, e mudança de DNA na edição germinal de células de vida para transmitir às gerações futuras. Embora esta aplicação possa ter impactos significativos no tratamento de doenças crônicas, ela enfrenta um desafio com relação às questões éticas”, explica.

Entenda algumas doenças de pele

psoriase

Psoríase – doença autoimune, não transmissível e que causa lesão na pele com descamações e vermelhidão. Estima-se que cerca de 2% da população mundial sofra com a doença. “A psoríase é uma inflamação — onde os anticorpos começam a bombardear (agredir) os queratinócitos (célula produtora de queratina – proteína morta que reveste e forma o estrato córneo). Em resposta a essa agressão, os queratinócitos começam a se proliferar, multiplicando-se de maneira muito mais rápida e não ocorre o processo natural de descamação, por isso existe a formação das crostas”, explica a dermatologista. Então, acontece inicialmente a lesão inflamatória, pela dilatação dos vasos sanguíneos levando a uma mácula, uma mancha vermelha. “Existe o processo inflamatório, que leva à formação das crostas, que na verdade são escamas prateadas. E posteriormente, ainda em uma fase mais importante, há o orvalho sangrento que ocorre com a remoção das crostas, as escamas, e ocorre um processo de micropontos de sangramento no local”, comenta. Segundo a médica, não há cura, e sim controle das manifestações clínicas. As opções terapêuticas são variadas, dependendo do grau da doença, podendo ser só local com hidratação, uso de corticoides, biológicos injetáveis, medicações via oral, fototerapia, terapia sistêmica convencional ou terapia biológica.

vitiligo

Vitiligo – doença caracterizada pela perda da coloração da pele. “As lesões formam-se devido à diminuição ou à ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. As causas da doença ainda não estão claramente estabelecidas, mas fenômenos autoimunes parecem estar associados ao vitiligo”, afirma a médica. O tratamento tem por objetivo estabilizar o quadro, freando o aumento das lesões, e também a repigmentação da pele. “Existem medicamentos que induzem à repigmentação das regiões afetadas como tacrolimus derivados de vitamina D e corticosteroides.”

lupus - erythematosus medicine net
MedicineNet

Lúpus – doença crônica potencialmente grave que atinge qualquer parte do corpo, no momento em que o sistema imunológico começa a ver as células do próprio corpo como inimigas. Uma vez que qualquer órgão ou tecido pode ser afetado, os sintomas são inúmeros e os mais comuns são manchas avermelhadas na face, orelhas, decote e braços, e até queda de cabelo.

Fonte: Thais Pepe é Dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

Alimentação pode acelerar ou retardar o processo de envelhecimento da pele

Não é só a ingestão de gorduras, açúcares e muito sódio que está no centro da questão. Dietas restritivas, veganas e vegetarianas também podem acelerar o processo de envelhecimento da pele, como mostra Congresso Americano de Dermatologia

Provavelmente, a expressão “você é o que você come” já passou pelos seus ouvidos alguma vez na vida. Geralmente designada para repreender quem só ingere comidas altamente gordurosas ou ricas em açúcar – e que aceleram o envelhecimento da pele, essa frase deve ser vista com uma nova amplitude. Pelo menos é o que mostra o Congresso Americano de Dermatologia, realizado em fevereiro nos Estados Unidos.

“Dietas restritivas e desbalanceadas, com baixas ingestões de proteínas, vitaminas e carboidratos podem afetar negativamente a pele, na medida em que não fornece nutrientes essenciais. Por outro lado, o excesso de proteína, por exemplo é capaz de conduzir a um envelhecimento ainda mais agressivo”, conta a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Ela explica abaixo a importância dos macro e micronutrientes para a pele e fala sobre as dietas:

Proteínas

brasa carne 2

Biologicamente, são polímeros compostos de aminoácidos. “Eles são construtores e reparadores, então ajudam no equilíbrio da pele com relação a conferir hidratação, luminosidade e renovação celular. Sem proteínas, não conseguimos fazer síntese de colágeno e elastina, o que é vital para ter uma pele firme e combater a flacidez. Além de proteínas, ingira também Vitamina C, pois ela é essencial também para a síntese de colágeno”, afirma a médica.

Mas atenção às doses: no geral, é indicado o consumo de 20 a 30g por refeição (café da manhã, almoço e janta). “Por outro lado, o consumo excessivo de proteína pode levar a um envelhecimento mais agressivo por meio da estimulação da via mTor, que está envolvida na regulação de diversas funções celulares, mas quando altamente estimulada pode destruir as vias de reparo necessárias para a longevidade saudável”, argumenta a médica.

Além disso, o consumo abundante de proteínas sinaliza às células uma necessidade de reproduzir, diferenciar e crescer por meio de reguladores como insulina, leptina e IGF. “As células são tipicamente configuradas para crescer ou reparar danos. Com a via mTor estimulada, há um aumento nos ciclos de crescimento celular e uma inibição dos processos de reparação necessários para a longevidade saudável”, explica.

Carboidratos (açúcar)

mulher comendo doce
Foto: Pixabay

Apesar de importante para conferir energia ao corpo, o carboidrato em excesso pode interagir com as proteínas e gorduras para causar os AGEs (Agentes avançados de glicação) que alteram as estruturas e funções do colágeno e elastina, causando desordens na pele, com aparecimento de rugas, flacidez e manchas. “A glicose em excesso pode causar desregulação dos genes pró-longevidade e aumentar a concentração de methylglyoxal, um tipo de AGE”, afirma a médica.

Gorduras

abacate

O tipo de gordura é o mais importante para colher benefícios ou problemas. Elas são divididas basicamente em saturadas (encontrada principalmente em carnes vermelhas, elas aumentam o colesterol ruim) e insaturadas (de origem vegetal e peixes, diminui o colesterol ruim). “Enquanto níveis elevados de gorduras saturadas podem inibir a atividade da SIRT1 (proteína que estimula à longevidade celular) levando a uma vida útil celular reduzida, altas doses de gordura poli-insaturada podem: ativar mecanismos de reparação em células, conduzindo à longevidade; e diminuir a proporção de mau colesterol em comparação ao bom”, afirma a médica.

“E tudo isso reflete na pele, que sofre menos com os radicais livres, principalmente quando a boa gordura é usada como fonte de energia, pois ela causa menos estresse oxidativo ao corpo do que consumir carboidrato”, explica. “No caso da pele seca, a ingestão de alimentos ricos em ômegas como castanhas, abacates e azeite de oliva ajuda a formar a boa membra hidrolipídica , que vai ajudar na proteção e fortalecimento dessa pele contra os agressores ambientais, ao mesmo tempo em que também confere luminosidade”, completa a médica.

Vitaminas

frutas-citricas-limao-laranja

Micronutrientes essenciais que o organismo não consegue produzir sozinho em quantidades suficientes, as vitaminas podem ser solúveis em água ou em óleo (gordura). “Uma das mais importantes é a nicotinamida, que pode melhorar a hidratação da pele, diminuir a hiperpigmentação e ajudar no controle da acne por seu papel anti-inflamatório”, afirma a médica. Carnes magras, leveduras, leites, ovos e legumes fornecem essa vitamina, que tem importante papel no metabolismo energético e na reparação do DNA. “A Vitamina C é uma referência em antioxidantes e também deve ser consumida, e a Vitamina A é importante para a renovação celular, sendo indicada para rejuvenescimento e acne”, explica.

Minerais

cabelos longos saudaveis

Um dos mais importantes minerais para a pele é o selênio, segundo Thais. “Ele é necessário para a produção de glutationa, que ajuda a proteger contra os radicais livres, melhora a elasticidade da pele, fortalece cabelos e unhas e colabora contra infecções”, diz a médica. A castanha e a noz são grandes fontes de selênio.

Água

água

Fundamental para o transporte de nutrientes e a hidratação do organismo como um todo, a ingestão ideal de água por dia melhora a circulação com melhora expressiva na pele. “Beber bastante líquido como água e água de coco ajuda a eliminar as toxinas, diminuindo o edema e reavivando a pele”, conta.

Antioxidantes

suplemento omega 3

Micronutriente que neutraliza os radicais livres (que causam estresse oxidativo, dano celular e processos de inflamação crônica), os antioxidantes são a chave biológica para o metabolismo mitocondrial e o bom funcionamento celular. “Quando em deficiência, o organismo fica susceptível a doenças de pele e envelhecimento precoce. A ingestão de antioxidantes é uma forma inteligente de fortalecer a pele e todos os órgãos do corpo no combate aos agressores que reduzem a longevidade celular”, diz. A suplementação com Polypodium leucotomos, que contém uma série de polifenois antioxidantes, é uma das mais importantes, segundo estudos, pois a substância pode reduzir os danos solares, prevenindo o fotoenvelhecimento e diminuindo o risco de câncer de pele

Sobre dietas

pele beleza alimentação frutas mulher

Várias dietas foram analisadas durante o Congresso Americano, de forma que a dieta mediterrânea, focada em peixes, vegetais e mix de nozes, oferece uma série de benefícios para a saúde como um todo, muito em virtude das boas gorduras, das proteínas e demais nutrientes.

“Com relação às dietas vegetariana e vegana, elas precisam ser bem planejadas para fornecer os nutrientes essenciais e, principalmente, aminoácidos. Os mais comuns perdidos em dietas desse tipo são: lisina, metionina, triptofano e fenilalanina. Por isso, é necessário ficar de olho em como ingerir essas substâncias”, explica a médica.

“A lisina está disponível em lentilhas, germe do trigo e pistache; a metionina pode ser encontrada no abacate, nas nozes e aveia; o triptofano está no espinafra, aspargos e amêndoas; e a fenilalanina está presente em grãos integrais, grão de bico, amendoins e nozes”, finaliza.

Fonte: Thais Pepe é dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

 

Álcool em excesso pode causar o envelhecimento precoce da pele

No Carnaval é comum o consumo de bebidas alcoólicas em um curto espaço de tempo. Mas engana-se quem pensa que no dia seguinte só a ressaca e dores de cabeça são sinais dos efeitos do álcool: a pele também sofre. O álcool em excesso não apenas piora a qualidade da pele, como pode acelerar o processo de envelhecimento cutâneo.

“Quem ingere álcool em excesso, sente muita sede, principalmente no dia seguinte. Isso acontece porque o organismo precisa de água para metabolizar o álcool. No entanto, se não houver água suficiente, o organismo busca nos tecidos periféricos a água para realizar o seu trabalho. E esse é o grande problema, pois a perda d’água afeta a pele, diminuindo o viço e colaborando para o ressecamento e a descamação”, explica a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

alcool  carnaval margarita.jpg

Por isso, após exagerar na bebida, acordamos com a pele seca e sem brilho. Além disso, estudos comprovam que pessoas que bebem muito tendem a envelhecer até duas vezes mais rápido do que aquelas que não bebem. “O álcool estimula a produção de radicais livres, que em contato com as células danificam a sua estrutura, causando envelhecimento precoce e flacidez”, alerta a especialista.

É muito comum também que as pessoas fiquem com a pele avermelhada após beberem. Segundo a dermatologista, isso ocorre porque o álcool é um agente vasodilatador, o que provoca alterações nas células da pele levando a uma série de complicações como rosácea e o aumento da oleosidade na face.

“Os cabelos e as unhas também sentem os efeitos do álcool. Nos cabelos, o álcool pode agravar a dermatite seborreica, aumentando a incidência de caspa. Nas unhas, ocorre o enfraquecimento com o possível surgimento de manchas brancas”, afirma Thais.

Além disso, novos estudos apontam o consumo de álcool como um fator de predisposição para o câncer de pele não melanoma. “O consumo de álcool envolve um aumento no risco de queimaduras solares. Também, o acetaldeído, substância responsável pela ressaca produzida pela metabolização do etanol no organismo, pode interferir na síntese e reparação do DNA. Porém, a relação entre o consumo de álcool e o risco de câncer de pele não melanoma ainda não é conclusiva”, explica a especialista.

GettyImages mulher ressaca
Foto: iStock

De acordo com a médica, quanto mais elevado o teor de bebida alcoólica, mais difícil a recuperação da pele ou mais intenso o dano causado. Por isso, alguns cuidados devem ser tomados para diminuir os malefícios do álcool na pele. Por exemplo borrifar água e utilizar cremes hidratantes no rosto são ótimas medidas para uma recuperação rápida do tecido. Consumir alimentos leves também é uma boa medida para diminuir os efeitos do álcool, não só na pele como em todo organismo, pois ingerir alimentos de fácil digestão faz com que o corpo elimine o álcool com maior rapidez. Além disso, uma alimentação saudável melhora a qualidade da pele.

“Porém, o mais importante é manter-se hidratado a todo momento, não apenas após beber, mas enquanto bebe também. Junto ao álcool tome água ou água de coco. A água de coco possui açúcares, aminoácidos essenciais, fatores de crescimento celular e substâncias hidratantes que alimentam a pele e resgatam a água perdida, deixando-a com uma aparência melhor”, finaliza a médica.

Fonte: Thais Pepe é dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

Nada substitui o filtro solar para proteção da pele

Esqueça as receitas caseiras na hora de proteger a pele! Os danos solares são imediatos, por isso a pele fica vermelha. Mas eles também persistem e danificam o DNA em até três horas, o que causa envelhecimento e câncer de pele

Nada substitui o filtro solar na hora de proteger a pele contra os danos solares. “O filtro solar é o mais seguro mecanismo de proteção contra os raios UV. Não existe receita caseira para substituí-lo”, salienta a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Essa preocupação é valiosa, pois os efeitos da radiação solar na pele são cumulativos, ou seja, as consequências podem surgir anos depois. Mas, no momento em que entra em contato com a pele, o que a radiação provoca?

“Primeiro, precisamos entender as duas radiações: o UVA é o principal responsável pelo envelhecimento precoce (manchas e rugas), sendo um tipo de radiação que atravessa nuvens, vidro e epiderme e penetra na pele em grande profundidade, até as células da derme – sendo o principal produtor de radicais livres. Entre os prejuízos: desde lesões mais simples até, em casos mais graves, câncer de pele. Já o UVB deixa a pele vermelha e queimada, danifica a epiderme e é mais abundante entre às 10 da manhã e às 4 da tarde. Essa radiação pode furar o bloqueio dos filtros químicos e aumentar o risco de cancerização”, comenta a dermatologista. “Mas já sabemos que nos primeiros 20 minutos de exposição solar, a radiação é capaz de reduzir nossas defesas da pele, em um dano que vai perdurar”, acrescenta.

Nos primeiros 20 minutos

Nesse período, a pele já começa a sofrer oxidação por conta dos radicais livres, que geram vasodilatação, inflamação e vermelhidão – de acordo com a potência dos raios, segundo a médica. “Então, não adianta chegar à praia ou à piscina e esperar para passar o protetor solar nesse momento, porque há necessidade de, pelo menos, 20 a 30 minutos para que esse filtro solar comece a agir e nesse período já ocorre um ‘ataque’ importante em relação às células da pele”. Mas esse dano vai além…

mulher protetor solar praia

Após 3 horas

Esse dano imediato da radiação persiste e se intensifica a partir de três horas. “A célula começa a ficar mais danificada e seu material genético sofre, por consequência, mutação, no qual há produção de dímeros no DNA, isto é, a troca de informações de ligação, desestabilizando esse material genético”, afirma. “Todo esse dano ao DNA leva à expressão do P53, uma proteína que em alta quantidade é ruim, pois vai gerar deficiência de agentes antioxidantes, genes que vão levar à morte celular, resultando no envelhecimento”, conta.

Além disso, de acordo com Thais, a formação de dímeros criam alteração significativa e irreversível principalmente no melanócito, ou seja, a célula protetora de cor, que vai continuar por até três horas (por isso a pele fica vermelha), tendo lesões posteriores e que podem inclusive levar a um processo de cancerização. “Nós sabemos por exemplo que o melanoma é um câncer de pele extremamente agressivo com alta capacidade de metástase e é oriundo dessas células que são os melanócitos”, afirma.

praia sol pele

De 48 a 72 horas

O bronzeado, aquele transitório, aquele rosa avermelhado, o dourado, ele ocorre nas primeiras horas depois da exposição solar. “Mas só depois de 48 a 72 horas é que vamos ter a resposta da produção da melanina, seja ela castanha enegrecida ou amarela avermelhada, dependendo do fototipo do paciente. Esse bronzeado vai se depositar na pele como uma resposta fisiológica contra a agressão sofrida”

Todo esse processo ocorre quando há a exposição solar de um dia. Esse bronzeado pode durar até três ou quatro semanas e depois pelo próprio processo natural de renovação da camada mais superficial da pele, há uma perda gradual dessa pigmentação. “Outro dado importante e comum nas peles fotoenvelhecidas, aquelas peles que se expuseram muito ao sol, é a presença das sunburn cells, as células queimadas pelo sol”, afirma. Segundo a médica, as sunburn cells estão presentes quando houve a quebra da barreira, ou seja, a pele não conseguiu se proteger, o filtro solar estava aquém da necessidade para aquele fototipo, ou o estímulo solar foi prolongado demais, ou não houve a reaplicação desse filtro solar.

pele-queimada-de-sol

“E por conta disso, a pele começa a sofrer uma série de alterações, todos decorrentes de um primeiro processo inflamatório, onde ocorre o eritema, a vasodilatação, o aumento da perfusão sanguínea, a sensação de calor local, depois o processo de ardência e, então, já começam os processos oxidativos, que é a formação dos radicais livres e superóxidos que causam um envelhecimento precoce das nossas células. Além disso, pela exposição solar contínua, deixamos de ter a defesa imunológica feita pelas células de Langerhans, e quando isso acontece, nós aumentamos a chance de cancerização da nossa pele”, alerta a médica.

Por fim, Thais ressalta que o filtro solar deve ser passado na pele do corpo todo sem qualquer vestimenta, trinta minutos antes da exposição solar e reaplicado a cada duas horas em média, com uso de chapéu e óculos. “Além disso, aqueles que querem ir à praia, devem respeitar os horários recomendados que são: até 10 horas da manhã e depois das 16 horas”, finaliza.

Fonte: Thais Pepe é dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

Pálpebras viram preocupação mundial pela incidência de câncer de pele

Estudo da Universidade de Liverpool, apresentado na conferência anual britânica de dermatologistas, mostra que ao usar filtro solar no rosto, uma área de 10% (incluindo pálpebras e região entre olho e nariz) é negligenciada. Entre 5 e 10% dos cânceres de pele acontecem nas pálpebras

As pálpebras e toda região dos olhos viraram preocupação mundial pelo aumento da incidência de câncer de pele, que já chega a 10% nessas áreas frequentemente negligenciadas, segundo pesquisa da Universidade de Liverpool apresentada na conferência anual da Associação Britânica de Dermatologistas, no Reino Unido.  O estudo constatou que, ao passar filtro solar no rosto, a tendência é esquecer cerca de 10% da face – incluindo pálpebras e região entre o canto interno do olho e o nariz.

“Uma proteção solar adequada deve ser feita efetivamente com a cobertura de todo o rosto, além do uso de chapéus e principalmente óculos de sol, já que a área dos olhos tem uma pele extremamente fina e susceptível a danos, inclusive câncer”, explica a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

Aliás, a preocupação com a região tem crescido pelo mundo: a Associação Canadense de Dermatologia, por exemplo, anunciou, em junho, parceria com a Sociedade Canadense de Oftalmologia para criar um nível de proteção UV oferecido pelos óculos de sol, a fim de garantir fotoproteção adequada para a região.

A pesquisa da Universidade de Liverpool foi feita com 57 participantes, do sexo masculino e feminino. Eles foram convidados a aplicar protetor solar no rosto sem mais informações ou instruções dadas pelos pesquisadores. Foram tiradas fotos de cada um dos participantes com uma câmera sensível ao UV antes e depois da aplicação de protetor solar; as áreas cobertas de protetor solar aparecem em preto devido à câmera UV. Essas imagens foram então segmentadas e analisadas por um programa personalizado para julgar o sucesso que cada pessoa estava em cobrir todo o seu rosto.

A dermatologista afirma que, como a aplicação de protetor solar nestas áreas não é necessariamente prática, é importante usar outras formas de proteção, como óculos de sol. “Como a pele da região dos olhos é muito delicada, alguns filtros podem causar irritação; dessa forma, o paciente deve priorizar produtos oftalmologicamente testados, protegendo a área sem correr risco de reação”, afirma.

“Mas o dado mais importante para tirar desta pesquisa é a importância de acessórios na proteção solar, como os óculos de sol, que não resguardam apenas os olhos e córneas; eles são importantes para proteger, também, a pele das pálpebras propensas a câncer “, afirma.

A cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery), já atendeu casos de reconstrução de pálpebras por motivos de câncer e acrescenta: “O procedimento de retirada do tumor e reconstrução é muito delicado, por ser uma região que pode comprometer a funcionalidade das pálpebras e prejudicar a visão”.

Recomendações para uso correto do fotoprotetor

Middle-aged woman applying anti-aging cream
Foto: Bigstock

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso de protetores solares de FPS mínimo de 30. “Em peles mais claras e em fotoexposição direta, o ideal é usar FPS 50”, explica Thais. Além disso, os filtros solares devem atender a legislação brasileira de apresentar proteção UVA (PPD) de no mínimo 1/3 do valor de FPS.

“A primeira aplicação do filtro deve ser feita com atenção e cuidado, pelo menos 15min antes da exposição, de preferência sem roupa, ou com a menor quantidade possível. É ideal aplicar em duas camadas cobrindo bem a superfície da pele, sendo que cada camada deve ser equivalente a uma colher de chá. O filtro deve ser realizado a cada duas horas ou após longos períodos de imersão”, acrescenta a dermatologista.

Raios UVA, UVB e IR

Os três principais promotores do envelhecimento precoce e que também favorecem o aparecimento do câncer de pele são os raios UVA, UVB e IR (Infravermelho A). A médica explica que UVA é o principal responsável pelo envelhecimento precoce (manchas e rugas), sendo um tipo de radiação que atravessa nuvens, vidro e epiderme, é indolor e penetra na pele em grande profundidade, até às células da derme — sendo o principal produtor de radicais livres.

“Já a radiação ultravioleta B deixa a pele vermelha e queimada, danificando a epiderme e é mais abundante entre as 10 da manhã e 4 da tarde. Seu grau de proteção é medido pelo FPS e é uma radiação que pode furar o bloqueio dos filtros químicos e aumentar o risco de cancerização”, comenta Thais.

mulher rosto médico palpebras

Por fim, o Infrared é sentido através do calor ou mormaço. “É uma radiação que acomete num comprimento de onda suficiente para atingir a derme mais profunda — a derme reticular — onde estão as fibras de ancoragem e sustentação da pele. E isso provoca um dano muito importante, com menor elasticidade, além de um maior potencial de cancerização”, completa.

Fontes:

Thais Pepe é dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia.

Beatriz Lassance é Cirurgiã Plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL e é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e da American Society of Plastic Surgery (ASPS).

Aplicando protetor solar: quanto, como, quando, onde e qual passar

A chegada das estações mais quentes deve lembrar algumas coisas: os danos solares são imediatos, por isso a pele fica vermelha; mas eles também persistem e danificam o material genético causando envelhecimento e câncer de pele; o protetor solar é a forma mais eficaz de se defender.

Mas afinal, qual a forma correta de aplicação do filtro solar? Aliás, existe uma? Dois experts no assunto, a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e o farmacêutico e diretor científico da Consulfarma Lucas Portilho, que também é pesquisador em Fotoproteção na Unicamp, tiram as principais dúvidas:

Quanto de protetor solar eu devo passar?
“Para obter a proteção do fator de proteção solar (FPS) descrito na rotulagem é necessário aplicar 2mg/cm2. De forma prática, se pensarmos em rosto, equivale a uma colher de café cheia”, conta Lucas Portilho. No caso do corpo, o consenso é aplicar: uma colher de café no braço e antebraço direitos; uma colher no braço e antebraço esquerdos; duas colheres no torso (1 para a frente e 1 para as costas); duas colheres para a coxa e perna direitas (1 para a parte da frente e 1 para a parte de trás); e duas colheres para coxa e perna esquerdas (1 para a parte da frente e 1 para a parte de trás).

protetor solar pedro j perez
Foto: Pedro J. Perez/MorgueFile

Como e onde deve ser aplicado?
“No caso do rosto, eu tenho que passar uma camada generosa do filtro solar até que cubra toda a área e eu tenha aquela sensação de que existe um conforto e uma cobertura homogênea. Então obrigatoriamente, eu devo passar e estender no rosto até a raiz do cabelo, também na região pré-auricular, bem pertinho da dobra da orelha, não esquecer pescoço, nuca, orelhas quando eu estou em exposição ao sol como praia, piscina, caminhada, porque essas são áreas que frequentemente sofrem queimaduras”, enfatiza a dermatologista Thais Pepe.

“Além disso, devo reforçar a região do osso da bochecha, ao redor dos lábios, na ponta do nariz e em suas laterais, já que que essas são áreas em que nós mais percebemos os campos de cancerização e mesmo a formação das manchas. Não esquecer de passar o protetor solar na região do pescoço, do colo, para os homens o V da camisa, que acaba sendo uma área esquecida e, por conta disso, acaba tendo a demarcação da linha do fotoenvelhecimento e o aparecimento das queratoses actínicas, que são lesões do tipo pré-câncer”, acrescenta Thais.

Já no caso do corpo, uma recomendação importante: sempre que o paciente for para a exposição solar, ele deve passar o filtro sem roupa. “Ou seja, o filtro é passado no corpo todo e depois é colocado ou a roupa do exercício físico, ou biquíni, ou maiô da natação. E o filtro solar deve ser aplicado puro sobre a pele: então eu não passo um filtro solar com perfume, com hidratante, com produto anterior de hidratação para não perder a sua potência e aderência”, completa.

protetor solar

Quando deve ser aplicado?
“Não adianta chegar à praia ou à piscina e esperar para passar o protetor solar nesse momento. O filtro solar tem a necessidade de, pelo menos, 20 a 30 minutos para começar a agir e nesse período eu já estou sofrendo um dano importante em relação às células da minha pele”, afirma a dermatologista. Portanto, aplicar o protetor meia hora antes da exposição é uma zona de conforto e segurança. Além disso, a reaplicação deve ocorrer a cada duas horas em média, com uso de chapéu e óculos. “Aqueles que querem ir à praia, devem respeitar os horários recomendados que são: até 10 horas da manhã e depois das 16 horas”, completa a médica.

Qual FPS devo usar?
“A partir do FPS 30 já temos uma boa proteção, que fica perto de 97% de absorção da UVB, por exemplo. O problema é que como os brasileiros não aplicam uma quantidade adequada de produto, quando usam um FPS 30, na verdade a proteção é equivalente a um FPS 8”, conta Lucas. “Por isso gosto de fotoprotetores com FPS mais alto como 50, 60 ou 70. Acima disso o produto fica muito ruim sensorialmente e faz com que o consumidor não utilize diariamente. Afinal ninguém gosta de ficar com o rosto oleoso”, acrescenta.

Qual protetor solar?
Sem dúvida as classificações da pele requerem fotoprotetores diferentes. “Por exemplo, uma pessoa com fototipo 1 precisa de uma proteção muito maior quando comparado com uma pessoa com fototipo maior. Isso porque quanto maior o fototipo, mais escura a melanina da pele, um pigmento que protege a pele contra a radiação. Portanto, um indivíduo com pele clara, tem menos proteção e por isso precisa de fotoprotetores com FPS e UVA maiores”, explica Lucas Portilho. E tem mais: “Em relação ao sensorial do fotoprotetor, é importante usar produtos que sejam mais secos no caso de pessoas com pele oleosa ou produtos mais hidratantes no caso de quem apresenta pele seca”, completa o pesquisador em fotoproteção.

protetor-solar-333

Por que usar filtro?
Porque ele é a forma mais segura de proteção contra as radiações solares, segundo a médica. “Pesquisa recente descobriu que o guarda-sol não consegue bloquear as radiações e oferece, no máximo, FPS 8. Além disso, a areia reflete os raios solares”, afirma Thais. “UVA é o principal responsável pelo envelhecimento precoce (manchas e rugas), sendo um tipo de radiação que atravessa nuvens, vidro e epiderme e penetra na pele em grande profundidade, até as células da derme – sendo o principal produtor de radicais livres. Entre os prejuízos: desde lesões mais simples até, em casos mais graves, câncer de pele. Já o UVB deixa a pele vermelha e queimada, danifica a epiderme e é mais abundante entre as 10 da manhã e as 4 da tarde. Essa radiação pode furar o bloqueio dos filtros químicos e aumentar o risco de cancerização”, finaliza a dermatologista.

Fontes
Thais Pepe: dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia.
Lucas Portilho: consultor e pesquisador em Cosmetologia, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma e Pesquisador em Fotoproteção na Unicamp. Especialista em formulações dermocosméticas e em filtros solares. Diretor das Pós-Graduações do IPUPO Educacional, Hi Nutrition Educacional e Departamento de Desenvolvimento de Formulações do IPUPO. Atuou como Coordenador de Desenvolvimento de produtos na Natura Cosméticos e como gerente de P&D na AdaTina Cosméticos.

Dermatologista ensina como evitar erros que podem detonar sua pele no frio

Esquecer do protetor solar e abusar dos retinoides: esses são só alguns dos erros que podem detonar sua pele no tempo frio. A dermatologista Thais Pepe conta como cuidar da pele de maneira correta

A poluição, as baixas temperaturas e o tempo seco são características das estações mais frias do ano e influenciam no modo que a pele deve ser tratada. “Como a pele produz menos oleosidade natural, o ressecamento e a sensação de incômodo aparece principalmente na pele do rosto, que é a mais exposta ao vento e poluição”, explica a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

“A pele, quando não é cuidada de maneira propícia nas estações frias, reflete diretamente, ficando mais avermelhada e irritada, ressecada, pelo alto grau de poluição que temos neste período, sendo necessários cuidados especiais”, acrescenta. Para evitar alguns problemas, selecionamos aqui alguns erros básicos que devem ser evitados:

1. Não passar protetor solar — não tem jeito, o fotoprotetor é de uso diário e eterno: “A radiação ultravioleta, também no inverno, provoca danos que comprometem a estrutura de sustentação da pele, causando o aparecimento precoce de rugas e flacidez, além das manchas como reação à fotoexposição. A orientação continua a ser a de reaplicar o fotoprotetor de quatro em quatro horas em ambientes fechados e de duas em duas horas em fotoexposição direta. O filtro deve ter dióxido de titânio ou óxido de zinco na formulação: esses são bloqueadores físicos importantes”, explica.

mulher pele inverno frio

2. Esquecer dos hidratantes e cremes reparadores — o ideal é buscar produtos cujos veículos sejam à base de Fosfolipídeos que formam uma segunda pele e protegem a pele de forma mais efetiva diminuindo a perda de água por evaporação. “O ácido hialurônico de alto e baixo peso molecular associados ainda são indicados para estimular a produção de hidratação natural em todas as camadas da pele”, comenta. A dermatologista sugere Hyaxel, ácido hialurônico de baixo peso molecular e vetorizado ao silício orgânico, que tem a capacidade de aumentar a expressão gênica de proteínas como aquaporinas, filagrinas, loicrinas e outras importantes para aumentar a auto hidratação; e DSH CN, ácido hialurônico de alto peso molecular, que forma um filme de retenção hídrica e devolve elasticidade ao tecido cutâneo. Com relação aos cremes reparadores, a médica diz que eles são fundamentais e podem ser usados à noite para evitar os danos ambientais como a poluição. “São substâncias antioxidantes com capacidade de reparo celular e que atuam contra os radicais livres”, comenta.

pele rosto mulher creme face

3. Esquecer dos pés, mãos e corpo — hidratar essas regiões é fundamental. “No caso dos pés, passar o hidratante a base de fosfolipídeos ou Nutriomega 3, 6, 7 e 9 e colocar uma meia de algodão ajuda a pele a absorver o produto mais facilmente. Nas mãos, invista nos ácidos hialurônicos. No corpo, a reposição lipídica deve ser eficiente, com opções como Dry Oil que tem na sua composição ésteres de karite, purcelin que podem ser associados a outros óleos, restabelecendo a hidratação da pele”, indica a médica.

pés

4. Abusar dos retinoides — para tratamento de acne, manchas e rejuvenescimento facial, os retinoides são excelentes opções — e geralmente são prescritos no inverno. “Mas eles devem ser usados com parcimônia e orientados por dermatologistas. Seu uso contínuo pode causar hipersensibilidade cutânea, vermelhidão e irritabilidade”, alerta a especialista. Dependendo da sensibilidade da pele, algumas substâncias podem ser usadas como alternativas naturais ao retinol, como Lanablue, que possui elevados índices de vitaminas do complexo B, além de aminoácidos e tem ação similar aos retinoides na diferenciação dos queratinócitos — suaviza linhas, rugas e densifica a epiderme.

acne

5. Tomar banhos muito quentes — ficar mais de 15 minutos em uma ducha quente é mais que o suficiente para comprometer a camada hidrolipídica da pele, que segura a hidratação. “Dessa forma, a pele perde água e lipídeos, o que compromete sua função de barreira. O ideal é banho morno e logo após o banho hidratar a pele”, finaliza.

banho mulher 2

Fonte: Thais Pepe é dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

Suplementos anti-idade que (realmente) funcionam

Dermatologista Thais Pepe explica como as cápsulas podem trazer benefícios para a saúde da pele e de todo o organismo. A fonte da juventude pode estar nessas pílulas

O uso de nutricosméticos pode melhorar a saúde da pele, do cabelo, das unhas, além de otimizar o funcionamento celular. “Tomar suplementos anti-idade, desde que com orientação médica ou nutricional, contribui para a saúde total no nível celular, mantendo o seu metabolismo, hormônios e órgãos vitais em forma. Além disso, hoje muitas substâncias apresentam ação antioxidante e podem ajudar a reverter os sinais do tempo, bem como aumentar a capacidade de reparo das células”, explica Thais Pepe, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

“Mas a consulta com o médico ou especialista é sempre interessante, porque ele vai personalizar a fórmula de acordo com a necessidade do paciente e prescrever fórmulas que sejam biodisponíveis, ou seja, que sejam compatíveis e melhor assimiladas pelo organismo”, acrescenta. Abaixo, listamos cinco opções para você discutir com seu médico:

ARGININA
Esse aminoácido é conhecido por seus efeitos sobre a glândula pituitária, que libera hormônio do crescimento (GH). “GH apoia o seu metabolismo e a capacidade do corpo para queimar gordura enquanto aumenta a massa muscular magra”, diz a dermatologista. A arginina também melhora a circulação sanguínea e ajuda a fornecer energia mitocondrial, dando fôlego e força ao organismo como um todo, melhorando a troca de nutrientes. Uma das opções com esse ativo é o Bio-Arct, biomassa marinha do Mar Ártico rica em citrulil arginina, além de florosideos e taurina. A cápsula está disponível em farmácias de manipulação.

ASTRÁGALO
“Estudos recentes demonstraram que o astrágalo pode alongar telômeros, que são as frágeis extremidades do DNA que encurtam à medida que envelhecemos”, diz a Dra. Thais. Telômeros mais longos estão associados com maior longevidade, saúde cardiovascular, cognição e funcionamento imune. “A dosagem de 25 a 50 miligramas por dia é indicada; procure astragalosides, compostos extraídos da erva astrágalo”, conta.

suplementos

SILÍCIO
O silício orgânico é um elemento importante para reestruturação da derme e também aumenta a produção de colágeno, conferindo mais firmeza e ativando a pele metabolicamente para as reações enzimáticas. “A reposição do silício se faz importante a partir dos 30 anos, no qual a absorção do mesmo diminui pelo trato gastrointestinal, ele é um elemento fundamental para o bom funcionamento da pele”, explica a médica. Para reposição de silício no corpo, fórmulas com Exsynutriment, um silício biodisponível, ainda colabora com ossos e articulações, além de conferir maior flexibilidade dos vasos, melhorando o fluxo sanguíneo.

FLAVONOIDES DO CACAU
O poder antioxidante natural do chocolate (amargo) pode ser um aliado poderoso para seu cérebro e coração. “Um estudo da Nature Neuroscience mostrou que os flavonoides do cacau agem diretamente no cérebro para reduzir o declínio cognitivo relacionado à idade”, explica a médica. O consumo regular dessa substância também tem efeitos positivos sobre as rugas faciais e elasticidade, de acordo com um estudo do Journal of Nutrition. Mas, infelizmente, você precisa de mais do que uma barra de chocolate escuro, então a suplementação é necessária (em 1.000 miligramas diariamente).

COENZIMA Q10
Coenzima Q10 é um potente antioxidante que ajuda as mitocôndrias permanecerem carregadas, dando-lhe energia e abastecendo suas funções diárias. “A substância também auxilia na reparação de telômeros e ajuda seu coração – que é carregado com mitocôndria – a funcionar em níveis ótimos. Também há benefícios para a pele, com melhora das rugas e firmeza”, diz a Dra. Thais.

AÇAFRÃO
A curcumina, um ingrediente ativo da cúrcuma (açafrão), é um dos mais poderosos antioxidantes e anti-inflamatórios, como explica a dermatologista: “O ingrediente é especialmente eficaz no apoio à longevidade saudável, protegendo o cérebro. Na pele, há estudos que mostram melhora da saúde celular, principalmente com relação a patologias como acne e psoríase “. Um grama por dia pode ser suficiente.

Fonte: Thais Pepe é dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia.

Laser contra microvarizes com tecnologia que resfria a pele e causa menos dor

Com a tecnologia patenteada DCD (Dynamic Cooling Device), o Vbeam importado pela SKINTEC consegue destruir os microvasos em sessões menos dolorosas

Os microvasinhos ou as microvarizes incomodam muitas mulheres, especialmente, porque elas são perceptíveis nas pernas – mas além do fator estético, existem casos em que causam desconforto. E para combater as microvarizes, um dos tratamentos mais eficazes do momento é o uso do laser Vbeam, importado pela SKINTEC. Com a Tecnologia DCD (Dynamic Cooling Device), por causa da refrigeração epidérmica, o paciente sente menor desconforto durante as sessões.

Shirlei Borelli, membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e membro-fundadora da Sociedade Brasileira de Laser em Cirurgia e Medicina, explica que Vbeam atua no comprimento de onda das hemácias, que é a substância contida dentro das veias e, desta forma, o aparelho as destrói. Lembrando que quando as veias estão dilatadas, as hemácias em grande volume liberam a pigmentação vermelha, que pode ser notada na pele. E isso, de fato, favorece a destruição dessas microvarizes.

Na prática, a função das veias é levar sangue às extremidades do corpo e dentro delas existem válvulas, que não permitem que o sangue venoso chegue ao coração. Quando essas válvulas não funcionam como deveriam, o volume de sangue aumenta dentro da veia e isso provoca o seu dilatamento e, neste caso, são formadas as varizes. As veias varicosas atingem mais às mulheres e suas causas estão associadas a fatores genéticos e hábitos, como ficar muito tempo em pé, por exemplo.

Tratamento e cuidados

pernas_2_web_.jpg

Em relação aos cuidados antes das sessões com o laser, Shirlei destaca que é importante que a pele não esteja bronzeada, não tenha infecção e nem alergia na área a ser tratada. Sobre os cuidados pós-tratamento ela cita que é essencial se proteger do sol. A também dermatologista Thais Pepe acrescenta que o paciente pode utilizar produtos em casa, que são prescritos pelo médico.

Quanto ao número de sessões, Shirlei menciona que depende muito da área e do calibre dos vasos a serem tratados. “Em geral, são necessárias no mínimo de 2 a 3 sessões, que podem ser repetidas sempre que houver qualquer recidiva, mas é preciso avaliar cada caso”, completa.

De forma geral, sobre o tratamento com o laser, ela cita que os efeitos são positivos. “Observamos muito bons resultados, especialmente quando não ocorre comprometimento de veias de maior calibre, no caso, quando eventualmente a cirurgia convencional ou mesmo laser transdérmico pode ser associado”. Thais também destaca a importância de realizar a manutenção e menciona que os resultados obtidos podem variar de acordo com cada paciente.

Fonte: Skintec