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Crescer com animais pode tornar uma pessoa mais resiliente quando adulta

Uma educação rural com muito contato com animais pode garantir o sistema imunológico e a resiliência mental ao estresse de forma mais eficaz do que a criação em uma cidade e sem animais de estimação.

Essa foi a conclusão de uma pesquisa liderada por profissionais da Universidade de Ulm na Alemanha e agora publicada na revista PNAS. Esse estudo não é de forma alguma o primeiro a propor que crescer em ambientes urbanos sem diversidade de micróbios pode prejudicar a saúde física.

A esse respeito, acrescenta-se à crescente evidência em apoio às teorias que se desenvolveram a partir da “hipótese da higiene”. Porém, o estudo é o primeiro a sugerir que um risco maior de transtornos psiquiátricos – provavelmente devido a uma “resposta imunológica exagerada” – pode ser outra consequência inesperada do crescimento em um ambiente com menos oportunidades de interagir com uma variedade de micróbios.

“Já foi muito bem documentado”, diz Christopher A. Lowry, coautor do estudo, professor de fisiologia integrativa na Universidade do Colorado em Boulder, que “a exposição a animais e ambientes rurais durante o desenvolvimento físico é benéfica em termos de redução de riscos de asma e alergias mais tarde na vida “.

No entanto, ele acrescenta que seu estudo também “avança a conversa mostrando pela primeira vez em humanos que essas mesmas exposições provavelmente são importantes também para a saúde mental”.

Perdendo contato com micróbios coevoluídos

quarto hotel poluição cama computador

A existência humana está se tornando cada vez mais urbanizada. Em 1950, apenas um terço da população mundial vivia nas cidades. Em 2014, esse número subiu para 54% e deverá aumentar para 66% até 2050.

A ideia de que o aumento da urbanização e as mudanças no estilo de vida que o acompanham pode aumentar o risco de certas doenças, devido à redução da interação com uma variedade de micróbios, decorre da hipótese da higiene.

A teoria tem suas raízes em uma pesquisa de 30 anos que sugere que uma taxa mais baixa de infecção entre crianças pequenas foi o motivo pelo qual as taxas de asma e doenças relacionadas à alergia aumentaram no século XX. No entanto, tornou-se evidente que a interação com os micróbios ultrapassa esse escopo original, e até mesmo foi sugerido que o termo hipótese de higiene é um equívoco e deve ser abandonado.

Em seu estudo, o autor sênior Stefan O. Reber, professor de psicossomática molecular na Universidade de Ulm, e sua equipe usam o termo “velhos amigos” para se referir aos micróbios que coevoluíram com os humanos.

Lowry e colegas discutiram anteriormente como “a perda progressiva do contato com organismos com os quais coevoluímos” pode ser a culpado por “grande parte do fracasso da regulação de respostas imunes inflamatórias inapropriadas” visto em muitos habitantes urbanos modernos e habitantes de nações mais ricas.

Estudo testou homens com vários níveis de educação

cachorro homem beagle

O novo estudo investiga ainda mais esse elo comparando as respostas relacionadas ao estresse em adultos jovens que foram criados em ambientes rurais, onde tiveram muito contato com animais com pessoas criadas em áreas urbanas “na ausência de animais de estimação”.

Os investigadores inscreveram 40 voluntários masculinos saudáveis com idades entre 20 e 40 anos residentes na Alemanha. Metade tinha sido criada em fazendas onde eles frequentemente lidavam com animais, e a outra metade tinha sido criada em ambientes urbanos sem animais de estimação.

Para criar a condição de estresse, todos os participantes completaram duas tarefas. Na primeira, fizeram uma apresentação para uma audiência que não mostrou reação, e então, eles tiveram que resolver um problema de matemática difícil sob pressão de tempo. Os voluntários deram amostras de sangue e saliva 5 minutos antes do teste, e novamente 15, 60, 90 e 120 minutos depois.

“Resposta imunitária exagerada”

Os resultados mostraram que os homens jovens criados em cidades sem animais de estimação tiveram um “aumento pronunciado” nos níveis de “células mononucleares do sangue periférico”. Essas células formam uma grande parte do sistema imunológico.

Enquanto isso, membros do grupo educados na cidade também tiveram níveis mais altos de interleucina 6 e níveis “suprimidos” de interleucina 10. A interleucina 6 é um composto que promove a inflamação, enquanto a interleucina 10 é um composto que reduz a inflamação.

Lowry diz que esses resultados mostraram que “as pessoas que cresceram em um ambiente urbano tiveram uma indução muito exagerada da resposta imune inflamatória ao estressor, o que persistiu durante o período de duas horas”.

O que surpreendeu os pesquisadores foi que, embora seus corpos parecessem ter uma resposta mais sensível ao estresse, os homens criados em cidades e sem animal de estimação relataram sentimentos mais baixos de estresse do que seus colegas que foram criados em fazendas.

Lowry compara a “reação inflamatória exagerada” dos homens criados na cidade a “um gigante adormecido que eles desconhecem completamente”.

Contato com animais pode ser fator chave

homem brincando com gato

Ao discutir suas descobertas, os autores mencionaram pesquisas anteriores que mostraram que a forma como nosso sistema imunológico responde ao estresse é moldada na infância por nossas interações com os micróbios.

Outros estudos sugeriram que uma resposta amplificada à inflamação está ligada a uma taxa mais alta de transtorno de estresse pós-traumático e depressão mais tarde. Eles também discutem como a presença ou a ausência de animais pode ser um fator importante nos resultados.

Eles observam como outros pesquisadores descobriram que “agricultura altamente industrializada com baixo contato com animais de fazenda” está mais ligada a condições relacionadas à desregulação imunológica – como asma e alergias – do que “agricultura tradicional com contato regular com animais de fazenda”.

Isso sugeriria, eles explicam, que o “efeito protetor” – de uma educação rural com animais em comparação a uma criação na cidade sem animais – venha mais provavelmente  do contato com animais do que a diferença entre os estilos de vida rural e urbana.

‘Tenha um animal de estimação e passe um tempo na natureza’

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Foto: Docg

Os pesquisadores agora querem repetir o estudo com grupos maiores – tanto homens quanto mulheres – e com educação mais variada, a fim de desvendar os efeitos do contato com animais e do grau de urbanização.

Eles também reconhecem que o estudo não levou em conta outros fatores que podem afetar a exposição infantil à variedade de micróbios. Esses incluem, por exemplo, o tipo de parto ao nascer, a amamentação em comparação com a alimentação de outra forma, o uso de antibióticos e dietas.

Enquanto isso, os pesquisadores sugerem que os moradores da cidade se tornem um “animal de estimação peludo”, passem um tempo na natureza e comam alimentos que são “ricos em bactérias saudáveis”. Além de adotarem um animal de estimação.

“Muitas pesquisas ainda precisam ser feitas. Mas parece que gastar o máximo de tempo possível, de preferência durante a educação, em ambientes que oferecem uma ampla gama de exposições microbianas, tem muitos efeitos benéficos” afirmou o professor Stefan O. Reber.

Fonte: MedicalNewsToday

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Pesquisa mostra que animais de estimação ajudam a combater a solidão

A Mars Petcare, empresa de alimentos e cuidados para pets, encomendou à OnePoll, empresa especializada em pesquisas, um estudo sobre o impacto dos pets na vida de pessoas que se dizem solitárias ou sobrecarregadas no trabalho.

Os resultados mostraram que 33% dos entrevistados se descrevem como “socialmente isolados” e, especialmente entre os adultos, sentir confiança é algo raro, já que alegam ter apenas duas pessoas em quem podem realmente confiar. Há inúmeros fatores apontados como gatilhos para esse isolamento, mas destaca-se a dedicação excessiva ao trabalho – 32% dos entrevistados revelaram que horas extras foram prejudiciais à sua vida pessoal – e o exagero no uso das redes sociais – 25% das pessoas admitiram que grande parte de suas interações sociais acontece online.

A pesquisa também descobriu que os entrevistados se sentem sozinhos, em média, sete dias por mês, que seis em cada dez pessoas apresentam ansiedade social e mais de 75% evitam a completa socialização. Além disso, 44% acham que o ser humano está menos amigável do que era há apenas cinco anos, 75% acreditam que as pessoas estão se tornando mais distantes uma das outras em comparação às gerações anteriores e um em cada seis entrevistados admite que se preocupa mais com o que os outros pensam sobre ele do que há cinco anos.

No entanto, os animais de estimação parecem fazer toda a diferença: 21% das pessoas que possuem gatos e cães disseram se sentir sozinhas, em comparação aos 32% dos que não têm animais de estimação.

De acordo com Deri Watkins, Executivo da Mars Petcare, os animais de estimação podem fazer parte da solução para a crescente questão da solidão. “Somos extremamente apaixonados pelo assunto e essa pesquisa mostra a diferença tangível que nossos amigos caninos e felinos podem fazer na vida das pessoas solitárias”.

Aqueles que possuem um animal de estimação revelaram que ter um pet faz toda a diferença e impulsiona a vida social:

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· 82% dos tutores de animais entrevistados se sentiram menos sozinhos ao receber um animal.

· quatro em cada cinco entrevistados disseram que o sentimento de isolamento desapareceu um mês depois do pet passar a fazer parte de suas vidas.

· seis em cada dez pessoas entrevistadas relataram que o pet é seu companheiro mais próximo.

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· 85% dos entrevistados disseram que seu animal faz a casa um lugar mais feliz para se morar.

· Mais de 50% das pessoas entrevistadas atribuem ao pet um novo senso de propósito para suas vidas.

· 50% dos entrevistados tutores de cães têm mais probabilidade de conversar com pessoas que não conhecem quando caminham com o pet.

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· 62% dos entrevistados que possuem um cão disseram que fazem mais exercício.

Sobre a pesquisa: a pesquisa foi conduzida pela One Poll para a Mars Petcare, no Reino Unido, em julho de 2018, e contou com uma amostra de 2.000 pessoas adultas.

 

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Dia dos Animais: pets contribuem em todas as fases da vida dos seres humanos

Não é preciso ter um animal de estimação em casa para conhecer os benefícios que eles trazem para a vida dos seres humanos. O amor puro e incondicional dos pets é inexplicável e esse sentimento de afeto mútuo não deixa dúvidas do bem que a presença de um cão ou gato pode gerar para seus tutores.

Hoje, 4 de outubro, é celebrado o Dia dos Animais. E o Centro de Nutrição e Bem-estar Animal Waltham, da Mars Petcare, referência em pesquisas sobre a interação homem-animal, destaca como os pets contribuem de forma positiva durante toda a vida do homem, desde o desenvolvimento infantil até um envelhecimento saudável.

Infância

criança com cachorro

Crescer com um animal de estimação pode trazer benefícios sociais, emocionais e educacionais às crianças e adolescentes. Meninos e meninas que convivem com pets tendem a ter autoestima mais elevada, se sentem menos sozinhos e têm mais habilidades sociais.

Alguns estudos têm revelado que aqueles que crescem com pets costumam demonstrar mais empatia com os colegas e estão mais envolvidos em atividades como esportes, brincadeiras, dentre outras. Na escola, as pesquisas sugerem que os animais podem ajudar as crianças a aprender, mantendo-os interessados e motivados a terem bons comportamentos.

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Ter um pet na família também traz benefícios para a saúde como redução do risco de alergias associadas a asma, além de auxiliar crianças que sofrem de transtorno de déficit de atenção. Para crianças com autismo, foi relatado que intervenções assistidas por animais facilitaram melhorias em áreas críticas, como funcionamento social, foco e atenção, comportamentos psicossociais, além de reduzir comportamentos estereotipados.

Adultos

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Em geral, tutores de animais tendem a visitar médicos com menos frequência e consumir menos remédios. Vários estudos sugerem que o passeio com o cão é uma ótima maneira de se exercitar e pode ajudar, por exemplo, a reduzir as taxas de obesidade, pressão sanguínea, risco de doenças cardíacas e colesterol elevado, além de prolongar o tempo de sobrevivência após um ataque cardíaco.

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Foto: Nina Pearman

Ter um pet reduz os níveis de estresse e, para aqueles que perderam um cônjuge, uma forte ligação com os animais está associada a níveis reduzidos de depressão. Além disso, tutores de pets são mais propensos a desenvolver uma relação de amizade e confiança, fortalecendo assim a tese que ser tutor de um animal de estimação é um fator valioso e positivo na vida da comunidade e da vizinhança.

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Sherman Filmes Ópticos do Brasil

O vínculo humano-animal pode ajudar também na área profissional. A presença dos animais de estimação nos escritórios torna o ambiente mais colaborativo, com menos stress e ansiedade, ajudando as pessoas a se manterem mais felizes e saudáveis.

Idosos

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Quando ficamos mais velhos, o impacto de um animal de estimação pode ser ainda mais poderoso. Os pets, especialmente os cachorros, oferecem oportunidades e motivação para idosos como a prática regular de atividade física. Exercícios regulares não só ajudam a manter e melhorar o funcionamento físico, mas também reduzem as chances de doenças ligadas ao sedentarismo (como, por exemplo, doença coronária, diabetes tipo 2 e certos tipos de câncer). Por isso mesmo, idosos com cães fazem mais amizades e ficam menos doentes.

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Outros estudos demonstraram que os tutores têm respostas fisiológicas mais saudáveis ao estresse, incluindo a melhora cardíaca, melhor pressão arterial e a recuperação mais rápida de irritações leves.

Fonte: Mars, Incorporated

Tabu ainda é principal obstáculo para combate ao suicídio

Setembro Amarelo: especialistas da Doctoralia analisam as principais questões envolvendo a depressão
Para marcar o Setembro Amarelo – mês da campanha brasileira de combate ao suicídio – a Doctoralia, plataforma que conecta profissionais de saúde e pacientes, conversou com especialistas para desvendar os principais estigmas sobre esse assunto. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2016 o Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio, número 2,3% maior do que o registrado no ano anterior.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 322 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, transtorno mental mais associado ao risco de suicídio, sendo 11,5 milhões de brasileiros – deixando o país em quinto lugar entre os mais afetados e em primeiro quando se fala de América Latina.

Entre as principais questões, o tabu e o preconceito existente em relação aos transtornos mentais ainda são as principais barreiras ao tratamento. “É possível observar uma mudança de mentalidade, mas ainda precisamos melhorar muito. Esse cenário não está tão ruim como era há 20 anos, mas na prática vemos muito preconceito, às vezes isso vem do próprio paciente”, destaca o psiquiatra e membro da Doctoralia, Rafael Dias Lopes.

“Por ser uma doença de ordem mental, acontece de a pessoa ser subestimada, questionada e até ter seu problema minimizado e relativizado”, completa a psicóloga especialista em saúde mental e membro da Doctoralia, Tatiane Paula Souza.

Os profissionais são unânimes dizendo que o primeiro passo do tratamento é acolher a pessoa que se encontra em situação de risco. “Ela precisa sentir que pode falar sobre o que está sentindo, que não será julgada por isso e nem terá seu problema tratado como frescura”, pontua Lopes. “A pessoa que está em sofrimento e chega a verbalizar que tem vontade de sumir ou que não aguenta mais viver, precisa se sentir acolhida, o que não acontece geralmente. É preciso entender que não se trata de uma pessoa fraca, pelo contrário, ela é corajosa e está buscando ajuda”, complementa Tatiane.

MULHER TRISTE DEPRESSÃO

Dúvidas comuns

Dentro da plataforma, a Doctoralia dispõe do serviço “Pergunte ao Especialista” – que permite tirar dúvidas sobre saúde, de forma gratuita e anônima. A maior parte das dúvidas relacionadas a esse assunto são sobre as medicações para o tratamento da depressão. Entre elas é possível observar questionamentos sobre quais são os riscos de dependência e os efeitos colaterais de medicamentos para tratamento dessa patologia.

Os especialistas esclarecem que existem diversos transtornos mentais que podem estar associados ao suicídio e a necessidade de medicação varia de acordo com o caso, portanto somente um médico pode avaliar o paciente e medicar de acordo com o quadro de cada um.

“A depressão é a causa mais conhecida para o suicídio, mas não é a única. A pessoa precisa passar por uma avaliação para se estabelecer o diagnóstico, depois disso é possível discutir a medicação, dosagem e duração necessária de tratamento. Também é importante unir o acompanhamento do psiquiatra com o tratamento psicológico”, pontua Lopes.

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De forma geral, todos os profissionais sinalizam que é essencial observar os sinais que podem indicar mudanças comportamentais de uma pessoa com risco de suicídio e buscar ajuda profissional é fundamental. “O isolamento, por exemplo, pode ser um forte indício. Se a pessoa muda muito o seu comportamento habitual, abandonando as coisas do dia a dia, não quer conversar, chora muito, fala sobre morte ou faz referências ao suicídio, é essencial consultar um profissional o quanto antes”, afirma Lopes.

A psicóloga Tatiane sinaliza ainda que os sinais podem ser discretos e não verbais. “A pessoa pode apresentar bastante ambivalência, pois existe um conflito interno. De modo geral, o comportamento é marcado por um sofrimento intenso, com traços de desesperança e desamparo”.

Fonte: Doctoralia

Especialista dá dicas de como ajudar a prevenir o suicídio

Setembro Amarelo: campanha de conscientização e prevenção do suicídio reforça a importância do diálogo e dos cuidados com saúde mental no país

Quarta maior causa de morte entre os jovens no Brasil, o suicídio é considerado um comportamento resultante de um conjunto de fatores diversos, como experiências traumáticas, dificuldades na primeira infância, vulnerabilidade psíquica e genética. Os dados preocupam: um estudo do Ministério da Saúde, realizado entre 2011 a 2016, apontou um aumento de mais de 200% das tentativas de suicídio, a maioria na região Sudeste e Sul do país e na faixa etária de 10 a 39 anos.

Em Santa Catarina, a situação é ainda mais preocupante, já que o estado é o segundo em número de suicídios a cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul segundo o Mapa da Violência. Iniciada em 2015, a campanha brasileira Setembro Amarelo visa a prevenção ao suicídio, dedicando o mês de setembro para a conscientização e prevenção desse problema de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, ele pode ser evitado em 90% dos casos – a meta da Organização Mundial de Saúde é, até 2020, reduzir em 10% os casos de suicídio.

Dor é de dentro para fora, assim como a cura: como ajudar na prevenção do suicídio

mulher triste

Segundo o treinador neurocomportamental Alex Cavalcante, graduando em em Psicanálise clínica pelo IBPC (Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica) e mestrando em Psicologia Clínica e da Saúde na Universidad Europea del Atlántico, verbalizar é essencial para a prevenção dos casos de suicídio.

Por isso, a importância de uma atenção redobrada da família e amigos para indivíduos com tendências suicidas, bem como serviços públicos de saúde mental como o Centro de Valorização da Vida (CVV) e os 99 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em diversos municípios de Santa Catarina, em diferentes modalidades – outros 23 estão em fase de implantação.

“No suicídio, entender alguns aspectos fisiológicos pode ajudar a entender e até prevenir. O cérebro capta as informações da nossa fala, o que promove um processo neural do sistema nervoso central. Ele capta, interpreta, armazena e comanda. Quando falamos, nos ouvimos e assim podemos acessar o lugar da emoção em que o incômodo estava preso, e aí começar um processo de autoconhecimento”, explica.

O diálogo como ferramenta preventiva

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Ilustração: Serena Wong/Pixabay

Segundo Cavalcante, o pensamento é repleto de mecanismos de defesa e de algumas armadilhas também. Quando o pensar está sofrendo, ele sofre dentro deste campo de batalha interior, que pode ser então facilmente sabotado e enganado, propondo um negativo jeito de dar um basta nesse sofrimento, nessa dor psíquica, geralmente da forma mais cruel, surgindo aí o niilismo, que é o total e absoluto espírito destrutivo, em relação ao mundo circundante e ao próprio eu.

“Para ajudar a prevenir o problema, é necessário levar o paciente a compreender o que está acontecendo, fazê-lo enxergar por outros ângulos onde ele não deixou de ser especial, único e de valor, independente do que esteja ou tenha acontecido. Ele entra em um processo de aceitação e com essa nova vivência, muito bem gerenciada emocionalmente, ele acaba colocando para fora esse sentir e acontece a liberação,” detalha o especialista.

Cavalcante afirma que falar é muito importante, tanto no aspecto preventivo como no atendimento direto de um paciente com tendências ao niilismo. Ao verbalizarmos, acontece um fenômeno de bumerangue que volta e se desloca imediatamente para o pensamento, causando a consciência. Isso porque que o ato de falar toma uma forma com a dinâmica e a força da voz.

“Nos ouvimos quando falamos e, nesse processo, entender e definir nossos sentimentos é preciso. Podemos modificar nosso funcionamento orgânico a partir de nossas experiências vividas ou ressignificadas. A dor realmente aparece quando, internamente, não conseguimos acessar recursos para avançar nas nossas fragilidades e acabamos num processo de “boicote” intenso. Compreender e se movimentar nesta direção é um passo importante”, explica.

Amigos e familiares podem apoiar o paciente inicialmente, inclusive se dispondo a ouvi-lo, mas nada substitui a atuação de um profissional da saúde mental durante o processo preventivo e de tratamento de episódios depressivos. Nesses casos, é indispensável o acompanhamento clínico do indivíduo, com profissional de saúde adequado, para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível, evitando evoluções do problema.

“Com base na TCC (terapia cognitivo-comportamental) é preciso interpretar os acontecimentos emocionais, buscar os seus devidos significados e o que eles nos proporcionam de sensações. Esse é um processo consciente que precisa ser levado muito a sério, considerando uma devida atenção com ajuda profissional. Em uma terapia cognitivo-comportamental, o indivíduo tem um contato direto com a consciência dos comportamentos e por ele, transforma seus modos, seus ambientes, desencadeando fatores de mudanças cognitivas”, afirma.

Tratamentos preventivos e para casos de episódios depressivos

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Foto: Shutterstock

De acordo com Cavalcante, a cura só se torna possível quando encontrada a causa. Assim, uma mentoria clínica pode elucidar o episódio depressivo por experiências compartilhadas. Numa abordagem psicanalista, por exemplo, o paciente poderá se deparar com um ponto de vista do inconsciente como uma possibilidade de tratamento desses sentimentos reprimidos, muitas vezes parecem sem sentido, sem eclodir significados.

“Dor psíquica é de dentro pra fora, assim como a sua cura”, afirma o especialista. Um caminho de autoconhecimento com ajuda especializada é o passo mais importante neste momento”, finaliza.

Fonte: Alex Cavalcante é  Diretor Executivo de Planejamento e Criação do Grupo Produza, Treinador Neurocomportamental na Cavalcante Training. Tutor, Mentor & Coach pela Lumen Development Institute. É fundador e idealizador do Programa Marketing Empreendedor & Programa Marketing Digital no Brasil. Estuda Neuropsicologia e psicanálise. Graduando em Psicologia pela Universidade Estácio de Sá, Psicanálise clínica pelo IBPC, e Mestrando em Psicologia Clínica e da Saúde na Universidad Europea del Atlántico.

Sete principais causas que as pessoas sinalizam antes de cometer suicídio*

Desde 2015, setembro se tornou o mês da conscientização do suicídio, um dos principais problemas de saúde pública no mundo. De acordo com uma pesquisa feita pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), no Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa atenta contra a própria vida e, pelos números oficiais fornecidos pela entidade, são cerca de 25 brasileiros mortos por dia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio já tem taxa de mortalidade superior às vítimas de HIV.

Existem diversos fatores que desencadeiam esses episódios. Suas raízes ainda são profundas e muito estudadas pelos psiquiatras, e seus motivos diferem de indivíduo para indivíduo. Abaixo, estão algumas das principais causas e sinais que um suicida pode dar antes de tirar a própria vida:

Depressão e doenças mentais: indivíduos com esses quadros devem sempre receber uma atenção maior, pois é considerada uma doença silenciosa. É imprescindível que o diagnóstico seja feito o quanto antes;

Drogas: o uso de drogas ilícitas também pode desencadear o problema. Nos casos onde pessoas depressivas fazem o uso de álcool ou drogas, a vigilância deve ser redobrada, pois a combinação de ambos os fatores resulta no maior número de mortes no mundo inteiro;

Insatisfações: frases como: “eu quero sumir”, “não aguento mais” e, principalmente, “eu queria morrer” podem ser um pedido de ajuda inconsciente. É necessário se atentar àqueles que externam seus sentimentos;

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Adolescência: já conhecida por ser uma das fases mais atribuladas e difíceis da vida, a adolescência mascara muitos sinais de suicídio, que acabam sendo confundidos por amigos e familiares como um comportamento normal da idade. Devemos ter muito cuidado com esses jovens, oferecendo ajuda quando for preciso;

Mudanças: a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento, a mudança de casa ou trabalho, podem desestruturar um indivíduo e dar espaço a pensamentos negativos. Esses episódios podem gerar perda de interesse em atividades e eventos, levando a um quadro depressivo e ao possível suicídio;

Falsa melhora: muitas pessoas que já tentaram o suicídio alegam ter melhorado para tranquilizar familiares e amigos a fim de diminuir suas preocupações e, enfim, poderem colocar em prática o ato. Cuidado redobrado!

O mito do suicídio: uma das frases mais ouvidas por aí e de que um suicida não ameaça, e isso é um engano. Quem quer tirar a própria vida fala do ato e deixa sinais, sim.

É preciso falar sobre o assunto não só em setembro e sim durante todo o ano, de forma transparente, sem banalizar, julgar, condenar e opinar diante a essa situação. Se conhece alguém nessa situação, incentive-o a procurar um profissional especializado para que possa receber todo o suporte necessário.

*Milene Rosenthal é cofundadora da TelaVita, marketplace de saúde e psicóloga especializada em Terapia Cognitiva com certificações em Cybercounsellor pela Universidade de Toronto

Lançada Plataforma digital Abertamente para falar sobre Saúde Mental

Canal de Comunicação traz conteúdo relevante e orientação médica semanalmente. Plataforma apoia o CVV para atrair e engajar novos voluntários

Buscando levar informação de qualidade sobre saúde mental e desmistificar o assunto, foi criada a Plataforma Abertamente, para ajudar quem sofre e precisa sentir-se acolhido. Semanalmente são postados vídeos e conteúdos importantes com orientações médicas que tratam, de maneira clara e objetiva, os sintomas das principais doenças que acometem o sistema nervoso central, como: depressão, ansiedade, esquizofrenia, demência, bipolaridade e síndrome do pânico. Além de vídeos esclarecedores, o canal digital também apoia iniciativas culturais que abordem o tema. A Plataforma Abertamente, idealizada pela FQM Farma, pode ser acessada clicando aqui.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que no Brasil, 23 milhões de pessoas tenham problemas com a saúde mental, sendo ao menos cinco milhões em níveis que vão de moderado a grave.

Na opinião do neurologista, Willians Lorenzatto, a Plataforma Abertamente é muito importante para que as pessoas tenham total acesso à informação. “O objetivo é que a pessoa tenha uma referência na hora de pesquisar sobre o tema e também um canal com os especialistas da área. A população precisa saber que há várias formas de tratamento, sem que haja necessariamente uma internação”, afirma.

A Plataforma Abertamente, em apoio ao Centro de Valorização da Vida (CVV), também participa da Campanha Setembro Amarelo de conscientização sobre a prevenção do suicídio, que tem como intuito alertar a população sobre a realidade do suicídio e as formas de prevenção. Através de depoimentos de embaixadores, serão exibidos vídeos nas mídias sociais com o objetivo de atrair e engajar novos voluntários, para que possam aumentar a capacidade de apoio emocional gratuito e sigiloso oferecido pela entidade. Para se candidatar ao voluntariado, basta ter mais de 18 anos de idade, tempo disponível para os plantões semanais e vontade de conversar com pessoas desconhecidas sem preconceitos, críticas ou aconselhamentos.

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Sobre a FQM Farma

A FQM Farma é uma indústria farmacêutica especializada em medicamentos vendidos sob prescrição médica. Sua linha de produtos está presente em farmácias de todos os Estados do Brasil. A fábrica está localizada no Rio de Janeiro e possui a certificação de boas práticas, emitida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A sua missão é promover a saúde e o bem-estar, colocando à disposição da classe médica e profissionais de saúde, soluções terapêuticas modernas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida.

Sobre o CVV

O CVV presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os dois milhões de atendimentos anuais são realizados por 2.400 voluntários em 90 postos de atendimento pelo telefone 188 (sem custo de ligação), ou pelo site via chat e e-mail.

Animais de estimação também podem sofrer de depressão

A depressão nos animais pode se manifestar de várias maneiras, assim como nos humanos. As principais causas são as mudanças de rotina e ambiente, solidão e falta de atividades físicas.

Segundo a Médica Veterinária e professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Univeritas/UNG, Karina D’Elia Albuquerque, todos os animais domésticos podem sofrer de depressão, principalmente cães e gatos.

cachorro e gatinho

“Atualmente, com a humanização dos animais domésticos, temos nos deparado com recorrentes manifestações de depressão, ansiedade e outros distúrbios psicológicos que afetam diretamente a personalidade desses animais, como por exemplo irritabilidade, destruição de móveis e objetos pessoais, e urinar e defecar fora dos locais preestabelecidos”, explica.

Confira entrevista com Karina D’Elia:

cachorro deitado doente

Pergunta – Os cães são seres mais dependentes, como os sintomas de depressão se manifestam?

Resposta: Há diversas formas de aparecimento da depressão. Os cães podem manifestar a perda do apetite, apatia acentuada, lambedura excessiva nas patas e no corpo, tristeza profunda, rejeição ao toque e isolamento.

P – Os gatos têm depressão? Como identificar?

gato assustado escondido pinterest
Pinterest

R: Os gatos são ainda mais propensos a desencadear a patologia, pois a mudança de rotina pode levar à depressão e, com isso, o aparecimento de doenças, como a Síndrome da Pandora (cistite idiopática no felino), principalmente nas fêmeas, cujos sintomas iniciais são cistite e hematúria (sangue na urina). Alguns animais se escondem e param de se alimentar.

P – Por que a depressão aparece?

cachorro sofá dois

R: Os cães e os felinos são muito resistentes às mudanças de rotina, como a introdução de um novo animal na casa, a morte de uma pessoa próxima, o afastamento de um animal companheiro. Devido à correria do mundo moderno, os tutores dos pets passam muito tempo no trabalho e os animais se sentem sozinhos e abandonados.

P – Existe tratamento? Quais alternativas existem para reverter o quadro de depressão?

gato com medo

R: Em primeiro lugar, precisamos minimizar ao máximo as mudanças de rotina, levar ao veterinário para realizar exames laboratoriais e de imagem, e ter certeza que não há doenças primárias, tentar manter uma rotina diária com os animais, como passeios e brincadeiras. Manter um acompanhante sempre que possível na ausência do tutor. Há casos que são recomendados o uso de antidepressivos e sessões terapêuticas.

Fonte: Universidade Univeritas/UNG

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Setembro Amarelo: sintomas e como tratar depressão e ansiedade

Desde 2014 é realizado no Brasil o Setembro Amarelo – campanha de combate à depressão. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, cerca de 6% da população sofre com esse mal, sendo o país com maior prevalência de depressão da América Latina.

Ainda, os brasileiros também são recordistas mundiais quanto aos transtornos de ansiedade, com 9,3% afetados pela doença. “A ansiedade e a depressão são quadros emocionais que podem estar correlacionados”, explica a psicóloga do Grupo São Cristóvão Saúde Aline Melo.

Conforme a especialista, a depressão se caracteriza por uma tristeza duradoura, que pode vir acompanhada de desanimo e autoestima baixa, falta de energia, entre outros sintomas. Já a ansiedade está associada a uma sensação de medo ou angustia constante sobre o futuro. “Essa sensação é considerada patológica quando começa a atrapalhar a rotina do indivíduo”, comenta Aline.

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Se a ansiedade não for tratada, há grande probabilidade de, além de gerar desgaste emocional recorrente, ser gatilho para o desenvolvimento de outras doenças, até mesmo levando à depressão. “A ansiedade pode estar associada a compulsões, pânico, comportamentos obsessivos, entre outros aspectos. Por isso a necessidade de reconhecê-la, compreende-la e trata-la de maneira adequada”, alerta a profissional.

Quanto aos fatores mais comuns que podem desencadear uma depressão ou ansiedade estão as condições genéticas, disfunções físicas, além de traumas, estresse e perdas. Também o uso de álcool e drogas contribui para o aparecimento de tal patologia. “Para tratar as doenças é preciso de um cuidado especializado, sendo de grande importância a avaliação de um médico psiquiatra e de um psicólogo, visando o direcionamento adequado a cada caso. O uso de medicações e psicoterapia podem ser necessários”, esclarece a psicóloga.

A especialista ainda adverte que vivemos um período de muitas cobranças e pressões em várias áreas de nossas vidas – profissional, familiar e pessoal – que reforçam nosso desejo de antever e nos preparar para situações futuras, o que associadas a uma grande carga de estresse, fatores físicos e predisposições genéticas geram uma maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos emocionais.

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“As cobranças e crises do mundo de hoje afetam nossa saúde mental, demonstrando cada vez mais a necessidade de voltarmos nosso olhar para dentro”, finaliza.

Fonte: Grupo São Cristóvão Saúde

Setembro Amarelo: Positivo lança guia de combate ao suicídio

De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio causa 800 mil mortes por ano no mundo. Essa é a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e, para cada uma, seis pessoas próximas sofrem consequências emocionais, sociais ou econômicas.

Para alertar alunos e colaboradores sobre o assunto, a Universidade Positivo (UP) participa do “Setembro Amarelo”, uma campanha de valorização da vida. Por meio de diversas ações, como iluminação do Teatro Positivo – Grande Auditório na cor amarela em apoio à campanha, capacitação de professores, palestras, “cinedebate”, entre outras, o Serviço de Informação e Apoio ao Estudante (SIAE), em parceria com o curso de Psicologia e os centros acadêmicos da UP, alerta a comunidade acadêmica sobre o tema e sobre as formas de ajudar o próximo.

Como parte das atividades, o SIAE, com apoio dos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia, desenvolveu o guia “Uma vida que vale a pena ser vivida: como fazer a diferença e ajudar pessoas”O material, que aborda estatísticas, mitos e verdades, como identificar alguém que precisa de ajuda e como ajudar, pode ser acessado clicando aqui.

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O SIAE é um setor da Universidade que conta com uma equipe multiprofissional para apoiar o estudante em todas as situações de risco. Ele pode ser contatado por meio dos seguintes canais: e-mail siae@up.edu.br; telefone (41) 3317-3442; e WhatsApp (41) 99252-4596.