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Tabu ainda é principal obstáculo para combate ao suicídio

Setembro Amarelo: especialistas da Doctoralia analisam as principais questões envolvendo a depressão
Para marcar o Setembro Amarelo – mês da campanha brasileira de combate ao suicídio – a Doctoralia, plataforma que conecta profissionais de saúde e pacientes, conversou com especialistas para desvendar os principais estigmas sobre esse assunto. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2016 o Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio, número 2,3% maior do que o registrado no ano anterior.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 322 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, transtorno mental mais associado ao risco de suicídio, sendo 11,5 milhões de brasileiros – deixando o país em quinto lugar entre os mais afetados e em primeiro quando se fala de América Latina.

Entre as principais questões, o tabu e o preconceito existente em relação aos transtornos mentais ainda são as principais barreiras ao tratamento. “É possível observar uma mudança de mentalidade, mas ainda precisamos melhorar muito. Esse cenário não está tão ruim como era há 20 anos, mas na prática vemos muito preconceito, às vezes isso vem do próprio paciente”, destaca o psiquiatra e membro da Doctoralia, Rafael Dias Lopes.

“Por ser uma doença de ordem mental, acontece de a pessoa ser subestimada, questionada e até ter seu problema minimizado e relativizado”, completa a psicóloga especialista em saúde mental e membro da Doctoralia, Tatiane Paula Souza.

Os profissionais são unânimes dizendo que o primeiro passo do tratamento é acolher a pessoa que se encontra em situação de risco. “Ela precisa sentir que pode falar sobre o que está sentindo, que não será julgada por isso e nem terá seu problema tratado como frescura”, pontua Lopes. “A pessoa que está em sofrimento e chega a verbalizar que tem vontade de sumir ou que não aguenta mais viver, precisa se sentir acolhida, o que não acontece geralmente. É preciso entender que não se trata de uma pessoa fraca, pelo contrário, ela é corajosa e está buscando ajuda”, complementa Tatiane.

MULHER TRISTE DEPRESSÃO

Dúvidas comuns

Dentro da plataforma, a Doctoralia dispõe do serviço “Pergunte ao Especialista” – que permite tirar dúvidas sobre saúde, de forma gratuita e anônima. A maior parte das dúvidas relacionadas a esse assunto são sobre as medicações para o tratamento da depressão. Entre elas é possível observar questionamentos sobre quais são os riscos de dependência e os efeitos colaterais de medicamentos para tratamento dessa patologia.

Os especialistas esclarecem que existem diversos transtornos mentais que podem estar associados ao suicídio e a necessidade de medicação varia de acordo com o caso, portanto somente um médico pode avaliar o paciente e medicar de acordo com o quadro de cada um.

“A depressão é a causa mais conhecida para o suicídio, mas não é a única. A pessoa precisa passar por uma avaliação para se estabelecer o diagnóstico, depois disso é possível discutir a medicação, dosagem e duração necessária de tratamento. Também é importante unir o acompanhamento do psiquiatra com o tratamento psicológico”, pontua Lopes.

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De forma geral, todos os profissionais sinalizam que é essencial observar os sinais que podem indicar mudanças comportamentais de uma pessoa com risco de suicídio e buscar ajuda profissional é fundamental. “O isolamento, por exemplo, pode ser um forte indício. Se a pessoa muda muito o seu comportamento habitual, abandonando as coisas do dia a dia, não quer conversar, chora muito, fala sobre morte ou faz referências ao suicídio, é essencial consultar um profissional o quanto antes”, afirma Lopes.

A psicóloga Tatiane sinaliza ainda que os sinais podem ser discretos e não verbais. “A pessoa pode apresentar bastante ambivalência, pois existe um conflito interno. De modo geral, o comportamento é marcado por um sofrimento intenso, com traços de desesperança e desamparo”.

Fonte: Doctoralia

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Especialista dá dicas de como ajudar a prevenir o suicídio

Setembro Amarelo: campanha de conscientização e prevenção do suicídio reforça a importância do diálogo e dos cuidados com saúde mental no país

Quarta maior causa de morte entre os jovens no Brasil, o suicídio é considerado um comportamento resultante de um conjunto de fatores diversos, como experiências traumáticas, dificuldades na primeira infância, vulnerabilidade psíquica e genética. Os dados preocupam: um estudo do Ministério da Saúde, realizado entre 2011 a 2016, apontou um aumento de mais de 200% das tentativas de suicídio, a maioria na região Sudeste e Sul do país e na faixa etária de 10 a 39 anos.

Em Santa Catarina, a situação é ainda mais preocupante, já que o estado é o segundo em número de suicídios a cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul segundo o Mapa da Violência. Iniciada em 2015, a campanha brasileira Setembro Amarelo visa a prevenção ao suicídio, dedicando o mês de setembro para a conscientização e prevenção desse problema de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, ele pode ser evitado em 90% dos casos – a meta da Organização Mundial de Saúde é, até 2020, reduzir em 10% os casos de suicídio.

Dor é de dentro para fora, assim como a cura: como ajudar na prevenção do suicídio

mulher triste

Segundo o treinador neurocomportamental Alex Cavalcante, graduando em em Psicanálise clínica pelo IBPC (Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica) e mestrando em Psicologia Clínica e da Saúde na Universidad Europea del Atlántico, verbalizar é essencial para a prevenção dos casos de suicídio.

Por isso, a importância de uma atenção redobrada da família e amigos para indivíduos com tendências suicidas, bem como serviços públicos de saúde mental como o Centro de Valorização da Vida (CVV) e os 99 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em diversos municípios de Santa Catarina, em diferentes modalidades – outros 23 estão em fase de implantação.

“No suicídio, entender alguns aspectos fisiológicos pode ajudar a entender e até prevenir. O cérebro capta as informações da nossa fala, o que promove um processo neural do sistema nervoso central. Ele capta, interpreta, armazena e comanda. Quando falamos, nos ouvimos e assim podemos acessar o lugar da emoção em que o incômodo estava preso, e aí começar um processo de autoconhecimento”, explica.

O diálogo como ferramenta preventiva

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Ilustração: Serena Wong/Pixabay

Segundo Cavalcante, o pensamento é repleto de mecanismos de defesa e de algumas armadilhas também. Quando o pensar está sofrendo, ele sofre dentro deste campo de batalha interior, que pode ser então facilmente sabotado e enganado, propondo um negativo jeito de dar um basta nesse sofrimento, nessa dor psíquica, geralmente da forma mais cruel, surgindo aí o niilismo, que é o total e absoluto espírito destrutivo, em relação ao mundo circundante e ao próprio eu.

“Para ajudar a prevenir o problema, é necessário levar o paciente a compreender o que está acontecendo, fazê-lo enxergar por outros ângulos onde ele não deixou de ser especial, único e de valor, independente do que esteja ou tenha acontecido. Ele entra em um processo de aceitação e com essa nova vivência, muito bem gerenciada emocionalmente, ele acaba colocando para fora esse sentir e acontece a liberação,” detalha o especialista.

Cavalcante afirma que falar é muito importante, tanto no aspecto preventivo como no atendimento direto de um paciente com tendências ao niilismo. Ao verbalizarmos, acontece um fenômeno de bumerangue que volta e se desloca imediatamente para o pensamento, causando a consciência. Isso porque que o ato de falar toma uma forma com a dinâmica e a força da voz.

“Nos ouvimos quando falamos e, nesse processo, entender e definir nossos sentimentos é preciso. Podemos modificar nosso funcionamento orgânico a partir de nossas experiências vividas ou ressignificadas. A dor realmente aparece quando, internamente, não conseguimos acessar recursos para avançar nas nossas fragilidades e acabamos num processo de “boicote” intenso. Compreender e se movimentar nesta direção é um passo importante”, explica.

Amigos e familiares podem apoiar o paciente inicialmente, inclusive se dispondo a ouvi-lo, mas nada substitui a atuação de um profissional da saúde mental durante o processo preventivo e de tratamento de episódios depressivos. Nesses casos, é indispensável o acompanhamento clínico do indivíduo, com profissional de saúde adequado, para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível, evitando evoluções do problema.

“Com base na TCC (terapia cognitivo-comportamental) é preciso interpretar os acontecimentos emocionais, buscar os seus devidos significados e o que eles nos proporcionam de sensações. Esse é um processo consciente que precisa ser levado muito a sério, considerando uma devida atenção com ajuda profissional. Em uma terapia cognitivo-comportamental, o indivíduo tem um contato direto com a consciência dos comportamentos e por ele, transforma seus modos, seus ambientes, desencadeando fatores de mudanças cognitivas”, afirma.

Tratamentos preventivos e para casos de episódios depressivos

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Foto: Shutterstock

De acordo com Cavalcante, a cura só se torna possível quando encontrada a causa. Assim, uma mentoria clínica pode elucidar o episódio depressivo por experiências compartilhadas. Numa abordagem psicanalista, por exemplo, o paciente poderá se deparar com um ponto de vista do inconsciente como uma possibilidade de tratamento desses sentimentos reprimidos, muitas vezes parecem sem sentido, sem eclodir significados.

“Dor psíquica é de dentro pra fora, assim como a sua cura”, afirma o especialista. Um caminho de autoconhecimento com ajuda especializada é o passo mais importante neste momento”, finaliza.

Fonte: Alex Cavalcante é  Diretor Executivo de Planejamento e Criação do Grupo Produza, Treinador Neurocomportamental na Cavalcante Training. Tutor, Mentor & Coach pela Lumen Development Institute. É fundador e idealizador do Programa Marketing Empreendedor & Programa Marketing Digital no Brasil. Estuda Neuropsicologia e psicanálise. Graduando em Psicologia pela Universidade Estácio de Sá, Psicanálise clínica pelo IBPC, e Mestrando em Psicologia Clínica e da Saúde na Universidad Europea del Atlántico.

Setembro Amarelo: Positivo lança guia de combate ao suicídio

De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio causa 800 mil mortes por ano no mundo. Essa é a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e, para cada uma, seis pessoas próximas sofrem consequências emocionais, sociais ou econômicas.

Para alertar alunos e colaboradores sobre o assunto, a Universidade Positivo (UP) participa do “Setembro Amarelo”, uma campanha de valorização da vida. Por meio de diversas ações, como iluminação do Teatro Positivo – Grande Auditório na cor amarela em apoio à campanha, capacitação de professores, palestras, “cinedebate”, entre outras, o Serviço de Informação e Apoio ao Estudante (SIAE), em parceria com o curso de Psicologia e os centros acadêmicos da UP, alerta a comunidade acadêmica sobre o tema e sobre as formas de ajudar o próximo.

Como parte das atividades, o SIAE, com apoio dos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia, desenvolveu o guia “Uma vida que vale a pena ser vivida: como fazer a diferença e ajudar pessoas”O material, que aborda estatísticas, mitos e verdades, como identificar alguém que precisa de ajuda e como ajudar, pode ser acessado clicando aqui.

setembro amarelo

O SIAE é um setor da Universidade que conta com uma equipe multiprofissional para apoiar o estudante em todas as situações de risco. Ele pode ser contatado por meio dos seguintes canais: e-mail siae@up.edu.br; telefone (41) 3317-3442; e WhatsApp (41) 99252-4596.